Cartazes das Autárquicas (Baião)

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José Luís Carneiro (actual Presidente), PS, Baião.
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José Carlos Póvoas, PSD, Baião.

O meu regresso às aulas (eu e os meus 200 alunos)

Apresentei-me hoje ao serviço na escola onde fui colocado. Pela primeira vez nos 16 anos em que lecciono, estive na Reunião Geral de Professores, estive na primeira Reunião de Departamento, estive em todos aqueles reencontros de colegas que já se conhecem há anos (oh pá, estás bom? porreiro, pá, porreiro!). E eu ali, num canto, como outros, tímido e sem conhecer ninguém.
Pela primeira vez desde que lecciono, sei quais são as turmas e os alunos que vou ter, sei onde ficam as salas de aula e os materiais pedagógicos, sei como funciona a escola. Pela primeira vez, não entro com o ano lectivo a decorrer. Pela primeira vez, sei que os meninos que terei no 7.º ano serão provavelmente meus alunos no 8.º e no 9.º ano. Vou vê-los crescer. Pela primeira vez, sinto que aquela é a minha escola. Porque é por quatro anos. E porque sei que não me vão mandar embora no momento exacto em que já me adaptei completamente e em que já me apaixonei pelos meus alunos.
Depois disto tudo, o facto de ter um horário com 7 turmas de três níveis diferentes e mais de 200 alunos, para além de uma Área de Projecto, uma Formação Cívica, um cargo de Director de Turma e um outro de Coordenador de Grupo, até parece pouco. Ao longo do ano, irei certamente ver que não é. O que me vale é que os professores não fazem nada!

Amor

cavalo
Se eu pudesse definir o amor, definia-o como esta canção. Os meus ouvidos viram flores e os meus lábios tremem. O som embala-me e deixo-me ir. Sinto felicidade no olhar e o céu parece convidar-me para uma ceia de reis. O som embala-me e eu vejo-me só e nu em cima de um belo cavalo lusitano correndo com ele nas praias matinais desertas e com as crinas a rasgar a espuma das águas do MAR ainda adormecidas na madrugada…O cavalo é castanho escuro, forte e obedece-me, e eu vou saltando e correndo com o meu corpo e sexo nus sobre o seu dorso protector…Não tenho medo e a autora rasga o dia com laivos e alvos de prazer…O vento doce e quente bate-me nas sobrancelhas e abro a boca para comer o ar e o seu doce oxigénio vital…O cavalo corre e eu protejo-me da água fria que rivaliza com o ar quente que nos desperta para o dia glorioso e imbatível…Eu, nu, e o cavalo indiferente corre , corre cavalga… sempre em frente, comigo sobre ele, eu nu e com o meu sexo encostado ao seu pelo e dorso protector…agacho-me, agarro-me e seguro-me a ele, e corremos ainda mais veloz como barcos contra a corrente…a manhã pura da praia, infernalmente pura e intocável começou…! O cabo do TORRÃO DO LAMEIRO abre-se em todo o seu esplendor ao céu, ao homem, à natureza…A frescura e o ar húmido da manhã embalam o cavalo e a mim..de repente mudámos de rumo e subimos, subimos, oh voámos….mudámos de direcção e subimos para o céu..perdendo-nos no horizonte sem fim…ouvindo por todo o Cosmo «NO ORDINARY LOVE»..O Outono chegou!

O Ministro não governa mas escreve livros

Maldosamente, insinua-se que a Justiça não funciona e que havendo tanto a fazer o ministro anda escondido nas trincheiras em vez de vir à luta. O esquecimento da Justiça, como prioridade deste governo é, òbviamente, um objectivo político. Não se pode afrontar quem anda a investigar o Primeiro Ministro, e esta evidência remete-nos para a discussão se bastará a um Primeiro Ministro não estar acusado, mas poder ser suspeito. Não pode como se torna evidente. A paz podre na Justiça é disso prova mais que suficiente.

A ideia com que se fica neste recuo do governo perante as corporações organizadas dentro da Justiça, é que havendo suspeitos no governo ou afins, isso fragiliza quem é investigado e fortalece quem investiga. O governo não tem capacidade de iniciativa nem os actores da Justiça lha reconhecem. A ética é um valor supremo na governação do país, e se não há ética nos governantes, ou parecendo que não há, alguem tira partido disso. Todos tiram partido disso.

Ficamos agora a saber que o Ministro da Justiça, incapaz de tomar as medidas que há muito se tornaram inevitáveis, pois o país não pode continuar a ter este luxo de a Justiça não responder, minimamente, aos interesses da sociedade e da economia, escreveu um livro sobre as medidas que não é capaz de tomar!!!!!!

Estamos a entrar no reino do burlesco, do faz de conta, é como o Ministro e Sócrates, perante o clamor crescente dos que vêm o país ir esgoto abaixo, se ponham a gritar ” estão a ver eu até tenho ideias, eles é que me não deixam pô-las em prática”.

Este país é realmente um caso sério para estudo, do que tem de joguinhos de poder, dos poderes arrogantes de quem devia estar ao serviço do interesse geral e não está, de quem devia estar em casa a escrever as memórias e faz de conta que governa.

Mas ser Ministro desaparecido, não governar e escrever livros sobre o que não lhe deixam fazer, é único no Mundo! Não leiam!

A Ginjinha do Rossio

Tenho a certeza que há aqui muita gente que percebeu que o meu texto ” Ó Carolina arredonda a saia…” tem a ver com a ginjinha nada com patrocínios…

Até porque está ali há quase um século e faz parte do Rossio, não precisa que se fale dela, impõe-se pelo seu carisma, até lá tem uma história (escrito como o Loures ensinou) da sua criação com mosteiros e monges à mistura como não podia deixar de ser estando como está em lugar tão especial.

Eu tenho que voltar sempre ao Rossio, à Igreja de S. Domingos onde se diziam as missas e se preparavam os desgraçados para a fogueira, o Palácio da Independencia com o traidor ainda dependurado na varanda, o Teatro D. Maria II onde estavam os calaboiços da Santa Inquisição e, antes disso, as cavalariças reais, o que não deixa de ser bem demonstrativo das hierarquias da época.

As portas de Santo Antão onde terminava a cidade ainda hoje fervilham “de muitas e desvairadas gentes” como no tempo de Luis de Camões e, ali perto, o Paço do Tronco onde o “mais português dos portugueses” esteve acorrentado por andar à espadeirada (decerto por alguma dama).

Logo ali a Praça da Figueira assente no leito seco de duas ribeiras que descem a Av Almirante Reis e a Av. da Liberdade, e nos escombros de um dos primeiros edificios do mundo a ser construído para acolher doentes,o Hospital de Todos- os- Santos, hoje o S. José e que vai voltar a ser de Todos -os-Santos agora na ribeira de Chelas . Tudo a desaguar no Largo do Rossio onde a multidão crente e religiosa se juntava para ver assar os seus semelhantes.

E, quando a mesma emoção de sempre, começa a subir-me pela garganta ( não sei porquê mas é o único lugar onde sinto que faço parte de uma caminhada com sentido)a ginja (pequeno, o copo) apazigua-me a ansiedade, a angústia que comecei a identificar quando li Cesário verde, ” uma incompreensível vontade de morrer ” ver o fim da tarde de Lisboa, a pressa das pessoas para voltarem para suas casa sem nada verem, o voltar as costa a um sítio que nunca mais verei da mesma forma, mesmo que lá volte todos os dias.

