
A frase é do escritor e editor Luiz Pacheco (1925-2008) numa entrevista conduzida por João Paulo Cotrim, quando este lhe perguntou se «a televisão está a matar a literatura – «A televisão não mata nada! A televisão é para estúpidos!», confessando depois, no entanto, que tendo recusado ter televisor até pouco tempo antes, fora «apanhado pelo fascínio do pequeno ecrã» e via tudo (de tudo dizendo mal) – telenovelas, séries, concursos… Groucho Marx (1890-1977), numa frase que já aqui citei, costumava dizer: «Acho a televisão muito educativa – logo que alguém a liga vou para outra sala ler um livro. No fundo, as duas frases dizem a mesma coisa, por palavras e com intensidades diferentes. Ray Bradbury (1920), numa entrevista dada em 25 de Julho ao El País, coloca a mesma questão, da sobrevivência do livro face à concorrência da televisão e, sobretudo, desde há uma década, da Internet e das novas tecnologias da informação em geral. Vamos então tentar saber se, de facto, como disse, com frontal brutalidade, o Pacheco, «a televisão é para estúpidos».
É óbvio que Luiz Pacheco se referia à dependência da televisão que afecta muitas pessoas e não ao meio televisivo em si, um invento notável que, bem utilizado, poderia ser um poderoso instrumento de difusão cultural. Só não o é porque tem sido posto ao serviço de ideologias e de interesses económicos, criando dependências perversas (como todas as dependências) – a Internet, outro meio potencialmente disseminador de cultura e possível eixo estruturante da aprendizagem e do saber acumulado, tem vindo a ser utilizado também para fins criminosos – redes de pedofilia, incluídas – sem que se possa negar os seus benefícios. Sempre que se abre um caminho, seja uma rota marítima ou aérea, seja uma estrada, há sempre piratas e salteadores que saem ao caminho dos viajantes. Não vamos, por esse motivo, deixar de abrir caminhos.
Ficar um dia em frente do televisor, vendo séries, telenovelas, concursos, é, de facto uma estupidez, um atentado contra a vida. A televisão é usada como meio de estupidificação, de criação de uma «ideologia de massas» consonante com os interesses de uma minoria. Um grande exército de agentes está na base dessa «ideologia» – desde os criadores de programas aos criativos das agências de publicidade, por exemplo. As estatísticas que nos informam do tempo que crianças e adultos de diversas faixas etárias passam diariamente em frente dos televisores, são aterradoras. Um inquérito feito em São Paulo, revela que 87% das pessoas com mais de 60 anos vêem televisão durante todo o dia. Uma pesquisa levada a cabo pelo Center for Media Education, dos Estados Unidos, mostra que as crianças de todo o mundo, vêem de três a quatro horas de televisão diária. Para a maioria de crianças e adolescentes (entre os três e os 17 anos) a principal actividade é a televisão. Principalmente para os idosos, a televisão é uma forma de suprir carências afectivas, a solidão provocada pela viuvez, pela morte dos amigos e familiares, causando uma desertificação da sua vida social, etc.
Por outro lado, ao não exigir qualquer esforço das funções cognitivas, limita a imaginação, o que se torna particularmente grave entre os jovens. Nos telespectadores assíduos, reduz a capacidade e a velocidade da leitura, provoca a obesidade, prejudica a postura, tem influência no desempenho sexual (piorando-o), altera o sono, afecta as relações sociais… Resumindo, a tele-dependência é uma patologia com consequências colaterais graves se não for tratada. E não adianta emitir conceitos morais – a televisão, até ser substituída por outro suporte mais apelativo, vai continuar a absorver as atenções de todos, crianças e adultos. È um mal iniludível. Transformar um mal numa coisa boa nem sempre é impossível. Neste caso, tratava-se de aproveitar o sortilégio da TV para educar, ensinar e divertir, claro. Não deixando de incentivar os telespectadores a viverem a vida que acontece para lá da janela do pequeno ecrã.
Contudo, o objectivo de quem controla esse e outros meios não é criar programas de boa qualidade – é engendrar programas «apelativos» – redes que apanhem os otários distraídos. Como, há alguns anos, me disse ironicamente Mr. Hugh House, alto responsável da BBC, queixando-me eu da má qualidade da televisão em Portugal, a função da televisão é, precisamente, não ter qualidade. Quando João Paulo Cotrim pergunta a Pacheco se a Televisão não matará o livro, está a citar a frase de Victor Hugo a que já aludi noutra crónica – «ceci tuera cela» – isto matará aquilo – referindo-se ao livro impresso, ao invento de Gutenberg, que mataria a arte gótica, a arquitectura, a escultura, a iluminura, a glosa medieval, como forma de comunicar com as massas. Foi uma preocupação do final do século XV que, como se viu, era infundada – o livro, a arquitectura, a escultura, conviveram pacificamente até hoje.
