José Rodrigues (1936-2016)

© Fundação José Rodrigues

© Fundação José Rodrigues

A obra e os seus frutos continuarão nas ruas, na Fábrica Social – Fundação José Rodrigues, na Cooperativa Árvore, no Convento de Sanpayo, na Bienal de Vila Nova de Cerveira, entre tantos outros lugares.

Como tantos que algum dia se cruzaram com ele, também eu guardo o esboço de um anjo num guardanapo de papel.

Era Lisboa e ríamos

New Portuguese Letters to the World
Imagem: Google books

A notícia da morte de Isabel Barreno e a evocação mediática do escândalo armado no regime anterior, que ficou conhecido como o caso das Três Marias, levou-me a olhar para trás uns largos anos. 

O livro, assinado por Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, foi acusado de pornografia pelos censores oficiais quando, muito simplesmente, se tratava de dar relevo, artístico e literário, às cartas da freira Mariana Alcoforado que, num convento de Beja, se enamorou dum oficial francês, amigo e companheiro de armas de seu irmão. Como de costume, a coisa meteu interrogatórios policiais, tribunais e uma razoável tribuna de acusações por parte de todos os correios da manhã de que o governo fazia gato-sapato. O assunto, porque a lentidão está no ADN da justiça portuguesa, só viria a ser concluído por uma absolvição depois de 1974. [Read more…]

E novidades?

Um subdirector-geral vai a uma jornada tipo Universidade de Verão partidária (jotas do CDS/PP) e profere declarações sobre assunto que ele próprio tutela, como se não tivesse nada a ver com isso. Formalmente António Filipe Pimentel é subdirector-geral da DGPC (entidade que tutela o Museu Nacional de Arte Antiga), e o MNAA tem um director. Mas é o subdiretor-geral que assume a pasta. A situação resulta de uma reestruturação efectuada pelo governo PSD/PP, reestruturação essa muito criticada, e que recuperou o que o último governo de José Sócrates tinha decidido mas não executado (já que caiu entretanto). Confuso? Sim, é mais uma trapalhada do governo José Sócrates/Gabriela Canavilhas , a que Passos Coelho/Paulo Portas/Francisco José Viegas/J. Barreto Xavier deram seguimento e executaram. O resultado está à vista. O actual Ministro é surpreendido pela situação.

Pafadas e geringonças, é o que é.

«Books to give you hope»

O Livro do Desassossego.

Music is my drug…

Estou a ficar velho! É a conclusão que retiro quando dou conta terem passado 20 anos desde o lançamento de Placebo, álbum de estreia da banda londrina com o mesmo nome, fundada pelo genial Brian Molko & Stefan Olsdal… A 7 de Outubro sairá o álbum A Place For Us To Dream,” que revisitará a carreira desta banda que conta várias passagens por Portugal e uma legião de fãs de Norte a Sul…

A lei? Olha quem fala…..

“As leis são boas consoante quem as aproveita”. E cumpri-las? Pois é, lembrei-me logo da Barragem do Tua!

Histórias reais – Os assassinos cinéfilos

Catherine Lorre tinha 24 anos quando conheceu dois assassinos em série. Eles eram Angelo J. Buono e Kenneth A. Bianchi, dois primos que ficariam conhecidos como os “Estranguladores de Hillside”. De Outubro de 1977 a Fevereiro de 1978, raptaram, violaram e assassinaram dez jovens mulheres, em Los Angeles.

Certa noite, cruzaram-se com Catherine. Ela ia a pé, eles pararam o carro e abordaram-na. Mostraram-lhe distintivos falsos da polícia, quiseram ver a identificação dela. Catherine trazia na carteira uma foto sua, em criança, com o pai. Como os assassinos viriam a confessar à polícia, quando viram que a rapariga era filha de Peter Lorre, o assassino de crianças de “M”, o clássico de Fritz Lang, o vilão perturbado e perturbador de tantas histórias, deixaram-na ir. Admiravam tanto o pai que não conseguiram matar a filha. Tanto quanto se sabe, foi a única mulher a escapar aos assassinos. [Read more…]

Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão?

