Governo apoia a greve dos professores

Não pagar o subsídio de férias este mês foi uma ideia genial, ao nível do mau perder quanto aos serviços mínimos, mantendo os exames marcados para 2ª feira.

Com ministros assim os professores nem precisam de sindicatos (de passagem, a relação entre o grupo profissional e o sindicalismo foi muito bem explicada pelo Paulo Guinote, no decorrer da imensa carga de porrada que ontem deu na SICN a um tal de Couto dos Santos, em tempos ministro cavaquista e de cuja existência nem me recordava, é ver o vídeo, continua mentiroso e demonstrando uma inteligência ligeiramente superior à das formigas).

Hoje nas escolas os indecisos perdiam a indecisão, os que ontem não iam fazer greve passaram a indecisos, e algures num universo de 100 000 professores devem existir, muito algures, firmes apoiantes de Nuno Crato, do Passos Coelho e do meteorologista Gaspar mas em rigorosa clandestinidade, que a vergonha quando nasce por vezes é para todos.

É isto a meritocracia, a nata da direita no governo, a coisinha mais incompetente que me foi dado até hoje ver. Abençoada pátria que tais filhosdaputa tem.

Golpe de Estado

O governo recusa-se a cumprir a deliberação do Tribunal Constitucional que impõe o pagamento do subsidio de férias este mês. Em segredo, argumentando com legislação que ainda não foi aprovada no parlamento.  Enlouqueceram? não, assumiram-se: este governo não tem nenhuma legitimidade democrática. Lidamos com gente completamente fora-da-lei: há que metê-los na cadeia.

Saíram-lhes os serviços mínimos pela culatra

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Nuno Crato parece um zombie de si mesmo: contava com os serviços mínimos para anular uma luta dos professores que segue em crescendo, passando à agora completamente ilegal requisição civil. Azar, o óbvio foi decidido pela comissão arbitral.  A margem de manobra que lhe resta é menor que a possibilidade de Vítor Gaspar acertar numa previsão económica: embora certamente em menor número na 2ª feira, a greve às avaliações tem sido um sucesso e assim será, apenas perturbada aqui e ali por um director mais capataz e envolvendo muitos professores que até são apoiantes deste desgoverno que conseguiu o imprevisível: voltar a unir uma profissão, depois das malfeitorias de Maria de Lurdes Rodrigues e sua cuidadosa preparação de uma escola pública pronta a privatizar. Ao não adiar os exames optou por esticar a corda, nem percebendo que com isso o ónus das consequências lhe bate à porta.

Sonhará certamente hoje Nuno Crato com uma escola em que um director tivesse o poder discricionário de seleccionar os seus professores. Esses certamente que não arriscariam uma greve aos exames, tal como vai suceder nos colégios. A ideia é precisamente essa: reduzir a função pública aos abusos empresariais do costume, e na impossibilidade de proibir greves assegurar que só sejam feitas ao Domingo, mais uma peça do golpe de estado que tenta dissolver a Constituição sem os 2/3 de votos necessários. Vai-lhes rebentar na cara, e que doa muito.

A culpa deve ser do vento

Sem serviços mínimos, com uma adesão estrondosa, a greve dos professores promete.

Dúvida do dia

A reforma do estado é para fazer um estado novo?

10 de Junho, haja poesia

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Enquanto facturava 2500€ Marcelo Rebelo de Sousa choramingava-se ontem porque Dilma Rousseff estava em Portugal e não ia meter os pés em Elvas. Dilma é uma mulher culta e com uma cultura de esquerda. A simples ideia de que a Presidente do Brasil sendo uma mulher culta e com uma cultura de esquerda ia meter os pés nas celebrações do dia do colonialismo arraçado de Camões só lembra a uma Marcelo, e por isso recebe 10000 ao mês, para mentir, debitar propaganda e dizer disparates. Sim, o 10 de Junho é isso, a celebração da escravatura, do genocídio, das páginas mais negras da História de Portugal inventada pelos republicanos no séc. XIX, abençoada por Salazar no seguinte e reciclado em mais gesta embora cada vez menos heróica. Um dia que devia levar mais 14 em cima e aí sim, ser o Dia de Portugal, celebrando o primeiro momento da sua fundação.

Dilma, que veio aos saldos dos CTT, TAP e outros pedaços de Portugal que os migueisvasconcelos meteram à venda ao preço da uva mijona, vai estar presente na entrega do Prémio Camões, onde se celebra o vate pelo que valeu, a poesia e não a épica, e sobretudo a língua e quem a pratica.

Entretanto Nuno Judíce prestou-se à vassalagem da medalha, enquanto Artur Queiroz travestido em Álvaro Domingos (quem te viu e quem te vê) acusa um filho de Herberto Hélder de ser “filho de ninguém“. Grande Herberto, que nunca te prestaste a homenagens, quem se não os poetas para salvarem a honra da pátria.

Sim, temos poetas

O Jorge Sousa Braga, por exemplo. Sem rimas certinhas, sí-la-bas, decassílabos e o séc. XVI (um século de merda, fedendo a atraso cultural, inquisidores e sebastiões).

Poetas que cantam Portugal como ele é e gozam com o Portugal que nunca foi.

Rui Ramos medalhado

Mas insatisfeito, um condado é que era. Para Helena Matos passou a intocável. Cavaco já faz santos?

Demite-os

E aí sim, o pós-troika será quando um Cavaco quiser.

É um desporto nacional

Seguindo o desafio de Cavaco, portugueses vaiaram Passos Coelho.

10 de Junho, dia da raça

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Com o alto patrocínio de Aníbal Cavaco Silva este ano –  a charolesa. Bons bifes.