Numa entrevista ao El País que já aqui referi, Ray Bradbury, foi aos arames quando lhe falaram no Kindle – «Isso não são livros. Os livros apenas têm dois cheiros: o cheiro a novo, que é bom, e o cheiro a livro usado, que é ainda melhor.» Como muitos de vós sabeis, o Kindle é um pequeno equipamento criado pela Amazon, uma empresa norte-americana, com a função principal de ler livros digitais ( e-books), podendo armazenar cerca de 1500 livros, podendo arquivar música (no formato MP3), actualizar páginas da Internet, entre outras funções. Isto sem que se possa aduzir o velho argumento (a favor da sobrevivência do livro) de que «não se pode levar um computador para a cama» – o Kindle tem um tamanho semelhante ao de um livro e um peso também equivalente. Recentemente, em Maio deste ano, foi lançado o Kindle DX, com um display de 24,6 cm na diagonal, uma vez e meia maior do que a versão standard, e que permite ler jornais e aceder aos formatos PDF, MP3 e TXT. Eu não seria tão radical quanto Bradbury na recusa liminar desta inovação. Também pertenço a uma geração que tem uma forte relação afectiva com o livro tradicional – o cheiro do papel novo, da tinta acabada de secar, a volúpia com que se examina a textura mais rugosa ou mais calandrada das páginas, o vício de tentar avaliar a gramagem, esfregando a folha entre o polegar e o indicador, a análise atenta do grafismo, a busca das gralhas, o odor dos livros usados… Não se pode, à partida, no entanto, recusar uma invenção que evitaria o derrube de florestas inteiras e permitiria sem ocupação de espaço aceder a enormes bibliotecas. Sobretudo para obras de referência, para livros de estudo. O Kindle, e os suportes que lhe sucederem, não matarão o livro – antes o perpetuarão com outra forma. Não haverá tão cedo Kindle que possa substituir o requinte de, por exemplo, uma edição de arte. Haverá sempre quem não dispense os livros em papel alinhados em estantes – os «loucos dos livros», de que, há 500 anos, nos falava o alsaciano Sebastian Brant na sua «Stultifera navis».
A televisão não é para estúpidos. A televisão foi um invento brilhante, mas é, muitas vezes, controlada por estúpidos, por sua vez manipulados por bandalhos espertos e codiciosos que nos querem estupidificar (e, segundo as estatísticas, estão a conseguir). O inteligente escritor e editor Luiz Pacheco era isto que, por certo, queria dizer.
Apontamentos & desapontamentos: A televisão é para estúpidos (sobre a tele-dependência)
Borradinho de medo
Tem algum sentido que não haja um ciclo de debates entre, no mínimo, os dirigentes dos partidos parlamentares? Que numa campanha eleitoral Sócrates se confronte uma única vez com os seus principais adversários, num debate a cinco que todos já sabemos ser mais ruído que debate?
Tem:
José Sócrates aceita participar em três debates televisivos: dois frente-a-frente com a líder do PSD, Manuel Ferreira Leite, e um debate alargado com os presidentes dos cinco partidos com representação parlamentar, anunciou hoje fonte socialista.
Quando se está borradinho de medo pela ameaça de ter de enfrentar os adversários em debates a dois. Quando se tenta fazer passar a mensagem de que em Portugal só dois partidos é que contam. Quando se sabe que debates com Manuela Ferreira Leite até podiam ser à dúzia porque nesses joga em casa.
É o rotativismo no seu pior.
Prato do dia: hoje há comunas, ontem havia parceiros
Como é possível que alguém, que manifesta uma tal alergia ao comunismo e a alguns dos seus supostos continuadores, seja capaz de ter participado numa coligação com comunistas “a sério”.
Assim, ou Tomás Vasques participava, debaixo da capa de um anti-comunismo militante, na “sovietização” da cidade de Lisboa ou de forma encapotava contribuía para a ruptura daquela aliança, tudo fazendo para que João Soares perdesse as eleições para Santana Lopes, como de facto aconteceu ou, a hipótese mais verosímil, andava a fazer pela vida, ele e a sua mulher, vereadora do urbanismo de João Soares, como alguns zunzuns que na altura foram publicados na imprensa deixavam antever (ver aqui, aqui e aqui).
Jorge Nascimento Fernandes no Trix-Nitrix, sublinhados da casa.
Sopa do Dia: conceptualizar algo
Quanto aos abusos da Casterman, não sei, não são do “Alerta Laranja” e o SIMpleX é um “medley” de muitas mentes.
Sei, que como art-director, pago os direitos de imagem(e paguei pela laranja) para a poder utilizar.
Tenho o cuidado de não ser vulgar, não pretendo ter graça, apenas conceptualizar algo.
E por mais que ache estranho, não sou, nem vou votar PS…
Abraços
Comentário de João Coisas, pelos vistos art director do Alerta Laranja e mente participante nesse medley que é o Simplex, no Cinco Dias
Apontamentos & desapontamentos: Tele-disparates
Konrad Lorenz, o grande naturalista austríaco (1903-1989), prémio Nobel para a Medicina em 1973, criou o conceito do imprinting, que em castelhano se traduziu por «impronta», mas que entre nós se tem preferido deixar em inglês, já que uma tradução literal – estampagem, cunhagem, gravação – podia dar lugar a uma distorção do conceito científico. O que é o imprinting? Estudando o comportamento dos gansos recém-saídos da casca, Lorenz verificou que eles aprendem a seguir a mãe, mesmo que seja uma falsa mãe, um ser humano, outro animal ou mesmo um objecto, copiando-lhe o comportamento. Sugiro que o amigo Adão Cruz, com a experiência clínica e a bagagem científica de que dispõe, um dia destes, nos dê uma lição de Etologia, até porque, segundo julgo saber, a disciplina procura sobretudo explicar a raiz da agressividade. Num tempo de agressividades múltiplas e de agressivos fundamentalismos, seria útil compreendermos os mecanismos desse comportamento que, à primeira vista, é, do ponto de vista humano, irracional e autodestrutivo. Deixo a sugestão e volto ao tema inicial. Saído da casca, o meu primeiro emprego «a sério» foi na RTP. Por isso, talvez, à luz do conceito etológico do Lorenz, me tenha ficado dos longínquos dois anos em que lá trabalhei o hábito de preferir o canal de serviço público aos outros dois que surgiram muito posteriormente. Confesso que raramente ligo para a SIC (embora o canal de Notícias, não seja mau) e, por razões que me dispenso de explicar, quase nunca para a TVI. Vejo diariamente os serviços informativos da RTP, o «Jornal da Tarde» emitido do Porto e o «Telejornal». Imprinting? Talvez. Na realidade, não sendo grande consumidor de televisão, mesmo quando não presta e me desaponta – ou seja, quase sempre – a RTP é o «meu canal». Vou dar-vos conta de alguns dos meus desapontamentos.
