Outro fascista!

Ouve-se e não se acredita. Encerrar os orgãos de comunicação social privados? Como disse? Outro a querer que sejamos todos norte-coreanos!

O mundo está perigoso!

O ex-primeiro ministro José Sócrates disse numa entrevista que não assumiria a liderança do governo se não ganhasse eleições. Também disse, na mesma entrevista e a propósito de outro assunto, que pela primeira vez estava de acordo com Ana Gomes.

Pode ser PTE?

Dada a ausência de tomadas de posição do PAN quanto a matérias de touros e eucaliptos, será que Partido Touradas e Eucaliptos – PTE estaria bem?

Mais do mesmo?

Anunciado o próximo Secretário de Estado da Juventude e Desporto. Mais do mesmo outra vez?

Amor com amor se paga

Seixas da Costa vai para administrador de uma das empresas do grupo EDP.

Depois do que fez pela construção da barragem do Tua bem merece!

O “caso” João Soares/António Lamas

Agora que a poeira parece começar a assentar, vamos ao “caso”.

O governo anterior (PSD/CDS) nomeou António Lamas Presidente do Centro Cultural de Belém em inícios de Novembro de 2014. O então recém-nomeado, (CV aqui, pág. 10 e 11), em entrevista ao jornal Público, já dizia ao que vinha. Vale a pena ler, mas realço isto, quando se refere a  receitas e despesas:  “A redistribuição entre os Jerónimos e Freixo-de-Espada-à-Cinta não faz sentido”.

Ainda quando se refere a investimento: “Há necessidade de investir? Não se faça um perímetro que vá até Bragança.”

Para António Lamas o que interessa é Lisboa, e o dinheiro arrecadado pelo Estado (em Lisboa) não é para ser investido no resto do País. Mais, essa receita é também para investir (em Lisboa e para ir aos fundos comunitários!). Ponto. Pela mesma lógica, a electricidade produzida em Freixo-de-Espada-à-Cinta, no Douro, não deveria ser redistribuída, e muito menos em Lisboa! [Read more…]

A reciclagem

Adriano Moreira vai ser Conselheiro de Estado. Foi ministro do antigo regime.

Domingos Abrantes vai ser Conselheiro de Estado. Esteve preso no antigo regime.

Fascistas e estalinistas a mesma reciclagem?

Ah! Isto do IMI está engraçado!

Outros que queriam ficar isentos!

Fora da lei

A Presidência da República anda há anos a esconder onde gasta o dinheiro. Esta situação tem sido denunciada muitas vezes, mas sem qualquer resultado. Esperemos que o próximo Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, cumpra e faça cumprir a lei. Apenas isso.

O bom, o mau e o vilão

Em meados dos anos setenta estava programada a construção de uma central nuclear em Portugal, nomeadamente em Ferrel, concelho de Peniche. Objecto de forte contestação popular ( que culminou com a célebre manifestação de Março de 1976 ), não foi construída. À época havia uma discussão interessante, que era haver correntes de opinião (conservadoras) que defendiam a bondade da energia nuclear desde que fosse usada para fins pacíficos. Ou seja, o átomo proletário era diferente do  átomo capitalista. Claro que depois de vários acidentes em centrais nucleares, nomeadamente Chernobil, nada foi como antes.

Volvidos estes anos assistimos hoje a uma discussão entre os defensores do orçamento do actual governo por contraponto com os orçamentos do governo anterior (com mais Bruxelas ou menos Bruxelas). Ou seja, houve uma austeridade má (de direita) mas agora temos uma austeridade boa (de esquerda).

Austeridade é austeridade. Ponto. Mais impostos são mais impostos. Ponto.

Esperemos, para bem de todos e do país,  que não venha para aí um Chernobil económico e financeiro.

O piropo e a desgarrada

Notícia destes dias, a propósito de aditamento ao artigo 170º do Código Penal. Por proposta da dupla PSD/CDS-PP, os chamados piropos passaram a ser criminalizados, ou seja, “ pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal”.