…e os ranchos de jovens raparigas, que voltam ao sol- pôr a cantar, levai-me para o meu doce lar…” chorava o Cesário Verde, o poeta de Lisboa, a despedir-se da gente e da cidade que amava, adivinhando que íria partir tão cedo. Quando voltar costas, já com a ginja para o caminho, percebo que é só o que posso levar comigo, manter por mais tempo aquela mágoa que se apodera de mim, a nostalgia do que há-de vir sem refúgios.

O ritual da ginja e do caroço faz parte de um lugar cheio de história, de alma, não é coisa que não se queira ou que se deite fora, assim com as graínhas da fruta.

Sérgio Conceição, Scolari, a Nike e o azeite

Numa entrevista telefónica ao jornal i, Sérgio Conceição agita o frasco e o azeite começa a vir ao de cima:

Estive nove meses, mas a primeira reunião dos capitães – eu, Couto, Figo e Rui Costa – foi suficiente para o entender. Chamou-nos à parte e disse-nos que estava ali para treinar a selecção e dar o salto para um grande europeu.

Mas estamos a brincar ou quê? Mas que é isto? Um homem na selecção, que deve ser um privilégio, o maior privilégio, e ele só pensava em sair para um grande da Europa.

Mas brincamos ou quê? Falava em seriedade e disciplina. Aliás, afastou carismáticos, como Baía e João Pinto, com base na disciplina.

Isso é tudo muito bonito, mas ele não aplicava a regra. Nos almoços da selecção, a mesa dos jogadores é sempre maior que a dos treinadores, porque há mais jogadores que treinadores. Com o Scolari, não! A nossa tinha 18/20 pessoas.

A dele era maior. Mas estamos a brincar? Mas estamos onde? Ele levava os amigos brasileiros, os amiguinhos da Nike. Sim, porque ele é patrocinado pela Nike e entre um jogador da Nike e um da Adidas, escolhia sempre o da Nike.

Mas depois, lá vinha com a lengalenga da disciplina.

Então mas eu, que nasci em Coimbra, em Portugal, deixo-me ficar? Numa situação destas, deixo de agir? Mas estamos onde, pá? Que é isto? Ele ganhou o quê? Foi a uma final em casa e perdeu-a [Euro-04]. Mas há mais.

Há mais há,  a ler na íntegra.

O best-seller instantâneo

A história de um dos livros de maior sucesso em Portugal, já aqui várias vezes abordado no Aventar, é hoje recordada pelo i. A ler aqui.

CARTAZES PARA QUE VOS QUERO

(reposição, sempre actual)

PROLIFERAM POR AÍ!

Proliferam por todo o lado, em especial em época de eleições, mas para que servem?

As nossas ruas, as nossas avenidas, os cruzamentos, os entroncamentos, as rotundas e as praças e jardins, estão infestados de cartazes. Todos os partidos os colocam, uns maiores que os outros, uns com caras outros sem elas. Há-os para todos os gostos. Há-os para todos os tamanhos e cores. Encavalitam-se uns nos outros, e depois, quando esta semana acabar, e já não servirem para nada, para além de para nada terem servido, lá ficam a continuar a conspurcar a paisagem. Vão-se degradando, rasgados e velhos, e quem os pôs lá, demonstra o seu mais completo desrespeito por todos nós, não os retirando.
Mas no fundo, para que servem estes cartazes, para além de, num ou noutro caso, dar a conhecer partidos novos, ou caras novas. Bem, e para além de, obviamente, dar lucro e trabalho a umas quantas empresas, com dinheiro que todos nós pagamos. Quantos votos dá um cartaz? Quantas pessoas, por verem um cartaz bonitinho, se sentem dessa forma motivadas para votar no partido ou na pessoa à qual fazem propaganda?

Penso que nunca ninguém se sentiu impelido a votar neste ou naquele por via do cartaz. Sendo assim, para que servem? Porque somos obrigados a “levar” com este tipo de propaganda, que só prejudica a paisagem? E porque temos de continuar a aguentar com eles, semanas a fio depois de terem cumprido o objectivo que na quase totalidade das vezes não foi atingido?

Não se deveria limitar ainda mais a sua colocação e o tempo da sua exposição, de modo a que fosse minorada esta pecha?

Estou cada vez mais cansado desta maneira de fazer política e desta maneira de propagandear coisas que cada vez mais, a menos pessoas interessa.

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(In O Primeiro de Janeiro, 09-06-2009)

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Mafalda já tem uma estátua

Inaugurada ontem, no popular bairro de San Telmo, em Buenos Aires. Quino e Mafalda

Concurso Aventar: Onde fica esta estrada?*

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Durante estas férias, tive o prazer de percorrer, pela primeira vez, uma «estrada com portagem». Não uma auto-estrada, mas uma vulgar estrada. É uma estrada lindíssima, mas para percorrê-la tem de se pagar 85 cêntimos.
O concurso está aberto durante o dia de hoje a todos os leitores do Aventar (aventadores excluídos) e consiste em descobrir onde fica esta estrada: lugar, freguesia e concelho. Basta indicar a resposta nesta caixa de comentários. O prémio é um livro, relacionado com o local onde fica a estrada, e será entregue ao primeiro leitor que responder correctamente e na íntegra à pergunta.
Este concurso foi autorizado pelo Governo Civil do Porto.
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* actualizado.

FutAventar – S. L. Benfica #3

Simples, não?
O que dizer ou escrever? Até o Nuno Gomes marcou um golo!

http://videos.sapo.pt/Lzh78ZAHiHOPAfz7eTFH

Coisas que me parecem surreais… mas são reais

Há crise económica, os partidos políticos dizem-se preocupados e atrevem-se a lançar alguns conselhos e recomendações sobre a melhor maneira de enfrentar e resolver a crise. Esses mesmos partidos aplicam fortunas em campanhas eleitorais, e, nestas, em formas pouco esclarecedoras de promover o debate político.

CAVACO E SOCRATES_3108

Os partidos políticos clamam – melhor será dizer, exigem -, por mais debates políticos e todos querem aparecer na televisão. Demoram meses a chegar a acordo e quando chegam não têm coragem de decidir. Têm de ser as televisões a fazer sorteios. Quando chegar a hora das verdadeiras decisões, o que vão fazer?

Uns lançam um programa político de muitas páginas e palavras. Outros são mais contidos nas palavras mas dizem quase o mesmo. As prioridades são as mesmas, as de sempre. Não pode haver outras, claro.

Alguém da presidência lança a suspeita de haver vigilantes do Governo a seguir Cavaco Silva e acólitos. Sócrates diz que é um “disparate de Verão” e mais nada faz, nem sequer pedir uma investigação. O Procurador Geral da República diz que não há dados que apontem para algo mais que o tal disparate.

O Presidente da República nada diz. Deixa o caso em lume brando, faz de conta que não é nada com ele e mantém-se a banhos, tranquilo. Quando fala é para dizer que não quer alimentar casos laterais e garante que preserva a solidariedade institucional. Espantoso. Nem demitiu ninguém, nem anunciou que o faria, não mandou convocar o primeiro-ministro, nem o PGR. Não pediu qualquer informação adicional, não interrompeu as férias para fazer uma comunicação ao país. Nada. Nicles.

Agosto termina hoje, mas com a classe política que temos, a silly season vai continuar.

