Adeus, Estação da Trofa…

A partir de dia 15 deste querido mês de Agosto de 2010, os comboios deixaram de passar na patrimonial e mais-que-centenária estação ferroviária da Trofa. A nova abre no dia seguinte. É o fim de um ciclo e de uma certa cidade.

A Cultura Andalusa

O Al-Andalus foi um espaço de convivência de povos e identidades, onde nasceu, desenvolveu-se e se afirmou uma cultura própria.

Resultado da influência da cultura Oriental, trazida no século VIII pelos Árabes do Médio Oriente, aliada à cultura Berbere, inicialmente do Rif e do Médio e Alto Atlas, e posteriormente Sub-Sahariana, cruzada com a cultura dos Hispano-Romanos, Hispano-Godos e dos Judeus, alimentada por trocas e experiências de séculos de contacto entre o Al-Andalus e o Magrebe, regressa ao Norte de África em três grandes vagas, nos séculos XIII, XV e XVII.

Essa cultura está viva, faz parte da identidade de Países como Marrocos, Argélia e Tunísia e tem um nome _ Cultura Andalusa.

Estima-se que só no Reino de Marrocos vivam cinco milhões de descendentes dos Árabes Andaluses que levaram consigo a Cultura Andalusa e a perpetuaram até aos nossos dias.

Influenciou decisivamente a própria identidade cultural das duas Nações Ibéricas em aspectos tão variados como a língua, a música, a arte, a arquitectura, os usos e costumes, as ciências, o pensamento.

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A Vida é Boa Longe de Lisboa (1)

Ainda que o Comboio não tenha, afinal, chegado a Ponte de Lima, prefiro a pacatez da mais antiga vila portuguesa (dizem uns) ao bolício bulício pornográfico de Lisboa. Viva o Minho… espoliado!

Portimão Arruinado


A pequena cidade de Portimão, possui pródigos recursos naturais, capazes de a transformar num apetecível local turístico. Infelizmente, a depredação grassa por toda a malha urbana e o respeito pelo património é nulo.

Ruas inteiras escalavradas por prédios ao abandono e em pré-demolição, um magnífico convento – S. Francisco – em ruínas, alumínios, betões, miseráveis contrucções “modernas” ao lado de belos edifícios de outros tempos, lataria em cada canto. Uma zona ribeirinha que podia ser equiparada a qualquer destino de luxo no Mediterrâneo, mas onde os pedregulhos, entulhos e areias abundam. Que tipo de Câmara Municipal é esta?

Salva-se a antiga fábrica de conservas – mais um sector produtivo que desaparece -, que hoje alberga um moderno Museu. Ao menos isso!

(continua)

Campo Grande 190: Lisboa Arruinada


Dois prédios para demolir, no Campo Grande. Disseram-me que serão substituídos por um monstro de betão semelhante à unidade hoteleira construída na Fontes Pereira de Melo e que ostenta a placa Sana. Mais um pavor.

Quando a 31 de Agosto de 1974 cheguei a Portugal com a minha família, vivemos um ano no Parque de Campismo* de Monsanto. Com muita dificuldade, os meus pais conseguiram alugar um apartamento num prédio recém restaurado, no Campo Grande 190. Uma casa grande, com seis assoalhadas, impecável e a cheirar a tinta fresca. A renda de dois contos mensais, era cara, dado o salário do meu pai que por essa altura dava aulas no Liceu de Alcochete. No entanto, vivíamos num tempo em que a renda a pagar, correspondia a 25% do ordenado que o “chefe de família” trazia para casa. A democracia impõe-nos agora um salário médio para uma renda. Se arrendarmos uma casa, esta encontra-se invariavelmente num estado de degradação total, sendo os inquilinos obrigados a proceder a obras. Rendas mais caras do que aquelas que se pagam em muitas capitais europeias, nomeadamente a capital do nosso Reich, Berlim.

Vivi no Campo Grande 190 até 1988, quando arrendei um pequeno T0 no Príncipe Real, uma zona onde fiquei – em três casas – até 2006.

O prédio à direita é imponente e até há pouco ostentava lindos azulejos Arte Nova, hoje desaparecidos. Nem a fachada será conservada, como seria de esperar. Lá vai Lisboa…

*Nunca mais fiz campismo, sabe-se lá porquê?

