Desonestidade Intelectual

COMO SE FORA UM CONTO

A desonestidade grassa por aí. Faz parte da vida dos nossos dias. Olhando bem, a intelectual é talvez a que mais se nota.

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Nestes dias da visita do Papa a Portugal, muitos, demasiados, previram que os Portugueses iriam demonstrar uma indiferença e um afastamento enormes.

Previsões erradas e desprovidas de bases seguras, no entanto afirmadas e reafirmadas como verdades absolutas.

Às mesas dos cafés, nos locais de trabalho, nos blogues, nos jornais, nas televisões, em tudo quanto é sítio e lado, têm sido inúmeros os ditos jocosos, a chacota e os disparates, de muitos que se dizem agnósticos, ateus, laicos e sérios. A tentativa frustrada de desmotivação das pessoas, e a sobranceria e intolerância das suas opiniões só pode ser considerada patética. O ódio tem estado patente em muitas das palavras proferidas.

Esquecem, porque não sabem ou porque sabendo é «bem» dizer mal dela, o que é a Fé.

Convivem mal com o sublime e a excelência.

Desprezam com arrogância os valores que chamam à paz, à verdade, à tolerância, ao perdão, à esperança, à alegria, à beleza, ao amor ao próximo e à solidariedade.

Vivem em constante crise interior, de que se não dão conta.

Esquecem o povo, anónimo, que não liga ao diz que disse, que não se julga intelectual, que não tenta influenciar opiniões, nem se considera mais culto ou sabedor que o parceiro do lado, mas que na sua enorme sabedoria sabe destrinçar o essencial do acessório, e sabe que a Fé é um esteio seguro que ajuda à serenidade que permite ultrapassar  os sofrimentos do dia-a-dia, ajudando à construção de uma comunidade de Paz.

Este Papa não é um brilhante comunicador, e vive tempos conturbados no seio da igreja e no mundo. Perde ao ser comparado com o seu antecessor, homem da teatralidade e da comunicação. Mas, sendo um homem da cultura, da música e do sorriso, fala só do essencial, e vai conseguir levar os seus propósitos a bom termo.

Bem-vindo Bento XVI.

Comments


  1. Andei por Lisboa, percorri todos os lugares do percurso e o que observei foi uma cidade com vontade de receber, afável e nada belicosa. Das manifestações com panos, de rua, preservativos, nada vi, embora a comunicação social fosse atrás delas. O que vi e senti foi uma praça do Comércio repleta, milhares de vozes em uníssono e um espírito de comunhão muito forte. Para os ateus a sério, a imagem da praça cheia de gente, segundo eles, ignorante e fanática (vi lá jornalistas, actores, escritores, etc) deve ter sido uma azia. Mas por muito que se faça aqui, na internet, uma campanha de destruição, dificilmente se consegue derrotar a Fé..

  2. Luis Moreira says:

    Há uma esmagadora maioria de portugueses que são católicos. É a única certeza que temos e a única que conta quando recebemos o Papa. Faz toda a diferença e Fátima recebe todos os anos 7 milhões de peregrinos/turistas.

  3. Alberto says:

    CEM por cento de acordo.
    Esta gentinha que pensa que é intelectual e que todos os outros são uns zeros, está a levar uma enorme lição e uma grandessíssima banhada.
    Se fossem pessoas capazes e decentes, ao menos mostravam-no dando a mão à palmatória, vendo os exemplos de cidadania , de respeito, de ordem e de tolerância que todos têm dado. Se não lhes chegou ver a recepção que foi a enorme multidão de gente boa no Terreiro da Paço, fossem ver o que foi a recepção pela Cultura Nacional no CCB. Um País inteiro a parar para ver e ouvir um Homem, o Papa, o Sumo Pontífice. Não é todos os dias que se tem água desta fonte à descrição e à mão. Sendo como dizem que são pessoas inteligentes, pelo menos estavam calados, punham os aventalinhos e iam tratar dos seus mesquinhos assuntos.
    Deixem a Paz em paz, a tolerância, a caridade, a Luz tratar de si e de quem mais precisa.
    Respeitem quem nada de mal vos fez e aprendam as lições que vos são dadas gratuitamente e com todo o gosto.