ATEA

ATEA

Caro presidente [Lula da Silva]

o senhor chegou ao poder carregado pela bandeira de uma sociedade mais
justa e mais inclusiva. O uso da palavra “excluídos” no vocabulário
das políticas públicas tem o mérito de nos lembrar que as conquistas
de nossa sociedade devem ser estendidas a todos, sem exceção. Sim,
devemos incluir os negros, incluir as mulheres, incluir os miseráveis,
incluir os homossexuais. Mas, presidente, também é preciso incluir
ateus e agnósticos, e todos os demais indivíduos que não têm religião.

Infelizmente, diversas declarações pessoais suas, assim como
políticas do seu governo, têm deposto em contrário. Ontem mesmo o
senhor afirmou que há “muitos” ateus que falam sobre a divindade da
mitologia cristã quando estão em perigo. Ora, quando alguém diz
“viche”, é difícil imaginar que esteja pensando em uma mulher
palestina que se alega ter concebido há mais de dois mil anos sem pai
biológico. Algumas expressões se cristalizam na língua e perdem toda a
referência ao seu significado estrito com o tempo, e esse é o caso das
interjeições que são religiosas em sua raiz, mas há muito estão
secularizadas. Se valesse apenas a etimologia, não poderíamos nem
falar “caramba” sem tirar as crianças da sala.

Sua afirmação é a de quem vê ?muitos? ateus como hipócritas ou
autocontraditórios, pessoas sem força de convicção que no íntimo não
são descrentes. Nós, membros da Associação Brasileira de Ateus e
Agnósticos, não temos conhecimento desses ateus, e consideramos que
essa referência a tantos de nós é ofensiva e preconceituosa. Todos os
credos e convicções têm sua generosa parcela de canalhas e
incoerentes; utilizar os ateus como exemplo particular dessas
características negativas, como se fôssemos mais canalhas e mais
incoerentes, é uma acusação grave que afronta a nossa dignidade. E os
ateus, presidente, também têm dignidade.

Duas semanas atrás, o senhor afirmou que a religião pode manter os
jovens longe da violência e delinqüência e que ?com mais religião, o
mundo seria menos violento e com muito mais paz?. Mas dizer que as
pessoas religiosas são menos violentas e conduzem mais à paz é
exatamente o mesmo que dizer que as pessoas menos religiosas são mais
violentas e conduzem mais à guerra. Então, presidente, segundo o
senhor, além de incoerentes e hipócritas, os ateus são criminoso e
violentos? Não lhe parece estranho que tantos países tão violentos
estejam tão cheios de religião, e tantos países com frações tão altas
de ateus tenham baixíssimos índices de criminalidade? Não é curioso
que as cadeias brasileiras estejam repletas de cristãos, assim como as
páginas dos escândalos políticos? Algumas das pessoas com convicções
religiosas mais fortes de que se tem notícia morreram ao lançar aviões
contra arranha-céus e se comprazeram ao negar o direito mais básico do
divórcio a centenas de milhões de pessoas. Durante séculos. O mundo
realmente tinha mais paz e menos violência quando havia mais religião?
Parece-nos que não.

A prática de diminuir, ofender, desumanizar, descaracterizar e
humilhar grupos sociais é antiga e foi utilizada desde sempre para
justificar guerras, perseguição e, em uma palavra, exclusão.
Presidente, por que é que o senhor exclui a nós, ateus, do rol de
indivíduos com moralidade, integridade e valores democráticos?

No Brasil, os ateus não têm sequer o direito de saberem quantos são. O
Estado do qual eles são cidadãos plenos designa recenseadores para
irem até suas casas e lhes perguntarem qual é sua religião. Mas se
dizem que são ateus ou agnósticos, seus números específicos lhes são
negados. Presidente, através de pesquisas particulares sabemos que há
milhões de ateus no país, mas o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, que publica os números de grupos religiosos que têm
apenas algumas dezenas de membros, não nos concede essa mesma
deferência. Onde está a inclusão se nos é negado até o direito de
auto-conhecimento? Esse profundo desrespeito é um fruto evidente da
noção, que o senhor vem pormenorizando com todas as letras, de que os
ateus não merecem ser cidadãos plenos.

Presidente, queremos aqui dizer para todos: somos cidadãos, e temos
direitos. Incluindo o de não sermos vilipendiados em praça pública
pelo chefe do nosso Estado, eleito com o voto, também, de muitos
ateus, que agora se sentem traídos.

Presidente, não podemos deixar de apontar que somente um estado
verdadeiramente laico pode trazer liberdade religiosa verdadeira,
através da igualdade plena entre religiosos de todos os matizes, assim
como entre religiosos e não-religiosos de todos os tipos, incluindo
ateus e agnósticos. Infelizmente, seu governo não apenas tem sido
leniente com violações históricas da laicidade do Estado brasileiro,
como agora espontaneamente introduziu o maior retrocesso imaginável
nessa área que foi a assinatura do acordo com a Sé de Roma, escorado
na chamada lei geral das religiões.

Ambos os documentos constituem atentado flagrante ao art. 19 da
Constituição Federal, que veda ?relações de dependência ou aliança com
cultos religiosos ou igrejas?. E acordos, tanto na linguagem comum
como no jargão jurídico, são precisamente isso: relações de aliança.
Laicidade, senhor presidente, não é ecumenismo. O acordo com Roma já
era grave; estender suas benesses indevidas a outros grupos não
diminui a desigualdade, apenas a aumenta. Nós não queremos
privilégios: queremos igualdade e o cumprimento estrito da lei, e
muitos setores da sociedade, religiosos e laicos, têm exatamente esse
mesmo entendimento.

Além de violar nossa lei maior, a própria idéia da lei geral das
religiões reforça a política estatal de preterir os ateus sempre e em
tudo que lhes diz respeito como ateus. Com que direito o Estado que
também é nosso pode ser seqüestrado para promover qualquer religião em
particular, ou mesmo as religiões em geral? Com que direito os
religiosos se apossam do dinheiro dos nossos impostos e do Estado que
também é nosso para promover suas crenças particulares? Religião não
é, e não pode jamais ser política pública: é opção privada.

O Estado pertence a todos os cidadãos, sem distinção de raça, cor,
idade, sexo, ideologia ou credo. Nenhum grupo social pode ser
discriminado ou privilegiado. Esse é um princípio fundamental da
democracia. Isso é um reflexo das leis mais elementares de
administração pública, como o princípio da impessoalidade. Caso
aquelas leis venham de fato integrar-se ao nosso ordenamento jurídico,
os ateus se juntarão a tantos outros grupos que irão ao judiciário
para que nossa lei não volte ao que era antes do século retrasado.

Presidente, será que os ateus não merecem inclusão nem em um pedido de
desculpas?

Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos
http://www.atea.org.br

A Europa virou à direita? Qual Europa?

Os resultados das eleições realizadas em três estados alemães são no mínimo fascinantes. Alem de a CDU ter perdido a governação de 2 estados,

Nos dois casos antecipa-se uma coligação entre o SPD, A Esquerda (Die Linke) e os Verdes: Sarre poderá assim tornar-se na primeira coligação que o partido A Esquerda integra num estado federado ocidental.

A nossa comunicação social como é muito distraída nem repara no dado mais importante: a subida da Esquerda (Die Linke), que nos três resultados fica acima dos 20%, ocupando 0 2º lugar em dois estados.