Vou apenas abordar pormenores. As coisas transcendentes não são para aqui chamadas, Um amigo que leu um desses meus textos sobre a democracia, disse-me uma coisa muito sábia – entre o que se tem e o que se idealiza é preciso criar degraus, porque se deixamos um abismo intransponível entre realidade e sonho nem as asas da imaginação de quem lê o consegue por vezes transpor. E as pernas da realidade muito menos. Mutatis mutandis, entre o canal de serviço público que temos e o que gostávamos de ter, a diferença é abismal. Por isso, vou falar de pormenores, ou seja de alguns dos modestos degraus que poderiam conduzir a RTP ao patamar satisfatório que merecíamos ter, se o soubéssemos exigir, num serviço público de televisão.
Por exemplo, no que se refere ao «Jornal da Tarde», lamento os critérios de um alinhamento que muitas vezes privilegia notícias regionais sem grande relevância, deixando para o fim acontecimentos mais importantes da actualidade nacional ou internacional. Não seria preferível a RTP ter mais dois ou três canais regionais onde se desse uma informação local completa e minuciosa (como o da Madeira e o dos Açores e como acontece com a descentralizada TVE)? Assim, embora se compreenda perfeitamente a necessidade de dar, num palco com audiência nacional, protagonismo à região Norte, esse desiderato resulta muitas vezes em mau jornalismo – o que diríamos de um jornal que trouxesse na primeira página um vulgar acidente de viação ocorrido na cidade onde o periódico se edite e nas páginas interiores a notícia de um terramoto na China, ou de um descarrilamento na Índia, com centenas de mortos? Outra deficiência, esta comum a todos os serviços informativos da RTP, é a sua exagerada extensão, incluindo numerosas peças temáticas, com maior ou menor interesse, mas que não têm a ver com o tipo de informação que se espera. Os serviços da RAI, por exemplo, são modelares, pois em meia hora dizem tudo o que de importante se passou no mundo e no país. Na RTP (e nos outros canais generalistas) existe a peregrina ideia de que um serviço informativo é «uma espécie de magazine».
Dá-se demasiada importância ao futebol. Não é invulgar os serviços abrirem com um flash de um jogo o que me leva logo a pensar: «hoje não aconteceu nada de importante». E às vezes nem é verdade. Outra coisa que não percebo é a razão por que se gasta tanto dinheiro em tele-tontice, pagando a «cantores populares» que nos despejam em cima o seu analfabetismo e a sua mentalidade pornográfica servidos sob uma suposta forma musical. É puro lixo, que serve para preencher programas como a Praça da Alegria, Portugal no Coração, e quejandos, verdadeiros hinos à imbecilidade (salvo uma ou outra entrevista que teria interesse se o Jorge Gabriel e a Sónia Araújo fossem capazes de as fazer). Se tiverem paciência, deliciem-se com o vídeo de cima, apreciem a subtileza do poema e a qualidade da frase melódica repetida até à exaustão…
É nestas indescritíveis porcarias que o dinheiro dos nossos impostos é gasto?
Registo aqui também aquele tique anedótico dos jovens profissionais que, depois de termos escutado uma personalidade discorrer sobre qualquer assunto da sua área de actividade, nos «explicam», como se estivessem a fazer uma tradução do chinês, as mais das vezes em linguagem confusa e demorada, aquilo que, por vezes, a pessoa disse de forma escorreita e ágil. Como fazem todos os mesmo, penso que será lição (mal) aprendida nos cursos de jornalismo onde lhes devem ter dito para encerrar cada entrevista com uma breve síntese do que o entrevistado disse.
Claro, eu disse atrás que não percebia porque é que se gastava o dinheiro dos contribuintes em lixo, mas até percebo perfeitamente. A RTP está na guerra das audiências com a TVI e com a SIC e para isso precisa de ir abastecendo o seu tele-contentor. O serviço público de televisão não deveria entrar nessa competição, nem deveria passar publicidade. Em suma, não deveria competir em nada com os outros canais generalistas. Informar, formar, divertir educando… Mesmo correndo o risco de perder telespectadores. Mantê-los servindo-lhes programas que competem em estupidez com a «concorrência», não é prestar um serviço público. Era preciso mudar totalmente a filosofia da estação. Mas isso é entrar no campo das coisas impossíveis, dos sonhos, das transformações megalómanas e eu hoje só vim falar de pormenores. É abrir o tal abismo intransponível entre o que existe e o que deveria existir.
