O Público e os empatas


esquerda_empata

Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor.

É só fazer as contas e verificar que, na amostra escolhida pelo Público, cabe ao PS a liderança no campeonato dos empates, mas o Público prefere não perder muito tempo a pensar nos títulos (ou já tem os títulos todos pensados). Faria, apesar de tudo, mais sentido, explorar a questão das divisões no interior da “geringonça”, mas o prato do dia, hoje, era outro.

Na versão online, devidamente fotografada mais abaixo, o título é mais gastronómico (“Esquerda deixa dezenas de propostas a “marinar””), mas a culpa é, outra vez, de uma esquerda indiscriminada, o que contraria, novamente, a ideia de que a imprensa está dominada por venezuelanos e cubanos e outros manos.

Relembre-se, mais uma vez, que David Dinis passou pelo Observador, um blogue caríssimo a fingir que é jornal. O Público está, portanto, em processo de observação, com o próprio director a revelar as típicas preocupações da direita que sabe fingir que os problemas económicos estão nos ordenados dos trabalhadores do Estado.

Subsidiariamente, note-se a escolha de palavras ou expressões a tender, no mínimo, para o pedestre, o que faz parte de um processo de tabloidização. Qualquer dia, quem quiser ser jornalista evitará trabalhar nos jornais.

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Comments

  1. Rui Naldinho says:

    “Relembre-se, mais uma vez, que David Dinis passou pelo Observador, um blogue caríssimo a fingir que é jornal. O Público está, portanto, em processo de observação, com o próprio director a revelar as típicas preocupações da direita que sabe fingir que os problemas económicos estão nos ordenados dos trabalhadores do Estado.”

    Já agora, acrescentar que foi do jornal Publico, que pé ante pé foram saindo muito dos cronistas que escreviam para jornal, dirigido na altura por Barbara Reis. A razão insinuada, quando não mesmo objectivamente declarada foi a orientação política do jornal, pois na óptica da referida gente este matutino estava a desviar-se do seu rumo inicial.
    Qual rumo? Aquele que é hoje seguido pelo Observador? Helena Matos, José Manuel Fernandes, Fátima Bonifácio, Vasco Pulido Valente, Rui Ramos, António Barreto (DN), e muitos outros que me escuso nomear, saltaram do Público para o Blogue Observador, essa folhetim da “Pós Verdade” neo liberal, cujas receitas tardam em pagar a aventura do Senhor Carrapatoso, ex PSD.
    Aqui há tempos, Ricardo Araújo Pereira numa das suas tiradas no programa “Governo Sombra”, afirmou, que David Dinis iria endireitar o jornal Público.
    Parece-me que devagarinho ele se encarregará de atingir os seus objetivos.
    Resta saber se o Público sobreviverá?

  2. David Dinis é um gajo competentíssimo a deixar jornais no vermelho.

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