Uma deputada do PSD, disse, a propósito, que “as mulheres e as meninas estão muito mais defendidas”. “Praticamente todas as coisas que são ditas na rua para importunar as mulheres, tudo aquilo que é ordinarice, fica assim criminalizado. “

Lembrei-me logo das desgarradas  minhotas! Qualquer dia temos que as propôr a  Património Mundial Imaterial da UNESCO!

Cultura 2011-2015. Contributo para um balanço

Em 2011 a mudança de governo trouxe uma novidade – deixou de haver Ministério da Cultura. E então, a acreditar nos principais órgãos da comunicação social, e em muitos bem pensantes e bem falantes da denominada área cultural (ou lá o que isso é), essa medida, acabar com o Ministério e passar a Secretaria de Estado, era um indício do menosprezo que a “direita” tem em relação às matérias da cultura. A falta de rigor nessa análise não  permitiu ver que também não havia Secretaria de Estado da Cultura. Tivemos assim não um Ministério da Cultura, não uma Secretaria de Estado da Cultura, mas um Secretário de Estado. O que acontecia pela primeira vez desde 1980. Adiante. Como primeiro titular da pasta, Francisco José Viegas. Sucedeu-lhe Jorge Barreto Xavier.

No caso de F.J.V. três questões marcaram o seu mandato, pela negativa. Desde logo a questão da Barragem de Foz Tua, caso em que “lavou” as mãos como se nada tivesse a ver com o caso. Relembro um célebre Relatório sobre a Barragem  entregue ao Estado Português que foi escondido (divulgado em primeira mão pelo jornal Público, traduzido neste blog). [Read more…]

Morrer bem, morrer mal

“….Morrer bem ou mal não tem grande interesse. O que importa é viver bem. É uma boa imagem da vida que gostaria de deixar, e não uma boa imagem de agonizante. Ser nobremente uma coerência existencial, e não uma existência apostada em segregar uma frase para lançar com o último suspiro.”

Miguel Torga, Diário XII, 26 de Janeiro de 1975

E é isto JJC! Abraço forte!

Sabedoria a Sul

Julho de 1989. Algures entre Rosário e Capelins (concelho do Alandroal) perto da ribeira do Lucefecit (sim, é mesmo assim o nome)  e a sua foz no Guadiana. Eu, o José Perdigão e o António Bairinhas (colegas de trabalho, os dois do Redondo) andávamos à  procura de um sítio cuja toponímia era indicativa de um sítio romano. Calor abrasador. Paramos o Land Rover (o caminho tinha acabado), e seguimos  a pé. Algures do meio de nada encontramos um pastor, o seu cão e as respectivas ovelhas. Estavam numa pequena sombra (a acarrar, como se diz). Fazemos as perguntas da praxe, isto é, se há algumas ruínas, se há vestígios de “mouros”, lendas, etc. Após a interessante conversa, pergunto:

-Tem horas?

Olhou-me, e muito calmamente responde:

-Horas? Não! Tenho tempo!

Fiquei parado a pensar na resposta. Despedimo-nos e continuamos. Ainda hoje tenho na memória o seu rosto sereno a responder-me.

Passos Coelho e os Rolls-Royce com bandeira vermelha

Emídio Gomes não é um cidadão qualquer. É o Presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte. Escolhido para o cargo pelo actual governo (via CRESAP, com o que tudo isto implica, mas isso são contas de outro rosário….), está equiparado a Director-Geral. Tem o estatuto de funcionário público. Mas não é um Director-Geral qualquer. É o Presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte. Em artigo recente no JN, teceu algumas considerações sobre Varoufakis, o Ministro das Finanças do governo grego. “Uma mota potente? Falsa informalidade? Diletantismo militante que uma certa intelectualidade nos faz entrar pela porta dentro? Atitude fashion de dissertar sobre a filosofia dos syrizas, porque tudo aquilo me parece vazio de conteúdo e cheio de oportunismo?”.

A Administração Pública de Passos Coelho no seu melhor!

Pergunto: Emídio Gomes ainda ocupa o lugar? Vai a votos?

Citações do Bloco Central

“A questão essencial é se o capital é credível, sustentável e se está em linha com os interesses fundamentais do Estado português”.

António Vitorino, 20 de Dezembro de 2014, a propósito da privatização da TAP.