Uma última nota, agora para outra secção – a das tele-calinadas. José Rodrigues dos Santos, além de um bom profissional, é um escritor de sucesso, professor da Universidade Nova de Lisboa e um dos pilares da informação do serviço público de televisão. Tem uma responsabilidade intelectual tripla de, tanto quanto lhe seja possível, respeitar a língua portuguesa. Os seus erros de português não são aceitáveis. Tanto mais que, estou convencido de que os comete por teimosia. Quando digo teimosia é isso mesmo que quero dizer. Teimosia e arrogância, pois não acredito que nunca lhe tenham chamado a atenção para dois erros que repete há anos como se estivesse acima das regras que regem a língua portuguesa. Diz Ter a haver quando o que pretende dizer é ter a ver. Outra calinada do Zé: Ir de encontro, quando o que quer dizer é ir ao encontro. Dispenso-vos da lição de português. Todos sabemos o que cada uma destas quatro expressões significam. E não creio que Rodrigues dos Santos o não saiba. Outro erro que comete, imperdoável para quem estudou em Londres e foi correspondente da CNN, é a sua pronúncia da palavra rugby – ele diz
r
eigbi. Bem sei que muita gente diz assim, incluindo alguns dos jogadores da selecção de râguebi. Mas isso não é desculpa. Porém, apesar do ter a haver, do ir de encontro e do reigbi, o José Rodrigues dos Santos é um dos grandes profissionais da minha RTP.
Paquete de Oliveira, provedor do telespectador, continua no seu estilo tímido e soletrante, a dar vazão a alguns reparos que lhe chegam sobre a programação do serviço público de televisão. Já tenho ouvido críticas, dúvidas ou sugestões pertinentes, mas nunca dei conta de o caminho da RTP ter sido alterado num milímetro que fosse em função desses reparos. Talvez a ideia seja mesmo essa – dar espaço às pessoas para protestarem, mas não ligar a mínima importância ao que dizem – uma espécie de «deixa-os lá falar!».
A Zezinha vai sair a gritar
A Maria José Nogueira Pinto é um caso sério de coerência. Está pronta
a trabalhar com quem lhe dá trabalho e quem é que a pode levar a mal?
Já passou por tudo quanto é sítio de nomeação, pela mão do CDS, do
PSD, do PS! Agora, apoia o PS na pessoas do António Costa e consta nas
listas do PSD. Tudo claro como a água doce, embora não se perceba
porque sai sempre dos lugares (de nomeação) aos gritos com tudo e
todos!
Ou não lhe reconhecem capacidades e demitem-na, ou não lhe renovam os
mandatos, mas a verdade é que sai sempre zangada com toda a gente. Mas
isso dura no máximo 3 mesitos que é o tempo necessário para recuperar
energias e dar uns passeios retemperadores. Com uns textos nos
jornais, uns convites para faladuras na rádio e nas Tvs, a Zézinha
volta na maior.
E aí a temos novamente. Há sempre gente capaz de se sacrificar pelo
serviço público!
Finalmente explicada a história do filho da puta, ou o professor e o aluno
«João Constâncio, um malabarista do malsão equilíbrio Maçonaria/Opus Dei, que gangrenou a Universidade Nova, e que lá está por ser filho de quem é, lá terá de dar o doutoramento ao Sr. Galamba, CNO, ou afim. Parece que o preço foi chamar “filho da puta” ao outro. Cosa poca…» (Arrebenta)
Que é como quem diz, o aluno João Galamba chama filho da puta a quem se atreve a criticar o seu orientador João Constâncio. E nós a pensarmos que era por pura amizade…
E já agora, alguém me diz se o João Galamba que aparece a defender a Juventude Comunista da República Checa aqui é o nosso João Galamba?
Há coisas fantásticas, não há?
Sporting – Fiorentina

Quando joga com equipas italianas, o Sporting raramente ganha. Desenvolve um bom futebol, cria oportunidades mas não chega lá.
Contra a Fiorentina, voltou a acontecer o mesmo. Podia ter ganho à vontade, mas acabou com um mau resultado devido a infantilidades inacreditáveis (como aquela de tirar a camisola para festejar um golo), algum azar e a ajuda do árbitro. Deve ser esta a ética e a verdade desportiva defendida pela UEFA de Platini – o mesmo que queria tirar o FC do Porto da Liga dos Campeões e acabou por amochar depois de chamado à razão.
Ou muito me engano, ou, desta vez, o Sporting não vai mesmo à fase de grupos. Lá se vão os mihões. E lá se vai o Paulo Bento, que anda há cinco anos a preparar uma equipa. Como disse no último «post» que escrevi sobre o Sporting, este ano Paulo Bento Cai Cedo…
tarde de Agosto
Há um instante, quando os dias ainda são longos e o sol escalda e Agosto parece interminável, em que uma rajada de vento sopra com violência inesperada, os ramos dos salgueiros agitam-se e murmuram uma queixa, um arrepio estremece-nos, e percebemos que é o fim do Verão que se anuncia.
Poderão ainda as tardes de calor suceder-se, o rio continuar a chamar-nos com a sua calmaria cálida, mas já conhecemos o segredo do fim das coisas e esse saber não nos amargura nem entristece.
As crianças saem da água a tiritar, as mães apressam-se a cobrir-lhes os ombros com toalhas, passam-lhe para as mãos o pão com fiambre e o leite achocolatado, tudo é igual ao que era há vinte anos, e sabemos que a seguir virá Setembro com a sua melancolia, o mês dos regressos e das despedidas, o mais belo de todos.
