José Ferraz Alves – Espanha, Governo cria fundo de socorro para sector financeiro

1. A minha proposta não é muito elaborada e porventura, por isso mesmo, não tem sido muito escutada. Mas, a sério, já estou a ficar farto.

Sobre esta notícia“Madrid, 26 Jun (Lusa) – O governo socialista espanhol criou hoje um fundo de socorro para o sector financeiro, dotado de nove mil milhões de euros, que permitirá aos poderes públicos entrar no capital das entidades em dificuldades. O objectivo deste fundo, criado através de um decreto-lei aprovado em conselho de ministros, é facilitar a reorganização do sector financeiro espanhol, principalmente as várias caixas de poupança regionais. O fundo vai poder ficar com participações em algumas entidades financeiras, explicou a ministra da Economia, Elena Salgado, numa conferência de imprensa. Poderá também endividar-se até aos 27 mil milhões de euros em 2009.”

2. Isto está a ficar complicado. Não será porque não perceberam de facto o que é esta crise?

Não seria melhor baixar impostos, no valor dos nove mil milhões mais vinte e sete mil milhões, e dar, por essa via, mais dinheiro às pessoas, para estar poderem cumprir com as suas obrigações e colocarem o dinheiro em circulação?

Lembram-se da anedota que circulava nos emails sobre o turista russo que chegou ao hotel, e enquanto inspeccionava o quarto, que no final acabou por não lhe agradar, permitiu a uma corrente de pessoas pagar a sua dívida e ganhar em optimismo ou em confiança na vida? E o turista acabou por não ficar no hotel… Será que era uma anedota ou uma mensagem? Já sei que preferimos matar o mau mensageiro a aprender com a sua mensagem. Ou que preferimos pessoas agradáveis a outras que são verdadeiramente amigas.

3. Se eu disser que esse é o remédio de Galbraith, a proposta torna-se mais inteligível? John Kenneth Galbraith, a propósito da crise de 1928, colocou a desigualdade na distribuição de rendimentos como sendo a sua principal causa. O problema não era o consumo, mas existirem poucos consumidores, o que tornou a economia dependente de um alto nível de investimento ou de um elevado nível de consumo de bens de luxo, ou de uma composição de ambos. O capitalismo moderno tentou resolver o problema através do crédito.

Mas a solução passa necessariamente pela correcção real das desigualdades na distribuição de rendimentos. Numa sociedade onde a riqueza é melhor distribuída, esta circula melhor. Mais vale entregar migalhas a milhões, do que muito a poucos. Considero que a origem desta crise não está no acesso ao crédito. Não se podem assumir alguns dos comportamentos desviantes a este nível como a regra geral. Mas que a sua razão está na queda do rendimento disponível das pessoas. As tais pessoas que são o princípio e o fim de tudo.

Então, há que combater esta queda do rendimento disponível das pessoas. Das tais pessoas que se constituem em Estado, em empresas, em contribuintes… Que são o princípio e o fim de tudo o que existe no mundo. Aumentando-o em termos globais, em ritmo superior ao do crescimento da quantidade de pessoas. Procurando sistemas multiplicadores, distribuidores e indutores de impactos no maior número possível de agentes.

4. Se acrescentar o que o Sr. Eng.º Belmiro de Azevedo refere, fica mais credível?

“A criação de riqueza decorre naturalmente de um processo em que as pessoas talentosas, experientes e transparentes estabelecem relações de confiança, são inovadoras, criativas e constroem riqueza. E a riqueza, dependendo do sistema em que se vive, é acumulada numa empresa, numa instituição, numa fundação, e é, ou não é, reinvestida. A parte menos importante é quem detém a riqueza, porque ninguém leva a riqueza para a cova. A riqueza acaba por se transmitir de várias formas, por vezes até de forma pouco ortodoxa. Uma pessoa que tem muito dinheiro e o estraga em grandes jantaradas, está a distribuir riqueza de uma maneira, aparentemente incorrecta, mas o importante é que se, se tem dinheiro a mais, que o passe para outro lado qualquer. Que o passe para as pessoas que o serviram, para os fornecedores dos equipamentos que ele utilizou, para o dono desse negócio. Portanto, o dinheiro tem é que circular, tem é que passar por um circuito virtuoso. O dinheiro é apenas um elemento para criar riqueza. A riqueza passa de mão em mão. O importante é que o dinheiro circule”.

5. Não estou a ver que a solução proposta por outros, mais eruditos e ouvidos, esteja a ser melhor.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Sem dúvida que tem que circular mas não é dispiciendo que a sua aplicação se faça com ou sem critério.Desde logo dirigido para as necessidades básicas. Foi a sua aplicação “em jogos de casino” que o retirou da produção de bens e serviços e que fez rebentar as bolhas no imobiliário e nas matérias primas. (cereais e petróleo)