A ARTE (6)

A ARTE (6)

Os materiais em si são inertes. Mas ganham vida ao mais pequeno movimento. A cor, a textura, as formas mais simples, os sinais, podem adquirir, ao mais pequeno domínio, uma expressividade independente. Toda a gente sabe que a criação não depende só dos materiais mas da forma como se usam, a qual decorre das capacidades artísticas do autor e da sua cultura e sensibilidade, bem como das circunstâncias e do estado psicológico da sociedade em que se insere.
A realidade exerce o seu fascínio e é, como vimos atrás, uma pedra fundamental na criação da obra de Arte. Presunçoso seria lançar sobre ela um anátema. Não se deve procurar excluí-la mas mantê-la dentro das suas proporções e do seu papel. Até porque a realidade nunca está na pintura, ela encontra-se sempre na mente do observador. Se fosse possível isolar numa obra de Arte apenas a realidade que os olhos mostram, ela seria muito pobre. A par da realidade, a pintura existe com as suas leis próprias. Uma superfície sobre a qual está disposta a matéria pictórica, composta de linhas e cores reunidas de determinada forma dentro de uma consistência visível, mas para além da qual há todo um mundo psicológico, todo um universo de emoções, sentimentos e harmonias, dos quais essas linhas e cores são o sinal perceptível. Mesmo nas expressões mais figurativas, o nosso pensamento deve ser capaz de transpor a vidraça do realismo que cobre o quadro, a fim de não nos impedir de penetrar na sua essência, se existir, claro! Não sou ingénuo ao ponto de considerar que tudo é Arte, como dizem alguns. Por estas e outras razões, considero salutar que, sempre que possível, a obra de Arte não tenha título. (Continua).

                   (adão cruz)

(adão cruz)

TODOS À PROCURA DO RASTO DAS PATACAS

.
FREEPORT, AINDA E SEMPRE
.
.
Com um bocadinho de jeito, lá se irá conseguir que nada aconteça antes do caso prescrever.
Agora, andam todos atrasados na conclusão do processo, por via da procura da meia dúzia de tostões que parece que desapareceram.
O que se diz por aí, é que havia dinheiro, depois deixou de haver porque alguém ficou com ele. Alguém ou “alguéns”, que nestas coisas nunca é um sozinho.
A investigação já dura há cinco anos e tem sete arguidos. Provavelmente não convirá a muita gentinha que o desfecho ocorra antes das eleições, e assim andam por aí às voltas, num jogo de “descubra onde está”. Quente, quente, mais quente, … frio, frio, muito frio… e assim se vão entretendo, em jogos palacianos.
O que convinha mesmo é que abrissem mais um ou dois inquéritos, e talvez acabe mesmo por prescrever.
Os contactos entre a polícia Portuguesa e a polícia Britânica são frequentes, mas inconclusivos, parece.
O rasto do dinheiro já está frio, e quando assim acontece, não há nada a fazer. Procura-se até debaixo das pedras da calçada, para justificar o salário e esperar que tudo acabe em bem.

.

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA (6)

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA (6)

Segundo Fidel, “a poderosa extrema-direita odeia Obama por ser negro, por isso boicota tudo o que ele faz, mesmo que o presidente americano não pretenda mudar o sistema capitalista. Nasceu, se educou, fez política e teve êxito dentro do sistema capitalista imperial de Estados Unidos. Não desejava nem podia mudar o sistema. O curioso é que, apesar de tudo isso, a extrema-direita o odeia por ser afro-americano e combate o que ele faz para melhorar a imagem deteriorada desse país. Não tenho a menor dúvida de que a direita racista fará de tudo para desgastá-lo, obstaculizando seu programa para tirá-lo do jogo de um modo ou de outro, ao menor custo político possível. Tomara que eu esteja equivocado!”,

Onde está, afinal, o terrorismo? O de dentro e o de fora? O de fora e o de dentro? Irmãos gémeos sempre paridos do ventre da extrema-direita.

Na desesperada luta de resistência por qualquer meio e a qualquer preço, contra a ocupação, a usurpação, a humilhação, o massacre e o genocídio, ou na brutalidade de um poderoso exército e seus tentáculos altamente destruidores que tudo arrasam, incluindo escolas, ambulâncias e hospitais, despedaçando crianças, fria e calculadamente? São os próprios soldados israelitas a confirmá-lo. Como é possível que os filhos do holocausto, cujos pais foram cruelmente assassinados e barbaramente torturados pelos nazis, admitam um poder militar que em tudo se está a comportar como os torcionários das SS? Como é possível o povo americano e o povo israelita suportarem como seus comandantes, cruéis matadores de gente e carniceiros primários, obcecados por massacres, criminosos de guerra tão maus ou piores do que os dos campos de concentração? Afinal, onde está o TPI?

Caro Presidente Obama, não deixe de respeitar os que, por si e pelo mundo, verteram essa lágrima de alegria. (continua).

                       (adão cruz)

(adão cruz)

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Deixa-me sozinho no meu barco

à entrada do mar

na manhã fria do teu corpo…

o sol ainda pode chegar

e aquecer um verso para o teu poema.

                              (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Todo o loureiro aprende

Exemplo que vem de cima

Ai meu rico S. João

Não sei como isto rima.

PARA QUE NÃO HAJA DÚVIDAS

Sou absolutamente independente e não pertenço a qualquer partido. Sou dependente, isso sim, da minha razão e do meu pensamento, duas coisinhas em que estou profundamente treinado e traquejado. E procurei sempre, em toda a minha vida, limpar bem os óculos. E mais, tenho um enorme respeito por quem sabe mais do que eu, e um grande prazer quando reconheço que tem algo para me ensinar.

COITADOS DOS ESPANHÓIS

.
TANTA GENTE A VIVER MAL
.
.
Imaginem que em Espanha, há mais de 60% de assalariados a viver com menos de mil e cem euros por mês (13.200 euros anuais/12 meses – 15.400 euros/14 meses).
Coitadinhos, se calhar temos de os ajudar com alguma coisinha.
Os pobres têm um salário mínimo de 625 euros (7.500 euros anuais/12 meses – 8.750 euros/14 meses), uma vergonha nesta Europa a vinte e sete.
Espanha é um dos países com salários mais baixos.
Eu, se fosse a eles, revoltava-me. Não há direito.

