Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (I)

Nota: No dia 2 de Agosto, completam-se 80 anos sobre o nascimento de José Afonso. Para assinalar a data, o Aventar vai publicar diariamente, a partir de hoje, no dia em que é inaugurada a Exposição «José Afonso 80 Anos», um «post» sobre a vida e obra do mais genial dos nossos Cantautores. Porque, se hoje fosse vivo, o Zeca teria certamente muito a dizer sobre aquilo que é hoje Portugal. A falta que o Zeca nos faz…

1929: Em 2 de Agosto nasce em Aveiro José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho do juiz José Nepomuceno Afonso e da professora do ensino primário Maria das Dores Dantas Cerqueira. Virá a ser conhecido por José Afonso, por Zeca Afonso ou, ainda apenas por Zeca. 1933: Com três anos e meio, vai para Angola, (os pais tinham ido já em 1930) – o pai fora colocado como Delegado do Ministério Público em Silva Porto. Estará três anos em Angola, ali iniciando a instrução primária. 1936: Regressa a Aveiro. 1937: Vai para Moçambique, para onde seu pai fora transferido. 1938: Regressa a Portugal, ficando em casa de um tio, presidente da Câmara de Belmonte, onde conclui o ensino primário. 1940: Ruma a Coimbra, matriculando-se no Liceu D.João III. 1945: Começa a cantar serenatas.1948: Conclui o curso dos liceus, casando depois com Maria Amália. Viaja em digressões com a Tuna Académica e pratica futebol na Associação Académica. 1949: Matricula-se em Letras, no curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Integrado no Orfeão Académico, vai a Angola e a Moçambique. 1953: Nasce José Manuel, seu primeiro filho. São editados os seus dois primeiros discos (em 78 r.p.m.). 1953/55: Cumpre em Mafra dois anos de serviço militar, sendo depois colocado em Coimbra. Em 1954, nasce a sua filha Helena. 1956: É editado o seu primeiro LP – Fados de Coimbra 1957/59: Em 4 de Dezembro de 1957, actua em Paris no Teatro «Champs Elysées». Ainda estudante, dá aulas num colégio de Mangualde e, depois, como professor-provisório da Escola Industrial e Comercial de Lagos. Em 1959, ensinará na Escola Técnica de Faro. Começa a cantar em colectividades. 1959/60: Por alguns dias, ensina num colégio de Aljustrel, sendo depois transferido para a Escola Técnica de Alcobaça onde estará até ao final do ano lectivo. Em 1960 é editado o disco Balada de Outono (Menino de Ouro e Senhor Poeta) 1962: Nos Estados Unidos sai o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, que inclui duas baladas de Zeca: Minha Mãe e Balada Aleixo. Participa em digressões pela Suiça, Alemanha e Suécia. 1963: Conclui o curso, com uma tese sobre Sartre. Divorcia-se de Maria Amália, casando depois em Olhão com Zélia. Sai o LP Baladas e Canções (Ronda dos Paisanos, Altos Castelos, Elegias…). É editado o disco Baladas de Coimbra que inclui Os Vampiros e Menino do Bairro Negro.
 

1964: Sai um novo disco – Coro dos Caídos, Maria, Vila de Olhão, Canção do Mar. Em Maio, actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, à qual dedica Grândola, Vila Morena. É editado o EP Cantares de José Afonso. Sai também a público o álbum Baladas e Canções. Neste ano parte para Lourenço Marques, aqui leccionando e, depois, em 1966 e 1967, na Beira. 1965: Nasce a sua filha Joana. 1967: Regressa a Portugal. É colocado como professor em Setúbal. Adoece e é internado numa clínica. Quando sai, fora expulso do ensino. Mais tarde é readmitido, mas opta por se dedicar à música. É publicado o livro Cantares, que depressa se esgota. Sai uma segunda edição que será apreendida pela polícia política. 1968: É editado o álbum Cantares do Andarilho. Zeca participa na CDE de Setúbal durante a campanha para eleição de deputados à Assembleia Nacional que se segue à morte política de Salazar. 1969: Saem o álbum Contos Velhos, Rumos Novos e o single Menina dos Olhos Tristes e Canta Camarada. Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco. Nasce o seu filho Pedro. 1970: É lançado o livro Cantar de Novo e editado o álbum Traz Outro Amigo Também. Em Cuba participa num Festival Internacional de Música Popular. Em Dezembro, sai o álbum Cantigas do Maio.
 

