«Eu adoro a Ministra da Educação, com ela os alunos passam todos!»

Terminou finalmente a primeira semana de aulas. Feita que está a apresentação das minhas 7 turmas e dos meus quase 200 alunos, posso dizer que estou satisfeito e aliviado. É incrível que, ao fim de 16 anos a dar aulas, continuo nervoso e assustado no momento em que vou conhecer uma turma constituída por canalhada do 7.º ou 8.º ano. É incrível, mas acontece.
O momento mais divertido foi quando um respiço de 12 anos, ao ouvir-me falar do meu grau de exigência no que toca ao aproveitamento, saíu-se com esta: «Ó setor, é por isso que eu adoro a Ministra da Educação. Com ela, os alunos passam todos!»
Ao fim de 16 anos de actividade, a experiência acumulada é suficiente para contornar situações imprevistas. «Olha que não é bem assim», e lá preguei um sermão ao puto sobre a importância de estudar e de ser aplicado. Quanto todos sabemos que, na realidade, ele é que está coberto de razão.

A sondagem de hoje do Expresso e novo empate técnico entre PS e PSD

A Eurosondagem, que nas eleições europeias se revelou tão generosa para o PS, vem hoje com uma nova sondagem para o Expresso. Desta vez, verifica-se de novo um empate técnico: 34% para o PS contra 31% do PSD, com um grau de probabilidade de 95%. Não admira que, em breve, apareça o PSD à frente noutra sondagem qualquer. Já o Bloco de ESquerda, apresar da ligeira vantagem sobre a CDU, poderá disparar no que diz respeito ao número de deputados. Ana Gomes, no «Público», defende a aliança do PS com o Bloco de Esquerda. Mas com os resultados da actual sondagem, os dois Partidos juntos não alcançariam a maioria absoluta.
Quanto a mim, as últimas Europeias serviram de vacina. As previsões eram mais ou menos as que são hoje, e, no final, o PSD venceu destacado. No final se verá, parecendo-me certo que a campanha eleitoral em curso já não servirá para grande coisa. Mesmo os indecisos, não será com a campanha que mudarão de opinião.
Agora vamos lá ver a prestação de Paulo Rangel no «Gato Fedorento».

Ali em Cuba, bem no Alentejo

cuba-estação de comboios...cuba-2009
Fui a Cuba, à nossa Cuba ali bem no Alentejo e, como palavra puxa palavra,…. em bom português posso dizer que há todo um Portugal onde é bem visível o embargo à criação de projectos que originem emprego, desenvolvimento, riqueza, …. enfim … tudo jogos de interesses ao mais alto nível.
Nesta altura do campeonato, o Alentejo deveria ser uma das regiões mais prósperas e povoadas do país e afinal… só por lá estão os que ainda não morreram.

Maria Monteiro

Experiências científicas com animais: Por que é que Leonor Beleza não experimenta nela própria? (as alternativas)


Há uns meses atrás, a propósito da criação do Biotério, um projecto da Fundação Champalimaud com capacidade para 25 mil animais, escrevi este post, no qual perguntava por que razão Leonor Beleza, que em tempos andou a fazer experiências com sangue contaminado, não fazia experiências nela própria. É que é esse um dos objectivos do Biotério, fazer experiências com animais. O outro objectivo é exportá-los para outros países, alguns dos quais não têm qualquer legislação que proteja os animais.
O nosso leitor Dorean Paxorales perguntou-me então qual era a alternativa que eu defendia às experiências científicas com animais. Desde aí, está prometida a resposta. Que chegou hoje.
Ponto prévio: antes que me perguntem se é mais importante o ser humano ou o animal, ou se devemos sacrificar humanos com doenças incuráveis para proteger os animais, respondo desde já que há uma enorme diferença entre experimentar em nome da medicina ou experimentar em nome da indústria da moda, da indústria da cosmética, da indústria dos perfumes e quejandos.
Posto isto, vamos às alternativas e comecemos exactamente pela indústria médica e farmacêutica. O método mais eficaz no que concerne aos resultados, e que permite poupar o sofrimento de milhares de animais, é o da cultura de células, tecidos e órgãos. Actualmente, é possível retirar células de animais e mantê-las vivas quase indefinidamente, utilizando-as nas experiências com os mesmos resultados. Além disso, podem cultivar-se pedaços de tecido ou de órgãos dos animais ou mesmo do corpo humano. A descoberta do mecanismo de crescimento dos nervos, o estudo da fisiologia dos nervos e das suas actividades eléctricas, o estabelecimento do número de cromossomas das células humanas e em particular as causas do Sindrome de Down ou algumas causas do cancro foram conseguidos graças a esta técnica.
Para saber qual é a toxicidade de determinado produto que se pretende vender, é usual utilizar o teste LD 50, em que se determina a quantidade de produto ingerida necessária para matar metade dos animais no teste. Não é necessário, no entanto, intoxicar o animal até à morte. O Bio-Ensaio de Neutral Red, uma solução que é dissolvida em água e adicionada às células, numa caixa de cultura de tecidos, permite aquilatar da toxicidade de um determinado componente. O Método de Difusão de Agarose também avalia a toxicidade dos materiais sintéticos usados em aparelhos médicos.
Para avaliar o potencial de corrosão de um produto ou ingrediente, não é necessário queimar a pele de um animal. Existe o Ensaio de Corritex. Utiliza-se uma barreira de matriz de colagénio como uma forma de pele artificial e um indicador de PH colocado de forma a detectar quanto tempo leva o químico a penetrar nesta barreira.
Para ensaiar o grau de irritação que um produto pode provocar na pele ou nos olhos do ser humano, é normal utilizar coelhos albinos, que são rapados e raspados antes de se colocar o produto na pele nua durante 4 horas. Existe a variante do teste de Draize – o produto é colocado nos olhos dos coelhos durante 21 dias.
Não é necessário. Um sistema de alteração protaica ensaia uma irritação, modificando a matriz de proteínas causada pelos materiais estranhos que são indicadores potenciais de irritação do olho ou da pele. Ainda com o mesmo objectivo, existe o Ensaio de Passagem Trans-Epitelial, que mede o químico induzido numa barreira artificial construída por células para estimar a potencial irritação do olho aos químicos. A EpiDerme (que recorre a pele artificial), a EpiOcular (tecido artificial semelhante à córnea), os Modelos Matemáticos e Computacionais (prevêem o grau de irritabilidade de substâncias de teste com base nas estruturas e propriedades físicas e químicas) ou o Teste Epipack (que utiliza folhas de células clonadas), são outras das técnicas que já provaram ser eficazes na experimentação médica.
A farmacologia quântica, por seu lado, é uma técnica usada na química baseada em computador, para estudar a estrutura molecular das drogas e dos seus receptores no corpo. É utilizada em estudos de transmissores de nervos, hormonas, bloqueadores Beta, anestésicos, antidepressivos e muitos outros.
Não faltam as alternativas à experimentação animal, sendo que os resultados são os mesmos. Ou melhores, visto que não se podem considerar fiáveis os resultados que são obtidos em animais cujo estado emocional, devido ao stress, está completamente alterado. Cerca de um milhão de animais são criados, todos os anos, propositadamente para serem utilizados em experiências.
No fim disto tudo, apetece-me perguntar: e os humanos somos nós?

