Adeus Purple One

Prince

As rádios portuguesas da moda colocaram a playlist em pause e, neste momento, choram em uníssono a morte de Prince. Tem tanto de comovente como de irónico, assistir a esta homenagem a um grande artista que há tantos anos virou as costas à indústria por parte de rádios transformadas em reprodutoras da vontade dessa mesma indústria. Rádios onde Prince precisou de morrer para voltar a tocar. Business as usual.

May you rest in peace Purple One 🙁

O artista formalmente conhecido por Prince?

Ah! Formerly known as PrinceCorreio da Manhã. Depois da história do ‘fato’, eis o ‘formalmente‘. Não, Correio da Manhã, não é ‘formalmente’. It’s English. It’s formerly, ou seja, é ***********. Efectivamente, Correio da Manhã. Efectivamente.

Prince formalmente

Celebrar a Europa

Filhos e Pais, juntos, em Palco. Para celebrar a Europa.

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Dia 30 de abril no Europarque. Rigorosamente a não perder (vídeo).

O banano, o sopapo e a solha

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Era uma vez um banano que andava às lostras. Muito entretido, distribuía tabefes pelas chapadas do reino quando se deparou com um imponente sopapo nas ventas que não hesitou em esbofeteá-lo com acinte: “Pfff, isso lá são bofatadas? Que saudades da pífia PAF, esses é que eram de estalo e gritos”. Abananado, o banano ainda ensaiou uma lamparina. Porém, perante a tapona da solha, abandonou e tudo voltou à normalidade no reino da bolachada.

Levem a garotada ao teatro!

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Olhos de pequeninos a brilhar de atenção alegre tão forte quanto o coração lhes está a pulsar é do mais lindo que se pode observar, não é verdade? Pois foi esse encanto que mais uma vez esteve estampado nas caritas expectantes de uma centena de crianças, de bibe laranja aos quadradinhos e sentadinhas com as pernitas a abanar nas cadeiras do Teatro Armando Cortez. No palco, foi aquela magia sempre renovada, produzida desde há 40 anos com um profissionalismo admirável pelo TIL, Teatro Infantil de Lisboa. Desta feita, a peça é a Cinderela, uma Cinderela alegre e com referências à actualidade, como aquela da lista dos convidados ao baile no ipad. [Read more…]

Em defesa do Cinema São Geraldo

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No momento em que aquela sala de espetáculos completa uma história de quase 100 anos de atividade diversificada – cinema, teatro, exposições, conferências, comícios, concertos, festas, etc -, a cidade não deve embarcar em mais projetos de resposta a meras solicitações conjunturais.
Braga
deve seguir uma visão duradoura para o centro histórico e apostar nas funções culturais e artísticas que envolvam todas as gerações. Diversos cidadãos e associações tem vindo a recolher o máximo de elementos da história deste cineteatro e estão disponíveis para ajudar a encontrar soluções de futuro que projetem Braga como uma cidade bimilenar que reconhece e sabe reforçar os valores patrimoniais, materiais e simbólicos que a definem.”
Assine a petição… diga não a mais uma “praça de alimentação“!

Mick Jagger em Havana

A lenda daquele falseto divinal em “Emotional Rescue” arrastou meio milhão de cubanos no histórico concerto realizado ontem à noite em Havana, no corolar de uma semana inesquecível na capital cubana, simpatias pela figura de Fidel à parte. Se na primeira parte do show, Obama não convenceu o “Castro” mais novo (peço imensa desculpa por ter que catalogar desta forma a sombra do seu irmão Fidel) quando este esperava seguramente que o presidente Norte-Americano levantasse finalmente uma ponta do véu do embargo vigorante sobre o país (a todos aqueles que enchem a boca para criticar o regime cubano, pergunto sempre como seria a vida no nosso país se estivesse sob embargo económico de 75% dos países mundiais; decerto que não seríamos capazes de sobreviver), resumo apenas a visita do presidente Norte-Americano como um passo histórico sim, cheio de danças, show-off, promessas opacas e vazios de conteúdo, quando Castro esperava algo mais, dado que é peremptória a assumpção entre o regime de que este economicamente terá que ter alguma abertura (controlada, obviamente) ao investimento privado externo. De nada valeram para já as intercessões negociadas pelo Santo Mujica e pelo Papa Francisco.

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As gravuras ainda não sabem nadar?

