Sylvia Kristel 1952-2012, adeus Alice

Sylvia Kristel não foi apenas a actriz emanuela, convêm lembrar, nem era só corpinho. Aqui, nas mãos de Chabrol, é outra senhora.

Zhang Yimou: O Caminho Para Casa

Realização de : Zhang Yimou com: Zhang Ziyi, Honglei Sun

A cultura também se exporta

Em meados de Julho passado, foi levada a cena na Casa do Vinhal, em Vila Nova de Famalicão, uma peça de teatro dedicada a José de Azevedo e Menezes, ilustre famalicense cuja vida e obra tive oportunidade de estudar para redigir a dramaturgia.

A peça foi representada pelo grupo de teatro “O Andaime” que é composto por jovens estudantes e dirigido por Fernando Silvestre (direcção, encenação e voz-off), com música duma orquestra da “Arteduca” dirigida por Gil Teixeira,  tendo a produção, no âmbito do projecto “Viver Famalicão”, ficado a cargo da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, entidade promotora da iniciativa que, espera-se, irá repetir por outras ilustres casas famalicenses. É, também, por todos os envolvidos, um belo exemplo do que se pode fazer com amor e paixão à arte.

Ora, da peça de teatro, faz parte uma curta-metragem com os personagens José de Azevedo e Menezes, Vicente Pinheiro (da Casa de Pindela) e Bernardino Machado, cuja acção decorre durante as suas juventudes (1868). Foi realizada por Paulo Lima, que este ano foi estudar cinema para Barcelona e cujos trabalhos, como aquele de ora falo e outros (que aqui voltarei para falar), demonstram já o quanto promete. Aqui está ela:

31 de Agosto ou recomeçar de novo

Recomeçar de novo… sempre gostei desta frase.

O realizador Joachim Trier (1974) coloca-a em questão no seu filme Oslo, 31 de Agosto que deve estar a estrear por estes dias: esta é a história de um homem novo, 34 anos, que se pergunta se ainda é possível recomeçar de novo.

J.T. pergunta ainda: «Tínhamos obrigação de ser felizes. Porque é que não somos?»

Porque é que não somos felizes, não obstante termos vidas confortáveis?

As críticas são muitas boas. Talvez seja uma boa sugestão para Sair de casa!

Agora que acabaram as férias e voltamos ao trabalho, recomeçamos de novo, de certa forma.

Mas há outros recomeços importantes a implementar… É positivo termos este sentimento de que nos são dadas outras oportunidades…

E outra coisa: «a obrigação de sermos felizes»…

António Ferreira – Respirar debaixo de água

Coimbra filmada por quem a sabe, provavelmente pela primeira vez sem um único plano-postalinho com torre ao fundo. Aliás Coimbra sem universidade, só nós, os coimbrinhas, e como a gostamos. [Read more…]

Georges Méliès – A Viagem à Lua (1902)

Versão restaurada. Ficha IMDB e Wikipédia.

 

Acordo ortográfico: a fissão da ficção

Descobri esta página, sempre graças ao trabalho do João Roque Dias. O projecto é louvável: levar as crianças a contactar com a realização cinematográfica.

O facto de se estar a lidar com crianças, aliás, deveria obrigar a um cuidado redobrado com o uso da língua. Os autores optaram por escrever segundo o chamado acordo ortográfico (AO90): em parte, conseguiram (maio, ação); por outro lado, esqueceram-se (didácticos, acção); finalmente, graças a uma reforma ortográfica pessoalíssima, retiraram o hífen de “público-alvo” e arremessaram para longe o “c” de “ficção”, inventando uma arrepiante “fição”. [Read more…]

Atlântico Norte

North Atlantic é um filme (curta metragem) de Bernardo Nascimento que está nos 50 finalistas do Youtube’s YourFilmFestival. Veja e se gostar vote (eu votei, é sem dúvida uma coisinha boa).