Será que eles querem o ainda nosso Primeiro para os governar?
Por solidariedade para com eles, até nem me importava que ele fosse para lá. Assim como assim, seria mais um emigrante Português com sucesso no estrangeiro. E eles ficavam todos satisfeitos. Em pouco mais de cinco anos, o homem punha o País deles direitinho como um fuso.
Melhor, podemos exportá-lo? A preço de custo? Sem encargos aduaneiros ou outros? Até, sem IVA?
Podemos, por favor?

.

Santarém, Capital do Gótico (V)

primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)

As Invasões Bárbaras e a lenda de Santa Iria

No ano de 460, Scallabis é conquistada por Suenerico e passa a integrar o reino visigótico da Península Ibérica. Datam dessa época informações vagas e superficiais relativas a uma certa fidelidade que alguns, em Scallabis, tentaram manter em relação a Roma; e outros dados que nos dão conta de uma relativa independência que os poderes locais tentaram manter em relação aos bárbaros.
Santarém, nesta altura, seria constituída pela cidadela fortificada, pelo planalto, pelo bairro de Alfange e pelo de Seiserigo. A cidadela fortificada era o centro militar de Santarém, ponto de grande importância geo-estratégica em tempos que tinham voltado a ser conturbados e pouco pacíficos. O planalto era o centro urbano, com o antigo fórum, as praças e os novos templos cristãos. A zona ribeirinha, por seu lado, ganhava um novo impulso com a chegada de novos mercadores de origem síria-judaica.
Fora a partir do séc. III que o Império Romano começara a desmoronar-se, com a progressiva emancipação das suas províncias, que queriam a independência. Mas foi com as Invasões Bárbaras do séc. V que acabou definitivamente. Estas invasões tiveram várias causas: crescimento demográfico, busca de riquezas, modificações climáticas. No fundo, os Bárbaros viram-se obrigados a invadir Roma por uma questão de sobrevivência.
O êxito das Invasões Bárbaras alterou de forma significativa, pois, o mapa político da Europa do séc. V. Com os suevos e os visigodos, vão ser lançadas as bases de um mundo novo, o mundo medieval. Começa a desenhar-se uma nova organização social e política do território, e no domínio religioso, a ascensão do cristianismo como religião oficial, dominadora, monopolizadora das consciências.
A acção dos germânicos foi importantíssima para o futuro de Portugal. Pode dizer-se que começou aqui a nação portuguesa. Apesar de rudes e habituados à arte da guerra, depressa os suevos e os visigodos fizeram amizade entre a população local e rapidamente passaram a dedicar-se e a preocupar-se com o trabalho nos campos.
Importante o contributo suevo e visigótico, igualmente, a nível religioso, com a fundação das primitivas paróquias e o lançamento das bases da Igreja Católica medieval. Aliás, só depois da conversão dos suevos nos aparecem dados pormenorizados sobre a organização eclesiástica de Portugal.
E é aqui que podemos integrar a lenda de Santa Iria, que trouxe um importante contributo para a evangelização da Península Ibérica e que, através da evolução fonética, viria a dar o nome a Santarém. Uma lenda cujas informaçõres remontam à Idade Média e que está relacionada com a região onde o drama se desenvolveu e com o clima de cruzada que se viveu posteriormente.
Iria ou Irene era uma bela jovem, bonita virtuosa e rica, natural de Nabância, que alguns autores fizeram corresponder a Tomar durante muito tempo. Na realidade, ao contrário do que sempre se pensou desde o século XV, Nabância nunca existiu, pelo menos da forma que se pensava.
Iria morava com as tias maternas num convento de freiras junto ao rio Nabão. Numa ocasião festiva dedicada a S. Pedro, o filho do governador da cidade, Britaldo, apaixonou-se por ela e tudo fez para cativar o seu coração, mas Iria decidira dedicar a sua vida a Cristo.
Como não conseguiu os seus intentos, mandou matar a jovem rapariga. Assim aconteceu, no dia 20 de Outubro de 653, tendo sido o seu cadáver lançado ao rio Nabão, acabando por chegar a Santarém, onde foi construído um túmulo em sua homenagem. Foi canonizada pela Igreja Católica como Virgem Mártir. Por cima do pego em que deitaram o seu cadáver ao rio, guarda-se a sua imagem, num nicho da parede do convento do seu nome.
O corpo foi pelo rio Nabão fora, passou para o Tejo e acabou por chegar a Santarém. Apesar das tentativas, ninguém o conseguiu levar de novo para Tomar, nem mesmo o tio e orientador espiritual da futura santa, o abade Sélio.
Uma santa, Iria ou Irene, cuja devoção atravessou as civilizações hispano-romana e germânica. Os seus atributos são a palma do martírio na mão esquerda e o livro sagrado na direita.
A primeira prova documental da liturgia de Santa Iria em Santarém está presente no «Antifonário de Leão», obra de 1067 em que é referido o culto a «Sancta Erene virginis in Scallabi castro». Obviamente, o seu culto é muito anterior. A paróquia de Santa Iria já existia em 1162, sendo uma das três paróquias da cidade de Santarém. Quanto ao topónimo, Santa Iria ou Santa Erene derivou em Santa Herena e daí em Santarém.
O aumento da devoção e o cimentar da lenda está em grande parte relacionado com o conflito entre os Templários e o bispo de Lisboa. A mártir morreu em Tomar e, pelo rio, foi ter a Santarém. Como que a querer dizer que os Templários deviam estar sedeados nesta última cidade e não naquela.
De visita a Santarém, em 1324, a Rainha Santa Isabel, conseguiu descortinar, através de visões, o local exacto onde o corpo de Santa Iria teria vindo ter, desde o Nabão até ao Tejo, junto à cidade. Quando o rei D. Dinis, seu marido, soube do facto, decidiu assinalar o local da sepultura com um padrão. Em 1644, o Senado da Câmara colocou no topo uma escultura de pedra, em homenagem à santa. Devido à localização do padrão, no século XX foi instalado um hidrómetro que serve para assinalar os níveis das águas do rio.
A toponímia foi outro dos riquíssimos legados dos povos germânicos. Foram os suevos, e depois os visigodos, quem deixaram, muitos séculos antes, e mesmo com a intromissão sarracena, a certidão de baptismo de muitas das povoações portuguesas. Sobretudo no norte de Portugal, mas também no centro, como é o caso de Santarém. Excluídos os nomes geográficos, que tiveram a sua origem em montanhas, rios e vales, é no onomástico germânico que encontramos uma das mais ricas fontes sobre este período. A generalidade destes topónimos tem a sua origem em nomes de pessoas importantes daquele tempo. Muitos, não se sabe quem foram, talvez governantes locais ou alguém muito bem colocado na escala social.
A toponímia de origem germânica, para além do nome da cidade, do concelho e do distrito, está presente ainda em outros topónimos. É o caso de Seiserigo, nome que tem como origem um antroponímico e que é um bairro da Ribeira de Santarém. De origem germano-goda, terá sido fundada aqui uma basílica dedicada a Santa Iria em meados do século VII.

