ELEIÇÕES DE CAPOEIRA

ELEIÇÕES DE CAPOEIRA

O ridículo destas eleições domésticas sem ideias, projectos, sonhos e utopias enoja-me.
Este emaranhado de mentes obsoletas, desertificadas, desenraizadas de tudo cria em mim um tédio avassalador.
Esta indigência mental atrofia-me.
Esta capoeira, alheia á abrangência dos problemas do mundo, arranha-me o espírito.

Da infernal religião do mercado, dos rituais dos sacerdotes do poder, espalhados por todos os cultos reverenciais do dinheiro, em congressos de ética onde é notório o défice de moralidade, ou em cimeiras de repartição do que ainda resta do terceiro mundo, nada se diz.
Da perversão dos conceitos, inversão e anulação de valores, nada se fala.
Da descarada hipocrisia, nesta floresta de enganos e desvios, em que as grandes nações vendem a morte dos filhos da humanidade, nada se julga.
Da invenção e criação de organizações ditas humanitárias para lavar o rosto e as mãos das manchas de sangue, nada se comenta.
Da despudorada ingerência externa no coração dos povos soberanos ninguém quer saber.
Da submissão e prostituição da própria ciência perante os apetites do poder, ninguém se importa.
Do tenebroso domínio do poder económico sobre o poder político, do ameaçador “pensamento único” que tenta criar um homem desprovido de razão, vontade e emoções, ninguém fala.
Da arte e da cultura, consideradas supérfluas e perigosas ninguém se lembra.
Da ética e da dignidade, valores supremos do homem, ninguém se vale.

Aleluia, aleluia! Bem-aventurada a proliferação de falsos profetas que proclamam a morte das ideologias.
Aleluia, Aleluia! Bem-aventurados os homens com etiquetas de preço e comportamentos negociáveis.

Autonomia na Gestão Escolar

É consensual para todos os partidos políticos mas a forma de pôr a ideia em prática é diferente. O PSD quer atribuir a generalidade dos poderes de gestão e administração do projecto educativo às escolas.

O PS já só quer aplicar o novo modelo de organização e gestão das escolas, concentrado sobre as capacidades de contratação e gestão dos docentes e continuar a avaliação externa pela Inspecção-Geral da Educação, e quer descentralizar mais competências para as autarquias e encorajar maior corporação com outras instituições de formação e agentes sociais e económicos ( enfim, dá para tudo…)

O BE propõem-se descentralizar mas não querem colocar os directores da escola na dependência e ao serviço dos Presidentes das Câmaras e sem partidarização da gestão das escolas públicas.

O PCP manifesta-se contra a municipalização do ensino básico e acusa o governo de atacar os princípios da colegialidade e de eleição nos orgãos de gestão das escolas e defende uma nova Lei de gestão democrática.

O CDS quer menos Estado e menos poder asfixiante sobre as escolas e propõe mais contratos de autonomia.

Nós aqui no Aventar temos pugnado por uma escola autónoma o que é completamente diferente e bem mais ampla do que a mera gestão escolar.

O reyno do Chile


Napoleão no Chile? Engano meu? Velhice que engana o intelecto? Nem por isso. Napoleão Bonaparte andou por todos os sítios dentro e fora da Europa, em pessoa ou por meio de representantes. A França, por causa das guerras de Conquista de Napoleão, governava a Europa e decretou um bloqueio dos portos do Velho Continente para derrotar a Grã-bretanha e cercá-la pela fome. Até estar certo de ser obedecido, raptou o rei Bourbon, em Espanha, Carlos IV e o príncipe herdeiro, mais tarde Fernando VII. Nomeou o seu irmão José, Rei de Espanha entre 1808 e 1813, e entrou em Portugal para raptar os Bragança e dividir o país em três reinos. Mas os Bragança fugiram rapidamente para a sua colónia do Brasil, com D. João IV como rei e a corte toda, instalando a Capital do Império Português no Rio de Janeiro. Épocas e tempos em que todas a monarquias europeias tinham como escravos os membros do Novo Continente: trabalho sem pagamento, arrecadação de bens, vendidos mais tarde a outras colónias latinas ou metrópoles europeias a preço de ouro. Napoleão ditou um código em 1804 (1), que ainda nos governa, para criar igualdades entre governos centrais, cidadãos europeus nas colónias e crioulos ou filhos de europeus nascidos nos países dominados, esses apropriadores da terra nativa para seu proveito. Fernando de Bourbon derrubou no seu pais Calos IV que, no seu dourado exílio francês, passou a ser Fernando VII sem coroa, sem Estado nem colónias para mandar. As colónias, conforme o uso dos tempos, pertenciam às famílias reinantes.
No Reyno do Chile, essa parte da propriedade da família Bourbon, entre 1808 e 1813, sentiu-se sem ninguém para a governar. O representante da coroa teve de ouvir os intriguistas de sempre, todos esses bascos que tinham boas terras e fazendas, exportações de indústrias de curtumes, especialmente na região do Maule, cidade de Talca, o rim da aristocracia chilena durante esse anos – e ainda hoje: fazem-se chamar Talca, Paris e Londres. Cidade e região que explorou os proprietários da terra – o clã Picunche (que eu estudo), da etnia Mapuche, habitante do Chili de tempos sem memória e sem escrita. Para todos os proprietários com o nome com duas letras r no apelido (bascos), os Picunche eram os seus jornaleiros, denominados inquilinos que na língua da terra, o mapudungun, significa subjugados, como tenho definido no meu texto de 1998 (2). A escravidão tinha sido abolida no Chile nos anos 50 do Século XIX, eufemismo que continua até aos nossos dias: o inquilino trabalha as terras do proprietário, sem mais pagamento do que a entrega de alguma terra para sustento da família que a tem de trabalhar. Na época da conquista da terra do fim do mundo (3), os Mapuche, fossem Picunche, Huilliche, Mapocho ou Pehuenches, eram os livros dos invasores. Invasores desconhecedores do cultivo da batata, da beterraba, do milho e do trigo. Engrolavam os reais donos da terra, que dormiam em terra soterrada feita prisão, como tenho estudado nos arquivos dos jesuítas do Século XVII, que por bom azar encontrei escondidos ao pé das palmeiras da vila de Pencahue, Talca, Do que li, estudei e interpretei, com a minha equipa chilena, resultaram, pelo menos, cinco livros. Quem caia morto durante o trabalho, era de imediato enterrado numa finca destinada a cemitério, perto de Curepto, entre Talca e Linares, Vilas as duas. O terreno era denominado Huenchumali, a terra dos mortos, em mapudungum. Levei as crianças por mim analisadas para entender a história do país, escreveram textos, ainda comigo, em 1997, base de vários livros meus sobre crianças, especialmente o do ano 2000 (4).
O Governador em nome do rei da Espanha, o criollo (5) Dom Mateo de Toro e Zambrano, reparou um dia que não tinham Rei, convocou um Cabildo ou Concelho de Governo que o apoiava na gestão e declarou: Não há rei, não tenho direito a Governar. Dou-vos o bastão e o mando. Lá ficaram os membros do Cabildo a deliberar, escolheram o Conde como Governador, nesse dia de 18 de Setembro de 1810. Foi o dia da declaração da Independência. O Conde da Conquista faleceu em 1813, e um Consulado de três, foi criado para governar o país. Havia os que queriam Rei, os que queriam República e os do Governo por Cabildos. 100 anos durou o debate na base de Governos Presidenciais, eleitos por sufrágio aberto para os ricos. O povo não votava. O Consulado, presidido por José Miguel Carrera, mandou organizar um Congresso. Congresso bicameral, no qual o herói mais importante do Chile, Manuel Rodríguez Elroiza, foi membro. Um Manuel Rodríguez que, aquando da tentativa da Monarquia Ibérica retomar as sua colónias, não apenas ajudou a organizar o Exército Libertador, chefiado pelo recentemente aparecido agricultor, filho do Vice-rei de Espanha no Peru, Bernardo O’Higginns Riquelme, que com a colaboração da primeira República libertada, Argentina e o seu Ditador, o General José de San Martín, como participou na batalha travada contra as forças realistas, ganha por estas gentes do Novo Continente, que em 1818, ficaram livres dos espanhóis. Manuel Rodrigues organizou os montoneros ou resistência dentro do país que foram a base da liberdade, sempre pensada como realizada pelo exército chileno argentino.
Nesse ano de 1818, no sítio da derradeira batalha, Maipú, à entrada da Capital, a Nossa Senhora do Carmo foi jurada Padroeira do Chile. Até ao dia de hoje é dia livre e santo o dia da batalha de Maipú, 5 de Abril de 1818. O dia da Padroeira que em Castelhano é La Virgen Del Cármen, se comemora a 15 de Junho de cada ano, dia da sua primeira aparição no Monte Carmelo no Século VI, na Itália. Bernardo O´Higgings e José de San Martín juraram a La Virgen del Cármen, como a Padroeira dos chilenos. A seguir, O’Higgins foi declarado Director Supremo da Nação, governou até 1822, data do seu exílio pelo Congresso. Entregou as insígnias do mando oferecidas pelos Depautados, saiu nu de poder, enveredou para o seu cavalo, foi-se embora ao Peru e nunca mais voltou a pisar terras chilenas. Aos finais do Século XIX, em acto de reparação por parte dos poderes, o seu cadáver foi repatriado e preside, em Mausoléu, o Cemitério Geral, que ele fundara para os ateus como ele.
Chile foi Descoberto pelo Adiantado Mor Diego de Almagro em 1539. Nada interessante encontrou. O Extremenho e Capitão Pedro de Valdivia, a sua Companheira Inês de Suárez mais doze soldados e uma série de yanaconas ou nativos Quechua, persistiram e fundaram Santiago do Chile a 12 de Outubro de 1542.
O que comemoramos hoje é o dia de liberdade: esse primeiro 18 de Setembro de 1810: 199 anos de liberdade, uma República sempre em formação, como o eram também a Europa do mesmo Século e a fundação, por Karl Marx, da União dos trabalhadores em Londres, no ano de 1861. Mundos distantes, mas sempre o mesmo ensejo: sermos livres e sabermos optar.
Como é o Chile de hoje. Não pela Padroeira, mas sim pelos esforços livres dos seus habitantes na sua capacidade de optar.