Sem nacionalismos, o filme é uma produção luso-britânica (o Bernardo já emigrou), e ao contrário do “consta que não precisou de apoios do Estado” do Rodrigo Moita de Deus, foi baratinho mas subsidiado (“Foi o primeiro sítio onde tive um subsídio e o filme acabou por ser filmado aqui, com muito poucas verbas“). Pelos ingleses.

Se ficar entre os 10 primeiros vai a Veneza. Nós já ganhámos em Veneza, por exemplo com as Recordações da Casa Amarela, do grande e muito bem subsidiado João César Monteiro.

(para votar clique no logotipo do Youtube. Se não tiver pachorra para as legendas em inglês clique em CC e livre-se delas)

A Delicadeza

É nome de um livro, que dá nome ao filme francês que estreou esta semana em Portugal e classificado como «comédia romântica». Uma história de David Foenkinos (1974), considerado hoje um dos melhores escritores da nova geração, pelo menos na França.

Nathalie fica viúva. Entra numa «letargia» que dura cerca de três anos, “até ao dia em que rouba um beijo a um colega de trabalho tímido e pouco carismático”. 

“Será um beijo capaz de mudar tudo?”, lê-se na contracapa do livro (Editorial Presença, 2011). O autor cita Maupassant: “O beijo, contudo, não é mais do que um prefácio.” Foi uma amiga que me ofereceu o livro o ano passado pelo meu aniversário. Uma boa prenda, como são sempre os livros…

Isto é a delicadeza enquanto ficção!

Enquanto realidade: é uma qualidade que poucos têm. E quando encontramos alguém com ela… preste bem atenção: é maravilhoso. Um gesto, uma palavra, uma pergunta no tom certo, um toque nos ombros, um mimo…

Preste atenção. Esteja atento ou atenta às pessoas delicadas, poucas, é certo, que vai encontrando na sua vida ou no seu quotidiano.

Tentemos ser uma delas.

Morreu Nora Ephron, criadora de diálogos e de orgasmos

Foi com When Harry met Sally (Um Amor Inevitável) que deixei de ter vergonha de gostar de comédias românticas, sentimento que consolidei com os vários filmes em que Nora Ephron interveio, como argumentista e/ou como realizadora. É certo que é importante ter actores à altura, mas, sem diálogos bem concebidos, Slepless in Seattle (Sintonia de Amor) ou Julie and Julia (Julie e Júlia)  não teriam alcançado a qualidade que alcançaram. Com Nora Ephron, as palavras valiam mil imagens.

O orgasmo vem já a seguir:

Blade Runner – 30 anos

Lágrimas, chuva, um dos filmes da minha vida (reaccionária era a tua avózinha, pá) faz hoje 30 anos. Um dia como qualquer outro para o rever, sempre.

Cassino Royale (1967)

Um James Bond muito especial baseado no primeiro livro de Ian Fleming, e que dedico  à espionagem portuguesa para que aprenda esta preciosa lição: “de agora em diante, todos os agentes serão chamados de James Bond, incluindo as miúdas.

Realizado por Val Guest, Ken Hughes, John Huston, Joseph McGrath, Robert Parrish e Richard Talmadge, com Peter Sellers, Ursula Andress, David Niven, Orson Welles, Woody Allen, Deborah Kerr, Jean-Paul Belmondo e Richard Burton.

Legendado, Ficha IMDB

O Ditador

Prefiro o original. Dispenso a “democracia”!

Hoje dá na net: Charlie Chaplin – Tempos Modernos

Um clássico de 1936, muito apropriado para épocas de crise, com Charlie ChaplinPaulette Goddard.

Legendado em português. Ficha Imdb.

Mais um prémio para um filme português

Agora, quando não existe sequer política cultural, os filmes portugueses desataram a ganhar prémios internacionais.

Estes filmes resultam obviamente do algum (parco) investimento que se fez no cinema português incluindo, naturalmente, o investimento público.