Destruição na Luciano Cordeiro: Lisboa Arruinada


Lembram-se desta casa que outrora foi a sede da editora D. Quixote? Estava há anos abandonada e a pedir que a restaurassem. Tal não aconteceu. A Câmara Municipal de Lisboa autorizou outro tipo de destino. Eis as provas.


Em quatro dias, o fim de uma casa bonita e que durante gerações albergou famílias e negócios. É a Lisboa democrática…

Bicicletas Jam Lisboa Porto e Trofa

Engarrafamento de bicicletas na confluência de várias ruas e avenidas de que ouvimos os nomes todos os dias na rádio e na televisão, calçada de carriche, marquês, icê dezanove, crel, auto-estrada de cascais, segunda circular, eixo norte-sul, vcê-i, icê vinte e quatro, avenida faria guimarães, caldas das taipas e a circular de guimarães, toda a cidade da trofa que é uma estrada só, castêlo da maia, as putas na paragem do autocarro na via norte, a rotunda da areosa aquela via rápida da costa de caparica para almada e a praça da portagem naquele ponte que já está paga quatro vezes. Há fila entre a saída de pina manique e o nó de benfica. Túnel do grilo marginal de cascais, acidente sempre mortal na recta do cabo. Nacional 3 no carregado. Carro parado na berma. eia…!

O Rio Este

A 200 metros da intersecção do rio Este com a principal avenida bracaranse, a Avenida da Liberdade, este é o aspecto do rio Este. A sério, o rio Este está ali!

R. Forno do Tijolo: Lisboa Arruinada

Um prédio na Rua do Forno do Tijolo, pasme-se, propriedade da Caixa de Previdência do Ministério da Educação Nacional, conforme mostra uma placa dourada. Não sei se vai abaixo, mas o estado de degradação de um imóvel não muito antigo, indica que algo vai mal neste (ainda) nosso país.

Na Rosa Araújo: Lisboa Arruinada


Mais dois exemplares a demolir, objectos do interesse da coligação Bancos/Câmara Municipal de Lisboa

Memórias do Estádio Nacional

Ribeiro Teles – (…) “vivi também a construção do Estádio Nacional. Ao contrário do que então se divulgou, o projecto da localização e das bancadas é de Caldeira Cabral e do arquitecto alemão Vizner. De Jacobetty, são os desenhos da tribuna e dos serviços sanitários, realizados mais tarde e após alguma controvérsia.

Assisti, na qualidade de aluno e de aprendiz, à discussão dos problemas levantados pelo desenho da curva das bancadas que deveria possibilitar a melhor visibilidade. Assisti à discussão entre os que, a exemplo da arquitectura olímpica grega, pretendiam que o estádio se localizasse na encosta com uma abertura para a paisagem, e os que, mais convencionais, preferiam construir uma espécie de peneira no meio do vale. Soube dos debates em redor da tribuna que, entendiam uns, ‘deveria ser feita para o presidente’. E outros que a rejeitavam em absoluto. Apesar das oposições, a tribuna apareceu. Majestosa. Dando ao conjunto um ar germânico.”

excerto retirado do livro Ecologia e Ideologia, Editora Livros e Leituras
imagem do blog Quarto Defensivo

R. Camilo Castelo Branco: Lisboa Arruinada


Um raríssimo e belo exemplar belle époque, há anos fechado e “para venda”. Adivinhamos o fatal destino. Reparem nos portões e grades das janelas e varandas. Estou tão seguro da demolição, como de amanhã ser quarta-feira, 12 de Maio. É o único edifício com verdadeiro interesse numa rua que foi completamente vandalizada. Por razões óbvias, gostaria que esta casa sobrevivesse, de modo a que a o nome do escritor não baptize uma pocilga ” Tegucigalpeña” no centro de Lisboa.
Já repararam que a Lisboa construída “em república post-1910” não consegue fazer parte da imagem que os estrangeiros têm da cidade? Dir-se-ia que por frustração, querem demolir tudo aquilo que se construiu até à época da “sopa do Sidónio”. Bela maneira de comemorar o Centenário!

5 de Outubro: Lisboa Arruinada


Espectacular prédio no 273 da 5 de Outubro, mais um exemplar de influência parisiense. Possui uma impressionante cúpula que parece estar num processo de rápida e “conveniente” degradação. Já emparedado, aguarda a infalível máquina demolidora. Ao que chegámos!

Na Duque de Ávila: Lisboa Arruinada


Na Duque de Ávila, diante da antiga estação rodoviária.