1971: É, pela terceira vez, distinguido com o prémio da Casa da Imprensa. 1972: É eleito por votação dos leitores do Diário de Lisboa, como «Rei da Rádio» e actua no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro. Grava em Madrid Eu Vou Ser Como a Toupeira. É editado o livro José Afonso.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Carlos, sempre atento ao que verdadeiramente importa.grande Abraço


  2. Luís. se, nas últimas décadas, houve pessoa no nosso País que não merece ser esquecida, é o José Afonso. Ele era extremamente distraído, pois só reparava no que merecia a pena ser notado. Um abraço

  3. Luis Moreira says:

    não tenho dúvidas. Acho mesmo que essa capacidade é comum aos grandes homens.Abraço

  4. dalby says:

    Adoro este homem, aprecio a música dele e as letras tanto como as de Sade ou de Carly Simon, entristece-me que o PC o tenha deixado morrer tão pobre, vibro com as suas letras e voz, amo a sua simplicidade e exemplo verdadeiro de um PORTUGUÊS NOBRE SUPERIOR E DIGNO DO NOME DA RAÇA LUSITANA, e faz parte da minha vida e adolescência…ao contrário do papão comunista que me ensinaram no ambiente sócio-económico-politico-cultural onde nasci e cresci, a sua voz embalava-me e só via poesia, tranquilidade, melancolia e beleza nele…o seu aspecto era simples, demasiado simples, mas a sua voz, música, cançoes e atitude tão sofisticadas como o bom gosto permitia…Ele acalmava-me tanto e vi-o sempre muito mais do que um isntrumento ao serviço do PCP, ele foi o que há de mais belo e autêntico que há na revolução de Abril..AINDA BEM QUE É UM HOMEM QUE NASCEU EM AVEIRO, E QUE ESTUDOU EM COIMBRA…


  5. Para que conste – José Afonso nunca foi militante do PCP. Era de esquerda, cantava nas festas do Avante (como muitos outros cantores alheios ao PCP). Esteve ligado a organizações de extrema-esquerda, mas nunca no PC.

  6. Adalberto Mar says:

    Ah ok perdão, mas pareceu-me que o PCP o tratava como se fosse sua propriedade intelectual..erro meu, desculpe. Se era então do MES, PCTP, MRPP, LUAR, MDP-CDE, PSR OU LCI tant mieux porque assim fica ainda com uma aúrea maior de cantor-trovador mais romântico e verdadeiramente revolucionário. Obrigado pelo esclarecimento..vivi durante décadas a pensar que ele era membro do PC…

  7. Adalberto Mar says:

    Este video de traz outro amigo até me dá vontade de chorar sinceramente QUE QUANDO OUÇO ISTO ARREPIO-ME LOGO. Eu acho que este homem mesmo que um estarngeiro não compreendesse a letra sentir-se-ia tocado por aquela voz da alma profunda, aquela melancolia trágica e aquela guitarra tocada pelos anjos do seu coração….TRASNPORTA-ME IMEDIATAMENTE AO 25 DE ABRIL DE 1974, EU AO COLO DA MINHA BELA MÃE, CHORANDO COM DORES DE DENTES, E A MÃE DIZENDO QUE NÃO PODÍAMOS SAIR AO DENTISTA NA RUA DE SANTO ANTÓNIO CENTRO DO PORTO, AO DENTISTA PORTUGAL, POIS NESSE DIA TINHA ACONTECIDO ALGO GRAVE E AO DOURO TINHA DISO ATIRADO O MERCEDES DO NOSSO VIZINHO BUFO ‘O MARIDO DA CRISTINA’ QUE ERA DA PIDE….E EU CHORAVA COM DORES…..E VIA E OUVIA A TV AO COLO DELA, E OUVIA O GRÂNDOLA SEM FIM..SE PARIR EM DOR É SIMBOLO DE NASCIMENTO E VIDA, ENTÃO O 25 DE ABRIL FOI PARIDO EM MIM TAMBÉM EM DOR…DE DENTES!