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No início, de modo simplista, havia isto: a barragem ou as gravuras.
Optou-se, bem, pelas gravuras.
Como sempre, parte da substância foi reduzida a discussões de economês básico: qual a solução que geraria mais dinheiro? A barragem, disseram muitos em coro, começando por boa parte da população local.
Paradoxalmente, a defesa das gravuras do Coa foi, talvez, uma das últimas causas capazes de gerar movimentos engajados e participativos em Portugal, integrando vozes e manifestações activas norte a sul, levando a discussões que envolviam modelos de desenvolvimento e salvaguarda de património cultural.
Ora, um paradoxo gera outros, e grande parte dos defensores nunca visitou o local e os percursos postos ao serviço do público, contribuindo, também assim, para a aparente estagnação actual.
E é pena. Pena, porque, de novo, é a gestão do património comum que está em causa, e pena porque se trata de um programa inesquecível para quem nele participa.
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Amor com amor se paga

Seixas da Costa vai para administrador de uma das empresas do grupo EDP.

Depois do que fez pela construção da barragem do Tua bem merece!

O “caso” João Soares/António Lamas

Agora que a poeira parece começar a assentar, vamos ao “caso”.

O governo anterior (PSD/CDS) nomeou António Lamas Presidente do Centro Cultural de Belém em inícios de Novembro de 2014. O então recém-nomeado, (CV aqui, pág. 10 e 11), em entrevista ao jornal Público, já dizia ao que vinha. Vale a pena ler, mas realço isto, quando se refere a  receitas e despesas:  “A redistribuição entre os Jerónimos e Freixo-de-Espada-à-Cinta não faz sentido”.

Ainda quando se refere a investimento: “Há necessidade de investir? Não se faça um perímetro que vá até Bragança.”

Para António Lamas o que interessa é Lisboa, e o dinheiro arrecadado pelo Estado (em Lisboa) não é para ser investido no resto do País. Mais, essa receita é também para investir (em Lisboa e para ir aos fundos comunitários!). Ponto. Pela mesma lógica, a electricidade produzida em Freixo-de-Espada-à-Cinta, no Douro, não deveria ser redistribuída, e muito menos em Lisboa! [Read more…]

Pordata Kids. Kids!?

pordatakidsÉ muito provável que os derivados do inglês venham a ser os crioulos do futuro, porque as ciências (incluindo algumas sociais)  e a tecnologia já se exprimem em língua inglesa ou, pelo menos, numa espécie de dialecto em que se misturam termos ingleses com resquícios da língua materna.

Ainda assim, continuo a acreditar que usar uma língua implica pensar sobre ela (e não apenas ficar a contemplar a sua evolução) e agir em sua defesa. É claro que defender a língua materna sem pensar poderia levar a exageros como preconizar que se substituísse Oxford por Oxónia, como já chegou a ser proposto. É igualmente claro que o português já está carregado de antigos empréstimos que acabaram por ser adquiridos, o que também faz parte da natureza das línguas. Por isso, e usando de um conservadorismo metódico, não combato palavras como “futebol”, mas irrita-me que as pessoas esperem feedbacks das propostas que fizeram. [Read more…]

«Science: it’s a girl thing!»… será mesmo?*

Science- it's a girl thingEm 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. [Read more…]

Carta do Canadá: Jornalismo é servir

Spotlight Movie

Imagem do filme Spotlight

Com tempestade de chuva, neve ou granizo; com temperaturas glaciais ou calores tórridos; debaixo de fogo ou de tiroteio; contra tudo e apesar de tudo, médicos, enfermeiros, bombeiros, padres e membros da comunicação social, têm de correr em socorro de quem precisa, têm de arriscar tudo para salvar ou informar, que o mesmo é dizer dar o grito de alerta para que outras ajudas venham ou consciências acordem.  Para os que escolheram estas profissões, não há domingos nem feriados, não há garantias de noites de Natal sem perturbação, de dias de aniversários celebrados sem interrupção. Tudo pode acontecer. A tudo é preciso responder presente. Porque escolher estas profissões é escolher servir o próximo, sem distinção de raça, género ou posição social.

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Rádio Universidade de Coimbra

grelha RUC

Mãe, há só duas. E uma delas é também filha. Foi durante muito tempo namorada, chama-se RUC e faz hoje 30. Como se dão os parabéns ao objecto etéreo do nosso amor sem cair na lamechice?

Inaceitável

Não compreendo a forma como o Ministro da Cultura decidiu enxovalhar António Lamas, presidente do CCB e uma grande figura da cultura nacional. É inaceitável. Não só pela evidente falta de educação e comportamento trauliteiro. Mas também, e principalmente, porque os valiosíssimos serviços prestados pelo Professor Lamas ao país merecem todo o respeito. O ministro tem todo o direito de pensar de forma diversa e gerir o seu ministério como entender, o que não pode é insultar quem serviu o país e atuar como chefe de fação. Este país merece um Ministério da Cultura, e ainda bem que este Governo percebeu isso. Mas merecia um ministro com alguma dimensão e uma classe política que desse o exemplo. Lamento muito.