O resto, com eleições gerais a 27 de Setembro, é mais do mesmo: o bloco central está instituído na Alemanha e pode muito bem ser fonte de inspiração para um futuro bloco central português. O facto de à sua frente estar o SPD ou a CDU é tão irrelevante como a (in)diferença entre PS com e sem D. De notar que nas últimas eleições europeias os partidos portugueses que mantêm relações com o Die Linke (BE e PCP) já somaram 20%.

Acresce na boas notícias que a extrema-direita desceu. Mais cuidadinho a ler os resultados globais das eleições para o parlamento europeu fazia bem a muita gente. Resultados e análise mais detalhada aqui.

Não há empreitadas grátis

lemos

No sábado o Expresso noticiava a propósito do programa de recuperação das escolas que coube ao Grupo Lena a melhor fatia no bolo das adjudicações de empreitadas: 89 285 milhões de euros, seguindo-se a Soares da Costa com menos de metade.

No mesmo sábado o Diário As Beiras inventava um “Dossiê Regresso às Aulas” composto por uma entrevista a Valter Lemos, cinco páginas, pela opinião dos sindicatos significativamente intitulada “Sindicatos ‘de olho’ nas eleições” uma página (a única disponível online), e outra sobre o preço dos livros escolares.

Qual é a relação? Antes de se lançar no jornalismo diário a nível nacional, o grupo Lena adquiriu a empresa Beirastexto, que juntou a  outros jornais regionais que já possuía. Adivinharam: a empresa Beirastexto é a proprietária do Diário As Beiras.

Mais um caso de amor com amor se paga. Da entrevista, além da repetição das mentiras  rotineiras, destaco o final: inquirido pela jornalista sobre o conselho que gostaria de deixar a um sucessor, Valter Lemos responde:

Não sou de muitos conselhos, nem tenho essa arrogância. Ainda tenho muito trabalho para fazer e não pensei nisso. Espero que o resultado das eleições seja favorável ao partido que está no Governo e espero que as questões de política educativa possam ter continuidade no sentido da melhoria de resultados.”

O sublinhado é meu. A preocupação também.

Faz hoje 70 Anos:

Quando o Supremo Comandante das Forças aliadas (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, etc.), General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotografias. O motivo:

‘Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu’.

Entretanto, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque ‘ofendia’ a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu…
holocausto 3
holocausto 1

holocausto 2

 

 

(recebido por mail)

A ARTE (10)

A ARTE (10)

O conteúdo de uma obra é uma nova visão da realidade, às vezes um conflito, uma ponte ou uma travessia difícil entre a ideia e o Homem. Uma travessia sem demonstrações de verdade nem garantias de segurança. A única garantia é que algo muda dentro de nós e do mundo, por via da total liberdade do artista. A Arte é uma das formas mais livres de investigação e expressão de ideias e uma das maiores fontes de enriquecimento da nossa espontaneidade.
O artista é um ser vivo em mutação constante, com profunda experiência da vida, da alegria e do sofrimento do viver. O artista, ainda que nem sempre culto no sentido global do termo, está mais ou menos profundamente inserido no mistério da Natureza e das relações humanas, tal como o cientista e o filósofo, investigando, descobrindo e propagando ideias. Ele é dotado da energia, da acção, da sensibilidade, da curiosidade, da rebeldia e da capacidade de sofrimento necessárias à ânsia de conhecimentos novos, sem a qual não é possível uma personalidade artística profunda. Uma personalidade capaz de dirigir o olhar para outros mundos, outras formas de ser e de estar, outras maneiras não doutrinadas de olhar a existência.
A vivência da Arte é absolutamente singular e não tem paralelo com outro tipo de vivência. Há quem diga que aquele que não vive a Arte não vive a vida. Não querendo ser tão radical, prefiro dizer que quem não vive a Arte não sabe o que perde. Quem vive uma obra de Arte, poderosa expressão da essência humana, está constantemente a aprender uma experiência vivencial que não faz parte dos nossos padrões habituais de reflexão. E pode, se o estímulo, a sensibilidade e o sentido artístico tiverem a força necessária, alcandorar-se a instâncias onde reside uma fruição única do prazer estético. (Continua).

                              (adão cruz)

(adão cruz)

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Eu nasci na erva e dormi no feno
acordei com os melros e rouxinóis
e saltitei com os pardais.
Vesti-me de sol e despi-me de luar
estreei o mundo no abraço das árvores
e no beijo dos rios.
Meus olhos dormidos casaram a noite e o dia
no mesmo silêncio de sonho – menino.
A vida viveu em mim
crescendo todos os tamanhos
e medindo todos os céus.
Também eu fui criança
e matei em mim a criança que procuro.

                             (adão cruz)

(adão cruz)

Santarém, Capital do Gótico (X)

(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)

A elevação a cidade

A elevação a cidade, referendada por Sá da Bandeira no dia de natal do ano de 1868, representou o culminar de um longo período de desenvolvimento da vila. Um desenvolvimento que se prolongava já desde a época medieval, como o provam os contínuos favores de sucessivos monarcas. A carta régia que consagrou o título da cidade, de resto, traçava em algumas linhas toda a história da notável vila ao longo dos séculos.
«Atendendo a que, ilustre por sua remotíssima antiguidade e memórias nobilíssimas, veneranda pela primazia que lhe anda autenticada pela história, já como colónia militar, a que Júlio César deu o seu nome, já como convento jurídico, ou cabeça de uma das três grandes circunscrições judiciais, instituídas pelo imperador Augusto na Lusitânia, já como sede de governo e residência real, nos primeiros séculos da monarquia portuguesa, é a muito nobre vila de Santarém uma das insigníssimas povoações do reino;
Atendendo mais a que, desde 1273 até 1478, doze vezes foram no seu recinto convocadas e celebradas as antigas cortes;
Atendendo outrossim à importância da sua posição, à fertilidade do seu território, aos gloriosos brasões do seu passado, em todos os tempos, às numerosas provas de patriotismo dadas pelos seus habitantes em diversas épocas;
Considerando finalmente que, por todas as referidas condições e demais predicamentos bem conhecidos, é esta povoação inteiramente digna de subir em preeminência, não lhe faltando elementos para sustentar a correspondente dignidade;
Hei por bem fazer mercê à dita vila de Santarém, de a elevar à categoria de cidade, com a denominação de cidade de Santarém, e me praz que nesta qualidade goze de todas as prerrogativas, liberdades e franquias que direitamente lhe pertencem: devendo expedir-se à câmara municipal respectiva a carta competente, em dois exemplares, um para título daquela corporação, outro para ser depositado no real arquivo da Torre do Tombo.»
Foi um momento, o da elevação a cidade, que culminou um processo de profunda reorganização administrativa, em Santarém e em Portugal, iniciado em 1836 e continuado em 1853, 1855, 1895 e 1898. Na primeira daquelas datas, 1836, foram extintos mais de quatrocentos concelhos, fruto de privilégios do passado e da época em que ainda tinham alguma importância, e criados cerca de cem, maiores e mais aptos a corresponder às novas necessidades do liberalismo.
A par disso, surgem os distritos e Santarém vai ser a sede de um deles, de grande âmbito geográfico e que se estende às duas margens do rio Tejo. Das fronteiras de Castelo Branco às portas de Lisboa, eis os seus limites. Uma honra para Santarém, que viu posteriormente o título ser disputado por Tomar, e que provou que os velhos pergaminhos do passado não tinham sido esquecidos.
Um momento que vai trazer consigo alguns outros de igual importância e que não passam, afinal, de consequências do primeiro: a criação de um palácio do governo; a captação de delegações e serviços do Estado; e a construção de uma estrada rodoviária entre Peniche e Évora a passar pela Ribeira de Santarém.
Mas as alterações administrativas no concelho de Santarém não vão ficar por aqui. São alterações que começaram ainda antes, no século XVIII, e que depois se prolongariam pelo século XX. Quando os anos de Setecentos começaram, constituíam o município vinte e cinco freguesias: Abitureiras, Achete, Alcanhões, Azinhaga, Alpiarça, Almoster, Azoia de Baixo, Azoia de Cima, Cartaxo, Casével, Pinheiro, Pombal, Póvoa dos Galegos, Raposa, Ribeira de Pernes, Rio Maior, S. Pedro de Arrifana, S. João da Ribeira, Valada, Vale, Vale de Cavalos, Vale de Figueira, Vale da Pinta, Vaqueiros e Várzea.
Num primeiro relance sobre o panorama nessa época, em relação à actualidade, constatamos de imediato que Azinhaga, Alpiarça, Cartaxo, Pinheiro, Raposa, Ribeira de Pernes, Rio Maior, S. Pedro de Arrifana, S. João da Ribeira, Valada, Vale de Cavalos e Vale da Pinta não pertencem ao concelho.
Cartaxo, Rio Maior e Alpiarça viriam mesmo a constituir concelho próprio, em 1815, 1836 e 1914. Azinhaga passou para o concelho da Golegã; Raposa para o de Almeirim; Valada e Vale da Pinta para o do Cartaxo; Pinheiro e Vale de Cavalos para o da Chamusca; Cortiçada e S. João da Ribeira para o de Rio Maior.
Por outro lado, Póvoa dos Galegos mudou o seu nome para Póvoa de Santarém; Pombal passou a chamar-se Pombalinho; e Vale, Vale de Santarém.
Constata-se também que existem actualmente várias freguesias no concelho que, por esta época de grandes reorganizações administrativas, estavam integradas noutros municípios. Abrã, Alcanede, Arneiro das Milhariças e Pernes estavam nos concelhos de Alcanede e Pernes, que viriam a ser extintos. Não existia ainda a freguesia de Moçarria, que foi desmembrada da freguesia de Abitureiras; Póvoa da Isenta, que saiu do termo de Almoster; e Amiais de Baixo do de Malhou.

