O Diário da República em 2024: três momentos

‘Wait a minute, before you answer… You saw that fat man.’
‘Yes.’
‘His name is Mel. He’s from California. I don’t know his real name, but he calls himself Mel. I happen to know that in Detroit his name is Hennessy’
‘ You know him , then.’
— Arthur Miller, Focus

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Chegados a 2025, reflictamos acerca destes três momentos ocorridos em 2024.

Comecemos pelo momento isto não são gralhas, senhores:

Passemos agora ao momento isto é grave, gravíssimo:

Terminemos, pois, com um momento isto é velho e relho, sim (cf. p. 7 deste pdf), mas continua tudo como dantes:

Até breve.

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Bruce Springsteen and the E Street Band no Howard Stern Show

William Labov (1927–2024)

Anyone who begins to study language in its social context immediately encounters the classic methodological problem: the means used to gather the data interfere with the data to be gathered.
— William Labov

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Há uns anos, dediquei muitas horas ao /R/ português, porque é interessante, importante e relevante e até pode ser, imagine-se, contrastivo: caro/carro, pára/parra (note-se que pára/parra não é exactamente a mesma coisa que para/parra), muro/murro e a lista continua. O projecto acabou por ficar em banho-maria, como diriam os outros, due to lack of interest/tomorrow is cancelled e entretanto há outras emergências mais urgentes. Soube; há umas horas, que morreu um dos meus autores favoritos, o Labov, craque do /R/ na margem ocidental do lago e alhures. Fica aqui, além da triste  nótula, o meu artigo preferido dele (e, creio, o mais conhecido): The Social Stratification of (r) in New York City Department Stores (pdf) e este vídeo magnífico sobre o /R/ do homem que deveria ter sido presidente dos Estados Unidos da América.

Smashing Pumpkins • “Ava Adore” • 1998

Pinkpop, 1998

Quando as encomendas, além de ridículas, acontecem às claras e os negociantes acham que andamos todos a dormir

Efectivamente. “Na verdade, não é bem assim, já que saudade, desbundar e desenrascanço têm versões em Mirandês — “suidade”, “zbundar” e “zamrascanço“, respetivamente” e “Artigo editado às 11h20 de dia 12 de dezembro para incluir a referência ao Mirandês“.

Arquitetura e arquitectura:

descubra as diferenças.

Hoje, 9 de Dezembro de 2024, dia dos 170 anos da morte de Garrett

Foto: Maria António Gonçalves (8 de Dezembro de 2024)

Slash e Brian Johnson – KILLING FLOOR

Hoje, véspera dos 170 anos da morte de Garrett

Hoje,  véspera dos 170 anos da morte de Garrett, haverá um protesto, entre as 15h00 e as 19h00, junto da casa onde nasceu o glorioso escritor, devido à aparente vontade de se transformar aquele monumento num hotel. O protesto é dinamizado pela companhia portuense Teatro Plástico — e na manifestação será lançada uma petição para que se  classifique e e salvaguarde o edifício.

A propósito, deixo-vos uma nótula apensa a artigo que escrevi há uns anos.

A segunda nota diz respeito à nossa terra natal, minha e de Garrett. No Porto, Garrett é homenageado na estátua que se encontra em frente à Câmara Municipal do Porto (CMP), na Praça de Almeida Garrett (para quem não souber, a da Estação de S. Bento e cuja placa evoca o Glorioso Escritor) e, mais recentemente (há 20 anos), nos jardins do Palácio Cristal, passámos a ter a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Esta é a fachada. Depois, temos a casa onde ele nasceu, a qual, em vez de ter sido atempadamente recuperada, embelezada, valorizada, foi sendo esquecida, desprezada, deixada ao abandono, durante decénios, tendo ardido em finais de Abril de 2019, precisamente na semana em que a CMP fez uma proposta de compra, para aí instalar um pólo do Museu do Liberalismo. Ardeu tudo da casa, menos, ironicamente, a fachada. Ainda por cima, como podemos ler no Público de há três dias, «Desde Abril de 2019, nada foi feito para recuperar esta peça que faz parte do património histórico da cidade e do país». A fachada continua.

Ide, protestai.

Santana Lopes disse:

“As pessoas têm que estudar mais, têm que saber do que falam” (6:17). Um excelente momento para a jornalista ter retorquido: “ai, sim? — então e o seu agora facto é igual a fato (de roupa)?”

Santana Lopes no canal “Now”, programa “Informação Privilegiada”, 25/11/2024

 

Nirvana, 12 de Fevereiro de 1990, Cattle Club, Sacramento, Califórnia, EUA

Aos 16:12, garanto-vos, não é a Sugar Kane

Efectivamente.

 

A utilidade de pseudo-palavras na função de atalho para encontrar artigos

Por exemplo, paniplines ou wooden glabe.

