As listas sempre foram um problema para os partidos. Em especial para o PSD.
No caso de listas de deputados a coisa repete-se legislatura após legislatura. Como com o mal dos outros podemos todos bem, vamos cingir-nos ao caso do PSD de Manuela Ferreira Leite.
A escolha da líder é clara. Mantendo a tradição, desrespeitou o espírito da lei colocando barões de Lisboa e do Porto a liderar listas na parvónia. Fazendo de conta que não é nada com ela, esqueceu as sábias palavras de Marques Mendes (que classificou domingo, em entrevista à Agência Lusa, como “uma vergonha” para a democracia e uma “atitude chocante” para o comum dos cidadãos que políticos acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes graves – como corrupção – “possam impunemente ser candidatos a eleições”) e lá colocou dois ou três elegíveis com processos às costas – só faltou o Arlindo Carvalho para compor o ramalhete.
Em suma, Manuela Ferreira Leite acabou de desiludir alguns militantes e, certamente, inúmeros potenciais eleitores. Ao colocar António Preto nas listas, Manuela Ferreira Leite deu um sinal de recuo. Um estranho recuo. Mesmo acreditando que António Preto é inocente (e é até sentença transitada em julgado) o mais indicando seria não colocar este militante e esperar pelo fim do processo mantendo uma filosofia que ela defendeu até hoje e era exactamente neste ponto que poderia marcar a diferença para com Sócrates. Ao colocar ilustres nos locais mais estranhos e, simultaneamente, vetar o nome do seu principal adversário interno, regressou ao pior do aparelhismo, ao mais baixo e trágico da política rasteirinha a que nos habituamos mas que, com ela, acreditamos estar arredado do Partido Social Democrata nos próximos anos.
Ao seguir esta via, mostrou que é mais do mesmo, que faz exactamente aquilo que criticou aos seus antecessores. Sendo mais do mesmo, não serve.
Lamento.
















Recent Comments