Pensar que os debates políticos em Portugal servem para esclarecer o que quer que seja ou quem quer que seja, é como pensar que o Pai Natal existe.
Há muitos e muitos anos que os debates são um engano. A falta de coragem dos directores de informação das televisões, que preferem ceder nos princípios a ter a coragem de dizer “NÃO”, levaram a esta anedota de debates onde tudo é condicionado anteriormente. Desde os tempos passando pelos temas e terminando nos diálogos entre as partes em debate. Um circo de animais amestrados sem pensamento próprio. Nada ali é genuíno, nem tão pouco o suposto jornalista que, amputado dos seus deveres profissionais, aceita participar como mero figurante desta novela de terceira categoria.
Haja coragem para dizer Não!
"Mistake"
O debate José Sócrates – Paulo Portas
No primeiro debate, Paulo Portas colou-se à direita e dali não saiu: contra o Rendimento Mínimo, a favor da livre escolha das escolas, públicas ou privadas, a favor da possibilidade de entregar uma parte dos impostos para regimes privados de Segurança Social. Com este tipo de discurso, até fez com que José Sócrates parecesse de Esquerda.
Mas numa coisa teve razão: para o primeiro-ministro, depois de quatro anos de maioria absoluta, a culpa continua a ser do Governo anterior. O PS governou em 11 dos últimos 14 anos, mas a culpa continua a ser daqueles míseros 3 anos em que o PSD governou. Do PSD e da crise internacional, claro. Antes da crise, fora apenas a obsessão pelo défice, nada mais. Três anos deitados fora. Mas para ele, quatro anos resumem-se à crise internacional dos últimos meses.
Só mais uma nota: é bom ver que os nossos políticos são educados e sabem respeitar as regras, que diziam que não se podiam interromper mutuamente.
O Mário "alucinado" dos professores
Este gajo tem um ar assustador, de “passado” dos carretos, pinta-se para atirar lenha para a fogueira, se estivesse no lugar da Maria de Lurdes era pior do que ela. Em teimosia, a impor as suas ideias à maioria, com absoluta incapacidade de dialogar.
É preciso alguem dizer-lhe (eu não lhe digo porque nunca o vi em pessoa) que o partido a que pertence não representa mais de 8% dos eleitores e isso quer dizer que são 8% ,e não mais , que concordam com as suas ideias para a Educação. O mandato que tem não é para governar e definir as políticas para a Educação, é para negociar as melhores condições de trabalho para os professores que representa enquanto sindicalista.
No outro dia, com aquele olhar alucinado, barba por fazer e sorriso de superioridade de quem já venceu, deixou escapar que até um novo concurso vai exigir no próximo ano. Os professores estão colocados por quatro anos, com estabilidade profissional e familiar, podem programar a sua vida sabendo que durante aquele tempo vão ficar naquela escola. Mas isto arrasta um grande problema ao sr. Mário alucinado, é que lhe tira poder. Todos os anos era uma farturinha, erros, substituições, pessoas mal colocadas e desgostosas com a sua colocação e esse circo agora, acabou.
Quanto pior estiverem os professores melhor para o sr. Mário doido, mais vezes aparece na TV e nos jornais, os professores até julgam que ele os está defender, espadairada para aqui e para ali, ele quer lá saber dos professores, ele quer é bulha de poder com os burocratas do Ministério, que são iguais a ele, quais vampiros a viverem dos professores e da sua vida lixada a andarem com a casa às costas e a levarem com meninos e meninas que vão ser sindicalistas ou burocratas de um qualquer Ministério.
Os professores têm que deixar de ser carne para canhão, têm que tomar nas suas mãos a escola, exigir autonomia para a escola publica, melhor que ninguem sabem como dirigir a escola e preparar os alunos. Ganharem segundo o mérito e não segundo o que resulta das negociações entre a Maria de Lurdes “destravada” e o sr. Mário “alucinado”!
Santarém, Capital do Gótico (XII)
(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)
PRESENTE E FUTURO
Actualmente, o concelho de Santarém, virado para o futuro, vai-se assumindo cada vez mais como um concelho moderno, desenvolvido, que aposta na qualidade de vida das suas populações como motor fundamental para o desenvolvimento. Uma cidade do mundo, afinal, em que é bom viver e onde as pessoas se sentem bem.
Haverá, como é evidente, lacunas a resolver. Nem tudo estará perfeito nos mais diversos indicadores sócio-económicos. Mas a evolução registada no nosso país e no concelho faz crer que o caminho mais correcto é seguir em frente. Assim se fará, por certo, num território que disputa a liderança de toda esta região do Médio Tejo. Ou não fosse, afinal, a capital de um distrito que ocupa uma extensa área territorial.
A cidade de Santarém, capital do concelho e do distrito, será o espelho de tudo o que acabamos de afirmar. Em termos urbanísticos, se até 1930 a cidade de Santarém foi crescendo em número de pisos dos seus prédios, e a partir dessa data em extensão, para oeste e norte, a década de 60 do século XX vai marcar uma tendência de construção maciça de novos edifícios em altura.
Essa tendência, que se prolongou até à actualidade e que tem os seus expoentes nos lugares de Galhardos, Eirinhas ou Sacapeito, obrigou mesmo a população a começar a ocupar os vales e as várzeas até aí preservados. O plano de urbanização da cidade, elaborado em 1977 pelo arquitecto Tomás Taveira, previa, entre outras directrizes, o crescimento da cidade para norte e para sul, a criação de uma área industrial e a deslocação da via ferroviária para o planalto. O facto de a Administração Central nunca ter homologado este plano tolheu, em grande parte, a sua execução. Em 1995, seria aprovado oficialmente o Plano Director Municipal de Santarém, vulgo PDM, que está actualmente em fase de revisão, como, de resto, está a acontecer em todo o país.
Um exemplo dos espaços actualmente em transformação, porque não os podemos citar a todos, é o largo Cândido dos Reis. A criação de uma placa central de grandes dimensões, que irá reorganizar o trânsito daquela zona, é uma necessidade que se tornou premente desde a construção do centro comercial. Uma maior atenção aos peões, com o aumento dos passeios e a colocação de mobiliário urbano, é uma das directrizes fundamentais do projecto, que terá em atenção, de igual forma, a qualidade dos materiais. Pela sua importância, a igreja de Jesus Cristo, com a sua fachada maneirista, ditou desde o início o rumo das intervenções a realizar.
De resto, o respeito pelo património edificado e pela tradição histórica de Santarém tem sido observado por aqueles que têm por obrigação decidir. É pena que não se tenha feito o mesmo nos séculos anteriores, mas a esperança de que ainda se vá a tempo de salvar algo, essa, permanece em Santarém.
«Se, entre 1940 e 1960, os apelos à salvaguarda do património já se tinham sentido, levando à criação de áreas de protecção dos monumentos administradas pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, é apenas nos finais da década de setenta que a cidade se movimenta no sentido da defesa do património monumental, histórico-cultural e urbanístico. Motivo de reunião de algumas camadas da população em volta da salvaguarda do património da cidade, a influência do movimento patrimonialista reflecte-se na própria sede das ideias transformadoras da cidade – a Câmara Municipal.
Depois de um período de indecisão (1980-1988), a administração autárquica resolve, em 1989, criar o Gabinete de Planeamento Municipal (GPM), tentando dar ordem a um certo caos urbanístico, criando, ao mesmo tempo, as regras para o seu Centro Histórico, através de uma postura específica.» (Jorge Custódio)
Dados demográficos
Façamos um breve retrato da evolução demográfica ao longo do século XX. Em 1911, no primeiro recenseamento do século XX, Marvila tinha 3963 pessoas, S. Nicolau 2387, Salvador 3547 e Santa Iria 1595. Eram estas as freguesias mais povoadas do concelho. A meio do século, mais concretamente em 1950, o censo desse ano dava para aquelas freguesias, respectivamente, 6849, 5156, 5130 e 2060 pessoas.
No concelho, a diminuição demográfica desde 1960 não foi tão significativa como noutros locais – apenas 1,8%. A cidade tinha 63777 residentes em 1960, 62621 em 1991. Ao invés, o centro urbano de Santarém registou um crescimento de 43,9% no mesmo período, de 16449 para 23678 pessoas.
Em termos de estrutura etária, a população da cidade era mais nova do que no resto do concelho. A percentagem de jovens era de 26,6%, os adultos 54,6% e os idosos 18,8%. O índice de envelhecimento é de 70,6%, enquanto que no resto do distrito essa percentagem é de 95%.
Para os dados demográficos actuais, utilizaremos os números mais recentes, os do Recenseamento Geral à População de 2001. As freguesias mais povoadas são, obviamente, as que se situam dentro da cidade. É o caso de Marvila, Salvador e S. Nicolau, com 9584, 9211 e 9036 habitantes, respectivamente. No pólo oposto, Azoia de Baixo é a freguesia com menos indivíduos residentes – 278, seguido de Vaqueiros (317) e Pombalinho (530).
Economia e indicadores sociais
A localização geográfica de Santarém, nomeadamente a proximidade de Lisboa, e a curta distância das principais infra-estruturas de transportes contribuem para um forte dinamismo económico. Senão vejamos: a nível rodoviário, a auto-estrada Lisboa-Porto passa bem perto; a nível ferroviário, a linha do Norte tem estação em Santarém; a nível de transporte aéreo, Santarém dispõe de um aeródromo, enquanto que o aeroporto da Portela, em Lisboa, fica apenas a trinta minutos; em termos de transporte marítimo, a quarenta e cinco minutos encontra-se o porto de Lisboa e a cinquenta o de Peniche.
Para que uma empresa, seja ela qual for, cumpra os objectivos para os quais foi criada, não se basta a si própria. Mesmo com excelente matéria-prima, a preços competitivos, e com uma mão-de-obra qualificada, fica a faltar um sem-número de determinantes, sem o qual a rentabilidade máxima nunca será possível.
Integram-se nestes factores os acessos, que, consoante a sua qualidade e quantidade, possibilitam ou afastam inúmeras possibilidades de negócio. E neste caso, algumas das firmas que compõem o tecido económico do concelho debatem-se com problemas. Na parte norte do concelho, por exemplo, ressalta à vista o mau estado da Estrada Nacional n.º 362, que liga Santarém a Alcanede. A Estrada Nacional n.º 361, no troço Alcanede – Alcanena, sofre dos mesmos problemas, facto que se torna ainda mais grave se pensarmos que é uma via primordial para o desenvolvimento económico de toda a região.
