Priscilla, Queen of the desert

Pelas razões óbvias, este é o filme ideal para a silly season, o que quer que isso seja. E também porque não tarda nada, as “questões fracturantes” voltarão a estar na agenda política. Tenho a certeza que este filme elucida mais e melhor o mundo homofóbico que qualquer palestra séria e entediante. Além de tudo isto, o filme é mesmo bom e raramente encontro alguém que o tenha visto. Este é verdadeiramente um filme de homens; Terrence Stamp, Guy Pearce e Hugo Weaving, grande guarda-roupa, uma recordação inesquecível dos Abba e truques com bolas de ping-pong. A não perder, apesar de já ter sido editado há uns anos atrás. Fica a sugestão.

A capacidade da iniciativa privada

Leiam o texto do Nicolau Santos no Expresso: “Nós e a revolução automóvel”

À volta dos carros eléctricos e das baterias de iões necessárias, das fábricas que é preciso primeiro conquistar e depois construir, do mercado que só daqui a uns anos muito largos será criado, fica-se com uma ideia do negócio que está aí a nascer.

Mas a luz vem de uma ideia extraordinária do Pedro Sena da Silva, presidente da Autosil. A criação de uma indústria de conversão dos actuais veículos automóveis em veículos eléctricos! O parque automóvel, aqui em Portugal é de cerca de sete milhões de carros, os seus proprietários não têm capacidade financeira para mudar de carro, não se vê que a troca se faça nos próximos anos. De qualquer maneira estes carros só chegarão ao mercado lá para 2011.

Ora a ideia é que a reconversão seja efectuada pela indústria nacional. E isto porque já foram desenvolvidas com sucesso no país várias experiências de transformação de veículos comuns em veículos eléctricos.

Juntando o saber português, as indústrias de componentes e o mercado de sete milhões de carros existentes, temos aí uma janela de oportunidade a todos os títulos excepcional, que poderá ter dimensão internacional.

Existem cerca de 800 milhões de automóveis em todo o Mundo ( talvez mil milhões) o que dá ideia da gigantesca tarefa que a humanidade tem à sua frente, para reconverter todos estes carros. Os actuais produtores de carros estão já a reconverter as sua fábricas para produzirem carros eléctricos, mas haverá milhões de pessoas que não terão capacidade de comprar novos carros.

É bem mais fácil para os governantes anunciarem grandes acordos de investimento, mas é bem mais dificil mas tambem muito mais importante para o país, rentabilizar as suas capacidades já instaladas!

A inovação nasce sempre de quem está próximo dos mercados, das dificuldades, que tem o conhecimentos das variáveis e que tem a determinação de juntar tudo e desenvolver valor.

Nunca veremos juntas essas capacidades em homens que passaram a vida nas Jotas, em gabinetes ministeriais e na AR!

O mundo dessa gente não é o mundo real !

Joaninha avoa, avoa…

…leva a carta para Lisboa, diz o Louçã, que foi o próprio Sócrates que telefonou a Joana Amaral Dias a convidá-la, oferecendo-lhe um lugar na lista de candidatos a Coimbra, e/ou um lugar no Executivo se vier a formar governo.

O Sócrates grita que é muito feio utilizar a mentira para atacar adversários políticos, que já não vê a Joana há três anos, nem ele nem ninguem a pedido dele lhe ofereceu o quer que fosse. Esta guerra é gira, é um campo que Sócrates conhece bem, tu és mentiroso, toma…

Aí está o nível a que Manuela F. Leite não chega, anda cá há muitos anos e não se mete neste circo de mentiras, golpes baixos e sujos. Podemos assacar-lhe muitas coisas mas o baixo nível, não. Com Sócrates é uma farturinha, ainda estavamos todos a tentar perceber o mentiroso e traidor do Cordeiro das farmácias e já ele anda às voltas com outra acusação de mentir. O homem tem imensas dificuldades em ter um relacionamento estável com a verdade.

Depois como venho dizendo, com Sócrates não há lugar a pontes à esquerda, o PS fica sozinho, com o PCP nem pensar e os ódios que vai levantando entre os Bloquistas faz o resto.

Este nível rasteiro faz muito mal à Democracia, estou mesmo em crer que a falta de ética a todos os níveis e até a sua aceitação é uma das doenças que mais prejudicam a sociedade.

Vejam o que passa com os casos que estão a ser investigados, as raízes que já se conhecem, o número de arguidos, os interesses que cortam transversalmente a sociedade.

Se os tipos de cima se comportam desta maneira, esperam o quê do resto da população?

Juntar forças pelo Porto

Juntar forças: abrir caminhos com a diferença da diversidade que, longe de nos prejudicar, aumenta-nos. Congregar activismos de índole diversa, experiências de vida e de combate pela cidade e pela cidadania. Gerar discussão, crítica e polémica. Encontrar plataformas de entendimento, compromissos de trabalho e avançar.
Juntar forças: para além do sectarismo ou de qualquer outro fechamento, pugnando pela qualidade da democracia local, a transparência, a prestação de contas, o fim das negociatas ou da política de biombos, em que a face visível dos assuntos nunca corresponde à dimensão oculta. Querer e desejar a democracia toda e só a democracia toda, sem concessões e sem mediocridade.
Juntar forças pelos mais desfavorecidos, pelas vítimas das várias crises, optar, saber de que lado se está, definir prioridades pelo social, não esquecer que é ao nível do local e da proximidade que acontecem as mais brutais opressões, as mais abusadoras violações dos Direitos Humanos, mas também a possibilidade de envolvimento e de emancipação.
Juntar forças: saber que, numa cidade, a reabilitação urbana, as políticas sociais de habitação, os usos do solo, os serviços públicos, a sustentabilidade e a mobilidade são um todo interdependente e em permanente tensão. Da tensão pode nascer a intervenção nova à escala certa e não necessariamente a entropia. Desenvolver as tensões e as contradições, desocultá-las, não ter medo da dinâmica.
Juntar forças: em vez do bonapartismo municipal e do culto da personalidade, a acção colectiva organizada, os movimentos, os espaços públicos.
Pelo Porto: cidade de cidades; ícone e existência; punho erguido no granito; lugar onde a liberdade se reencontra.

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (III)

(continuação daqui)

A. Que voz é esta?

Na nota introdutória a Cantares (1ª edição, Tomar, 1967), Manuel Simões interroga-se: «De facto, ao ouvir-se José Afonso pela primeira vez, há uma pergunta que logo nos acode: – ‘Que voz é esta, tão nova e substantiva, que imediatamente se nos torna familiar? ‘. De tal modo se identifica com as nossas aspirações que nos parece tratar-se de uma voz que sempre nos acompanhou». Escritas estas palavras, ainda antes do Maio de 68, a voz do Zeca iria acompanhar-nos ainda pelos vinte anos que se seguiram e durante os quais tantas coisas mudaram nas nossas vidas. Agora, mais de vinte anos após se ter fisicamente silenciado, ela continua a viver dentro de nós, acompanhando-nos como um imperecível eco de expectativas iludidas, de aspirações não realizadas e de persistentes injustiças. Continua sendo a nossa voz.

Infância – «uma larva branca»

Ao evocar o nascimento e a infância, Zeca refere «uma luz láctea; uma luz imanente, uma luz muito vital (…) uma larva branca». Em termos menos poéticos, digamos que nos três primeiros anos de vida, enquanto os pais vão para Angola, por uma questão de saúde, ficará em Aveiro, na casa da Fonte das Cinco Bicas, deixado ao cuidado do tio Chico (republicano e anticlerical) e da tia Gegé. Em 1933, somente com três anos e meio, vai para Angola, para onde seus pais tinham ido já em 1930. Seu pai fora colocado como Delegado do Ministério Público em Silva Porto (actual Menongue). Ficará três anos em Angola, ali iniciando a instrução primária. África surge aos seus olhos de criança como «uma coisa imensa, uma natureza inacessível que não tinha fim» (…) «as grandes trovoadas, os gafanhotos, florestas, travessias de rios em barcaças.» Em 1936 regressa a Aveiro, onde ficará ao cuidado de umas tias «afáveis», usando uma expressão do próprio Zeca. No ano seguinte, já com oito anos, irá para Moçambique: «Pouco tempo ali estou, mas é de novo o paraíso» (…) «Eu sonhava nunca mais abandonar aquela terra». Mas a itinerância continua: em 1938 volta a Portugal, ficando em casa de seu tio Filomeno, presidente da Câmara Municipal de Belmonte. Comandante da Legião e salazarista, homem que gosta muito de dançar a valsa e o tango. Em Belmonte conclui a instrução primária. Segundo o Zeca, este é o pior ano da sua vida.

