O meu presidente favorito – uma questão de copos

Uma vez que já sei em quem não vou votar, não preciso de andar a reflectir muito antes que chegue o momento de carregar a cruz até ao boletim de voto, novo Gólgota. De qualquer modo, só me interessa o aparentemente improvável: haver uma segunda volta.

Livre que estou de dúvidas, quedei-me ocioso e deu-me para pensar: qual terá sido o meu presidente favorito?

Não seria lícito exigir a outros a perfeição de que a Natureza não nos dotou e acabei por ficar dividido entre Mário Soares e Jorge Sampaio.

Um dos primeiros critérios que uso para definir se gosto de alguém que não conheço pessoalmente resume-se nesta pergunta de evidente valor científico: “será que iria beber um copo com este gajo?”

Reconheço as limitações deste critério, mas, até certo ponto, resulta. Não iria beber um copo com Cavaco nem que fosse ele a pagar, por exemplo, embora o homem só pudesse ficar interessante se eu ficasse muito embriagado. Ou nem assim.

Por este critério, o meu coração penderia, naturalmente, para Soares que tem todo aquele aspecto de apreciar um bom vinho e uma boa conversa e de saber uma ou outra anedota mais picante, para além de ser um homem culto.

Sampaio também não me parece má companhia no mesmo território, embora talvez menos latino, talvez demasiado contido para o meu gosto, sem chegar ao hieratismo postiço de Cavaco. No entanto, Jorge Sampaio teve de tomar duas decisões extremamente difíceis, por muito controversas que tivessem sido, ao aceitar e rejeitar Santana Lopes, em momentos diferentes.

Quando votar, hoje, continuarei hesitante entre ambos. Vamos ver se se arranja melhor.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.