Deixamos as margens do rio, de regresso à vila, e caem as primeiras gotas, grossas e frias, um bálsamo após a tarde abrasadora. A terra húmida perfuma o ar da tarde e o mundo respira placidamente. Por instantes podemos fechar os olhos e acreditar que uma secreta harmonia se estende a todas as coisas.
Mapa Mundi Imperial, Agosto 2009
Se o império americano levantasse um dedo nas Honduras havia um desgolpe de estado.

Se o império chinês mexesse um dedo, Aung San Suu Kyi era despresa.
Judas i pedofiia
Com amigos destes o PS não precisa de inimigos. O Judas no i não está com meias e vá de assassinar a eito!
Ninguem me recebeu no PS nem quis falar comigo, ao contrário do que se passou com quem foi acusado de pedofilia, que até foi recebido na Assembleia da República, digo eu, tal é a mensagem clarinha de primeira página.
Isto é de uma gravidade extrema e leva a pensar que quando o PS ou alguém pelo PS vem com remoques acerca do Preto e da mala cheia de dinheiro, devia era estar calado. Pelos casos que correm na Justiça e fora dela acerca de gente do PS é dificil perceber que não contem com gente da própria casa para lhes fazerem a folha.
Pois se uns são abandonados à sua sorte enquanto outros são defendidos com evidente prejuízo para o partido, têm a lata de falar da palha no olho do adversário e não vêem a trave no seu próprio olho? O Moita Flores está muito zangado e vai sair ou não sai mas vai votar pelo PS? Muito bem, levas com o Judas dois dias depois!
É que o PS nao pode estar à espera que na campanha estas questões não venham a lume, o que faz pensar que vai ser lindo!
Judas diz que os casos em que está envolvida gente importante não dão em nada, quem manda são os banqueiros e os industriais, os políticos fazem-lhes os fretes. Mas eles é que são os grandes senhores do sistema. Diz mais, que com Sócrates não há coligações, que teria de ser com Costa a aproximação ao PSD. A tendência geral será um maior protagonismo do Presidente Cavaco Silva, a tentação de uma V República Francesa como Catroga já adiantou.
Governos cada vez mais fracos, com gente sob suspeita que tem que mexer cordelinhos para se manter em funções, deixam o poder cada vez mais nas mãos dos de sempre. Os grandes Grupos económicos que se pelam pelas grandes obras públicas e as grandes empresas públicas em monopólio ou em cartel, e que fazem o que querem, agora em grande parte nas mãos do capital internacional e que dirigem o investimento para o exterior em vez de o aplicarem cá dentro.
Como pode o país viver com 500 000 desempregados apoiados pela Segurana Social os próximos anos, se ninguém pensa em medidas estruturais? Onde está a capacidade de criar riqueza e exportar?
Com a clase dominante que temos, do ponto de vista empresarial, a desgraça vai continuar.
É com esta classe empresarial que Sócrates tem governado, com os milhões que enterrou nos bancos e a preparar-se para desgraçar o país com os Megainvestimentos (esta digo eu!)
Para a Conchichina

O MMS (Movimento Mérito e Sociedade) apresentou, nos últimos dias, um cartaz em que mandava os actuais líderes políticos para a Conchichina.
Parabéns MMS!
Finalmente alguém pensa como eu.
Penso que todos os portugueses estam FARTOS dos já tradicionais, líderes políticos pois estes não apresentam ideias novas.
Mandá-los para a Conchichina… coitados dos conchichinenses.
Eu vou mais longe: Mandem-nos para um planeta que não seja habitado…
Já agora que seja uma viagem só de ida.
A Guerra das Salamandras
O injustamente esquecido Karel Capek, romancista e dramaturgo checo mais conhecido pelos seus romances de ficção científica e por ter sido o criador do termo “robot”, escreveu “A Guerra das Salamandras” em 1936. Em plena ascensão do nazismo, e no ano em que tinha início a sangrenta guerra civil de Espanha, Capek descreve-nos os acontecimentos que rodeiam a descoberta de uma nova espécie de salamandra, dotada de capacidades tão surpreendentes quanto a de aprender a falar em diversos idiomas, ou construir obras de engenharia que em muito superam aquilo de que a humanidade é capaz. O passo seguinte é explorar as suas capacidades, escravizá-las e montar um negócio mundial que rentabilize os dotes do bicho. As salamandras, pacíficas e obedientes, multiplicam-se, adquirem mais capacidades, conhecem a humanidade e, um dia, respondem a uma agressão. Começa assim uma nova etapa da história das salamandras, que trará terríveis consequências. Nas vésperas da eclosão da II Guerra Mundial, Karel Capek era o terceiro nome da lista da Gestapo na qual se enumeravam as pessoas a prender assim que Praga fosse ocupada. Capek não chegou a ver esse dia, morreu no Natal de 1938. O seu irmão, de quem era muito próximo, e que era também um dos nomes cimeiros na mesma lista, viria a morrer no campo de concentração de Bergen-Belsen, quase no final da guerra. Deliciosamente irónico, mordaz e apaixonante, A Guerra das Salamandras transfigura o negro ambiente que precedeu a eclosão da II Guerra Mundial, e a tenebrosa ascensão do nazismo, criando uma poderosa metáfora dos efeitos da desumanização. A reedição é recente e vem contribuir para dar a conhecer a novos leitores a interessantíssima literatura checa, que está longe de se cingir a Kafka.
Recordações da Casa Amarela
Por falar em privacidade, janelas, encarnado, verde, ética, princípios, fins, meios, termino com a abertura. Ainda é o melhor filme português de sempre, e se-lo-á até que A Ministra (novela) seja transposta para cinema.