B. Coimbra – das serenatas aos primeiros discos

Em 1940 vai para Coimbra ao cuidado de uma tia paterna, a tia Avrilete, matriculando-se no Liceu D.João III. Neste liceu conhecerá António Portugal e Luiz Goes, futuros companheiros de andanças musicais. Entretanto, seguindo novamente a itinerância profissional de seu pai, a família vai de Moçambique para Timor, que em 1942 é invadido e ocupado por forças japonesas. Até 1945, ano em que termina a II Guerra Mundial, Zeca ficará sem notícias dos pais e da irmã Mariazinha (João, seu irmão, viera também para Portugal). Por volta de 1945, começa a cantar serenatas. Gozando do estatuto de «bicho-cantor», não sofre os tormentos praxistas que as trupes reservam aos estudantes liceais. Não sendo demasiado aplicado, é reprovado dois anos e só em 1948, com quase 19, conclui o curso dos liceus. Nesse mesmo ano, casa com Maria Amália de Oliveira. Viaja em digressões com a Tuna Académica e pratica futebol na Associação Académica de Coimbra.

Em 1949, dispensa no exame de aptidão à Universidade, matriculando-se na Faculdade de Letras, no primeiro ano do curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Integrado no Orfeão Académico, vai a Angola e a Moçambique. Na Universidade convive com os cantores Augusto Camacho, Fernando Machado Soares e Napoleão, com o guitarrista António Brojo e com os seus companheiros do liceu Luiz Goes e António Portugal. Contacta também duas figuras cimeiras do fado coimbrão – os guitarristas Artur Paredes (pai do grande Carlos Paredes, que virá a conhecer em Grândola, na memorável sessão da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em Maio de 1964) e Flávio Rodrigues, o famoso «guitarrista-barbeiro». Em 1953, nasce José Manuel, seu primeiro filho. Para sobreviver, dá explicações e faz a revisão ortográfica do Diário de Coimbra. São editados os seus dois primeiros discos (em 78 r.p.m.).

C. Militar «sem aprumo» e professor «indisciplinador» – cantautor genial

Começa a cumprir em Mafra, no C.O.M., dois anos de serviço militar obrigatório. Mobilizado para Macau, salva-se desta viagem por motivos de saúde, vindo depois a ser colocado num quartel em Coimbra. «Fui o menos classificado de todo o curso por falta de aprumo militar». Em 1954, nasce a sua filha Helena, e Zeca tem grandes dificuldades em sustentar a família. Em 1958, dadas essas dificuldades económicas, envia os dois filhos para junto dos avós, então de novo em Moçambique. Em 1956 é editado o seu primeiro LP – Fados de Coimbra. Em 4 de Dezembro de 1957, actua em Paris no Teatro «Champs Elysées», acompanhado por Fernando Rolim, pelas guitarras de António Portugal e de David Coimbra e pelas violas de Sousa Rafael e David Leandro. Ainda estudante, dá aulas num colégio particular de Mangualde e, depois, como professor-provisório da Escola Industrial e Comercial de Lagos. Em 1959, leccionará na Escola Industrial e Comercial de Faro: «A minha acção como professor era mais de carácter existencial, na medida em que queria pôr os alunos a funcionar como pessoas, incutir-lhes um espírito crítico, fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos programas oficiais». Um «indisciplinador de alunos», é como Zeca se auto classifica e sintetiza a sua acção docente. É também neste ano que começa a cantar em colectividades populares. Em Faro convive com o casal de poetas Luísa Neto Jorge e António Barahona da Fonseca e ainda com António Ramos Rosa. É, em 1960, colocado por alguns dias num colégio de Aljustrel, sendo posteriormente transferido para a Escola Comercial e Industrial de Alcobaça onde permanecerá até ao final do ano lectivo. Em 1960 é editado o disco Balada de Outono (Menino de Ouro e Senhor Poeta), o quarto na discografia de Zeca. Sobre a Balada, diz: «Dominada ainda pelo velho espírito coimbrão, é o produto de um estado perpétuo de enamoramento» (…) uma espécie de revivescência tardia da juventude».

A Joana já namora

O PS anda num frenesim a prometer casamentos para a vida. Com grandes dotes para os prometidos. Lugares no aparelho de Estado, bem remunerados e sem ter que trabalhar muito. Nem convem que o Sócrates sabe tudo e não precisa de ajuda para nada.

Diz que é para “cobrir” à esquerda, salvo seja, que isto de “cobrir ” nao pode ser só de um lado. O Miguel Vale de Almeida jura que o que escreveu há meses sobre o PS, e que o Ricardo mostrou em toda a sua grandeza, aqui no aventar, era antes da reconversão.

A Inês de Medeiros não diz nada o que é de extrema argúcia não vá o pessoal pensar que estamos perante uma emigrante “com mala de cartão”, aterrada há dias aqui no rectângulo.

Mas a Joana é que não foi em cantigas, ela sabe muito bem o tormento que foi ter que aguentar os xuxas na campanha do Mário. Com o PS não coiso nem se sai de cima, é usar e deitar fora, que ainda há-de estar para nascer um PM que faça melhor.

Agora, como dois amantes enganados, andam a chamar mentiroso um ao outro, que não, diz o PS nunca a quiz para nada, era para Coimbra para segunda na lista diz a Joana. Como no Bicho Carpinteiro não se fala na coisa inclino-me para a Joana, e parece que na Jugular e no Simplex o assunto tambem não é tema.

O Programa do PS é extraordinário, por acaso como não me lembro de nenhuma medida, até estava para pedir a algum aventador mais crédulo que avance com um poste sobre o assunto.

Depois travei, porque vendo bem as coisas até posso ser eu a fazer isso o que dá para falar com a Joana, que com aqueles olhos (e outros atributos) até merece que me mexa um bocado para conversar sobre o programa que há quatro anos nos anda a desgraçar.

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (II)

(continuação daqui)

1973: Em Abril, é detido, pela PIDE/DGS, 20 dias na prisão de Caxias. Em Dezembro sai o álbum Venham Mais Cinco.
1974/75: Em 29 de Março de 1974, realiza-se no Coliseu dos Recreios um «Canto Livre» onde, além de Zeca, participam outros cantores. Acabam, interpretando Grândola, Vila Morena. Oficiais do MFA que assistem ao concerto, escolhem nesta altura a senha para o arranque do levantamento militar. É editado o álbum Coro dos Tribunais.

Após o 25 de Abril, Zeca entra numa fase de intensa intervenção em festivais e sessões de esclarecimento. Canta em quartéis, em fábricas, em escolas, em colectividades, em serões de solidariedade internacional; apoia o MFA na animação cultural junto da emigração e na recolha de fundos para a Reforma Agrária… Actua em Angola. Em Itália, organizações de esquerda editam o álbum República. 1976: Apoia a candidatura de Otelo à presidência da República. Edita o álbum Com as Minhas Tamanquinhas. Pelo seu álbum Cantigas do Maio, recebe o Prémio Alemão do Disco (da Academia Fonográfica Alemã). 1978: Edita-se o álbum Enquanto Há Força. 1979: Sai o álbum Fura Fura. 1981: Grava Fados de Coimbra e Outras Canções. Realiza um espectáculo no Théatre de la Ville, em Paris. 1982: Sente os primeiros sintomas da doença degenerativa que o virá a vitimar. 1983: Em Janeiro actua no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Em Dezembro, sai o álbum Como Se Fora Seu Filho. 1984: Em Abril, em Questões e Alternativas, é publicado um depoimento de Zeca sobre o balanço de dez anos de democracia.

1985: Sai o álbum Galinhas do Mato. 1986: Apoia a campanha presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo. 1987: Em 23 de Fevereiro, no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, com 57 anos, José Afonso morre. 1992: Sai a 3ª edição de Cantares. 1994: o Presidente da República, Mário Soares, quer condecorar postumamente José Afonso com a Ordem da Liberdade. Tal como Zeca fizera a igual proposta de Ramalho Eanes, Zélia recusa. 1996: Coordenada por José Niza, é reeditada em CD uma colecção de toda a obra de José Afonso. 1997: Em 23 de Fevereiro, é inaugurado na Baixa da Banheira um monumento a José Afonso. 1999: Em Grândola e na Amadora são inaugurados monumentos em sua homenagem.

