Com letras garrafais, será que lá vai?

Será que a miopia portuguesa é tanta que só em grande se vê?

Para baixar o défice,
basta não pagar o que se deve!

Realidade (um de tantos exemplos):

Maternidade Alfredo da Costa está a pedir donativos aos utentes
15.04.2011 – PÚBLICO
A Maternidade Alfredo da Costa está a pedir donativos aos seus utentes para fazer face à situação de crise que o sector da saúde atravessa.

Propaganda:

Governo revela melhoria de 1.750 milhões nas contas públicas
15.04.2011 – PÚBLICO
O Governo vai apresentar uma melhoria de cerca de 1.750 milhões de euros nas contas da administração central na sua execução orçamental do primeiro trimestre deste ano quando comparado com o mesmo período de 2010, disse à Lusa fonte governamental.

Tristes charlatões estes que nos conduzem ao abismo e, ainda mais tristes, os que os põem lá. A democracia também passa pelas escolhas erradas. Mas têm um preço, como será ainda mais notório nos próximos anos.

Que credibilidade têm as contas públicas?

Sinceramente, depois dos fiascos anteriores, alguém acredita na propaganda saída hoje nos DN e TSF do grupo do amigo Oliveira?

Execução orçamental

Governo revela melhoria de 1.750 milhões nas contas públicas

15.04.2011 – 08:14 Por Lusa, PÚBLICO

O Governo vai apresentar uma melhoria de cerca de 1.750 milhões de euros nas contas da administração central na sua execução orçamental do primeiro trimestre deste ano quando comparado com o mesmo período de 2010, disse à Lusa fonte governamental.

Naturalmente, isto não são notícias para acalmar o FMI, como diz a TSF. Essas pessoas não se contentarão com “ter acesso” às contas, como disse ter tido o DN. Eles analisarão, em vez de ter acesso. Resta por isso a óbvia explicação de se estar perante mais uma jogada para compor o discurso eleitoral. Shame on you!

«Antes quebrar do que torcer» mas sem nos afundar, s.f.f.

Não vou estar com meias palavras. Quem votar PS nas próximas eleições estará a subscrever o rumo que o governo deu ao país. E que rumo é esse?

A seguir, um gráfico sobre o constante caminho para o presente beco.

PIB e despesa: 1997-2010

PIB e despesa: 1997-2010 (clicar para ampliar)

Leiam-se os factos, esqueça-se a politiquice. Como o próprio admitiu, Sócrates tem um carácter de «antes quebrar do que torcer». O problema é que quebra mas primeiro leva-nos ao fundo.  Não conte comigo para tal.

image

imagem adaptada daqui

Superavit de banha da cobra

No Expresso, 17 de Março de 2011

Execução orçamental: Governo atinge superavit histórico de 836 milhões de euros até Fevereiro

Lisboa, 17 mar (Lusa) — O Governo vai apresentar um superavit histórico de 836 milhões de euros na sua execução orçamental de Fevereiro quando comparado com um défice de 230,4 milhões de euros para o mesmo período de 2010, disse à Lusa fonte governamental.

Hoje

FMI avisa: sem medidas adicionais, défice será maior este ano

Se o Governo não tomar medidas adicionais, no âmbito do pacote da ajuda externa que está a ser negociado, Portugal não conseguirá cumprir com a meta do défice prevista para este ano (4,6 por cento do PIB). De acordo com as previsões do FMI, o défice orçamental ficará nos 5,6 por cento.

Em menos de uma mês, toda a propaganda se desmorona. Alguém pode fazer o favor de pedir um comentário ao senhor Nicolau Santos? E já agora, podem avisar os eleitores que é de abrir os olhos perante a banha da cobra? Obrigado.

Apelo à oposição

Tenho estado a ouvir Sócrates na abertura do congresso do PS. É notória a reacção entusiasmadíssima da audiência a determinadas partes do discurso, facto que leio como estando o PS a começar a acreditar que poderá ganhar as eleições. E esta é, parece-me coisa que o PSD não tem e, quiçá, não virá a ter.

Sócrates tem estado a pegar em todos os temas onde qualquer mexida assusta um extenso eleitorado, como as privatizações, o despedimento, o estado social, a escola pública e o SNS e acusa o PSD de querer fazer tudo aquilo que o PS tem vindo a fazer. O partido que deu origem a este governo é o que mais tem destruído o que existia nestas áreas. Terão os partidos da oposição arte suficiente para explicar de uma forma clara e simples, item a item, esta óbvia realidade?

