José Sócrates e Pedro Passos Coelho, irmãos siameses

Eu, de Pedro Passos Coelho, não espero o que o país espera, a julgar pelas sondagens. Quando o Sr. ascendeu à liderança do PSD fez um bom discurso e eu, tal como outros, com a actualidade ainda quente, elogiei o regresso da política – que não a politiquice usual e corriqueira, mas a política, temas colocados em cima da mesa, escolhas perante as quais o país se defronta.

Num país civilizado, tal facto não mereceria o mínimo encómio. No paízinho rasteiro e trauliteiro em que nos transformámos, havia ali uma nuance a registar, um facto positivo a despontar. Não sendo crédulo, saudei a nuance e permaneci atento.

Foi sol de pouca dura e, em poucas semanas, Pedro Passos Coelho dissipou o meu reticente benefício da dúvida. Se no congresso laranja meteu o neo-liberalismo no saco, apressou-se a retirá-lo agora, regressando a ele, se estendeu a mão a Sócrates e se prestou a apoiá-lo em nome do “superior” interesse nacional, apunhalou-o assim que virou as costas pedindo desculpa aos portugueses (por se ter movido em nome do dito superior interesse nacional? Por afirmar solidariedade a Sócrates e puxar-lhe o tapete com a demarcação? Diga-se, em abono da verdade, que o PS não se portou melhor anunciando a seguir a continuação da febre de betão que, aparentemente, ocultara na reunião entre os dois líderes, a tal da contenção e “salvação” do país).

PPC, começa aos poucos a tornar-se evidente, segue uma agenda tão sua como a de Sócrates. Como Sócrates, fará o que for preciso para alcançar os seus objectivos, sacrificando a ética e os verdadeiros interesses do país (veja-se do povo, essa palavra e essa classe que hoje envergonham os políticos). Tal como Sócrates, mente, e mentirá, fará tábua rasa do discurso anterior negando que assim seja, será acometido de cegueira egocêntrica, desvanecer-se-á perante a sua própria imagem, repetirá os tiques irrazoáveis e narcísicos do aparelhista das beiras. PPC é um Sócrates um tudo nada mais alaranjado, mas no exacto tom onde laranja e rosa se confundem. Porquê? Porque ambos mandam facilmente às malvas o mínimo de decência e rigor que faz os estadistas e as pessoas de bem, porque ambos estão prisioneiros da respectiva imagem mediática e porque ambos preferem truques de grande efeito cénico ao lusco-fusco da boa governação.

Uma imagem que por aí circula misturando os dois vale mil palavras. Ou, por outro lado, mil palavravras fundem-se numa só, à escolha do leitor: Socrassos, Socrelho, Josedro, Passócrates, Coelhócrates. Em último caso, na hora do voto, faz-se pim-pam-pum, fecha-se os olhos e põe-se a cruzinha. Mas só os que se derem ao trabalho de votar no abismo.

Comments


  1. quando Passos Coelho surgiu como candidato, todos ficaram hipnotisados com o seu charme… no entanto ninguém se lembrou que ele, como lider estuantil, aquando da plémica das propinas noi governo do cavaco, foi o único presidente duma associação académica a manifestar-se a favor da instauração da propina!
    enfim…

    aparece em

    http://forcanamaionese.blogspot.com/

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