Nota: Devido à especificidade do tema, socorri-me dos sites da Animal e do Centro Vegetariano, entre outros.

Que série é esta?

“‘E-mail’ denuncia que Fernando Lima, assessor de Cavaco, entregou ao ‘Público’ um ‘dossier’ sobre as suspeitas de espionagem do Governo a Belém.” “

“Num encontro, que terá decorrido em Abril de 2008, “num café discreto da Av. de Roma”, o assessor de Belém entregou a Luciano Alvarez um dossier sobre Rui Paulo de Figueiredo, adjunto jurídico de José Sócrates, cujo comportamento levantou suspeitas aquando da visita de Cavaco Silva à Madeira. Lima estaria convencido que este adjunto de Sócrates integrou a comitiva para “observar, o mais dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do staff presidencial”.

Todas estas informações constam de um e-mail enviado por Alvarez ao correspondente na Madeira, Tolentino de Nóbrega, no qual relata o encontro com Fernando Lima e sugere que até seria bom que a história viesse da Madeira, para que o ónus não recaísse sobre a Presidência: “O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para o início do trabalho (até porque a eles também interessa que isto comece na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação, mas sim alguém ligado ao Jardim).”

Este e-mail é apenas um dos  vários documentos a que o DN teve acesso, cujo conteúdo se refere a questões internas do jornal.”

Excerto tirado do Diário de Notícias… ou do Público?!? Já nem sei… Mas este enredo é um bocado confuso demais, não? Até parece interessante, mas não se percebe nada! Tenho pena de não ter acompanhado esta série desde a primeira temporada!

A pívia prolonga a vida

Querida e perene companheira de uma vida, a pívia devia merecer um respeito que nem o PPV, nem o João e o Ricardo, lhe concedem.

Quantos problemas me evitou a dita ? Quantas doenças ? Quantos problemas “grávidos” que são os mais graves? Um gajo está em África, na flor da idade, não pode dormir porque está de faxina, com o medo incrustado nos ossos, a ouvir barulhos e segredos que só a floresta tem, e o que faz para sobreviver? Pensa em todas as amigas que deixou no liceu, mesmo as que nunca lhe deram a mais pequena excitação. E isso é pecado ? É contra a vida ?

Dizia eu, para um dos poucos gajos casados e que tinha a mulher lá com ele, porra, pá, bem sei que é preciso coragem mas agora chegas a casa encostas-te no quentinho, fazes amor, amanhã é outro dia. E o gajo é, pá, olha agora chego a casa e a mulher está a dormir, julgas que a acordo, tem ela culpa desta vida lixada? Não a acordo, fico a contar as tábuas do tecto, solitário…

E eu a perceber muito bem que o gajo tinha saudades do prazer solitário, podia pensar na mulher do capitão, ou nas catorzinhas que tinha visto essa tarde em Luanda…

Isto é matéria para conhecedores, gajos que não podiam pôr a mão no joelho da colega porque tinha que casar com ela, ou então era chamado ao director e levava uma sova do irmão mais velho . Agora vão directamente ao assunto, coitados dos rapazes ainda não se divirtiram nada e já estão cheios de problemas, têm que pensar no prazer da parceira, e se ela não se divertiu, e se ela não tomou a pílula, e esqueci-me do preservativo, e se ela não colocou o aparelho…

Com a pívia é só saúde, não há compromissos, é gente boa . Essas meninas do PPV deviam ser as mais furibundas defensoras dessa actividade intemporal porque evita muitos dos problemas que elas próprias tanto renegam.

E oferecer maços de lenços de papel, é assim tão caro? Com o logotipo do PPV !

O mistério básico do capitalismo

Van-Eyck-Arnolfini

O mistério básico
do capitalismo: como uma coroa, permanecendo imóvel

durante um certo período de tempo, faz nascer dez cêntimos
ao seu lado – por exemplo: Tu pões

como diz o anúncio
20.000 coroas numa conta de alta rentabilidade

num dos nossos grandes bancos. Passados seis anos
podes ir a esse banco e receber

35.532 coroas. Agora a questão é: A quem
tiraram as 15.532 coroas?

Jan Erik Vold

(versão de LP, a partir da tradução para castelhano de Francisco J. Uriz reproduzida em El poema nos recuerda el mundo, prólogo, selecção e tradução de Francisco J. Uriz, Libros del Innombrable, Saragoça, 2000, p. 104).

Além do poema em si, serve a sua publicação no Aventar para uma notificação a quem gosta de poesia: fica condenado a visitar regularmente Do Trapézio Sem Rede – poesia passada para português, sob pena de ser declarado mentiroso.

Os que não gostam de poesia devem fazer o mesmo com fundadas esperanças numa melhoria do seu estado de saúde.