Modesta proposta para melhorar a correcção dos exames nacionais

O Público de hoje destaca haver “cada vez mais alunos a contestar as notas dos exames nacionais e a ter razão“.

Problema clássico nas áreas mais “subjectivas” como Português ou História, que os ilustres do GAVE tentam resolver espartilhando os critérios e inventando grelhas que não fosse o assunto sério dariam vontade de rir, atinge também as ciências exactas, onde uma subida de vários valores só se explica por incompetência do corrector, ou sua má vontade.

É aqui que entra a minha propostas: acabem com essa vergonha que consiste em colocar professores do ensino privado a corrigir provas exames oficiais.

Comecem por comparar estatisticamente as provas corrigidas por estes, versus as corrigidas por funcionários públicos. Tenho uns palpites sobre os resultados, e explico-me.

Em 2007 fui chamado como professor corrector, o que não me sucedia há vários anos. Na véspera da primeira reunião para aferição de critérios dois colegas, experientes, avisaram-me para o problema dos “colegas” empregados de colégios que iria encontrar. Fiquei espantado, primeiro por tal ser possível, mas mesmo assim não estando muito bem a ver o problema.

Explicaram-me. E no dia seguinte confirmei. Nestas reuniões corrige-se um exame feito da colagem de vários, para em seguida se confrontarem os resultados. Sistemático: a senhora empregada de um Colégio conhecido na zona pela péssima qualidade do seu ensino, avaliava sempre por baixo. Digamos que no total de um exame isto podia atingir 2, 3 ou mesmo mais valores.

Sabendo que nunca estaria a corrigir exames de alunos da empresa para quem trabalha, era óbvia a intenção: baixar as notas da concorrência, pública ou privada. As leis do mercado no seu melhor. Capitalismo selvagem. Chamem-lhe o que quiserem. Nos últimos anos confrontei vários colegas correctores de exame com a dúvida: é sempre assim? continua a ser assim?

Todos sorriem e respondem: claro, estavas à espera de quê?

Eureka por Paulo Guinote

Mais uma vez, o Paulo, Brilhante a desmontar “A MENTIRA”.

Carro de Ex de Carolina Salgado atropela Jornalista

Os meus amigos portistas poderão pensar que este post teria lugar no FUTaventar, mas eu juro que não vou falar de bola. Sobre a xixa propriamente dita, falarei depois da vitória do glorioso, na próxima 5ª feira.
Ontem algo ocorreu aqui na invicta que me deixou intrigado. Um casal desavindo vai a tribunal procurar resolver o que não se resolveu à estalada. Motivados ou não pelos antecedentes, eis que um jornalista do JN leva por tabela e é atropelado pelo carro do ex..
Até aqui nada de espantoso, pensei. Mas, o sempre ominipresente FCP resolve esclarecer as minhas dúvidas. Afinal isto foi com o clube ou talvez com a SAD. Ou seja, como quem não se sente não é filho de boa gente, a SAD do FCP vem assumir as dores do ex. Isto é ou não fantástico.
Sempre pensei que as questões entre o ex e a Carolina fossem pessoais… ou talvez não porque…
Recordo os mais esquecidos que esta dama foi por vós sócios e adeptos do FCP e accionistas da SAD agora defensora de honra alheia, glorificada quando no estádio do maior clube do mundo se misturou com os arruaceiros para insultar tudo e todos.

carolina-orelhas_SOL13Jan2007-small

Aí era a mulher do líder. Para mim, nessa altura presente na Catedral, tal gente só tinha o nome da profissão certa.
Vejo que o tempo acabou por me dar razão.
Espero que o sucedido não belisque a forma isenta como o JN tem tratado o Porto!

Ela precisa da nossa ajuda:

Libertem a empregada da Carolina Patrocínio

A vida nem sempre é simples

O sr. Porfírio Silva manda umas piadas ao Paulo Guinote, porque este sugeriu ao PSD

Revisão do estatuto da carreira docente no sentido de eliminar a divisão da carreira entre professores e professores titulares, ou seja, o restabelecimento da carreira única do professor.

Não deve ter lido no último Expresso o que escrveu Marcos Perestrello:

Mas essa imaginação transformou-se em rigidez quando foi necessário ultrapassar as dificuldades encontradas no sistema de avaliação dos professores, corrigir as incongruências do sistema de gestão ou contornar as barreiras à mobilidade anual dos colocados a centenas de quilómetros das suas residências. E a determinação transformou-se em obstinação quando foi precisa coragem para voltar atrás na divisão da carreira em titulares e não titulares ou resolver os problemas decorrentes da falta de pessoal não docente.

Marcos Perestrello parece-me que ocupa uns cargos no PS, é candidato a uma câmara e de certeza absoluta um perigoso infiltrado, um espião, ou pior que tudo: um professoreco disfarçado. A vida às vezes é uma chatice, e nem sempre é simples, muito menos simplex.