Organizem-se! O pior que nos pode acontecer é termos um compulsivo manipulador a governar-nos de novo. Que não hesitou colocar o país em risco com a sua demissão. Que não se coibiu de exponenciar o endividamento nacional, expondo-nos assim de forma imprudente aos nossos credores.

A bem de todos, deixem de reagir ao guião socrático e preparem um caminho próprio, com um objectivo claro e tangível. Os eleitores saberão distinguir um charlatão de um líder.

Uma pergunta simples para o primeiro-ministro que se demitiu

Se o governo estava ciente dos problemas que o chumbo do PEC IV traria ao país, como tantas vezes José Sócrates afirmou na semana que antecedeu a respectiva queda, porque razão o primeiro-ministro não colocou os interesses do país à frente do seu orgulho, não se demitiu e não procurou alternativas ao PEC IV?

Afinal de contas, apesar de se ter demitido, o governo está na mesma a aplicar parte das medidas do PEC IV, esse mesmo que tinha sido chumbado, e que terão «um impacto estimado nas contas públicas de 0,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)» de 2011. Sim, deste ano.

Está tudo a correr tão lindamente, como tanto se propagandeou em Fevereiro, e afinal são precisos mais 0,8% do PIB já este ano?

Não se percebe. Excepto, claro, se a demissão foi apenas um pretexto para fugir aos problemas que estavam mesmo a chegar (défice de 2010 1.3 pontos superior ao anunciado; dois empréstimos gigantescos para Abril e Junho; falta de dinheiro em diversas empresas públicas). O que se percebe, isso sim, é que com todo este teatro, a coisa piorará.

A agenda escondida

Ontem, o dirigente socialista Vitalino Canas acusou o PSD de ter manter uma «agenda escondida» e que «por palavras mais ou menos ambíguas, vai dizendo que vai aumentar o IVA, já que é óbvio que em 2012, 2013 e não sei se também em 2011 vai ter de haver novas medidas de consolidação orçamental e vai faltar dinheiro».

E eu fiquei apreensivo.  E se for verdade? Imagine-se que vamos para campanha eleitoral,  «rejeitando o agravamento de impostos» e, apenas alguns meses depois, o governo em funções opta por um brutal aumento de impostos? Sim, de facto, uma agenda escondida é perigosa. E Vitalino Canas sabe-o, pois isso foi exactamente o que o PS fez. Em Setembro de 2009 rejeitou o aumento de impostos e em Maio de 2010, com a patética desculpa «o mundo mudou nos últimos 15 dias», presentou-nos com o primeiro de vários aumentos de impostos! Mundo esse que já mudou entretanto umas quantas vezes, pois já se vai no 4º PEC e em dois orçamentos com aumento de carga fiscal.

Socialistas, obrigado pelo aviso. Vocês sabem do que falam.

 

imageNota: uma das estratégias de ganhar votos pelo medo que o PS tem andado a usar é esta da agenda escondida. Veja-se só a quantidade de resultados quando se procura vitalino canas “agenda escondida”. Não é novidade, como se pode ver no gráfico produzido pela Google, mas em 2010 e 2011 está a ser recorrente. Tristes.

Novamente os ajustes directos: uma boa notícia

O assessor que assina com o nome fictício mas pretensamente real Miguel Abrantes (ó “Miguel”, quando é que deixa de aprovar só os comentários que lhe interessa?) foi exímio a bramar aos céus por achar que o jornal do “amigo Oliveira” tinha sido injusto na forma como a questão dos ajustes directos foi colocada. A coisa não é assim tão linear, mas adiante.

Acontece que hoje há uma boa notícia. O ataque reforçado às obrinhas eleitorais não irá para a frente pela simples razão de, segundo Bernardino Soares, «o decreto de lei que aumenta os limites para autorização de despesas do Estado [ser] “ilegal” porque está baseado numa autorização jurídica do Orçamento que caducou no final de 2010» (ionline).

Fui confirmar e faz sentido. No novo decreto consta:

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Ainda os ajustes directos

Vai por aí um frenesim por causa das notícias dos ajustes directos, assunto já focado aqui no Aventar. O que é que está em causa? O DN, mais alguns jornais  e as televisões abordaram a questão do aumento das autorizações de despesa e de quem as pode autorizar numa perspectiva de se terem aumentado os limites dos ajustes directos.

Foi a abordagem correcta? Não. E sim, também. Vejamos.

 

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Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (III)

Preliminares
Perante a iminente derrocada, o nosso herói começa por lançar uma campanha onanística a louvar a governação, apenas com dados parciais e a prolongar-se durante semanas. Não sendo os dados conhecidos na totalidade, não há contraditório possível. As notícias triunfantes repetem-se e o espaço de manobra da oposição desapareceu.