Presidência suspeita de estar a ser vigiada pelo governo
A capa do Público para hoje.
Estou sem palavras!
No Twitter não se fala de outra coisa, mas na comunicação social mais convencional, até ver quase nada.
Será uma brincadeira de 1 de Abril?
É que é uma BOMBA atómica de gravidade tal que até custa a acreditar.
Haverá um antes e um após 18 de Agosto de 2009.
A Ministra mora na Av. de Roma… isto é para não lhe chamar outra coisa!
Não percebi. E gostava que me explicasses, Carlos Vidal, a mim e à senhora cujo pé tanto foge para a chinela.
Será que é mais grave eu mostrar a casa da Ministra do que chamar-lhe filha da puta?
Está tudo louco?
Acedo ao Facebook da minha empresa, e vejo que um dos nossos amigos acaba de realizar o teste “que tipo de cocó és tu?”, tendo obtido como resposta: “tipo 4 – Como uma salsicha ou serpente, suave e mole”. Nunca mais se olha da mesma maneira para alguém depois de saber que ela é do tipo 4, pois não?
Professores Titulares
O movimento de luta dos professores nos últimos anos tem sido algo absolutamente fantástico mas, nem por isso, o governo parece aprender.
Vejamos o site da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação: DGRHE…
Vamos passar à frente aquela ideia que boa parte dos tugas continua a ter sobre os professores – aquela dos 3 meses de férias. Estão todos de acordo que pelo menos em Agosto temos direito a férias, certo?
Pois bem, em pleno dia 17 do oitavo mês o Ministério informa as escolas e os professores de que podem iniciar o processo de candidatura a Professor Titular.
Os menos atentos certamente deverão lembrar-se de que esta trapalhada da divisão da carreira tem sido uma das bandeiras da luta dos professores e isso acontece fundamentalmente por dois motivos:
– é uma divisão desnecessária e injustificável à luz das actividades escolares – na nossa profissão só há uma função do primeiro ao último dia: dar aulas. Logo, não se justifica qualquer divisão.
– a forma como decorreu o primeiro concurso foi um absurdo, permitindo injustiças já reconhecidas pela Ministra.
Dito isto, o ME tenta agora lançar uma OPA sobre os professores.
É importante gritar bem alto a todos os possíveis candidatos (15 anos de serviço): isto é pouco mais do que uma mentira, porque entre poder concorrer e entrar vai uma distância maior do que a do BENFICA vir a ser campeão. Em nenhum lado o ME se atreverá a lançar vagas REAIS antes das eleições – avança apenas com um processo burocrático procurando comprar o nosso voto nas eleições que se seguem.
Eu por mim farei assim:
1- hoje reclamo, amanhã votarei.
2- Subscrevo a sugestão do Paulo Guinote – vamos todos apresentar candidatura e vamos desta vez, SIM, tentar provar como isto é absolutamente impossível de implementar.
Vamos a isso!
Cartazes das autárquicas (Stª Mª Feira, Aveiro)
Os Miseráveis
Se vivesse no Portugal do século XXI, em alternativa à França do Século XIX, Victor Hugo teria muito material humano para trabalhar aquele que seria, por certo, um grande clássico.
Na SIC, esta noite, o fiscalista Diogo Leite Castro declarou que uma pessoa que tem um vencimento de cinco mil euros é um remediado. Já quem ganha mil euros mensais é um miserável. Até pode ter razão, mas a realidade é que uma parte gigantesca da população nacional tem vencimentos até esse montante. Logo, há um oceano de miseráveis e uma pequena bacia de milionários.
No entanto, sejamos realistas: não vale a pena acabar com os ricos. O que importa é acabar com os pobres.
Um piqueno problema…
… Chamado coerência!
Aqui pelo Porto há quem use expressões do tipo “Coluna vertical”, “tomates no sítio”. Quando alguém tem a capacidade de recusar um tacho a troco da sua dignidade.
Há outros provérbios do tipo “Cão que não conhece o dono”.
Mas, tudo isto é nada a troco de tudo, não é?
Sabemos todos que os partidos são um problema, quase sempre mais parte deste do que da solução. Sabemos todos que ninguém está preso a nada, nem a ninguém.
Mas, o que leva um fundador do BE a mostrar surpresa pelo partido que ajudou a fundar, manter a linha de rumo por si “construída” e nunca criticada?
S.L.Benfica – Futaventar #1
“Aí está a retoma!”
(Foto do Jornal “A Bola”)Sócrates e Antero Henriques (AH) estão na mesma onda!
Para um 153 000 desempregados corresponde ao alcançar de um objectivo e um excelente sinal da economia lusa, para outro as não vitórias do Maior Clube do Mundo correspondem a um facto – não sabe ganhar em Democracia. Nem mais!
E ontem 54113 tiveram oportunidade de ver a retoma on tour, mais conhecida por Dias, A.S..
A retoma entrou cedo em campo com uma bola a bater na mão do David, visão categórica de A.H. como sinal da ditadura que se vive no clube da luz. Logo, sem margem para qualquer certeza, ASD aponta para a marca de penalty. Talvez por ter sido com a mão direita valeu penalty, mais tarde, por ter sido na esquerda não valeu – na área do marítimo uma mão não deu penalty: verdade que um não chegou porque o Cardozo resolveu dar uma de Sportinguista e falhou uma penalidade.