Há uns anos conheci, num país africano, um fotógrafo italiano que era fã incondicional de Pedro Costa. De Portugal sabia pouco, mas conhecia os filmes todos do realizador e o seu próximo projecto seria vir conhecer o país onde aquelas histórias tinham sido rodadas.

Os filmes portugueses têm hoje uma circulação internacional invejável, especialmente se considerado  o seu custo e os meios envolvidos, funcionando autonomamente como embaixadores do país. Por outro lado, e apesar do seu baixo orçamento, alimentam uma  quantidade considerável de emprego especializado e criativo. [Read more…]

Hoje dá na net: Berlin Alexanderplatz de Rainer Werner Fassbinder

A monumental adaptação televisiva de Fassbinder do romance de Alfred Döblin.

Legendado em português (clicar em CC se necessário)

Lista de Reprodução dos restantes capítulos.

Hoje dá na net: Os Hippies (1967)

Com guião de Jack Nicholson, e a participação de Peter Fonda, Dennis Hopper, Susan Strasberg e Bruce Dern, um filme de Roger Corman.

Legendado em português, ficha IMBD.

Hoje dá na net: O Delfim

De Fernando Lopes com Rogério Samora, Alexandra Lencastre, Maria das Mercês, Rui Morrison e Isabel Ruth.

Legendado em português, ficha IMDB

Fernando Lopes 1935/2012

Morreu Fernando Lopes, realizador de cinema, autor de Belarmino ou de O Delfim, um dos pioneiros do Novo Cinema português. Bon-vivant, boémio, companheiro de aventuras de José Cardoso Pires, Fernando Lopes deixou uma longa filmografia de que se podem ver aqui algumas imagens.

Filme referência do Novo Cinema português, Belarmino, sobre o boxeur Belarmino Fragoso, é um documentário de longa-metragem ancorado no neo-realismo, reflectindo sobre a vida de um homem de origens humildes que se tornou campeão e a forma como o próprio e a sociedade de então lidaram com o fenómeno. É o filme que escolhi para homenagear Fernando Lopes. R.I.P.

Belarmino morreu outra vez, Fernando Lopes (1935 – 2012 ), RIP

Morreu Fernando Lopes,  o realizador de Belarmino, que amanhã estará aqui e na net. O pugilista Belarmino Fragoso morreu outra vez, não querendo reduzir Fernando Lopes a um filme neste fez de um “marginal” uma merecida obra de arte. E morre um dos realizadores que deu a volta ao cinema português, um homem que sabia a cinema.

Hoje dá na net: Adeus Lenin!

Inspirado em um período importante da história cultural da Europa – a queda do Muro de Berlim e a reunificação das duas Alemanhas – Wolfgang Becker usa como pano de fundo personagens reais como Erich Honecker, que governou a RDA (ou Alemanha Oriental) de 1971 a 1989; Mikhail Gorbatchov, o derradero líder (1985-1991) da URSS; Helmut Kohl, primeiro chanceler da Alemanha reunificada, e Sigmund Jähn que em 1978 tornou-se o “primeiro alemão no espaço”: foi um dos tripulantes da espaçonave soviética Sojus 31.

Legendado em português, ficha IMDB

Hoje dá na net: Os Grandes Aldrabões

São os quatro irmãos Marx, é claro. Um filme de 1933 com Groucho, Harpo, Chico e Zeppo Marx, realizado por Leo McCarey.

Legendado em português, ficha IMDB

Hoje dá na net: Estação Carandiru


Em «Estação Carandiru», mais um grande filme do cinema brasileiro, o médico Drauzio Varela narra a sua experiência na prisão de Carandiru, bairro de S. Paulo onde ocorreu um massacre, em 1992, que culminou com a morte de mais de 100 reclusos. As condições das prisões brasileiras, a forma como os presos são tratados e as incongruências do sistema presidiário brasileiro são explorados de forma magnífica neste filme realizado por Hector Babenco.
Carandiu é, a par do bairro, também o nome da Estação na qual o médico saía para se dirigir à prisão.