(continua amanhã)

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (I)

Nota: No dia 2 de Agosto, completam-se 80 anos sobre o nascimento de José Afonso. Para assinalar a data, o Aventar vai publicar diariamente, a partir de hoje, no dia em que é inaugurada a Exposição «José Afonso 80 Anos», um «post» sobre a vida e obra do mais genial dos nossos Cantautores. Porque, se hoje fosse vivo, o Zeca teria certamente muito a dizer sobre aquilo que é hoje Portugal. A falta que o Zeca nos faz…

1929: Em 2 de Agosto nasce em Aveiro José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho do juiz José Nepomuceno Afonso e da professora do ensino primário Maria das Dores Dantas Cerqueira. Virá a ser conhecido por José Afonso, por Zeca Afonso ou, ainda apenas por Zeca. 1933: Com três anos e meio, vai para Angola, (os pais tinham ido já em 1930) – o pai fora colocado como Delegado do Ministério Público em Silva Porto. Estará três anos em Angola, ali iniciando a instrução primária. 1936: Regressa a Aveiro. 1937: Vai para Moçambique, para onde seu pai fora transferido. 1938: Regressa a Portugal, ficando em casa de um tio, presidente da Câmara de Belmonte, onde conclui o ensino primário. 1940: Ruma a Coimbra, matriculando-se no Liceu D.João III. 1945: Começa a cantar serenatas.1948: Conclui o curso dos liceus, casando depois com Maria Amália. Viaja em digressões com a Tuna Académica e pratica futebol na Associação Académica. 1949: Matricula-se em Letras, no curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Integrado no Orfeão Académico, vai a Angola e a Moçambique. 1953: Nasce José Manuel, seu primeiro filho. São editados os seus dois primeiros discos (em 78 r.p.m.). 1953/55: Cumpre em Mafra dois anos de serviço militar, sendo depois colocado em Coimbra. Em 1954, nasce a sua filha Helena. 1956: É editado o seu primeiro LP – Fados de Coimbra 1957/59: Em 4 de Dezembro de 1957, actua em Paris no Teatro «Champs Elysées». Ainda estudante, dá aulas num colégio de Mangualde e, depois, como professor-provisório da Escola Industrial e Comercial de Lagos. Em 1959, ensinará na Escola Técnica de Faro. Começa a cantar em colectividades. 1959/60: Por alguns dias, ensina num colégio de Aljustrel, sendo depois transferido para a Escola Técnica de Alcobaça onde estará até ao final do ano lectivo. Em 1960 é editado o disco Balada de Outono (Menino de Ouro e Senhor Poeta) 1962: Nos Estados Unidos sai o álbum Coimbra Orfeon of Portugal, que inclui duas baladas de Zeca: Minha Mãe e Balada Aleixo. Participa em digressões pela Suiça, Alemanha e Suécia. 1963: Conclui o curso, com uma tese sobre Sartre. Divorcia-se de Maria Amália, casando depois em Olhão com Zélia. Sai o LP Baladas e Canções (Ronda dos Paisanos, Altos Castelos, Elegias…). É editado o disco Baladas de Coimbra que inclui Os Vampiros e Menino do Bairro Negro.
 

1964: Sai um novo disco – Coro dos Caídos, Maria, Vila de Olhão, Canção do Mar. Em Maio, actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, à qual dedica Grândola, Vila Morena. É editado o EP Cantares de José Afonso. Sai também a público o álbum Baladas e Canções. Neste ano parte para Lourenço Marques, aqui leccionando e, depois, em 1966 e 1967, na Beira. 1965: Nasce a sua filha Joana. 1967: Regressa a Portugal. É colocado como professor em Setúbal. Adoece e é internado numa clínica. Quando sai, fora expulso do ensino. Mais tarde é readmitido, mas opta por se dedicar à música. É publicado o livro Cantares, que depressa se esgota. Sai uma segunda edição que será apreendida pela polícia política. 1968: É editado o álbum Cantares do Andarilho. Zeca participa na CDE de Setúbal durante a campanha para eleição de deputados à Assembleia Nacional que se segue à morte política de Salazar. 1969: Saem o álbum Contos Velhos, Rumos Novos e o single Menina dos Olhos Tristes e Canta Camarada. Recebe o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco. Nasce o seu filho Pedro. 1970: É lançado o livro Cantar de Novo e editado o álbum Traz Outro Amigo Também. Em Cuba participa num Festival Internacional de Música Popular. Em Dezembro, sai o álbum Cantigas do Maio.
 

1971: É, pela terceira vez, distinguido com o prémio da Casa da Imprensa. 1972: É eleito por votação dos leitores do Diário de Lisboa, como «Rei da Rádio» e actua no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro. Grava em Madrid Eu Vou Ser Como a Toupeira. É editado o livro José Afonso.

Gente jovem abandona paraíso socrático

Há cada vez mais gente jovem e qualificada a abandonar este país madrasto. A capacidade de atracção do país está em queda.

Já nem sequer conseguimos ser atractivos para os imigrantes que zarpam para outras paragens.

Estmos a perder população jovem, em idade activa, e isso é grave para o país, diz no Público a demógrafa Filomena Mendes. A degradação do mercado de trabalho é a principal razão diz a economista Natália Simões.

Entre os novos emigrantes há cada vez mais gente qualificada, e este é o fenómeno mais preocupante, porque são as pessoas com mais capacidade para promover o desenvolvimento económico. Simultâneamente não estamos a conseguir atrair gente.

Dada a melhoria das condições de vida dos países de leste esta imigração praticamente desapareceu, estando a regressar as origens tradicionais, os países de expressão portuguesa.

O nosso déficite demográfico era corrigido com esta gente jovem que agora nos abandona.

O lamaçal socrático em todo o seu esplendor!

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – VII

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

A solução que preconizo em substituição das grandes obras anunciadas pelo MOPTC é muito simples, eficaz e incomparavelmente mais barata do que a que está prevista; e com um tempo de execução – e os transtornos inevitáveis – também muito reduzidos.

Para isso, terá de ser posto de parte o enterramento das linhas da c.f. ( o velho complexo da estrada-raínha ainda perdura) e inverter as prioridades, ou melhor, a sobreposição das vias (estradas / caminhos de ferro), sabendo-se que é muitíssimo  mais fácil “mexer” nas primeiras do que nas segundas, dado estas exigirem uma topografia “mais fina” – inclinações dos troços e raio das curvas; estou certo que os técnicos, pelo menos, compreenderão esta linguagem.

Com isto quero dizer que se deverão manter as linhas de c.f. aos níveis actuais (eventualmente um pouco mais baixas) e os atravessamentos das rodovias feitos `*a custa de passagens superiores (pontes de b.a. e ferro, por exemplo).

No caso vertente haveria que considerar, no sentido Lisboa / Cascais, duas passagens superiores à linha de c.f. que liga Alcântara-Mar a Alcântara-Terra, respectivamente na Av. Da índia e na de Brasília; e uma outra em F. da Silveira / Av. 24 de Julho. Tão simples, como isso, e este problema fica resolvido.

Lembro a existência. À saída de Alcântara – Mar, de duas pontes provisórias … construídas há muitos anos mas que ainda perduram apesar do tráfego intenso que as procura.

Estou certo que os arquitectos da C.M.L. e os da APL serão capazes de “arrancar” uma bela solução arquitectónica para o nó de Alcântara, provavelmente a calcular pelos seus colegas engenheiros que aí trabalham com toda a competência.

Talvez com algum desgosto do Senhor Ministro e da SET que, eventualmente, terão de encontrar outras obras de espavento para justificarem o seu reinado.

Quanto á Mota-Engil, cuja actividade conheço há muitos anos, como bons empreiteiros que são, dirão que isto são contingências da vida … e há mais vida para lá de Alcântara.

Claro está, a estação de Alcântara – Terra deverá continuar à superfície e, no cais de contentores de Alcântara, nada obsta a que procedam às demolições previstas de alguns edifícios mais ou menos subaproveitados, desde que não destruam os painéis do Almada Negreiros.

Concordo com o Sr. Primeiro Ministro quando diz que há imenso que fazer em Portugal, o que significa despesas muito elevadas, a pagar com o nosso dinheiro; pelo que se exige ponderação e perseverança.

Esta é uma característica apreciável desde que isso signifique teimosia ou inflexibilidade; o que poderia ser encarado como reflexo de surdez psíquica, deficiência esta grave, congénita e sem cura.

As contas em Lisboa

O PS apresentou a lista de candidatos aqui em Lisboa. Entra a Inês de Medeiros que, por acaso, mora em Paris e o Miguel V de Almeida que, por acaso, transitou pela Jugular e agora está no Simplex. Tudo acasos e independências…

A sondagem mais recente dá vantagem para António Costa (46.4%) contra Santana (37.8%), o que é bem diferente da anterior que dava empate técnico. O BE vem a seguir à frente da CDU.

Isto já tem a ver com a integração da Helena Roseta? Parece cedo até porque a negociação foi tornada pública a semana passada. Uma coisa é certa, Costa está a alargar o poder de atracção do PS enquanto Sócrates o está a diminuir.