Nota: parece que já existe um sucessor Elísio Summavielle, que tem perfil e currículo para o lugar, mas que não deveria nunca aceitar um cargo nestas condições.

London call him


Clique para apoiar

O Paulo Abrantes, fotógrafo de Coimbra, foi convidado pela The Brick Lane Gallery para participar na exposição colectiva “LANDSCAPE; RURAL VS URBAN”, que terá lugar em Londres, entre 12 e 25 de Abril de 2016. Para cobrir as despesas, o Paulo organizou uma campanha de crowdfunding. Passe por lá.

Efectivamente?

Exactamente. Efectivamente.

As cruzes

© Chema Madoz

Creio que foi o Juan José Millás que escreveu que a zona lombar é um território mítico, não corresponde exactamente a um órgão ou osso, é antes uma terra de ninguém, de fronteiras incertas. Gente com dores de cabeça, de dentes, de cotovelo tem dores precisas, em sítios concretos, sem imaginação nenhuma. Nós, os que caímos pelas escadas abaixo em algum momento das nossas desastradas existências, sofremos uma dor numa “zona”, coisa sem valor científico, território vago e que suporta o castigo de asneiras diversas: más posturas, sonecas no sofá, demasiado peso nos sacos que carregamos. [Read more…]

Mário Cruz

Mário Cruz com o primeiro lugar na categoria "Assuntos Contemporâneos"

Mário Cruz, primeiro lugar na categoria “Assuntos Contemporâneos” / World Press Photo

Sic transit…

Já não há livrarias como antigamente

Escada sem céu

Quem mandou construir a escada que dá acesso às celas dos frades apiedou-se desses homens. A pedra é fria e austera, o vento que corre à solta pelo claustro corta a pele, e as celas situam-se no piso de cima, o mais castigado pelo Inverno de Castela. A vida é severa, a carne recebe o castigo sem queixume, e até ao sonho se impõe ser casto. [Read more…]

Pangu, o mito chinês da Criação

Bruno Santos

No Princípio havia só trevas e o Caos reinava. Mas no seio da escuridão formava-se um Ovo e dentro desse Ovo crescia Pangu.
Durante muito tempo Pangu apenas dormiu e cresceu. Mas quando se tornou num gigante, acordou e espreguiçou-se e, ao fazê-lo, partiu o Ovo.
As partes leves e puras do Ovo subiram então para formar o Céu.
As partes densas, impuras e pesadas desceram para formar a Terra.
Pangu viu o que acontecia em consequência do seu gesto e ficou feliz, mas de imediato temeu que Céu e Terra se voltassem a misturar, posto o que se colocou entre eles. Com a cabeça susteve o Céu e com os pés empurrou firmemente a Terra. Ficou assim entre eles, impedindo que a sua atracção os confundisse de novo.
Depois, já um gigante, continuou a crescer a uma cadência de 3 metros por dia, durante 18 mil anos, aumentando assim, constantemente, a distância que separava o Céu da Terra até que estes lhe parecessem fixos e seguros nos seus lugares, a 50 mil quilómetros de distância um do outro.
Exausto do seu esforço, Pangu caiu e adormeceu para nunca mais acordar.
Do seu corpo saíram então os elementos que viriam a compor o mundo. A sua respiração formou o Vento e as Nuvens. A sua voz fez o Trovão e o Relâmpago. Os seus olhos tornaram-se Sol e Lua, masculino e feminino, direita e esquerda. Os seus membros formaram os quatro pontos cardeais e o seu tronco as Montanhas. A Carne criou o solo e os pêlos as árvores e ervas que nele crescem. Do seu sangue formaram-se os Rios e das veias os Caminhos e as Estradas. A cabeça e o cabelo criaram o Céu e a transpiração transformou-se em Orvalho. Os dentes e os ossos formaram as pedras e os metais.

Assim Pangu criou o Universo.

A parábola da Força

Bruno Santos
Ancião

© Bruno Santos

“Se dois fizerem as pazes entre si,
nesta mesma casa,
dirão à montanha:
afasta-te;
e ela afastar-se-á.”
O Evangelho segundo Tomé

As montanhas da Senhora das Três Graças, quando estão juntas, têm mais de trezentos quilómetros de periferia e dois mil metros de altitude. Diz-se, mas só o Grande Arquitecto o sabe com firmeza justa, que são como três grandes galos na cabeça da Terra, e que hão-de cantar por sete dias assim que o Filho do Homem regressar a casa, pela Aurora. Diz-se também, mas disto há muitos mortais que duvidam, que esses galos cresceram depois de o Altíssimo, sagrado seja o seu Nome, ter atirado dos céus três grandes pedregulhos de granito, quando ainda nos tempos da Lemúria andava à caça do Gambozino Montanhês.