“Pândegos”

Marques Mendes referindo-se ao ministro Pires de Lima e ao secretário de estado Sérgio Monteiro em 13 de Junho de 2015, a propósito da privatização da TAP.

«A operação (de venda da TAP) movimentou muitos assessores, incluindo dois advogados com influência na política e que intervieram activamente: Marques Mendes, da Abreu Advogados, estava com Efromovich;  António Vitorino, da Cuatrecasas, com Neeleman. A proposta que venceu foi a apoiada pela Cuatrecasas».

Jornal Expresso

Hotel no Mosteiro de Alcobaça!

Ora o que nos reserva ainda este governo? Um hotel no Mosteiro de Alcobaça!

Uma PPP, agora em Alcobaça. Mais uma vez não há justificação para isto. Se o fazem por doutrina, ao menos publiquem-na! Que vergonha! O Sr. Primeiro Ministro e o Sr. Secretário de Estado da Cultura são dois ignorantes em matéria de cultura e património. Primeiro foi a barragem do Tua, com o amén do ex-Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas; Depois foi o Crivelli, também da “lavra” de FJV. Seguiram-se os Mirós, e o Museu dos Coches, e agora nada mais fácil. Estrangula-se a gestão e apresenta-se como alternativa um Hotel!

Se para as contas públicas seguem o que é determinado, dizem eles, pelo estrangeiro, porque é que no que diz respeito ao Património e à Cultura fazem tábua rasa dos compromissos internacionais, e fazem de conta que não há doutrina internacional sobre esta matéria?

Shame on you Sr. Primeiro Ministro! Shame on you Sr. Secretário de Estado!

A memória e a cultura

Há uma “corrente de opinião”, especialmente na capital e nos meios  “culturais”, ou ditos culturais, de que a esquerda é que é capaz de tratar a cultura e o património como deve ser.

Relembro a promessa de António Costa, recente, de, se  fôr  1º Ministro, dotar o seu governo de Ministério da Cultura como se isso fosse a solução para tudo e mais alguma coisa (erradamente, os  ilustres órgãos da comunicação social continuam a referir-se a esta área da governação como Secretaria de Estado da Cultura, que não existe na orgânica deste governo).

Por outro lado, a maior parte das pessoas ligadas ao PSD aceita essa  narrativa (como se diz agora), com muita dose de vergonha. São uns nabos. Nem sequer conhecem o que o seu próprio partido fez nos últimos trinta anos (claro que exemplos como os de Rui Rio e Francisco José Viegas, por exemplo, não ajudam). Isto a propósito da foto que publico, e que diz respeito à inauguração de Serralves em 1987.

Sim, a Casa de Serralves (o conjunto todo) foi comprada pelo Estado. Era governo o  PSD (a Secretária de Estado da Cultura era Teresa Patrício Gouveia e o 1º Ministro era Cavaco Silva).

É fodido.

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Não devem ser drogas leves!

Neste fim de semana um conjunto de pessoas (100 dizem uns, 400 dizem outros) deslocaram-se  da Covilhã a Évora, onde se manifestaram à porta do Estabelecimento Prisional. Por causa de José Sócrates, está visto.

Por entre declarações várias, o facto de dizerem que o antigo primeiro ministro estava preso por motivos políticos!

Mas o que me espantou foi alguns estarem de cravo vermelho e cantarem a Grândola Vila Morena!

Salgueiro Maia e Zeca Afonso devem estar a dar voltas nos caixões, mas pergunto-me: o que é que andam a fumar na Covilhã?

Urinóis: públicos ou privados?

Costumo ir a banhos para sul, mais especificamente para o Algarve. E para além de outros rituais sempre que lá estou, gosto de ir a Vilamoura à noite dar um passeio na marina e comer um gelado. Assim fiz. Como o jantar em casa foi mais regado, e estou a tomar diuréticos, lá tive que ir ao WC da marina, que é privado. Cobram 30 cêntimos para ir à mijinha da ordem.
Mas o que me admirou não foi isso. É que na semana anterior tinha ido a Campanhã buscar um amigo, e ele, apertado como vinha, foi ao WC da estação. Além de estarem um pouco sujos, cobram 50 cêntimos pela dita mijinha.
Claro que há-de haver uma explicação para esta diferença, mas que é estranho, é.

Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

A propósito da criação de uma rede entre os sítios inscritos na Lista da Unesco como Património Mundial, tivemos declarações de um dos Vices-Presidentes da CCDRN. Cito:
“O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) Álvaro Carvalho defendeu hoje em Coimbra incentivos fiscais para que se possa preservar o património classificado do Alto Douro Vinhateiro.
A CCDRN quer que sejam criados incentivos fiscais, como “IMI mais reduzido ou outras medidas compensatórias em termos de IRC e IRS”, de forma a preservar o património do Alto Douro Vinhateiro, zona classificada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).” In http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/comissao-coordenacao-norte-quer-incentivos-fiscais-douro-vinhateiro
Continua a ignorância. O Estatuto dos Benefícios Fiscais prevê que os proprietários de bens classificados como Monumento Nacional (é o caso dos inscritos na Lista da Unesco como Património Mundial) tenham isenção de IMI. Aliás o que está de acordo com a Lei de Bases do Património, a Lei 107/2001.
O que tem acontecido é que por força de uma alteração no Orçamento de Estado de 2007, o IMI está a ser cobrado indevidamente a muitos proprietários no Porto, em Guimarães, em Évora, Sintra, etc.,etc.
Essa alteração traduz-se numa diferente redacção da transposição do referido Estatuto dos Benefícios Fiscais para o OE. Ora então temos tido sucessivos Orçamentos de Estado com essa nova redacção. E então a Autoridade Tributária está a cobrar o IMI desde 2009, ou seja com efeitos retroactivos (só podem cobrar até cinco anos antes), pois são as ordens decorrentes do chamado memorando de entendimento (o da Troika). Há pessoas com ordenados penhorados por causa disto. Há inclusive um caso em que um proprietário de duas casas em dois Centros Históricos (em concelhos diferentes) classificados como Monumento Nacional, numa casa tem isenção de IMI, noutra não!
Por um lado temos a Lei de Bases do Património, por outro temos a Lei que define o Estatuto dos Benefícios Fiscais. E ainda as sucessivas Leis dos Orçamentos do Estado. Portanto, o que será necessário é alterar o tal artigo dos OEs, corrigindo-o de acordo com a legislação existente. Qual IMI mais reduzido qual carapuça!

O demagogo, a clientela e os subsídios

O candidato António Costa (o tal que é boy rosa mas quase ninguém lhe chama isso, isto dos boys é só para os do PSD) ), prometeu, a uma “assembleia de clientes”, que iria, caso fosse governo, criar novamente o Ministério da Cultura.
As chamadas “pessoas da cultura” (que eu não sei como se caracterizam) vão desde a actores de televisão e cinema, escritores, escultores, poetas, pintores, músicos, etc, e até de personagens como Gabriela Canavilhas (ex-Ministra da Cultura de triste memória e amiga das touradas). Vendo de relance a lista de apoiantes (há uma página no Facebook para isso), e com algumas excepções, verifica-se que temos mais uma vez a corte dos subsídios. Lembrei-me logo dos GNR, ou dos Moonspell, entre outros, que fizeram carreira, e nunca receberam qualquer subsídio do Estado.
Que a cultura deve ocupar um lugar central na nossa sociedade, estamos de acordo. Mas devemos discutir o que cabe nesse guarda-chuva chamado “Cultura” e qual deverá ser o papel do Estado e da sociedade civil nessa matéria. E depois, sim, qual deve ser o modelo político e administrativo para cumprir tal missão.
Sem isso, isto não passa de demagogia barata e de clientes a berrar por subsídios.

Memofante

O ex-Secretário de Estado da Cultura   Francisco José Viegas, na sua coluna de 23 de Junho no Correio da Manhã, a propósito de um livro (Portugal em ruínas, da Fundação Francisco Manuel dos Santos) refere-se ao trabalho do autor, Gastão de Brito e Silva, dizendo que este fotógrafo “… reúne num pequeno livro ……….dedicado a espiar não só as ruínas dos monumentos, mas também os sinais e os testemunhos deixados pelo tempo em edifícios que tudo corroeu: a incúria, o desprezo, o desinteresse, a ignorância e a fúria da construção civil”. Termina o artigo: “São, por si só, diques que não resistiram à nossa passagem ou ao nosso esquecimento, a doença fatal de um país.”