Não é o hábito que faz o monge. É o monge que tece o hábito, que usa o monge, que faz o monge

Parece ser um trocadilho, uma brincadeira. No entanto não é. É a lógica da vida. A sonhamos sempre. Ou, sonhamos sempre com a vida. Calderón de la Barca (1), o dramaturgo do Século de Ouro Espanhol, escreveu a sua comédia trágica: La vida es un sueño, onde o príncipe encarcerado para não ser El-rei pensa:

«¡Ay mísero de mí! ¡Y ay infelice!
Apurar, cielos, pretendo
ya que me tratáis así,
qué delito cometí
contra vosotros naciendo;
aunque si nací, ya entiendo
qué delito he cometido.
Bastante causa ha tenido
vuestra justicia y rigor;
pues el delito mayor
del hombre es haber nacido.»

Não seria assim que, no séc. XIX, falaria Karl Marx. Convicto estou de Marx ter sido um devoto luterano, um homem de fé, que escreveu o seu primeiro livro, aos 15 anos, ensaio sobre Religião, com o título Die Vereinigung der Gläubigen mit Christo nach Johanes 15,1-14, in ihrem Grund und Wesen, in ihrer unbedingten Notwendigkeit und inihren Wirkungen dargestellt (União dos Crentes com Cristo, segundo João 15, 1-14, representada no seu fundamento e essência, na sua necessidade incondicional e nos seus efeitos) (doravante Vereinigung), seguido de uma tradução do grego dos versos 140-176 da peça de Sófocles. Karl Heinrich estudou no Ginásio Jesuíta Frederico Guilherme, em Triers, entre 1832 e 1835, onde revolucionou os conceitos de economia e sociologia. O trabalho de Alexander von Humboldt, cientista natural e pesquisador, foi fundamental para a mudança do pensamento burguês de Marx: O princípio da causalidade estabelecido por Humboldt, inspirado no racionalismo de Descartes: “como conheço”, seria para a Geografia: como se constitui o fenómeno? Qual a sua causa primordial? Esta dúvida serviu de mediação para o conhecimento científico que, para ser considerado como tal, deveria ser demonstrado, justificado e só assim considerado verdadeiro, como é dito no texto “A geografia no pensamento filosófico” de Maria Flortice Raposo Pereira, da Universidade Federal de Ceará, pode ser acedido em: http://www.mercator.ufc.br/index.php/mercator/article/viewFile/65/40 e comentado em: http://portalsaofrancisco.com.br/alfa/alemanha/alemanha-5.php. Fonte a que eu próprio recorri para o meu trabalho (de Setembro de 2009): A religião é o ópio do povo, título tirado da introdução do livro de Marx, datado de 1943-44: Crítica aos princípios da Filosofia do Direito, do seu professor Georg Hegel.
Pôde um cristão luterano, instruído e ensinado na fé cristã proferir essa frase? A resposta é, para mim, positiva, porque se trata de um protestante no mais amplo sentido do conceito. A prová-lo aí está o livro em que debate Hegel, mas também o livro que escreveu a sua mulher, baseando-se nas notas do seu marido e de Engels, a Baronesa Católica Prussiana Johana von Westphalen, intitulado O manifesto comunista, de 1848. Baronesa que deixou a vida da corte para redigir os textos do seu marido, passando a ser uma desconhecida que escrevia o que Marx estudava: a economia. Uma família solidária, que entendeu o lucro, definiu a mais-valia e organizou a luta contra o capital e a burguesia que o possuía; fundou a Primeira Internacional ou a Primeira reunião dos Trabalhadores do mundo, em Londres, no ano de 1861, assistiu às iniciativas sindicais e colaborou na união dos trabalhadores, com o sonho de uma sociedade sem propriedade privada nem hierarquias.
Uma família, podemos dizer, à Calderón de la Barca.
Família perseguida e expulsa de vários países europeus pelas suas ideias radicais e pelos textos de Jenny Marx, assinados por Marx e Engels.
Com descendência que soube organizar, após a morte dos seus pais, a Segunda Internacional e colaborar com Kautsky na criação do primeiro partido social-democrata, de socialismo científico.
Família que teceu o hábito que usou, fazendo dos seus membros monges revolucionários.
Donde: Não é o hábito que faz o monge. É o monge que tece o hábito que usa que, por sua vez, faz dele o monge.

(1) Pedro Calderón de la Barca (17 de Janeiro de 1600 – 25 de Maio de 1681) foi um dramaturgo e poeta espanhol. De família acomodada, o seu pai exerceu funções administrativas na corte. Após os extensos e abundantes estudos Universitários no Colégio Imperial dos jesuítas e nas Universidades de Alcalá de Henares e de Salamanca, cursa Humanidades, Clássicos e Teologia, preparando-se para o sacerdócio católico romano, que abandona e parte para a Flandres, onde se torna soldado lutando no cerco da Catalunha. Mais tarde, retorna aos estudos para o sacerdócio, é consagrado padre e adoptado por El-rei como o dramaturgo da corte. Nomeado capelão de Honda delrei, escreveu autos sacramentais, peças de teatro, entremeses, zarzuelas, comédias religiosas, de amor, de ciúmes e filosóficas. Nos seus 60 anos de actividade criativa fixou as regras do teatro espanhol. La vida es sueño, sobre ética e El Alcalde de Zalamea, sobre costumes e justiças, são apenas dois exemplos da sua vastíssima obra.

Masturbação? Punheta? Pívia? Mas que merda de blogue é este?

Aqui há uns meses, decidi convidar para o Aventar o João José Cardoso, depois de ver um comentário dele no Jugular. Vindo daquelas bandas bloguísticas (não falo das Beiras e dos palonços que por lá pululam, atenção!), não podia ser grande coisa e hoje, depois deste «post», acabo de o confirmar.
Pois o meu colega João José Cardoso, não contente por fazer um «post» sobre masturbação, onde utiliza também expressões indecorosas como punheta, pívea, etc., ainda desdenha da Associação Pró-Vida e da luta contra este pecado. Só faltou usar também as expressões bronha, despentear o palhaço, afogar o ganso, esgalhar o pessegueiro, tocar ao zarolho e outras que tais.
O facto de eu ter brincado milhares de vezes com os meus cinco amiguinhos, durante a adolescência, não vem ao caso. Tenho vergonha de o reconhecer.
Mas para João José Cardoso, a masturbação é uma actividade muito normal. Só lhe faltou dizer que é uma actividade nobre. E a seguir? Vai dizer que se as raparigas enfiarem a mão inteira na boca do corpo também fazem muito bem?
Meus amigos, a Enciclopédia Lello Universal, de 1981, na página 187 do 2.º volume, desfaz quaisquer dúvidas: «Masturbar-se: Praticar em si prazeres sexuais nocivos à saúde».
Nocivos à saúde. Entendido agora, seus tarados?

