Guerra, o modo de vida da Iniciativa Liberal

Não é novidade para ninguém que BE e PCP são contra a presença de Portugal na NATO. São-no desde sempre. E, convenhamos, trata-se de uma opção ideológica e programática perfeitamente legitima, que diz respeito a cada partido. Há quem já não se lembre, mas o CDS também era eurocéptico. O próprio Cavaco Silva chegou a afirmar que a UE não era para toda a vida.

Sou a favor da presença de Portugal na NATO, até pela nossa dimensão e vulnerabilidade, o que não invalida que tenha críticas ao funcionamento da organização, que, na prática, é um instrumento de política externa dos EUA, no interior do qual todos os outros são Estados-clientes do Pentágono.

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A Direita e as Direitas – Crónicas do Rochedo 48

 

O principal pecado de RR começa logo nesta divisão. Rio era conservador às segundas, quartas e sextas e liberal às terças e quintas. Nos sábados e domingos dividia-se entre o descanso em Viana do Castelo e afirmar que era de centro esquerda. Em suma, RR era tudo e o seu contrário. No fundo, não era nada. E como não é nada, nada é o resultado da sua liderança no PSD. Um enorme nada.

 

A noite eleitoral de ontem foi um desastre absoluto para parte da direita portuguesa. O CDS-PP desapareceu do mapa que conta e o PSD levou uma pancada monumental. 

Podemos considerar que existem razões internas fruto das respectivas lideranças. Por um lado, temos o CDS-PP de Francisco Rodrigues dos Santos (FRS) que cometeu o erro de não ter feito as directas e, pelo outro lado, Rui Rio (RR) que foi péssimo na oposição. É uma leitura possível mas, a meu ver, simplista. 

Simplista porque o problema do CDS é anterior a FRS. O CDS estava em queda livre e vertiginosa desde que Paulo Portas desertou. A liderança de FRS foi minada desde o momento em que este decidiu, consciente ou inconscientemente, largar as amarras do “portismo”. A partir daí nunca mais teve sossego. Conviveu com um grupo parlamentar que não era o seu e com comentadores CDS nos diferentes órgãos de comunicação social que eram oposição à sua liderança e de fidelidade canina ao “portismo”. Como alguém escreveu (não sei se foi o Rui Calafate ou o João Gonçalves), FRS teve que viver rodeado de lacraus. O cúmulo foi ver como uns desertaram logo no momento anterior à campanha eleitoral e os restantes desertaram da campanha sem desertarem dos palcos oferecidos pelos OCS. Mesmo assim, sem grandes meios humanos, sem meios financeiros e sem boa imprensa até esteve bem na campanha eleitoral. Mas não foi suficiente. 

Por sua vez, Rui Rio com a vitória nas directas conseguiu ter tudo: os meios, a máquina, os opositores e até, pasme-se, boa imprensa. Mesmo assim, não evitou o desastre. Mesmo com a estratégia de comunicação do Rio bonzinho, tolerante e simpático. Quem não o conhecia até podia ser levado a acreditar. Quem conhecia o RR original (que ressuscitou na noite das eleições com o momento alemão) sabia que tudo aquilo era plástico. Não critico a opção dos seus estrategas de comunicação. Apresentar o RR original seria arriscar nem chegar aos 20%. Como os compreendo.

Contudo, o desastre eleitoral do PSD é mais complexo que isto. 

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A importância da democracia

Antes de ser liberal, eu sou democrata. É a democracia que me permite defender as ideias em que acredito e debater contra aqueles com os quais não concordo. É a democracia que permite que possamos tirar do lugar aqueles que não gostamos e colocar lá aqueles que gostamos, de uma forma pacífica e saudável. Qualquer democrata tem o dever de lutar pelo direito à palavra dos seus adversários políticos. Qualquer ideia, até a mais reprovável, deve ser combatida pelo debate. Mesmo assim, não devemos dar a mão ou tentar convergências com aqueles que não respeitam a democracia e não sabem estar neste modelo que é o melhor encontrado na História. No século XXI, não podemos contemplar ideias que inferiorizem pessoas pelo que elas são. Não podemos contemplar ideias que se baseiam em ódios e ressentimentos. E não podemos ceder a argumentos como “e a liberdade de expressão?”. Mas ‘tão sofridos? ‘Tão sofridos na sua liberdade de expressão? Ninguém está sem liberdade de expressão e ainda bem. Os antidemocratas devem ter voz para sabermos onde eles andam. Prefiro um elefante grande do que uma vespa pequenina.

