Rede Ferroviária de Portugal em 1988

O troço Guimarães-Fafe encerrara três anos antes. Cavaco Silva era primeiro-ministro desde 1985.
Ramal de Famalicão

Há pouco mais de três anos, apostava comigo mesmo que o Ramal de Famalicão seria a primeira via férrea a retomar o serviço ferroviário no séc. XXI. Provavelmente, perdi mesmo a aposta.
Já por isso mesmo me muni de uma bicicleta para reaver os locais da infância.
Quando Não Há Dinheiro Para Torrar em Luxos
Tamel Aborim é uma pequena freguesia do concelho de Barcelos; tem cerca de 900 habitantes e aconteceu em Tamel, como em Tadim, passar o comboio.
No caso de Tamel (ao Ponto Kilométrico 60 da Linha do Minho), em direcção a Viana do Castelo e à Galiza; no caso de Tadim (ao Ponto Kilométrico 47,4 do Ramal de Braga), em direcção a Braga.
Mercê as alterações profundas no modo de exploração ferroviária na Europa e em Portugal ocorridas nas últimas décadas, acontece em Tamel o mesmo que acontece em Tadim: o(s) edifício(s) da estação deixou de ser necessário do ponto de vista operacional.
No caso de Tadim, o edifício secular que o povo chama de “a estação” perdeu mesmo qualquer utilidade ferroviária a 5 de Outubro de 2001, data do encerramento do Ramal de Braga para as profundas obras de remodelação que demorariam cerca de 18 meses a concluir-se.
No caso de Tamel, e dado que a Linha do Minho, a montante de Nine, segue sendo explorada no regime de cantonamento telefónico, a mesma encontra-se guarnecida (com trabalhadores, portanto) na maior parte das horas do dia. Isto no edifício “da estação”. O “edifício de passageiros”, para ser mais concreto.
Sucede em Tamel que outros dois edifícios contíguos, outrora para alojamento de trabalhadores, perderam há já longos anos a sua utilidade, deixaram de ser necessários ao sistema ferroviário. Desde aí até há cerca de dois anos, os edifícios estavam sós, à espera.
Entretanto, surgiu em Tamel (Aborim) a necessidade de dar uma casa à nobre instituição Junta de Freguesia. Como Tamel não aparenta ter a facilidade de acesso ao dinheiro público, proveniente dos impostos pagos pelos portugueses, em Tamel não se optou por construir um edifício de raiz para albergar a Junta de Freguesia. Em Tamel… reciclou-se um edifício secular para que a população, como anteriormente, pudesse beneficiar da sua existência.
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Maravilha!
É fabuloso ver os jovens a expressarem-se desta forma, simplesmente lindo, reparem no respeito pelo outro. Não imagino quantos génios sairão desta escola tão fabulosa. Temos de proteger e estimular estes jovens. </sarcasmo>
Postcards from Romania (30)
Elisabete Figuieredo
Fui de comboio ao cinema, infinitamente, até Bucareste
O meu lugar tinha uma janela grande, não dividida. A velocidade do comboio, mesmo não sendo imensa, não me permitiu tirar muitas e, sobretudo, razoáveis, fotografias ao que passava além da janela. Então resignei-me e entre um livro (avancei 200 páginas hoje, claro), o caderninho de apontamentos a que estraguei o elástico, os passeios no corredor e algumas conversas, o que fiz mais foi olhar. [Read more…]
Postcards from Romania (29)
Nove horas de comboio
A Eniko vem para me levar à estação e despedir-se de mim. Custa um bocadinho, é certo, abraços e beijos e eu entro no comboio que me há-de levar a Bucareste supostamente em 8 horas e meia e a Eniko ali fica, do outro lado da janela, as duas maluquinhas a falar por gestos, a mandarmos beijinhos, a sermos ternas. E eu cá acho bonito.
O comboio parte da estação de Cluj-Napoca às 14h10 em ponto. Quem disse que na Roménia os comboios não andam a horas, engana-se. Partem geralmente a horas, mas algures pelo caminho vão perdendo a pontualidade… tem sido sempre assim. De qualquer forma os atrasos, mesmo do regional velhíssimo em que andei entre Brasov e Sighisoara, nunca ultrapassaram a meia hora. Aconteceu hoje e em vez das 8 horas e meia, demorámos 9h a percorrer um pouco mais de 400 km. São imensas horas, bem sei, para tão pouca distância. Mas a linha entre Cluj e Brasov é antiga e, embora o comboio – um intercity – suportasse velocidades maiores, a linha não. Por isso, nada a fazer senão estar fechada dentro do comboio as horas que forem precisas. A minha mãe há-de gostar de saber que só fumei, nessas 9 horas, quatro cigarros. Sinceramente, tenho os níveis de nicotina muito em baixo, embora tenha tentado repô-los assim que me apanhei na Gara Nord, em Bucareste. [Read more…]
