O Carnaval do MIDAS


Tirado daqui

Chorar por um animal

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Já chorei por muitos animais. Mas o Pantufa era especial.
Cão rafeiro, foi recolhido pelos meus sogros há 16 anos quando uma puta qualquer, que tinha deixado a sua cadela parir, queria afogá-lo à nascença. Teve sorte – dos irmãos, foi o único que se safou.
Foi para lá bebé de dias, corria o mês de Agosto de 1993. Em Setembro / Outubro desse ano, comecei eu a frequentar a casa, como namorado daquela que é hoje a minha mulher. Lembro-me dele muito pequenino, aos saltos por todo o lado e sempre, sempre a ladrar.
Passaram-se os anos. Tratado como um rei, teve a vida que todos os cães gostariam de ter. Teve a vida que alguns humanos gostariam de ter. Com muito espaço para correr e para saltar, com os seus passeios diários, com o arrozinho de frango sempre à espera. E sempre, sempre a ladrar quando alguém chegava a casa.
Teve uma vida muito feliz, o Pantufa. Nos últimos anos, no entanto, vieram os problemas de saúde. Estava velhote. Ultimamente, já nem ladrava. Os rins deixaram de funcionar e, desde Domingo, já não conseguia comer.
Hoje, a minha sogra decidiu levá-lo ao veterinário. Tive o prazer de o conduzir na sua última viagem. Já não havia muito a fazer, o bicho estava em sofrimento e eventuais tratamentos só adiariam o inevitável. Num acto de misericórdia, o veterinário aconselhou a eutanásia. E assim foi. Anestesiou-o primeiro e, em seguida, adormeceu-o suavemente para sempre. Com a minha filhinha ao colo, ainda pude entrar no consultório para afagar pela última vez um corpo já sem vida.
« – Queres fazer uma festinha ao Pantufa, bebé?»
Não quis. Infelizmente, nunca se vai lembrar dele.

Um Feliz Natal SEM consumismos!

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Este cavalheiro branco e azul – lá teria de ser – é português, chama-se Kao (branco) e deseja a todos um Feliz Natal. Já agora, aproveitem para não colaborar com as plutocráticas grandes superfícies que infelizmente não vão entrar em greve. É uma época de juízo e não de desvarios.

Serão os bichos como as pessoas?

   

É a grande dúvida que sempre tive. Desde o dia que as minhas filhas queriam gatos e porcos de índias ou hamsters em casa, também denominados marmotas-da- alemanha, para tratar e tomar conta deles em casa.Com um carinho, que era impressionante! Eu sempre tinha gostado de cães e cavalos, mas fora de casa, no seu sítio, como essas casotas para os cães e o estábulo para os cavalosMais impressionante ainda, eram as comidas especiais preparadas por elas, mas compradas pelo pai. [Read more…]

Pior que todas as touradas

 

 

Será o espectáculo popular com que umas centenas de animais se deliciarão esta noite em Medinaceli, um município de Soria no reino de Castela e Leão.

As bestas lançarão fogo aos cornos de um touro indefeso, terminando por soltá-lo entre fogueiras e outras chamas, para seu gaúdio de pobres seres sem inteligência.

Eu sei que os animais são inimputáveis. Mas estes deviam ser enjaulados por uns bons tempos, ou talvez convertidos ao reino vegetal, ao menos não incomodavam, e daí, bestas destas viravam no mínimo em silvas bem espinhosas.

Vegetarianismo Ético (II)

continuação daqui

 

 Apesar disso, o homem continua a matar e torturar animais em larga escala para satisfazer os seus interesses mais supérfulos, sendo o mais cruel e gritante exemplo disso a criação em série de animais em condições absolutamente desumanas para satisfazer as suas preferências gastronómicas. 

