A greve geral não é hoje, porra

Às 18h 40m deste sábado os jornais online alimentam-se de um texto da Lusa com três horas de idade:

Vários milhares de trabalhadores da administração pública estão concentrados na rotunda do Marquês de Pombal, à espera de iniciar um desfile que a Frente Comum de Sindicatos espera ser um primeiro passo na mobilização para a greve geral.

Donde se conclui que  devem ter sido na casa das centenas dos milhares. Nada como fazer contas de multiplicar quando as ordens são para não contar. Porreiro pá.

A melhor resposta ao roubo nos salários: trabalhar menos 5%

Para já médicos e enfermeiros ameaçam recusar horas extraordinárias. Quem tem falado com funcionários públicos ouviu a mesma resposta ao gamanço dos ministros e ex-ministros do bloco carteirista: tiras-me 5%, trabalho menos 5%.

Sendo daquelas formas de luta que os sindicatos nunca assumirão cheira-me a que vai ser a mais praticada, e ainda antes de os salários baixarem. Discretamente, trabalhar menos 5% (os dos cortes de 10% não se metem nestas vidas) é a coisa mais simples deste mundo, até porque com a progressão na carreira congelada as avaliações passam a pura anedota.

Tivesse a função pública sindicatos a sério e chamava-se a isto greve de zelo. Quem já usou a expressão greve de zelo perante um sindicalista sabe porque não temos sindicatos a sério mas apenas carreiristas a brincar. Há excepções, confirmam a regra.

O PSD libertou o Miguel Frasquilho que havia em si

O novo PSD libertou o velho Miguel Frasquilho que tinha em si. O homem quer reduzir as despesas do estado. Todos queremos. Acabar com as consultadorias que alimentam os grandes escritórios de advogados, por exemplo,  e a contratualização externa que virou rotina onde bem podia contar com os  seus recursos. Terminar com os ajustes directos que aumentam custos e viciam o mercado. Rever a contratualização de escolas privadas para fazerem mais caro o que deveria fazer uma pública. Por aí fora.

Mas com o seu irrepreensível sotaque irlandês Miguel Frasquilho quer baixar é nos salários, começando a função pública por dar o exemplo. O facto de os salários médios (para não falar dos mínimos) serem dos mais baixos da Europa não interessa para nada. Depois do sonho irlandês, o exemplo da China ilumina esta mente generosa, disposta a prescindir de 3 e tal por cento do que vence como deputado mas que nada disse sobre as reformas antecipadas dos detentores de  cargos públicos. Ganhamos muito, proclama. Em relação a quem? Aos trabalhadores chineses, só pode. A seguir vai propor sindicatos únicos e controlados pelo estado, vale uma aposta?

Os funcionários públicos foram sempre prejudicados

Desde os tempos do Estado Novo, que a Função Pública é prejudicada.

Veja-se esta “Licença Anual para Uso de Acendedores e Isqueiro”, que diz:

Se o deliquente for funcionário do Estado, civil ou militar, ou dos corpos administrativos, a multa será elevada ao dobro e o facto comunicado à entidade que sobre ele tiver competência disciplinar

Chega de estigmatização! Venham mais greves!

Adenda: nas greves, entre os números dos sindicatos e os do Governo há sempre diferenças abissais. Querem melhor prova de que a matemática é um dos pontos fracos do nosso ensino?

Professores e a Greve de TODA a administração Pública

Na próxima 5ª feira vou fazer GREVE!

Relativamente aos motivos trazidos pelos Sindicatos para cima da mesa estou INTEGRALMENTE de acordo com todos: Aumento real dos salários; contagem integral do tempo de serviço prestado para efeitos de carreira; eliminação das quotas na avaliação de desempenho; pensões de aposentação justas.
E sobre estes vou apenas referir um, talvez o que menos se fala: Sócrates resolveu em 2005 congelar as carreiras de todos os funcionários públicos. Durante 28 meses o trabalho realizado “não existiu”, isto é, todos os funcionários ficaram sem 28 meses no tempo de progressão nas suas carreiras – não há qualquer motivo para manter este roubo.
Depois existe um mito em Portugal sobre o custo da Administração Pública, que, de facto, é das mais baratas da Europa na sua relação com o PIB. Escrevi aqui no Aventar que “No meio disto uma coisa inovadora, até do ponto de vista matemático, que é o “aumento zero”. Será que alguém me consegue explicar o que é um aumento zero?
A realidade dos números mostra que a Função Pública foi aumentada desde 2000 18,16%. Mas, a inflação foi nesse mesmo período de 28,8%. Isso mesmo: os funcionários públicos nos últimos dez anos perderam 10% dos seus vencimentos.”
O que todos sabemos é que o dinheiro dos salários dos funcionários públicos entra directamente na economia do país ao contrário do dinheiro entregue à banca e às multinacionais. E já nem falo dos quadros das Empresas Públicas que se governam à custa do povo que trabalha, onde estão, claro, incluídos os funcionários públicos.
Mas, e há sempre um mas, apetece-me perguntar: se os motivos são inquestionáveis o que leva os sindicatos a fazerem as coisas deste modo?
Porque é que a FRENTE COMUM convoca uma Greve antes de todos os sindicatos o terem discutido e decidido?
Como é que me dizem que o SPN tem que ir porque a FRENTE COMUM já disse que sim e depois venho a saber que a FENPROF ainda não tinha avançado porque o SPGL ainda não tinha decidido se avançaria…? Perguntas que ficam para resposta posterior, porque agora importa perceber o que estão os movimentos de professores a fazer… No próximo Post.