A questão da isenção do IMI no  Património Cultural continua na ordem do dia. Mais uma vez grassa a ignorância, a confusão, e claro, a incompetência. Sobre este assunto da isenção do IMI nos chamados Centros Históricos há que esclarecer o seguinte:

-a Lei dos Benefícios Fiscais não isenta qualquer Centro Histórico de IMI;  a lei determina que o Património Cultural (igrejas, castelos, palácios, casas senhoriais, quintas, centros históricos ) classificado como  Monumento Nacional  (muitos deles propriedade privada) estão isentos de IMI, e o Património Cultural classificado individualmente como de Interesse Público. Quer isto dizer que se porventura há um Centro Histórico que seja classificado como de Interesse Público, os bens situados nesse espaço não estão isentos de IMI, salvo se cada uma das parcelas (casas, terrenos) fosse classificada individualmente.  Pelo contrário, se há algum Centro Histórico que é classificado como Monumento Nacional, todos os bens (casas, terrenos) deverão ser, à face da lei, isentos de IMI; [Read more…]

A nova Praça do Império (otomano)

 

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Foto retirada daqui

Notícias recentes dão conta da alteração dos jardins da Praça do Império. Não devemos ter complexos com a História e com o passado. Questionar o passado? Sim, sempre. Estudar o passado? Sim, sempre. Apagá-lo? Não. Isso é o que muita gente durante a História recente fez e continua a querer fazer. Seja de um passado recente (troika, austeridade, etc.) seja de um passado mais remoto. É triste.

Jornal de referência…….

O Público de ontem trazia um extenso trabalho sobre o caso do Museu da Presidência da República. Nem uma palavra quanto ao facto do não cumprimento da lei no gasto dos dinheiros públicos.

À margem da lei

A semana passada soubemos que o Director do Museu da Presidência da República foi detido pela PJ. Em causa uma série de suspeitas de crimes de corrupção, peculato e participação económica em negócio. Ainda terá beneficiado algumas empresas na contratação de bens e serviços, lucrando directamente com esses negócios.
De 2006 a 2015 teve à disposição um montante anual significativo. Em média 1,3 milhões de euros por ano. Não é coisa pouca. Como o dinheiro foi gasto não sabemos. Mas deveríamos saber.
Todos os organismos da Administração Pública (Central, Regional e Local) são obrigados a publicitar no portal www.base.gov.pt a contratação de bens, serviços e obras, nomeadamente os montantes, o tipo de contratação e quem contratam. Essa obrigação permite aos cidadãos “fiscalizarem” onde o dinheiro público anda a ser gasto. A Presidência da República nunca o fez. Foi várias vezes inquirida e o caso denunciado publicamente pelo blog madespesapublica.blogspot.com .
O ex-Presidente Aníbal Cavaco Silva não cumpriu nem fez cumprir a lei. E o actual Presidente? A ver vamos, como diz o cego.

O Mito do Português em Marrocos

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Ponte de Afoullous, Khemisset. foto Mustapha El Qadery

O tema da influência portuguesa em Marrocos ultrapassa em muito os simples testemunhos edificados, assumindo aspectos pouco esclarecidos, por vezes mesmo desconcertantes, mas sobretudo pouco estudados.

Existe uma conotação do português com o inexplicável, com diversos mitos que fazem parte do imaginário marroquino, por razões mais ou menos compreensíveis, às quais não serão alheios os factos de se encontrarem enraizados em comunidades rurais, com base em histórias com origem suficientemente remota para darem largas à imaginação popular, mas de memória suficientemente recente para que os mais idosos as transmitam de geração em geração.