 

Pois. Lembrei-me logo de quatro coisas, entre várias: a barragem do Tua, o acordo ortográfico, a reestruturação dos serviços da área da administração do Património Cultural (Museus, Arquivos, etc.), e os bens Património Mundial . E a propósito da passagem de Francisco José Viegas pelo Governo, lembrei-me também ( isto da memória é tramado! ) de um artigo de Vasco Pulido Valente (também ele ex-Secretário de Estado da Cultura) de 11 de Janeiro de 2009, no jornal Público, intitulado “Uma história portuguesa”, que não resisto a citar parcialmente (recomendo a leitura na totalidade), pois assenta como um fato da House of Bijan nos titulares da pasta da Cultura dos Governos Sócrates (especialmente Isabel Pires de Lima, Gabriela Canavilhas e Elísio Sumavielle), e nos titulares da área da Cultura dos Governos Passos Coelho ( Francisco José Viegas e Jorge Barreto Xavier.
Nunca a gente que ocupou o Ministério da Cultura conseguiu perceber que a sua principal responsabilidade era o património”.
E não se chega à presente catástrofe em menos de anos sobre anos de abandono e de incúria. Quando se pergunta como depois da democracia e da Europa acabámos nesta melancólica miséria, basta pensar na política de promoção e defesa do património cultural; no oportunismo, desorganização e pura estupidez de que ela precisou para durar.

Lapidar.

Os jotas são só os do PSD?

Não raro lemos e ouvimos, sobre um político, “é mais um jota!”. E isto é referido como comentário depreciativo do personagem em causa. Vejamos o CV deste: Licenciatura em Direito, dirigente associativo, militante de uma jota, deputado municipal (Lisboa, 1982 e 1993), deputado à Assembleia da República (1991 e 1995), vereador eleito ao município de Loures (1993), dirigente de um partido político (1987/1990 e desde 1994 até agora), Secretário de Estado (1995/1997), Ministro (1997/2002 e 2005/2007)), deputado e vice-presidente no Parlamento Europeu (2004/2005), Presidente de Câmara (2007/2014?). Trata-se de António Costa, candidato a dirigente máximo do PS, e consequentemente candidato a 1º. Ministro. 

Será o preferido de muita gente, até da Impresa/SIC, mas porque é que ninguém o apelida de “jota” como fazem a outros?

O Estado, a Cultura e o Património

“…a função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia entre a preservação do património e o apoio à criação artística: o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com a referência e a experiência cultural, na fruição e acesso de cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa responder à procura com mais informação, com mais parcerias, com uma maior descentralização, com a colaboração – sem sobreposição, dirigismo ou substituição – com as autarquias, empresas e sociedade civil; com o apoio à criação e produção cultural e à internacionalização; e continuar a encontrar novos públicos em conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação….”

Pois é.  A esta citação voltaremos.

Surf? E a lerpa?

A candidata do BE às eleições europeias defende a inclusão do surf nos currículos escolares. Como disse?

Grande aposta! Cavaco fala do mar, Rangel idem, e agora é a vez de Marisa Matias. Surf nos currículos escolares?

E já agora porque não a lerpa? E o pião? E a macaca?

Que triste sina!

Quando os lobos julgam a justiça uiva

No dia 25 de Abril de 1974, de manhã, cheguei ao Liceu de V. N. de Famalicão, terra onde vivia, e não havia aulas. De acordo com o que nos disseram havia mudanças e ninguém sabia muito bem o que se iria passar. Uma coisa ficamos logo a saber, não íamos para a tropa! (ir para a tropa significava, para mim e para os meus amigos, então com 16 anos, ir para a guerra, e falávamos muito disso).

Durante toda a manhã ficamos nas imediações do Liceu, entretanto fechado, em pequenos grupos e a conversar sobre o que ainda não percebíamos muito bem. Lembro-me de dois aviões que passaram nos céus, e não eram os da TAP. De tarde, e depois de mais informações, quer de alguns professores quer de alguns pais, ficamos a saber algo mais. Tudo iria mudar.