  8. Luis Moreira says:

    É verdade não era militante do PCP.O amigo dalby tem que perceber que os antifascistas do “antes do 25 de Abril” não eram todos do PCP.Longe disso! O Carlos que foi dentro várias vezes tambem nunca foi militante do PCP.

  9. Adalberto Mar says:

    O Carlos Loures foi preso pela PIDE? E é mesmo verdade que eles torturavam as pessoas e sobretudo as mulheres com os requintes de malvadez que se diz por aí???´E mito , era excepção ou era mesmo uma prática corrente? E O Mário Soares e Cunhal, porque não foram torturados, eram demasiado importantes? E como fugiram, foram ajudados…há muito mitos à volta disto mas eu não conheci nunca ninguém que tivesse sido preso…na minha cultura e lugar a atmosfera era do Portugal profundo católico , de direita e devoto a Salazar…nem sei como me consegui libertar, sobreviver e manter o meu espírito corpo, sexualidade ao vento, rodeado de tanta pressão, medo, temor, ordem, castração..VOLTANDO ATRÁS DEMOREI TANTO A LIBERTAR-ME DE TUDO…FORAM AS MULHERES DOCES E MODERNAS que me bafejavam que ajudaram a manter ilusões, poi so mundo masculino que sempre me rodeou era IMPLACÁVEL….RUIDOSAMENTE FEROZ E IMPLACÁVEL…O MEU PAI FOI DOCE ATÉ UM CERTO TEMPO E ADORAVA-ME…mas as mulheres como gostavam dos meus olhos verdes cobriam-me de ternura..foi isso qu eme safou desse mundo cinzento! e cruel”e ditador

  10. Adalberto Mar says:

    Mas amigo e carissimo Luis, é verdade tens razão, no meu subconsciente imediatamente ligo anti-fascista de antes do 25 Abril a PCP de antes do 25 Abril, mas o próprio Sá Carneiro era anti-fascista na União Nacional (era assim que se chamava o partido??)…e outros..mas os comunistas sofreram bastante no Tarrafal e noutros locais não acham?OS MEUS PAIS PARA EVITAREM DE EU IR PARA A GUERRA JÁ S EPREPARAVAM PARA ME ENVIAR PARA A SUIÇA, QUANDO EU CRESCESSE..EU CRESCI COM UMA INFANCIA NO TERROR DE IR PARA A GUERRA..MÃE PAI IRMAO IGUALMENTE…FOI HORRIVEL TUDO TUDO EM VAO: MORREM OS ANGOLANOS DE FOME, GUINE, TUDO EM VAO , TERRA QUIMADA, PESSOAS QUE PERDERAM O PAIS E A VIDA, FALO DOS «RETORNADOS» PORTUGUESES MORTOS, TODOS TODOS COM AS SUAS RAZÕES CERTAS JUSTAS OU INJUSTAS MAS A GUERRA A TODOS COBROU E TODOS FICARAM PIOR COM OU SEM LIBERDADE..FOI UM DESTINO CINICO E ATROZ PARA TODOS NÓS E TODOS ELES


  11. […] daqui) 1973: Em Abril, é detido, pela PIDE/DGS, 20 dias na prisão de Caxias. Em Dezembro sai o álbum […]


  12. […] esta série de textos biográficos dedicados a José Afonso, gostaria de vos poder transmitir algumas […]

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