A Segurança Social – o que o governo não diz

Com a dita reforma da Segurança Social não se resolveu o problema, longe disso, adiou-se o problema por uns anos, poucos.

Bàsicamente, o que o governo fez foi aumentar os anos de desconto, de trabalho, e diminuir as pensões, que é uma forma escorreita de aumentar as receitas e diminuir as despesas, tudo à conta do trabalhador. O resultado desta reforma é que daqui a uns cinco anos o utente que vá para a reforma, vai com 65 anos de idade, 35 anos de desconto e com cerca de metade a que teria direito se tivesse saído cinco anos mais cedo. Porque quem saiu antes da reforma está amplamente beneficiado.

O que é isso de Privatizar a Segurança Social ? Seria entregar a Companhias de Seguros privadas os descontos dos trabalhadores para serem aplicados no mercado de capitais. É isto o que Manuela Ferreira Leite defende? Não, o que MFL defende é que 25% dos descontos possam ser aplicados a render no mercado de capitais mas mantendo-se o Estado como gestor.

E o plafonamento ? Os trabalhadores descontam para a Segurança Social até um certo plafon (limite) e a partir daí cada qual aplica os seus descontos onde muito bem entenda. Pode até aplicar tudo na Segurança Social gerida pelo Estado.

E o que é que interessa ao trabalhador ? Interessa que quando chegar a sua altura de passar à reforma receba o estipulado segundo os seus anos de desconto e a sua idade. Ou poderá interessar receber mais se correr o risco de ter os seus descontos total ou parcialmente aplicados no mercado de capitais? É que neste caso pode receber mais mas tambem pode ficar sem reforma como aconteceu a milhões de cidadãos americanos na presente crise!

Fica claro que só há uma maneira de tornar sustentável as pensões. Criar riqueza, criar postos de trabalho, criar gente nova capaz de renovar demograficamente o país e torná-lo melhor.

Todos querem abocanhar o seu quinhão do nosso dinheiro, mas quem é que tendo bom senso, vai jogar a sua própria casa no casino? E os que defendem a privatização tambem não dizem que se as pensões se evaporarem quem paga, outra vez, são os mesmos de sempre. Não foi o que aconteceu com a banca ainda há bem poucos meses?

O processador Baptista

Victor Baptista, o único deputado a votar contra o fim do sigilo bancário, vai processar o candidato a deputado do BE por Coimbra:

O líder distrital do PS/Coimbra revelou, hoje, que espera ver José Manuel (BE) constituído arguido devido ao teor de uma entrevista, por ele concedida ao diário As Beiras na qualidade de candidato a deputado ao Parlamento. Contactado pelo “Campeão”, o potencial arguido disse aguardar “com serenidade” o eventual desenrolar do processo. Interpelado pelo nosso Jornal, o entrevistado disse registar que Victor Baptista se sinta acusado num contexto em que, sem referência a nomes, Pureza se insurgiu contra malfeitores.

O mesmo Jornal, ouviu a chamada fonte próxima:

Fonte próxima do líder distrital do PS/Coimbra disse ao “Campeão” tratar-se de afirmações lesivas da “honra e da imagem” de Victor Baptista e da “consideração que lhe é devida”. Tal fonte imputa a José Manuel Pureza o desejo de, em crítica subjectiva, associar o dirigente socialista a negócios alegadamente corruptos em que intervieram representantes de entidades públicas, como se ele fosse membro de um «Bloco central de malfeitores».

Leia um recorte da referida entrevista, mas não se ria que o homem é sério.

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Cartazes para as Autárquicas (Cuba)

cuba-CDU
João Português, CDU
cuba-PS
Francisco Orelha, PS
cuba-PSD
Conceição Pires, PSD

SONDAGENS NOVAS. ATESTADO DE BURRICE

PS À FRENTE, PORTUGUESES ATRÁS
.
.
Agora são seis os pontos que os separam, com o partido do governo à frente do PSD. Desfez-se o empate técnico.
Nestas sondagens que serão ou não muito católicas, o BE tem 12% e a CDU e o  CDS empatam a 7. Cada vez acredito menos em sondagens. Cada vez acredito mais em encomendas bem direccionadas. A confirmarem-se estes resultados, ficamos a saber que os Portugueses não aprenderam nada com estes quatro anos e meio, e merecerão o que lhes irá acontecer. O País à beirinha do abismo, e com estes resultados dará um enorme passo em frente.

A máquina do tempo: diversas maneiras de ser livro

A viagem de hoje começará por ser de quase dois mil anos na direcção do passado. Depois voltaremos ao presente. Neste ziguezaguear entre épocas, o tema será sempre o mesmo – o livro e algumas das formas sob as quais nos tem acompanhado. Talvez por deformação profissional, o anúncio mais antigo de que tenho conhecimento é precisamente feito a livros e diz assim:
Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte
e procuras tê-los como companhia de longa jornada,
compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.
Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só mão.
Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,
perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:
a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

É aquilo a que se pode chamar um spot publicitário dos finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar». No anúncio, além da oportuna informação sobre a localização da livraria, de notar a alusão à portabilidade do livro por oposição aos pesados rolos, e à acessibilidade do texto, bem como à maior resistência do pergaminho relativamente ao tradicional papiro. Só para termos uma ideia, quem quisesse possuir uma versão completa da Eneida teria de se haver com doze rolos (arrumados numa caixa pesada e de grandes dimensões). O códice de que Marcial faz a propaganda permitia arrumar todo o texto num volume. Um pouco, à escala da época, vantagens semelhantes às que hoje o kindle nos oferece relativamente ao livro impresso.