Tambem é certo, como já aqui escrevi, que nas legislativas não haverá maioria absoluta pelo que a próxima legislatura corre o risco de ser muito curta. Aí entra nas contas António Costa para Primeiro Ministro. Sócrates bem pode dizer que é o melhor PM que de pouco lhe serve. É carta fora do baralho.

Quanto a Santana perdendo Lisboa resta-lhe ser vereador. E tem sempre o escritório de advocacia para onde voltará e não lhe vão faltar clientes.

O principio para Costa e o fim para Santana se se confirmarem estes resultados.

O arroz de marisco do Vasco

Mora entre o bairro Alto e São Bento numa casa imensa, com inúmeras divisões, cheia de mobiliário antigo, fotografias da família de quatro gerações (três para trás e uma para a frente).

Só o plasma é que está ali deslocado, o resto faz coro com o ambiente e com o dono. O Vasco mora só, os filhos têm já a sua vida, divorciado da mãe dos filhos, namora com uma amiga minha de infância. Entendem-se, cada um no seu canto. Ela mora aqui para a Alameda. Assim é que é bom, encontram-se quando querem e a mais não são obrigados.

Mas estes homens, como o Vasco, têm uma particularidade muito marcada. Sabem fazer tudo, cozinham maravilhosamente. É o caso. O jantar feito por ele é uma maravilha em qualquer canto do Universo.

Um arroz de marisco como nunca me tinha passado pelo estreito, o arroz no ponto, o marisco fresco e em generosa quantidade e, lá atrás, no palato, um travo de ervas aromáticas a cantar.

Tudo acompanhado por um branco de Tormes ( à altura da escrita do Eça) frio mas sem lhe tirar o caracter, aromático e redondo quanto baste. Enfim, o paraíso !

Mas o Vasco, engenheiro reformado, até tem em casa uma oficina onde trata de pôr a funcionar maquinaria de que só ele conhece os segredos.

Eu, por mim, já lhe disse, mesmo que tenha de ver e ouvir o motor do barco, não perco o arroz de marisco!

Não há PM como eu

Ainda está para nascer um PM que tenha controlado o déficite e as contas públicas como eu! Mais ou menos assim.

Dois dias antes o Ministro das Finanças diz : a única maneira virtuosa de controlar as contas públicas é pelo lado das despesas.

Ora o maior, o único, o extraordinário PM que a Nossa senhora de Fátima nos concedeu limitou-se a aumentar todos os impostos. Depois de nos ter prometido que não o faria. Aumentar os impostos é a acção governativa mais simples, um DL e a máquina começa a sacar.

Pelo contrário, controlar o déficite pelo lado da despesa, obriga a políticas de contenção salariais, a profundas reformas na Administração, na Justiça, na Educação, na Saúde …

Ora nenhuma foi feita, houve aqui e ali mudanças positivas mas nenhuma profunda, no essencial. Limitou-se a declarar guerra a algumas corporações de interesses, incapaz de negociar e de dar o exemplo, com as acções que se iam conhecendo, ao nível da ética política e das relações perigosas com o o grande capital.

Dizer que se controlou o déficite como mais ninguem, quando sabemos o Estado em que se encontram as contas públicas, e o os bolsos dos portugueses, é dançar o malhão em pleno funeral.

Este homem tem de si mesmo uma perigosa imagem de grandeza, ainda mais estarrecedora por conhecermos a pequenez de certos episódios da sua vida pessoal e política.

Sócrates é um político muito perigoso!

Compromisso Portugal – Governo falhou

O Governo falhou no apoio às empresas e no ímpeto reformista que mostrou no ínicio da legislatura.

A situação do país não é melhor do que no ínicio em 2005, continuamos a divergir em relação à Europa, e ainda antes da crise internacional o país não conseguiu aproximar-se dos outros países da UE!

Não conseguiu melhorar o enquadramento favorável à actividade económica, não melhorou a contenção do intervencionismo do Estado, falhou na reforma do Estado, da Administração Pública e na Justiça.

A situação do país é preocupante, apresentando uma posição líquida em relação ao exterior negativa em 100% do PIB.

Apresenta como políticas positivas o Plano tecnológico, as Novas Oportunidades e o desenvolvimento das energias renováveis.

A situação das contas públicas é uma incógnita (à margem do relatório é de referir aqui, o número de circo do PS na AR, que não fornece os números das contas públicas, porque o grupo técnico de apoio existente na AR não é competente!!!)

Deve ser por não estar assegurado um conveniente relatório…

Mau sinal – Simplex de encomenda

Há rapazes empreendedores que deitam mão à obra e não se perdem em discussões inúteis. Temos aí um exemplo que vale por todos, tal é a transparência dos propósitos e a clareza dos objectivos.

É preciso dizer coisas que de tal forma escandalosas não atinam com o registo do blogue onde escrevem? Nada de preocupações. Cria-se um com o registo adequado.

E não são de modas, o PS nunca esteve no poder, nunca teve maioria absoluta, não tem nada a ver com os problemas do país, rigorosamente nada! Tem a ver, sim, com as profundas reformas levadas a efeito, nas Educação, na Saúde, na Justiça, nas Finanças Públicas e quem não percebe isto tem que ser ajudado, porque não recebeu a luz do Senhor.

Só por razões de burocracia é que se vai a eleições, porque o Simplex resolvia isto de uma penada. A Sócrates o que é de Sócrates. Não há alternativas, nem cenários diferentes, é tudo para perder tempo.

Deixem o Homem salvar-nos, tirar-nos do inferno em que nos meteram, esses ignaros que estiveram dois anos e meio no governo e conseguiram estragar o que o PS construiu em onze anos. Desde 1995 que lutamos para colocar o país nos eixos mas não somos capazes, perdão, somos capazes mas precisamos de mais tempo, porque isto está muito dificil e até nos atiraram com questões pessoais do nosso Primeiro que não tem nada a ver com a “coisa pública”, tudo obstáculos, que ultrapassamos com uma perna às costas.

Por isso, quem não quer ver não veja, mas é obrigação do Simplex, simplificar, e deixamos tudo simplificado desde o ínicio. Estamos aqui por amor à Pátria, nada nos liga ao largo do Rato ou e a Sócrates! Nada!

Simplexamente, estamos no Simplex porque sim! E não coramos de vergonha porque já somos rosa…pálido!

E tambem ninguem nos pode culpar de nos ter calhado este país e este povo. Tambem é culpa nossa?

A Galp e os golpes

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – VI

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Por último, a APL procura responder às perguntas mais frequentes, segundo diz; destacamos:

  • Fica-se a saber que irá ser criada uma zona de acostagem e operação de barcaças e um feixe de mercadoria (doca seca). Será construída uma nova estação ferroviária para mercadorias, abaixo do nível do solo, que terá ligação ao futuro nó ferroviário de Alcântara.

Tudo isto é muito bonito no papel e no filme projectado na Exposição organizada pela APL; simplesmente não havendo um projecto ou anteprojecto de engenharia, ou os seus fundamentos, as perguntas serão certamente incómodas e ficarão sem as respostas adequadas.

Nomeadamente quanto à concretização das ligações ferroviárias, no nó de Alcântara, com as linhas Lisboa /Cascais e Alcântara / Campolide, com o caneiro de Alcântara pelo meio, e ao lado, uma espampanante estação ferroviária subterrânea para passageiros e mercadorias, tudo isto implantado numa zona de níveis freáticos elevados, forte risco sísmico e solos com características geológicas difíceis. A propósito onde fica a gare de triagem dos vagões, indispensável?

Ao considerar-se um cais de acostagem com fundos de ordem dos 16,50 m isso implica, certamente, um reforço apreciável dos actuais ou, mesmo, ao sua substituição conforme escrevi em 9 de Outubro p.pº.

E com tantas mexidas no subsolo, será lícito perguntar em que medida elas irão afectar, agravando, as consequências das cheias que ciclicamente afectam a zona de Alcântara,.

  • No que respeita à chamada cortina de contentores, ela já hoje atinge os 5 ou 6 empilhados uns sobre os outros, normalizados, de 20 ou 40 pés de comprimento, uma altura de 9 pés e 6 polegadas (2,90 m) e 2,46 m de largura; daí resulta uma “parede” com 5 x 2,90 = 14,50 m de alto. Os novos pórticos “portainer” atingem os 115 m e conseguem alcançar 20 filas de contentores, dado que têm um alcance de 45 m; portanto, a sua rentabilização levará a uma maior altura no empilhamento e “paredes” cada vez mais espessas.

É claro que não serão as “quatro aberturas” entre os molhes de contentores que irão melhorar o aspecto da muralha de aço aí prevista nem, tão pouco, aliviar substancialmente as lindas vistas; aliás, essas aberturas seriam sempre indispensáveis para permitir o percurso dos “mafis” ou das gruas móveis.