Outro dos exemplos que pode ser dado quando se fala de qualidade de vida das populações versus tráfego automóvel/poluição é o do atraso na construção da variante à Estrada Nacional n.º 3, na Portela das Padeiras e no Vale de Santarém, no sul do concelho. A freguesia de Salvador tem sido uma das mais afectadas pelas sucessivas dilações de prazos a que se vem assistindo.
A beneficiação da Estrada Municipal n.º 506, em execução, é um bom exemplo do que pode ser feito a este nível. Para o futuro, aguarda-se a ligação da A1 à A13, com um evidente desafogo para a ponte Salgueiro Maia e para a rua 0, e a concretização da estrada do campo que faz ligação ao Pombalinho.
O peso económico da agricultura e da criação de gado, no concelho, é inferior ao peso cultural e simbólico que encerra em si próprio. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma renovação dos métodos de cultivo e a produção, obviamente, tem tido tendência para aumentar. Neste ponto, os modernos sistemas de regadio têm contribuído sobremanei
ra
para o novo estado de coisas a que se tem assistido. Novos agricultores abrem novas fronteiras e Santarém ressente-se, positivamente, desse facto.
As seculares oliveiras, cujas primeiras informações remontam à época romana, continuam a ser a cultura predominante. A par da nobre azeitona, as searas de melão, os tomateiros e os campos de cereais, com destaque para o milho, detêm papel económico relevante.
Em termos de pecuária, é sabido que o Ribatejo é um grande centro de produção. Santarém incluído, como é óbvio. Em primeiro plano, a criação de bovinos em pasto extensivo, com destaque para os touros, que assim vão subsistindo. Em segundo lugar, alguns núcleos de produção leiteira. Na margem direita do Tejo, sub-região do bairro, a criação de ovinos merece uma palavra importante. A pecuária intensiva pratica-se no norte do concelho a nível da suinicultura e dos aviários.
Na silvicultura, existem importantes manchas de pinheiros na zona norte do concelho e na zona integrada do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. São zonas em que, devido à fraca qualidade dos solos, se apostou mais no pinhal. O eucalipto representa um desses casos. Recentemente, o pinheiro manso, os sobreiros e as espécies nobres nacionais têm surgido, por força de alguma reconversão e também da elevada procura destas madeiras.
Obviamente, há uma diferença muito significativa entre a cidade de Santarém e o resto do concelho. Dentro da sede municipal, a percentagem daqueles que se dedicam ao sector primário é de apenas 2,1%.
Na indústria extractiva, a indústria de barro vermelho conta com a preciosa ajuda da excelente argila extraída nos mananciais do concelho. Na povoação de Xartinho, freguesia de Alcanede, encontra-se em exploração um jazigo de caulino. No sector da construção civil, a pedra – calcário, mármore e outras – regista um grande desenvolvimento.
Em termos de indústria transformadora, o sector agro-alimentar conta com algumas unidades de grande dimensão, caso de uma das maiores fábricas portuguesas de cerveja, outra grande de sumos e refrigerantes, uma unidade de congelação e transformação de legumes e uma outra de transformação de carne. Para além destas, existem os tradicionais lagares de azeite e lagares de vinho e algumas unidades pequenas e médias de bolachas e bolos de tipo tradicional.
O sector das madeiras conta com algumas serrações e carpintarias. Existem também unidades de aglomerados e fabricação de móveis, algumas das quais com uma grande produção e exportação.
A pedra é matéria-prima para a construção civil e também para o fabrico de cal, sector onde existem duas grandes unidades e algumas outras mais pequenas. Os elementos decorativos em pedra, revestimentos, lareiras e outras, estão também em crescendo.
Na indústria das peles, um organismo desponta: o Centro Nacional de Curtimento, na freguesia de Alcanede.
Segundo os últimos dados, 19,3% da população da cidade de Santarém dedica-se ao sector secundário.
Na sede do concelho, a actividade predominante, como é óbvio, é o comércio, que conheceu uma grande explosão na década de 60. Aliás, Santarém é quase um verdadeiro centro comercial, ao ar livre e não só. A coexistência entre o comércio tradicional e as grandes superfícies faz-se sem grandes problemas, a despeito dos dois hipermercados existentes.
Um dos sectores importantes no que ao comércio diz respeito é o ramo automóvel. Aqui chegados, não poderíamos deixar de referir a Santagri, empresa fundada em 1980 e que tem a sua sede na freguesia da Várzea. Está integrada no extenso Grupo Entreposto – Gestão e Participações SGPS.
A par do comércio, a vinda para Santarém de filiais dos principais bancos portugueses e de vários organismos de administração local e central e empresas com capitais públicos, como a Portugal Telecom, a EDP ou o Instituto da Juventude, contribuiu para que, a nível dos serviços, a cidade passasse a servir a sua população de forma mais eficaz e completa. A possibilidade que existiu de instalar em Santarém, neste ano de 2004, a Secretaria de Estado da Agricultura, embora abortada, demonstrou bem a importância que a sede deste concelho já adquiriu no panorama político e económico nacional.
Dentro de Santarém, o peso do sector terciário é esmagador, com 78,6% da população activa. «Foi por isso e desde sempre uma cidade encruzilhada, de rotas históricas e de auto-estradas, na actualidade, onde se peregrina, passeia e negoceia; cidade de feiras e «trocas», desde o chão da Piedade, na Idade Média, ao CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, edificado no século XX, passando nesse percurso pelos Campos de Fora de Vila e Chão das Padeiras ou S. Lázaro.
A dinâmica da oferta e da procura foi sempre de tanto relevo em Santarém, que se impôs constantemente a deslocação do espaço da Feira, na procura de mais amplas áreas.
Cidade que foi é e de serviços e comércio, cidade que foi de conventos e hospitais, para quem nesse «trânsito», sobretudo medieval, procurou o além ou a cura, acabou por marcar sub-repticiamente nos seus habitantes uma apetência nómada ou peregrina.» (Pedro Canavarro)
Santarém é um destino turístico importante em Portugal. Milhares de pessoas, todos os anos, visitam a cidade e o concelho em busca das belezas naturais do Ribatejo e dos principais monumentos.
A configuração topográfica de Santarém, com as suas sete colinas, permite que as paisagens de excelência abundem em todo o perímetro urbano. As praças, os jardins e sobretudo aqueles que dispõem de miradouros aproveitam essas características únicas e emprestam aos santarenos e a todos os visitantes momentos de verdadeiro sonho.
O jardim das Portas do Sol, como é óbvio, teria de estar no topo das nossas atenções. É a sala de visitas de Santarém, o «ex-libris» da cidade, a «majestosa entrada da grande vila» como lhe chamou Almeida Garrett. Sobre este espaço verde e, sobretudo, sobre tudo o que o rodeia, das muralhas em seu redor e da esmagadora paisagem envolvente, já nos referimos com abundância anteriormente.
O jardim da República é o típico jardim citadino. Bancos para descanso, baloiços para as crianças, mesas para piqueniques e um coreto de ferro forjado dão um toque muito especial a um espaço verde muito concorrido pela população. Em redor, os paços do concelho, a Escola Prática de Cavalaria e o convento de S. Francisco tornam esta zona uma das mais importantes da cidade.
O campo Sá da Bandeira conta a história da cidade através do seu pavimento em calçada portuguesa. É escolhido por muitos santarenos para a prática de desportos radicais. O mercado, de um lado, e a igreja do Hospital de Jesus Cristo, do outro, balizam esta área verde.
O jardim da Ribeira fica na Ribeira de Santarém, freguesia de Santa Iria. Junto à margem do Tejo, é um espaço de enorme aprazibilidade. Embora de pequenas dimensões, é fortemente arborizado e florido.
A praça de Sá da Bandeira ou do Seminário é o espaço mais central da cidade e um dos que viveu mais momentos marcantes da sua história. No centro, a estátua de Sá da Bandeira, que homenageia a memória desse extraordinário combatente pela liberdade. A ele se dirigiu Humberto Delgado, aquando da sua passagem por Santarém, como já referimos antes. Do lado direito, encontra-se o Seminário, do lado direito a igreja da Piedade e a famosa janela manuelina.
Em termos de alojamento, a oferta de Santarém é vasta e inclui vários hotéis, residenciais, pensões e unidades de turismo de habitação.
Durante o Verão, percorre as principais artérias da cidade um comboio turístico, gratuito, que mostra aos visitantes do burgo o que de melhor tem Santarém. Obviamente, o programa está aberto a todos aqueles que, apesar de viverem por aqui, não conhecem tanto quanto deviam sobre a sua cidade.
A Feira Nacional da Agricultura, que se realiza em Junho,
é a expressão máxima da capacidade agrícola de Santarém e um dos pontos de maior interesse turístico para quem visita o concelho. O local da sua realização é o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas.
O Festival Nacional de Gastronomia decorre no mês de Outubro, durante cerca de quinze dias, sob a organização da Câmara Municipal de Santarém e da Região de Turismo do Ribatejo. O local da sua realização é a Casa do Campino, no campo Infante da Câmara.
Referência ainda para as feiras do Milagre (segunda e terceira semana de Abril) e da Piedade (segunda e terceira semana de Outubro); para a Lusoflora, certame realizado em Outubro e que se dedica às flores; e para a feira das Velharias, realizado no quarto sábado de cada mês no largo Padre Chiquito, no centro histórico de Santarém.
Destes e doutros certames daremos conta mais pormenorizada no capítulo dedicado ao património humano de Santarém.
Olhando agora para o quotidiano dos santarenos, dedicaremos a nossa atenção a alguns indicadores que revelam a qualidade de vida de uma população. Estão entre esses indicadores a educação, a saúde, as infra-estruturas culturais ou o ambiente.
Todos os graus de ensino estão presentes em Santarém. Especialmente importante, pela movimentação que empresta à cidade e pelo dinamismo económico que acarreta, é o ensino superior, com as suas diversas escolas, muitas delas voltadas para as necessidades locais.
Em termos de ensino pré-escolar, os últimos dados apontam para uma abrangência de mais de oitocentos alunos, num total de cinquenta salas. No tocante à componente de apoio à família, 33% daquelas crianças tinham acesso ao almoço e ao prolongamento das actividades. Um número que, desde os cinco anos anteriores, não parou de aumentar.