  4. maria monteiro says:

    Senhor Alberto, devia ter estado hoje na Avenida da Républica entre as 15h50 e as 16h20 para ver e ouvir o que são “lições dadas gratuitamente e com todo o gosto”. Eu estive lá e até vi o Papa e ele viu-me “olho no olho” mas, mas há muitos mas para bem do bem parecer


  5. A Maria Monteiro, que eu começo a duvidar que exista tal qual quer fazer «parecer-se», disse num comentário anterior, muito atrás, que era católica, mas não se revia neste Papa. Porém, a sua fidelidade a comentários «contristas», suscita estranhas conclusões. Afinal, cara Maria Monteiro, é ou não é católica? É ou não é religiosa?

  6. maria monteiro says:

    ai ai ai ai isso nem ao papa confesso

  7. João Paulo says:

    Se calhar nem é Maria Monteiro. Deve ser Mário Montado.

  8. Luis Moreira says:

    Eu também estive na av. da república (não me deixaram passar…) e vi o Papa e uma multidão ao longo da avenida.

  9. Nightwish says:

    “não tenta influenciar opiniões, nem se considera mais culto ou sabedor que o parceiro do lado, mas que na sua enorme sabedoria sabe destrinçar o essencial do acessório, e sabe que a Fé é um esteio seguro que ajuda à serenidade que permite ultrapassar os sofrimentos do dia-a-dia, ajudando à construção de uma comunidade de Paz.”
    Deve-se estar a esquecer dos debates sobre aborto, eutanásia, casamento homosexual, divórcio, e muitos outros.
    Mas eu gosto muito deste papa, não há ninguém que tenha afastado tanta gente da igreja como ele.

  10. maria monteiro says:

    Luís, então andámos pelos mesmos sítios papais. Eu tinha o carro no parque junto ao hospital, tínhamos ido almoçar ao Campo Pequeno e depois ajudar a Madeira fazendo umas comprinhas no Sá. De regresso ao carro (às 17h teríamos que estar em Odivelas). já não deu para atravessar a rua e… estava muita gente descontente… naquela zona ninguém estava ali para ver passar o papamóvel mas sim porque estava retida por uma autoridade também já cansada de tanto aparato. Para nós terminou hoje esse tormento mas eles lá terão que ir para o Porto.

    • Luís Moreira says:

      Pois foi, eu estava na esquina do outro lado, tinha passado pelo hospital e vinha a pé para casa.


  11. Meu caro senhor/a Nightwish,
    Quando lemos um texto e o queremos comentar, convém sabermos perceber o que lemos, e não misturar alhos com bugalhos.
    De qualquer forma, obrigado pelo seu contributo.

  12. Nightwish says:

    Eu percebo e discordo. É querer fazer algo belo da organização mais hipócrita da história. É querer fazer de conta que as pessoas se associam por alguma razão que não seja que foi o que lhes impigiram.
    Mas até aí eu limito-me a rir. Mas quando também vêm fazer de conta que não se metem na minha vida e na vida de quem não os ouve, aí sobe-me a pimenta ao nariz.


  13. «Organização mais hipócrita da história». Pensei que isso fosse a soma das relações humanas. Bem, importante seria que as pessoas criassem perfis com a identidade verdadeira e assumissem as suas posições verticalmente e de cara lavada. É um pouco frustrante discutir assuntos com quem atira argumentos às vezes estapafúrdios e depois se esconde atrás de nicknames, etc. Infelizmente a ética ainda não chegou à internet.

  14. Nightwish says:

    Que diferença é que lhe faz saber que o meu nome é Paulo Marques? Diz-me muito mais o meu bonequinho, que significa que o email foi validado e que sou o mesmo Nightwish com o mesmo bonequinho que aparece noutros lados.
    Quanto a organização hipócrita, olhe, as crusadas e a promoção da paz ao mesmo tempo, a acumulação de riqueza e a exaltação da dar o que não é necessário, a compaixão só por quem acredita na mesma coisa, a crença na vida excepto se para continuar a viver se tiver que usar preservativo…
    Tantas e tantas coisas.

  15. maria monteiro says:

    «Afinal, cara Maria Monteiro, é ou não é católica? É ou não é religiosa?» pois é Maria dos Remédios se quer saber tem remédio… veja o video e pense

  16. Dario Silva says:

    Continuo sem perceber a relação entre fé, religião e Ratzinger. Espero não estar a ser intelectualmente desonesto mas não me revejo “espiritualmente” nem na figura do pároco da minha aldeia, nem do bispo, nem do Cónego Melo, nem do Ratzinger.