Sugere-se aos snrs. Especialistas que se desloquem sobre o terreno (pessoalmente, como amador, aproveitei uma ida recente a Barcelona) e vejam como esta é uma actividade dinâmica, por vezes febril dadas as poucas horas disponíveis para “safar” um navio, envolvendo também muitos outros meio de transporte em terra (guindastes móveis, pórticos, tractores de rodas ou de lagartas, c.f., camiões, etc.). como á-parte, direi que Barcelona é o 3º porto de contentores de Espanha, em importância, ficando Valência em 2º lugar e Algeciras ocupando o 1º, qualquer deles muito acima de Lisboa ou Sines.

Só para termo de comparação, em TEU´s de 20 pés, aproximadamente, por ano:

Algeciras    … 3.500.000

Valência    …  2.700.000

Barcelona  … 2.200.000

Alcântara   …    250.000

  • Um ponto importante a esclarecer diz respeito ao aproveitamento da linha de Cintura para escoamento dos contentores do terminal ou, então, o seu transporte por via fluvial.

A primeira solução parece-nos dificilmente praticável, dado que esta linha será, julgo eu, preferencialmente aproveitada para transporte de passageiros a distribuir pelas estações da cidade de Lisboa, em concordância com as do Metro.

  • Deste modo, para se evitar a subida exponencial do número de camiões que hoje penalizam fortemente esta zona, há que incentivar a via fluvial, tanto mais que as barcaças podem transportar muitas dezenas de contentores, ao passo que os camiões, regra geral, transportam um só de cada vez.

Contudo, como já escrevi, a solução fluvial envolve a resolução de muitos outros problemas, nomeadamente no que se refere á navegação no rio e, também, ao seu crescente assoreamento como resultado da projectada ponte Chelas–Barreiro.

Freeport 5 – BPN 5

O Freeport a jogar em casa apresenta-se de vermelho mortiço, e cansado pelos últimas contendas. Nunca mais foi o mesmo depois da abada de 7 de Julho.                                              O BPN de equipamento alternativo, cinzento com umas dobras aqui e ali laranja. Tem vindo a ganhar confiança nos últimos tempos depois da vitória folgada sobre o adversário. O árbitro é o internacional PGR habituado a empates. Apita cada vez mais frequentemente e não deixa as equipas jogar. Quando uma das equipas ganha vantagem de imediato, o árbitro, arranja um livre perigoso junto da área. Penalties é que não há , mesmo quando são cometidos nas “barbas” das assistência.                                                                                                                               Ao intervalo o Freeport perdia por 3 a 0 mas o BPN não tem conseguido aguentar o ritmo de jogo. Depois de um golo óbvio e fácil, o segundo golo foi muito dificil de obter, com ressaltos e fintas esquesitas mas acabou por entrar. Estava o resultado em 3 a 2 quando num repente se chega a 5 a 5 com 3 golos nos últimos cinco minutos. Espera-se para esta última parte uma variação de resultado que tudo indica vai deixar o jogo ir para penalties .                                  Se formos para uma finalíssima é muito possível que se contrate um árbitro lá fora, o internacional Eurojust, que poderá ver, o seu principal elemento, ser renegado por uma das equipas ou mesmo por ambas!                                                                                                    O outro jogo épico prolonga-se há cinco anos, e o árbitro aguenta tudo e todos a ver se morre alguem para apitar para o final do desafio. Diz-se que esse resultado pode ter grande influência neste que se joga até às eleições de Setembro. Grandes jogos, com fintas de corpo, cotoveladas e perónios e tíbias partidas…

Gays dadores de sangue -processo de decisão

A abordagem a estas questões dos homossexuais coloca-se sempre em termos de discriminação. Esta é a forma mais simples de afastar argumentos, porque coloca de imediato os homossexuais na posição do “coitadinho que esta a ser discriminado”.

Depois adianta-se que um processo assente numa análise custo/benefício não passa de economicismo. E em vez de se aplicarem modelos estatísticos na tomada de decisão, vai “tudo para o molhe e fé em Deus”. Acresce que não há base nenhuma médico-cientifica nesta tomada de decisão quanto à maior ou menor probabilidade de transmissão. Não se afastam os homossexuais por serem mais promiscuos ou por terem maior incidência de doenças sexualmente transmíssiveis. Afastam-se porque se sabe que há um certo número de casos que podem ser evitados com um procedimento seguro, barato e não colocando em causa as necessidades de recolha.

Por isso os meus amigos e amigas, deveriam perceber pelas tomadas de posição que tenho em relação aos homossexuais que nada tenho contra os homossexuais, e que não vale a pena insistir com argumentos que não vêm à colação. Eu não me basiei em nenhum argumento que credibilize os argumentos com que me brindaram.

O que eu disse e repito, é que numa tomada de decisão (que tem regras, já agora, porque se não tivesse seria discriminatória) o mais seguro, mais fácil e mais barato é afastar “de principio” um grupo de pessoas que se sabe, com a certeza absoluta, que tem X casos positivos e que o seu número(do grupo afastado) não coloca em risco as necessidades de recolha de sangue.

Há outros grupos de pessoas que são afastadas “por principio” como sejam as que sofreram transfusões, padecem de certas doenças, tomam determinados medicamentos e as que têm menos de 18 anos e mais de 65 anos.

A aplicar estes principios aos 5/6 milhões de pessoas restantes(afastá-las de principio) desde logo se percebe que não restariam dadores, e por consequência, sangue!

É só uma razão estatística, sem juízos de valor, sem discriminação, sem preconceitos…

Não baixo os impostos!

Há muito que temo que esta seja a única promessa que Sócrates cumpra se tiver oportunidade. Foi ele que subiu os impostos depois de ter prometido na campanha que não os subiria. Com um Estado cada vez mais disforme e anafado que já come 50% da riqueza produzida é óbvio que ninguem espera que os impostos baixem por iniciativa de quem os aumentou.

No entanto, há muita gente com provas dadas e muito mais capaz que Sócrates, que afirma que baixar os impostos seria um factor de dinamização das actividades económicas. Mas como em outras frentes, tambem aqui Portugal não tem margem de manobra. Isto é mais uma afirmação de impotência perante os factos que uma política conscientemente aplicada.

Sabemos que as contas públicas estão num estado muito mau, que a receita dos impostos não cresce porque diminuiu a criação de riqueza, que o crédito está cada vez mais dificil de obter e mais caro, resta o quê a Sócrates?

Meteu dinheiro às carradas nos bancos e nos grandes grupos económicos, não apoiou as PMEs, insiste em grandes projectos não tendo dinheiro, resta o quê a Sócrates?

Ser substituído, e depressa!

Momentos históricos íncriveis

Não há muitos momentos históricos na vida de uma pessoa. Eu tive a sorte de viver numa época fantástica, embora o salazarento me tenha roubado 28 anos de vida. Vivi o Maio de 68, o 25 de Abril, a ida à lua, e o primeiro transplante cardíaco.

Não resisto a contar-vos, na sequência da bem apanhada incredulidade do Zé, que me lembro perfeitamente, da primeira página dos jornais a anunciaream o primeiro transplante cardíaco.

Eu trabalhava na Baixa e ouviam-se os ardinas a gritarem a notícia. Parei para comprar o jornal, e um gajo que estava ali ao meu lado e que eu não conhecia de lado nenhum, diz-me: estes gajos são uns mentirosos. Então o tamanho do coração não é igual como é que cabe na caixa toráxica de outro gajo? Eu fiquei com aquela a moer-me a cabeça. Então há pessoas que passam uma vida a correr atrás de um sonho, trabalham duramente, e nunca viram o que este gajo, que nunca tinha sequer pensado nisto, viu logo à primeira?

Há duas formas de olhar para estes momentos que valem uma vida. Outra história para explicar esta ideia.

O Imperador Carlos V foi visitar as obras da Catedral de Rems (não vale a pena ir ver porque eu não tenho a certeza) e perguntou a um pedreiro. Tu que fazes aqui? E o pedreiro respondeu. Parto pedra. A seguir pergunta a outro pedreiro. E tu, o que fazes aqui? responde o pedreiro. Construo uma Catedral!

Se não sonharmos nunca iremos à lua, não teríamos feito o transplante cardíaco e nunca teríamos construído uma Catedral!

Mais uma promessa socrática

A promessa Socrática de hoje é que o Estado dará um subsídio de cinco mil euros a quem comprar um carro eléctrico, perdão, um carro movido a energia electrica.

O carro dificilmente se moverá, não há estrutura logística de apoio de carregamento das baterias, mas isso não vale nada para Sócrates. Não interessa nada. Quem comprar, já sabe, cinco mil euros.