Aumentos na Função Pública, PS e Sindicatos

O movimento sindical português é dos menos poderosos da europa e ao contrário do que se diz na opinião publicada, Portugal tem dos mais baixos índices de conflito social, expressos, nomeadamente nos dias de greve, coisa quase impossível de acontecer nas empresas privadas.
A ditadura do dinheiro, o excesso de patrões e a falta de empresários, uma ditadura durante anos e um movimento sindical algo conservador justificam tal situação.
A negociação que tem havido entre o governo e os sindicatos da função pública tem sido pouco mais que anedótica. De um lado, os sindicatos dizem, com razão, que não podem ser sempre os mesmos a pagar a factura. Do outro, um infeliz secretário de estado, diz que é melhor estarem caladinhos porque no privado há gente sem emprego e por isso devem ficar bem satisfeitos com o que têm.
No meio disto uma coisa inovadora, até do ponto de vista matemático, que é o “aumento zero”. Será que alguém me consegue explicar o que é um aumento zero?
A realidade dos números mostra que a Função Pública foi aumentada desde 2000 18,16%. Mas, a inflação foi nesse mesmo período de 28,8%. Isso mesmo: os funcionários públicos nos últimos dez anos perderam 10% dos seus vencimentos.
Mas, com tal realidade, como é que a FRENTE COMUM, agora liderada pela Ana Avoila (candidata do PCP à C. M. do Barreiro) não consegue fazer valer a sua razão?

Se com Paulo Trindade (ex-deputado do PCP) nunca foi possível fazer valer a razão de quem trabalha, com Ana Avoila, só a sua presença é motivo de derrota. Não se trata de apresentar uma dimensão pessoal, porque no plano pessoal as pessoas merecem o máximo de respeito, mas antes de ver algo que não está bem: os líderes do movimento sindical na administração pública são maus!

Enquanto trabalhador da Administração Pública estou a perder há pelo menos 10 anos. Pergunto: as organizações que me representam vão ou não conseguir afirmar a nossa razão?
É que fazer greves de calendário, só porque sim… Creio que é um mau caminho!

O descontentamento está na rua…

Os enfermeiros estão em de guerra. Os Sindicatos da Função Pública afiam as facas, na ponte 25 de Abril (de onde se atirou o Cavaco…) há protestos contra o aumento das portagens

Não é possível enganar toda a gente durante o tempo todo, as contas públicas estão aí e estão uma desgraça maior do que a se previa, a despesa aumenta e muito, há que ir buscar dinheiro aos mesmos de sempre, a quem trabalha!

São as portagens, as SCUTs, os combustíveis (o petróleo está ao nível de 2007 mas o preço no consumidor, não baixa…), 60% das margens são receita do Estado, os telefones mais caros que noutro qualquer país da Europa, os serviços bancários…tudo formas encapotadas de “sacar” dinheiro.

Congelar salários e pensões ao mesmo tempo que vamos pagando tudo mais caro!

E diz o Teixeira dos Santos que não há aumento de impostos. Pois não, chamam-lhe outra coisa, como sempre fizeram na sua relação com os contribuintes…

Nós, aqui no Aventar, já tínhamos dito que o acordo na Educação era o abrir “a caixa da Pandora”, e também há muito que vínhamos avisando que as contas públicas estavam num estado deplorável, muito pior do que o  governo admitia.

Acabou a festa para Sócrates…

Orçamento de Estado 2010 #3:

Hoje o i faz uma bela pergunta: “Alguém gosta deste orçamento?”. Já sabemos que a Função Pública não gosta, tal como não vão gostar os doentes e os pobres. Desconfio que Belmiro de Azevedo, além de não gostar de cavaco, também não. Pelo menos a Moody’s dá o benefício da dúvida, o que já não é mau. Quem também não gosta é Pedro Passos Coelho (afirmou-o ontem na apresentação do seu livro, no Porto). Já Manuela e Portas certamente gostam, caso contrário não teriam alinhado.

Numa análise fria: Estamos tramados!

Orçamento de Estado 2010: 2ª parte

Eu só não percebo uma coisa, se o governo já decidiu congelar os ordenados na função pública, vai reunir com os respectivos sindicatos para negociar o quê?

Outra coisa que eu não percebo: então o Primeiro-ministroameaça demitir-se? Ora, Manuela Ferreira Leite já deveria saber que quem se demite não ameaça…

Economia e Finanças:

Eu não percebo muito de finanças mas gostaria de saber as reais contrapartidas para a Madeira de todo ESTE acordo. É que não há almoços grátis. Sobretudo quando alguns terão de se sacrificar em nome de todos. Mas continuando a afirmar que nada percebo de economia e finanças, não deixo de ficar surpreendido ao ler que Portugal vai emprestar dinheiro a Angola. De certeza? Não será ao contrário?

Delírios e realidades numa sexta-feira

No Ionline afirma-se que os salários reais na função pública aumentaram 150% nos últimos 30 anos. Sou funcionário público há quase tanto tempo como isso e aconselho o sr. Luís Reis Ribeiro a não fumar enquanto escreve: o salário nominal até subiu isso, o real nem nas pense. O eufemismo “dados da Comissão Europeia” serve para enganar quem? Mostre lá os números. João Ferreira Amaral aproveita para sugerir mais despedimentos na função pública para conter as despesas. E subcontratar privados, é não é?

Como o delírio quando nasce é para todos António Mendonça acha que o TGV vai transformar Lisboa numa praia de Madrid. A campanha vai ter início com o lançamento deste vídeo em plena capital castelhana.

No Haiti nem os mortos se contam, com eles se bloqueiam estradas, e como não podia deixar de ser temos portugueses no local: Ana Estrada narra o que viveu. No Aventar vamos tratar deste assunto hoje. Com o cuidado de não confundir solidariedade com aquela tendência mórbida para espiolhar a miséria alheia.