  17. Ricardo Santos Pinto says:

    JP, se tivesses participado num dos convívios do Aventar – pelo menos um – saberias quem é a Maria Monteiro e até conhecerias a sua família.
    Nada justifica, num país que se diz desenvolvido, dar tolerância de ponto por causa da vinda de um Papa. Quanto ao resto, não tenho qualquer problema que venha e que milhões de pessoas o vão ver. Que se besuntem com el e que sejam muito felizes.
    Sendo ateu, acabo por ser muito mais cristão do que muitos católicos que andam por aí.


  18. Birds of a feather flock together…

  19. Zé Silveira says:

    Maria Monteiro, pessoa falsa, personalidade dupla, completamente desiquilibrada, vive unicamente para semear a discórdia. Está sempre do contra. Católica não é, finge que é. Cristã?? poderá até ser, mas católica não é. Não está em comunhão com o Santo Padre, não está em comunhão com a Igreja, discorda com tudo e com todos, portanto não é católica. Meteu-se pela igreja adentro mas sente-se que tem raiva e profundo desprezo por tudo o que é sagrado.


  20. Conheci a Maria Monteiro num almoço. Excelente Senhora, de esmerada delicadeza e educação. Surpreendeu-me ao oferecer-me um livro sobre a fé, sabendo-me ateu. Não é nada difícil encontrar um ateu, até porque, segundo li algures, mais de metade da humanidade é ateia. Simplesmente quem é ateu não anda para aí a berrar que o é. Mas não é fácil encontrar uma mulher ou um homem com esta sabedoria e inteligência da Maria, capaz de distinguir e separar a sua fé da pouca vergonha de uma organização que se diz dona da fé. Por isso esta tentativa de desconsiderar a Maria, por parte de pessoas incapazes de entender o discernimento e a dignidade dos outros.


  21. «Não é nada difícil encontrar um ateu, até porque, segundo li algures, mais de metade da humanidade é ateia. Simplesmente quem é ateu não anda para aí a berrar que o é.»
    A outra metade é do benfica?
    Caro Adão, toda a gente tem direito à sua opinião.
    Eu não tenho problema com ateus, confesso que não compreendo a posição de muitos, como é o seu caso, porque todos os ateus que conheço, embora não seja muitos, são cordiais e não sentem a necessidade de militar ou lançar-se numa cruzada contra a Igreja, como faz, aqui o Adão, o Ricardo ou o Dario. Vivem a sua vida, pronunciam-se quando assim o consideram e isso é que faz da nossa relação uma relação de tolerância.
    Pelo contrário, aqui, nos seus escritos e no dos seus congéneres só vejo arremessos de ódio. Se é assim que pretende educar, pela violência e pelo desrespeito, perde toda a razão.
    Mas é a minha opinião e, com certeza, ao seus olhos não vale nada…
    Quando à D. Maria Monteiro, nunca aqui li um comentário cristão, benevolente ou tolerante em relação aos católicos ou aos religiosos. Se tem algum tipo de espiritualidade e se, efectivamente é quem diz ser, lamento que viva uma tal perturbação interior. Espero que encontre a paz interior que todos nós, crentes ou não crentes, necessitamos para singrar individual e colectivamente.

  22. Dario Silva says:

    Volto a colocar a questão: qual a relação entre fé e religião, entre fé e hierarquia?
    Esta fé tem alguma coisa a ver com a conivência ou até incentivo da Igreja (a tal da hierarquia) na maioria das guerras que atravessámos?
    Em nome de Deus… contra os infiéis, etc etc… isso é fé?


  23. Bem, para responder a isso deve ler Webber, Jung, por exemplo e todos filósofos, Dario. Até os gregos que tratavam os deuses por tu tinham intermediários. E quanto à relação entre fé e religião, a mesma coisa…a Fé é a «fides», o compromisso entre o indivíduo e a entidade. Pode é querer dizer que a fé para si é a expressão «força de vontade», mas isso nada tem a ver com religião embora, como sabe, se reduzirmos tudo ao asseptismo biológico o que conhecemos das potencialidades do cérebro apenas nos permite explicar uma ínfima parte do nosso domínio sobre nós próprios. O «em nome de Deus» é muito semelhante à arrogância ateísta que fala em nome da humanidade, confesso. São duas expressões com as quais não concordo.

  24. maria monteiro says:

    A Maria sou eu que lembro ao senhor Zé Silveira e Nuno Resende como D.José Policarpo terminou uma homília nos Jerónimos em 2002 “os grandes combates pela implantação do reino de Deus travam-se em público, com todos os meios humanos ao nosso alcance, mas a vitória decide-se em segredo, no silêncio da nossa fidelidade adorante”


  25. Nuno Resende :
    Bem, para responder a isso deve ler Webber, Jung, por exemplo e todos filósofos, Dario. Até os gregos que tratavam os deuses por tu tinham intermediários.