 

Quando me perguntam como imagino a nossa assembleia, estou longe de defender uma assembleia totalmente liberal. A democracia não ganharia com isso. Não seria um serviço útil na representação do cidadão. Mesmo concordando totalmente com a eutanásia, é bom termos conservadores a trazer o valor da vida para a discussão. É importante termos esquerdistas que nos colocam a questionar sobre problemas sociais como o racismo e o machismo de forma constante e até irritante, mesmo que não concordemos. Não devemos ter medo de falar de qualquer assunto que suscite problemas na sociedade. E não devemos deixar que assuntos sensíveis sejam monopolizados por antidemocratas.

 

Por alguns pontos que aqui referi, dizem que os liberais são de direita economicamente e de esquerda socialmente. Não podia estar em maior desacordo. Os liberais são liberais, ponto. Ser de esquerda socialmente exigiria que os liberais fossem coletivistas, mas isso não acontece. Defender a liberdade do indivíduo, independentemente da sua orientação sexual, da sua etnia, da sua nacionalidade, não é ser de esquerda, é ser decente. Decência essa que a direita põe de lado demasiadas vezes e descredibiliza o espaço não-socialista. Chegou a altura da direita agir por ideias próprias apenas e não por reflexo contra a esquerda que está num ótimo caminho para fazer de Portugal o país mais pobre da Europa.

Conservador mais conservador, não há!

Melania-Trump

Os canais de informação portugueses estão a passar incessantemente o discurso da senhora Trump, uma modelo eslovena (irónico) com idade para ser filha do lunático, que pouco mais fez que ler um plágio do discurso de Michelle Obama em 2008. Deve ser uma existência interessante, a de uma modelo emigrante casada com um fundamentalista anti-emigração, cuja existência não deverá ir muito além de centros comerciais, cocktails interessantíssimos e roupas chiques a valer, tudo isto na companhia dos amigos racistas e xenófobos do marido, entretidos a fazer piadas sobre muros e emigrantes corridos ao biqueiro. O botox até estala mas a malta agradece. Na ausência de um discurso sensato e mentalmente são, teremos sempre as curvas da única potencial próxima primeira-dama do centro do império para nos distrair. A seita do chá deve estar a adorar. Conservador mais conservador, não há!

O futuro será emocionante

Primeiro eles ignoram-te, depois riem-se de ti,

depois combatem-te, depois tu ganhas.” –

Mahatma Gandhi

Entre o feedback positivo pela minha recente mensagem mail em alemão “Bye, bye Copenhaga”, recebi um mail de um de dois jornalistas alemães de alta craveira bastante conhecidos na Alemanha, com os quais tinha tido contacto há tempos. Curioso, voltei ao website deles onde encontrei o seguinte texto de apresentação que mais abaixo traduço para português.

Eis a descrição perfeita do perfil básico de uma pessoa capaz de tirar o carro do atoleiro, porventura no contexto de um governo de salvação nacional que, cá ou em qualquer outra parte da União Europeia, venha a ser necessário. É o perfil genérico de uma pessoa de fora do baralho que não faz parte da “casa sem pão”. Faltam só os nomes – de civis, oxalá, e não de generais.

Os jornalistas e escritores Dirk Maxeiner e Michael Miersch são o vivo exemplo daquilo que se chama pensadores inconformados ou cibernéticos sociais! Tiro-lhes o chapeu.

RD

“The future is open

and will be

thrilling…

We are too optimistic and anti-ideological for the greens, too progressive and unpredictable for the conservatives, and too subversive and market-economy friendly for the social democrats.

Above all we are too cheeky and not serious enough for any of them, since Germany confuses gloom with profundity. We would rather join those who are looking forward to being part of a dynamic, evolutionary, and never-ending process of changes. The future is open and will be thrilling. Inventive talents, individual responsibility, and freedom are the best qualities and attributes for this.”

http://www.maxeiner-miersch.de/index_e.htm

“O futuro está em aberto

e será emocionante…

“Para os verdes somos demasiado optimistas e anti-ideológicos, demasiado progressistas e imprevisíveis para os conservadores e demasiado subversivos e amigos da economia de mercado para os social-democratas.

E sobretudo somos demasiado audaciosos e não suficientemente sérios para qualquer um deles, uma vez que na Alemanha se confunde obscuridade com profundidade. Preferimos juntar-nos àqueles que estão ansiosos para fazer parte de um processo dinâmico, evolutivo e interminável de mudanças. O futuro está em aberto e será emocionante. Talentos inventivos, responsabilidade individual e liberdade são as melhores qualidades e atributos para isso.”