No que diz respeito ao primeiro ciclo do ensino básico, antiga escola primária, estavam inscritos em 2002 mais de 1300 alunos, que estavam distribuídos por cerca de 150 salas de aula. Neste caso, a tendência dos cinco anos anteriores foi de descida, num ritmo que acompanhou a situação verificada no resto do país. É que menos nascimentos equivalem, invariavelmente, a menos alunos.
O segundo e terceiro ciclo e o ensino secundário contam no concelho de Santarém com nove estabelecimentos de ensino público. São eles a Escola do Ensino Básico de 2.º e 3.º Ciclo de Alcanede, a Escola do Ensino Básico de 2.º Ciclo de Mem Ramires (freguesia de Marvila), as Escolas do Ensino Básico de 2.º e 3.º Ciclo D. João II e Alexandre Herculano (freguesia do Salvador), a Escola Básica Mediatizada de Alcanhões e de Vale de Santarém, a Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (Marvila) e a Escola Secundária Sá da Bandeira (Salvador). No total, frequentam estas escolas mais de 3500 alunos.
O ensino recorrente tem uma boa cobertura no município. É o sistema de ensino ideal para quem já deixou de estudar há algum tempo e para todos aqueles que trabalham, porque assim podem estudar ao seu ritmo através do sistema das unidades capitalizáveis. Combate o analfabetismo e promove a qualificação escolar e profissional.
Dentro do concelho, há estabelecimentos de ensino que leccionam o recorrente nas freguesias de Alcanede, Alcanhões, Casével, Marvila, Pernes, Santa Iria da Ribeira de Santarém, Salvador, S. Nicolau, S. Vicente do Paul, Tremês, Vale de Figueira e Vale de Santarém. Segundo os últimos dados, frequentavam o ensino recorrente de primeiro ciclo 202 alunos e de segundo e terceiro ciclo quase trezentos.
Como garante do bom funcionamento de todo o sistema, temos o recentemente criado Conselho Municipal da Educação, organismo previsto na lei de bases e que é uma inovação recente em todo o país. Tem como objectivos estruturar e definir políticas e prioridades e envolve todas as escolas dos vários grupos e sectores de ensino, professores, associações de pais, associações sindicais e associações de estudantes.
O ensino superior, no concelho, está bem representado por dois institutos politécnicos: o Instituto Politécnico de Santarém e o Instituto Superior de Línguas e Administração. Um pólo universitário que procura satisfazer as necessidades das empresas da região e que conta com cerca de três mil alunos. Com mais uma ou outra escola, quase se poderia dizer que estaríamos na presença de uma verdadeira cidade universitária.
O Instituto Politécnico de Santarém é composto pelos seguintes estabelecimentos: a Escola Superior Agrária de Santarém, a Escola Superior de Educação de Santarém, a Escola Superior de Gestão de Santarém e a Escola Superior de Enfermagem.
A Escola Superior Agrária de Santarém, especificamente dirigida ao meio social e económico em que se insere, é uma das mais antigas do país dentro deste sector. Tem uma oferta constituída por vários cursos, alguns de bacharelato e outros de licenciatura bietápica. Os cursos são os de Engenharia Agro-Alimentar, Engenharia de Gestão do Ordenamento, Engenharia da Produção Animal, Equinocultura, Engenharia da Produção, Engenharia Agrária e Qualidade Alimentar. Tem mais de mil alunos.
A Escola Superior de Educação de Santarém dirige-se essencialmente aos futuros professores, como o próprio nome indica. Pouco mais de mil alunos distribuem-se pelos seguintes cursos: Animação Cultural e Educação Comunitária, Educação Social, Educação de Infância, Professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, Professores do 2.º Ciclo do Ensino Básico (quatro variantes), Complementos de Formação Científico-Pedagógica e Complementos de Formação para Professores do 1.º Ciclo.
A Escola Superior de Gestão de Santarém é o estabelecimento que conta neste momento com mais alunos, quase 1300. Os cursos de Gestão de Empresas, Informática de Gestão, Marketing e Consumo, Administração Pública e Autárquica e Contabilidade e Fiscalidade dirigem-se essencialmente a uma comunidade em crescimento que só necessita dos instrumentos básicos da gestão para se impor em definitivo no panorama empresarial português.
Por fim, a Escola Superior de Enfermagem tem cerca de 270 alunos e cobre uma daquelas que, na área da saúde, é considerada uma grave lacuna. Oferece tanto a licenciatura como o bacharelato em Enfermagem.
Quanto ao Instituto Superior de Línguas e Administração, vulgo ISLA, oferece aos seus quase oitocentos alunos seis cursos de licenciatura: Tradução e Interpretação em Línguas Modernas, Comunicação, Gestão de Empresas, Gestão de Recursos Humanos, Informática de Gestão e Engenharia Electrónica Industrial.
A nível da investigação, referência ainda para a Estação Zootécnica Nacional, em Vale de Santarém, o maior instituto português em termos de pecuária.
No que concerne à saúde, o Hospital Distrital de Santarém assegura a maioria dos cuidados básicos, tanto no que diz respeito às valências de internamento como de consultas de especialidades e de urgências. Em termos de necessidades prementes, refira-se a criação de uma extensão do Centro de Saúde de S. Nicolau, visto que os equipamentos existentes até à data não cobrem, de maneira nenhuma, a totalidade dos utentes inscritos, que totalizam cerca de 50% da população total da cidade. A inexistência de climatização no hospital e a falta de uma extensão de saúde na maior freguesia de Santarém, Alcanede, são outros dos problemas com que o concelho se debate.
A nível social, a breve prazo existirá um lar para a terceira idade em Amiais de Baixo; um centro de dia e lar de idosos na serra do Alecrim, que servirá a envelhecida população daquela zona do município; e uma creche e lar de terceira idade em Vale de Figueira.
A nível cultural, urge a construção da nova Biblioteca Municipal, cujo projecto já está pronto a começar. Quanto à actual, cumpre com uma extrema dignidade as suas funções desde 1926, cinco anos depois de Anselmo Braamcamp Freire ter entregue à Câmara Municipal todo seu espólio literário. De resto, a sua
colecção é o mais importante fundo bibliográfico da instituição – no total, são cerca de quinze mil volumes, datáveis do século XVI ao primeiro quartel do século XX, incluindo alguns incunábulos de 1498 e 1499. Para além desta, existe ainda a Biblioteca Camões, fundada a 13 de Junho de 1880; e várias outras que, em conjunto, contribuem para o impressionante número total de setenta mil volumes. Referência ainda para uma vasta colecção de pintura, que inclui obras de Josefa de Óbidos, José Malhoa ou Alfredo Keil.
A Casa do Brasil/Casa Pedro Álvares Cabral é um dos espaços de exposições mais importantes de Santarém. Aqui têm lugar diversas actividades culturais ligadas ao Brasil. Possui uma biblioteca especializada e uma base de dados sobre as temáticas da expansão, dos descobrimentos portugueses e dos escalabitanos ilustres. Para além da Casa do Brasil, funcionam como sala de exposições o posto de turismo, a sala Virgílio Arruda, na Biblioteca Municipal de Santarém, e o Fórum Actor Mário Veigas.
O auditório do Instituto Português da Juventude, o auditório da Casa do Brasil e o grande auditório do Centro Nacional de Exposições, este com uma capacidade para 1200 pessoas, são espaços multiusos que permitem a realização de várias actividades ligadas à cultura.
O mesmo se dirá das nove salas de congressos existentes: no Arquivo Distrital, na sala Virgílio Arruda, no Coríntia Santarém Hotel, na Escola Superior Agrária, na Escola Superior de Educação, na Escola Superior de Gestão, na Estação Zootécnica Nacional, no Hotel Alfageme e no Hotel do Prado.
Na comunicação social, encontram-se em publicação, actualmente, quatro jornais semanários. O mais antigo é o «Correio do Ribatejo», antigo «Correio da Estremadura. Existem ainda «O Mirante», «O Ribatejo» e «Terra Viva». Ainda a nível de imprensa escrita, o «Fórum Santarém» é um boletim informativo da Câmara Municipal, de distribuição gratuita, publicado de dois em dois meses. Com uma tiragem média de trinta mil exemplares, começou a ser publicado em 1993.
Em termos de rádio, há duas emissoras a funcionar: a 2000 FM, em rede com a «Rádio Cidade», iniciou-se ainda no tempo das rádios piratas, chamava-se então Rádio Piranha.
A Rádio Pernes nasceu a partir de um grupo de amigos que nos anos 60 fazia espectáculos de luz e de som, crescendo como uma empresa familiar.
Em termos museológicos, são vários os espaços existentes na cidade. O Núcleo Museológico de Artes e Arqueologia Medievais está instalado na igreja de S. João de Alporão. É o primeiro núcleo museológico do Museu Municipal de Santarém. O edifício, um daqueles que ostenta mais tradições, foi remodelado em 1876 para a instalação do espaço museológico e inaugurado treze anos depois. Algumas das mais valiosas peças de tumularia estão aqui expostas, bem como peças arqueológicas de grande importância (das quais se salientam duas aras romanas e um relógio de sol). Em relação aos túmulos, o de D. Duarte de Meneses, os dos conselheiros do rei D. João I e a arca tumular de D. Afonso de Portugal são os mais importantes.
A Casa-Museu Braamcamp Freire ocupa o piso nobre do edifício que pertenceu àquele historiador e que hoje está ocupado com a Biblioteca Municipal. A sua colecção foi constituída através do legado do primitivo proprietário. Dos vários objectos expostos, destaquem-se algumas peças de mobiliário, como um cadeirão de canto de tipo inglês do século XVIII e um armário almofadado e entalhado com a data de 1644; peças de cerâmica, caso de um serviço de porcelanas da China e artigos da Fábrica Bordalo Pinheiro; pinturas; e livros e manuscritos raríssimos, onde se incluem o erroneamente chamado foral de D. Fernando (1369) e o foral de D. Manuel I (1506).
