Rendimento social de inserção: a próxima vítima

Em vésperas de concluir o 2º ciclo Cristina Oliveira da Silva escreve no Diário Económico, e o revisor concorda:

No período homólogo, eram precisamente este último grupo – os rendimentos de trabalho – que assumiam a liderança.

Também descobriu que 18% dos chulos do Rendimento Social de Inserção têm conta bancária, e 29% outros rendimentos como “acções, depósitos a prazo, contas-poupança ou outros.” Não se percebe se os 29% incluem ou não os 18%, e nem isso agora interessa para nada, como diria a grande Teresa de outros embustes.

Qual o valor dessas poupanças, e já agora quanto rendem, não é notícia. Notícia são os 18% que têm a lata de receber do estado tendo conta num banco. Que horror. Vão já pedir para a porta das igrejas, seus malandros (rosnar miudinho).

A rede viral dos jornalistas em vésperas da conclusão de qualquer coisa lá funciona: no I Cláudia Reis troca um cerca por um quase. Estão feitos ao bife, os quase 18%, os quase 29%  ou, o mais provável, os cerca de 47%, levam já com o corte do RSI, vão lá viver por conta dos rendimentos, cabrões de merda, e a partir de agora o pagamento é feito por transferência bancária, seus chulos, não tens conta? vai pedir para a porta da igreja, filhodaputa, moinante, gatuno (rosnar já muito grande). É por causa disto que este país não avança, não é Cristina Oliveira da Silva? (cães a ladrar muito alto, em primeiro plano).

Comments

  1. Pedro M says:

    Dados inconvenientes sobre os RSI:

    – 65% dos RSI são idosos, crianças e portadores de deficiência ou doença crónica, não são portanto membros da população activa
    – a prestação média é de menos de 250€, uma fortuna portanto
    – os RSI representam menos de 2% do orçamento da Segurança Social

    e como bónus:

    – o valor anual em que a Recheio SGPS (Grupo JM) foge aos impostos dava para pagar a fraude estimada nos RSI nos últimos 10 anos

    Mas como fã de thrillers políticos e de Maquiavel aplaudo a estratégia de mandar estas “notícias” para testas de ferro instalados na imprensa, tirando partido da ignorância galopante dos nossos compatriotas. É sempre vantajoso dividir para reinar e pôr o pobre contra o miserável. Faria o mesmo, se não tivesse escrúpulos.

  2. Armando Lopes says:

    O RSI é uma “esmola” que encoraja a não produtividade. Se as pessoas podem receber um subsídio sem fazer nada porque hão-de trabalhar? Pode ter um fundamento muito generoso mas a resultado é aquele que se vê: 400 000 estrangeiros ocupam postos de trabalho que os portugueses não querem. Saldo 700 000 desempregados! Custos incomportáveis para o estado e sobrecarga de impostos para quem ainda trabalha. Só não vê quem não quer.

    • Pedro M says:

      O Amando Lopes sabe ler? A esmagadora maioria dos RSI não faz sequer parte da população activa. Da parte que são efectivamente da população activa sabe qual é a maior causa para terem pedido o RSI? Pais solteiros com baixo ordenado ou sem emprego e famílias numerosas. Pense nisso antes do “deviam ir todos trabalhar e ser produtivos, preguiçosos”. Acho que deveria haver tolerância zero no tratamento de fraudes mas ter o RSI é o ponto mais baixo dos mais baixos e o modo como os tratamos diz muito da nossa sociedade.


      • Esta discussão é estéril. Ambos estão a agitar bandeirinhas partidárias (não estou a dizer que fazem parte de um partido, estou só a constatar um facto).

        Os factos são simples:

        • Há fraude no RSI, logo esta tem de ser combatida (como se devia combater todo o tipo de fraude);
        • Há pessoas que necessitam mesmo do RSI, de forma legitima. Essas pessoas devem continuar a receber o subsídio e devemos encontrar mais formas de as ajudar.

        Só e unicamente isto. Tudo o resto é conversa da treta.

        Já agora, se virem o programa que indiquei antes, são mostrados estes dois aspectos e a sensibilidade que se tem de ter para não alienar as pessoas (obviamente que não se melhora a situação de uma pessoa se a humilharmos).

