DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (7)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (7)

Saramago não contou, mas pela mais comum das evidências científicas reconhece que no “Universo há mais de 400 mil milhões de galáxias e que cada uma delas contém mais de 400 mil milhões de estrelas”. O Universo está, com efeito, infinitamente pejado de misteriosas estruturações materiais das quais conhecemos um minúsculo infinitésimo. São provavelmente aos biliões, por exemplo, as estruturas materiais irradiantes cuja essência e complexidade ultrapassam todos os limites da imaginação humana. Ao descobrirmos os raios X, os raios Gama, os raios Laser, tão reais como os meus dedos, não desvendamos mais do que uma ínfima molécula deste Universo espalhado por milhões de anos-luz. As estrelas são, provavelmente, aos triliões, e cada uma delas constitui, certamente, o centro de um sistema solar imensamente maior do que o nosso, o qual, sendo dos mais pequenos, faz da terra uma pedrinha nas mãos duma criança. A terra é muito menos do que um pequeníssimo grão de poeira no seio do Universo, e o Homem, essa infinitesimal partícula considera-se, numa ridícula e paranóica postura, o ser mais perfeito, a obra-prima, a criação por excelência, como se tal fosse racionalmente compreensível e aceitável.
“Postos aqui sem saber porquê nem para quê”, diz Saramago, “tivemos de inventar tudo. Também inventámos Deus, mas esse não saiu das nossas cabeças, permaneceu lá dentro, como factor de vida algumas vezes, como instrumento de morte quase sempre. A esse Deus não podemos arrancá-lo dentro das nossas cabeças, não o podem fazer nem mesmo os próprios ateus, mas ao menos discutamo-lo”. É isso que sempre tenho procurado fazer, e faço-o neste momento, dizendo a Saramago que Ele entrou na minha cabeça à força da destruição da razão e do entendimento, perpetrada por mentes ignorantes e retrógradas que assaltaram a minha infância e adolescência, mas nesta altura, à custa de muita luta e sofrimento, já não existe dentro da minha cabeça. (Continua).

               (Adão Cruz)

(Adão Cruz)

Comments

  1. Adalberto Mar says:

    O Saramago só teve uma coisa que não pode remediar..Mas afinal que lhe serve como mais-valia..Embora tivesse sido o Prémio Nobel, e faz render isso até ao tutano, como ninguém (EU não gosto dele, claro, nem o leio!), Ao Saramago faltou-lhe uma coisa, que ele terá de lamentar e dissimular e sublimar até à morte….É a boa vida de estudante qu enunca teve, a doce adolescência de uma classe média, a fritura de uma faculdade e de uns 60’s on the rocks!!!..Foi muito pobre, foi tudo árduo e difícil…Ele tenta agora colmatar tudo com a pretendida «eternidade, imortalidade»..Mas não!!!..o melhor ele não provou…A glória da velhice não é a mesma que a glória da adolescência e da juventude…Pode tentar destuir o conceito de Deus e do Estado etc etc..pode até casar não com uma mulher mais nova mas até com uma virgem, pode vender milhares, e viver numa ilha, ou até ser a musa de virgens puras..mas o que ele quer , o que ele perdeu..NINGUÉM TEM CULPA MAS NUNCA O TERÁ de volta!

  2. Luis Moreira says:

    Houve lá, dalby , é por estas que tu andas sempre a ver se me deitas abaixo com supostas dificuldades em acompanhar as tuas amigas divorciadas e viúvas? Então ficas a saber que aos dezasseis aninhos eu ía passar as férias a Aveiro, no tempo em que chegaram as francezinhas. Morri e renasci muitas vezes por causa dos namoros de verão (nalguns casos só eu é que estava apaixonado, mas ninguem é perfeito…)Quand viens le temp de l`etéA la plageNous irons commencéa nous baisé(não puxes comigo que eu arrazo-te, pá! a ti e às tuas amigas em déficit de carinhos…) 🙂

  3. dalby says:

    Luisinho Caracol não me estava a meter contigo, que mania da perseguição!! Não gosto do Saramago em nada, e ali acima refiro os 60’s mas é aos anos 60’s que me quero referir, não aos 60 anos de idade….arre que o homem anda sensível!!! E até confirmo sim sr. com a Renault na zona de Aveiro vieram muitas francesas e não me admiro nada que lhes tenhas tentado fazer o fadinho, querido colega e companheiro de luta e aventar, irmão de signo, aquariano e outras coisas mais… (arre que só me falta mesmo pedir-te dinheiro emprestado hoje!… Tal é o aval de graxa que te estou a dar!) E nem viste ainda a tua dedicatória que ai vem depois da Maria, da Carla, de ti e do R’, e claro… do Arrebenta que eu considero já uma espécie de CULTO DE SEITA ( tipo Michel Jackssón arrrrree!!). Mais ninguém mais tem direito a dedicatórias…falta 1ª ganharem carisma filhos..carisma é o que vende!!!…Ainda pensei numa para o Miguel, mas ele é muito «perigoso»!!! E é das pedras….homem de letras desconfia e tem pé atrás sempre… contra os «snobes das pedras» (arquitecturas!)…Ainda acabamos em peixeirada filosófica e temos de manter o verniz, aqui no Aventar, nas vésperas de nos tornarmos numa «força política» e em «miseráveis opinion makers respeitáveis»!Luis, p.s. seulement un petit problem meu caro..EU sei que não fizeste por mal, que a tua língua e mão te atraiem sempre para o mal, para onde não deves ir… mas a Carlita e a Mariinha não iam gostar..olha que a frase acima que tu escreveste é muito má e foleira em francês!!!..eu, como também licenciado nessa língua, cultura e literatura, tenho-te a informar que «nous irons commencé a baisé» quer dizer «nós íamos começar a F….R!!!»!! O verbo ‘baiser’, actualmente, em francês, meu caro e inocente pássaro, quer dizer Fo’ …R’!!!..No francês antigo, ainda queria dizer puerilmente «dar um beijo nos lábios»…mas O Wilfried ali ao lado, confirma e diz que não…o que tu queres dizer é «donner un bisou», ou «s’embrasser » (beijar(-se), (e não é também o mesmo que abraçar(-se); abraçar(-se) é «s’enlacer»! E tens erro em algumas palavras..«le temps» e não «le temp», e não «irons commencé» mas sim «irons commencer» e não o particípio passado ‘commencé’! VÊ-SE LOGO QUE NÃO ÉS UM HOMEM DE LETRAS, QUE ÉS UM MACHO DAS CIÊNCIAS, QUE NADA QUER COM O MUNDO FRANCÓFONO A NÃO SER AS FRANCESAS!! Está bem, muito bem. Mas eu cá quero-me metade com esse mundo dúbio, mais metade com o resto do mundo das línguas, com o das literaturas e culturas, com o da sociologia…e..um pouco com o da política..NADA COM A MATEMÁTICA, nem ENGENHARIA, nem ARQUITECTURA , MODA e muito menos com a informática…Não gosto de futebol, nem de desporto mas também odeio bonecas!!! O meu futebol favorito é NU NA PRAIA A JOGAR COM AS BOLAS ..mas de areaia, que faço em tardes de tempestade à beira mar…ETC..Como vês sou um pouco limitado!!!

  4. maria monteiro says:

    como gostos são gostos …. eu gosto de ler Saramago e agora também o tenho no DN

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