1) O Código Napoleónico (originalmente chamado de Code Civil des Français, ou código civil dos franceses) foi o código civil francês outorgado por Napoleão I e que entrou em vigor em 21 de Março de 1804. O Código Napoleónico propriamente dito aborda somente questões de direito civil, como o registo civil ou a propriedade; outros códigos foram posteriormente publicados abordando direito penal, direito processual penal e direito comercial. O Código Napoleónico também não aborda como as leis e normas deviam ser elaboradas, matéria para uma Constituição.
Este Código, propositadamente acessível a um público mais amplo, foi um passo importante para estabelecer o domínio da lei. Antes, a lei era a vontade do Soberano – eis o motivo para designar o mona
rc
a – e o proprietário das terras retiradas aos nativos pelo chamado direito de Conquista, baseado no Direito Romano. O Código Napoleónico baseou-se em leis francesas anteriores e também no Direito Romano e seguiu o Código Justiniano (Corpus Juris Civilis) dividindo o direito civil em:
1. a pessoa
2. a propriedade
3. a aquisição da propriedade
A intenção por detrás do Código Napoleónico era a reforma do sistema legal francês de acordo com os princípios da Revolução Francesa. Antes do Código, a França não tinha um único corpo de leis, que dependiam de costumes locais, criando-se frequentemente isenções e privilégios dados por reis ou senhores feudais. Durante a Revolução os vestígios do feudalismo foram abolidos e os vários sistemas legais deram lugar a um único código. Entretanto, devido às agitações revolucionárias a situação não caminhou até à era napoleónica. Fonte: a obra de Ferdinand Braudel, o livro Tratado Elementar do Direito Romano, de Èugene Petit, 1ª edição, 1989 e as Institutas e Digesta do Código Civil do Imperador Justiniano, de 535 da nossa era, textos comigo em edições do Século XIX. O de Justiniano foi a base, como diz Petit, do liberalismo do Código de Napoleão, ditado por ele ao seu grupo de juristas entre 1801-1804. Motivo que o levou a expandir o liberalismo pelos quatro cantos do mundo.

2) Iturra, Raúl, 1998: Pedagogia do oprimido. As minhas memórias de Paulo Freire, em Educação, Sociedade e Culturas Nº 10, Outubro, Afrontamento, Porto, pp 83-108. Pode-se ler em: http://www.fpce.up.pt/ciie/revistaesc/ESC10/10-3-iturra.pdf .

3) Palavra Aimara que assim define o Chile ou Chili, enquanto para os Quechua do Peru, Bolívia e Equador , Chili é o país do frio. Fonte: as minhas pesquisas no Chile a partir de 1994, época em que, desde a Grã-bretanha e Portugal, voltei para estudar o meu país de origem.

4) Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo, Afrontamento, Porto, 150 pp.

5) Criollo no Chile desses tempos, eram os filhos de Ibéricos nascidos no Chile. Desde 1823 passaram todos a ser chilenos, por Decreto assinado pelo agora Director Supremo do Chile, o Libertador Bernardo O’Higgins, por Decreto que declara a Independência do Chile e cria a cidadania chilena para todos os que tenham nascidos dentro do limites da nova República, Decreto que passa a ser lei na Primeira Constituição de 1822. Relatado e analisado no meu livro Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, Profedições, Porto, 175 pp.

