Terramoto do Haiti: As imagens duras e frias merecem mais que um simples juízo de valor?

No Bitaites, o seu autor, Marco Santos, coloca “A velha discussão entre jornalismo e pornografia” em debate. Por causa de uma fotografia. Em causa, a ética e a moralidade de publicação de uma imagem dura, cruel, que ali é apelidade de pornográfica. É uma velha questão, de facto. Deve a imagem de Olivier Laban-Mattei, que venceu na categoria General News Stories, do World Press Photo, ser mostrada, seja onde for, num jornal, numa revista, num site, numa exposição? A fotografia foi tirada a 15 de Janeiro do ano passado, num dia normal das prolongadas operações de limpeza que se seguiram ao terramoto no Haiti.

Todos nós vimos imagens de momentos únicos de salvamentos no pós catástrofe no Haiti. Daqueles que nos fazem encolher o peito, embargar a voz e humedecer os olhos. Eram momentos felizes. Dos escombros saiam vidas, depois de horas, dias e até uma semana em suspenso. Gostamos dessas imagens. Proporcionam esperança. Sabemos que há milhares de mortos mas é nestas que obtemos mais uma recarga de humanidade.

Por isso, é tão duro olhar para a imagem do homem que efectua limpezas na morgue do repleto hospital central de Port-au-Prince. Ali, parece não haver humanidade.

Um corpo de uma criança voa em direcção a uma pilha onde já há outros cadáveres. Há um despejar literal, como se fosse um pedaço de madeira. Como se fosse nada. O nosso espanto é ainda maior porque se trata de uma criança.

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Crédito: Olivier Laban-Mattei, França, Agence France-Presse

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Fotografia sem Título

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Entrecampos, ano de 1968

O então apeadeiro de Entrecampos, 1968, actualmente uma das estações mais povoadas de Portugal.

A Copiosa Chuva


Lava a alma e os carris da Linha de Sintra.

KIM JONG-IL olhando para as coisas

Um fotoblogue onde o olhar penetra a descoisificação do real, transcendendo-se na construção do socialismo pós-feudal.

Uma viagem ao coração, fígado e pulmões da República Popular Democrática de Coreia Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk, conhecida informalmente por Coreia do Norte.

the dear leader likes to look at things.
updated every other day and sometimes on the weekends too

Uma obra heróica: Luísa Correia


Jamais fui apresentado à Luísa Correia, mas conheço, agradecido, a sua obsessão por nos mostrar aquilo que por muito que tentemos à vista desarmada, não conseguimos lobrigar. Todos os dias pelas ruas deambulamos quase cabisbaixos e não colhemos qualquer benefício do ambiente quase miraculoso em que vivemos. Perspectivas desconhecidas, uma quase indecente beleza que une pedras, plantas e animais, a luminosidade proporcionada por uma paleta de cores que se torna indescritível a cada foto que passa. Não há lugar para qualquer manipulação técnica, ou retoque de postal destinado ao turista. Na obra da Luísa, tudo é autêntico e sem subterfúgios, pois a autora apercebe-se do real valor que os construtores da cidade, talvez na sua maioria inconscientes da sua contribuição para um legado que nos une, foram ao longo de séculos acrescentando à nossa riqueza arquitectónica.

O Nocturno é um blogue de uma categoria dificilmente igualável, amesquinhando ou reduzindo a pó, tudo aquilo que possamos escrever acerca das aterradoras notícias que vão pingando em constantes chuviscos molha-tolos, anunciando a inevitável tempestade final que se aproxima a cada dia que passa.

Dia após dia e mercê do exaustivo trabalho da Luísa, deparamos com uma visão imperial bem diferente da regra europeia de amplas e arrebicadas avenidas, destinadas ao cerimonial que impunha o auto-satisfeito respeito interno e o temor no visitante que logo ao seu país regressava. Aqui, neste centro geográfico do Ocidente, existe essa grandeza despreocupada com convenções, denotando-se a liberdade dos edificadores e um caos organizado que nos deu afinal, a dimensão humana que outras capitais de igualmente extintos impérios, definitivamente não possuem.

A Luísa é uma benemérita e artista do maior valor, em nada ofuscada pelas obras a nós deixadas por outros amantes de Lisboa, que como Botelho ou Maluda, ofereceram sempre beleza, fazendo-nos esquecer o desleixo, a ruína, o negócio torpe e a infâmia iconoclasta de quem se alça a gestor da cidade.