    E isto significa que tenho que subscrever todas as posições belicistas da Igreja em que me batizaram? Posso ser apenas ignorante ao não me recordar de um único momento nos últimos 20 séculos em que a Igreja (a hierarquia) tenha sido a imagem do exemplo de Cristo. Cristo, para quem acredita no que está escrito, nunca escravizou ninguém, nunca agrediu seminaristas, nunca viveu no fausto à conta da miséria do povo, nunca fez guerra nem mandou fazer guerra aos diferentes. Cristo, e novamente para quem acredita, nunca mandou fazer guerras em seu nome.
    É um pouco como a nossa história expansionista: vamos propagar a fé cristão… nem que para isso tenhamos que matar e escravizar os povos infiéis. Em nome da “fé” (uma fé em um deus) a tal “Igreja” dos ricos já queimou muita gente na fogueira em Autos de… Fé!
    Cristo, anda cá abaixo ver o que fazem em teu nome…


  26. Não tem que subscrever posições nenhumas, como eu não subscrevo todas as posições da Igreja Católica e, como humano e cidadão, não subscrevo as grandes matanças do século XX que foram em nome do Super Homem – Hitler e Estaline, apenas para citar os mais facínoras.
    E quando à imagem de Cristo, pobrezinho, não violento, a-político é uma ideia franciscana, muito bonita, mas incorrecta. Cristo não foi um agressor, mas também não foi um adepto da não-acção. E quanto à pobreza, devo recordar que pertencendo à Casa de David não seria um indigente. Mas o que é interessante no cristianismo é que criou uma ética sobre a herança semita e a estrutura romana. E foi essa ética que singrou através da evangelização, infelizmente adulterada em períodos candentes do Ocidente – quando a Igreja foi usada. Sim, porque a ideia de uma Igreja política, usurpadora, que sempre usou a humanidade, – os líderes e o povo – é falsa. Se usou foi muitas usada. Muitos leigos falaram em nome a Igreja.
    De resto embora a Igreja, além da oração, não use a expressão em nome de Deus, muitas outras a usam, como os muçulmanos, os hindus, etc.
    E aqui faço só um parentesis: alguém sabe, por exemplo, qual é a opinião de SS Dalai Lama sobre o aborto e a homossexualidade? Se soubessem, talvez se espantassem… infelizmente estamos cada vez mais redutores na nossa visão do mundo e na nossa capacidade para aceitar as diferenças.


  27. Nuno Resende :

    De resto embora a Igreja, além da oração, não use a expressão em nome de Deus, muitas outras a usam, como os muçulmanos, os hindus, etc.

    Daí a minha insistência em separar Fé de Religião de Igreja. Sinceramente, vejo poucas ou nenhumas evidências históricas de que sejam coincidentes.


  28. Dario, pelo simples facto de, das duas uma, ou é um xamã e entra em transe e fala por deus, ou então o que tem não é fé, é uma auto-estima incomensurável!
    Não há fé sem uma espiritualidade concreta, embora o possa haver sem hierarquia. Mas o Dario está a querer subverter uma ideia que não faz sentido que é a possibilidade de ser um fiel Cristão sem pertencer a uma uma Igreja. Fiel apela à fidelidade. Ou aceita os ritos, executa-os, compreende-os; ou conhece o Evangelho (e aí já está a participar na comunhão) e reconhece a divindade de Cristo e, nesse caso, já integra, de certa forma uma Igreja. Se venerar por si, apenas, Cristo, é idolatria. Mas não deixa de ser uma «devoção organizada».


  29. Nuno Resende :

    Não há fé sem uma espiritualidade concreta, embora o possa haver sem hierarquia.

    Era aqui que eu queria chegar. Nao preciso de fita-cola ou cimento para me ligar a deus (qualquer deus que seja).
    Não preciso do middle man nem preciso de cumprir cruzadas homicidas em nome de deus (qualquer deus que seja). E se fé implica fidelidade, fidelidade a quem? – a “deus” ou a uma hierarquia que tudo tem feito ao inverso dos seus ensinamentos?