Postcards from Romania (23)
Elisabete Figueiredo
Entre Sighisoara e Cluj-Napoca
Digo que o dia não começa bem. Tomo um pequeno-almoço sem jeito e, não sei porquê, aliás sei, mas para o caso não interessa, há qualquer coisa, que me diz que este dia será esquisito.
Ao pequeno-almoço reencontro os romenos da noite anterior, os mesmos que me convidaram para um copo de vinho branco que não aceitei, mas com quem acabei por conversar durante um bocado, antes do jantar. São 9h30 da manhã e estão já a beber cerveja. Aliás, verifico que isso acontece em quase toda a parte, aqui. São simpáticos, especialmente um deles, que fala melhor inglês e tem opiniões sobre tudo. De qualquer maneira tenho de ir apanhar o comboio.
Este comboio é um inter-regional, bastante aceitável, se comparado com o regional que tomei entre Brasov e Sighisoara. Viajo agora entre esta última vila e Cluj-Napoca, a terceira maior cidade da Roménia. Avanço para norte, um pouco na diagonal, quase até à fronteira com a Hungria. E à medida que o comboio avança ‘entre a floresta’ (tradução literal de Transilvânia), apercebo-me que a paisagem se torna diversa. As aldeias não são tão arcaicas, não há tantas carroças de ciganos, as vacas substituem, nos campos, as ovelhas, e tudo tem um ar, como direi, mais asseado. [Read more…]
Postcards from Romania (14)
Elisabete Figueiredo
As mãos peganhentas e o cheiro a ferrugem
Reparo numa senhora a fumar. Proibido? Penso em pedir-lhe que me deixe fotografá-la. Mas está longe e não peço e fotografo-a na mesma.
O comboio para em todas as estações e em todas elas, até menos de meio caminho, até Augustin, saem ciganos e sacos e caixas. Em todas as estações há carroças puxadas por cavalos e eles sobem para elas numa alegria sem fim. No comboio, há longos minutos, um miúdo cigano canta, desalmadamente, com a voz cheia de trinados. [Read more…]
Postcards from Romania (13)
Elisabete Figueiredo
O comboio para Sighisoara
Nunca vi um comboio tão velho, tão ferrugento, tão sujo. Sento-me e imediatamente a minha pele se entranha no cheiro a ferrugem. Ao meu lado uma família. À minha frente senta-se uma senhora. Ponho a mala na grade. Que grade, senhores! Juro que nunca vi nada assim. Entrei noutro filme do equivalente romeno do Kusturica e desta vez, desta vez, é a sério. Mil olhos. Quem dera, para guardar tudo. Para ver tudo, para experimentar tudo aquilo.
Peço à senhora da frente se me olha pelo saco em cima do banco. Vou à plataforma fumar um cigarro. Diz que sim, com a cabeça. A viagem, diz-se, demora 3 horas. É proibido fumar no comboio. Depressa me darei conta que, também isto, não faz qualquer sentido.
Ao fumar penso que raio, por que raio não vou no rápido uma hora mais tarde. Digo de mim para mim por que raio não hei-de ir neste. Sabe-se lá se voltarei a andar num comboio assim, Foram precisos 45 anos para andar num comboio assim. Reentro. Abro a janela. Sento-me.
O Chaves

Dos arredores de Salus (Linha do Corgo), o “Chaves” habita o Vale d’Este há 16 anos e vibra com o karaoke.
A Praia
No verão, páram em Moledo todos os comboios da Linha do Minho. Mas há quem prefira a Linha de Cascais.
O Comboio em São Miguel da Carreira
A Linha do Minho no maior concelho de Portugal, 2012.
Inter Rail 40 Anos
A fazer mais, muito mais, pela construção e fortaleza da Europa do que muitos, mesmo muitos, euroburocratas.
O futuro é o comboio… liberdade, liberdade, liberdade!
O Comboio Amarelo em Couto de Cambeses

O comboio que passa 50 vezes por dia entre Braga e o Porto. Couto de Cambeses, 2012.


Mil toneladas à espera de vez para prosseguir viagem.
A 












Versão Pós-Moderna.








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