Podemos dizer que o mito do português “L-Bartqiz”, com surpreendentes referências a habitantes portugueses de grutas nos confins do deserto ou nas montanhas mais inacessíveis, a autores de pinturas rupestres em tempos imemoriais, a pontes construídas em locais longínquos que os portugueses nunca ocuparam, a prisões de cativos portugueses e até a uma condessa sedutora com pés de camelo, é tão fascinante para o senso comum marroquino, como o mito das mouras encantadas, dos piratas ou dos tapetes voadores é para o senso comum português. [Read more…]

O motivo que determinou tal fato

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Ladder for Booker T. Washington, 1996, Martin Puryear (http://bit.ly/25NZeag)

“One suffer instead of three, if none is to blame?” suggested Sewell. “That’s sense, and that’s justice. It’s the economy of pain which naturally suggests itself, and which would insist upon itself, if we were not all perverted by traditions which are the figment of the shallowest sentimentality.”

— William Dean Howells, “The Rise of Silas Lapham

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Um dia com Avi Avital

Sarah passa um dia com o músico israelita Avi Avital e com o seu bandolim. Eles viajam através de Berlim num riquexó, fizeram um «piquenique de instrumentos de plectro» e Avi convence os amantes da música tecno que o bandolim é um instrumento realmente porreiro.

Quem quiser saltar para o lado esotérica, pode ir directamente para o ponto onde um concerto de Vivalvi é tocado num festival de música electrónica. Música barroca neste contexto? O melhor é ver e ouvir.

(Vídeo em inglês, do programa Sarah’s Music do canal alemão DW)

Os contatos e as reuniões são com diferentes instituições e serviços

The causes remain which brought philosophy into existence as an attempt to find an intelligent substitute for blind custom and blind impulse as guides to life and conduct.

John Dewey

Τειρεσίας: ἥξει γὰρ αὐτά, κἂν ἐγὼ σιγῇ στέγω.

Tiresias: The future will come of itself, though I keep silent.

— Sófocles, “Rei Édipo” (tradução de W. B. Yeats)

Οἰδίπους: εἰ δὲ μὴ ‘δόκεις γέρων εἶναι, παθὼν ἔγνως ἂν οἷά περ φρονεῖς.

Édipo: não fosse o teu aspecto de velho, um bom correctivo far-te-ia tomar consciência da tua insensatez.

— Sófocles, “Rei Édipo” (tradução de M.C. Fialho: Coimbra, 1986).

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Meteram a viola no saco

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© Red Hook Terminals (http://bit.ly/25qLQw7)

There have always been benevolent aristocrats. That doesn’t make me fall in love with the feudal system.
Noam Chomsky

Alfieri: But this is Red Hook, not Sicily. This is the slum that faces the bay on the seaward side of Brooklyn Bridge. This is the gullet of New York swallowing the tonnage of the world.
— Arthur Miller, A View from the Bridge

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«Perceberam que não tinham razão e meteram a viola no saco», disse hoje António Costa, acerca da forma como Assembleia da República e Governo têm gerido a matéria Acordo Ortográfico de 1990. Efectivamente, depois de terem lido os pareceres (ver nota 13), os deputados e os ministros acabaram por meter a viola … Ah! Não foi sobre o Acordo Ortográfico de…? Foi sobre os colégios. Segundo o primeiro-ministro, os deputados da oposição terão percebido que não tinham razão e meteram a viola no saco. Sobre os colégios. Ah! Não foi sobre o Acordo… OK. Que grande confusão a minha. Peço imensa desculpa. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

 

Feliz dia da toalha!

Marvin – Tirado daqui

A entrada para “toalha” no guia é a seguinte:

Just about the most massively useful thing any interstellar Hitchhiker can carry. Partly it has great practical value. You can wrap it around you for warmth as you bound across the cold moons of Jaglan Beta; you can lie on it on the brilliant marble-sanded beaches of Santraginus V, inhaling the heady sea vapours; you can sleep under it beneath the stars which shine so redly on the desert world of Kakrafoon; use it to sail a miniraft down the slow heavy River Moth; wet it for use in hand-to-hand combat; wrap it round your head to ward off noxious fumes or avoid the gaze of the Ravenous Bugblatter Beast of Traal (a mind-bogglingly stupid animal, it assumes that if you can’t see it, it can’t see you — daft as a brush, but very very ravenous); you can wave your towel in emergencies as a distress signal, and of course you can dry yourself off with it if it still seems to be clean enough.