Cartazes das Autárquicas (Elvas)

elvas-PS
Rondão Almeida (actual Presidente), PS
elvas-PSD
António Simões das Dores, PSD.
(enviado por Maria Monteiro)

Ambiente – o desafio da UE

“As alterações climáticas envolvem ciência, economia e tecnologia. Porém, neste momento um acordo depende de decisões políticas. Precisamos de uma abordagem nova e precisamos dela rapidamente.” (Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico).

Este é o próximo desafio para a UE, não chega ver o Ambiente como troca entre países de produção de CO2 ou mesmo empurrar para os países menos desenvolvidos as indústrias mais poluentes. Não, trata-se de um novo modelo económico assente em novas tecnologias que exigem inovação e competências novas.

As alterações climáticas que dentro de poucos anos poderão ser dramáticas, assim o exigem. A União Ambiental, próximo desafio da UE deve constituir o elemento catalisador para um mundo liberto de carbono, ou para além dele.

A não ser este o caminho a percorrer a escassez de recursos é um dos mais dramáticos problemas que se colocam no horizonte, e que já foi a segunda razão mais importante na actual crise, logo a seguir à escassez de crédito. Vamos ter movimentos migratórios em massa, seca e escassez de água, com enormes conflitos sociais nacionais e internacionais.

O Ambiente deixou de ser um problema de uns quantos jovens hiperactivos e passou a ser um problema global.

PS: No ano passado estive na Patagónia, no sul da Argentina, fui ver as neves que deixaram de ser eternas, a serem sugadas inexoravelmente, pelas águas da baía de Vito Moreno. A milhares de quilómetros de distância da mais próxima fonte de poluição

Guardar coisas

De vez em quando descobre-se um idoso que vivia soterrado na sua própria casa, entre toneladas de lixo de vária ordem, tudo aquilo que foi recolhendo ao longo de décadas e depositando entre quatro paredes. A notícia é sempre recebida com um misto de fascínio e asco, os especialistas explicam que é uma doença, claro, nem podia ser outra coisa, um distúrbio designado como “síndroma de Diógenes”.

O Diógenes que dá nome ao distúrbio viveu cerca de três séculos antes de Cristo e, segundo se conta, tinha como casa um barril e como único bem uma tigela, que usava para lavar a cara. Tendo visto um dia um rapaz lavar a cara no rio colocando as mãos em posição de concha terá atirado a tigela para o lado, dizendo que já não lhe fazia falta. Tortuoso o destino que fez com que o seu nome viesse a designar a psicose dos que acumulam.

Diógenes, em quem os anarquistas quiseram ver um precursor, desprezava qualquer tipo de convenção social e terá defendido ideias tão revolucionárias quanto a igualdade entre sexos (não nos esqueçamos que a democracia grega excluía as mulheres do conceito de “cidadão”), a liberdade sexual ou a supressão das armas. A história mais famosa a seu respeito conta que, estando esparramado ao sol, veio Alexandre O Grande perguntar-lhe o que podia fazer por ele e, que, tendo-se posto numa posição em que fazia sombra a Diógenes, este lhe terá respondido que não lhe tirasse o que não lhe podia dar.

Diógenes e a síndroma homónima vieram-me à mente quando fazia uma intervenção de urgência no caos em que se estava a transformar a minha casa, e me dei conta de como são por vezes incoerentes os critérios que nos fazem guardar coisas cuja relevância é difícil de explicar. Já nem falo de objectos com evidente valor sentimental, como fotos ou cartas, mas de insignificâncias às quais se associam memórias que tememos perder. Fica o objecto como uma espécie de cópia de segurança, carregado de significados que só nós podemos ver. Lamentamos a perda do último laço tangível com algo que só na memória sobrevive… e guardamos.

E quando o bom senso e a falta de espaço nos dizem que está na hora de nos vermos livres de alguma coisa, como escolher? Uma a uma pegamos em cada memória, sorrimos ou afastamos o olhar, perdemos a coragem e voltamos a guardá-la. Acabarei os meus dias a recolher das ruas um parafuso partido, a cabeça de uma boneca, uma caixa de detergente vazia? Virão salvar-me da minha demência com os camiões de lixo preparados à porta? Ou os anos irão trazer-me o despojamento e acabarei abdicando até da tigela, atirando para o lixo tudo quanto se revelar inútil?

Que razões levarão as vítimas da síndroma de Diógenes a acumular tralhas inúteis? Será para sentir algum conforto no vazio? Será o mesmo mecanismo, ainda que a outra escala, que leva tantos a encher as casas com peças de mobiliário, fotos, estatuetas, quadros por todas as paredes, de forma a que não se encontre o vazio em lado nenhum?

Em cada arrumação obrigo-me a abdicar de algo cujo valor se tenha aligeirado e orgulho-me do meu desprendimento. Mas a gaveta dos trastes não se esvazia, e já quase não consigo fechá-la.

Para o BE chegou o momento

O BE irá crescer até sucumbir ao poder, quando não for mais possível crescer à custa das franjas do PS. Para continuar a crescer terá que entrar nos eleitores do PS e mesmo nos que vagueiam entre o PS e o PSD, e nessa altura vai começar a ter que tomar decisões que desagradam a muitos. E não pode continuar fora do exercício do poder sem pôr em causa o voto útil. Se não quer governar precisa dos votos para quê ?

Esta dificuldade viu-se bem no debate com Sócrates quando percebeu que as suas medidas quanto aos PPR podem ser lidas como retirar milhões de euros à classe média, o que ,a bem da verdade, não tem que ser assim. Mas, pela primeira vez, titubeou e isso foi um momento que poucos esquecem. Talvez o momento mais importante de todos estes debates.

Outra coisa poderá ser o seu papel enquanto facilitador da governação a nível parlamentar, ajudando as maiorias para concretização das políticas inadiáveis ao país. Nesta função poderá ser de uma grande utilidade assim tenha sentido de Estado, mas sem largar mão do que o diferencia do PS e do PSD.

Os grandes investimentos públicos e a dívida externa, o tecido empresarial criador de riqueza e as grandes empresas públicas e os seus monopólios, a Banca e a sua posição de favor, a Justiça e a sua complexidade de interesses estabelecidos…

Para o BE chegou o momento da verdade!

Patrick Swayze (1952 – 2009) e o meu 12.º ano


Morreu ontem o actor Patrick Swayze, que já estava doente, com cancro no pâncreas, há dois anos.
Poupo-vos as exéquias fúnebres ou a biografia oficial. Antes quero relembrar essa excelente série, «Norte e Sul», que foi transmitida em Portugal em 1989 e na qual desempenhava o papel do sulista Orry Main.
Lembro-me como se fosse hoje. Estava fazer o meu 12.º ano, no Garcia de Orta, à noite, porque nesse ano não havia 12.º ano de dia. À segunda-feira, logo que acabavam as aulas, deixava de ir ao «Novidali», o único café que então existia por ali, e zarpava para casa para ver o «Norte e Sul». Poucas vezes fiquei colado à televisão como durante esses episódios, que retratam a guerra civil norte-americana.
Patrick Swayze desempenhou muitos outros papéis na televisão e no cinema, como «Dirty Dancing» ou «Saturday Night Live». Não vi. Sinceramente, vi apenas «Norte e Sul». E chegou-me. Paz à sua alma.