Hoje dá na net: Cidade de Deus

«Cidade de Deus» é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Retrata fielmente o crescimento do crime organizado na sociedade brasileira e em particular na Cidade de Deus. As desigualdades sociais no Brasil estão bem evidentes neste filme, cujo enredo desenvolve a história de Buscapé, um jovem sensível que acaba por conseguir escapar ao destino que lhe estava reservado.

Vale Vem Uma Noite Mal Dormida!


O Fast Forward é já neste fim de semana e é organizado pelos novos da Velha.

Hoje dá na net: Quem matou Pixote?


Na sequência da apresentação, ontem, de «Pixote – A Lei do Mais Fraco», segue-se hoje o filme «Quem matou Pixote?», de José Joffily (1996). Um filme que retrata a curta vida de Fernando Ramos da Silva, o menino de rua protagonista de «Pixote – A Lei do Mais Fraco» e precocemente morto pela Polícia depois de entrar no mundo do crime.
Não sendo um grande filme, e tendo sido um fracasso de bilheteira, vale ainda assim por relembrar a triste história de um menino utilizado pela indústria cinematográfica brasileira que não soube lidar com a fama e com o sucesso e terminou a vida de forma trágica.

Hoje dá na net: Pixote – A lei do mais fraco


É considerado um dos melhores filmes brasileiros. Dirigido em 1981 por Hector Babenco, o mesmo realizador de Estação Carandiru, e contando com a participação da grande Marília Pera, «Pixote – A Lei do Mais Fraco» retrata o sub-mundo do crime em S. Paulo e sobretudo a delinquência juvenil. A personagem central é Pixote, interpretada por Fernando Ramos da Silva, um menino de rua transformado em actor propositadamente para o filme. Acabou por ter um destino trágico, assassinado aos 19 anos pela Polícia depois de ter seguido as pisadas da personagem que interpretou, ou seja, tornando-se um criminoso. Anos depois, viria a ser feito um filme baseado na sua história, «Quem matou Pixote?».
Está disponível na net o filme integral legendado em inglês, antecedido e intercalado por um breve documentário de contextualização do filme. O facto de estar dividido em 13 trechos torna-se irrelevante, neste caso, devido à importância da obra. Para os adeptos de outras línguas, está também disponível o filme completo dobrado em russo.

Cinco anos a roubar biclas

Parabéns. E se quiserem rever o original… I Ladri di Biciclette.

Hoje dá na net: Pier Paolo Pasolini – Salò ou Os 120 Dias de Sodoma

Vejam depressa, ou baixem do youtube, antes que desapareça. Pasolini depois de estrear este filme apareceu falecido, à paulada. E por cá foi o primeiro episódio de censura pós-1974:

Em Portugal, já em 1976, salva a democracia e evitados os extremismos, os distribuidores tremeram com o filme nas mãos e não ousaram estreá-lo sem exame prévio do então ministro da tutela, o socialista, republicano e laico Dr. Almeida Santos (VI Governo Provisório, a seguir ao 25 de Abril). Dizia-se que o futuro Presidente da Assembleia da República não aguentou a visão até ao fim: «Chamem-me censor, chamem-me o que quiserem, mas enquanto eu for ministro isto não passa.» Verdade ou mentira, é certo que não passou. O filme só foi apresentado pela primeira vez no Festival da Figueira da Foz no dia 1 de Setembro de 1976 (e estreado no dia seguinte em Lisboa, no cinema Mundial), já com o I Governo Constitucional em funções, Ramalho Eanes como Presidente eleito e David Mourão-Ferreira como Secretário de Estado.

Fui confirmar a memória aO Rato Cinéfilo, uma leitura que se recomenda.

O filme dói, tem um plano que ainda hoje me gela, mas nem que seja pelo momento que este cartaz reproduz (e que eu diria ser a chave que abre as portas para o entendimento da obra) é obrigatório ver.

Legendado em castelhano (activar clicando em CC) Ficha IMBD