Uribe adere ao Chavismo

Aquando do golpe de estado nas Honduras vieram os anti-chavistas mais primários vociferar que o presidente Zelaya queria era permanecer no poder, à imagem de Chavez, e que o golpe não passaria da reposição da legalidade, democrática e tudo. Uma perfeita patetice já que essa recandidatura seria de todo impossível.

O Senado colombiano aprovou por maioria um projecto-lei para que se realize um referendo a perguntar ao eleitorado se deseja modificar a Constituição e permitir assim que o Presidente Álvaro Uribe Vélez, de 57 anos, se candidate em 2010 a um terceiro mandato.

Agora que a moda, contrária aos mais elementares princípios do republicanismo, pegou para os lados da Colômbia, onde muita gente só vê as FARC e não olha para o terrorismo do próprio estado e suas milícias, espera-se a mesma veemência contra o grande aliado do vizinho do norte. E já agora um golpe de estado para evitar a revisão constitucional.

A vergonha deste governo: Para memória futura

Sim é possível e as novas oportunidades.

Teresa Lopes (1969 – 2009) e a paixão pelos animais

Se um blogue é (também) um diário de vivências pessoais, permitam-me esta pequena evocação.
Teresa Lopes era uma apaixonada pelos animais e a actual Presidente da Direcção da VivAnimal, uma associação de defesa de animais de Rio Tinto. Morreu ontem, subitamente, com 40 anos de idade.
Nesta lufa-lufa do dia-a-dia, não cheguei a conhecê-la pessoalmente. E no entanto, partilhávamos a mesma paixão pelos animais, pertencíamos à mesma associação (ela Presidente, eu voluntário pouco assíduo) e éramos vizinhos.
Todos os dias, perdemos tempo com o que não interessa e com quem não interessa e perdemos de vista o que é realmente importante. Teresa Lopes era daquelas pessoas que interessa conhecer. Dona de uma saúde frágil, não hesitou em consagrar o melhor da sua vida aos animais. Sem recompensas que não o bem-estar dos seus amigos, que ia recolhendo aqui e ali por nunca ter coragem de dizer não a uma situação difícil.
Seria inocente não pensar que a sua morte está muito relacionada com a defesa dos animais. Como refere Manuela Gomes no blogue da associação, «o abandono e maus-tratos de animais está relacionado com o falecimento da Teresa Lopes: o desprezo, de outros, pelo bem-estar dos animais, levou ao cuidar dos animais, pela Teresa Lopes; a falta de carinho, de outros, pelos animais, levou a que a Teresa Lopes preenchesse tanto o seu coração e a sua mente que, talvez, isso não lhe tenha deixado tempo ou atenção para cuidar de si mesma; a irresponsabilidade de outros, levou a que a Teresa se responsabilizasse demasiado pelos animais que necessitavam de ajuda. Por isso, para mim, a morte da Teresa Lopes é um crime. E os culpados são todos os cobardes, insensíveis, cidadãos vulgares ou políticos que não agem correctamente e tomam as medidas necessárias, para que pessoas como a Teresa Lopes não sintam necessidade de se envolver tão sofridamente na protecção animal. Os animais são inocentes, as pessoas são culpadas e a Teresa Lopes foi – É – uma santa.»
Teresa Lopes deixa um filho de 9 anos. Que saibamos acarinhar uma criança que perdeu a mãe em tão tenra idade. E que alguém saiba amar os animais que um dia a Teresa conseguiu salvar.

Insucesso escolar: Assim também eu!

Obrigando os professores, através da legislação, a passar os alunos com 8 ou 9 negativas, e proclamando aos quatro ventos que é injusto e prejudicial reprovar um aluno, é fácil diminuir drasticamente o insucesso escolar. Assim também eu!
Se tivesse vergonha na cara, a Ministra da Educação assumiria que nada mais fez em quatro anos que não trabalhar para as estatísticas. Se tivesse vergonha na cara, assumiria que os alunos sabem menos, muito menos, e passam mais, muito mais.
O único que rejubila com tais números, pelos vistos, é o sempre pândego Presidente da Confap. É mais um que vive dos subsídios do Ministério da Educação, ou seja, que é pago para dizer bem da respectiva Ministra. É alguém que tirou os filhos do ensino público. É alguém que, se tivesse vergonha na cara, também estava calado. Para sempre.

A ARTE (5)

A ARTE (5)

Socializando um pouco este pensamento, podemos dizer que existe um divórcio cada vez maior entre a vida da sociedade e a vida da Arte. Não há uma formação humanista autêntica da sociedade. A ausência de tempo e espaço para a cultura, a falta de sensibilidade poética, a falta de vivência da verdadeira liberdade, a escravidão dos horários de trabalho, as dificuldades e incompreensões da vida levam a esquecer que a sensibilidade de um povo é a sua força e um perigo para os poderosos. O público menos culto e menos tocado pelos conceitos da estética moderna e contemporânea procura num quadro uma imagem da realidade e vai julgá-lo tanto mais hábil e perfeito quanto mais ele se aproximar do modelo. O que representa este quadro? O que quer isto dizer? Considera assim a obra tanto mais imperfeita quanto mais se afasta do real, suspeitando sempre que esse afastamento resulta de uma incapacidade do autor para o atingir. Mas por outro lado tem a noção de que há algo que lhe escapa, algo que não percebe e o faz confessar sistematicamente não ser entendido no assunto. Apesar de já na Arte antiga haver um esforço para superar o real e edificar, para além da aparência, leis que residissem mais no pensamento do que nas coisas, e apesar do grande salto da Arte Moderna e da Arte Contemporânea, o conceito de imitação ainda permanece nas camadas menos esclarecidas e menos habituadas à expressão artística. Todavia, sem nos precipitarmos no sectarismo de que a representação do real é incompatível com a Arte, vamos tentar entender que a Arte se situa numa região que não é possível confundir com a realidade aparente. (Continua).