As promessas socráticas são diárias, por volta das 12.30 horas para chegar a tempo dos noticiários das 13 horas. Algumas são já conhecidas por repetidas, outras são um portento de imaginação, outras ainda foram-lhe sugeridas por mil vezes com Sócrates a dizer que não prestavam.

Mas aguenta-se o sacríficio diário. A gente percebe que isto está muito mau mas divertimo-nos à brava. Um Primeiro Ministro que está há quatro anos em maioria absoluta vem agora prometer o que nunca quiz fazer. O mesmo que prometeu 150 000 postos de trabalho e que não aumentaria os impostos.

Proponho aqui no aventar um jogo que se chamará Sopromessa. Qual será a promessa de amanhã de Sócrates?

O primeiro prémio será para quem conseguir acertar na promessa. O segundo prémio será para quem conseguir acertar na área da governação e o terceiro prémio para quem conseguir acertar no valor do subsídio.

Jogue e verá que acerta. Pelo menos promessa há todos os dias.

Mau sinal – promessas diárias socráticas

Alguem devia dizer a Sócrates que é feio andar a prometer o que não fez em quatro anos de maioria absoluta. E promessas que não está em condições de cumprir. Mesmo sabendo, por experiência própria, que há promessas que não se podem cumprir (ninguem se esquece dos 150 000 postos de trabalho e do aumento de impostos) Sócrates, de cabeça perdida, todos os dias aparece a prometer.

Estas promessas estão todas voltadas para as pessoas, as mesmas, que ele e o seu governo ignoraram durante a mais longa legislatura de maioria absoluta. Foram os Bancos, os negócios, as causas, os grandes investimentos, os grandes grupos económicos, mas as pessoas e as PMEs, onde se contam 70% dos empregos, Sócrates descobriu-as agora.

E agora é “um fartar vilanagem”, todos os dias há subsídios, ajudas à exportação, ao emprego, aos pobres, às PMEs, aos alunos, aos idosos…

Ninguem lembra a Sócrates que se ele precisa de andar a prometer e a criar ( só na sua cabeça não no terreno) é porque não as criou antes? E não foi ele que disse que estava no caminho certo, que o país estava muito melhor preparado que todos os outros para enfrentar a crise? Que já havia sinais de fim de crise ? Que até estava convencido que ía vencer as eleições por maioria absoluta?

Alguem diga a Sócrates que ao menos se despeça com dignidade, ninguem acredita em promessas vindas de quem vem, é bem melhor o Sócrates convicto , embora errado, do que o Sócrates vulgar e cheio de truques, de Xico esperto!

O que se sabe da sua vida está aí e não dá espaço a dúvidas, quanto às promessas e à dura realidade em que meteu o país.

Além de tudo o mais dá sinais inequívocos que está desesperado com o que aí vem!

Mau sinal : intelectuais apoiam Costa

Muito mau ! Isto quer dizer que as sondagens que Costa conhece e nós não, são más.

A última cá em Lisboa foi com João Soares. Todos perceberam que ía perder quando apareceu um apoio de “antifascistas”. E perdeu mesmo.

Quando o pessoal do “subsídio” se junta para apoiar é porque o “modo de vida” corre perigo. Bem sabemos que se trata tão só de substituir uns tantos subsídios por avenças de assessores, adjuntos, secretárias, e amigalhaços. Mas quem deixa de receber, “pia”! E “pia” antes, não vá alguem dizer-lhe “que tarde piaste”. Daí ser de muito mau agoiro, estas manifestações de apoio da Helena, do Zé e dos intelectuais.

Sem hipóteses de se aproximar do PCP e do BE (António, António, se aquele Congresso tivesse sido uns meses mais tarde…) portões encerrados à chave pelo abuso de poder de Sócrates e pelo discurso inflamado de Costa, encerrando pontes futuras e caminhadas juntas, Costa tenta o pleno do PS, chamando a si os Alegristas e as cabeças tresmalhadas.

Apertado por uma empresa que depende do Governo e que põe e dispõe na cidade, em que todos percebem que a Câmara é protagonista menor em várias situações que irão descaracterizar a Lisboa que conhecemos, Costa não tem saída.

Por amor de Lisboa contra o governo, por amor do governo contra a cidade, Costa ensaia “pegas de cernelha” que lhe poderão trazer grandes dores de cabeça.

É que em termos de liberdade de actuação a maior fatia já não está nas suas mãos. Está no resultado que sair tres semanas antes nas eleições legislativas. Por isso o PCP e o BE não têm pressa nenhuma.

E nas legislativas o prognóstico é ainda mais sombrio.

A esquerda e o "abraço de urso"

O grande problema da esquerda, hoje no país e mais concretamente em Lisboa, é que o PS é um eucalipto, que sugou tudo à sua volta. O PCP e o BE sentem-no, sabem que juntarem-se ao PS sem se apoderarem de significativas e reconhecidas, publicamente, fatias do poder é entregarem-se “ao abraço de urso” ! Não saem de lá vivos!

Isto tem como primeiro resultado que a esquerda que é maioritária, na prática , deixou de o ser. Em segundo lugar, os interesses em que o PS está envolvido, com milhares de apoiantes em tudo o que é Administração Pública, empresas públicas, instituições , Fundações e mesmos em grandes grupos económicos, impedem o PS de partilhar o poder.

O PS apostou tudo na maioria absoluta, convencido que a economia se desenvolvia por arrasto dos grandes negócios e dos Megainvestimentos públicos. Isto explica a defesa até à exaustão de uma política que não apresenta resultados e que é, para quem queira ver, impraticável, à luz das condições Macro nacionais e internacionais actuais.

Chega a ser pungente ver que Sócrates, há bem poucos meses inquestionável, é hoje um homem só, que faz uns “números de círco diários” na RTP a que ninguem dá atenção, até porque vários exemplos vieram mostrar que não passam de intenções para portuga ver. Os exemplos recentes da fábrica de baterias, dos painéis solares, das contas da educação, são patéticos.

Depois o governo sofre um desgaste diário com o desemprego e com as condições de vida que ninguem quer partilhar. Recua atabalhuadamente, com os professores, com os Mega Projectos. Caem-lhe em cima os exames do Tribunal de Contas, dando razão a quem se opõe a grandes negócios sistematicamente feitos com as empresas amigas.

E o que estará escondido nas intervenções no BCP, no BPN e no BPP? E as Contas Públicas, qual será o seu verdadeiro estado ? Basta, pois, deixar correr o marfim para que o BCP e o BE acumulem quatro anos de governação que aqui e ali, roçou o abuso do poder. Lembram-se da “vitória de Pirro” do estatuto dos Açores?

O PS e Sócrates estarão sós perante os eleitores. Estão a colher o que semearam. Sem maioria absoluta o PS e Sócrates (o PS de Sócrates ?) estão afastados do poder por muitos e bons anos.