Na realidade, tal como actualmente ocorre na ameaça que o livro digital representa para a sobrevivência do livro impresso, as resistências eram muitas. Os bibliófilos da altura riam-se daquelas folhas de pergaminho apertadas entre duas tábuas – pois era lá possível que aquela geringonça ridícula substituísse os rolos, herdados da Grécia, que, durante séculos, foram o suporte da palavra escrita?
Terá sido Secundo, o editor de Marcial, quem lançou em Roma a nova forma de livro. Mas sem sucesso imediato. A reacção e a resistência à mudança foram mais fortes do que a evidência das vantagens. A adaptação progressiva à nova forma de livro iria demorar cerca de quatrocentos anos, vindo a consumar-se no decurso do século V, embora já durante o século III nas compilações jurídicas prevalecessem os códices. De certo modo, o mesmo que hoje se diz dos e-books e do kindle – «Ora! Isso é bom é para substituir enciclopédias, obras de referência…».
Não tenho dúvidas de que não demoraremos quatro séculos a acolher um suporte novo (que já não será o kindle, mas sim qualquer outra coisa que hoje não podemos sequer imaginar e que entretanto surgirá). Porque estas mudanças, como já anteriormente disse, fazem-se por pragmatismo e não por mera vontade de inovar. Pode mesmo dizer-se que a vontade de mudar radicalmente de suporte tem uma história de sistemática resistência a essa mudança – nunca foi fácil. Contudo, um das barreiras que se colocam a uma maior difusão do livro electrónico, é o pagamento de direitos a autores e editores. Problema que afecta também (talvez ainda mais) os compositores e as editoras discográficas. As pessoas, pelo menos a maioria delas, não têm a noção de que ir à Internet e imprimir um livro ou gravar uma canção é um acto de pirataria. No entanto, sabem que não devem roubar livros ou discos nas lojas.
Mas as coisas vão andando no sentido de os livros digitalizados se irem tornando um sistema honesto e respeitável, aceite por editores e autores. Já este mês de Setembro, a Google fez propostas de um acordo aos editores europeus relativamente ao respeito pelos direitos de autor. Nos Estados Unidos esse acordo entre a empresa que controla o motor de busca mais utilizado da Web e os representantes das outras partes interessadas já existe. Se o acordo se concretizar também no nosso continente, milhões de livros publicados na Europa, mas que já não se encontram disponíveis nas livrarias, poderão ser digitalizados e colocados em linha. Em Bruxelas, a Comissão Europeia convocou uma reunião para examinar o complexo mecanismo jurídico que a exploração electrónica de milhões de livros pressupõe. A função principal desse mecanismo seria a de regular a divisão do dinheiro gerado pelas vendas online – quanto desse dinheiro irá caber à Google, quanto ficará para autores e editores. Segundo a proposta, os editores e os autores ficarão com 63% e a Google com 37%.
Não vai ser fácil porque, como lembra a associação de Editores Italianos, a implantação do sistema iria violar vários pontos da Convenção de Berna sobre os Direitos de Autor. Mas encontrar uma solução que contemple os interesses de todos os envolvidos e que compatibilize o sistema com a Convenção, cuja primeira forma data de 1886, será apenas uma questão de tempo. Provavelmente com o sacrifício de princípios da Convenção, assinada há quase 150 anos, quando não era possível prever o rumo que o livro começaria a tomar na transição do século XX para o XXI.
Para terminar a nossa viagem de hoje, percorramos com este pequeno vídeo o caminho do livro desde a pré-história até aos nossos dias. O livro, nas suas diversas formas, tem sido um companheiro fiel. Talvez não sobreviva durante muito mais tempo sob a forma que nos é hoje familiar. Mas, podemos estar certo, continuará a acompanhar-nos.

PPV, o partido contra o incentivo claríssimo à masturbação

escrevi isto em março é o  mais lido que por ali tenho. acabei de descobrir que o PPV é agora um partido e concorre

ppv

O movimento Portugal  Pro Vida (PPV) dedica-se a organizar “Veladas pela Vida” à porta de hospitais e clínicas onde se fazem IVG’s, sintoma de que Portugal é finalmente um país civilizado, onde há IVG’s nos locais próprios e pessoal que acende velinhas cá fora. Fiquem-se pelas velas, e estamos bem.

Mas como isto da vida tem muito que se lhe diga, anda agora o PPV numa cruzada contra a educação sexual nas escolas, ou melhor: a educação sexual curricular, que a informal sempre existiu em todo o tipo de estabelecimentos de ensino, a começar nos seminários e colégios de freiras, embora possivelmente alguns dos PPV’s não tenham dado por isso, há sempre malta distraída.

Escreve Thereza Ameal:

“Vale a pena também ver a página em anexo dum folheto usado numa aula para crianças de 10/11 anos, com incentivo claríssimo à masturbação e já agora, sob a capa anti-discriminação, o incentivo à homossexualidade. Com coisas destas é bem natural que se ponham a fazer experiências com o melhor amigo ou amiga. Muitos pais estarão totalmente de acordo com isto, mas aqueles que acham que não se deve incentivar crianças de 10 e 11 anos a experimentar o orgasmo que a masturbação proporciona (“a sensação de excitação e arrepio nos órgãos genitais que pode fazer com que todo o teu corpo fique relaxado”), não merecem também o respeito pela sua consciência no modo como exercem o seu direito de primeiros educadores dos seus filhos? Não seria pelo menos mais democrático?” (o sublinhado é meu).

Parece-me uma questão pertinente, e algo esquecida nos tempos conturbados que atravessamos. Por um lado sabemos que todo o esperma é sagrado, e preservar a sua guarda para efeitos de procriação é uma missão em que se devem empenhar todos os defensores da vida. Se no caso feminino a excisão clitórica parece resolver o problema, nos jovens machos, embora a circuncisão ajude, não chega.

O aparelho anti-masturbação masculina, cuja produção parece ter sido abandonada há mais de 70 anos, bem podia voltar às linhas de montagem, criando de resto empregos, sempre bem vindos em época de crise. Claro que a tecnologia o pode tornar obsoleto, e um sensor anti-masturbatório colocado nas cuecas do infante, com envio imediato de SMS para os pais do prevaricador, seria sem dúvida mais confortável. O choque tecnológico aplicado à pívea, é uma sugestão que deixo à Srª. Theresa.