                      (adão cruz)

(adão cruz)

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA (5)

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA (5)

O Afeganistão é um alvo preferencial do imperialismo, pela sua posição geo-estratégica e por muitos outros interesses, nomeadamente petróleo. Sempre pensei que o Senhor não fosse tentado a pisar o mesmo terreno dos seus antecessores, sempre pensei que o Senhor desse meia volta e soubesse que o Afeganistão tem uma riquíssima história e que não é pelo povo afegão que os senhores e os vossos “aliados” lacaios lá se encontram. Sempre pensei que o Senhor fosse suficientemente inteligente para reconhecer que o conceito de “talibãs”, a despeito do muito que tem de negativo, é muito nebuloso e está profundamente instrumentalizado. Do que se trata, ao fim e ao cabo, é da resistência de um povo a uma escandalosa invasão, verdadeiro tsunami de predadores e falsos moralistas. Sempre pensei que o Senhor reconhecesse a farsa monumental e o montão de fraudes maciças que foi a eleição de karzai, um vendido bem curriculado na CIA. Temo estar a ver claros indícios de que a política militarista desta América a que eu gostaria que o Senhor não pertencesse, vai prosseguir e talvez intensificar-se, em moldes mais requintados, como parece mostrar o tal “Smart Power” (Poder Inteligente), isto é, o uso das forças militares combinado com a diplomacia, operações psicológicas e métodos políticos de penetração na população! Brrr…Cheira mesmo a esturro tal estratégia!
Caro Presidente, não deixe que a lágrima vertida na sua eleição perca o perfume da promessa de uma nova e autêntica liberdade. (Continua).

                            (adão cruz)

(adão cruz)

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Alguém tem de me dizer a saída
da noite sem regresso.
Não pode haver quem não saiba o caminho
da derradeira fome
da sede da última gota
do calor do resto de lume
do fogo do último verso.

                        (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Não tenhas contemplação
Com toda esta ladroeira
Ó meu rico S. João
Manda-os todos prá fogueira.

Antologia de pequenos contos insólitos: Crimes exemplares

Hoje trazemos até vós um autor pouco conhecido em Portugal, o escritor espanhol Max Aub, com alguns dos seus CRIMES EXEMPLARES.
Max Aub, escritor nascido em 1903, em Paris. Filho de uma francesa e de um judeu alemão, emigrou com a família em 1914 para Valência, vindo a adoptar a nacionalidade espanhola. Durante a Guerra Civil, combateu no Exército republicano, exilando-se, em 1942, no México. Autor de uma obra vasta, entre a qual se destacam o romance «Las buenas intenciones» (1954) e os seis volumes de «El laberinto mágico» (1943-1968). Morreu na cidade do México em 1972.
Esta selecção de micro-contos foi extraída de «Crímenes ejemplares» (1956). Segundo o autor diz no prefácio da primeira edição, este é material que «passou da boca ao papel, aflorando o ouvido» – confissões de crimes recolhidas em Espanha, em França e no México. Vamos deixar que aflorem aos vossos olhos, ressoando depois aos ouvidos da vossa imaginação. Meus amigos – Max Aub:
max aub
« – Antes morta! – disse-me. E eu só quis fazer-lhe a vontade!»

«Sou barbeiro. É uma coisa que pode acontecer a qualquer um. Até me atrevo a dizer que sou um bom barbeiro. Cada um tem as suas manias. A mim, incomodam-me as borbulhas.
Foi assim: comecei a barbeá-lo calmamente, ensaboei-lhe o rosto com destreza, afiei a navalha no assentador, experimentei a suavidade do fio na palma da minha mão. Sou um bom barbeiro! Nunca desiludi ninguém. Além disso, aquele homem não tinha a barba muito cerrada. Mas tinha borbulhas. Reconheço que aquelas espinhazitas nada tinham de especial. Mas incomodam-me, põem-me nervoso, revolvem-me o sangue. Fiz a primeira passagem, sem problemas; na segunda sangrou um pouco. Não sei o que então me deu, mas acho que foi uma coisa natural, aumentei a ferida e depois, não pude resistir e, de um golpe, decepei-lhe a cabeça.»

«Começou a mexer o café com leite com a colherzinha. O líquido aflorava o bordo do copo, levado pela acção violenta do utensílio de alumínio. (O copo era ordinário, o lugar barato, a colherzinha gasta, roída de tanto utilizada.) Ouvia-se o ruído do metal contra o vidro. Riz, riz, riz, riz. E o café com leite dando voltas e mais voltas, com uma concavidade no centro. Maelstrom. Turbilhão. Eu estava sentado na sua frente. O café estava cheio. O homem continuava a mexer e a remexer, imóvel, sorridente, olhando-me. Algo crescia dentro de mim. Olhei-o de tal maneira que se sentiu na obrigação de explicar:
– O açúcar ainda não se dissolveu.
Para mo provar, deu umas pancadinhas no fundo do copo. Voltou depois com energia redobrada a mexer metodicamente a beberagem. Voltas e mais voltas, sem descanso, e o ruído da colher no bordo do vidro. Raz, raz, raz. Sempre, sempre, sempre sem parar, eternamente. Volta e revolta e volta. Olhava-me sorrindo. Então, puxei da pistola e disparei.»

«Abri-a de alto a baixo, como se fosse uma rês, pois olhava indiferente o tecto enquanto fazíamos amor».

«Íamos como sardinhas em lata e aquele homem era um porco. Cheirava mal. Todo ele cheirava mal, sobretudo os pés. Garanto-lhe que não se podia suportar. Além disso tinha o colarinho da camisa negro de sujidade e o pescoço ensebado. E olhava-me. Uma coisa asquerosa. Ainda quis mudar de lugar. Pode não acreditar, mas aquele indivíduo seguiu-me. Era um cheiro a demónios e pareceu-me ver sair bichos da sua boca. Talvez o tenha empurrado com um pouco de força a mais. Agora não me culpem pelas rodas do autocarro lhe terem passado por cima!»

«Matei-o porque julguei que ninguém estava a ver.»

«Era tão feio, o pobre tipo que, cada vez que o encontrava, era como que um insulto. E tudo tem um limite.»
«Você nunca matou ninguém por tédio, por não saber o que fazer? É divertido.»

«Matei-o porque me doía a cabeça. E ele, zás, falava sem parar, sem descanso, sobre coisas que nada me interessavam. E mesmo que me interessassem. Ainda olhei seis vezes ostensivamente para o relógio: não fez caso. Creio que é um atenuante a tomar em consideração.»