  30. maria monteiro says:

    Senhor Zé Silveira o senhor é mesmo o bom exemplo do que é ser cristão
    Bem-haja por tamanha bondade que afasta tanta gente da Igreja


  31. Amigo Nuno Resende, ao contrário do que pensa, tenho consideração pela sua opinião e pela opinião de toda a gente séria e sensata, o que não é o caso de muitos dos comentadores que por cá aparecem. Como diz o Dario, qual é a relação entre fé e religiâo? Não é possível haver fé, estando contra a religião que se arvora na dona e patroa da fé? Se o Nuno Resende se der à chatice de reler os meus textos, há-de reparar que eu não me insurjo contra os crentes, seja no que for, mas tenho todo o direito de me insurgir contra qualquer crença que eu entenda, embora não seja isso que vai encontrar como predomínio nos meus textos. Insurjo-me, isso sim, contra a igreja e a religião católica como veículo social de muitos crimes, mentiras imperdoáveis, e muitos padrões nefastos à sociedade, segundo o meu entendimento e os meus conhecimentos. Insurjo-me contra um fenómeno social que, no meu entendimento é um cancro para o desnvolvimento da humanidade, Não fenho o direito de criticar a “fé dos crentes”, nem o faço. Tenho, no entanto, todo o direito de discutir filosoficamente a fé. Fala o amigo em paz interior. No meu caso pessoal, a minha paz interior é muito grande e estável, e só consegui encontrá-la a partir do dia mais feliz da minha vida, que foi aquele em que me senti, de profunda consciência, rigorosamente ateu. Isto é, a partir daquele dia em que consegui despir o último trapo da suja roupa com que a igreja foi vestindo a minha mente e o meu pensamento desde criança. Se houvesse tribunais e houvesse justiça para estes casos, muito grande teria de ser a indemnização que a igreja teria a pagar-me. Tenho uma família maravilhosa, que engloba irmãos, filhos, netos, sobrinhos, uma família maioritariamente ateia, feliz e e cheia de paz interior, tenho um enorme rol de amigos, a maior parte ateus, mas também não ateus, a quem muito considero e que me parecem das pessoas com mais paz interior que conheço. Para terminar, não conheço profundamente a Maria, mas pelo que disse atrás, não me perece em nada viver qualquer perturbação interior. Parece-me até muito calma e positiva nas suas intervenções.


  32. Dario,
    A hierarquia não é apanágio das religiões, lembre-se disso. O seu pensamento é incoerente. Se acredita em Deus, mas não aceita a religião católica, não vejo porque tenha de ser preocupar com ela. As religiões fundamentam-se nos seus fiéis. Eu, como católico, quero ajudar a mudar a minha Igreja. Se não fosse crente, ou católico, marimbar-me-ia para a Igreja ou para as outras. É por dentro, participando, que alteramos o sentido das comunidades, não é por fora. E é por isso que muita gente se esquece que o verdadeiro sentido da democracia não é a possibilidade de votar e delegar nos políticos a nossa vida, mas participar na democracia. Ora, só participamos nela se nos reconhecemos como cidadãos (de cidade, a pólis onde os gregos geriam os seus destinos colectivos). Se não é católico ou diz que é católico não participante, então isto nada lhe diz. Mas continuo sem compreender os seus ataques que, de resto, se abalançam sempre na História. Ninguém fala na actividade presente da Igreja, na sua
    actividade caritativa de apoio a doentes, idosos, pobres. Ninguém fala no património à guarda da Igreja ou do Estado (77 por centro da arte e da arquitectura em Portugal é de teor religioso/cristão). Só falam nas Cruzadas, na Inquisição. Na Inquisição, nas Cruzadas. Inquisição e Cruzadas. Tantos historiadores que o país tem! É por isso que a nossa classe é tão desapreciada…
    O Adão é um militante. É mais crente do que alguns crentes. Se o ateísmo fosse uma religião (e não está longe disso) o Adão seria um fervoroso devoto. Mas devo respeitá-lo por isso. Ao menos é alguém de convicções, enquanto a sociedade oscila entre a inconstância dessa sim, arrebatadora religião das massas que é o futebol, e a veneração da beleza e do prazer efémero.


  33. Nuno Resende :
    Dario,
    A hierarquia não é apanágio das religiões, lembre-se disso. O seu pensamento é incoerente. Se acredita em Deus, mas não aceita a religião católica, não vejo porque tenha de ser preocupar com ela.

    Porque as festas da hierarquia (que não da fé eventual de cada um) são pagas com o dinheiro dos meus impostos. Afinal, o Estado é laico…

    “Ninguém fala na actividade presente da Igreja, na sua
    actividade caritativa de apoio a doentes, idosos, pobres.”