Para mim, verifiquei logo uma mudança, alguns livros que havia em minha casa, escondidos pelos meus pais, começaram a estar à vista, junto com os outros. Lembro-me de alguns do Miguel Torga, do Aquilino Ribeiro, e outros, que um amigo de meus pais trazia às escondidas do Brasil (Roberto das Neves, um célebre anarquista, Tomás da Fonseca, etc.). E assim tratei logo de ler alguns desses livros que estavam proibidos. Lembro-me do Bichos, do Torga, e Quando os lobos uivam, do Aquilino Ribeiro. Este retrata o que foi a expropriação violenta dos terrenos baldios (que tem uma administração própria, em regime comunitário) pela administração fascista do Estado Novo, com a consequente plantação de pinheiro em grandes parcelas do nosso território, e que matou a economia local em muitas localidades. O romance descreve essa luta, as perseguições e a repressão, com mortos.
Proibido, pois.

Junto com este havia outro, editado no Brasil, que hoje conservo. Trata-se da transcrição da  acusação e da defesa em tribunal do Aquilino por causa daquele livro.

Passados 40 anos do 25 de Abril, relembro esse, intitulado Quando os lobos julgam a justiça uiva.

O Prémio*

Alexandra Lucas Coelho foi premiada num do mais importantes prémios atribuídos em Portugal. Dou-lhe os meus sinceros parabéns. E ainda bem que no seu discurso disse o que lhe apeteceu.
Mas o texto aqui escrito por Sarah Adamopoulos (que não conheço) leva-me a dizer o seguinte: quem fingiu, e bem, que havia cultura no governo foi Gabriela Canavilhas e o seu SEC de então; e nessa matéria foram muito bem secundados por Francisco José Viegas, e apenas com uma diferença, é que com Sócrates havia Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, e com Passos Coelho não há MC mas também não há SEC. A reestruturação dos serviços da área da Cultura feita por FJV é a mesma que estava preparada anteriormente, e que apenas pode ser adjectivada de vergonhosa, aliás como a sua prestação como SEC.
Com isto não estou a defender que com Jorge Barreto Xavier é que a coisa está boa, nem que a sua intervenção quando do prémio tenha sido correcta. Outro aspecto tem a ver com o prémio monetário. Se, como se diz, o prémio tem uma parte de dinheiro público, então direi que como contribuinte não quero que os meus impostos sejam aplicados em prémios literários. Claro que essa decisão não é minha, é de um governo, este ou outro, que seja legitimamente eleito. E por isso este país não é de Cavaco Silva, como diz Alexandra Lucas Coelho, mas também não é de Siza Vieira, ou de qualquer outra estrela da nossa área dita cultural.
Quanto ao papel que deve ter um Secretário de Estado da Cultura de qualquer governo, pergunto, e então o património cultural? E a língua, que é também património? E o Acordo Ortográfico? Como ficamos?
Como dizia um primo meu, esta malta acha que a cultura é uma casa à parte do país.
*Título de um livro de Manuel Vásquez de Montalbán, cuja leitura recomendo

Rui Feijó

Rui Feijó (1921-2008) foi o primeiro Delegado da Secretaria de Estado da Cultura do Norte.
Fazia ontem anos se fosse vivo. Foi homenageado na Casa das Artes, à Rua Ruben A, no Porto. Edifício este pelo qual lutou, entre outras coisas muito importantes e estruturantes, na área da Cultura e do Património. Deixou trabalho feito e é um exemplo do que deve ser um Director-Geral.
Na área cívica e política teve também intervenção, tendo no período anterior ao 25 de Abril ajudado muita gente (Manuel Alegre esteve refugiado na sua casa em Lousada, por exemplo).
O seu legado está por estudar, mas a homenagem foi merecida. A ele voltaremos.

Porque será?

Um país (Rússia) invadiu outro (Ucrania).

Mas estou a estranhar uma coisa, não está a decorrer, nem  prevista, qualquer manifestação junto da embaixada russa em Lisboa, em protesto contra essa invasão.

Porque será?