«Era mais inteligente do que eu, mais rico do que eu, mais desenvolto do que eu; era mais alto do que eu, mais bonito, mais esperto; vestia melhor, falava melhor; se os senhores julgam que isto não são atenuantes, é porque sois tontos. Pensei sempre na maneira de me desfazer dele. Fiz mal em tê-lo envenenado: sofreu demasiado. Isso, lamento. Queria que morresse depressa.»

«Se o golo estava feito! Era só empurrar a bola para dentro da baliza, o guarda-redes estava batido… Chutou-a por cima do travessão! E aquele golo era decisivo! Aviávamos os sacanas do Nopalera. Se devido ao pontapé que lhe dei foi parar ao outro mundo, talvez lá aprenda a chutar como mandam as regras.»

«Era a sétima vez que me mandava copiar aquela carta. Tenho o meu diploma, sou uma dactilógrafa de primeira. E uma vez por um ponto final, que ele disse que devia ser ponto parágrafo, outra vez porque mudou um «talvez» por um «quiçá», outra porque trocou um b por um v, outra porque se lembrou de acrescentar um novo parágrafo, outras não sei porquê, o facto é que tive de a escrever sete vezes. E quando a levei, olhou-me com aqueles olhos hipócritas de chefe de administração: “Olhe, menina…”. Não o deixei acabar. Há que ter mais respeito pelos trabalhadores.»

«Matei-o porque não pensava como eu.»

«Matei-o porque me doía o estômago.»

«Matei-o porque lhe doía o estômago.»

«Tinha jurado fazê-lo ao próximo que voltasse a passar-me uma cautela da lotaria pela corcunda».

«Negou que eu lhe tivesse emprestado aquele quarto volume… E o buraco na prateleira da estante, como um nicho…»

«De mim ninguém se ri. Pelo menos esse, já não volta a rir-se.»

«Matei-o porque bebi o suficiente para o fazer.»

«Penso, logo existo, disse o tal homem famoso. As árvores do meu jardim existem, mas não creio que pensem, pelo que fica demonstrado que o senhor René não estava bom do juízo e que o mesmo acontece com outros seres: o meu sogro, por exemplo – existe, mas não pensa. Ou o meu editor, que pensa, mas não existe. E se pomos isto ao contrário, também não fica certo. Não existo porque penso ou penso porque existo. Pensar, pensa-se, existir é um mito. Eu não existo, sobrevivo, porque viver – aquilo a que se chama viver – só os que não pensam. Os que se metem a pensar, não vivem. A injustiça é por demais evidente. Bastaria que pensássemos para nos suicidarmos. Não; senhor Descartes: vivo, logo não penso, se pensasse não vivia, se vivesse não pensava, senhor… etc., etc. Se para viver fosse necessário pensar, estaríamos lúcidos. Mas, enfim, se os senhores estão convencidos de que assim é, estou inocente, completamente inocente, pois não penso nem quero pensar. Logo, se não penso não existo e, se não existo, como diabo posso ser responsável por essa morte?»

(Traduções de Carlos Loures, feitas a partir da edição da Espasa Calpe, Madrid, 1999.)

Brincar com coisas sérias

P2130127

Em tempos deixei o Diário de um Professor porque a propaganda vergonhosa do PS, de Sócrates e de Maria de Lurdes vieram mostrar ao mundo a mentira dos resultados dos exames.
Apesar de ser um enorme adepto e praticante do BOM HUMOR não gosto de brincar com coisas sérias. O trabalho dos meus alunos é uma coisa muito séria.
Para primeiro comentário da vergonha socialista de ontem vou deixar um pequeno relato, real ou não, caro leitor decida:
– o Joãozinho é um jovem com 15 anos que frequenta o 6º ano pela segunda vez depois de reprovar também no 5º e ainda no primeiro ciclo. Será certamente mais um chumbo agora no fim do 2ºciclo. Lá na escola abrem um CEF (curso de educação e formação de dois anos que dá equivalência ao 9º… sim… fazem 3 em 2) de informática. Na reunião de professores do 6º ano todos decidem passar o jovem porque assim ficam “livres” dele e resolvem um enorme problema que é repetir uma reprovação. A verdade é que ele nada sabe, falta, é mal educado, não traz material… É uma espécie de inginheirú – não tem nada que se recomende.
Mas, ele passou e anda agora no tal CEF… se for às aulas, está feito. Existe até uma expressão – no primeiro ano de um CEF só queremos que eles se consigam manter sentados… E está feito, ao fim de dois anos – é só deixar passar o tempo – temos o Joãozinho com o 9º ano concluído a caminho do secundário.

Isto não seria mau, não fosse a brincadeira.

Cartazes das Autárquicas (Castelo de Vide)

Castelo_de_Vide_PS2009
Rui Miranda, PS, Castelo de Vide (enviado pela nossa leitora Maria Monteiro)

Novas Hilariedades

Uma opinião que não é partilhada por Lucília Salgado, professora da Escola Superior de Educação de Coimbra e especialista em abandono escolar, para quem a formação dos professores do ensino básico e a aposta em formação profissional foram as principais “alavancas do sucesso“. “Não há facilitismo, há uma forma nova de trabalhar que mudou práticas”, explica Lucília Salgado.
Por outro lado, a professora destaca a importância para as famílias do programa Novas Oportunidades. “Muitos pais voltaram a estudar e sentem-se mais capazes de acompanhar e motivar os filhos”, exemplifica Lucília Salgado, que está a conduzir um estudo sobre este tema.

Público

Vamos por partes: nos processos de RVCC os pais até podem voltar a estudar (por conta própria) mas os conteúdos não têm qualquer relação com os do ensino regular. É assim por definição. Se o filho pedir auxílio ao pai numa questão de português, por exemplo, o pai responder-lhe-á que está a fazer um trabalho sobre a importância económica da lingua portuguesa no mundo, e ninguém o mandou pensar em verbos.

Já a inversa é verdadeira: trabalhos de RVCC  feitos com o auxílio dos filhos (o que até acho muito bem) ou pelos filhos (a alternativa familiar e económica à fraude corrrente) são situações banais.