A aventadora Ana Anes na SIC mulher

Estava com o comando do mundo na mão a passear pela madrugada quando dou com a nossa Ana Anes a arrasar os homens num exercício chamado “Ciência da atracção”. Os homens são tipo “buffet”, escolhidos a gosto, em exposição, há muito que perderam a influência, a mulher agora tem carreira, já não precisa do CV dos homens.

O Luís Pedro Nunes metido entre duas mulheres bem que tentava aguentar-se, mas a resistência era muito débil, que as mulheres gostam de homens casados, estes já provaram serem estimáveis, aguentam uma relação estável, são funcionais, seja lá isso o que for, mas os solteiros não dão a mesma garantia, enquanto a Ana e a apresentadora (um borracho muito estilizado sem grande interesse), cúmplices, davam cabo dos homens com a Ana a dizer, e eu a acreditar, que não tem nada de feminista mas o mundo deu uma grande volta, e os homens estão no sótão da memória.

A Ana é apresentada como cronista, tem o ar de quem tem o ás de trunfo sobre estes assuntos, o seu verbo é fácil e breve arruma as ideias em frases simples e curtas, tudo com uma certa bonomia de quem não está para, nem quer dar o golpe fatal, por outras palavras, gosta de homens e com esta ideia reconfortante vim a correr escrever esta crónica que sempre me ajuda a conciliar o sono.

Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios foi o programa mais visto ontem

O programa Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios, que estreou ontem na SIC, foi o programa mais visto do dia, com uma média de 1,348 milhões de espectadores. É o que indicam os dados da Marktest divulgados hoje.

O programa começou às 21h25 e teve uma entrevista final com o primeiro-ministro e candidato do PS, José Sócrates, como primeiro convidado. Registou uma audiência média de 14,3 por cento e um share de 35,8 por cento.

Os Gato Fedorento entrevistam hoje Manuela Ferreira Leite, no dia 16 Paulo Portas, no dia 17 Francisco Louçã e no dia 21 Jerónimo de Sousa. Falta saber é se as audiências se aguentam ou resultam, sobretudo, do efeito novidade.

O primeiro programa foi bem conseguido. É uma quase cópia do Daily Show, de Jon Stewart, mas o quarteto já tinha assumido essa influência e apresenta uma adaptação a contento ao estilo nacional. É capaz de valer a pena seguir este esmiuçar.

Aveiro, a ria, e as minhas irmãs

Esta cidade está linda. Tem belos edificios assinados por arquitectos conhecidos em conjunto com as belíssimas casas de pescadores e de salineiros, reabilitadas as antigas salinas, agora belas árvores cobrem a urbe e as gentes.

Foi sempre bonita , lá passei as melhores férias da minha vida, em casa das minhas irmãs, todos os anos saía de Castelo Branco e ía para as praias da Costa Nova e da Barra, à boleia, quando não havia perigo nenhum.

As “jeunes filles” belgas e francesas tambem davam ali à costa, uma maravilha para os olhos, eu como era muito tímido limitava-me a ver os meus amigos a namorar. Como só eu é que arranhava o francês de praia lá me ía safando de quando em vez, o problema é que eu me apaixonava doidamente, e elas “Louis, isso foi ontem” e lá íam ao “engate”, ao namoro, ao baile nas casas de praia que ficavam vagas durante a semana.

O campus universitário é uma maravilha, cheio de sol e relva, belos edificios e muito mérito, em várias áreas do conhecimento, como o trabalho de pesquiza na ria que é de Aveiro.

Estive lá no fim de semana com as minhas irmãs, a mais velha teve que ser operada ao coração de urgência aí no Santo António, hospital que tanto trabalho me deu para o modernizar, contra tudo e contra todos, muitos inimigos arranjei eu, mas está aí, moderno, muito bem equipado.

O primeiro edificio a ser construído em Portugal para ser hospital, tem um irmão gémeo em Viseu, mais pequeno e que agora está transformado num Lar para cuidados continuados, depois deste vosso amigo ter, juntamente com o Presidente da Câmara, o Dr. Ruas, reunido as condições para lá estar aquele moderno e bem equipado hospital de S. Teotónio. A minha assinatura juntamente com mais umas quantas está na base de um pilar, diz-se a primeira pedra, mas esta foi mesmo a primeira seguida de muitas outras.

Mas voltando a Aveiro, onde se fez tambem um belo bloco operatório, fico com vontade de chorar, foi ontem, cabiam todos os sonhos, vou cheirar os cantos da ria, do jardim, espreitar as casas dos pescadores onde ficava noite fora a ouvir as preces das mulheres e os gritos dos homens trazidos pelas ondas do mar em noites de tempestade.

Como eu fui feliz em Aveiro! Agora já não tenho as minhas irmãs todas à minha volta, a Carmem este ano faltou, têm mais quinze anos que eu, o Luis que andou ao colo de todas elas e que representa uma espécie de medalha , nenhuma delas pôde estudar mas o irmão vingou-as, tirou um curso superior, é de todos, só foi assim porque quinze anos faz toda a diferença neste país padrasto, havia uma escola e sete igrejas .

Quando elas se casaram eu morri por cada uma delas, roubaram-mas, depois veio um rancho de filhos, toda gente bonita como elas, fui roubado outra vez, mas tudo gente bonita e boas pessoas, maravilhosas eu adoro a minha gente.

E sabem uma coisa, eu sou o mais feio e o mais débil e o que vale menos, não tenho ponta de comparação com a coragem e a sabedoria delas e, no entanto, ando feito medalha ao peito de todas elas.

Agora atrevam-se a dizer que eu não sou um homem abençoado!

Domingos Lopes sai do PCP

Domingos Lopes abandonou 40 anos de militância no PCP. É da natureza de classe dos seus dirigentes, funcionários afastados da realidade e do mundo do trabalho, vendidos à sua condição pequeno-burguesa de pequenos e sumo-sacerdotes  que os partidos estalinistas alimentam a sua fé.

Depois de deixar de ser funcionário, obtendo autonomia financeira e regressando ao mundo real, Domingos Lopes compreendeu finalmente que “o PCP continua a ser o único partido no mundo que mantém o apoio à invasão da Checoslováquia, em 1969, pelas tropas do Pacto de Varsóvia, ao golpe militar da Polónia que levou Jaruzelsky ao poder, à invasão do Afeganistão pelas tropas da URSS”.