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Jornalistas, Jornalismo

“A gente aqui faz um jornalismo mais ágil, mais dinâmico, mais moderno. Jornalismo-jornalismo já está meio ultrapassado, não dá para ficar apurando, correndo atrás de fontes, checando informação”.
Porta dos Fundos, a falar verdade todas as Segundas, Quintas e Sábados.
Vamo-nos rindo…

A falta de vergonha

Miguel Torga citado na inauguração do Túnel do Marão. A falta de vergonha institucionalizada.Nada que  surpreenda.

Regresso em grande…

Aí está o muito aguardado álbum da banda de Thom Yorke… Para aqueles que como eu sabe a pouco ouvir uma música dos Radiohead, podem clicar aqui

Nos 100 anos da morte de Mário de Sá Carneiro

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Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…

Um pouco mais de sol e fora brasa,
Um pouco mais de azul e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

(Quase)

O cravo e a arma

Leonor Pinto, 7 anos

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O cravo

Sofia Castelejo, 7 anos

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O ditador que caiu da cadeira

Rita Mateus, 6 anos

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Antes do 25 de Abril, as pessoas não podiam dizer o que queriam e tinham que fazer tudo o que o ditador dizia, depois as pessoas juntaram-se e fizeram o MFA e depois veio a Liberdade…o ditador que se chamava Oliveira Salazar caiu de uma cadeira abaixo e morreu.

Quando começou a tocar a música

Sofia Mateus, 6 anos

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Nessa noite começou a tocar uma música e as pessoas quando ouviram tiveram a coragem de ir para a rua festejar a Liberdade que foi no dia 25 de Abril. O que houve de bom foi que os tropas tinham cravos na ponta das espingardas e não houve tiros….ficaram todos muito felizes.

A borboleta libertou-se da gaiola

Carolina Pinto, 5 anos

No 25 de Abril, a borboleta (à esquerda) libertou-se da gaiola e fugiu

No 25 de Abril, a borboleta (à esquerda) libertou-se da gaiola e fugiu

Não voltaremos atrás

Nuno Filipe, 11 anos

Liberdade

O dia da liberdade

Leonor Pinto, 7 anos

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O dia da liberdade é o dia em que começou a Liberdade no país de Portugal, as pessoas começaram a ser livres no dia 25 de Abril. Antes disso, as pessoas viviam sem liberdade, sem dinheiro, o Salazar proibia as pessoas de terem emprego, bastava dizerem qualquer coisinha que não boa sobre o Salazar que iam logo presas.
Ninguém podia comer porque toda a gente era pobre e tinham de rapar os tachos se queriam comer, até chegar o dia 25 de Abril de 1974.
Nesse dia, começou a liberdade, mas é pena que em alguns países ainda seja assim.

“Portugal 74-75” – O retrato do 25 de Abril

Um excelente documentário  com a assinatura de Joaquim Furtado, José Solano de Almeida, Cesário Borga e Isabel Silva Costa – RTP

25 de Abril visto pelos mais novos

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Assinalam-se amanhã 42 anos da revolução que nos restituiu muitos dos direitos básicos que os longos anos de fascismo nos tinham tirado e cerceado.

Se para os mais velhos esta data continua a merecer ser comemorada por tudo o que lhes está subjacente, para os mais novos, que sempre viveram com liberdade e tudo o que lhe está inerente, é só mais um dia lavrado na história.

Mas será mesmo assim?

É isso que gostávamos de saber. E por isso mesmo, o Aventar vai abrir as portas aos mais novos: crianças, jovens ou assim-assim, para que, em forma de texto, desenho ou áudio, digam o que para eles significa a data e todos os valores que o 25 de Abril nos restituiu.

Pedimos pois aos nossos leitores que nos façam chegar por aqui colaborações para, ao longo do dia irem sendo publicadas.

A iniciativa vai prolongar-se até ao dia 1 de Maio.