Finalmente o que Lucília Salgado tenta é vender a formação nas ESE de professores treinados para o sucesso escolar, o que se compreende já que é de verdadeiros analfabetos habilitados para o ensino que estamos a falar, razão pela qual defendo uma prova pública de acesso à carreira docente: não só nivela as médias de curso a nível nacional (com disparidades imensas), como talvez nos salve das gentes provenientes dos estabelecimentos como o da Sra. Salgado, que está a conduzir um estudo mas pela amostra duvido imenso que tenha carta de condução.

Santarém, Capital do Gótico (IV)

(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)

SCALLABIS, A ESCADA DE HABIS

A diversidade geográfica de Santarém e as suas características geo-morfológicas contribuíram largamente para a fixação populacional em tempos remotos. O rio permitia a navegabilidade e os contactos comerciais e culturais com outros povos; o planalto sobranceiro ao Tejo, a cerca de cem metros de altitude, permitia a protecção das terras agrícolas e o controle militar de uma vasta região, tornando o povoado quase inexpugnável. Daí o povoamento muito precoce de toda esta área.
«Esse desejo de viver próximo da atmosfera (não tanto nos vales ou nas margens ribeirinhas) foi uma conquista assente no desejo de domínio e de controlo do território, mas também numa outra conquista resultante da procura de um lugar salubre. Razões climáticas de melhor exposição ao vento, uma posição sanitária defendida – face aos terrenos de aluvião facilmente inundáveis, criadores de pauis nas terras mais baixas dos campos e lezírias adjacentes – são aspectos referidos nos textos. Estes factos formaram o carácter dos scalabitanos, ciosos de autonomia e liberdade, gizaram a sua personalidade criadora, formados pela grandeza da atmosfera que observavam e que pretenderam reproduzir nos momentos chave da sua vida colectiva e individual.» (Jorge Custódio)
Ao longo dos séculos, diferentes povos ocuparam sucessivamente Santarém sem quaisquer interrupções. Os primeiros vestígios de presença humana na região remontam ao Paleolítico Inferior, no concelho de Alpiarça. A arqueologia, futuramente, decerto que confirmará os mesmos indícios em relação a Santarém. Quanto ao território do actual concelho, os vestígios arqueológicos mais antigos datam do século VIII a. C., pese embora o seu povoamento deva ser anterior.
A escolha de Santarém como sítio para viver pode ter sido feita através da fixação de populações vindas de outro lugar, onde já não haveria recursos alimentares suficientes – ou o nomadismo tão característico e usual nas populações pré-históricas. A presença da água poderá ter sido uma das razões fundamentais para que tal acontecesse.
Aliás, uma lenda popular relativa a este assunto tenta explicar a origem de Santarém. Diz o povo de Vila Nova de S. Pedro, aldeia do concelho da Azambuja, que os seus primeiros povos, que já registavam um estado civilizacional relativamente avançado, certo dia abandonaram a sua fortificação e fixaram-se noutro local. Esse segundo local viria a ser a cidade de Santarém.
Todos os elementos essenciais à vida estavam ali presentes. Junto ao rio, havia a possibilidade de praticar a pesca e o comércio fluvial. Do planalto, onde se viria a edificar a Alcáçova, tinha-se uma visão excelente de todas as terras em redor.
Os montes, obviamente, foram os primeiros locais a ser habitados, sobretudo por razões defensivas: o monte da Alcáçova, mas também a Senhora do Monte ou o monte de S. Bento. Destes, naturalmente que a Alcáçova acima de todos, pois o seu povoamento está muito bem documentado desde a pré-história até à actualidade sem qualquer interrupção.
Aqui terá existido uma cidade-estado fundada por povos mediterrânicos, até porque a morfologia do local assemelha-se em muito às características de uma acrópole. «Que melhor local do que o monte da Alcáçova para o nascimento de Scallabis, um nome, um topónimo que parece interpretar a relação harmónica entre a unidade paisagística, a plástica e a mitológica – Escada de Habis.» (José Augusto Rodrigues)
Terminamos este capítulo com uma breve referência a uma das mais conhecidas lendas relativas à fundação de Santarém. A mitologia é responsável, em grande parte, pelas questões relacionadas com a fundação da cidade e com o «baptismo» da povoação. Neste caso, a mitologia greco-romana. Mais à frente, abordaremos a mitologia cristã, nesse caso a lenda de Santa Iria. No primeiro caso, o herói clássico Habis ou Abidis. No segundo caso, a mártir Santa Iria. De Abis, Scallabis. De Santa Iria, Santarém.
A lenda de Abidis entronca, no fim de contas, num mito peninsular, cuja primeira referência escrita se refere à fundação do mítico reino de Tartessos.
Diz a lenda, que não passa disso mesmo, que em 1215 a. C. Ulisses chegou à foz do Tejo e aqui aportou, descansando antes do regresso à Grécia. Conheceu então Calipso, filha de Gargoris, o melícola, rei dos Cunetas e príncipe da Lusitânia. Dessa união nasceu um filho, Abidis.
Se Ulisses teve de fugir para escapar à fúria de Gargoris, a criança teve pior sorte e foi lançada ao rio dentro de um cesto. No entanto, a corrente levou-o para uma cerva, que o amamentou. A criança salvou-se e ali viveu até aos vinte anos, altura em que foi descoberto pela mãe.
Emocionado pela resistência do neto, foi o próprio avô que o propôs para seu sucessor. Abidis, em homenagem ao local onde passou os primeiros anos, ali fundou uma cidade – Esca-Abidis (o manjar de Abidis), ou seja, Scallabis – Santarém.
Muito mais tarde, já nos séculos XVII e XVIII, associou-se o topónimo às condições topográficas do território. A partícula «scala» significaria escada, ou seja, a escada de Abis. «No plural escadaria, situação geográfica nada estranha à forma dos montes, onde se instalaram as comunidades pré-romanas da Idade do Ferro, formando como que uma autêntica escadaria topográfica, com cotas de nível escalonadas marcantes e bem visíveis, dando a impressão de patamares de escada, como hoje ainda é possível observar.» (Jorge Custódio)
Há ainda uma outra teoria que importa reter, a de José Henriques Barata. Para ele, o primitivo topónimo de Santarém estava associado às «Scalae Gemoniae» do fórum de Roma, uma escadaria perto da prisão onde eram expostos os cadáveres daqueles que tinham sido martirizados e que seriam, posteriormente, lançados ao rio Tibre. Segundo aquele autor, a topografia local indicia isso mesmo, com os declives abruptos em várias direcções, tal qual a referida escadaria.