Na sua carta de afastamento, hoje revelada pelo Público, constata igualmente que “a direcção do PCP considera, de acordo com o seu último congresso, que países como Coreia do Norte e China se orientam para o socialismo, quando o primeiro não passa de uma ditadura familiar brutal que abusivamente se apoderou do simbolismo do socialismo para o ridicularizar” e a China “emerge como uma ditadura do aparelho do partido e do aparelho militar com vista à implantação do capitalismo com o mínimo de sobressaltos sociais”.

Mais vale tarde do que nunca. Mas temos de convir, em particular no caso da brutal invasão da Checoslováquia, que a realidade tem muitos anos, a capacidade de a ver é que tardou em chegar.

Os estrangeiros

Manuela Ferreira Leite jura que não se intimida. Acho bem. Garante que as obras servem para dar emprego a cabo-verdianos e ucranianos. Acho mal e não é verdade. Assegura que o TGV só interessa aos espanhóis. Também não é verdade e mesmo não sendo adepto de um projecto como o TGV, nem especialista em transportes, sei que não é assim.

Manuela Ferreira Leite usa a demagogia. Até aqui, nada de extraordinário. Todos os políticos, todos, usam a demagogia em período eleitoral.

Manuela Ferreira Leite parece estar a ensaiar um excesso de patriotismo, que roça o nacionalismo bacoco. Até fala dos “estrangeiros”.

A líder do PSD dá ideia de só estar interessada em ver Portugal como um elemento isolado, num “orgulhosamente sós”. No mundo global dos dias de hoje é uma opção inaceitável. Num cenário de economia aberta, acenar com o espectro dos “estrangeiros” não é bonito, muito menos para quem já foi assalariada de espanhóis.

Cartazes das Autárquicas (Campo Maior)

campo maior-JBurrica
João Burrica (actual Presidente), candidato independente.
campo maior-PS
Ricardo Pinheiro, PS.
campo maior-PSD
Pedro Nabeiro, PSD.

Apontamentos & desapontamentos: Fechando o caderno

É tempo de fazer um balanço a este caderno de apontamentos e desapontamentos e de o encerrar. Em cerca de 20 textos, abordei diversos temas. Comecei com uma homenagem ao meu amigo José Pedro Machado que, com os seus «Grande Dicionário» e «Dicionário Etimológico» e muitos outros livros sobre o nosso idioma, continua, todos os dias, a ensinar-me, como fazia em vida, amenamente, à mesa do «Pardieiro», no Largo da Graça, ou da «Chineza», da Rua do Ouro. Aproveitei para, de raspão, aludir à função catártica dos blogues, de que modo os posts nos aliviam de frustrações, de como as palavras que neles colocamos precisamos de as dizer, para delas nos libertarmos. Até para homenagear amigos que já não estão entre nós. Não esqueci o grande jornalista e amigo que foi o Adriano de Carvalho.
Recordei as «primaveras» de Praga e a marcelista que, em 1969 nos deram alguma infundada esperança, e gravei na pedra e no bronze deste blogue a heróica «Operação Papagaio». Verberei o consumismo elevado à categoria de religião e as malditas claques dos clubes de futebol. Referi impressões de uma inesquecível viagem a Cuba. Na onda das minhas embirrações de estimação, não me esqueci da televisão – dediquei-lhe quatro desapontamentos, num deles citando a frase de Luiz Pacheco – «a televisão é para estúpidos!». Lembrei o filósofo Albert Jacquard e a sua fórmula mágica para acabar de vez com o desemprego – acabar antes com o trabalho. Não esqueci também nem os nossos irmãos brasileiros, nem os irmãos galegos.
Falei sobre a palavra como instrumento da evolução, do primado do conteúdo sobre a forma, e sobre a sobrevivência, ou não, do livro na era digital e, a propósito, dei os parabéns a Ray Bradbury, um defensor do livro impresso, e um indagador do Futuro. E não me esqueci de Marx, de Groucho Marx o tal que dizia ter princípios, mas que os podia mudar num ápice, caso não estivéssemos de acordo com eles – e nesta acepção, verifica-se que os nossos políticos, ou quase todos, são «marxistas». É precisamente por causa dos políticos, da classe política, que falo mais do passado, não porque seja saudosista – sendo falador (escrevinhador, no caso vertente) falo sobre aquilo que melhor conheço – o Passado. Também conheço razoavelmente o Presente, mas há dias em que faço por esquecê-lo. Dias em que nem ligo a televisão. Como quando não olhamos para o espelho por haver dias em que não suportamos enfrentar o próprio rosto. Por isso é que nestes «apontamentos & desapontamentos», falei mais de mortos do que de vivos, mais do passado do que do futuro. E quando falei do presente foi para dele me queixar. É que não estou a gostar nada do presente. E agora vêm aí eleições em dose dupla e todo o lixo está a vir ao de cima. Mas vejo que a maioria dos «aventadores» se está a divertir com a chegada do circo. Do mal o menos.
Paul Auster, um autor norte-americano de que não perco um livro, em «A Noite do Oráculo» (2004), cria uma personagem, um escritor que se habitua a escrever nuns cadernos, ou blocos de notas, azuis, fabricados em Portugal, que compra na loja de um chinês em Brooklyn e que lhe estimulam a veia criativa: «A partir do momento em que começamos a escrever neles, nunca mais nos apetece escrever em mais coisa nenhuma.», diz. Não indo tão longe na minha caderno-dependência, escrevo e tomo os meus apontamentos, desde há anos, nuns cadernos pautados de capa preta revestida de plástico, salvo erro produzidos pela Ambar (será que a Ambar me vai conceder um patrocínio devido a este discreto anúncio?). Foi a esses cadernos que fui buscar alguns dos apontamentos e desapontamentos de que aqui vos dei conta. Sempre que vou de férias ou de viagem, levo um caderno destes. No entanto, ao contrário do que aconteceu com os cadernos azuis do escritor do Auster, que deixaram de se fabricar (interrompendo-lhe a produção literária), estes belíssimos cadernos de capa negra continuam a encontrar-se em qualquer grande superfície.
Em suma, é tempo de fechar este caderno de «apontamentos & desapontamentos». Outro caderno será oportunamente aberto.

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Mário Soares e o financiamento do PS

Mário Soares ia, entretanto, aproveitando algumas das suas viagens enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros para angariar alguns fundos para o PS. Mas, apesar de alguns contributos iniciais dos partidos sociais-democratas escandinavos, do SPD e de uma campanha de angariação de fundos lançada na Holanda pelo PVDA (PArtido Trabalhista), os apoios financeiros estavam longe de ser o que muitos imaginavam e se insinuava. Segundo consegui apurar, o movimento sindical noruguês deu pela primeira vez ao PS, em Maio de 1974, após visita a Oslo de Francisco Ramos da Costa, cem mil coroas norueguesas. E demonstrando os seus bons contactos internacionais e capacidade de angariação de fundos, também o PSD da Dinamarca forneceria cinquenta mil coroas enviadas através do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.(…)
Pelos meus cálculos, com base na pesquisa informal que eu próprio faria posteriormente, deduzi que, em 1974, o PS não recebeu de partidos «irmãos» montantes significativos e nem de longe minimamente comparáveis aos que os serviços de informação americanos afirmavam o PCP estar a receber! Aliás, só o secretário-geral sabia exactamente quanto e de onde recebia o dinheiro, sendo certo que, na prática portuguesa, o controle financeiro dos partidos está intimamente ligado ao controle do próprio partido. Não admira que este tipo de informação permaneça fechado e que as leis da chamada transparência, aprovadas pelos principais partidos políticos, permaneçam ainda hoje tão opacas!