Economia e urbanismo: As grandes obras públicas

A segunda metade do século XIX vai marcar o início da modernidade para a vila de Santarém. Ao mesmo tempo, é criada uma série de infra-estruturas fundamentais a nível de transportes e comunicações, caso da via férrea e da ponte sobre o Tejo; e a nível social, cultural e urbanístico.
Assim aconteceu em todo a cidade. Mesmo a zona ribeirinha de Alfange, que vinha a definhar continuamente há alguns anos, devido à forma como fora separada do rio pelo comboio, ganhou um novo fôlego com a instalação na sua área, em 1891, da fábrica e gasómetro da Companhia de Iluminação e Gás de Santarém.
«Surgem então as modernas instituições da urbe: as escolas públicas e o Liceu Nacional, o Museu Distrital, a Biblioteca Municipal, o Teatro, a Praça de Touros, o moderno abastecimento de água a vapor, a Penitenciária Distrital, os jardins românticos, o matadouro municipal e as primeiras agências bancárias. A chegada do caminho-de- ferro, em 1861, a linha de caminho-de-ferro do leste e do norte, a abertura de estradas macadamizadas e a construção da ponte D. Luís I conferem uma nova fisionomia à cidade, integrando-a nas novas correntes urbanas e criando uma primeira vaga de interesse turístico na cidade, que pode documentar-se a partir da inauguração da linha ferroviária. O abastecimento de água iniciara-se em 1876, a introdução do gás de iluminação em 1892. Uns anos depois, será a vez da energia eléctrica.» (Catarina Viegas)
Na economia santarena oitocentista, notou-se sempre uma grande relação entre agricultura e indústria. Mesmo que as unidades fabris de grande dimensão não tenham penetrado no concelho com a dimensão com que o fizeram noutras localidades próximas, houve algumas de pequena e média grandeza que foram criadas e que tinham como sector de actividade a produção de vinhos, a moagem de cereais e a produção de estrumes, já não tanto o azeite. Daí a ligação ao sector primário a que se aludiu anteriormente.
Para além destas, iniciaram a sua laboração nesta época pequenas fábricas de bolachas e doces, de fermentação, de sabões e oficinas de fundição e serralharia de metais. A indústria de curtumes vai renascer em finais do século.
O grande crescimento económico obtido por Santarém no século XX tem as suas raízes mais imediatas no século XIX. A densificação da cidade, a construção de algumas obras de grande envergadura e a mudança da utilização de muitos dos edifícios existentes alteraram de alguma forma a face de Santarém, embora o respeito pela sua estrutura urbana tradicional tenha existido sempre.
Em termos urbanísticos, no século XIX surge um novo conceito de cidade – a cidade aberta. Vai ser a época das grandes destruições – desaparecem troços de muralhas, torres e
p
ortas, altera-se profundamente Alfange e Ribeira de Santarém para a construção da linha do caminho-de-ferro, desaparece a importância estratégica do rio e do monte.
Com o objectivo de desenvolver a totalidade do país, e não só o litoral, Costa Cabral projectara uma linha férrea que atingisse a fronteira espanhola. Nesse sentido, encarregou a Companhia de Obras Públicas de Portugal de desenvolver o projecto e de terminá-lo em dez anos.
A história da linha do norte, na qual a estação de Santarém se integra, começa em 1852. Nesse ano, a 30 de Agosto, um decreto governamental autoriza a construção daquela linha. A ideia era construir inicialmente a linha de Lisboa a Santarém e daí até à fronteira (linha do Leste) e até ao Porto (linha do Norte).
A 28 de Setembro de 1856, é inaugurado o primeiro troço da linha férrea, entre Lisboa e o Carregado. Dois anos depois, já se podia despachar mercadorias para Lisboa a partir da estação de Santarém. Em 1861, no primeiro dia do mês de Julho, a locomotiva Portugal, a mesma que fizera a ligação de Lisboa a Carregado, e a carruagem D. Luis chegam a Santarém pela primeira vez, momento que foi celebrado com grande regozijo.
Quanto à localização escolhida para a estação, após anos de estudos e discussões, acabou por ser extremamente negativa para o bairro ribeirinho de Alfange, que ficou separada do rio pela via férrea, e para a Ribeira de Santarém, cujo tecido urbano ficou totalmente esventrado e dividido a meio.
Um processo que não foi pacífico e que incluiu muitos estudos e a intervenção dos mais variados técnicos. Rumball, engenheiro encarregado de estudar essa primeira linha, apresentara um projecto em que a estação de Santarém ficava na Junqueira, a cerca de um quilómetro da vila. João Crisóstomo de Abreu e Sousa e Joaquim Tomás Lobo d’Ávila, chamados para avaliar o trabalho daquele engenheiro, propuseram uma outra solução, em que a estação, depois de cortar a calçada no lugar da Carne Coita, ficaria apenas a quinhentos metros do centro da povoação. A solução definitiva foi aquela que se sabe.
Outra das questões era a passagem da linha a norte ou a sul de Santarém. A Companhia das Obras Públicas de Portugal apresentara dois projectos. Um deles passava ao norte de Santarém, o outro ao sul, indo ambos convergir, após doze quilómetros de traçado, perto de Vale de Figueira. Após muitos estudos, foi decidido que a solução de fazer passar a linha pelo sul apresentava mais vantagens. Porque os declives, a altura dos aterros e as trincheiras eram menores; porque a estação ficaria mais perto da cidade e mais próxima do rio; porque os custos seriam menores.
No que diz respeito ao edifício da estação, o projecto de 1870 aliava ao edifício principal uma cocheira para carruagens. Só em 1925, no entanto, é que aquela começa a adquirir a sua feição actual, graças a um projecto de Perfeito de Magalhães. A construção viria a ficar concluída dois anos depois, com a colocação, na fachada virada para as linhas e ao nível do piso do primeiro andar, de dezoito painéis de azulejos policromos com temática local (touros, campinos, cenas agrícolas e conquista de Santarém aos mouros), realizados pela fábrica Aleluia a partir de desenhos de J. Oliveira.
Da antiga estação, ficaram então apenas as paredes exteriores. Para além de todas as transformações utilitárias, que tiveram como objectivo responder ao aumento da circulação e da procura, houve também preocupações estéticas, tendentes a transformar Santarém num dos locais de maior interesse ferroviário da linha do norte.