O Museu Ferroviário – Núcleo Museológico dos Caminhos-de-Ferro, localizado na freguesia de Santa Iria da Ribeira de Santarém, encontra-se na estação da CP, na velha cocheira de carruagens. Considerado um dos mais importantes do país, foi inaugurado em 5 de Outubro de 1979 por iniciativa de Armando Ginestal Machado. Da colecção exposta ao público, saliente-se um conjunto de locomotivas, carruagens e salões-carruagem, tanto da linha do norte e do leste como da história da circulação ferroviária em Santarém. O salão Maria Pia (1858), a locomotiva D. Luís (1862), a primeira a chegar a Santarém (1862), o salão do Príncipe (1877), a locomotiva das minas do Pejão e o salão presidencial são algumas das jóias deste núcleo.
O espólio do museu integra ainda utensílios usados na reparação e conservação da via férrea, nomeadamente ferramentas e veículos para inspecção da mesma, caso de um quadriciclo a pedal, um quadriciclo motorizado e uma dresine de inspecção; faróis, lanternas, telefones, marcadeiras de bilhetes, aparelhos instalados nas locomotivas e outros. O equipamento móvel encontra-se assente em via larga, linha algaliada e via reduzida de minas.
«A secção museológica da CP de Santarém afirma-se como um museu de sítio, tanto através do património construído para uma função específica da actividade ferroviária, como pela natureza da sua colecção, ligada à história da empresa e da sua actividade no âmbito da circulação e transporte. A história e o património ferroviário que nele se expõe (numa arrumação sem projecto museográfico coerente), todavia, extravasa o mero conceito de local de interesse ferroviário, para constituir um núcleo central, regional e inter-regional da explicação da história dos caminhos de ferro em Portugal.» (Jorge Custódio)
Existe ainda o Núcleo Museológico do Tempo, na Torre das Cabaças, e o Museu Salgueiro Maia, na Escola Prática de Cavalaria, o mítico local de onde, como já vimos, partiu a revolução do 25 de Abril.
Uma galeria de arte (na rua 15 de Dezembro), dois cinemas e três teatros completam a oferta cultural existente na cidade.
Para além do que existe em boas condições, e para que um vasto património edificado não se perca definitivamente, como já aconteceu no passado, é vital que se restaure e se reconstrua. A exemplo do que se faz na Europa civilizada – salva-se o que já existe antes de construir mais.
É o caso, apenas para dar dois exemplos, do mosteiro de Almoster e das muralhas e barreiras de Santarém. O projecto de valorização e requalificação urbana de Santarém, integrado no programa POLIS, será um suporte fundamental para a concretização das mais diversas iniciativas ligadas à recuperação patrimonial.
No desporto, uma palavra importante para as modalidades ligadas à água. Porque, neste sector, o concelho está muito bem servido. O complexo aquático municipal de Santarém, sediado na freguesia de Salvador, abriu ao público no ano de 2002. É composto pelas piscinas descobertas (piscina de forma livre, escorregas e piscina de ondas) e pelas piscinas cobertas (piscina de 25 metros, tanque de aprendizagem e tanque de iniciação). Funciona neste complexo a Escola Municipal de Natação, com as seguintes modalidades: natação, hidroginástica/pré e pós-parto, pólo aquático e natação desportiva e deepwater.
Em Marvila, as piscinas municipais do Sacapeito, construídas em 1977, completam a oferta municipal no que toca à natação. Dispõe das modalidades de natação, manutenção, hidroginástica (pré e pós-parto) e natação desportiva. As actividades realizam-se numa piscina interior com 25 metros e num tanque de aprendizagem.
O complexo desportivo municipal de Santarém será uma realidade em breve. Prioritária é também a construção de pavilhões desportivos nas freguesias de Alcanede e de Pernes e na Escola E B 2/3 Mem Ramires, na cidade.
A ecologia é outro dos sectores que, em grande parte, se destina aos mais novos. São eles, os pequenos, que aprendem desde cedo, na escola e não só, a valorizar as questões do ambiente de da reciclagem.
Obviamente que Santarém não poderá fazer tudo so
zinho, mas desde que cumpra o seu papel, então poderá dizer que cumpriu as suas obrigações. Neste sentido, todas as campanhas que se realizem são óptimas oportunidades de sensibilização da população para uma realidade que até há muito pouco tempo lhe passou ao lado, sobretudo das camadas etárias mais idosas. Se as crianças desde muito cedo tomam contacto, na escola, com estes assuntos, como anteriormente se disse, o mesmo já não acontece, por exemplo, com a geração dos seus pais. É o caso do projecto «Ocupação dos tempos livres no ambiente», iniciativa organizada pela Câmara Municipal em conjunto com os alunos da Escola Superior de Educação de Santarém; e do projecto «Descobrir a Compostagem», que visa estudar o processo de valorização orgânica e o aproveitamento de todos os resíduos daquele género para posterior utilização na adubação das terras.
A existência de Ecopontos um pouco por todo o concelho, para a deposição de materiais recicláveis, desde o vidro ao papel, passando pelo plástico e pelo metal, é uma infra-estrutura à qual, cada vez mais, os tomarenses aderem de forma lenta mas tendencialmente generalizada. O mesmo se dirá, em termos de importância, da recolha de «monstros» que a Câmara leva a cabo regularmente.
No que concerne à recolha de resíduos urbanos e do destino final dos lixos domésticos e industriais, Santarém está integrado no Sistema Intermunicipal da Resitejo desde Abril de 1998. A Resitejo – Associação de Gestão e Tratamento dos lixos do Médio Tejo – é uma associação de dez concelhos do Médio e Lezíria do Tejo. Para além de Santarém, conta com a participação de Alcanena, Torres Novas, Entroncamento, Chamusca, Golegã, Constância, Vila Nova da Barquinha, Ferreira do Zêzere e Tomar.
Após a adesão ao Sistema Intermunicipal da Resitejo, os resíduos urbanos sólidos não valorizáveis deixaram de ser depositados em lixeiras e passaram a ser tratados na estação de transferência, sendo encaminhados para o seu destino final, o aterro Sanitário. Aqueles que podem voltar a ser aproveitados são encaminhados para reciclagem. A estação de transferência fica situada na zona industrial de Santarém, junto ao estaleiro municipal.
UMA SELECÇÃO MISTA
.
PORTUGAL/BRASIL – DINAMARCA
Não é a prim
eira vez que Portugal utiliza atletas nascidos em outros países como se fossem nados por cá. Várias são as modalidades em que isso aconteceu ao longo dos anos. Para tal só foi necessário verificar que se tinham naturalizado.
Um dos casos mais conhecidos foi e é o de Francis Obikuelo, que nos deu medalhas e reconhecimento internacional.
Também no futebol tivemos alguns. Nos anos sessenta dois jogadores do Sporting, e mais tarde um jogador do Boavista. Qualquer um destes três não terá feito mais que três ou quatro jogos pela nossa selecção.
Mais tarde apareceu Deco e depois Pepe, que já têm à sua conta bastantes jogos pelos portugueses. Agora é a vez de Liedson. Este, como os dois anteriores, foram chamados à naturalização por necessidades da equipa Portuguesa. Era necessário tapar buracos existentes na formação de futebol, onde não existiam jogadores nacionais de categoria.
Não foram chamados à selecção Portugueses naturalizados, antes, foram naturalizados Portugueses, para poderem ser chamados à selecção.
E é por essa razão que o meu desacordo surge.
Para além disso, vamos verificar no próximo jogo com a Dinamarca, e depois ainda e também nos outros, que mais de vinte e cinco por cento dos jogadores titulares, são estrangeiros naturalizados. Não será isto o desvirtuamento do que deveria ser uma Selecção Nacional?
Será que já vale tudo? Os fins justificam os meios?
Assim, a nossa selecção mais parece uma parceria Portugal/Brasil.
No próximo jogo com a Dinamarca, a verdade (será que ela interessa) será desvirtuada.
Provavelmente muitos outros países utilizam esta técnica para suprir faltas nas suas equipas, mas, porque eles fazem mal, nós temos de o fazer também?
Luiz Pacheco – Um Libertino passeia pela vida. 2 – Cronologia

No início desta série de «episódios» sobre este libertino genial, vejamos uma cronologia sumária da sua vida:
A vida de Luiz Pacheco em datas
1925: À uma e quarenta da madrugada de 7 de Maio nasce em Lisboa, num velho prédio da Rua D. Estefânia (no nº 91-1º), Freguesia de São Sebastião da Pedreira, Luís José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, que virá a adoptar o nome de Luiz Pacheco, filho de Paulo Guerreiro Pacheco e de Adelina Maria Machado Gomes. 1932: Entra no Ensino Primário. 1936: No Liceu Camões, começa o curso dos Liceus. 1943: Conclui o curso Completar dos Liceus (antigo 7º ano). 1944-45: Obtém boa classificação no exame de admissão à Faculdade de Letras de Lisboa, ficando isento do pagamento de propinas. Matricula-se no curso de Filologia Românica. 1945: Começa a colaborar em diversos jornais e revistas. 1946: Emprega-se na Inspecção-Geral dos Espectáculos. Com Jaime Salazar Sampaio, dirige o volume antológico Bloco. Assina as listas do MUD. 1947: É preso no Limoeiro, acusado do crime de estupro. 1948: Nasce Maria Luísa, sua primeira filha. 1950: Nasce João Miguel, o segundo filho. Cria a editora Contraponto onde irá publicar textos de escritores como Raul Leal, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires. António Maria Lisboa. Mário Cesariny de Vasconcelos, Natália Correia, Virgílio Martinho, António José Forte, entre outros.
1951: No dia seguinte ao da morte do marechal Carmona, presidente da República, apresenta-se ao serviço com uma gravata colorida, sendo repreendido e punido.1953: Morre sua mãe. 1958: Nasce o terceiro filho: Fernando António. Publica Caca, Cuspo & Ramela (textos de Luiz Pacheco, Natália Correia e Manuel de Lima; de sua autoria, edita Carta Sincera a José Gomes Ferreira. 1959: Publica na revista Pirâmide o texto «A Pirâmide e a Crítica» em que defende a revista dos ataques de alguns críticos literários. Nasce Luís José, quarto filho. Demite-se da Inspecção-Geral de Espectáculos. 1960: Em Maio, morre seu pai. Publica na revista Pirâmide o texto «A Pirâmide e a Crítica» em que defende a revista dos ataques de alguns críticos literários.1961: Nasce a quinta filha, Adelina Maria. 1962: Publica o conto O Teodolito. 1963: Nasce Paulo Eduardo, o sexto. Edita na Contraponto o livro Surrelismo/Abjeccionismo, uma antologia organizada por Mário Cesariny. 1964: Nasce Maria Eugénia, a sétima. Publica o seu livro mais divulgado A Comunidade.1965: Nasce Jorge Manuel, o oitavo e último filho. 1966: Publica Crítica de Circunstância.1967: Edita os seus Textos locais. 1970: Sai O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor. Visita a Tomar.

