Quantos professores são necessários?


daviddinisDavid Dinis dá, hoje, professoralmente, as suas notas a agentes políticos, classificando com nota negativa o ministro da Educação, abaixo ainda de Passos Coelho.

Se Nuno Crato foi uma enorme desilusão, Tiago Rodrigues é apenas uma grande ilusão, sobretudo para muitos que são de esquerda. O facto de não estar a pensar rever medidas verdadeiramente danosas para a Educação é prova disso, mas o meu objectivo, agora, é escrever sobre  outros ilusionistas.

David Dinis, como qualquer neoliberóide-ignorante-atrevido, usa o seu desconhecimento e o fascínio pelas médias, para insinuar que não serão necessários mais professores. A linhagem a que pertence o actual director do Público gosta de dizer que o Ministério da Educação não tem de ser uma agência de empregos que garanta a contratação de todos os que possam e queiram ser professores.

Sendo isso um truísmo, a verdade é que o Ministério da Educação, com destaque para Nuno Crato, tem sido uma agência de desemprego ou, na melhor das hipóteses, um centro de ocupação para professores precários. Os últimos ministros que ocuparam a pasta não foram da Educação e sim do orçamento ou, mais propriamente, foram (e continuam a ser) agentes liquidatários de um sistema público fundamental num país civilizado.

David Dinis está, portanto, preocupado com a possibilidade de colocar precários no quadro e não perde tempo sequer a pensar no facto de haver, ainda, muitos professores contratados que o Estado usa há anos com um carácter permanentemente provisório, o que é imoral e quase de certeza ilegal.

De qualquer modo, aqui, o problema é outro. David Dinis, membro da Igreja de São Excel, acredita que a decisão de contratar mais ou menos alunos depende exclusivamente da natalidade, o que está de acordo com um pensamento simplista sobre Educação.

Repita-se: o Ministério da Educação não tem obrigação de dar emprego a todos os possam e queiram ser professores. Como deve, então, chegar-se ao número de professores necessários?

A natalidade será, evidentemente, um factor fundamental, mas seria importante não esquecer outros não menos importantes. O número de alunos por turma é um deles e saber a média não é suficiente, sendo necessário estipular um número máximo, que não pode depender de estudos simplórios sobre o sucesso. O facto de a média de alunos por turma ser pouco superior a 21 quer dizer, no mínimo, que há turmas com um número superior a esse. E, na verdade, há turmas com trinta alunos.

Mas há mais. Um ministro interessado em Educação terá de aquilatar da necessidade de fazer discriminações positivas a favor de disciplinas com menos procura mas cuja frequência, num sistema público e civilizado, não pode ficar dependente de um número mínimo de vinte alunos para que uma turma possa abrir. Essa discriminação positiva deve, ainda, ser feita em benefício de escolas afectadas por circunstâncias como a interioridade. Além disso, esse mesmo ministro ideal deveria recuperar horas de redução lectiva que foram sonegadas ao sistema (cargos de coordenação, de orientação de estágio), horas para projectos (através dos quais, as escolas podem, efectivamente, ter uma personalidade própria) e outros aspectos fundamentais para a Educação. Exactamente: para a Educação.

Só depois disto tudo é que se pode decidir quantos professores são necessários ao sistema. O resto é apenas discurso vazio vindo, normalmente, de tribunas políticas ou mediáticas que desprezam, há muitos anos, a real importância da Educação e do tempo. Feitas as contas, contratem-se ou despeçam-se professores. O resto é dizer coisas.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    O Sr. David Dinis deveria era interrogar-se por que razão os “jornais” que o empregam lhe continuam a pagar generosamente, aliás como aos seus anteriores colegas do “Mirone”, que agora trocou pelo “Perdócio”. É muito bom ser liberalóide e ser pago por uma “empresa” (as aspas são propositadas) que generosamente, em vez de falir, como deveria acontecer num “mercado livre” guiado pela “mãozinha invisível”, lá vai sustentando algumas “boas famílias” com o supremo objetivo de “servir a sociedade”. Em matéria de “agências de emprego” estamos conversados.

    Hoje resolveu preocupar-se com o custo da vinculação de professores que estão no sistema há anos, alguns hà décadas. Eu também estou preocupado com o custo de Sua Liberal Excelência. Da próxima vez que comprar um quilo de arroz lá no estaminé dos “perdócios”, vou preocupar-me com o que dali vai para sustentar Davides Dinizes. E não digo quando telefonar porque, felizmente, não dou para tal instituição.

  2. Esperemos que ainda haja dinheiro para as incríveis habilidades que fazem na agência eleitoral, apelidada de M.Educação.

  3. Mais relevante é que David Dinis foi assessor de imprensa de Durão Barroso e que no mês seguinte a deixar o cargo estava como editor de política no Diário Económico a entrevista Morais Sarmento – entrevista que um João Pedro Henriques, cronista e jornalista político no DN, defendia com a supina inteligência argumentativa de que não havia regras que impusessem um período de nojo.

Trackbacks

  1. […] Relembre-se, mais uma vez, que David Dinis passou pelo Observador, um blogue caríssimo a fingir que é jornal. O Público está, portanto, em processo de observação, com o próprio director a revelar as típicas preocupações da direita que sabe fingir que os problemas económicos estão nos ordenados dos trabalhadores do Estado. […]

  2. […] A essas figurinhas menores, como é costume, juntam-se cronistas ignorantes que chegam a directores de jornais, imaginando que é possível escrever a História durante os acontecimentos e distribuindo notas acerca de matérias que não dominam: na realidade, entre outras coisas, Maria de Lurdes Rodrigues tem especiais responsabilidades no estado miserável em que se encontra a formação contínua e essas responsabilidades não serão apagadas pela criação do chamado Plano de Acção para a Matemática, um puro golpe de marketing. Glória a David Dinis! […]

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s