Outro, na Duque de Loulé: Lisboa Arruinada


Mais um extraordinário prédio devoluto, fechado há anos e que aguarda demolição. Construído na viragem do século XIX/XX, possui uma fachada rica, com elaborados estuques e os apartamentos são de enorme dimensão. Este prédio situa-se também na Duque de Loulé (artéria mártir em pleno centro da capital) e as suas traseiras e parte lateral direita, dão directamente sobre a Rua de Santa Marta. Os interessados podem assim, ter uma ideia da colossal dimensão do edifício. Devia ser arrolado pela tal Comissão a ser criada urgentemente. O Arquitecto Ribeiro Telles decerto estará de acordo.

Av. Fontes Pereira de Melo


Avenida Fontes Pereira de Melo,no cruzamento com a António Augusto de Aguiar. Dois casarões já emparedados e à espera de demolição. É um autêntico escândalo que nada seja feito para impedir estes atentados com que quotidianamente deparamos. E em pleno centro da capital. Nem que fosse como uma forma de manifestar respeito para com o grande homem que foi Fontes, a avenida que tem o seu nome devia ser preservada do lixo que se vai construindo.

R. Bernardo Lima: Lisboa Arruinada

Na Bernardo Lima (à Duque de Loulé), maravilhoso exemplar da viragem do séc. XIX/XX, que decerto aguarda demolição. A zona que vai do Marquês de Pombal ao Liceu Camões, tem sofrido nos últimos anos, uma depredação tão escandalosa como aquela que vitimou a av. da República nos anos 70, 80 e 90. Vergonha para quem manda e uma humilhação – mais uma – infligida aos lisboetas.

Vítima "parisiense" na Duque de Loulé: Lisboa Arruinada


Mais uma futura vítima dos criminosos que vão de forma muito profissional, desmantelando a nossa cidade. Este edifício situa-se na Duque de Loulé, diante da Sociedade Portuguesa de Autores. O rés do chão possui um espaço comercial, outrora uma padaria, com paredes forradas a mármore. As águas furtadas têm um característico acabamento “à parisiense”. Não será possível criar-se um “Movimento pela Indignação” que o salve?
* Reparem no prédio recentemente construído e contíguo ao devoluto. Horrível, com uma fachada a lembrar um mictório público. Este sim, devia ser rapidamente demolido.

A destruição das cidades

Dizia Paulo Morais há cerca de um ano que “é evidente que as pessoas vão para os shoppings porque eles têm hoje as condições de urbanidade que as cidades já não lhes dão, onde há manutenção, onde há limpeza, onde há segurança, onde há parqueamente, etc., onde há vivencialidade urbana“.

Os excelentes trabalhos de Nuno Castelo-Branco aqui no Aventar e de Rui Valente no As Casas do Porto (de onde “roubei” a imagem que ilustra este post) são dois exemplos concretos do que se passa em Lisboa e no Porto, e de certeza que podiamos acrescentar exemplos de (quase) todas as outras cidades do país.

Os motivos que levaram a esta degradação que são habitualmente referidos são, por um lado a legislação que não apoia a renovação e incentiva a compra de casas novas e por outro a lei das rendas que continua a permitir que haja quem pague uns 5 euros por mês por uma casa.

Convém no entanto referir em relação ao segundo ponto que nem essa lei foi caso único no mundo já que outros países europeus a praticaram, nem ela se aplicou no país todo (só no Porto e em Lisboa) e não é por isso que os centros historicos de Gaia, Matosinhos, para dar dois exemplos que conheço, estão muito melhor que o do Porto.

Também o argumento da legislação, esse entrave que emperra toda a nossa sociedade e que aparentemente só se resolve com mais legislação, fica um pouco fragilizado quando olhamos por exemplo para Guimarães. Que lei especial conseguiram eles para a sua cidade que lhes permitiu uma renovação urbana elogiada por todos?

Acho que nenhuma, o segredo, segundo Souto Moura é que a reabilitação só se consegue com bons técnicos e com uma fortíssima vontade política, como houve por exemplo com a reconstrução do Chiado.

Luciano Cordeiro (3): Lisboa Arruinada

Pequena, mas bonita casa de família, situada na união da Duque de Loulé, com a Luciano Cordeiro. Parece ser construção da viragem do século, e já possui autorização para “construção nova”, sórdido eufemismo inventado pela corrupção generalizada que nos vai roubando a cidade. Esta casa foi sede da Editora D. Quixote, de Snu Abecassis. Neste preciso momento, já está a ser demolida, dando o acesso a uma “futura garagem”.