1971: Publica Exercícios de Estilo. 1972: Edita Literatura Comestível.1974: É a vez de Pacheco versus Cesariny 1977: Publica Carta a Gonelha e Textos de Circunstância. 1979: Sai Textos de Guerrilha 1. 1980: Publica O Caso do sonâmbulo chupista, sobre o alegado plágio de Namora a Vergílio Ferreira.1981: Saem os Textos de Guerrilha 2. 1984: Publica Textos do Barro.1985: Baptista-Bastos entrevista-o para o Jornal de Letras. 1986: Edita O Caso das Criancinhas Desaparecidas. 1988/89: A Comunidade é adaptada ao teatro e levada a cena pelo Teatro da Cornucópia.

1989: Adere ao Partido Comunista Português. 1991: Publica Textos Sadinos. 1992: Saem O Uivo do Coiote e Carta a Fátima. 1995: Concede uma longa entrevista à revista Ler. Sai Memorando, Mirabolando. 1996: Em 7 de Maio, por ocasião do seu 70º aniversário os filhos organizam uma festa de homenagem familiar. É publicado Cartas na Mesa. 1998: Publica Prazo de Validade. 2000: Sai Isto de estar Vivo. 2001: Uma Admirável Droga. 2002: Reedita Crítica de Circunstância, agora com o título Os doutores, a salvação e o menino Jesus – Conto de Natal. O Mano Forte. 2003: Raio de Luar. 2004: Figuras, Figurantes e Figurões. 2005: É entrevistado pelo Jornal de Letras. Sai o seu Diário Remendado (1971-1975). Cartas ao Léu.
2006: Vai para um lar no Montijo. 2007: É operado às cataratas. É entrevistado pela RTP. Dá também uma entrevista ao Correio da Manhã. 2008: Dá uma entrevista ao semanário Sol. Saem O Mito do Café Gelo e O Cachecol do Artista. É publicado O Crocodilo que voa. No dia 5 de Janeiro, acometido por doença súbita, morre na ambulância a caminho do hospital do Montijo. São 22 horas e 17 minutos quando o óbito é declarado.

Continuam a não perceber
Vamos lá explicar outra vez:
– a questão não é de forma! É de conteúdo!
A inveja, a última oportunidade Tuga
A inovação é a chave para a saída da crise e dos problemas estruturais da economia portuguesa. Inovar é encontrar forças onde os outros vêm fraquezas, encontrar soluções para problemas concretos onde os outros vêm nós que não se desatam.
Até os Lusíadas terminam com a palavra INVEJA, para sublinhar o quanto este sentimento é português. Ora a inveja se se converter em ambição de desejarmos o que os outros têm, não tem mal nenhum. Pelo contrário, leva-nos a dar ao pedal, trabalharmos para obter o que desejamos. Mas a inveja normalmente é acompanhada de outro sentimento que é a preguiça, quero ter mas não quero trabalhar, por isso como não tenho e não quero suar as estopinhas digo mal, ladrões, corruptos, malandros.
Ora, o facto de ter inveja e não querer trabalhar é que é português. Porque inveja todos têm. Eu por acaso invejo um gajo que tem uma mulher linda, mas não estou para deixar tudo para ter uma mulher linda, se é que alguma me queria. Adiante, que nunca mais chego ao que quero dizer.
Mas, agora, vejam que o gajo do 3º andar sempre que eu entro com um carro novo na garagem do prédio o gajo deita fumo pelas orelhas, de inveja. Vou utilizar esse mau sentimento a bem da economia. Encontro o tipo e digo-lhe, sabe que consegui pagar menos 30% de luz no mês passado? E menos 40% de água? E negociei com a empresa de telecomunicações e baixei 20% a facturação.
Revelam os estudos que um invejoso destes vai a correr fazer tudo para baixar a factura. Um investigador nos USA ( estes gajos não têm nada de invejosos) lembrou-se de enviar cartas a milhares de invejosos (mas pouco) a dizer que há pessoas que pagam menos 30% de energia. E não é que estes tipos (que não são invejosos) a primeira coisa que fizeram foi baixar a factura em 30% ?
Mas se a carta do investigador disser que baixar a factura da energia salva o planeta, nenhum mexe um dedo para economizar.
Agora, pensem nas potencialidades desta política em Portugal !
Em defesa da Linha do Tua
Após a série de «posts» do Vítor sobre a Linha do Tua, iniciada aqui e concluída no «post» anterior a este, não resisto a publicar de novo o texto que aqui deixei a 13 de Maio, «Em Defesa da Linha do Tua». Penso que faz todo o sentido este debate e até seria interessante saber quais são as intenções de cada Partido em relação a esta Linha (bem, em relação ao PS já sabemos).
O facto de sermos governados por um iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.
Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.
Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas da forma que se sabe e que fazem projectos de sarjeta!
Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícl. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.
Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.
Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo o que é?
Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte, são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha.
Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua? É o progresso! É o desenvolvimento!
Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que o Sr. José de Sousa, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Nem ele, nem o seu Ministro Jamais, nem aqueloutro Ministro que demoliu a casa onde viveu Almeida Garrett para aí construir o seu empreendimento de luxo. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente também, não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, embrenhada no seu novo papel de «cooperadora estratégica», sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.
Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio.
A ARTE (12)
A ARTE (12)
Nada do que disse atrás tem a ver com a Arte em si, e pode levar a que a obra perca a capacidade de se impor pela força da sua presença, e se imponha apenas pela assinatura ou pela auréola que à sua volta criaram os fabricantes de ideias e opiniões, vendo-se reduzida ao estatuto de simples objecto transacionável. Em minha opinião, esta é a face negativa da expressão artística, a que faz descer a obra do elevado patamar dos valores imateriais do homem, para o rasteiro patamar do ter e do poder, para a vertente menos edificante do ser humano, a posse. Este assunto é, todavia, muito complexo, abrangendo conceitos de dimensão mental e cultural, de dimensão económica, de dimensão simbólica, de dimensão política e de dimensão social, que não cabe aqui analisar em pormenor, e que levam a comportamentos e percursos que vão desde a dignidade à degradação.
Talvez tudo fosse diferente se a obra de Arte não tivesse autor nem valor material. O autor da obra é, com efeito, um dos maiores obstáculos à supressão do real-palpável. O autor-pessoa deveria desaparecer na conclusão da obra, a qual seria lançada ao vento como natureza essencial, com toda a sua liberdade e autonomia. Se tal fosse possível, e a obra pudesse ser património colectivo, então sim, poderia atingir o seu verdadeiro estatuto de ponte entre a dimensão antropocêntrica e a dimensão universal do homem, deixando de ser um mero ingrediente deste caldo generalista da nossa cultura. (Conclusão).

(adão cruz)
POEMAS DO LUSCO-FUSCO
Horas a fio
preso aos dias e às noites
– se calhar a vida inteira –
á procura de um verso que perdi
não sei onde nem quando
– nem sei mesmo se o perdi
ou se o levaste contigo! -.
QUADRA DO DIA
Está por de mais escrito
Por tudo quanto é lado
Que o vaticano bendito
É um poço de pecado.
Cartazes das Autárquicas (Mangualde)

via Avenida Central
António Soares Marques (actual Presidente), PSD, Mangualde.
As minhas férias com a Bibá Pitta
Na última semana de Agosto, passei uns dias de férias, na praia de Porto Novo, em Torres Vedras, com a minha amiga Bibá Pitta, o seu marido e a sua catrafada de filhos. Foram dias muito agradáveis e estou em crer que esta amizade irá fortalecer-se no futuro.
Está bem, está bem, dizer que passei férias com a Bibá Pitta será algo exagerado. Estivemos alojados no mesmo hotel, pronto. E dizer que nos tornámos amigos também é capaz de ser forçado. Trocámos uma frase na piscina do hotel – eu estava com a minha filha ao colo e aproximei-me das escadas da saída, junto às quais estava uma das filhas da rainha do «jet-set». Pensando que eu queria sair, disse simpaticamente para a filha: «Madalena, deixa passar o bebé.» Ao que eu respondi prontamente: «Não, não vou sair, obrigado.» E sorrimos um para o outro. Penso que foi uma conversa muito profunda aquela que tivemos.
Do resto das férias, retenho uma ideia: a de que no Oeste não se come grande coisa e a de que o serviço nos restaurantes é péssimo. Cheguei a esperar uma hora por uma sopa passada para a minha filha porque «a ordem dos pedidos tem de ser respeitada». Ou seja, primeiro serve-se a refeição completa a uma mesa de 10 indivíduos, só porque chegaram primeiro, e a árdua tarefa de despejar uma colher de sopa da panela para o prato tem de ficar para o fim. E a criança com fome, e a criança a fazer asneiras, e a criança a atirar tudo para o chão, e a criança a barrar a «t-shirt» do pai com uma daquelas manteigas de pacote, e o pai a lembrar-se da Carla Romualdo e do seu «post» Crianças vs. Restaurantes.
Salva-se a beleza natural de terras como Óbidos, Peniche ou a orla marítima de Torres Vedras, de Porto Novo a Santa Cruz.
No próximo «post», irei abordar a amizade que construí nestas férias, no mesmo hotel, com Luís Represas e Margarida Pinto Correia. Uma amizade que se traduziu numa fugaz troca de olhares na recepção do hotel. Fugaz mas significativa e, estou em crer, duradoura.
Termino por lamentar a vacuidade e a inutilidade deste «post». Deve ser do stress pós-traumático provocado pelo fim das férias. Os nossos leitores que me perdoem. A partir de agora, vou dedicar-me à política.