As fisgas, as bicicletas e os jipes

Há muito se sabe que Presidente da República e o primeiro-ministro andam de candeias às avessas. Como dois miúdos andam às alfinetadas um ao outro. Um pena nas fisgas e envia uma pedra ao traseiro do outro, que responde utilizando um prego para furar o pneu da bicicleta do primeiro.

O país assiste. Como o povo é sereno, estes arrufos não significam muito para uma população que anda a banhos, preocupada com o regresso das aulas e com o que pode acontecer se a gripe A desata a afectar toda a gente.

Agora, Cavaco Silva chumbou a nova lei das uniões de facto. Diz que falta um debate profundo e que é inoportuno. Debate sobre esta matéria é o que não tem faltado, logo Cavaco Silva deve andar distraído ou decidiu apresentar este argumento como poderia apresentar qualquer outro. Ser ou não oportuno tem mais a ver com o tema que com o momento. O Presidente é conservador e não lhe agradam estas modernices. O melhor seria aproveitar estes momentos pré-eleitorais para legislar sobre jipes.

Ana – A minha noite escaldante de sexo com Mickael Carreira


Já enviei um texto para este blogue durante a Semana Aberta, e pelo que vi foi um sucesso. Volto a enviar um, mas se não publicarem, compreendo perfeitamente. Se publicarem, agradeço que juntem as fotografias que envio em anexo.
Tudo aconteceu no princípio de Agosto em Santa Comba, perto de Foz Côa, onde estava a passar férias em casa de familiares. O Mickael Carreira foi lá cantar e, maluca como sou por um rapaz bonito, fui ao concerto e, no final, consegui tirar-lhe uma fotografia.
De repente, ele pediu-me para ver como tinha ficado a foto e encostou a cara à minha. O bafo quente do rapaz pôs-me maluquinha. Não sei o que me deu, mas convidei-o logo para ir para o meu quarto. Surpreendentemente, ele aceitou.
Toda nervosa, a suar por todos os lados, conduzi-o o mais rápida que pude até ao meu leito. E num ápice, sozinhos no meu quarto, despi-o todo. Todo nu, aquele armário de dois metros, lindo, à minha frente! Só me lembro de pensar: isto não é um homem, isto é um touro de cobrição!
De repente, acordei. Tudo aquilo não passara de um sonho. Ou mehor, conseguira tirar a fotografia ao Mickael Carreira e nada mais. Imaginara tudo o resto! Como é lógico, não consegui dormir de noite. Ai, que calor!
carreira
Nota: Como os nossos leitores sabem, o Aventar é um blogue aberto. Em princípio, publicaremos – sem tabus – tudo o que nos enviarem. Eis a razão pela qual, apesar das hesitações, decidimos publicar este «post» da nossa leitora Ana.

Cartazes das autárquicas – PSD de Mondim de Basto (Vila Real)

PSD, Mondim de Basto

PSD, Mondim de Basto, Francisco Ribeiro (actual Vereador. Actual Presidente é do PSD e não se candidata)

FutAventar – F.C. Porto #4 – O Império dos Sentados:

O Império dos Sentados

Em Portugal existe toda uma escola de “sentados” do futebol. São homens e mulheres, certamente com a melhor das intenções, mas que permanecem, sentados, à espera de tempos que não voltam mais. Agarrados a um pretenso passado imperial não conseguem admitir a verdade. Neles existe um sonho, uma utopia bonita mas irreal. Por eles o Eusébio voltava a colocar os calções e a calçar as chuteiras só para eles reverem aqueles pontapés no esférico. Pensaram que era desta, era com o Mantorras que tudo regressaria ao seu sítio, ao que julgam ser seu por poder divino. Estão para o futebol pátrio como as antigas colónias para os ansiosos de um império perdido, um qualquer quinto império imaginário, mais ou menos pessoano.

Neles permanece esse sonho. Talvez seja algo de religioso e isso explique a contratação de Jesus. Estamos já no campo do esotérico. Por isso não compreendem, nem podem compreender como é possível que um clube, segundo eles, de bairro lhes faça esta desfeita de ano sim, ano sim, os vencer, sem apelo nem agravo. Querem acreditar que tudo se deve à fruta, como se o FCP fosse um qualquer novo sabor da Sumol. E se não é a fruta são as meias-de-leite ou os cafés pingados. Só assim, julgam, pensam, acreditam, se justifica a sua injustificável frustração perante as consecutivas derrotas internas e humilhações internacionais. Mas como é possível, um clube que julgam ser de grunhos, de bandidos, de traficantes, nado e criado na parvónia, nessa longínqua província de comerciantes, industriais, liberais e outros que tais, que gritam “bai-te lavar ó morcon”, seguido de um chorrilho de palavrões e acompanhado por umas tripas com “binho berde”? Como é possível? Realmente.

Se algo existe que não conseguem explicar são as constantes vitórias internacionais, as vendas milionárias ano após ano, o reconhecimento internacional adquirido. Ou seja, a avaliação externa e independente que não se compadece com a verborreia da “Bola” ou do “Record”. Uma avaliação que não vai em fantasias de “braços armados que controlam e atemorizam tudo o que mexe” como se isto fosse a Chicago dos anos 30 e Lisboa o paraíso na terra cujos clubes e dirigentes são anjinhos com belas asinhas e assexuados.

O Porto tem os melhores jogadores, melhores treinadores, melhores dirigentes, ganha mais” e mesmo assim, o império dos sentados não acredita, não quer acreditar, prefere as fábulas, prefere continuar sentado, acreditar em Jesus, em Filipe Vieira e em todos esses novos pregadores evangelistas. É a Fé em todo o seu esplendor.

Nós por cá, continuamos a vencer e a comer fruta e a tomar meias-de-leite ao pequeno almoço.