Feira Medieval de Coimbra 2013

Em stop motion. Fotografias de Paulo Abrantes

Zona de conforto

Os lugares de recuo dos ladrões gestores que foram assaltando destruindo as empresas públicas.

Vítor Cunha não foi à escola

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Começou com uns gráficos, aldrabados até dizer chega (esquecer o secundário para comparar número de docentes com número de alunos não é de cábula, é de asnídeo).

Seguiram-se quatro perguntas, em que a factual tinha resposta e as ideológicas são de anedotário.

Continuando, em dia de greve de professores falou do que não sabe, e levou uma ensaboadela óbvia.

Como não chegasse, entrou agora no território do delírio: compara o sector da distribuição alimentar, que é privado, com a rede de ensino, que é pública, misturando RSI e educação com a maior das naturalidades.

Tudo isto para defender o cheque-ensino, esse santo milagreiro que faria brotar colégios eficientes como outonais cogumelos numa húmida floresta, enquanto as escolas existentes seriam convertidas, imagino, em supermercados. O esforço para defender o capitalismo à portuguesa, sempre a viver das rendas do estado, merece mais e melhor que ser assistido por um manifesto caso de insucesso escolar.

Clément Méric, presente

Os bisnetos de Petain andam nas ruas de Paris. Os dos resistentes também.

Amigo, se tu cais outro amigo sai da sombra e ocupa o teu lugar.

Como aldrabar uma sondagem

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Via O Tempo das Cerejas

Pergunta elementar

Será que é a Escola Básica quem selecciona os seus alunos ou o Colégio? É ver no ranking.

Gaspar incentiva o investimento

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Fotografia de mrsdarwin, Parapluie Rouge

Perguntas a um perguntador

A quatro perguntas também posso responder perguntando, ficando implícitas informações ao alcance de um googlar?

Porque há-de o estado subsidiar negócios ou organizações religiosas? porque carga de água deve sair do orçamento geral do estado o lucro dos empreendedores, que fazem pior e mais caro que o estado?  porque será que o estado tem custos superiores com os contratos de associação do que tem com a sua rede escolar? desde quando é que uma empresa que visa o lucro e apenas o lucro faz melhor que um serviço público que tem por único objectivo a satisfação de uma necessidade social?

Porque não há-de um estado gastar mais com umas regiões do que com outras? deve um país abdicar do seu território? e se sim, vende esse território ou oferece-o gratuitamente a uma potência estrangeira interessada? [Read more…]

Acordei em greve intermitente,

e a  intermitência é um estado de greve tramado.

Enquanto se fala de um dia de greve ao exame de Português, começa hoje uma greve sucessiva às reuniões de avaliação que impede o ano lectivo de acabar.

morse

Não luto de manhã, trabalho, à tarde combato, no dia seguinte logo se vê o turno que me calha. Isto eu, para eles NÓS estamos em greve permanente, com um custo mínimo e rotativo.

Eles estão tramados.

E pentes a carecas

Portugal quer vender carne de porco a Marrocos e arroz para o Oriente.

Nuno Vieira e Brito

 

 

O regresso dos vómitos do Lemos

Valter Lemos escreveu na Gazeta do Interior sobre a greve dos professores. Queixa-se do que aconteceu em 2005:

A razão dessa greve foi o protesto contra a decisão do governo sobre a “ocupação plena dos tempos escolares”, que ficou conhecida como as “aulas de substituição”.

Considerando essa reivindicação irrelevante (e só por si até seria, com a curiosidade de apenas afectar os professores com mais de 50 anos de idade, para além de ser uma barbaridade pedagógica que até Nuno Crato quase deixou cair). [Read more…]

Medo de quem?

Também não temos medo de ti, Passos Coelho, mas deixa os capangas em casa.

A excitação de Nuno Crato

NunoCratoSer entrevistado por um jornal estrangeiro de fora liberta o que há de mais profundo num governante. Foi o que sucedeu com Nuno Crato perante a jornalista Nathália Butti, da brasileiraVeja: foi um desfiar de fetiches a caminho da privatização do ensino, o que passa pela contratação de professores a cargo do gestor da escola, a cunha, o chicote, a perseguição política, o fim da escola pública como a conhecemos desde 1974 (antes já se saneavam os ideologicamente indesejáveis ou moralmente suspeitos, por exemplo). Pelo meio o mais miserável discurso anti-eduquês, capaz de nos deixar com saudades da Ana Benavente.

Muito aborrecido em vésperas de uma greve docente foi a entrevista ter chegado cá, primeiro elogiada no Blasfémias, olha quem, e ontem sintetizada nos jornais.

Correndo atrás do prejuízo sabemos agora que “o ministro foi mal interpretado“, são planos para 10 anos (eles vieram para ficar, só falta um Gomes da Costa).

Lost in translation, certamente. Para a próxima Nuno Crato não prescindirá dos serviços de um intérprete de confiança.

O Borges está louco?

Ou o António é mesmo doido varrido.

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(PIB Europa e EUA)

Há uma palavra para isto: crime

Dois anos de desgoverno em números.

Mário Soares visto pela direita

A direita decente, que também a há, não vomita mentiras: coloca o homem na História.

E viva a decência

Neste caso do Alexandre Homem Cristo que induzido em erro, corrigiu.

Quero o dinheiro das minhas horas extraodinárias

Os professores, na realidade, já trabalham 40 horas por semana.- Uma confissão de Nuno Crato.

Resumo da matéria dada

Ainda a propósito dos pobrezinhos que andam a roubar o Estado.