        • Pedro M says:

          Totalmente de acordo. Não abanava bandeiras partidárias porque não as tenho- chamava a atenção para algo muito simples: “Paga o justo pelo pecador”, como diz o povo…

    • Pedro M says:

      A treta da “culpa dos estrangeiros” também não pega- não só porque deixam cada vez mais de vir para cá (e muitos vão-se embora) como porque a maioria dos trabalhos que ocupam são com vínculos totalmente ilegais. A palermice que se ouve muito dos tailandeses na agricultura é um belo exemplo- recebem 350 a dinheiro sem recibo nem impostos e dormem num casebre nos pomares para trabalhar 12 horas sem quaisquer condições ou fiscalização e sem visto de trabalho. Realmente que burros são os portugueses para não aproveitar tal maravilha própria de um país desenvolvido e competitivo. Aqui vão mais dois números bem engraçados: saem do país 50.000 portugueses por ano, quase todos da população activa e prontinhos a usar e que não custaram um cêntimo aos contribuintes dos países de destino. Saem porque em Portugal existem 700 000 desempregados… para 20 000 ofertas de trabalho.
      Mas pelos vistos a culpa é dos RSI e dos imigrantes.


    • A legislação do RSI (não confundir com a do defunto RMG) é da autoria de Bagão Félix, enquanto ministro do CDS num governo de coligação com o PSD. É sempre bom apontar aos culpados às críticas que se fazem.

  3. Francisco Santos says:

    Gostava de vos ver a ter de depender desta esmola!

  4. Sylvie says:

    Boa tarde. Após ler este post e respectivos comentário não posso deixar de responder! Concordo a 100% com o Sr. Hélder Guerreiro. Há fraude no RSI? Há. Há pessoas a receber indevidamente? há! Há pessoas que não fazem absolutamente nada para procurar emprego e consequentemente para deixar de ter que receber o RSI (“subsidio-dependentes”)? Há. Agora também é preciso ver todas as outras pessoas (em que eu estou incluída) que se viram de repente numa situação de grande carência económica e tiveram que pedir este RSI. Não gosto de ter que precisar dele e de o receber mas se não fosse assim eu estava a viver na rua pois não tinha como pagar a renda! Falo por mim: eu procuro trabalho activamente, tenho feito várias formações, para aumentar as minhas habilitações escolares enquanto procuro trabalho para não estar parada. Sou chamada para muito poucos trabalhos e os que me chamam têm sido precários duma forma tão grande que não dá! A maioria das pessoas não sabe o que os empregadores se têm aproveitado dos desempregados que vão desesperados por um trabalho a uma entrevista! Eu continuo à procura e a ir a entrevistas.
    Tenho 39 anos e não tenho carta de condução e o segundo factor eliminatório é ter apenas o 11º ano incompleto (o 1º maior é a idade, claro!). Para completar o 12º estou a fazer um curso de dupla certificação. E não, não é o rvcc mas sim um curso de longa duração de nível IV e profissional. Falo nisto por causa da polémica em torno do processo rvcc. Este curso ensina-me uma profissão abre-me portas para uma possível carreira numa determinada área para além de me dar equivalência ao 12º ano.

    Eu quero que esta experiência com o RSI seja passageira e não um “encosto”. Há casos e casos! Não podem nunca julgar toda a gente por igual porque cada pessoa e cada caso é diferente!! A Segurança Social no meu entender devia fiscalizar cada caso. Deviam através de assistentes sociais ir a casa das pessoas, conhecer as suas situações, confirmar a existência, ou não, de carência. Aí sim, até iam fazer os cortes que eles tanto gostam de fazer, ia ser poupado $ pois iam encontrar muitos casos de fraude. Tenho consciência de que não é tarefa fácil, que são centenas e centenas de casos e não há assistentes para toda a gente. Ok, de qualquer forma também não me compete a mim descobrir como fazer o mecanismo de fiscalização. Mas deveria haver um. Há profissionais competentes nestas áreas.
    Estou um bocado farta de ser tratada como marginal pela sociedade por estar a receber o rsi apenas prq existem uns quantos parasitas a viver à conta dele. Não tenho culpa (eu e quem está na mesma triste situação que eu) que metam toda a gente no mesmo saco.