O paradigma da Grande Mesquita de Cordoba

Mesquita de Cordoba 2

Interior da Mesquita de Cordoba

A história do Al-Andalus desperta sentimentos e emoções apaixonadas, discussões acesas e opiniões contraditórias.  E apesar de, numa visão superficial, ser uma história de antagonismos e conflitos, o Al-Andalus foi um espaço de aprendizagem de vida comunitária de várias realidades étnicas, religiosas e sociais, um espaço de convivência, de aplicação de modelos de organização social e política, de experiências espirituais, de florescimento cultural. Esta realidade esteve inclusivamente presente durante o processo de arabização da Península e também, de forma transitória, no período inicial do processo de conquista do Al-Andalus pelos Reinos Cristãos, conforme atestam inúmeros documentos da época.

Mas a realidade é que as disputas territoriais entre cristãos e muçulmanos terminaram invariavelmente com a demolição dos locais de culto de uns e outros. Inclusivamente na (erradamente) chamada reconquista cristã”, assiste-se invariavelmente à demolição das mesquitas e construção no mesmos locais de igrejas. Mesmo nos casos em que as mesquitas eram inicialmente “purificadas” (termo usado por alguns cronistas da época) para nelas se celebrar o culto cristão, e mesmo nas situações em que a vontade era a de adaptar a antiga mesquita a igreja, a mesquita acabava por ser demolida, salvo raras excepções. E demolida porquê? Simples ódio religioso, intolerância ou violência gratuita? Ou seja, apenas por razões ideológicas? [Read more…]

R. Luciano Cordeiro (2): Lisboa Arruinada


Mais um prédio a aguardar a destruição. Situa-se Situa-se na R. Luciano Cordeiro, à Duque de Loulé e é um típico exemplar daquilo a que se chamava “prédio de rendimento”, próprio do final da Monarquia Constitucional. Os vizinhos informam que pertence ao sr. Belmiro de Azevedo. A ser verdade e conhecendo as características das construções pela SONAE apadrinhadas, sabemos bem o que poderá crescer naquele terreno. Mais uma infâmia.

Um Chalezinho no Cacém

É o meu sonho de infância, um chalezinho no Cacém (também pode ser em Agualva, não sou esquisito).

Dispensário de Alcântara: Lisboa Arruinada


O Dispensário de Alcântara é uma das muitas obras de assistência promovida pela rainha D. Amélia. Prosseguindo actividades de cariz social que ao longo dos séculos foram apanágio das rainhas de Portugal, D. Amélia introduziu o moderno conceito de assistência social, tal como hoje o entendemos. Assim, aquilo que se entendia então por caridade, adquiriu fundações mais sólidas, ligando-se à formação de mentalidades – higiene, cuidados preventivos, assistência continuada – e a rainha, desde sempre insistiu junto dos governos, pela implementação das novas áreas da ciência que ainda não tinham chegado ao país. O Instituto Pasteur (Câmara Pestana), os Lactários Públicos, as Cozinhas Económicas, os Socorros a Náufragos, ou as numerosas creches e a modernização dos hospitais, contam-se entre as suas obras mais relevantes. No entanto, para a memória de todos, ficou a inestimável Assistência aos Tuberculosos. O Dispensário de Alcântara foi durante anos, uma visita quase diária e mesmo no exílio, jamais descurou das suas necessidades, mantendo-se em permanente contacto com o corpo médico em exercício. D. Amélia preocupou-se sempre em garantir o permanente funcionamento daqueles serviços à população. Em 1945, quando da sua visita a Portugal, não deixou de visitar esta sua obra, assim como a sede da S.L.A.T. (ao Cais de Sodré). A população correspondeu com um inaudito banho de multidão, numa época em que as manifestações que não tivessem convocatória oficial, eram rigorosamente controladas ou proibidas. Foi talvez, uma das poucas vezes em que os lisboetas estiveram em contacto com uma personalidade que para muitos, simbolizava uma liberdade e um verdadeiro constitucionalismo há mais de três décadas perdido.

O Dispensário de Alcântara está hoje vazio, fechado. Há uns meses, ostentava na fachada, o cartaz com o esperado e temível “Vende-se”. Sabemos o que nesta época, isto significa: destruição. O apagar da memória da nossa História. Este edifício é simbólico da vontade e do sonho de progresso de uma mulher , que quis que Portugal entrasse plenamente no século XX, a par das outras nações civilizadas da Europa. Por si só, a rainha D. Amélia foi um autêntico ministério dos Assuntos Sociais sete décadas antes de o termos criado. Desta forma, o Estado Português, a CML e entidades privadas ou beneméritas, tudo deverão fazer para o preservar. A destruição do Dispensário de Alcântara será mais um crime, uma infâmia. Mais uma vergonha. Até quando?

