04h26 – 1º comunicado do MFA

“É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais.”

 

[youtube:http://youtu.be/KavG6fnfwEA]

Texto do site http://www.25abril.org

O 25 de Abril e o PREC

 

O PREC (processo revolucionário em curso) foi o período, política e socialmente, mais intenso da ‘Revolução de Abril’. O chamado ‘Verão Quente’ de 1975 foi uma experiência de cidadania inenarrável; recheada de acontecimentos demasiado emotivos para serem relatados fiel e completamente, em fria e distante escrita, passados 35 anos.

O início do PREC deu-se a 11 de Março de 1975; marcado por fracassado ataque ao RAL 1, na ‘saída – norte’ de Lisboa, por aviões da Base Aérea 3 e uma força de pára-quedistas de Tancos. O comando superior era assumido pelo General António Spínola que, derrotado, acabaria por fugir de helicóptero para Espanha. Nessa noite, o MFA, reunido em assembleia agitada, acabaria tomar decisões drásticas, entre as quais a nacionalização da banca e seguros.

Os tempos posteriores foram abrasadores, tal como o Verão então sentido. Os conflitos entre ‘revolucionários’ e ‘moderados’ agudizavam-se gradualmente; o protagonismo de Cunhal ao lado dos primeiros e de Soares em apoio dos últimos dividiu também a sociedade civil. O País vivia sob ameaças à paz civil e em equilíbrios precários e instáveis, impossíveis de manter indefinidamente. A 25 de Novembro de 1975, sob a direcção do ‘moderado’ General Ramalho Eanes, o PREC finou; o último acto público foi dado por abrupto corte de sinal da RTP, quando o ‘revolucionário’ Capitão Durand Clemente falava ao País. A emissão foi reiniciada, mais tarde, com um filme de Danny Kaye, a partir dos estúdios do Porto.

Tantas e tão profundas divergências acabaram por ser socialmente digeridas; livres de monolitismos ou unanimismos, podemos, uma vez mais, comemorar colectivamente o 25 de Abril e as conquistas proporcionadas. Pena é que ainda tivesse ficado muito por realizar, como reconheceu, há dias, o General Eanes. Pois é… mas como a data é festiva, devo saudar com entusiasmo: “Viva o 25 de Abril, sempre!”.   

Imagens de Abril: Poder Popular – Unidade Revolucionária – MFA

Imagens de Abril: A Revolução em Marcha – Povo MFA

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (4)

A Revolução de 25 de Abril veio provar que tinham razão aqueles que defendiam que a ditadura só cairia pela força das armas. Porém, derrubada a ditadura pelo MFA, durante alguns meses, sobretudo até ao 11 de Março de 1975, o espectro de um contragolpe de direita foi uma permanente ameaça e uma preocupação constante para os antifascistas.

Quando em 28 de Setembro de 1974, sob a inspiração do marechal Spínola, um dos membros da Junta de Salvação Nacional, o general Galvão de Melo, apelou a uma manifestação da «maioria silenciosa» – referindo-se a uma suposta maioria dos cidadãos portugueses silenciada pelo terror imposto pelas esquerdas – temeu-se que as direitas, quer as estruturas civis quer as militares, tentassem a via golpista para restaurar a ditadura.

Fizeram-se barricadas, o povo veio para as ruas armado com podia – e a montanha pariu um rato – afinal a direita não se atreveu a deitar a cabeça de fora. Só no ano seguinte, em 11 de Março, fez uma tentativa canhestra, rápida e consistentemente controlada pelo MFA, logo apoiado por manifestações populares que não deixaram dúvidas quanto ao que a maioria do povo português sentia. Aliás, como sempre acontece nestas coisas, a ameaça golpista de Spínola, deu lugar a um forte avanço das forças populares. [Read more…]

O exemplo de Ernesto Melo Antunes

Fundação Calouste Gulbenkian (sala 2), 27 e 28 de Novembro de 2009

 

Militar, Pensador e Estadista, Melo Antunes (1933 – 1999) foi sobretudo um cidadão comprometido que deixou a sua marca e testemunho em diferentes momentos do século XX português. Primeiro, em plena ditadura, ao tentar apresentar-se como candidato oposicionista (na lista CDE) às eleições legislativas de 1969.

 

Foi um dos primeiros a aderir ao Movimento dos Capitães e a participar activamente no movimento que levou ao derrube do regime. É incumbido de redigir o Programa das Forças Armadas, por ser um dos mais politizados elementos do movimento.

 

Membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA e Conselheiro de Estado, assume sucessivamente responsabilidades governativas.

 

Homem de cultura e de forte consciência cívica, Ernesto Melo Antunes é uma figura central da História Contemporânea Portuguesa que curiosa e inexplicavelmente, continua a ser um desconhecido para a maioria dos Portugueses

 

Podem encontrar o Programa em www.ernestomeloantunes.com.pt