Contos proibidos: Memórias de um PS Desconhecido
«Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idóneas de financiamento dos partidos nem de transparência para os políticos. Um pouco à semelhança dos «pilares morais» do regime, a Maçonaria e a Opus Dei, tudo se decide às escondidas, como se o direito dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo grave, de algo subversivo.» (Rui Mateus)
O José Freitas referiu-se aqui aos «Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido», livro de Rui Mateus que abordava, em 1996, as ligações perigosas de Mário Soares e o caso Emaudio. O livro, que vendeu 30 mil exemplares no dia em que saiu a público, esgotou e não mais foi publicado. O autor encontra-se em paradeiro incerto. Joaquim Vieira abordou as principais acusações da obra na «Grande Reportagem» e foi despedido.
Num «post» anterior, no Aventar e no «5 Dias», já abordei algumas dessas acusações. A 30 de Janeiro de 2008, interpelei a D. Quixote acerca da não-reedição do livro. Obtive a seguinte resposta:
«Exmo Senhor
Vimos pelo meio informar de que o livro “Contos Proibidos” se encontra esgotado e não temos de momento previsão de reedição.
Grata pela atenção dispensada.
Com os melhores cumprimentos.
Anabela Oliveira»
Embuído do seu dever de levar a cabo uma política editorial de serviço público, o Aventar passa a publicar, a partir de hoje, alguns excertos da obra maldita de Rui Mateus, os «Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido». Para que as suas acusações, hoje que temos um primeiro-ministro suspeito de corrupção passiva, não caiam no esquecimento e para que, um dia, se venha finalmente a saber a verdade.
via Ferrão
«Há anos atrás, conheci em Washington um jovem economista de reconhecido talento que fazia parte da equipa do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Naquela época, o chamado fenómeno dos yuppies atravessava a sua fase dourada e David Stockman,com trinta e quatro anos de idade, era já apontado como um dos jovens políticos mais promissores do seu país. Com apenas vinte e oito anos, tinha sido pela primeira vez eleito congressista pelo estado de Michigan. O presidente nomeara-o director de «Management and Budget», o equivalente a ministro do Planeamento. Tinha o futuro à sua frente. Quatro anos depois, desiludido com a hipocrisia e o tráfico de influências que caracterizavam a vida política,a todos surpreenderia abandonando-a para escrever O Triunfo da Política.
É um livro surpreendente, que revela a falta de transparência da vida político-partidária e acusa o parasitismo daqueles que passam a vida a apregoar que estão na política por patriotismo e com sacrifício pessoal, pois poderiam estar muito melhor se se tivessem dedicado a actividades do sector privado – mesmo quando se sabe que, antes de entrarem na política, não tinham obra nem dinheiro. Num país em que as autoridades, os media e o público exercem um controlo rigoroso sobre o rendimento e financiamento dos políticos e sobre as suas actividades políticas e privadas, como é o caso dos Estados Unidos, que se regem por códigos de transparência acima de qualquer suspeita, David Stockman revelou a subtileza de meios que, mesmo assim, permitem o compadrio e o tráfico de influências no dia a dia dapolítica americana.
Em Portugal, neste pequeno país periférico, diminuído pela indigência e obscurecido pela opacidade, ensaia-se um sistema político-partidário moldado pelo Partido Socialista, onde só duas décadas após o restabelecimento da democracia se começa a discutir o tráfico de influências, a transparência e, enfim, o cidadão. Discussão envolvida em tanta hipocrisia e por métodos tão falaciosos que poderemos considerar que o nosso país, neste capítulo, se encontra num espaço cultural de transição entre o fascismo e um «estado de juízes», que não vislumbra um regime de verdadeiro controlo e legitimação democrática das instituições.
O «triunfo da política» e dos seus principais protagonistas, exactamente pelo modo como foi construído o regime após o 25 de Abril, começa a revelar perigosos sintomas de erosão da credibilidade das instituições, evidenciados pela crescente descrença popular. A democracia portuguesa, no actual contexto ocidental, embora irreversível na sua aparência formal, resvala perigosamente para «um corpo de funcionários sem legitimação democrática directa ou indirecta, como é, entre nós, o corpo de magistrados», que é dominado «por certas correntes que professam uma concepção militante, radical e fundamentalista da magistratura, a qual, geralmente aliada ao protagonismo político de alguns, tem subjacente uma cultura de intervenção, quando não de contrapoder e confronto com os órgãos de soberania político-representativos» . À semelhança do que acontece em Itália, berço do pensamento e acção fascistas que assolariam a Europa nos anos 30, também hoje é legítimo perguntar se o «governo dos juízes» que tem vindo a devastar aquele país, não estará a ser aproveitado para fins políticos também em Portugal, onde o protagonismo de alguns juízes, recentemente convertidos à democracia, tem feito impunemente os seus progressos perante uma cada vez mais amedrontada «classe política».
Não me tendo ocorrido escrever um livro antes, daria oportunidade, em 1990, a um semanário lisboeta que prometia desvendar mistérios através de um respeitável jornalismo de investigação, de se ocupar da difícil e ingrata tarefa de «investigar» o estado da Nação em matéria de compadrio e tráfico de influências. Lamentavelmente, o resultado não passaria de uma pusilâmine caça às bruxas e da reprodução de reles «fugas» de indisfarçável apologia fascista, bem inseri das numa estratégia, que, a vencer, conduzirá, inevitavelmente, ao «estado dos juízes». Tratou-se do chamado «fax de Macau» e da cegueira com que o processo, a todos os níveis, seria conduzido. Numa total inversão de papéis e segundo uma ética dificilmente digerível, a própria jornalista de investigação» se revelaria jornalista-testemunha» empenhada, através da mentira e do perjúrio, em crucificar as suas «fontes», ajudando a cruzada da magistratura.
Concurso Aventar: Onde fica esta estrada? – Resultado
Tal como dizia ontem, durante estas férias, tive o prazer de percorrer, pela primeira vez, uma «estrada particular com portagem». Não uma auto-estrada, mas uma vulgar estrada. É uma estrada lindíssima, mas para percorrê-la tem de se pagar 85 cêntimos.
O concurso consistia em descobrir onde fica esta estrada: lugar, freguesia e concelho. Nenhum leitor deu a resposta integral, mas o prémio, o livro «Torres Vedras: Na Esteira das Velhas Torres», da minha autoria, será entregue na mesma. O vencedor é o nosso leitor Snail, que indicou tratar-se de uma estrada no Vimeiro.
Com efeito, esta estrada inicia-se no lugar de Porto Novo, freguesia da Maceira e concelho de Torres Vedras, em frente à entrada para o Hotel Golf Mar. Sermpre ao lado do rio Alcabrichel e depois do campo, passa pelas Termas do Vimeiro, onde se encontra a dita portagem, e termina poucos quilómetros à frente, ainda na freguesia de Maceira. Vimeiro, curiosamente, é uma freguesia do vizinho concelho da Lourinhã.
A resposta do Snail, mesmo não estando completa, merece o prémio.
P. S. – À atenção do nosso leitor Dalby: um único comentário a este «post» e, como retaliação, publicarei «Torres Vedras: Na Esteira das Velhas Torres» I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII…..
QUE DISTRAÍDOS QUE NÓS ANDAMOS!
Um cidadão! Um voto!
Estamos em democracia! Maravilha!
Nós andamos distraídos com os fumos de incenso (ou charro) que os nossos governantes e tantos outros (i) responsáveis vão espargindo pelos canais da estupidez institucionalizada, sobretudo nestas eleições. Aos muitos pataratas que enxameiam de caras ocas os milhares de outdoors, aos directores disto e daquilo cujo mérito nunca ninguém viu, aos comentadores que dão vontade de rir pelas ostensivas banalidades que vomitam, aos bem traquejados corruptos deste país, aos ressequidos economistas e curandeiros de um cancro financeiro incurável, que eles próprios geraram, aos pregadores da oração como arma politiqueira de arremesso, é-lhes dado todo o poder e toda a liberdade de comunicação. Os donos da “informação” lambem-se todos com as suas sensaborices. Preenchem o tempo, dão “vida” ao canal, deixam os neurónios em paz e criam audiência. Os donos da informação sabem-na toda! Olha quem!
A verdadeira informação, a informação das pessoas sábias, sérias e honestas, aquela que, eventualmente, poderia ter poder para mudar comportamentos não existe. Nem se pode deixar que exista! Há, isso sim, uma total liberdade “democrática” para usar, de forma humilhante e perversa, a eterna desinformação que mantém moldadas as cabeças de um povo sem vontade, massificado e estupidificado.
MAIS SEIS MIL PARA O AFEGANISTÃO
Mais seis mil militares para o Afeganistão. Nova estratégia de guerra, já que a actual não leva a lado nenhum, dizem os excelsos generais dos states, os que mandam, ou que julgam mandar. Mais carne para canhão!
Pobres lorpas que não aprendem de modo algum. Já esqueceram o Vietnam, já começam a esquecer o massacre e o lamaçal que deixam no Iraque, de onde estão a ser escorraçados com os calcanhares a bater no cu, quer queiram quer não. Ao elegerem o inimigo errado, muitos dos pregadores da paz e da liberdade são co-responsáveis pelo engrossamento do exército de refugiados, oprimidos e condenados da terra. Co-responsáveis no abrir de portas e no estender de tapetes às chancelarias do crime organizado. Por mais que preguem e por mais conferências que façam, não anulam o descrédito em que caíram ao pretenderem convencer-nos de que as expectativas de paz, liberdade e justiça só são possíveis com guerras ou com orações a Deus, as quais, pelos vistos, só são ouvidas quando saem da boca dos afortunados e não quando tomam a forma de gemidos dos milhões de afegãos, iraquianos e tantos outros que morrem às pilhas no deserto do silêncio, da fome e do sangue.
A ARTE (11)
A ARTE (11)
Não quero terminar sem dizer que há necessidade de distinguir entre Arte, obra de Arte e mercantilização ou mercadotecnia da Arte. A Arte, a mais nobre vertente da vida humana, sentimento artístico como qualquer outro sentimento, como o sentimento da alegria, da tristeza ou da liberdade, é parte integrante da nossa esfera neural e mental, e desta forma pode ser considerada eterna, dentro da relativa eternidade humana. Sendo a obra de Arte a expressão visível e palpável do sentimento artístico, e, como relação de vida que é, exige, para ser vivida integralmente, uma contemporaneidade de sentimentos. Sou dos que pensam que a obra de Arte, como vivência integral, é efémera, ainda que esta efemeridade possa durar séculos. Há momentos a que chamamos eternos na Arte da antiguidade ou correntes artísticas ditas imortais. Mas estes momentos, estas correntes, ainda que nunca perdendo a transversalidade universal da Arte, têm o valor que lhe damos em função das necessidades e dos interesses actuais. Não sou, contudo, radical ao ponto de referir o vazio dos recalcitrantes defensores do classicismo ou, em sentido oposto, o cheiro cadavérico dos museus.