O edifício principal da estação, mais harmonioso, é composto por três corpos geminados, o central de dois pisos e os laterais de dois pisos com sótão amansardado. Fachada posterior virada para o cais, piso térreo resguardado por alpendre em ferro, assente em colunas toscanas. Nos vãos entre as portas, os tais painéis de azulejos.
A antiga cocheira das carruagens, hoje transformada em núcleo museológico, é um edifício de planta rectangular, coberto por telhado de quatro águas, cuja fachada principal é de vários panos divididos por pilastras. A multiplicidade estilística revela-se na coexistência entre a estética tradicional da casa portuguesa e os elementos neo-árabes e neo-barrocos presentes em alguns pormenores decorativos.
A localização da estação provocou o aparecimento de novas estradas macadamizadas, como a estrada da Estação, a ligação a Rio Maior por Vale de Estacas, a viabilização da estrada Ribeira de Santarém / Alcanhões e do antigo caminho das Assacaias. A estrada principal, aquela que ligava ao planalto urbano, foi iniciada em 1877 e estabeleceu também uma ligação viária à ponte que em breve atravessaria o Tejo.
Em 17 de Setembro de 1881, era inaugurada precisamente a ponte D. Luís I, que tinha como objectivo a ligação rodoviária entre Santarém e Almeirim. Uma obra que durou quatro anos e que se tornou um dos símbolos das pontes metálicas erguidas em finais do século XIX por todo o país. Era na altura a terceira maior ponte da Europa e a sexta maior do mundo.
As características do rio Tejo, sem grandes vãos nem desníveis, determinou que a ponte fosse do tipo «passerele», como já fora experimentado há mais de trinta anos em França. O contraste entre a alvenaria de pedra e o ferro resulta numa composição de grande significado artístico. As inovações tecnológicas usadas na sua construção incluíram o uso de caixões de ar comprimido, a construção das fundações dos pilares de alvenaria de pedra, a descoberta do método de contravenção em terrenos de aluvião. Foi modernizada na década de 50 do século XX sob a direcção do engenheiro Edgar Cardoso. Na sua época, foi uma das mais extensas do mundo.
Apesar de todos os méritos – Vítor Serrão considera-a o elemento cenográfico mais importante que Santarém recebeu depois da elevação a cidade – a ponte D. Luís I foi responsável pela perda de importância do Tejo, pois agora as comunicações terrestres dispunham de infra-estruturas adequadas para as necessidades. Foram grandes obras de engenharia hidráulica, aquelas que decorreram junto ao rio e que, para além da construção da ponte, englobaram a regularização das margens do rio e a modificação do seu leito naquela zona.
Mas não foi essa a única razão da perda de importância do rio Tejo. Nem sequer a primeira. Repare-se que, logo em 1854, terminava definitivamente a carreira regular de barcos que ligava Lisboa a Santarém.
«Na transição da década de 40 para a década de 50, Santarém apresentava ainda grandes deficiências no que respeita às suas vias de comunicação. (…) A ponte, que fora obviamente planeada pensando no trânsito de tracção animal, estava longe de corresponder às novas necessidades impostas pela circulação automóvel em crescimento explosivo.
Faz parte da minha memória a solução precária então seguida para a tornar operacional. De facto, sendo apenas permitido um sentido alternado em via única, tornava-se necessário implantar uma pequena guarita na sua extremidade norte e outra no seu extremo do lado sul, onde dois guardas, interligados por telefone, iam accionando um pequeno semáforo que permitia ou interrompia a passagem alternadamente de acordo com as circunstâncias, o que, logicamente provocava longas e desesperantes filas de espera de um e de outro lado. Tratava-se obviamente de um sistema primitivo e em tudo desajustado às necessidades determinadas pela circulação. A sua modernização chegaria já nos anos 50, em que foi decidido transpor os passeios para o exterior do tabuleiro, assentando-os sobre esquadros suportados pelas longarinas e estreitando-os, de acordo com a redução óbvia da circulação pedonal, agora praticamente inexistente, com a consequente recuperação total dos 6,20 metros de tabuleiro útil.» (Luís Eugénio Ferreira)
Com os seus defeitos, via férrea e comboio foram ainda assim

duas infra-estruturas fundamentais que, para o bem e para o mal, revolucionaram a vida do concelho. Duas obras que podem ser integradas no fontismo. O desenvolvimento que então se alcançou, em Portugal e graças à acção de Fontes Pereira de Melo, passou por obras públicas da maior importância e pela oferta de uma maior qualidade de vida às populações.
Uma das grandes características do urbanismo oitocentista foi uma mais próxima comunicação entre os diferentes espaços da cidade. A ideia inerente a todo o processo foi dar a Santarém uma condição mais polivalente, que respondesse às novas necessidades de uma urbe em crescimento. Os bairros e vilas operárias, por exemplo, foram construídos no interior do planalto para as pessoas que trabalhavam nas fábricas locais. Já no século XX, a cidade expande-se para fora dos seus limites. Até 1950, são edificados os bairros de Trigoso/Combatentes e o de S. Bento, planeados segundo uma perspectiva de desenvolvimento urbanístico rigoroso.
«Durante o século XX, a urbe conhece o maior surto de construção da sua existência, devido à sua expansão e à aplicação de novas tecnologias e materiais de construção. Surgem os edifícios construídos com cimento armado, de paredes elevadas em tijolo furado, impondo-se pelo seu volume e altura, em ruptura com a arquitectura tradicional.
Os novos conceitos urbanísticos funcionalistas e a necessidade de se criar um ambiente urbano que satisfizesse as necessidades materiais e emocionais da sociedade, trazidos a Santarém pelos arquitectos-urbanistas (que neste século tiveram um papel preponderante no desenho da cidade), conduziram a propostas de novas tipologias habitacionais, a novas ligações espaciais, a novas linguagens arquitectónicas e a novos volumes, tendo em conta as unidades de composição urbanísticas aplicadas.» (José Augusto Rodrigues)

QUADRA DO DIA

Mas meu rico S. João
Que no céu és bom rapaz
Diz à Justiça divina
Que olhe um pouco para trás.

