A Liberdade no Islão:

Quando olho para o que se passa na Tunísia e no Egipto fico moderadamente optimista. Um optimismo fundado no que vi e ouvi dos manifestantes muçulmanos em Londres, uma vontade genuína de Liberdade.

Ingenuidade minha? Talvez. O que querem, por exemplo, os muçulmanos egípcios e tunisinos que vivem em Inglaterra e que estavam na manifestação pelo fim das ditaduras no mundo árabe? O mesmo que os seus irmãos em França, na Alemanha ou nos EUA: uma vida melhor para os seus na sua terra. Sem entrar em grandes filosofias ou teorias políticas: querem comprar um bom carro, comer em restaurantes, ir ao cinema, ter um iPhone e navegar na internet. Querem ter aquilo que nós temos e que muitas vezes nem damos o devido valor tal a forma como o nosso estilo de vida se generalizou na nossa sociedade. Eles querem viver.

E esse querer, fundado na sua experiência de vida no mundo ocidental, deve-nos obrigar a ajudar a que assim seja e a melhor ajuda que podemos dar é a nossa abstenção construtiva. Ou seja, não interferir, não voltar a ter tiques imperialistas. O lado mais fundamentalista e radical do islamismo só pode ser combatido pelos muçulmanos moderados. É uma batalha entre irmãos, entre homens e mulheres do Islão. A interferência, constante, dos principais actores políticos ocidentais deu sempre asneira e prejudicou os moderados em favor dos radicais. Será que já aprendemos a lição da história?

Obviamente, o perigo de um assalto ao poder por parte dos radicais existe mas os jovens e as mulheres que protestam na rua contra a ditadura fazem-no por uma genuína vontade de mudança e um objectivo claro de liberdade e esta adquire-se lutando e perde-se se imposta de fora para dentro.

Comments


  1. Belo texto Fernando. É isso mesmo.


  2. Concordo. Ao mesmo tempo invejo esta verdadeira revolução democrática, embora lamente a perda estúpida de vidas jovens. São milhões e milhões de jovens num limbo sem futuro (lá e cá!) que inevitavelmente ergueram contra a tirania e a ganância mas, algo me diz que não faltará muito para termos uma fusão revolucionária entre os democratas muçulmanos e os democratas católicos e laicos de ambas as margens do Mediterrâneo.


  3. Há cerca de 10 anos fui impedido de sair do museu de história natural,em Londres,durante cerca de 30 minutos,pelo facto de estar a decorrer uma manif pró-islão radical no exterior,fortemente policiada.Espero que esse modo de estar tenha efectivamente mudado.


  4. É isso mesmo caro Fernando. Ter medo do fundamentalismo Islâmico no Cairo é, acima de tudo uma falta de respeito a todos os que lutam em Teerão.

    Nós que somos pela democracia, temos de apoiar TODOS os povos que lutem por esse ideal, sempre… se o fundamentalismo ganhasse no EgiPto (o que está muito longe de ser uma realidade) só tinhamos de continuar a apoiar os que, certamente iriam lutar contra ele.

    Teerão, Cartoon, Tunes e Cairo são palco da mesma luta: a luta pela Liberdade.

    O Fundamentalismo Islamico, o Marxismo Árabe e o Feudalismo do Golfo têm os dias contados, como mais ou menos sangue, com mais ou menos terror os povos vão alcançar a liberdade.

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