Quanto ao resto foi uma batalha dura entre o povo que luta diariamente para vencer um crise real e uma governação que apresenta a retoma há anos – fechadinhos lá trás, vestidos com as cores da Madeira, encostaram o paquete em frente à baliza. Depois, devagar e devagarinho lá foram indo… Nunca sairam do Porto, por isso nunca chegaram a bom porto ainda que a retoma azul e branca. Ups… Desculpem. A retoma rosa tenha tentado.
Nesta campeonato muito particular da retoma sim ou não, está visto que do lado do glorioso, só podemos confirmar: a retoma está aí. Já nos levaram dois pontos.
Até Guimarães.
Nota:meu caro Miguel, não sou de pressas – e, sim, concordo contigo – esse jovem da foto foi o melhor do Benfica ontem.
Cartazes para as Autárquicas (Matosinhos)
Guilherme Pinto (actual Presidente), PS, Matosinhos.
A quota da Fernanda Câncio*
Com aquela escrita meio “tem-te não tem-te ” como se fosse a cada palavra descobrir a origem do Universo e logo a seguir desaguar num mar de lugares comuns, o Director do “Sol” escreve sobre a não recondução do Prof. Lobo Antunes para membro da Comissão para a Ética e para a Vida.
E, após umas dicas de senso comum à volta de quem teria tido influência junto do Primeiro Ministro para que este tomasse tal decisão, encontra a resposta em quem está ali mais á mão. Pois a namorada de José Socrates não é a campeã das causas fracturantes e não terá o Prof. escrito um relatório contra o Testamento Vital?
E, záz, aí está a razão clarinha como a água doce. Não entras!, manda a Fernandinha…
Eu, por acaso, que não tenho o “olho de falcão” do Sr. Director, andava às voltas com uma questão bem mais preocupante.
Então, não é, que para além das quotas das sensibilidades, das distritais e da “dos nacionais” o PS tambem tem a quota da Fernanda? Na constituição das listas a deputados do PS! Muito mais evidente que o raciocínio do Sr. Arquitecto. Um grupo de bloggers sai do “5 dias” e forma a “Jugular” que por sua vez se transforma no “Simplex”, onde deixam de estar envergonhados e fazem às claras o que sempre negaram. O apoio “à outrance” do Governo, do PS e de Sócrates! E não é que um desses bloggers já está em terceiro lugar na lista do PS por Vila Franca de Xira, justamente a terra natal da Fernanda Câncio? E esta hem?
Parabéns João Galamba, foi rápido, não deu aquele trabalho “filho da puta” das Jotas nem do aparelho e é pela mão de quem manda!
* corrigido.
Francisco Leite Monteiro – Os preços dos combustíveis rodoviários
Preços estão empolados em 20% como se constata, por opção do Governo, que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado
O comunicado da GALP de 11 de Agosto, proclama o esclarecimento da opinião pública, aparentemente em defesa da Autoridade da Concorrência, a entidade reguladora que, segundo o Prof. António Costa Silva, pouco ou mal regulará o mercado dos combustíveis, deixando tudo na mesma ou pior. O comunicado traz à mente, pela negativa, a velha máxima britânica “make a long story short”, por assim dizer procurando explicar o inexplicável e, a partir de pouco mais de nada, quiçá habilmente evitando a factualidade, converte uma “short story” numa arengada exaustiva nada clarificadora.
De qualquer modo, já ninguém terá grandes dúvidas – pelo menos desde 2005, coincidindo com a entrada em funções do actual governo – sobre a realidade do que é o mercado dos combustíveis em Portugal, tema de que me ocupei em “O Imbróglio dos Combustíveis” (DN de 17 de Janeiro passado) e que também abordava alguns dos pontos focados no comunicado.
Deve pois recordar-se, tomando os valores indicados pela GALP no que se refere ao peso dos impostos relativamente ao preço final de venda ao público dos combustíveis rodoviários, assim como o peso da matéria-prima, o “crude”, também em termos relativos; e, evidentemente, o preço do próprio “crude”, o “crude brent” que serve de referência para a formação dos preços para, não indo muito mais longe, reabrir o processo sem esquecer a necessidade de ponderar a variação da cotação do euro vs. dólar americano. Como elementos “chave” que são e o facto de o pico do preço do “crude”, como refere o comunicado da GALP, ter ocorrido em 11 de Julho do ano passado – 147 dólares por barril – importa não limitar a análise apenas aos últimos 12 meses, já que a actual crise começou bastante antes.
Ora, no início de 2005, após a chamada “liberalização do mercado de combustíveis”, o preço médio do “crude”, situava-se ao nível dos 40 dólares e a cotação do euro versus o dólar estava ligeiramente acima de 1,30. Curiosamente, no início do ano em curso, após todas as flutuações que se verificaram, os valores, quer em relação ao preço médio do “crude”, quer à cotação do euro versus o dólar, tornaram a ser praticamente equiparáveis aos de há quatro anos. Presentemente, o preço médio do “crude” ronda os 70 dólares e o euro vale cerca de 1,40 dólares, cabendo ainda salientar que o euro chegou a valer 1,60 dólares, quando o preço do “crude”, em Julho de 2008, atingiu o tal pico, que refere o comunicado.