25 Guitarras de Aço (3)

steve howe 04os yes foram um dos principais supergrupos do designado rock sinfónico da década de 70. e representam-no de tal forma que, para o bem e para o mal, ainda hoje são um fenómeno de profundo amor ou profundo ódio na utópica e mutante pop culture. não valerá a pena contar a história. toda a gente a sabe. o punk rebelou-se, em termos musicais – foi muito mais do que isso, é certo – contra os excessos de virtuosismo na qual a pop se enredou a partir dos primeiros anos da década de 70. os yes representam, muito provavelmente, o limite último na tentativa de atribuir à pop uma roupagem sinfónica – isto se exceptuarmos os devaneios de david greenslade e o seu pentateuco. claro está, existiam os floyd, os soft machine de robert wyatt, os genesis de peter gabriel, os van der graaf de peter hammill, os jethro tull de jon anderson, os gentle giant, os caravan, os henry cow etecétera e tal – em muitos aspectos bem mais importantes. não obstante, sem os yes, o rock progressivo/sinfónico teria sido bem diferente. eles representaram o lado diurno, brilhante e límpido do movimento. a sua influência foi visível em toda uma série de bandas menores por todo o mundo, de portugal – os tantra por exemplo- ao japão. Steve Howe não foi um dos seus fundadores mas entra – substituindo peter banks – naquele que será o primeiro album em que a banda assume a sonoridade pela qual ficou conhecida, «the yes album» 1971, assinando a solo a faixa «the clap». será neste mesmo ano que os yes editam a primeira das suas primeiras obras-primas, «fragile». nesse momento, são um quinteto de músicos portentosos. para além do famoso jon anderson – responsável por grande parte do imaginário místico e quase animista da banda e dono de dotes vocais pouco usuais  – bill bruford (king crimson, uk), um dos maiores baterista de sempre, rick wakeman (o homem dispensa apresentações, incluíndo mesmo a quantidade de material de gosto discutível que quase sempre produziu a solo) – já agora uma curiosidade: sem rick wakeman dificilmente o «hunky dory» do david bowie teria a mesma sonoridade; parece mentira mas não é – e o indesmentível líder da banda, chris squire e o seu fabuloso baixo. steve não deixa de nos maravilhar em, por exemplo, «mood for a day», um instrumental por ele composto. em 1972 surge a segunda obra-prima, «close to the edge», e no ano seguinte o duplo «tales from topographic oceans». incluímos ainda no rasto brilhante dos yes «relayer» de 1974, já com patrick moraz (moody blues) e alan white na formação. a partir daqui muito pouco interessa. steve howe abandonou, voltou, abandonou outra vez, voltou outra vez a integrar a formação mas os tempos eram outros e a fórmula esgotava-se. tal como já estava quando formou os asia, com john wetton,  a primeira banda «rock-fm» da história da música pop !?

do clássico ao jazz, a sua formação e influências é vasta. não há instrumento de corda que steve howe não utilize para compor sonoricamente o emblema «yes», de guitarras clássicas a bandolins. a lista de instrumentos de aço usados no seu «the steve howe album» de 1979 é de 14 instrumentos, incluindo steel guitars e banjos. usava com o mesmo apreço «fenders» e «gibsons», algo pouco característico nos mestres de guitarras, para incluir nos yes toda a extensão de sonoridades possíveis. steve howe não é/foi david gilmour e muito menos robert fripp, mas estes também nunca poderiam ter feito o que ele fez. 

quer goste ou não, faça o favor de ouvir a introdução de «close to the edge» onde steve howe, para utilizar uma expressão prosaica, «é tão bom que até chateia!»

yes close to the edge

ps: como se afirmou, não se pretende hierarquizar este tema nem aprofundar matérias do foro técnico. depois de george clinton, johnny marr e steve howe, o próximo deverá ser peter green ou talvez jack white ou talvez derek bailey, quem sabe.

O melhor ponto da carreira

Federer … sem legendas

FUTAventar: Sócrates, Manuela e os pequenos clubes

Nos últimos anos o Porto tem sido a equipa com mais vitórias – é verdade que contou sempre com a cooperação estratégica do órgão de soberania que arbitra os pontapés na xixa, mas ganhou. Agora, ao que parece com a protecção divina de Jesus, o BENFICA anda por aí a esmagar tudo o que mexe. É, há quem o escreva, um regresso ao passado.
Bem vistas as coisas temos um duelo Porto-Benfica. De um lado as risquinhas que nos últimos 4 anos nos governaram. Do outro, o passado à procura do futuro.
Entre ambos, os clubes pequenos. O Braga, o Sporting, o …
Estes não lutam pelo poder – combatem o golo útil. Querem estar, ser e contar para o totobola – é com eles que se decidem os campeonatos.
No fim, na hora de fazer as contas, Porto e Benfica vão ter que olhar para os mais pequenos. Aí vamos saber quem vai ser o ou a nosso (a) Primeiro – Ministro.
E olhem que este ano só o Campeão tem acesso à champions.

MMS – Eduardo Correia no Prós e Contras

O Presidente do MMS estará hoje no Prós e Contras. Eduardo Correia é professor no ISCTE, um empresário com sucesso e que achou que era seu dever contribuir para este país sem destino. Lançou mãos à obra e aí está, contra tudo, mas não desiste.

Ajudei-o na área da saúde, contribuindo modestamente, para fazer um retrato do que é a saúde hoje e o que, previsivelmente, vai ser no futuro. Reforcei a ideia que tenho, que o SNS tem que ser reforçado, que deve ser assumida uma articulação sem complexos com a privada. O grande ataque ao SNS está a ser apresentado na figura do Estado “pagante” e que não tem que ser “prestador” o que, a prazo, representaria o seu enfraquecimento e ,por último, a sua morte.

Nada que não se passe na Segurança Social onde as ambições são as mesmas, a privatização e consequente risco de os pensionistas acordarem um dia sem as suas reformas, nada que não tenha acontecido nesta crise nos USA. Com a saúde passa-se o mesmo, num país pobre e com tanta gente a viver mal, o SNS é um serviço de excelência no nivelamento das injustiças sociais.

Defende uma escola autónoma, entregue aos professores e alunos e a possibilidade de escolha.

É um Liberal com preocupações sociais, acredita no mérito e na sociedade civil, livres de um Estado que está em tudo, abafando a iniciativa dos cidadãos.