    Pois, disto não falei. A minha intervenção prendeu-se com outros aspectos. Porque em outras “religiões” (cá e lá fora), os fiéis também praticam a caridade, etc… só não vi ser dada tolerância de ponto quando cá veio o Dalai Lama.

  34. maria monteiro says:

    Senhor Nuno Resende, obrigada por andar a ler todos os meus comentários, embora não tenham sido muitos devem ter dado algum trabalho. A paz interior encontrei-a em miúda quando ia passear para a baixa e entrava em Igrejas vazias, a paz interior cresceu por entre católicos progressistas no tempo da outra senhora, a paz interior não me larga mesmo quando se encontram amarguras dentro da comunidade católica.

    “É por dentro, participando, que alteramos o sentido das comunidades, não é por fora”
    Quem dera caro Nuno Resende mas é um osso demasiado duro de roer

    Não vou em multidões… basta-me andar por aí … olhar, conversar com as gentes … aparece sempre uma brisa suave que me faz estar em paz e … fazer ir por ali

  35. maria monteiro says:

    Adão o que me falta mesmo é beber um copo de vinho à refeição e… a felicidade é completa
    Abraço
    Maria

  36. maria monteiro says:

    vamos lá a um comentário de ataque … como Dalai Lama é um Prémio Nobel da Paz (e nem sequer estava previsto ser recebido pelo governo e pelo PR) não houve tolerância de ponto porque… damos pouca importância à paz


  37. maria monteiro :
    vamos lá a um comentário de ataque … como Dalai Lama é um Prémio Nobel da Paz (e nem sequer estava previsto ser recebido pelo governo e pelo PR) não houve tolerância de ponto porque… damos pouca importância à paz

    Maria, isso tem mais a ver com a China não curtir a pessoa do Dalai Lama. E, como na Terra, acima de Cristo temos ist$$$$$$$, fica explicado.


  38. Caro Nuno, aí é que você se engana, entrando e deitando mão de um velho lugar-comum, pouco compatível com a sua inteligência, que presumo elevada. Eu não sou militante de nada, nem tenho qualquer tipo de crença, nem nunca terei. Eu sou um utente, extremamente interessado como ser vivo da humanidade, da minha razão. Eu sou o estado da minha razão. Eu não tenho que provar nada, eu não tenho que “crer” nada. A palavra ateísmo foi inventada, não pelos ateus, mas pela igreja. Não há nenhuma palavra para definir quem não crê na alma, não há nenhuma palavra para definir quem não crê no Universo, não há nenhuma palavra para definir quem não crê no pai natal, não há nenhuma palavra para definir quem não crê na neurobiologia do pensamento, não há nenhuma palavra para definir quem não crê no diabo, não há palavras para definirem tantas coisas importantes que se é ou não é, mas há uma palavra corrente, banal, para definir quem não acredita em deus. Há “ateísmo”, palavra indispensável à igreja para definir, concretizar, localizar e tentar fechar num campo de concentração o que ela considera o seu principal inimigo. Caro Nuno, se alguém tem de provar alguma coisa é a igreja, não é o ateu.


  39. Dario
    Continua a ser incoerente e a fugir ao verdadeiro assunto.
    Adão
    A meu ver a Igrejas, as Igrejas (geralmente os não crentes militantes, ou ateus, só tem um único inimigo, que é a Igreja Católica, embora exista uma multiplicidade de credos) não têm de provar nada. A essência da fé não é a prova, é a busca, é o caminho. Se buscarmos a prova, crentes e não crentes, estaremos exactamente no mesmo patamar do conhecimento. Ou acha o caro Adão que tem provas da não existência de Deus?


  40. Nuno Resende :
    Dario
    Continua a ser incoerente e a fugir ao verdadeiro assunto.
    Adão
    A meu ver a Igrejas, as Igrejas (geralmente os não crentes militantes, ou ateus, só tem um único inimigo, que é a Igreja Católica, embora exista uma multiplicidade de credos) não têm de provar nada. A essência da fé não é a prova, é a busca, é o caminho. Se buscarmos a prova, crentes e não crentes, estaremos exactamente no mesmo patamar do conhecimento. Ou acha o caro Adão que tem provas da não existência de Deus?