O mais belo bar de Portugal

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A «Tasca do Cais», em Vila Nova de Cerveira, nas traseiras do Castelo e junto à zona ribeirinha, deve ser o mais belo bar existente em Portugal. Não tanto pelo interior, normalíssimo, mas pela envolvente da sua esplanada. Um largo rodeado de casas em pedra, onde as buganvílias vão cobrindo a mancha pétrea, uma pequena capela ao centro, a via férrea e o rio Minho. Só visto, embora as imagens que deixo e o vídeo que fiz dêem uma ajuda.

Lembro-me de uma quente noite de Agosto, há muitos anos, por volta das 3 da manhã. Pedro Abrunhosa chegou com uns amigos, nunca abandonando os seus óculos de sol, e sentou-se. Na altura, as mesas e as cadeiras da esplanada eram todas em madeira e umas pequenas velas ocupavam o centro das mesas. Se tivesse começado a cantar, teria sido o mais belo momento por mim alguma vez vivido. A magia daquele lugar supera quase tudo o que tenho visto pelo país, mesmo que hoje em dia a vulgaridade das mesas de metal e o fraco serviço tentem, sem sucesso, pôr em causa tudo o que escrevi antes.

5 meses de Aventar

Hoje o Aventar completou o quinto mês da sua existência. Cinco meses cheios, numa aventura que se está a revelar única para cada um de nós. Para trás, ficam 2163 «posts» e 7618 comentários. Fica também um vastíssimo conjunto de temas, que vai da política ao urbanismo, passando pela literatura, música e muito mais. Fica, ainda, uma amizade virtual entre mais de vinte pessoas, a maior parte das quais nem sequer se conhece pessoalmente. Com opiniões diferentes, com ideologias diferentes, mas cultivando um respeito mútuo que, aqui e ali, vai sendo pontuado por algumas picardias. Fica para trás, por fim, o velho visual e o velho logotipo que, durante todos estes meses, foi a imagem de marca do Aventar. Esperamos que tenham gostado das mudanças, que digam se gostaram e especialmente se não gostaram.
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Agora, é tempo de preparar o futuro. Acabados de entrar no top 100 do Blogómetro, já não queremos sair de lá. Pelo contrário. Subir na tabela para que mais gente ouça tudo aquilo que temos para dizer. E já não é pouco, sobretudo se tivermos em conta que a maior parte de nós é estreante neste mundo louco que é a Blogosfera.
Contamos com todos os nossos leitores – com os que nos comentam, com os que nos citam ou simplesmente com os que nos lêem em silêncio. Contamos com a fiel Maria Monteiro, com o assíduo Snail, com o incontornável Dalby, com os recém-chegados Belina, Ricardo e Bué da Fixe e com todos os outros. Aqui estaremos para todos aqueles para quem aventar já é um vício.

Cartazes das Autárquicas (Loures)

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Carlos Teixeira (actual Presidente), PS, Loures (enviado por Maria Monteiro).

Santarém, Capital do Gótico (IX)

(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)

A decadência

Vários factores estiveram na base da perda de influência de Santarém a partir do século XV. A construção do paço de Almeirim, em 1411, foi um deles. A partir daí, mesmo que os reis continuem a visitar a vila, para fazer despachos e tratar de assuntos da Chancelaria, a sua presença vai sendo cada vez mais rara. Vêm e logo se vão, para pernoitar do outro lado do Tejo.
Um trágico acontecimento, ocorrido em 1491, pode também explicar que, em parte, Santarém tenha deixado de ser objecto de tantas atenções e tantos privilégios da coroa a partir de finais do século XV.
Naquele ano, no dia 12 de Julho, morreu junto ao rio Tejo, em Alfange, o príncipe D. Afonso, filho primogénito de D. João II e futuro rei. Acidente trágico, provocado pela queda de um cavalo, que comoveu o Portugal da época e em particular as gentes de Santarém, que assistiram de perto à tragédia.
«Com todas as ordens e clero, e com cruzes, e relíquias fez de noite uma muito solene, e devota procissão, em que todos descalços, e muito nus, com muito piedosas lágrimas, andaram por todas as igrejas, e mosteiros da vila, em que continuada e devotamente com os giolhos em terra, e com vozes que rompiam o céu, diziam todos bradando: Senhor Deus misericórdia». (Rui de Pina – Crónica d’el Rei D. João II)
Dizíamos antes que este infausto acontecimento poderá explicar, a partir daí, a desatenção que Santarém mereceu dos nossos monarcas, em especial se compararmos com os séculos anteriores.
Com D. João II, as razões desta mudança de atitude são óbvias. Santarém significava para ele memórias doridas, das quais nunca se chegou a curar. Não voltou à cidade, a não ser para o estritamente necessário, e os monarcas que se lhe seguiram também não.
Erich Lassota de Stelbovo, em 1581, terá sido o primeiro a passar para o papel razões de tão súbito alheamento real em relação a Santarém. Ao que parece, circulava um dito popular, segundo o qual todos os reis que entrassem no palácio onde costumavam pernoitar iriam ser assassinados ou morreriam de forma súbita e trágica.
Acreditassem ou não neste mito, a verdade é que a partir da morte do príncipe D. Afonso, não mais a monarquia portuguesa estacionou em Santarém por médios ou longos períodos, como era habitual fazer no passado. Passaram ainda por Santarém algumas vezes, mas na maior parte delas em trânsito para Almeirim. Foi o caso de D. Sebastião, que aqui esteve três dias em 1573. Os supersticiosos diriam que a sua morte trágica foi um sinal da profecia.
Outro rude golpe infligido no prestígio de Santarém foi o grande terramoto de 1531, que afectou Lisboa e todo o vale do Tejo, particularmente Santarém, Almeirim, Azambuja, Castanheira, Vila Franca de Xira e Benavente. «Nunca se viu nada mais temeroso: parecia que o céu com a terra se juntava e umas casas com outras se davam. (…) Santarém está tão destruída que não há onde o rei repouse, porque os seus palácios estão no solo, por terra» (Jorge Osório)
No meio disto tudo, nem sequer o Tejo ajudava. Rio que fora sempre o sustento da economia local, via-se agora a braços com problemas relacionados com a sua navegabilidade «É o grande rio mercantil do interior do reino. Há sinais de que, por 1596, o assoreamento do rio estivesse em alguns troços a dificultar a navegabilidade. Dizem barqueiros de Santarém que em tempos os caravelões chegavam até à lezíria do Marquês, por o rio ser tão alto que ali chegavam as marés. De há quarenta anos, as coisas tinham mudado.» (Joaquim Romero de Magalhães)
Quando Portugal perdeu a independência, em 1580, a população de Santarém levantou-se contra a invasão filipina e a favor de D. António Prior do Crato. «Real, real, por D. António, rei de Portugal», gritou-se então na manhã de 19 de Junho. No ano seguinte, quando Filipe I chegava a Santarém, vindo de Tomar, onde fora aclamado nas cortes, a população de Santarém recebeu-o com muito pouco entusiasmo. E alguns anos depois, em 1609, quando se preparava a visita de Filipe II, os poderes municipais recusaram a ajuda financeira para a preparação da visita. Tiveram de recuar, mais tarde, mas ficou uma tomada de posição que era também um sinal da vontade das gentes.
Na breve visita que D. Filipe III aqui fez em 2 de Junho de 1625, Lopo Fernandes de Castanheda, na sua «Oração», queixou-se exactamente da pouca atenção que a cidade recebera por parte do seu antecessor. Nessa fase, já Santarém sofria um certo «castigo», pelo facto de ter apoiado D. António, prior do Crato, nos momentos que antecederam a perda da independência. Os motins, como aqueles que aconteceram 1629, 1636 e 1637, não tardaram.
Essa vontade, esse querer, essa aversão ao invasor, explodiu no dia 2 de Dezembro de 1640, o dia seguinte à restauração da independência. Nessa altura, não foi necessário que Lisboa informasse o que quer que seja. A população, reunida na praça do Município e liderada por Fernão Teles de Meneses, 1.º conde de Unhão, aclamou de imediato D. João IV, avisada que fora por João Rebelo Cerveira, senador que assistira a tudo na capital. Mesmo assim, as guerras da Restauração que se seguiram, e que se prolongaram por mais duas décadas, tornaram evidente a necessidade de reformular e restaurar as muralhas existentes, porque há muito que Santarém deixara de ser inexpugnável. Só que, nessa altura, já não havia dinheiro para o fazer.
A decadência de Santarém, que o povo não aceitava, teve um derradeiro episódio. O terramoto de 1755 destruiu grande parte do seu património edificado, em alguns dos casos quarteirões inteiros de bairros, igrejas e conventos, bem como a ligação entre a vila e a Alcáçova. Teve de ser tudo erguido de novo, simbolizando um novo começo, o renascer de uma cidade que já fora grande e que, em breve, voltaria a sê-lo.