Não sabendo escrever orações, deixo aqui o meu contributo para a campanha através de um clássico do audiovisual, e algumas sugestões para refrão de combate:

  • Sexo é amor a 2 não é com 4+1
  • Guarda o espermatozóide menino, ou ainda perdes o tino
  • O orgasmo é do diabo, ainda o tens pelo rabo

etc.

]

vai ser um prazer contar-lhes as punhetas.


SERÁ QUE TENHO UM PROBLEMA POR PENSAR CONSTANTEMENTE EM SEXO?

“Será que tenho um problema por pensar constantemente em sexo?
É uma pergunta que faço a mim mesma de hora a hora. Com certeza nem todas as mulheres pensam constantemente em “comer” alguém. Será comum outras mulheres olharem para as braguilhas dos homens quando andam na rua? Será que a maioria das mulheres avalia se todos os homens que conhece são “papáveis”? Realmente não sei. Quem me dera saber.”

A mensagem de Abby Lee aos leitores portugueses (com tradução em baixo):
“Sex is international; sex knows no boundaries; sex is the universal language we all speak. I have written about sex because I think the female perspective on it needs to be heard: women like sex just as much as men – and we are no longer ashamed to say so.

I hope this book will resonate with other women because they will relate to my thoughts, feelings and experiences about sex. And I hope that men will enjoy the book too, because they might learn just what it is that women think about, when it comes to sex – and as we all know, it certainly isn’t shoes or shopping…”
“O”O sexo é internacional e não reconhece limites. O sexo é a linguagem universal que todos falamos. Escrevi sobre sexo porque creio que a perspectiva feminina tem de ser ouvida: as mulheres gostam de sexo tanto como os homens – e já não temos vergonha de o dizer.
Espero que este livro tenha eco noutras mulheres e que elas saibam relacionar-se com os meus pensamentos, os meus sentimentos e as minhas experiências com o sexo. E espero que os homens também tenham prazer com o livro, aprendendo com ele em que é que as mulheres pensam de facto quando é de sexo que se trata – e, como todos sabemos, não é certamente em sapatos e em compras…”

Links importantes:
Para saber mais sobre Abby Lee – http://onetracktest.blogspot.com/2006/09/background.html.
Para ler o artigo da Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Girl_With_A_One-Track_Mind
Para ler o blogue: http://www.girlwithaonetrackmind.blogspot.com/

Belina Moura

CARLOS MANUEL ALVES TRINDADE

Foi um tiro no Pé! Mas com um míssil – colocar a discursar o sindicalista Carlos Trindade em terras de esquerda até nem era mal visto. Acontece que o discurso do homem foi completamente desastroso.
Carlos Trindade é o líder da ala socialista da CGTP.
Habituado a bater-se com os mais ortodoxos comunistas, foi colocado em campo para procurar ir buscar votos a terra comunista. Ele, que disse que esteve em todas as manifestações da CGTP, mas que sabe distinguir as coisas, acabou por ser completamente desastroso ao meter os pés pelas mãos e a dizer o que não queria dizer – que ia enxotar os camaradas para votar no PS! eheheh
Com conhecimento de causa vos digo uma coisa: o mundo sindical é muito melhor do que aquilo. Tal qualidade resulta da estratégia socrática de esvaziar completamente a intervenção do PS no mundo sindical. É também um sinal da fragilidade democrática do nosso país – os sindicatos estão mais fracos também porque o PS desertou!

«Pode ser que algum pássaro lhe cague na cabeça»


Tenho uma amiga que dizia, quando não gostava de alguém, que um dia ia cagar à porta dessa pessoa. Outros há que, quando não gostam de alguém, têm vontade que os pássaros lhes caguem em cima.
É o caso do Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, o socialista Sousa Gomes, que, para além da ornitológica frase acima mencionada, dirigida a uma vereadora da CDU, ainda lhe disse «cale-se com essa merda» e «vá para o caralho». A culpa, obviamente, foi da vereadora comunista. «Fez-me alterar o espírito e acabei por utilizar um palavreado que não é normal», assegurou o cordato Presidente.
São de fibra, estes socialistas. Têmpera rija! Se um diz que quem se mete com o PS leva, vem outro e chama filho da puta a tudo o que mexe e, não contente, vem outro desejar que os pássaros caguem em cima dos seus adversários.

do Mirante, via A Educação do Meu Umbigo

Sondagem

Diz a RTP que o PS descolou. Na sondagem da católica o PS salta para os 38%, ficando o PSD pelos 32%.
O BE aparece com 12% e o CDS aparece empatado com a CDU, ambos com 7%.
Estes números resultam de uma declaração directa de voto com valores muito diferentes:

PS – 23% (20% na sondagem anterior)
PSD- 18% (18%)
BE – 8% (6%)
CDU – 4% (5%)
CDS-PP – 4% (3%)
Outros – 1% (1%)
Não votaria – 11% (13%)
Não sabe – 17% (19%)
Recusa responder – 12% (11%)

Tirando as falhas que as sondagens têm tido nos últimos anos, fica clara uma coisa: com Sócrates no terreno, o PS sobe porque esse é o espaço onde ele é melhor – o campo da propaganda!
Começa a aparecer como cenário um governo minoritário do PS.
Penso que para 27 haverá apenas uma dúvida e o Portas hoje já se referiu a ela: irá ou não o CDS ficar também em condições de condicionar a governação. Escrevo também porque já é um dado adquirido que a votação no BE vai permitir uma maioria (numérica) entre o PS e o BE.

A sumptuosa campanha eleitoral do PS e o sumptuoso TGV

Parece que o TGV anda a ser o principal tema da sumptuosa campanha eleitoral socialista, como muito bem retrata, na edição de hoje, o «Jornal de Notícias» (não encontrei a notícia na edição on-line).
Acho muita piada que aqueles que aplaudem o TGV sejam os primeiros a decretar a morte da Linha do Tua. E acho piada que durante décadas se tenha votado ao ostracismo a linha férrea tradicional, em detrimento de auto-estradas e mais auto-estradas, para agora vir pensar que fazer TGV’s absurdos é que é defender o comboio. Morte ao TGV, viva o comboio!