Apontamentos & Desapontamentos: Viajando por Cuba

cuba
Apesar do desapontamento (que se seguiu ao fascínio), quando em 1962, na sequência da chamada «crise dos mísseis», para se proteger dos Estados Unidos, Cuba foi forçada a transformar-se num satélite da União Soviética, aqueles primeiros três anos da Revolução Cubana, tal como os 18 meses da nossa Revolução dos Cravos, foi algo que marcou os jovens daquela época. Não escapei à regra. Ouvir o verbo emocionado e emocionante de Fidel, lendo na Praça da Revolução, as declarações de Havana, particularmente a segunda, era arrepiante. Daí este apontamento.
Embora as minhas ilusões sobre a Revolução Cubana há muito tivessem morrido, era um projecto meu visitar Cuba, como quem revisita a juventude e algumas das ilusões perdidas (porque há outras que nunca se perdem e é isso que nos mantém vivos). Há poucos anos atrás, com a minha mulher e um casal amigo, metemos mãos à obra. As agências só ofereciam pacotes inaceitáveis – três dias em Havana e quatro em Varadero. Mas nós íamos lá fazer uma viagem de tantas horas, atravessar o Atlântico para ir à praia, com a Caparica, as praias da linha ou o Algarve aqui tão perto? Lá descobrimos uma alternativa aos pacotes usuais. Uma boa alternativa que agora vejo que já está mais divulgada. Um carro de aluguer à nossa espera no aeroporto de Havana, hotéis reservados por um itinerário escolhido por nós, a começar e a acabar na capital – Havana, Matanzas, Cienfuegos, Sancti Spíritus, Camagüey, Ciego de Ávila, Santiago de Cuba, Trinidad, Santa Clara, Havana… Tudo por um preço razoável, pouco acima do que custavam os tais pacotes usuais. Durante duas semanas percorremos quase quatro mil quilómetros, vimos o que queríamos, sem guias turísticos a incomodar-nos. E lá fomos à Baía dos Porcos, ao Quartel de Moncada, à Sierra Maestra, ao museu da Revolução, a todos os lugares de culto. Visitámos Havana em pormenor, fomos aos locais frequentados por Hemingway, e até almoçámos em Varadero. Varadero é um local de veraneio, sem nada de especial (a não ser o mar maravilhoso das Caraíbas) – Hotéis, edifícios de apartamentos, etc. Nada, nesse aspecto, que Vilamoura ou Torre Molinos não tenham – tal como pensávamos, não se justifica ir tão longe. Mas o nosso itinerário foi uma maravilha.
*
Falámos com muita gente. Pudemos verificar que, apesar de algum medo à repressão (que inegavelmente existe), as pessoas falaram connosco com à-vontade. Encontrámos mais descontentes nas grandes cidades, Havana e Santiago, principalmente. De facto, as condições de vida são constrangedoras. Racionamento dos bens mais elementares – lâminas de barbear, pensos higiénicos, géneros de primeira necessidade, arroz, ovos, leite, tudo é racionado. As casas de Havana, algumas lindíssimas, estão em ruínas. O turismo é uma das saídas. Cozinha-se em casa para os turistas. São os chamados «paladares», alternativas aos restaurantes. Combina-se previamente, escolhe-se a ementa e à hora combinada lá temos a mesa posta e anfitriões dispostos a deixar-nos sós ou a conversarem connosco, como preferirmos. Pelas ruas andam pessoas das mais diversas idades a cooptar clientes para os paladares. Em Ciego de Ávila um professor universitário de avançada idade andava nesta tarefa, recitando de memória poemas de Nicolás Guillén. Para não falar da prostituição, mais ou menos encoberta, que pessoas normalíssimas, qualificadas, quase todas com cursos superiores, se vêem obrigadas a praticar para completar ordenados baixíssimos. A prostituição em Cuba é, de uma maneira geral, uma forma desesperada de sobrevivência
Nos campos, sobretudo em granjas colectivas, encontrámos mais adeptos do regime, gente saudando-se de punho cerrado. Também é verdade que nos campos a vida não é tão difícil, pois os bens alimentares essenciais são ali criados e, portanto, escasseiam menos. Porém, numa coisa todos estão irmanados, fidelistas, antifidelistas: no ódio ao ianque. Mesmo os opositores ao regime, têm consciência de que sem o bloqueio norte-americano, o povo não sofreria tanto.
É evidente que o bloqueio tem perpetuado a ditadura e impedido o advento da democracia. Toda a gente sabe isso. Só a CIA e a Casa Branca se obstinam em não o reconhecer. E Obama, que parece ser mais inteligente do que a generalidade dos antecessores, poderá, mesmo que queira, contrariar a CIA e os falcões do Pentágono?

«Vamos bien» diz cartaz. Não. Não vão nada bem. Vão até bastante mal. Em todo o caso, vão sobrevivendo, o que só por si já constitui um milagre.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – V

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Fechando este parêntesis e prosseguindo com a leitura do impresso fica-se a saber que, através da linha de Cintura, a seguir à Gare do Oriente, será possível assegurar as futuras ligações à Rede de Alta Velocidade e, também, ao Novo Aeroporto de Alcochete.

No que se refere a este último, permitam-me uns breves comentários:

Por estrada ou, então, por caminho de ferro, o Novo Aeroporto ficará localizado a 48 Km de Lisboa (pela Ponte Vasco da Gama serão 68 KM). Isto significa que, para a grande maioria dos utentes, o acesso à Gare atingirá os 100 Km terrestres, numa viagem de ida e volta, ou seja, cerca de 1/3 do percurso Lisboa / Porto  feito de avião. Com os inconvenientes que se conhecem no que se refere aos gastos de combustível e, longe vá o agouro, ao aumento das possibilidades de desastre.

Acrescento que, com base num bom desempenho dos caminhos de ferro no percurso  Porto / Aveiro / Coimbra / Leiria/ Lisboa, é por demais evidente que uma boa parte dos passageiros irá privilegiar este em detrimento do automóvel ou do avião.

Numa outra perspectiva, se estamos a pensar num aeroporto com funções predominantemente “hub” – aeroporto principal que concentra as partidas e chegadas de aviões com capacidades diferentes e, assim, fazer corresponder os voos curtos e médios com os de longa duração – então, parece.-me que tanto faz Alcochete, como Coimbra ou, porque não, o Porto.

Antes de se pensar na privatização da ANA a 51% – um erro de consequências muito graves para o país – haveria que elaborar um Plano Estratégico para o Desenvolvimento dos Aeroportos nacionais.

Como é sabido Alcochete irá ficar situado, em boa parte, sobre a mais importante reserva aquífera subterrânea do país, com as más consequências bem previsíveis para todos nós (incluindo o Ministério do Ambiente ?). Tanto mais que haverá ainda que utilizar uns 400 há de terrenos destinados à cidade aeroportuária, concentrada ou dispersa. Reserva essa já em parte “comida” pela plataforma logística do Poceirão e, a Norte do rio Tejo, pela Castanheira do Ribatejo.

Já agora, em maré de palpites – pela minha parte pouco fundamentados à míngua de dados credíveis, indispensáveis – porque não ensaiar a localização em Sta. Cruz, cerca de 45km a Norte de Lisboa? Com boas áreas disponíveis entre A-dos-Cunhados / Bombardeira / Sta Cruz / Ponte do Rol e muito perto de Torres Vedras? Quem sabe? Talvez que esta escolha permitisse, finalmente, a modernização tão desejada da linha do Oeste, muito fácil de melhorar no seu traçado, dadas as boas características do terreno e, assim, aliviar um pouco mais a linha Norte /Sul.

As autárquicas

Apesar de estarmos a 3 meses das eleições, as autárquicas já mexem um pouco por todo o lado.

Vem isto a propósito do aproveitamento político que Elisa Ferreira está a fazer da luta que Jorge Nuno Pinto da Costa tem com Rui Rio, por causa do futebol.

Sendo portista clubisticamente falando, estou de acordo com as atitudes de Rui Rio em relação ao clube.

Há que separar as águas, nesta como em outras áreas.

O facto de Pinto da Costa apoiar Elisa Ferreira não me afecta, porque, como já devem ter percebido, o meu sentido de voto há muito que está decidido.

Mas será que este apoio terá algum tipo de influência no resto da população do Porto?

Eu sinceramente espero que não.

Mas cada um sabe de si.

Será que queremos uma presidente da Câmara com um pé na Avenida dos Aliados e outro em Bruxelas?

Ou alguém que já conhecemos?

É uma reflexão que deixo aos portuenses.

Falando de democracia: Espanha, ontem e hoje

Hoje, 18 de Julho, faz 73 anos que eclodiu a Guerra Civil de Espanha. Estava-se em 1936. O conflito só terminaria quase três anos depois, em 1 de Abril de 1939. Morreu cerca de meio milhão de pessoas. 73 anos na escala humana anos são uma vida, são muito tempo. Porém, à escala da História, não são nada. A Guerra Civil de Espanha foi ontem. Aproveito para uma reflexão sobre quanto, desde ontem para hoje, a direita (tal como a esquerda) mudou. Em Espanha e não só. O vídeo é anódino, meramente informativo. No youtube encontram-se outros mais impressivos, mais dramáticos, e também, de uma forma geral, mais parciais.

Não vos vou contar a História recente de Espanha. Por certo, muitos de vós a conhecerão melhor do que eu. Lembro apenas que em 16 de Fevereiro de 1936, em eleições livres e democráticas, uma frente de esquerda, resultante da aliança dos anarquistas com os partidos republicanos, a chamada Frente Popular, venceu, proclamando-se a II República (a I República vigorara entre 11 de Fevereiro de 1873 e 29 de Dezembro de 1874). A direita militar espanhola, as classes possidentes, a Igreja católica, suportaram mal o clima de controvérsia dos primeiros passos do jovem regime. Clima que adensaram com provocações e actos insensatos (que os houve de ambos os lados), mas vitimizando-se sempre a direita, cometendo dislates e crimes, mas comportando-se sempre com o tom pudicamente ofendido de uma virgem num bordel. Em suma, todas as forças reaccionárias, aproveitando como pretexto os erros das esquerdas se mancomunaram para derrubar a República. Os pormenores históricos estão ao dispor, em livros, em filmes, não os vou repetir. Direi só que os generais golpistas de 18 de Julho de 1936 deram corpo a tudo o que de mais sinistro existia no substrato daquilo a que se chama a «alma espanhola» e que mais não é do que um crisol onde se misturam sentimentos e interesses contraditórios, nacionalidades sufocadas, quezílias seculares mal resolvidas; em suma, a «alma espanhola» é um cliché e como a maioria dos clichés não passa de uma treta. Três anos e quase 500 mil mortos depois a guerra terminou com a vitória da direita. As trevas da repressão abateram-se sobre Espanha – foram quase quarenta anos de ditadura de uma direita reaccionária, ressabiada, raivosa. Estúpida como só as ditaduras (as ditas de esquerda também) sabem ser.