O mercado da Arte engendra formas, não de purificar a Arte, mas de divinizar a obra-objecto, endeusar e entronizar os autores através de cadeias de relações, validação de marcas e autorias, legitimações culturais e históricas, leilões e jogos de galerias, tantas vezes snobs, e subterrâneos, juízos de valor produzidos e caucionados por elites, de acordo com os interesses e mais-valias que possam render. Senhores ditos muito cultos, servindo-se de exaustivos materiais bibliográficos, criadores de textos labirínticos com grande projecção pública, encerram o fenómeno artístico nas densas malhas das suas análises, fabricam convicções e preconceitos, maquetizam a liberdade dos sentimentos, e quando nos damos conta já a Arte e a vida desandaram para outros caminhos. Mentalidades dirigistas, cheias de regras, liturgias e falsos mitos, que nos afastam da arte de viver a Arte. Vivemos num mundo dominado pela técnica, sufocados pelo egoísmo. Tudo ou quase tudo o que nos envolve é artificial e muitas vezes falso. Vivemos alienados e escravizados. Pena é que esta escravização tenha invadido e contaminado a expressão artística. (Continua).

(adão cruz)
POEMAS DO LUSCO-FUSCO
Na luz do tardio amanhecer
no claro-escuro do fim da tarde
no descer da rua
no virar da esquina
no entrar da porta…
já não importa
se o tempo vai se o tempo vem.
Tudo hoje é rua
tudo hoje é esquina
tudo hoje é porta
de um tempo que se não tem.
QUADRA DO DIA
E que diga ao vaticano
Que olhe bem para trás
É um exemplo muito mau
Fazer aquilo que faz.
Um país à beira da ruína…
Medina Carreira diz o que muitos pensam, “essa gente” não faz ideia onde está a meter o país. Uma dívida que cresceu nos últimos 8 anos 54% e que corresponde a um pagamento de juros acrescidos de duzentos e tal por cento. Se lhe juntarmos os empréstimos necessários para fazer as obras públicas socráticas, entre 2015 e 2020 damos baixa. Se alguem a aceitar, obviamente, porque a alternativa é o empobrecimento do país.
Corremos o risco de termos as melhores autoestradas da Europa, e não termos dinheiro para nos deslocarmos de automóvel; o TGV só para espanhóis; um aeroporto para recebermos os velhos do centro e do norte da Europa que vêm para cá apanhar sol; outra ponte, como a da Lezíria, sem tráfego automóvel.
Se não criarmos riqueza vamos para o empobrecimento, mas criar riqueza dá muito trabalho, é preciso competência, capacidade de liderança, ser capaz de captar investimento privado, desenvolver uma política competitiva fiscal, reformar a Justiça, tornar a administração pública amigável, competir num mundo competitivo global.
É mais fácil entreter-se com a família, com as uniões de facto, atirar dinheiro para cima dos problemas, usar as golden shares em empresas públicas a bem não se sabe de quem, fazer “take over” ao BCP , ao BNP e ao BPP, os ajustes directos das obras públicas…
Essa gente não serve para coisa nenhuma, diz Medina Carreira, que é um homem que não precisa dos favores do Estado nem dos partidos!
Quatro ou cinco ministros de grande qualidade, com experiência profissional, sem suspeitas de corrupção, independentes de favores, apoiados pelo Presidente da República e por uma maioria na Assembleia da República, resolviam os problemas do país.
Com “essa gente” não vamos a lado nenhum…
Arranjadinho…
Quem diria que o nosso Primeiro se desse como arranjadinho, o homem que anda de braço dado com os grandes deste país convencido que é um deles.
Como fez bem ao nosso primeiro Ministro a “banhada” das Europeias, muitos erros teriam sido evitados, teria ouvido quem lhe chamou a atenção para o país real, as empresas que asseguram 70% do emprego e 90% da riqueza, teria tido cuidado com os contratos ruinosos que assinou com as empresas onde estão colocados os amigos políticos, reflectido sobre os megainvestimentos que são mais do mesmo e que o país não pode pagar.
Tantos erros por julgar que ter a maioria absoluta é decidir absolutamente, sem cuidar de ouvir o país, encontrar decisões ajustadas mesmo que as que tivesse de negociar, não ter medo de aplicar o que de bom lhe foi aconselhado.
Pois é senhor Primeiro Ministro, Vossa Excelência é muito melhor assim, sem arrogância, percebendo que em Democracia não se é Primeiro ministro, “está-se” Primeiro Ministro, que quem o lá pôs já o desmontou, e ùnicamente porque Vossa excelência governou mal.
O estado do país não deixa dúvidas a ninguem!
Henri Fantin – Latour na Gulbenkian
Uma exposição magnífica sobre o mais discreto dos eminentes escritores Flamengos (e seus amigos ) da sua época (1836-1904),que infelizmente tem sido pouco estudado. No entanto, a mais importante exibição da sua obra foi efectuada no Grand Palais em Paris, na National Gallery do Canada, em Ottawa e na California Palace de Legião de Honra de S. Francisco, no ano de 1982.
Vinte e cinco anos depois dois especialistas estudaram a obra do pintor, comemorando os artistas impressionistas, que colocaram Fantin-Latour no mesmo nível de Claude Monet, ou de Edouard Manet .
Fatin-Latour nasceu em Grenoble no ano de 1836 e nos primeiros anos da sua vida retratou-se a ele próprio, num execício introspectivo que nos leva a Rembrandt e Titian, numa procura incessante da expressão das emoções, através da sua própria imagem.
Trabalhou no Louvre como “copyst” e como meio de subsistência, tal como Manet ou Degas fazendo cópias de grandes “mestres” entre os quais Titian, Veronese, Rubens e Delacroix, o seu “mestre espiritual”.
Fantin- Latour era um melómano e esta sua paixão pela música foi uma das suas maiores inspirações para os seus trabalhos de pintura.
A não perder, definitivamente!
A Ministra da Educação, essa indelicada
Quando mudei para a RTP e vi a bela Judite, o nosso Primeiro-Fax estava a falar dos professores. Elencando uma série de medidas extraordinárias que tomou no ensino, esqueceu-se, no entanto, da maravilhosa avaliação dos professores e da inenarrável divisão promovida pelo Estatuto da Carreira Docente.
Quando disse que tinha faltado apenas delicadeza da parte do Governo para explicar aos professores as medidas tomadas, achei que era demais e mudei para o CSI Nova Iorque. Ficção por ficção, os actores americanos sempre são de melhor qualidade.
Santarém, Capital do Gótico (XI)
(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)
SANTARÉM E O 25 DE ABRIL: DAQUI PARTIU A REVOLUÇÃO
Santarém foi palco de dois acontecimentos importantíssimos na história do Portugal da segunda metade do século XX. Em 1958, a candidatura de Humberto Delgado à presidência da República, que abalou os alicerces do regime ditatorial de Salazar, teve um momento alto na cidade, aquando da presença do General Sem Medo, em plena campanha eleitoral, e durante os comícios que se seguiram.
Em 1974, o 25 de Abril culmina um processo marcado por longos anos de esperanças sem efeito. Tudo aquilo que se esboçara em 1958, mas sem sucesso, tinha agora efectiva concretização. De Santarém partiu a revolução, no dia em que o capitão Salgueiro Maia liderou os seus homens em direcção a Lisboa. O dia de todos os sonhos foi com toda a certeza o mais belo de quantos se viveram em Portugal na centúria ora terminada. Não terá oportunidade de exercer a cidadania plena quem não viveu aquele dia. E Santarém pode estar agradecido, ao seu herói, por ter colocado a cidade na história dos anos de Vinte.
Logo nos inícios do século, o prenúncio do que viria a acontecer. Por ter sido sede do movimento revolucionário contra Sidónio Pais, a partir de Janeiro de 1919, Santarém foi contemplada com o título de Oficial da Ordem de Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. No mesmo dia, a par de Santarém, Porto, Coimbra, Évora e Bragança receberam o mesmo título, enquanto que Alcobaça e Caldas da Rainha, por serem apenas vila, foram condecoradas com o grau de cavaleiros da Torre e Espada.
«Obviamente, demito-o!»
A notícia da passagem de Humberto Delgado por Santarém, em 1958, na campanha para a presidência da República, rapidamente se espalhou por toda a região – folhetos clandestinos, autocolantes e mensagens boca a boca comunicavam a todos a presença do General Sem Medo.
O dia histórico aconteceu em 30 de Maio. Pelas onze horas da manhã, já uma multidão convergia para o largo do Seminário. Nem uma palavra, porque as paredes tinham ouvidos; alguns olhares furtivos, que a PIDE estava em todo o lado; sorrisos cúmplices, porque o fim do regime estava aí, à distância de um voto.
Uma fantochada, essas eleições. Sabia-se que não seria de outra forma, mas havia a tal oportunidade. A «luz ao fundo do túnel», frase feita mas RETOMAda em todas as ocasiões. As palavras do General, ditas sem medo, a ressoar em esperançosos ouvidos: «Obviamente, demito-o!»
Obviamente, não iria demiti-lo, porque não lhe iria ser dada a oportunidade para tal. Ganhou as eleições, mas ganhando-as, perdeu-as. Como sempre, o candidato do regime venceu, a «paz podre» do Estado Novo continuou e as sombras, ao virar de uma esquina, por trás de uma parede, dentro da própria empresa, ali se mantiveram. Silenciosas como sempre, traidoras, traiçoeiras, inquietantes.
Pouco depois do meio-dia, chega Humberto Delgado junto à igreja da Piedade. Quando alcança a estátua de Sá da Bandeira, diz: «Saúdo este Homem, também ele amante da liberdade, que sempre lutou pela liberdade, e merece toda a nossa admiração». Esfusiante, o povo aplaudiu. Sempre, todos os dias e até ao fim da campanha. Em Santarém, no Porto (se calhar o maior ajuntamento de pessoas antes do 25 de Abril) e em todos os lugares por onde o General passou.