Esgotado o «stock» de máscaras para a Gripe A

Francisco Louçã no «Gato Fedorento»

Vi pela primeira vez o programa dos «Gato Fedorento» e não achei grande piada. Como alguém temia, parece-me que eles estão prestes a entrar na fase Herman José. Quanto à entrevista de Francisco Louçã, pareceu-me mais uma sessão de propaganda. O líder do Bloco esteve exactamente igual ao que costuma estar e disse exactamente as mesmas coisas. De salientar a nova recusa em fazer coligações e a revelação de que não está chateado com Joana Amaral Dias.
Ao que parece, amanhã é a vez de Paulo Rangel. Pelos vistos, Jerónimo de Sousa só para a semana. Não percebo o critério que leva a que só um líder parlamentar fique para a segunda semana de emissões e que, pelo meio, comecem a meter figuras menores.

POEMAS ESTORICÔNTICOS

O Paquete

O Paquete entrou ontem
no serviço de urgência
inchado como um tonel
tenso como um balão
a que só falta o alfinete para estoirar.
Fígado
pulmões
ventre de pandeiro
tudo está encharcado como uma esponja
por um coração entupido.
Sem ar
como se morresse afogado
ou dentro da linguagem médica
como peixe fora d’água.
Insuficiência cardíaca grave
Insuficiência cardíaca descompensada
anasarca…
os vários termos
para rotular o sofrimento atroz
de um jovem sem culpa
igual a tantos outros que jogam ténis.
Socorrido na primeira fase de compensação
e um tanto aliviado
é internado para estudo.
Hoje de manhã
veio fazer um ecocardiograma.
O Paquete tem vinte e seis anos
e uma cara aciganada
morena de si e roxa da cianose.
Começou a trabalhar como moço de trolha
aos treze anos
vergado ao peso da tábua e do balde.
À força de cachaços
lá se erguia
quando aninhava com o abafa.
Nunca alguém o levara ao médico.
Não tive coragem de colher a sua história
antes desta idade
a história da sua infância.
A meio do exame diz-me o Paquete
a medo e quase em segredo
Sr. Doutor
estou à rasca para mijar
deixe-me ir mijar
pelas almas.
No meio de tais máquinas
perante aquela gente de bata branca
que ele nunca vira mais gorda
o sofrimento da sua vida levava-o a pensar
que pedir para mijar era quase um crime.
O Paquete tem uma gravíssima estenose mitral
com severa insuficiência mitral e tricúspide
e um coração do tamanho de uma melancia.
Está numa fase inoperável
a rebentar pelas costuras.
Se operado fosse
tudo não passaria de remendo
em calças a desfazer-se.
Sem a mínima ideia do que se passa
ele submete-se
humilde
desconfiado
medroso
como sempre aconteceu em toda a sua vida.
Tem medo que lhe ponham a tábua à cabeça
ou o balde na mão.
E com aquela falta de ar!
Ele que sempre pediu
para o deixarem respirar um pouco
antes do peso de outra tábua e de outro balde.
O Paquete nunca fora ao médico
e nunca ninguém lhe dera a mão para se erguer.
Todos lhe esfacelaram o coração e a vida
até rebentar!
Pobre Paquete!
Pobre barco tão frágil!
Com as lágrimas nos olhos
saí do hospital.
e escrevi esta história de hoje
de há séculos.
Escrevo-a em especial para os meninos e jovens
que brincam
que jogam
que sonham
e que vão ao médico.

                        (adão cruz)

(adão cruz)

ETICA E EDUCAÇÃO (11)

ETICA E EDUCAÇÃO (11)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola

Todo o processo de aprendizagem vai interagir com a sociedade logo a partir do começo, pelo que a sociedade e a vida constituem, a par da escola e depois da escola, a terceira grande etapa. O ensino e a aprendizagem não se dão, e muito menos hoje, só nos âmbitos académicos. Aprende-se e ensina-se dentro e fora destes, mas sobretudo dentro da própria vida nos cenários do quotidiano.
Hoje, mais do que nunca, a ética encontra-se ligada a um apelo político e social perante clamorosas situações de injustiça, desigualdade e impunidade, adquirindo uma relevância social sem precedentes, como base de uma redefinição nos modelos das relações humanas. A postura ética da escola da vida obriga a incorporar todos estes anseios sociais e políticos, com vista a uma redobrada atenção à realidade, sem o que, toda a prática educativa se torna estéril. A postura ética universal obriga a condenar a exploração do ser humano, a falsificação e a mentira, o espezinhamento dos fracos e indefesos, a discriminação de raças, sexos, etnias, religiões, culturas e classes, a falsa moral, a injustiça, a corrupção a qualquer nível, o fatalismo ideológico e imobilizante.
Não nos podemos assumir como sujeitos de educação, de procura, de decisão, de transformação, de roturas e de opções, se não nos assumirmos, tal como disse atrás, como sujeitos éticos-sociais. Por isso eu entendi abordar a problemática da ética e da educação nas várias vertentes da vida, sobretudo naquelas mais gritantes. Todavia, aquilo que digo e manifesto é o meu ponto de vista, e o erro não é ter um ponto de vista, mas absolutizá-lo de modo a que outros o não tenham.
A cidadania, consciência de direitos, deveres e exercício da democracia deve tornar-se o eixo de toda a educação, nomeadamente da educação escolar, de modo a que o potencial de conhecimentos, práticas e valores que a envolvem integrem o homem numa plena e saudável participação comunitária. A ética e a educação trabalham a par no processo de auto-realização e auto-determinação do ser humano e na construção de uma sociedade saudável, mais dinâmica, mais verdadeira e eficaz, mais exigente nas suas nobres expressões, configuradas na verdade, na justiça e na beleza. Se o Homem não tem consciência de quem é, se não conhece a sua estatura e o seu lugar na vida globalizante dos dias de hoje, dificilmente poderá criar dentro de si o sentido da autonomia como requisito essencial da contemporaneidade. (Continua)

                        (manel cruz)

(manel cruz)

BI-QUADRA DO DIA

Borrar a cara com merda
Era o menos que faria
Qualquer cidadão honesto
No meio da porcaria.