WC, um filme arrasquinha

A segunda curta-metragem de António Ferreira, realizada na Alemanha em 1997.

FutAventar – F.C. Porto #5 – A Batalha Naval:

MundoFCP

Por questões de agenda apenas ontem pude festejar o 1º de Maio, o internacionalmente conhecido como dia do Trabalhador.

E assim foi, com algum trabalho, enorme dedicação e a força internacional que todos reconhecem, “O Porto cresce e o Falcão voa” como afirmou esse exemplo de jornalismo isento que é, unanimemente reconhecido, “O Jogo”.

Ficou vingada a desfeita do ano transacto e com direito a brinde: o Porto apenas sofre golos marcados pelos seus defesas. Aliás, a veia goleadora dos nossos jogadores está a marcar este início de época.

Foi limpinho. Uma batalha naval de grande nível.

HOJE É A VEZ DO CDS/PP

PROGAMA A3, A4 OU A5?
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Hoje o CDS vai, ao fim da tarde, apresentar o seu programa eleitoral.
Não se sabe se o vai fazer numa folha A4, como o outro, ou se será em folhas A3 ou A5.
De qualquer forma, se pensarmos na contenção a que o CDS/PP nos tem habituado nos últimos tempos, por certo que o programa irá ser apresentado numa folha A5 e em papel reciclado.
O crescimento da economia, a política fiscal, o reforço da segurança e da autoridade do estado, os apoios sociais e às pequenas e médias empresas, assim como a educação, serão os pontos principais do programa,para a próxima legislatura.
Paulo Portas diz-se a lutar por uma votação superior à do BE e à da CDU, e, talvez o consiga.

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CASA ROUBADA, TRANCAS À PORTA

AGORA É SEMPRE A ABRIR

ARRIBAS, ARRIBAS E MAIS ARRIBAS EM RISCO DE DERROCADA.
UMAS ATRÁS DAS OUTRAS, AGORA, DIA SIM, DIA SIM, ELAS APARECEM.
ATÉ AGORA NINGUÉM TINHA REPARADO, NINGUÉM SABIA E AS AUTORIDADES DO MEU PAÍS, ESTAVAM A LESTE DISTO TUDO.
JÁ NÃO É SÓ NO ALGARVE, ONDE JÁ HÁ MORTES A LAMENTAR, AGORA A FÚRIA DOS VISTORIADORES ALARGA-SE POR TODO O CONTINENTE E ILHAS.
QUE, AO MENOS, SIRVA DE ALGUMA COISA, O MARTELAR ENQUANTO O FERRO ESTÁ QUENTE.

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AS MOSCAS JÁ NEM MUDAM

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PINA MOURA EM REGISTO DIFERENTE
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Não sei bem como classificar a postura de Pina Moura.
O ex-ministro das Finanças de Guterres, vem a terreiro defender o programa do PSD, chamando-o de mais duro e mais focado. Porquê? A que propósito? Com que propósitos? Teve ordens para adoçar a boca aos sociais-democratas, com vista num desaire eleitoral e numa possível aliança governativa? Ou/e está-se a fazer a um lugar no próximo governo de coligação? O homem é inteligente, será que também é esperto? É tão somente um mutante político, ele que começou bem mais pela esquerda?
Realmente, nada muda em política, às vezes nem as moscas. E, a credibilidade política não está por certo na ética, lá defende o sr Rangel.

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Segundo informação cedida pelas três estações de televisão ficou assente a seguinte grelha, na sequência de uma reunião entre as partes envolvidas:

02 Setembro: José Sócrates – Paulo Portas (TVI)

03 Setembro: Francisco Louçã – Jerónimo de Sousa (SIC)

05 Setembro: José Sócrates – Jerónimo de Sousa (RTP)

06 Setembro: Francisco Louçã – Ferreira Leite (TVI)

07 Setembro: Paulo Portas – Jerónimo de Sousa (SIC)

08 Setembro: José Sócrates – Francisco Louçã (RTP)

09 Setembro: Ferreira Leite – Jerónimo de Sousa (TVI)

10 Setembro: Paulo Portas – Ferreira Leite (RTP)

11 Setembro: Paulo Portas – Francisco Louçã (RTP)

12 Setembro: José Sócrates – Manuela Ferreira Leite (SIC)

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AS PATRANHAS DE SEMPRE

AS PATRANHAS DE SEMPRE
Nesta época de eleições não basta os políticos e a igreja dizerem que a solidariedade é um factor fundamental e o princípio mais importante do nosso século. Não basta dizerem que continua a haver países mais ricos e outros mais pobres e, dentro dos mais ricos, cada vez maior diferença entre ricos e pobres. Não basta dizerem que a pobreza e a exclusão geram guerras intermináveis. Tudo isto é sabido, e não é cantarolando esta folclórica cantiga eleitoral, que os partidos da máscara e da crença, de mão dada com os senhores da guerra e do dinheiro, levam o povo a qualquer porto seguro. Eles sabem, aliás, que se algum dia o povo chegasse a porto seguro, lá se ia a segurança dos que olham a humanidade sentados lá no alto das suas pilhas de massa.
Todos sabemos ou deveríamos saber que a miséria social nasce, cresce e se acentua quando se desenvolvem políticas monetaristas doentias, destinadas prioritariamente a reforçar o poder do capital, através de maquiavélicas engenharias económicas, que de progresso e desenvolvimento só têm a aparência, através da falácia das privatizações que mais não são do que o roubo dos bens do povo, através de absurdos super-lucros e mais-valias, através do escandaloso caminho aberto para o desvio do nosso dinheiro pelos assaltantes encartados, das obscenas reformas e prémios de ninhadas de parasitas, do institucionalizado cancro do compadrio e nepotismo, do esmagamento calculado e programado da qualidade de vida dos cidadãos. Circulam no mundo mais de quatro triliões de dólares avidamente à procura do sítio onde se lucra mais, nem que esse sítio seja o imenso cemitério para onde resvalam milhões de vítimas.