  5. Sylvie says:

    Este mês (fev) a Seg. Social começou a pagar o RSI por transferência bancária. Quem não tem conta, como fará? ou a S.S. continua a pagar-lhes por vale ou as pessoas terão que abrir uma conta, para o efeito. Então essas pessoas começarão a ter que pagar ao banco as famosas despesas de manutenção com o mísero RSI. Se levantarem logo o $ todo ficam a dever as ditas desp. de manutenção e aí passam a ser-lhes cobrados juros de dívida altos e ainda por cima, qd receberem no próximo mês é-lhes logo descontado o valor da dívida. Todo este processo faz-me pensar que isto é quase como um esquema para os bancos passarem a lucrar!!!
    Quem ler isto pode mt bem perguntar “Então essas pessoas que fechem a conta e continuem a receber por vale”. Pois bem, mas então e nos casos em que as pessoas precisam de ter a sua conta aberta? (ex: o IEFP chama os desempregados e beneficiários do rsi para acções de formação, cursos financiados e a pessoas têm que ter conta bancária para receber o valor do passe e do subsídio de almoço. Não lhes é paga bolsa de formação porque recebem o rsi e a S.S. não deixa acumular as duas coisas! como se fossem juntas uma grande fortuna!!!).

  6. Sylvie says:

    A Segurança Social “pagou-me” por transferência bancária o rsi mas transferiram o $ para uma conta que não é minha nem nunca foi nem eu alguma vez lhe dei nenhum nib meu!
    Nem me avisaram por carta de que a partir do mês de Fevereiro/2015 iam passar a pagar por transferência bancária em vez de ser por vale correio como sempre foi.
    Até é melhor por transferência por vários motivos. Tenho conta bancária quase sempre a zeros mas preciso dela (como referi no comentário anterior a este).
    Entrei em contacto com o meu banco e puderam confirmar-me que a conta não é minha. Não podem dizer a quem pertence aquela conta (por causa do sigilo bancário) mas disseram-me que realmente pertence aquele banco mas que não é minha. Ora bem, eu fiz queixa no livro de reclamações e deixo aqui novamente uma queixa da S.S. por:
    – não me terem avisado que iam pagar por transf.
    – por se terem transferido o meu $ para um conta que não é minha.
    A partir do próximo mês passarei a receber normalmente e já por transferência bancária pois isso ficou logo resolvido mas e o $ que foi parar a outra conta? Vou reavê-lo? e quando? eu uso esse $ (178€) para pagar a renda e fico sem nenhum para mim (apenas sobram trocos). A minha senhoria precisa de receber a minha renda e também, tal como eu, não tem culpa nenhuma disto!
    Por isso, faço queixa também pelo transtorno que estão a causar a mim como à minha senhoria!
    Vou ter que perder tempo a dirigir-me ao banco e para isso tenho que faltar às aulas para poder ir a horas de ainda estar aberto. Essas faltas que embora tenham justificação não me são pagas! por isso ainda vou ter mais prejuízo!
    Fui e estou a ser lesionada pela Segurança Social!
    Ontem, qd lá fui, disseram-me que aquela conta está lá registada desde 2006 como sendo minha!!!!? nunca tive mais nenhuma conta para além da que tenho!

    Queixo-me também pelo estado de nervos em que me encontro como consequência deste engano, desde dia 24 deste mês (dia em que recebia o vale). Passei dias e dias seguidos à espera do vale, preocupada e com receio, a pensar que se tivesse atrasado, ou extraviado, ou qualquer outra situação! Passado uns dias, já a perceber que algo grave se estava a passar consultei a S.S. Directa e foi quando li que me tinham já pago o mês de Fevereiro por transferência bancária para o tal número de conta. Nesse momento parece que me tiraram o chão debaixo dos pés!
    Saliento que eu não inseri nenhum número de conta na segurança social directa. Nem sabia que dava para receber pelo banco!

    Como brincam assim com a vida das pessoas? se pedi o rsi é porque preciso mesmo dele e ainda fazem isto a quem (sobre)vive com o mínimo?
    Estou indignada, revoltada, triste, sem um tostão e sujeita a ficar sem casa por causa deste engano da segurança social!