    Ao contrário do que sugere a propósito do Adão, eu não pretendo provar a existência ou não de deus (qualquer deus). Reforço a minha ideia anterior, e não lha quero impôr: não vejo obrigatoriedade de relação entre a fé de cada um, religião e “igreja” (qualquer que seja).
    Assim como não vejo que a Igreja (especificamente a católica romana) tenho superioridade histórico-moral para que me mereça particular confiança. Pelo contrário.

    Como o Adão, nada tenho contra a fé, nada contra os crentes de qualquer credo, de qualquer coisa que seja. Olhe, acabei de receber aqui em casa um Testemunha de Jeová, uma simpática senhora que me visita amiúde. De mim já sabe que não leva nenhuma “conversão”. Mas continuamos amigos.


  41. Dario,
    Não vê relação, mas não consegue explicá-lo. É teoria ex-nihilo. E chegamos a uma aporia, pois eu não compreendo a sua posição. Não entendo mesmo o que quer dizer, só isso. Se não tem nada contra a fé, tem, pelo menos, contra a Igreja e isso parece-me um preconceito o que, para alguém como Dario, não deveria existir (o princípio é mesmo: se uma pessoa de cor é discriminada, um padre ou um católico não o serão também?). Se a Igreja Católica não lhe merece confiança, tem bom remédio…felizmente ninguém é obrigado a professar uma religião. Bom, somos, a do Estado, que nos obriga a participar nas liturgias cívicas e ritualistas e nos cobra um dízimo bem pesado. Mas fora isso, ninguém o obriga a ser Católico. Mas já aqui gostaria de distinguir entre os que não são crentes ou ateus, ou agnósticos, e os que são bem educados e honestamente intelectuais, pesando o que de bom (não só o que de mau) a Igreja trouxe à Humanidade. E não pode dizer que foi tudo mau. Eu quando ouço Bach, ou contemplo as obras de Bernini ou Miguel Ângelo não sou louco para pensar que cada um deles era um fanático religioso e que as suas criações foram em vão. São criações espirituais e para isso foi preciso fé e uma hierarquia que promoveu o mecenatismo, legando ao Mundo obras de arte incomparáveis. Se tudo aquilo tivesse sido feito por ateus ou num mundo sem deuses seria menor ou sem o significado que tem? Não sei…mas para uma obra de arte ser imortal deve haver espírito na sua execução.
    Por isso, mais do que os ataques primários à Igreja Católica, que não passam disso mesmo, ataques primários, sem nexo, gostava que pudéssemos discutir a Fé, a Religião, as Igrejas no mesmo plano de bom senso e tolerância que se exige nos dias de hoje aos homens de bem.


  42. Nuno Resende :
    Dario,
    Não vê relação, mas não consegue explicá-lo.

    Nao, não vejo relação.
    Não vejo que tenha que existir relação entre a fé e a “igreja”, nomeadamente esta igreja com séculos de continuadas “boas práticas”. Não queria aqui dizer que não percebo como pode a “igreja” (a hierarquia) dormir o sono santo ao insistir em dar cobertura a crimes – confessados, aliás – contra a infância. Crimes confessados sobre os quais se pede desculpa e a vida continua.
    Crimes sobre os quais não houve (haverá no futuro?) um julgamento justo e objectivo, nem num tribunal eclesiástico (e porque razão os crimes contra a infância seriam julgados aí?) nem num tribunal civil.

    Estou a falar de crimes contra a infância.

    Lhe garanto que se os factos confessados respeitassem o meu filho, os mesmos não ficariam sem consequência.

    Há crimes sem perdão. E, nisso, a igreja (a máquina montada) tem sido hábil em disfarçar, não lhes diz respeito. Em nome de deus tudo se permite… até crimes contra a infância. É disto que estou a falar. E isto nada tem a ver com fé, deus ou religião. Isto é o encobrimento de crimes.

    Em nome de deus?

    F………

  43. Nightwish says:

    “e a Igreja Católica não lhe merece confiança, tem bom remédio…felizmente ninguém é obrigado a professar uma religião.”
    Não, é obrigado a dar-lhe benefícios fiscais, a levar com a influência nas leis, com as cruzes em todo o lado, com os milhões gastos na vinda do papa. Tal como os africanos morrem porque a igreja não gosta que as pessoas tenham sexo por isso não promove o preservativo.
    O deus católico, tal como os outros, claramente não se importa com as pessoas. Por isso é-me um bocado indiferente se existem ou não, não lhes vejo moral nenhuma para exigir o que lhes apetece. Antes morrer a obdecer-lhe.