O sistema de ensino português é…

… uma espécie de jogo em que, durante 9 meses, professores e alunos vão desempenhando o seu papel e, no final, os alunos passam todos.

Esmifrando em directo na SIC…

Não sei se conhecem o verbo “esmifrar”. Esmifrar é “sacar” indecentemente, ou melhor, “aliviar” o parolo, ou ainda vender o Elevador da Glória.

Os Gatos estão a esmifrar os políticos, agarrando-os pelas barracas, obrigando-os a sorrirem e a dar umas gargalhadas com assuntos que só os irritam, mas tudo num contexto em que não podem irritar-se e em que têm que prestar-se ao papel distribuído, e desta feita quem distribui são os Gatos que aqui se tornam mais que ” mal cheirosos”.

A Clara de Sousa roubou-me o lugar no parqueamento, acha que a pode afastar ? Nem por sombras isso é uma boa oportunidade para a conhecer, fale com ela pode ser que a convença. Ora isto, é esmifrar, indecentemente, porque a resposta normal, seria : é pá, isso é uma bela oportunidade, é capaz de lhe dizer para me telefonar?

Aquilo de dizer, assim tão rapidamente, que a empresa fornecedora do “Magalhães” teve uns problemas com as Finanças é um “esmifranço” ( ao contribuinte) porque nos está a meter a mão no bolso, o que é “esmifrar” quem não se pode defender nem sequer estamos no lugar da Clara de Sousa. Enfim, valia de pouco mas sempre podíamos “esmifrá-la”.

Amanhã vão “esmifrar” a Manuela de Aljubarrota com os espanhóis ao barulho o que pode vir a ser um “esmifranço” do catano, não vá o Ricardo dizer ” fuck them” convencido que isto é uma forma de “esmifrar” os cubanos do contenente…

O negócio dos Livros escolares II

O Luís lançou o desafio e eu não podia deixar de vir esclarecer como tudo se processa.
De acordo com as regras e calendário definido pelo ME, cada escola, num determinado ano lectivo desenvolve um processo que leva à adopção de um manual para um bom par de anos. Por exemplo, na última escola onde trabalhei (4 anos) usei sempre os mesmos manuais – e este ano ainda vão continuar pelo 5ºano.
Nesse “momento” da escolha do manual cada grupo de docentes de uma determinada disciplina organiza o trabalho de modo a analisar a oferta existente – normalmente são analisados apenas os manuais que as editoras oferecem para análise. Não conheço casos em que os docentes comprem os manuais das próprias disciplinas.
Depois, com maior ou menor grau de análise o grupo de docentes escolhe um manual para trabalhar.
A partir daí, os pais compram e está feito.
Quanto às questões que o Luís levanta:
– os professores e as escolas não lucram NADA! Rigorosamente NADA com a escolha do manual A ou B da editora x ou y. Quando muito, a editora tem o cuidado de oferecer aos docentes o cd ou o livro de fichas anexo ao manual.
– nas editoras mais “poderosas” temos, cada professor, uma ficha de cliente – acesso grátis aos manuais das nossas disciplinas. Desconto para aquisição de manuais de outras disciplinas.
– brindes (tipo médicos) são completamente inexistentes. Uma agenda (coisa rara) ou uma caneta e pouco mais.

Do lado dos pais e até das escolas, sim, concordo com o Luís, fazia sentido um bola se livros, até porque em boa parte deles não se escreve nada – poderíamos assim ter livros a circular de mão em mão com a poupança que isso poderia trazer.

Em síntese, tenho a certeza absoluta que a escolha dos manuais, é da nossa parte, Professores, completamente livre de interesses. Obviamente, isso não retira nada a uma questão que é real: trata-se de um grande negócio que poderia ser “atalhado” com uma bolsa social (organizada em cada escola) para distribuição de livros em 2ª mão.

Cartazes das Autárquicas (Monforte)

monforte-PSD
Jorge Capitão, PSD.
monforte-PS
Miguel Rasquinho, PS.

O que se lê…

Depois de ver alguns destes últimos debates, acho que sei quais os livros que andam a ler os candidatos a primeiro-ministro…

Mesinha de cabeceira de José Sócrates:

js

Mesinha de cabeceira (fabrico nacional) de Manuela Ferreira Leite:

Manuela Ferreira Leite

O negócio dos Livros escolas II

O Luís

Comentário a comentários sobre «Falando de democracia»

Desde o primeiro texto desta série que tenho vindo a pôr em causa o conceito de democracia que enforma o regime político em vigor em Portugal e noutros estados. Nesse primeiro texto («Enquanto não somos deuses»), socorria-me de Jean-Jacques Rousseau e depois fui pedindo outras ajudas. Seria ocioso repetir aqui toda a argumentação que fui expendendo ao longo de trinta textos (série de que, aliás, o próximo será o último), pois ninguém que tenha lido algumas dessas crónicas alimentará dúvidas quanto ao que penso sobre o tema. O que, obviamente, não signifique que concorde. E por que raio, haviam todos de concordar comigo? Esperar essa unanimidade de opiniões seria estulto da minha parte Porém, nem que seja eu o único a concordar com o que escrevo, tenho o direito de o expressar. O que não me coíbo de fazer, embora saiba que o que aqui escrevo não tem qualquer influência no regular funcionamento das «instituições democráticas». Era o que mais faltava.
Vem este intróito a propósito dos comentários que João Cruz tem vindo a fazer a «Rotativismo e “alternância democrática”», ontem publicado. Nesses comentários acusa-me de diversas felonias, a saber:
a) – acho que milhões de portugueses são manipuláveis débeis mentais o que
b) – no mínimo é paternalista e no máximo fantasioso;
c) – que o meu paternalismo é semelhante ao que anima as vanguardas revolucionárias.
Penso que nestes três pontos se sintetiza o ponto de partida para a argumentação com que João Cruz teve a amabilidade de contemplar um texto que apenas pretende chamar a atenção para um aspecto histórico e particular de um conceito de democracia com o qual, na plena posse dos meus direitos de cidadania, tenho vindo a manifestar o meu desacordo. Direitos que (vá lá!) João Cruz me concede porque, diz ele «A ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana? – orienta para seu lado, outras vanguardas detentoras de outras verdades orientam para outro. Enfim, as democracias plurais como a nossa também têm a virtude de cada um poder puxar a brasa à sua sardinha». Não sabia que existiam democracias «não-plurais», mas adiante, o autor destes comentários concede magnanimamente a cada um o direito à sua utopia, que é como quem diz à sua loucura.
Num comentário a um post de Adão Cruz, em que este nosso amigo aprofunda a explicação que eu tentei dar nas respostas a João Cruz, fazendo-o da maneira clara e directa que lhe é peculiar, o João comenta – «Valha-nos os blogs de gente culta e esclarecida para abrir os olhos ao povo apoiante!». Nunca tinham, que eu saiba, chamado ao Aventar um «blog de gente culta e esclarecida». Registe-se o elogio.
Fique também registado que nunca me animou a intenção de fazer proselitismo, de esclarecer, de iluminar ou de ensinar seja quem for. Nem estou a querer criar um novo partido, nem uma nova vanguarda, nem uma nova igreja. Escrevo para mim próprio e para quem, eventualmente, esteja de acordo com alguma coisa do que digo. E também para os que não estão de acordo. A única pessoa que procuro esclarecer, é a mim mesmo. E já tenho tarefa que baste.
A minha argumentação foi sendo feita nos textos que compõem a série. Não vou repeti-la só porque um leitor da sua trigésima parte não a aceita. Nem lhe recomendo que a leia, não porque não a compreendesse, mas porque não a quereria compreender (direito que lhe assiste). Sem paternalismos, sem querer iluminá-lo ou conduzi-lo seja onde for, recomendo-lhe apenas que leia com atenção os seus comentários. Talvez neles descubra alguma daquela arrogância e pesporrência de quem chega a uma aldeia e pretende impor justiça a torto e a direito, de pôr as coisas no seu devido lugar. E, sobretudo, esclarecer os pobres aldeãos que sem a sua vinda continuariam na escuridão. Embora seja uma aldeia de gente culta e esclarecida.
Em suma, o João Cruz tem todo o direito a dar sua opinião e estou-lhe grato por ma ter dado. Não tem é o direito de ironizar, ou de colocar suspeições, sobre o direito que os outros têm às suas próprias opiniões (ou utopias, se quiser).
E sobre este tema, tenho dito.