Para não tornar demasiado fastidioso, tendo presente as variações que ocorreram neste mercado, em linhas muito gerais, pode resumir-se:
· no início de 2005 o preço do “crude” situava-se ao nível dos 40 dólares por barril, o euro valia 1,30 dólares e o preço por litro de venda ao público era, para a gasolina 95, cerca de 1 euro e, para o gasóleo, 80 cêntimos;
· em Julho de 2008 com o preço do “crude” nos 147 dólares, o euro chegou a valer 1,60 dólares, a gasolina 95 atingia o preço de €1,50 e o gasóleo €1,43;
· presentemente, com o “crude” próximo dos 70 dólares e o euro a valer 1,40 dólares, a gasolina 95 é vendida a pouco mais de €1,30 e o gasóleo está acima de €1,07.
Nestas condições, a partir de uma análise prática, tendo em consideração os indicadores de início de 2005 (preço do “crude”, cotação do dólar e preços de venda ao público) bem como o peso relativo dos impostos (62% no caso da gasolina e 53% no caso do gasóleo, conforme o comunicado da GALP) o preço da gasolina 95 deveria agora situar-se ao nível de € 1,10 e o do gasóleo de € 0,90. A verdade é outra e os preços estão empolados em cerca de 20% como se constata, por opção do governo que terá aproveitado para reforçar os cofres do Estado, aumentando a receita fiscal em dezenas de milhões de euros – no conjunto do ISP e IVA – ao longo dos últimos 4 anos que dura a crise, à custa da sobrecarga para o consumidor. Impõe-se como tal reavaliar rigorosamente toda a situação, incluindo a actuação da Autoridade da Concorrência – um desafio ao governo, em nome do interesse público.
Publicado também no Diário de Notícias
O poder Ditatorial do FC Porto e a noite
Alguém se surpreende com este tipo de acontecimentos?
Há muitos anos que todos sabem a enorme influência- em tempos total – que os Homens fortes do Porto tinham sobre a noite e o poder que isso lhes conferia perante os jogadores, jovens habituados às coisas boas da noite. Sou do tempo, em miúdo de ver craques do Porto – Oliveira, Gomes – até altas horas num café de Rio Tinto no dia anterior aos jogos. Está publicado em livro e é voz corrente na invicta que a entrada do Pinto da Costa mudou isto tudo e o braço armado criado foi crucial para esta estratégia de dominar tudo e todos – de jogadores a árbitros, a dirigentes de outros clubes. O Braço Armado são os Super que controlam e atemorizam “tudo o que mexe” – estão para quem se mete com o FCP como o cotovelo do Bruno Alves para os seus adversários.
A forma como a Direcção do Porto tolera a “autonomia” dos Super é algo questionável e permitiu a criação de um grupo dirigente com muito dinheiro que vive da venda de bilhetes, de roupa e de outros negócios…
E depois, tudo isto tem acontecimentos muito curiosos, onde quase sempre, alguém que se atreve a mexer no lodo, leva! Simples… A ideia vai passando, vai fazendo escola e depois qual é a solução – comer e calar!
O Porto tem os melhores jogadores, melhores treinadores, melhores dirigentes, ganha mais, etc… e tal. Mas, uma e outra coisa não são por acaso nem mera coincidência. Até aposto que o Adriano vai aparecer que gosta muito do Porto, que o Pinto da Costa e a Direcção do Porto sempre o apoiaram muito e que afinal a agressão não aconteceu – ele caiu na casa-de-banho.
Leitor do Aventar, Nuno Miguel Silva
Os pimentos padrón de Goian

Goyán, ou Goian para os galegos, como fazem questão de mostrar nas placas toponímicas, é uma pequena vila fronteiriça, separada de Portugal pelo rio Minho. Do lado de lá da fronteira, fica Vila Nova de Cerveira. Antigamente, a ligação fazia-se através de «ferry-boat», substituído há uns anos por uma ponte construída a norte da vila e junto à freguesia de Lovelhe. Quanto ao «ferry», que ligava as duas margens em dois minutos de muita magia, está transformado num bar sem grande interesse.
Para chegar a Goian, atravessa-se a ponte e vira-se à esquerda, na direcção de A Guarda (La Guardia). Um quilómetro depois, vira-se no primeiro cruzamento e segue-se sempre em frente até ao local onde ancorava o «ferry-boat», junto ao rio. Virando à direita, já a pé, e andando cerca de cem metros, encontramos uma humilde esplanada que só funciona nos meses de Verão. Pedimos uma canha, um prato de pimentos Padrón e começamos a desfrutar da beleza e calmaria do rio Minho e, do lado de lá da fronteira, do panorama magnífico de Vila Nova de Cerveira.
Poucos minutos depois, o olfacto já não engana: o cheiro do azeite a fritar os pimentos, cobertos por uma fina camada de sal grosso, prenuncia algo de delicioso. Devem ser os melhores pimentos Padrón do mundo, porque são comprados no sítio onde são produzidos, Herbon, aldeia vizinha de Padrón, a cerca de cem quilómetros de Goian.
Manda a tradição que os convivas se juntem a comer os pimentitos e que o primeiro que encontrar um picante pague a conta. Porque os pimentos Padrón, diz o povo, «unos pican y otros non». Se forem apanhados no momento certo, é difícil sairem picantes. Se forem pimentos Padrón de Marrocos, comprados no Pingo Doce, já é mais provável… Seja como for, aconselha-se sempre a ter um copo cheio quando se prova o primeiro, se não se quiser ficar com a boca a fumegar. É que quando picam, picam mesmo.
Só existem nos meses de Primavera e Verão, por isso é aproveitar.













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