Português — Alemão

“Quinas de Platina” — “Quintas de Platino“

A preparação

Kool Thing let me play it with your radio
Move me, turn me on, baby-o
— Gordon/Moore/Ranaldo/Shelley

… aos muitos que se deslocaram ao Capitólio de t-shirt dos Sonic Youth vestida, quiçá na expectativa de reencontrar um pouco do rock dissonante e da vertigem punk experimental dos autores de Kool thing
— Mário Lopes

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Encontro-me entre os muitos que foram ver a Kim Gordon, não ao lisboeta Capitólio, mas ao bruxelense Bozar. Levei roupa discreta, mas fui com um gorro dos Knicks enfiado na cabeça — uma espécie de “t-shirt dos Sonic Youth”, extremamente adaptada e razoavelmente aplicada. Comme il faut. Dias antes, contudo, levara, também ao Bozar, a minha t-shirt Sonic Life, para ver o Thurston Moore. Das duas vezes sabia ao que ia e não saí desiludido. Por causa do hábito. E da preparação. Também podia falar-vos do Shelley e do Ranaldo. Fica para outra oportunidade.

Por falar em Knicks, viva o Benfica! Viva!

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The Cure — In Orange

The Cult, Royal Albert Hall, 4 de Novembro de 2024 (foto: Tom Van Hee)

Foto: Tom Van Hee

40 anos disto (8424)

Obrigado, The Cult, pelo nono. Aguardemos pelo décimo.

Foto: FMV (RAH, 04/11/2024)

Freddy Robinson – Papa Ain’t Salty – com a John Mayall Band 1973

Notícia Aventar: o Record não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Just loosen him up,
And make him feel bright.
I think that’s all right.
Now add lemonade…
— Sid

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Não é novidade, mas há sempre quem passe ao lado destas coisas — por exemplo, quem escreve “agora facto é igual a fato (de roupa)” e afins. Se hoje fosse sexta-feira, desejar-vos-ia um óptimo fim-de-semana, com os respectivos hífenes. Mas hoje, como sabereis, não é sexta-feira. Os meus agradecimentos ao excelente Manuel M., obviamente, pela aquisição deste precioso exemplo de ortografia.

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John Cale, Nick Cave & Chrissie Hynde – Songwriters Circle

The Sprawl | Sonic Youth | From The Basement

One Diretion?

It’s very boring.
— Sam Shepard

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Não é novidade — pelo menos, para quem anda atento àquilo que efectivamente se passa –, mas a notícia da morte de Liam Payne veio dinamizar o fenómeno.

No fim destas linhas, encontrareis uns fragmentos, recolhidos na CNN Portugal e Euronews.

Note-se que não há nestas notícias qualquer registo de Direction. Há uma ocorrência de Directioner (“ser um Directioner era isso para mim”) — e é tudo.

Note-se.

Além dos One Diretion, também temos o xis fator, também conhecido como X-Fator.

Conheceis?

Ide ao fim destas linhas.

Já agora, se quiserdes qualquer informação adicional, já sabeis, podereis obtê-la junto do Recrutamento da Unidade de Assuntos Jurídicos de Recursos Humanos, através, obviamente, de contato.

Assim vai a ortografia em português europeu.

Agora, os fragmentos: [Read more…]

O Benfica é o melhor clube português — no entanto, sem sombra de dúvida,

o Porto é a cidade mais importante do país.

Contra o Orçamento do Estado para 2025

Hier sitz’ ich zur Wacht, wahre den Hof,
wehre die Halle dem Feind.
— Hagen (Götterdämmerung)

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Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, entrega o Orçamento do Estado para 2025 na Assembleia da República.Foto: Antonio Cotrim/Lusa

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, entregou ontem a proposta de Orçamento do Estado (pdf) ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

A pergunta que se impõe, depois dos desastres de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 [1] e [2], 2023 e 2024, é a seguinte: os ministros das Finanças lêem aquilo que vão entregar? A dúvida que me assola todos os anos por esta altura é se o ministro das Finanças tem efectivamente alguma intervenção directa no texto. Se não tem, é mau. Se tem, é péssimo. Porque o documento que Miranda Sarmento entregou ontem a Aguiar Branco contém: [Read more…]

Ensaio sobre a incontinência

“O Governo moveu uma montanha, o PS ainda não saiu do Largo do Rato” — Hugo Soares, 05/10/2024
“Este é o momento de tirar alguma crispação ao debate, é o momento de o interesse nacional, o interesse colectivo, se sobrepor a qualquer interesse partidário” — Hugo Soares, 05/10/2024

O primeiro debate Walz/Vance de 2024

(Transcr.) [Read more…]

Há exactamente 40 anos: Lou Reed – Satellite Of Love – Capitol Theatre (Passaic, NJ)

O Porto ao sabor dos caprichos de quem o transformou em adereço de um clube desportivo

Há dez anos. Exactamente. Claro que o azul não tem qualquer conotação clubística. São “os típicos azulejos azuis e brancos que cobrem tantas igrejas da cidade”. Sim, sim: “yuk-yuk-yuk (…) hahaha”.

 

Em inglês, parsnip

Em Portugal chama-se “cherovia” e às vezes “chirivia”, principalmente na Beira Baixa. Há ainda quem lhe chame “pastinaca” ou “pastinaga”.