Esqueçam a crise por umas horas e visitem o Nocturno. É um Museu quase desconhecido.

Exposição de António Barreto


Um longo percurso, quase como uma reedição do Grand Tour de outros tempos. O Portugal urbano e rural, o Magrebe e o antigo reinos dos faraós, completam à perfeição, a procura das imagens de uma bem conhecida Europa e de uns tantos novos monumentos que marcarão o nosso tempo, ou dada a fraca perenidade do cimento, talvez não. Vidas indiferentes ao curioso que as capta, as grandezas e misérias que fazem o todo, eis uma bela exposição fotográfica a visitar.
“Ler a fotografia de António Barreto vai ser possível na Galeria Corrente d’Arte a partir de 11 de Novembro e até 30 de Dezembro de 2010. Na inauguração da exposição será lançado o livro de António Barreto em coautoria com Ângela Camila Castelo–Branco, “António Barreto: Fotografias, 1967 – 2010”, editado pela Relógio d’Água Editores.”
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Estação da Praia dos Algarves

Santa Apolónia, padroeira dos dentistas.

O momento

Eucalipto

Esta excelente fotografia de Minerva Bloom é uma metáfora do momento presente: uma réstia de vida em cima de um eucalipto seco.

Via Photo of the day na Fotopedia

Exposição de Fotografia de Vermoim, Maia (6)

Pode ver mais AQUI

Exposição de Fotografias de Vermoim, Maia (5)

Poderá ver mais fotografias AQUI

Exposição de Fotografias, Vermoim – Maia (4)

Ver mais aqui

Exposição de Fotografias de Vermoim – MAIA (3)

Exposição de Fotografias em Vermoim – Maia (2)

Exposição de Fotografias em Vermoim – Maia (1)

Aventador Expõe na Maia

Assim reza o press:

José Magalhães nasceu no Porto em 1952. Escreve e fotografa desde a adolescência.
Fez diversas exposições de fotografia, colectivas e individuais, em inúmeras cidades portuguesas (Porto, Braga, Coimbra, entre outras) e chega agora à Maia onde vai apresentar um conjunto de dezasseis trabalhos fotográficos intitulados “Imagens e Bocados”.
A exposição estará patente no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, a partir de hoje 25 de Setembro, data da sua inauguração (pelas 21h30). A entrada é livre.

Pois, mas agora vamos falar de um amigo. O José Magalhães é meu companheiro de blogosfera aqui no Aventar e um tipo cinco estrelas. Como se tal não fosse pouco, ainda consegue ser um fotógrafo e peras! Ele diz que é amador. Pois. Amador? Não! Quem consegue fotografar o Porto como ele o faz não é amador. É um Poeta.

Eu vou lá estar. Orgulhoso por o contar entre os meus amigos.

Oktoberfest

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Esta foto e mais 40 em Oktoberfest 2010 (Munique), galeria disponibilizada pelo site "The Big Picture" (que tem uma iPad App referenciada entre as 12 de topo, segundo a ZDNet). Por Lisboa, também há uma similar festa da cerveja a decorrer no Goethe-Institut).

Como Se Fora Um Conto – Rosa de Porcelana Pintada

CONTA-SE NA MINHA FAMÍLIA

No princípio do século vinte os hotéis e pensões tinham quartos para alugar que não possuíam quarto de banho. Este situava-se normalmente ao fundo do corredor e servia todos os quartos desse andar. Havia até pensões que tinham um só quarto de banho para os diversos andares dos quartos.

Na minha família havia um Padre. Quase todas as famílias tinham pelo menos um. Este, pelos anos vinte do século, era já entrado na idade. Teria bem mais de sessenta anos.

O Tio Padre, fazia palestras e orava em muitos locais para onde era convidado. Um dia teve de se deslocar a Chaves, em pleno Inverno, para falar, a convite de uma qualquer organização. Foi de Paços de Ferreira, onde residia, para Chaves, de charrete, como era hábito naquelas alturas.

Chegou a Chaves já o dia tinha acabado havia muito tempo, [Read more…]

Funchal

Água

Douro Vinhateiro

A Honestidade Intelectual do Expresso…

É pena, chega a ser triste.

Aos poucos, de um jornal de referência que, escrevendo algo logo se acreditava que seria verdade, se vai chegando a um jornal que, escrevendo algo, logo se acredita que muito provavelmente tem gralhas ou omissões. E as omissões não são gralhas ou lapsos…

Aconteceu que o Expresso publicou uma galeria online com o sugestivo título “Viagem ao Douro dos anos 50, sem barragens“.