Durante a sua visita a Portugal (1945), Dª Amélia foi ver a sua “obra de Alcântara”. Hoje para sempre fechada?

Av. Fontes Pereira de Melo: Lisboa Arruinada

Belo conjunto de três edifícios da passagem do século XIX/XX, aguardando destruição. Neste momento, apenas servem para suporte de cartazes publicitários. Como estão na moda e vão nascendo em antigos edifícios por toda a capital, não existirá uma entidade que os queira transformar num luxuoso hotel de charme? As fachadas dos dois prédios à direita da imagem têm que ser preservadas, assim como a totalidade do palacete. À sua volta, temos alguns exemplares de conhecidos trastes, como o edifício PT, o Saldanha Residence (East Cacém style…) e o horripilante Sheraton (esta grande obra do fim do “marcelismo”). Mais palavras, para quê?

Av. Joaquim António Aguiar: Lisboa Arruinada


Na Joaquim António de Aguiar, mesmo antes de chegarmos ao Marquês. Três belíssimos exemplares Deco, em ruínas. Comparemos estas vítimas do desleixo e crime, com o recentemente restaurado casarão “D. João V”, à direita da imagem. A construção do túnel do marquês, levou ao abate de numerosas árvores no separador central e o mesmo aconteceu recentemente na zona de entrada do Parque. Se a isto acrescentarmos o que se está a passar no Príncipe Real e noutras zonas da cidade, torna-se nítida uma certa obsessão anti-verde.

Rua de Andaluz: Lisboa Arruinada


Pequeno, modesto, mas característico prédio da rua de Andaluz, na intersecção com a Duque de Loulé. Preparam-se para o demolir e substituir por um exemplar decerto idêntico ao que surge mais à esquerda na fotografia. Esta zona parece condenada à total destruição.

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada


Uma futura vítima a abater – já entaipada -, ao cimo da Duque de Loulé e antes de entrarmos na Praça José Fontana. Reparem no mamarracho à esquerda. O sonho dos senhores que em nós tripudiam, é transformar Lisboa num enorme pardieiro de alumínio, marquises de lata e vidros espelhados. desde que lucrem com a façanha, é claro.

R. Luciano Cordeiro: Lisboa Arruinada


Característico exemplar de prédio residencial do final do séc. XIX/início do XX, em Lisboa, Rua Luciano Cordeiro. emparedado, aguarda tristemente a sua demolição, decerto para ser substituído por outro mamarracho como aqueles que abundam nesta zona (Duque de Loulé).
Lisboa é sem dúvida e a par de Bucareste, a capital europeia (?) com a mais incompetente, debochada e desapiedada Câmara Municipal, cuja responsabilidade pelo desastre, já remonta a meados dos anos sessenta. Não tendo sofrido qualquer bombardeamento durante a II Guerra Mundial, os efeitos da cupidez, corrupção e mau gosto, são amplamente visíveis em todo o lado. Uma vergonha nacional.

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada

Dois prédios na Duque de Loulé, um já praticamente demolido e outro que aguarda o seu triste fim. No primeiro (verde água), situava-se a Galeria Camilo-Eça, um centro de tertúlias literárias e políticas, pertencente ao arquitecto Rui da Palma Carlos, pessoa extraordinariamente simpática e generosa. O meu irmão Miguel e eu próprio, muitas vezes o visitámos e é com grande pena que vemos hoje, um prédio que foi tão bonito, reduzido a uma parede e a uma varanda. O que se terá passado, para que tenha sobrado ainda alguma coisa? Um embargo? Espero que sim e que pelo menos, reconstruam a fachada.
O edifício contíguo é muito interessante, com janelas em ferradura, vidros coloridos (a lembrar Tiffany) e algo de misterioso, como se tratasse de um castelo, ou uma “casa de bruxas”. Merece recuperação total, exterior e interior.
* Por detrás da arruinada fachada verde, podemos facilmente verificar o lixo que se vai construindo na cidade, fruto da ambição do lucro, da falta de preparação e mau gosto. Ralé de vigaristas, é o mínimo que podemos dizer.