  44. Caro Nuno, só para terminar. Eu tenho uma razão. Eu não tenho provas da inexistência de deus, nem preciso delas porque não fui eu que o criei.


  45. Adão Cruz :
    Caro Nuno, só para terminar. Eu tenho uma razão. Eu não tenho provas da inexistência de deus, nem preciso delas porque não fui eu que o criei.

    Eu também não preciso de provas. E também não fui eu que o criei 🙂

    Dario e Nightwish: se repararem eu não discuto razões devidamente fundamentadas, pelo simples facto de que são apenas opiniões, considerações vãs que não permitem o diálogo, nem estimulam a criação.


  46. Nuno Resende :

    Adão Cruz :

    Dario e Nightwish: se repararem eu não discuto razões devidamente fundamentadas, pelo simples facto de que são apenas opiniões, considerações vãs que não permitem o diálogo, nem estimulam a criação.

    Poderei estar equivocado, poderei ter percebido mal.
    Eu falei de crimes contra a infância, não teci considerações vãs que não permitem o diálogo nem estimulam a criação. Crimes sem castigo mas com o perdão do chefe do gang, perdão, da hierarquia auto-instaurada da igreja.

  47. Nightwish says:

    As opiniões não estimulam a conversa? Você não deve falar de filmes ou de livros então.


  48. Dario,
    Não vá por aí. Não deixe que a admiração que nutro por si, por ser, como eu, um amante dos caminhos de ferro, ir por água abaixo. A serenidade e a temperança são duas virtudes que deviam caracterizar todos os homens de bem.


  49. Nuno Resende :
    Dario,
    Não vá por aí. Não deixe que a admiração que nutro por si, por ser, como eu, um amante dos caminhos de ferro, ir por água abaixo. A serenidade e a temperança são duas virtudes que deviam caracterizar todos os homens de bem.

    E, ja agora, honestidade intelectual, porque o post é sobre isso. E as minhas propostas de debate continuam sem comentário. E eu não quero, repito, misturar fé, religião com banditismo e a inocentação de criminosos confessos só porque são, dizem eles apóstolos de deuas. É disto que eu estou a falar, só.


  50. Desculpe, Dario
    Mas o que menos encontro por aqui é honestidade intelectual, cultural, etc.
    Eu não defendo a desculpabilização de ninguém. Mas não sou fanático ao pedir a Pena de Talião ou confundir a árvore com o ramo.
    De resto até sou contra a pena de morte e acredito do perdão.


  51. Nuno Resende :
    Desculpe, Dario
    Mas o que menos encontro por aqui é honestidade intelectual, cultural, etc.
    Eu não defendo a desculpabilização de ninguém. Mas não sou fanático ao pedir a Pena de Talião ou confundir a árvore com o ramo.
    De resto até sou contra a pena de morte e acredito do perdão.

    Entao temos estado a falar de coisas diferentes.
    Eu também acredito no perdão!
    E se, desculpe a imagem, abusassem do seu filho?


  52. «E se, desculpe a imagem, abusassem do seu filho?»
    Eu acho que o Dario quer dizer
    «E se, desculpe a imagem, UM PADRE DA IGREJA CATÓLICA abusasse do seu filho?»
    Bom, mas sendo um padre, ou não pedia justiça. Como é claro. E eu espero que se faça justiça em qualquer caso de pedofilia, nos da Igreja Católica e naqueles em que a Igreja não teve responsabilidade. Como no caso Casa Pia. Ah, mas aí parece que é a Maçonaria que intervém, logo não se deve falar. Não é uma Igreja.


  53. Nuno Resende :
    «E se, desculpe a imagem, abusassem do seu filho?»
    Eu acho que o Dario quer dizer
    «E se, desculpe a imagem, UM PADRE DA IGREJA CATÓLICA abusasse do seu filho?»
    Bom, mas sendo um padre, ou não pedia justiça. Como é claro.

    Já nos começamos a entender, se calhar devíamos almoçar!


  54. Não não nos entendemos. Mas bom almoço para si.


  55. Nuno Resende :
    Não não nos entendemos. Mas bom almoço para si.

    Vou lanchar.


  56. Bom proveito.
    Mas se estiver por Santo Tirso evite os jesuítas. Apesar de serem deliciosos, ainda lhe caem mal.
    LOL.

  57. António Saraiva says:

    Pergunta o sr. Nuno Resende: “alguém sabe, por exemplo, qual é a opinião de SS Dalai Lama sobre a homossexualidade?”
    E qual é, já agora?

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