Deram-nos cabo da saúde


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Truques à parte, que isto da engenharia informativa político-partidária é já um fenómeno descontrolado, quero focar-me na parte verdadeiramente preocupante desta peça do Expresso. Na sequência da onda de terrorismo financeiro que culminou com o crash de 2008, a que se seguiu o advento da austeridade fundamentalista e contraproducente, o número de portugueses sem recursos para pagar consultas médicas triplicou. Os dados são da Comissão Europeia e confirmam o agravamento da desigualdade, num país onde a mesma não parou de crescer durante os anos do fundamentalismo além-Troika, sendo que os mais afectados, como não poderia deixar de ser, foram e continuam a ser os mais pobres. 

Pagamos uma elevada factura pelo experimentalismo liberal a que fomos sujeitos. A herança da governação PSD/CDS-PP, por muito que o ministério da propaganda se esforce por mascarar a realidade, causou danos profundos na sociedade portuguesa. O fosso é vertiginoso, a desigualdade herdada assustadora e os sacrifícios, pelo menos na perspectiva das elites, claro, foram muito bem distribuídos. Depois é ouvi-los, tão genuinamente preocupados, a falar na asfixia e paralisação do SNS. Os tais que no passado votaram contra a criação desse mesmo SNS, que permitiram o caos nas urgências hospitalares no Inverno de 2014/2015 e que, meses depois, ainda deram uns trocos a ganhar ao sector privado. Na falta de património público para privatizar, até porque conseguiram vender quase tudo o que tinha algum valor, o Serviço Nacional de Saúde poderá ser a venda que se segue. É deixá-los regressar ao poder que eles tudo farão para não desiludir.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Comments

  1. joão lopes says:

    A coligação psd/cds não deu o golpe fatal no SNS,mas criou as condições ideais para os grandes problemas que existem nos seviços publicos.Por exemplo,a falta de pessoal.Curiosamente a mesma coligação utilizava bastantes empresas de outsourcing(de pessoas ligadas ao psd) para colocar pessoal(de emfermagem,por ex.) a muito baixo custo,mas o estado pagava os tais 1.200 e,mas a empresa,a s.social, IRS,ficavam com quase tudo,tanto que no final o enfermeiro ganhava a modica quantia de 550 euros.

  2. Ana A. says:

    Viver em democracia é muito trabalhoso!
    Estar atento! Fiscalizar! Saber ler nas entrelinhas os discursos ambíguos e enganadores! Cultivar a memória! Não se deixar embrutecer e alienar… Mudar de opinião, quantas vezes forem as necessárias, para se ser justo e agir com honestidade!
    Bem, já fiquei cansada. Vou ali ver se me abstraio desta realidade com um joguito virtual, e depois volto para ver se algo mudou….

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Se me permitem continuo a repisar o que por aqui venho escrevendo já há uns anos.
    Nesta pretensa democracia, quem elege esses senhores que nos vão sugando até à medula?
    Quem é, na raiz, responsável por este estado de coisas? Os partidos, os governos ou quem neles vota?
    É muito difícil continuar a dar para este peditório, mas eu continuarei a recordar as responsabilidades na base.

  4. é difícil ser portuga.... says:

    30% ou mais dos portugas, são salazaristas e Legionários militantes.
    Os restantes andam na corda bamba deixam-se levar pelas “cantigas” de PPC’s, Cavacos e outros que tais que são muitos.

  5. Thief says:

    Os truques de manipulação acabam por ser um bom sinal, alguma coisa está a correr bem no país.

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