A norte dessas grandes montanhas viveu em tempos um ancião de noventa anos, Assano Sabato de sua graça, a quem chamavam o Velho da Montanha. Era um homem muito pequeno, mas muito forte e determinado, que granjeara pelas serras fama de teimoso e pertinaz que fizera grandes amizades entre as plantas e os animais bravos. Como habitava uma velha casa sobranceira aos três montes, de cada vez que precisava de se deslocar a qualquer lado tinha que os contornar e dar uma imensa volta, o que deixava exaustas as suas duas pernas já muito antigas.

O tempo, imparável que se tornou já desde que inventado pelos homens, foi passando pelo velho e pelas montanhas, aparentemente mais por ele do que por elas, e o sacrifício de as contornar foi sendo cada vez mais pesado e mais penosa a deslocação a qualquer lugar. Eram quilómetros infindáveis por um carreiro estreito e pedregoso, riscado no chão do monte pelos passos do homem, que semana após semana, mês após mês, ano após ano, traçava a mesma linha de ida e volta e escavava na terra dura uma longuíssima sepultura de cansaço.

Um dia, decidido a mudar o que parecia um destino traçado pelas estrelas, lugar onde, dizem, vive ainda o Altíssimo, santo seja o seu Nome, o velho reuniu a sua família para que, em conjunto, reflectissem sobre tão grave assunto: [Read more…]

Educar para a diversidade

Este é um bocadinho da intervenção do Primeiro-Ministro canadiano (Justin Trudeau) na conferência do Fórum Económico e Mundial de Davos. Vejam como fala da diversidade, não como um estigma ou uma fraqueza, mas pelo contrário como uma das forças desse grande país que é o Canada. Vejam a defesa e o reforço do papel da Escola na promoção dessa diversidade. Comparem com o que vemos acontecer nesta Europa milenar, que todos considerávamos especial, com esta crise de refugiados e migrantes.

A inteligência faz toda a diferença.

Wonderful Life

O cantor britânico Black, autor de êxitos como  Wonderful Life e Sweetest Smile,  morreu ontem aos 53 anos, duas semanas depois de ter tido um acidente rodoviário na Irlanda que o deixou em estado crítico. O seu nome de baptismo era “Colin Vearncombe ” que deixou esta curiosa mensagem publicada na sua página do facebook ” Nunca caminharás sozinho”.

Morreu Glenn Frey

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Há dias em que morrem pessoas que fizeram parte das nossas vidas e dos nossos dias, e que vão continuar a fazer. Morreu Glenn Frey, guitarrista dos Eagles.

À séria

Começou por ser ouvida no mundo comentador, foi ganhando seguidores e hoje encontrei a expressão “à séria” num texto jornalístico.

O projecto Jovem Autarca segue os passos das eleições à séria. [P]

O artigo é sobre uma jovem de 15 anos  que venceu a segunda edição da iniciativa Jovem Autarca, promovida pela Câmara da Feira. Talvez, dado este fundo de juventude, a autora tenha optado por uma linguagem coloquial. Pessoalmente, acho a expressão feia  e tenho pena que vá ganhando terreno, inclusivamente na comunicação escrita.

Paralelamente a esta nota, aproveito para felicitar a jovem Margarida pelo resultado do que me pareceu ser uma campanha com toque profissional.

 

Alan Rickman, a voz

Alan-Rickman-alan-rickman-13116384-2560-1680Para os fãs de Harry Potter, morreu Snape, papel desempenhado por Alan Rickman. Muito antes de se ter celebrizado por andar a dar aulas de magia em Hogwarts, a voz e a presença deste actor deram corpo àquele que é, na minha opinião, o melhor Xerife de Nottingham da História do meu Cinema, mesmo se o filme era, no mínimo, sofrível. Reencontrei-o num teledisco dos Texas, com Rickman a encher a história com um sereníssimo mutismo.

Mais do que as suas qualidades como actor, no entanto, foi a voz que me marcou (a voz perfeita, como pude ler numa ligação encontrada no mural da Carla Romualdo). Timbre, força, serenidade, veludo escuro, a voz de Rickman transforma a de qualquer outro homem num soprano esganiçado. No meu arquivo sonoro, coloco-o na mesma sala das de Richard Burton ou de James Mason.

Ao ouvir o soneto 130 de Shakespeare, fico com a certeza de que o próprio Bardo está, neste momento, a pedir a Alan Rickman que não pare de o recitar. Ouça-se. [Read more…]

Enorme…


Descobri Bowie ainda na adolescência, durante a fase Berlim. Nunca mais deixei de ouvir o camaleão. Deixo aqui a minha homenagem a alguém que nunca cedeu a tendências. Como fã apenas lhe posso dizer obrigado. R.I.P.

Ashes to ashes…