Acto [Read more…]

As eólicas flutuantes

imageA EDP está a investir em coisas giras:

Notícia no Expresso, 19-02-2011: «Portugal constrói eólica flutuante. É um protótipo inovador a nível mundial. Já existem eólicas no mar, mas alicerçadas no fundo. A que a EDP vai lançar flutua e é ideal para águas profundas.»

Notícia no Económico, 11-11-2010: «Avaliado em 18 milhões de euros, o projecto Windfloat insere-se num pacote de 40 milhões de euros destinado à área da inovação na energia.»

ricas ondasPor acaso, ainda há pouco tempo, também investiu em outras coisas giras:

Notícia SIC, Nós Por Cá , 28-12-2009: «Um milhão e 250 mil euros foi quanto o estado investiu, há mais de um ano, naquilo que dizia ser um projecto pioneiro, em termos mundiais, no campo das energias alternativas. Um milhão e 250 mil euros para a construção do Parque de Ondas da Aguçadoura. Nós por cá fomos agora ver o que é feito do projecto e que energia foi já produzida através das ondas do mar, 15 meses depois do anúncio.»

Gosto muito de empresas com ideias giras. Mas gosto menos quando este Portugal moderno do senhor engenheiro que nos governa é pago nas facturas da electricidade. É que há quem se queixe que a conta da luz é pesadita. [Read more…]

O grande feito nas contas públicas

Passados quase dois meses de 2011, já os impostos tilintam em grande nos cofres do fisco, excepção feita para a banca que continua sem que os novos impostos se lhes aplique. O entusiasmo é enorme entre as hostes socialistas, a tal ponto que coube a Nicolau Santos saltar do caderno de Economia para a página 4 do caderno principal Expresso, onde traz a boa nova quanto ao défice.

A acção concertada na comunicação social, vulgo spin, continuou ontem no Público, dizendo que «o défice do Estado diminuiu 31 por cento em Janeiro face ao mesmo período de 2010, totalizando 787 milhões de euros».

É do senso comum que se gosta de receber na hora e de pagar quanto mais tarde melhor e o Estado não é excepção. Por isso, em Fevereiro, é muito fácil ter grandes feitos nas contas públicas, bastando adiar a despesa o mais que se possa. Que é o que tem acontecido em todas as execuções orçamentais.

Este ano está melhor do que no ano passado? Basta atender que houve muitos impostos que entraram excepcionalmente antes da ripada de Janeiro e adiem-se os pagamentos um pouco mais do que o costume e está feito.

Cá estaremos para ver se esta leitura é errada. Pelo sim, pelo não, cá fica.

Os combustíveis low-cost e a estratégia de desviar a atenção

Da saída da refinaria até à bomba, os impostos fazem os preços da gasolina e do gasóleo aumentarem, respectivamente, 87% e 135%

Alguns deputados do PS estão muito preocupados com a concorrência no que toca a questão dos combustíveis. Em 2008 a preocupação foi de tal forma forte que até acabou por haver um extenso estudo por parte da Autoridade da Concorrência para se saber se as dúvidas repetidamente expressas pelo governo eram ou não fundamentadas. Suspeitava-se então que os preços dos combustíveis estavam inflacionados pela situação de monopólio que existe na refinação de combustíveis. Meses de investigações levaram a uma conclusão que se antecipava: os preços dos combustíveis, antes dos impostos, seguem o que se passa nos outros países.

Agora que estamos numa nova crise de preços, eis que, outra vez, as hostes socialistas se incomodam com os preços que andamos a pagar. Desta vez a ira não vai para os preços à saída da refinaria mas sim para o facto de não haver combustíveis low-cost em todas as esquinas. Bem, pode-se sempre fazer uma lei para isso. Para quem já não não tem mercado a funcionar sem o aval do governo, mais uma já pouco importa.

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Espantoso

«Concessionário das Scut manda conta ao Estado por atrasos nas portagens», Público

A não ser que pela introdução de portagens nas SCUT a concessionária passasse a receber mais dinheiro, alguém me explica porque é que estas não terem arrancado traz custos acrescidos?

É de ver que o eventual "desequilíbrio nos contratos negociados" será o mesmo tenham ou não as portagens avançado e que, estivessem as SCUT portajadas, o "suporto técnico aos sistemas" teria igualmente de ser assegurado.

Resta a primeira hipótese. Ou então é mais um episódio da preparação da reentrée.