Embora os objectivos continuem a ser os mesmos – conservação de valores considerados intemporais, tais como os privilégios de classe, prevalência da religião como cimento dum edifício mais torto do que a torre de Pisa – o estilo mudou. Um derradeiro assomo deste estilo arruaceiro no estado espanhol foi o assalto golpista ao Congresso, em 23 de Fevereiro de 1981, por forças da Guarda Civil comandadas pelo tenente-coronel Tejero. Rajadas de pistola-metralhadora e gritos de «Quieto todo el mundo! Al suelo! Al suelo!». Don Juan Carlos fez a sua rábula de democrata (coisa que podia e deveria ter feito dez ou vinte anos antes, durante o reinado de Franco). A própria direita condenou o acto e, pronto, tudo acabou em bem.

Hoje as coisas não são tão visíveis, tão claras como eram há setenta anos. A direita descobriu o seu nicho ecológico no seio da democracia. Não sei se já repararam que todos, ou quase todo, os partidos de direita fazem questão de incluir na sua sigla a palavra «democrata», «democracia»… A nova direita adaptou-se à democracia; mais – não saberia já viver noutro sistema. Mas…

A ideia da extinção dos conceitos de direita e de esquerda já não se justificarem no pós-modernismo é uma ideia de direita; ouvia-a, já há muitos anos, defendida pela primeira vez em Portugal, falando de pessoas conhecidas, pelo Professor Freitas do Amaral num debate televisivo. Porém, já ouvira a afirmação, feita com menor consistência e autoridade, a pessoas comuns, com aquele ar com que se fala de coisas ultrapassadas. Porque a direita actual tem vergonha da direita de ontem, tal como aqueles filhos licenciados que se envergonham dos pais analfabetos os quais, em todo o caso, lhes punham todos os dias a comidinha na mesa. Mussolini, Hitler, Salazar, Franco, Auschwitz, Tarrafal, Guernica, Gestapo, Pide, tortura… «Ih, que nojo!».
A designação até pode vir a cair em desuso. O que esse desuso não extinguirá é a realidade subjacente à classificação. E aqui sou forçado a emitir uma definição pessoal. Para mim, a distinção entre direita e esquerda pressupõe uma clivagem, entre os que querem conservar valores que implicam a manutenção das desigualdades sociais e os que, sem se importarem com esses valores, querem transformar a sociedade e promover uma igualdade absoluta dos cidadãos perante a lei, bem como o acesso de todos, de modo igual, aos bens que a comunidade, no seu conjunto, puder produzir. Quando a direita aceitar isto sem reservas, deixará de ser direita e, então sim, deixará de se justificar a distinção.

Quando Manuela Ferreira Leite, comentando reformas do Governo perguntou, há meses atrás, se «não seria bom haver seis meses sem democracia para pôr tudo na ordem» obviamente que não está a pensar em instaurar uma ditadura no estilo das do século passado. Mas esqueceu-se de dizer como seria governado o país durante esse semestre – por ela? Pelo seu partido? O que significa «pôr tudo na ordem?» – acabar com os protestos dos professores? Silenciar os sindicatos? Não quero dar demasiada ênfase a uma frase dita durante um almoço, apenas me parece que esta afirmação (que até pode ter sido um raro assomo de ironia da sisuda senhora) revela o chamado «acto falhado», a involuntária verbalização de uma nostalgia do tempo em que «tudo estava na ordem». Passou o tempo dos ogres fascistas. Como um rottweiler domesticado, a direita apresenta-se civilizada e, sobretudo, muito democrática.
Mas a dentição e o apetite continuam lá.

A Guerra Civil de Espanha começou faz hoje 73 anos. Foi há muito tempo. Foi ainda ontem.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – IV

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Quando o Sr. Presidente da APL afirma que o Terminal de Cruzeiros de Sta. Apolónia irá concentrar “todo o movimento de navios de cruzeiro”, parece ter esquecido o que afirmou há menos de dois anos, ao “prever a construção de um terminal  de cruzeiros na margem sul do Tejo, no concelho de Almada”. E, acrescentou na altura, que o “estuário do Tejo passará a dispor de dois terminais de cruzeiros, já que está prevista a instalação de um outro na zona de Sta. Apolónia”.

Por outro lado, o Presidente da Comunidade Portuária de Lisboa defende, e bem, que “a expansão do Porto de Lisboa deverá passar pelo futuro terminal de contentores da Trafaria, junto à Silopor …”.

Lembro que a APL apresentou uma taxa de ocupação de 67% para a carga geral, em 2015; mesmo assim, a AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal – declara que esta meta é demasiado optimista. Donde concluímos que há folga suficiente para se encontrar uma solução adequada – e bem pensada – antes do final da concessão outorgada à Liscont.

Lembro, ainda, que o IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, organismo regulador, cabendo-lhe elaborar proposta para a nova lei dos portos e apresentar a sua estratégia em função dos mercados-alvo, não se pronunciou sobre a renovação do contrato de concessão à Liscont, agora em condições muito mais vantajosas. Com áreas de armazenamento e fundos de acostagem muito superiores aos actuais do que resultará, certamente, uma capacidade e competitividade acrescidas. E sem novo concurso … . Contudo, ao IPTM cabe-lhe identificar e padronizar “os instrumentos de acompanhamento e reporte anual de informação sobre as concessões”.

Porque não se pronuncia?

Porquê esta pressa do MOPTC na ampliação do terminal de contentores de Alcântara, quando ainda há muito que possa ser feito para aumentar a sua rentabilidade actual, conforme pude indicar pormenorizadamente na 2ª Parte deste trabalho?

E, de acordo com o que então propus, porque não “aguentar” um pouco mais o terminal de Alcântara (com algumas correcções, conforme indiquei) e fazelo parte integrante do Plano de Expansão do Porto de Lisboa, quando este for aprovado?

Ou será que estes planos e orientações estratégicas – demasiadas vezes alteradas – servem, unicamente, para entreter os técnicos os assessores e os consultores deste Ministério?

Quando da justificação do local a ser adoptado, pelas entidades oficiais, para o Novo Aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a CIP apresentou – em tempo recorde – dois estudos pagos por um grupo de empresários, tão modesto que nem pretendiam ser conhecidos.

O que é certo é que o MOPTC, após anos de reflexão (?) e uma pletora de estudos, rendeu-se de imediato a esses projectos, sem grande luta.

Agora, a forma como está a ser encarada a renovação do contrato da LIscont, em Alcântara, ainda é mais preocupante e atinge as raias do escândalo. Cito, a propósito, o que escreveu Miguel Sousa Tavares, um dos fundadores do movimento de cidadãos de Lisboa contra a ampliação do Terminal de contentores de Alcântara: ”…. O pedido será entregue e isso significa que os deputados vão ter de apreciar o diploma do Governo e poderão revogá-lo, se assim o ditar a sua consciência e a sua noção de interesse público. Sabedora disto, a APL tratou de, logo no dia seguinte, assinar a correr o dito contrato da Liscont, mediante o qual esta ficou desde logo garantida com uma brutal indemnização no caso de o projecto não ir adiante. Tudo devidamente cozinhado entre dois conhecidos escritórios de advogados de negócios. Muito socialistas”. Se assim é, sinceramente, sinto-me enojado.

São apresentadas, oficialmente, soluções preparadas no segredo dos gabinetes (ou dos escritórios das empresas?), de modo injustificado, desnecessário e mal estudadas, dando azo a projectos megalómanos que irão exceder as estimativas feitas.

Afinal, quem tutela a APL? O Ministério ou a Mota-Engil ? Não ignoro que esta tem nos seus quadros pessoas de muito alta influência nos dois maiores partidos políticos nacionais. Mas então, por favor, Senhor Primeiro Ministro acabe com estas confusões e estabeleça um Código de Conduta aceitável já que para isso também dispõe da maioria absoluta.

Face a estas e outras habilidades que tenho vindo a denunciar, havendo ou não concursos simulados (ou nem isso), é bem visível a teia de compadrios e cumplicidades violadoras do interesse público. Pelo que, mais uma vez lhe peço, Senhor Primeiro Ministro, aja com celebridade para acabar com este regabofe.

Entretanto, para mim este MOPTC deixou de existir como algo de credível.