À boca de cena

Hoje, na véspera da minha viagem, estou a recordar-me de algumas estórias que se contavam na minha cidade.

O mesmo grupo de teatro do “Cheira-me a papel rasgado” estava afadigado em ensaios para a “premiére”. Um dos rapazes, por evidente falta de jeito, não entrava na peça, era uma espécie de “moço para todo o serviço”. Mas aquilo magoava-o, nem que fosse um pequeno papel, ele gostaria de uma vez que fosse pisar o palco.

Insistia junto do Director que no meio da confusão geral lá se lembrou de uma oportunidade. Pá, levas isto, decoras muito bem decorado e aparece cá no dia da estreia, não precisas de vir aos ensaios.

E o pobre do rapaz, actor sem ensaios, lá foi para casa convicto de ir mostrar que podia fazer tão bem como os outros.

Chega o grande dia. A peça desenrola-se no meio de grande nervosismo. Sala cheia de familiares e amigos. O nosso jovem já arrependido, vai entrar pela primeira vez num palco perante uma sala cheia.

No momento, na sua deixa, é empurrado pelo Director para o palco.

Entra vestido de empregado de mesa com uma bandeja e com um serviço de chá. Dirige-se para a boca de cena e diz trémulo. “Entra, põe a chavena em cima da mesa e sai.”

O que estava escrito no papel que o Director lhe dera para decorar, o que devia fazer que era entrar, pôr a chávena em cima da mesa e sair, sem dizer peva!

Lá se foi um talento!

Comments

  1. O que se está a passar aqui e neste post é o tal flash back que temos antes da morte..é tão lindo este momento…Luisinho do Areeiro you ll be always in my mind!!! Que vou fazer agora? O que vou dizer às meninas do 21º do Hotel Don Henrique do Porto??!!!!

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