«Uma estrondosa salva de palmas ecoou então subitamente. A esperança renascera em todos os corações. Havia lágrimas em alguns olhos. Era já difícil calar o entusiasmo de uma população galvanizada pela presença do General, que com a sua coragem fez abalar os alicerces já um tanto apodrecidos do velho regime. Martinho do Rosário que, como eu, presenciou este grandioso evento, dirá: «Para Santarém, o dia 30 de Maio de 1958 e o dia 25 de Abril de 1974 são dois marcos imperecíveis no arranque para a consolidação da democracia». Este terá sido um dos momentos mais inesquecíveis de entre os vários que ocupam lugar de destaque na minha memória. Passaram quarenta anos sobre este acontecimento… e não saberei mesmo como relacionar a presença furtiva de Rosa Casaco, alguns anos depois, numa das ruas de Santarém, com os acontecimentos que levaram ao homicídio covarde e monstruoso do General, em 1965.» (Luís Eugénio Ferreira)
Quatro dias depois da presença do General em Santarém, a 4 de Junho, no teatro Rosa Damasceno, uma espécie de comício eleitoral propagandeava as virtudes da candidatura de Humberto Delgado. Fachada «para inglês ver», que é como quem diz, para a opinião pública internacional. À porta, dois agentes da PIDE tomavam nota de quem entrava.
Chegadas as eleições, Américo Tomás vence com mais de 75% dos votos. Oficialmente, Humberto Delgado tem apenas 23%, o que nos faz pensar que, sem fraudes nem as «manigâncias» de que tanto se falou na época, as posições dos candidatos teriam sido exactamente inversas.
Em Santarém, por exemplo, Delgado venceu em todas as vilas significativas, em certos casos por percentagens esmagadoras. O mesmo aconteceu em grande parte do distrito. Alpiarça é o caso extremo, onde Delgado obteve 83 por cento dos votos contra 17 por cento para Tomás. Em Almeirim as percentagens foram, respectivamente, 77,9 contra 22,1 a favor de Delgado e em Alcanena não estiveram longe: 72,4 por cento contra 27,6. Mesmo em Rio Maior, onde o equilíbrio foi maior, Delgado venceu por 51,2 contra 48,8 por cento.
Depois dos dias quentes de 58, pouco coisa mudou em Portugal. Veio a Guerra Colonial, chegou finalmente a morte de Salazar, faltava agora acabar com o bacoco regime. Só com a força das armas é que tal seria possível. E foi aí, a 25 de Abril de 1974, que Santarém entrou de novo em acção.
Sementes de revolta
O velho teatro Taborda, que abrira ao público nos anos 40, foi um dos espaços que funcionou, em Santarém, como local de movimentações políticas e de revoltas contra o regime do Estado Novo.
Assim aconteceu desde a década de 60, mas há muito que se tinha tornado num importante centro cultural da cidade. Aí estivera sedeado o Clube Literário Guilherme de Azevedo, que promovia conferências e exposições e albergava no seu seio o Coral Infantil Scalabitano e o Grupo Coral Infantil. Aí esteve também, mais tarde, o Círculo Cultural Scalabitano, que tinha como figura de proa Ginestal Machado.
Nos anos 60, como já se disse, passou a funcionar como centro dos opositores ao regime. Adriano Correia de Oliveira e Carlos Paredes, ambos já desaparecidos, eram dois dos nomes que actuavam na sala com a sua música de intervenção, que lentamente ia abalando as estruturas do Estado Novo e as convicções de quem ainda acreditava naquele estado de coisas.
Os cafés também eram espaços onde as sementes de revolta germinavam. O «Quinzena», o «Portugal», o «Brasileira» ou o inevitável «Central». Neste, a reunião dos democratas era mais ou menos declarada, embora sempre com mil cuidados, pois o mínimo pretexto poderia servir os intentos da PIDE. Ali se passaram episódios mais ou menos importantes, que invariavelmente tinham como protagonistas advogados ou funcionários conotados com a oposição. Mas como o café também era poiso de autarcas e abastados membros da sociedade, uns acabam por vigiar os outros e, por isso mesmo, o recinto acabava por servir apenas como ponto de encontro para outras aventuras.
«Nessa tarde, ao entrar no «Central», deparei com dois indivíduos com aspecto de jornalistas, ponto de vista apoiado pela presença de algumas câmaras fotográficas colocadas a seu lado. Pensei: «Aí estão os jornalistas que se encontrarão com Eurico Ferreira. Naturalmente dirigi-me a eles e perguntei: Os senhores são os enviado
s
do «Le Monde» que vêm encontrar-se com o Dr. Eurico Ferreira?
Não me deixaram terminar a pergunta, nem começar outra. Um deles respondeu-nos com um certo enfado.
– Como sabe o senhor que somos jornalistas, ou com quem vamos encontrar-nos?
Achei inútil prosseguirmos o diálogo, que nem sequer se chegou a estabelecer. Concluindo que nada mais tiraria deles, despedi-me, desejando-lhes uma boa viagem. Ao fim da tarde, pelas 19.30 horas, compareci em casa do Dr. Eurico Ferreira que na circunstância me apresentou os aguardados dois jornalistas franceses, que não exactamente por mera coincidência, eram mesmo os dois referidos senhores que eu encontrara horas antes no café Central. Rimo-nos do facto, não sem me explicarem que acabavam de chegar de visita a algumas ditaduras da América do Sul, estando por isso familiarizados com os procedimentos policiais seguidos nesses regimes, em que todo o cuidado era exigido da sua parte. Portugal era então reconhecidamente uma república das bananas. Em Santarém, entrevistariam o bispo residente, o governador civil e por fim, o comandante da Escola Prática, só não lhes tendo sido possível antever que seria daquele quartel que alguns anos mais tarde iria nascer o 25 de Abril e renascer Portugal para o futuro.» (Luís Eugénio Ferreira)
Luiz Pacheco – Um Libertino passeia pela vida. 1 – Apresentação

Luiz Pacheco nunca quis ser uma «pessoa respeitável». Fez tudo para não merecer essa classificação pela qual tantos se batem durante as suas vidas – foi repetidamente preso, não por política, mas por crimes de delito comum. A cadeia do Limoeiro foi para ele uma segunda casa. Passando em revista as suas «proezas», encontramos «abuso» de menores – embora tanto quanto se saiba não fosse um pedófilo; foi preso por crime de rapto e de estupro, alcoólico, abusando do vinho tinto e da cerveja, pediu dinheiro a toda a gente, chegou a andar a pedir esmola pelas ruas, ia aos quartéis pedir os restos do rancho para alimentar a família, falsificou selos, publicou textos teoricamente impublicáveis (mas de autores que depois se vieram a tornar famosos como Vergílio Ferreira, Mário Cesariny de Vasconcelos, Natália Correia, Herberto Hélder, ganhando o rótulo de «editor maldito», fez repetidas incursões na homossexualidade. Disse ter feito sexo com uma cadela… – «proeza» que depois desmentiu – Tudo isto nos chegou em depoimentos do próprio (pois foi ele o seu melhor biógrafo).
Nunca escondeu estas coisas e nem há como saber se tudo foi verdade – com ele, a profissão de chantagista deixaria de fazer sentido, pois enquanto muita gente inventa heroísmos e esconde o que não é bonito nas suas vidas, Pacheco fez gala (e inventou-os?) em ter cometido actos sórdidos. Embora os que comprovadamente praticou fossem suficientes para lhe ornamentar o currículo. Nunca experimentou drogas, fez questão de salientar – o bagaço, o vinho tinto e a cerveja foram suficientes para lhe causar problemas.
Esta luta incessante pela irrespeitabilidade, numa permanente e dir-se-ia que voluntária, descida aos Infernos, valeu-lhe, surpreendentemente, o respeito generalizado da comunidade literária. Não teria nada a aprender com François Villon ou com Bocage. Em todo o caso, é bom que se diga, citando Pacheco em entrevistas, falando dos seus amores por adolescentes – «as miúdas eram mais adultas do que eu, não havia pedofilia» e, outra coisa muito importante, «o libertino tem regras, por exemplo, não se mete com a mulher do amigo». Apesar deste «código deontológico do libertino», não é possível ignorar que algumas das proezas de Pacheco, nomeadamente o seu envolvimento com raparigas menores são hoje, ainda mais do que na época, crimes reprováveis. Porém, sem querer encontrar desculpas, há que contextualizar as coisas – o conceito de pedofilia não estava, por aquela primeira metade do século XX, implantado (os dicionários, os que registavam o termo, ainda diziam: «Pedófilo, s. m. – Amigo das crianças…»). Quando cometeu o primeiro crime de «rapto e estupro» tinha 18 anos, apenas mais quatro do que a «vítima». Casou com a sua a primeira mulher no Limoeiro. Reincidiu. Várias prisões, vários filhos – oito – três da primeira mulher, dois da segunda, mais três da terceira. Filhos, delitos e prisões confundem-se. Estão intimamente relacionados. Não gostava que lhe chamassem «escritor maldito» – «Maldito é o gajo que escreve mal», exclamava. Pacheco nunca quis quer ser respeitável e, sobretudo, não quis respeitar as convenções. É um mundo que não merece ser respeitado – «todos somos culpados até prova em contrário», afirmou.
Porém, de delinquentes estão as prisões cheias. Não é pelas suas incursões no submundo e na face oculta da moralidade instituída que o recordamos. Porque esta faceta da sua reincidente transgressão das normas sociais, esconde outra realidade mais profunda e duradoura – a grande qualidade da sua escrita. Luiz Pacheco é um grande escritor. A sua libertinagem tem muito de quixotesco, transmutando acontecimentos sordidamente banais em episódios épicos. Quando a bruma dos tempos desvanecer as suas aventuras de modesto libertino, transformando-as em lenda (como aconteceu com Bocage), dele ficar-nos-á, além da memória de um ser estranho, irreverente e associal, belas páginas, das melhores que se escreveram no seu século – O Teodolito, por exemplo, é obra literária de elevada qualidade. E foi um grande editor – além dos nomes acima citados, António Maria Lisboa, Manuel de Lima, António José Forte, Virgílio Martinho, foram publicados por Pacheco – tal como os anteriores.







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