São tão porcos estes gajos
Tão corruptos e ladrões
Que até a alma cheira mal
Feita de merda e cifrões.

Mundo Financeiro – aprendemos a lição ?

Os grandes estão a preparar-se para chegar a um acordo que há meses parecia fácil de se obter, face ao descalabro, mas que hoje passado o epicentro da tempestade já não é tão pacífico. Como é que os países da UE acordam algo que os USA estejam dispostos a aceitar? É que se não forem todos a coisa não funciona.

Não há economias fortes sem um sector financeiro forte. Uma crise financeira acaba sempre numa crise económica e social. Isto devia tornar mais simples o acordo mas não é assim. Outra questão é a responsabilidade ou a falta dela dos gestores, que na ânsia de ganhar milhões e rapidamente, são imprudentes com os produtos que inventam. Isto leva à necessidade de reforçar a regulamentação e a supervisão.

Mas deixar a regulação nas mãos dos próprios não é boa ideia, a supervisão tem que ser independente e feita pelos Estados e só funciona se for global. Não vale a pena regular na UE se depois o dinheiro foge para os UE e lá não há regulação, ou vice-versa.

As leis do mercado e o papel do Estado têm que ser reforçados mas não podemos cair novamente na tentação de quem não tem limites para a ganância, e como se viu, aqueles dois considerandos não foram suficientes.

É nesta fronteira que UE e USA esgrimem argumentos e por onde passa a possibilidade de um acordo. Oxalá que para chegarem a um acordo não acabem por deixar tudo na mesma. Ou quase!

Cartazes para as Autárquicas (Beja)

beja-Dulce Amaral
Dulce Amaral, candidatura independente.
beja-CDU
Francisco Santos, CDU
(enviado por Maria Monteiro)

Outra vez a história da rodagem do carro

cavaco_manuela

Manuela Ferreira Leite candidatou-se à liderança de um dos dois partidos “de poder” em Portugal. Ganhou as eleições. Ano e meio depois, vem dizer, à TSF, que, quando o fez, foi para ajudar o PSD num momento difícil e não propriamente para ser primeira-ministra. Disse ainda que nunca sonhou “candidatar-se a presidente do PSD para ser primeira-ministra”. Se ganhar não deixará de governar, claro.

Ora aqui está, mais uma vez, a providência a funcionar. O destino tem destas coisas. Lá estava Manuela Ferreira Leite na sua vida tranquila, pacata, e logo haveria alguém de a desencaminhar para tomar conta de um partido partido, com o objectivo de o consertar. Calha que este é um partido de vocação, e fome, de poder. O maldito do destino lá lhe atirou para a frente o incómodo de poder ganhar eleições, aquilo que, como todos sabemos, o PSD não quer. É preciso ter azar. Mas como tem sentido de Estado, Manuela Ferreira Leite aceitará a maçada de governar se os portugueses quiserem.

O azar de Portugal é ter sempre pretendentes a chefes de Governo que na realidade não o queriam ser. Acaba por ser o destino, qual malfadado GPS, a conduzi-los nesse caminho. Há uns 25 anos um ex-ministro das Finanças resolveu fazer a rodagem do automóvel e, sem saber como, ganhou as eleições. Por duas vezes. Anos mais tarde, um ex-ministro do Ambiente, que também não queria ser primeiro-ministro, chegou ao cargo em maioria absoluta depois de várias circunstâncias dentro do seu partido e no país. Agora temos a reedição das circunstâncias. Se não fosse por isto ou por aquilo, nada disto ou daquilo teria acontecido.

A nossa desgraça é mesmo não ter, como candidatos a chefes de Governo, pessoas que queiram realmente ser chefes de Governo. Talvez um dia.

Preto sob campanha negra

Aí estão, às gotinhas, as notícias que interessam e que o PS apelida de negras quando não são eles a assoprar aos ouvidos dos jornalistas. Ficam muito crispados quando se fala dos casos em que Sócrates se tem visto envolvido, mas quando é benéfico para o PS já não se passa nada.

Dois pesos e duas medidas foi sempre o que Sócrates nos quiz oferecer, mas espero que o PSD e os outros partidos não deixem esquecer os casos, bem mais graves.

Manuela tambem não merece outa coisa, foi ela que achou que estando em dívida com o Sr. Preto, o carrega às costas quando o devia ter mandado para o diabo que o carregue, juntamente com a Sra D. Helena, que anda sempres de braço dado com o sr. Preto e que de Tróia não tem nada.

Mas que sejam militantes do PSD a darem a cara para dizerem que receberam 25 euros como paga do voto, pode levar-nos a pensar no que terão recebido para darem estas notícias, quem se vende por tão pouco uma vez…

O que parece que não há dúvida é que o sr. Preto, enquanto presidente da distrital de Lisboa esteve encarregue do trabalho sujo, trabalho que muitos já fizeram e vão continuar a fazer em todos os partidos, mas este semeou muitos ódios.

650 000 desempregados em 2011

11% da população vai estar desempregada em 2011 segundo previsões da OCDE, para o nosso país. Como se vem dizendo a economia não cria postos de trabalho, não cresce o suficiente, no mínimo 2% para criar emprego, e mesmo assim a divergir da UE.

É aqui que está o busilis, e é por isso que Sócrates não fala do assunto e quando fala é para dizer que a crise acabou. O combate à crise não foi focada nas PMEs onde está o desemprego, não foram lançadas obras de proximidade que só agora estão a iniciar-se, tudo andou à volta dos bancos e das empresas públicas.

Os próximos dois anos vão ser muito dificeis e é o governo PS que é responsável. Segundo o mesmo relatório a economia vai crescer nos próximos anos entre 1.5 e 1.8, o que não dá para criar postos de trabalho e cresce abaixo de todas  as economias da OCDE

São as políticas que dão estes resultados que o Engº Sócrates quer manter. Como não reconhece nenhumha culpa tambem não pode ver que está errado, todos os outros estão errados ele é que está certo.