Não estejas triste, José !

jose_socrates-c400Vais ver que a vida é boa, há praias, gente, livrarias, discotecas, restaurantes e tempo para discutir as coisas sérias e importantes da nação. Não é preciso ter sempre razão, nem fazer de cada batalha, a última. A companhia dos filhos é uma benção e namorar é melhor que uma maratona.

Não acredites nos que te segredam que é preciso todos os dias apresentar uma esmola para os pensionistas ou dares um subsídio a quem tem filhos, todos se lembrarão sempre que o que destes ao Jorge Coelho nos contentores de Alcântara, sem concurso, representa muito mais do que todos esses subsídios. E, aqui para nós, é fácil governar assim, dar subsídios a um, ajustes directos a outro, um emprego milionário aquele outro, colocar o Lopes da Mota no Eurojust ou a tua madrinha de casamento, a pior presidente de câmara alguma vez parida pelo PS, em Bruxelas.

Dificil seria criar riqueza, ajudar os empreendedores a avançarem com os projectos, produzir bens e serviços exportáveis, substituir importações, melhorar a Justiça, o SNS, a Educação. Agora, dar subsídios eu próprio dou muito melhor que tu, não tenho que agradar a camaradas , não dependo dos carreiristas dos partidos, não quero renovar mandato nenhum. Estás a ver, à partida os meus subsídios eram mais justos que os teus, por isso, não fiques chateado, bem vistas as coisas há muito que não consegues ter uma só ideia para este país.

Dizes tu que o caminho seguido até aqui é para continuar! Ouviste-te bem, José? Este é o caminho dos que te abandonaram nas Europeias, dos que fugiram e já não voltam, dos que querem que descanses. Sabes, isto, mesmo para uma equipa de gente muito boa, é muito dificil, quanto mais para meia dúzia de homens de meia idade que nunca trabalharam, não têm mundo e nunca deitaram mãos a um projecto e tivessem criado um só posto de trabalho. Um só!

Estamos mais pobres mas a vida continua, incluindo para ti, José! Antes de ti houve muitos que julgavam que eram o “tal” !

PS culturalmente igual a 0,4%

É quanto vale para o PS a Cultura. No Orçamento do presente ano vale 0.4% do PIB e em 2008 valia 1%. Felizmente que já não vai poder decidir sozinho se não íamos ficar sem Cultura no Orçamento, grande medida para baixar a despesa do Estado.

É por isso que os nossos monumentos, Património Mundial, estão tão mal tratados, que os nossos teatros, como diz a Carla, são entregues a espectaculos mil vezes vistos, que não há apoio a jovens artistas .

Mas só para consultores estão lá inscritos 400 milhões, não vá faltar consultorias a dizer o que é preciso para convencer o pagode. Isto é de uma pobreza que mata, isto só pode vir de alguem que não lê um livro e que não vai a um museu, como é que se esquecem os nossos monumentos magnificos, velhos de séculos, é assim tão dificil perceber que podemos ter um turismo fluorescente só à volta do nosso património histórico? Que poderia pagar a manutenção e as melhorias nesta área em que somos tão ricos?

Por essa Europa fora, nas visitas ao património, tudo é de um profissionalismo que só pode emergir do grande amor que se tem pela Cultura do país, há uma política cultural que está bem presente nas organizações das visitas e dos espectaculos. Aqui a Cultura não só desapareceu do orçamento como o próprio ministro anda há muito desaparecido .

Agora temos uma política assaz curiosa. As empresas de construção civil são obrigadas a contribuir para a reabilitação do património. Como fazem? O custo fica logo no preço pago nas adjudicações ?

CAMPANHA COMEÇA CHEIA DE ATAQUES E CONTRA ATAQUES



ORA AGORA ATACO EU, ORA AGORA ATACAS TU, ORA VAI ELE DEFENDER-SE

campanha eleitoralA campanha começou.
Multiplicam-se os jantares, os comícios, as palestras, os discursos e as palavras.
Ninguém quer ficar atrás de ninguém nos ataques, nas criticas e nas boas defesas.
Cada um, pensa que é o melhor da sua rua e que as suas soluções são as melhores para Portugal.
O que mais facilidade tem em falar, fala pelos cotovelos e vem dizer que a sra que falou do CAV fez um ataque anti-democrático.
A sra, entretanto tinha dito que considerava a preocupação do ministro espanhol, normal, já que ela suspenderia o CAV, caso formasse governo.
Por causa das esquerdas, o líder comunista diz que o ainda nosso Primeiro não é tal coisa.
O líder dos deputados sentados mais à direita no Parlamento compara por sua vez, o líder dos que se sentam mais à esquerda, com Salazar, e ataca-o por causa dos impostos.
Este, o sr da esquerda das esquerdas, diz que as pessoas que votarem no ainda partido do governo, irão acordar no dia seguinte com uma valente ressaca, e acha-se tão importante, que diz também que a sua campanha é tão boa que já incomodou um País amigo de Portugal, Angola. Para além disso, neste partido, a menina Joana, não exclui ninguém de uma maioria de esquerda.
E isto é só no primeiro dia, e só nos cinco partidos com assento Parlamentar. E não disse nem metade do que se foi dizendo.
Pensem que ainda vamos ter duas semans inteirinhas destas coisas.
Será que há pachorra para tanto?
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.JM

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