O título é verosímil. Os autores da peça apenas se esqueceram (terá sido omissão ou gralha?) de referir quer a origem quer a data das fotografias ali publicadas. Não são – de todo! – imagens da década de 50 do século XX. São antes fotografias de Emílio Biel a quem a então Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (legítima predecessora da actual CP EPE) encomendara o acompanhamento fotográfico da valerosa e insana construção da Linha do Douro (1873-1889), Porto a Barca d’Alva, numa extensão aproximada de 200,5 km. Portanto, algumas fotografias têm mais que 60 anos, têm 137 anos.

Com efeito, nos tais “anos 50, sem barragens” a que alude o documento, e ao contrário do mostrado nas fotografias, já toda a linha do Douro tinha balastro (pedra) na via, algumas das estações tinham já sido largamente ampliadas e algumas das pontes ou viadutos tinham sido substituídos: tal é o caso do Viaduto da Pala (na imagem acima) (outra imagem de 1972, máquina a vapor com carruagens metálicas de fabrico suiço Schindler).

Ainda, e ao contrário do que o texto advoga, os “investimentos em barragens” não foram o sinónimo de se terem feito estradas “e melhoram-se as acessibilidades” porque muitas das estradas ribeirinhas (naturalmente sinuosas – são centenárias embora não tão antigas como o caminho-de-ferro). Portanto, se “ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade” tal se deveu muito, e na maior escala, à chegada do comboio e não às barragens. Pormenores! Tanto mais que ninguém vem quotidianamente trabalhar da Régua para o Porto de barco…

E a patranha continua: “com mais energia verde e com novas acessibilidades junto a esses empreendimentos.” Esta afirmação é feita com base nos latos benefícios que o Douro (ele próprio) tem recebido como contrapartida da exploração da sua riqueza?? É que desde os tais anos 50 não se tem notado. Agora andam todos aflitos a dizer que sim, agora é que vai ser progresso para o Douro… já são os jornalistas do Expresso a dizê-lo, deve ser verdade.

Adeus, Estação da Trofa…

A partir de dia 15 deste querido mês de Agosto de 2010, os comboios deixaram de passar na patrimonial e mais-que-centenária estação ferroviária da Trofa. A nova abre no dia seguinte. É o fim de um ciclo e de uma certa cidade.

Fotografia – Castro Laboreiro

Fotografia – Coimbra

Coliseu Romano

Vimes

Nos Caminhos do Mogadouro

Fotografia – Ribeira – Porto

Como Se Fora Um Conto – Associação Fotográfica do Porto – A polémica nasceu

Vá-se lá saber porquê, talvez que movido por interesses próprios fruto de um protagonismo que lhe estará a fugir, ou eventualmente servindo os de alguém que se esconde por trás de um anonimato pardacento, ou por uma qualquer outra razão que me escapa, surgiu, pela voz e acção do coordenador dos «Encontros do Olhar» do IPF (Instituto Português de Fotografia), a notícia, bombástica, da «inqualificável» usurpação do nome intocável da AFP (Associação Fotográfica do Porto), pela actual Associação “Portografia”.

Para o comum dos cidadãos da cidade do Porto, a sigla AFP poderá querer dizer  uma qualquer coisa, desde futebol a farmácias passando casualmente pela fotografia, e terá um interesse relativo, mas para os fotógrafos mais antigos, e se calhar só para esses, faz parte da história da fotografia, da cidade, e do País. Teve, no seu tempo, já lá vão mais de trinta anos, uma importância relevante na formação e criação de fotógrafos no norte do País e em especial na cidade do Porto. A AFP, foi e será sempre parte integrante e importante da vida e da história da cidade.

Entendo ser uma pena que os que com ela conviveram, com ela aprenderam e com ela se tornaram em alguns dos melhores fotógrafos Portugueses, nunca tivessem querido preservar o seu nome, constituindo-se em grupo organizado, e, também, nunca tivessem estado dispostos a descer do seu pedestal e criado um espólio com obras, máquinas e toda a espécie de trabalhos dos seus associados. A AFP morreu por culpa de todos eles, esquecida, velha e caduca, não se sabendo muito bem quando nem como. Dessa AFP, restam memórias e alguns encontros em almoços e jantares feitos por alguns saudosistas.

No ano de 2009 nasceu uma, mais uma, AFP. [Read more…]