Barak Obama o novo Médico de Família dos EU

Barak Obama, o novo Médico de Família dos EU.

Li há dias um artigo de Ignacio Ramonet, na primeira página do “Le Monde Diplomatique”, sobre Barak Obama. Tenho uma grande admiração por Ignacio Ramonet, e uma grande credibilidade naquilo que escreve. Por isso, aceitei de muito bom grado todos os encómios que ele tece à volta de Obama, considerando positivo o saldo de seis meses da sua governação. No fim, passei a ver Obama como um pobre clínico, chegado a um campo de refugiados onde as doenças fervilham, fazendo tudo por tudo para deitar mãos á obra, tentando curar o mais que pudesse.
Mas trata-se de doenças muitas vezes genéticas e com uma cronicidade tal, que se me afigura muito difícil que ele próprio não seja contaminado ou não transcreva vícios terapêuticos pouco recomendáveis.
São ás dezenas os exemplos destas doenças sociais e políticas que minam e minaram os EU. Mas há duas que pelo seu carácter epidémico constituem um perigo para a humanidade inteira: a sede imperialista e a alergia às democracias, levadas pela América às mais diversas partes do mundo, sob a forma de tratamentos envenenados.
No Chile foi o que se viu, gravíssima hemorragia produzida pela injecção traiçoeira de uma vacina de vírus vivos. No Vietname, uma agressiva terapêutica intensiva, que não matou o doente porque ele esperneou até ao “washout”. Em Cuba, acentuada astenia, resultante da criminosa imposição de uma dieta rigorosíssima e envenenada que visava preparar a invasão dos abutres. Granada quase desapareceu do mapa, tal a força do laxante. A Somália vomitou incoercivamente enquanto não lhe retiraram o enjoativo xarope da interferência humanitária. O massacre e a violência dos americanos sobre o povo indefeso do Panamá não deixou dúvidas quanto à semelhança com o holocausto, embora a realidade tivesse sido bem mais negra do que a do filme de Barbara Trent. Duvalier, Somosa, Batista, Pinochet e tantos outros amigos dentro e fora do Vaticano, nunca deram preocupações “democráticas”. A América sempre resolveu tudo com a implantação de próteses ditatoriais, tendo como instrumentista neste tipo de cirurgias a sua fiel ajudante, a igreja católica. Apenas no Iraque e no Afeganistão as suas próteses romperam, e nada mais poderiam fazer do que tentar a eutanásia de quase um milhão de seres humanos, cujo processo ainda decorre, e cujo resultado está longe de garantido, dado o violento espernear dos agredidos.
Na pobre mentalidade de Reagans, Clintons e Bushs, sempre assentou a monumental hipocrisia dos donos deste país, responsável por centenas de execráveis agressões, secretas e às escâncaras, levadas a cabo em todo o mundo. Chocante! A receita das suas imperialistas doutrinas, a desvergonha com que fabricam e sempre fabricaram os letais remédios para a “cura das democracias” e as bulas impressas sob a forma de comunicação social, levando à grosseira manipulação e desinformação da humanidade, constituem ainda hoje o seu “vademecum”. Os “melhores do mundo” pulverisando milhões de seres humanos para dar gás à “democracia” dos cemitérios. Não há razão para as razões nem razões para a razão. Não há Bushs para a razão. Não há razão para Reagans, Clintons, Bushs e todos os seus acólitos por esse mundo fora. São o que são, pobres efervescências de cérebros a decompor-se na podridão. Com a cura do mundo e da vida nas mãos desta gente, não deve estar muito longe a diarreia planetária. Por isso, a minha prudente satisfação com a esperança de Ignacio Ramonet. A despeito da arrogância e pouco senso da sua enfermeira Hillary, que começa a ser pouco simpática e muito mandona, há uma tardia esperança de que os EU tenham encontrado, finalmente, o seu médico de família, um médico que respeite e seja respeitado, um médico que reconheça a humanidade em cada ser humano, um Obama que não erre o diagnóstico e tente de forma séria encontrar o caminho da verdadeira cura. As dúvidas são, porém, muito grandes.

Adão Cruz

   A cura da "doença" democrática (adao cruz")

Comments


  1. Imitando um pouco Galileu perante os cardeais, acrescento apenas isto, caro Adão: E, no entanto, estamos sempre a chama-los para resolver qualquer conflito ou simulacro de tal coisa.

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