 
Penso que hoje em dia, ao contrário do que se passava há uns anos atrás em que os defensores do vegetarianismo tinham que procurar persuadir as  pessoas de que o regime vegetariano é saudável apresentando uma miríade  de tabelas de valores nutricionais dos alimentos, declarações de organismos  de saúde internacionais e de nutricionistas reputados, etc, já não é  necessário procurar fundamentar a afirmação de que o regime alimentar  vegetariano é saudável e nutricionalmente adequado à alimentação dos  seres humanos. É a própria OMS que o afirma e informação avalizada sobre o tema pode ser encontrada em livros e publicações da especialidade e na  internet. 
 
Ultrapassado este primeiro obstáculo, existe também um importante  argumento a ter em conta para a adopção do regime alimentar vegetariano: o  argumento ecológico. 
 
Deixo apenas alguns dados para análise:  

a) Os vegetais fornecem pelo menos 10 vezes mais proteínas por hectar  do que a carne. 
 
 
 
b) Mais de metade da água consumida nos Estados Unidos é gasta na  criação de gado. 
 
c) Meio quilo de carne exige 50 vezes mais água do que a quantidade  equivalente de trigo, concluindo a revista Newsweek que “a água  necessária a um boi de 500 kg faria flutuar um contratorpedeiro”. 
 
d) A criação intensiva de animais é a indústria responsável por uma parte  substancial da poluição dos nossos recursos hídricos. 
 
e) Nos últimos 25 anos foram destruídas quase metade das florestas tropicais da América do Norte para plantações de cereal para  alimentação de gado. 
 
f) Por fim, citando Peter Singer, o maior argumento de todos, uma vez que se aplica tanto aos defensores dos animais como a quem estende as  suas preocupações éticas apenas aos seres humanos: “ a comida  desperdiçada na produção de animais nas nações ricas seria suficiente,  se fosse adequadamente distribuída, para pôr fim tanto à fome como à 
subnutrição em todo o mundo”.
 
Daí que seja lícito afirmar que o respeito  pelos animais não é concorrente com o respeito pelos seres  humanos. É, pelo contrário, complementar. 
 
Por tudo isto, o vegetarianismo merece pelo menos ser considerado como  uma hipótese séria para uma atitude mais justa perante os animais, os seres  humanos, e o próprio planeta. 
 
Por último, uma palavra às pessoas que aceitam os argumentos acima  expostos mas que afirmam que não vale a pena deixar de comer carne  porque “uma só pessoa deixar de comer carne não vai diminuir o número de  animais que é criado nas unidades de criação intensiva” ou que “o animal que  têm no prato já está morto e nada o pode ressuscitar”: 
 
É evidente que a criação intensiva de animais não vai acabar de um  momento para o outro, assim como é inverosímil pensarmos que todas as  pessoas se vão tornar vegetarianas de uma só vez. Cada pessoa consome  em média 4.022 animais ao longo de toda a sua vida. O máximo que  podemos almejar, e essa será já uma grande vitória, é juntarmo-nos aos 
milhões de pessoas que já tomaram essa decisão e se recusam a comer a  carne de animais torturados e mortos e, assim, diminuir gradualmente a  procura de produtos animais, diminuindo o lucro obtido por esta indústria e  levando a que menos animais sejam criados intensivamente e abatidos no futuro. 
 
A este argumento acresce um outro, talvez ainda mais importante, para  deixarmos de consumir produtos derivados da indústria da carne: o facto de  estarmos a fazer a coisa certa; de sabermos que não contribuímos de forma  directa para o florescimento de uma actividade que causa um sofrimento  intenso a milhões de animais todos os anos. Madre Teresa de Calcutá dizia:  “o meu trabalho pode ser uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria  menor”. 
 
Em jeito de conclusão, fica um trecho da obra do conhecido filósofo Tom  Regan, “The Case for Animal Rights”:  “But prejudices die hard, all the more so when, as in the present case, they  are insulated by widespread secular customs and religious beliefs, sustained  by large and powerful economic interests, and protected by the common law.  To overcome the collective entropy of these forces-against-change will not be  easy. The animal rights movement is not for the faint of heart. Success requires nothing less than a revolution in our culture’s thought and action.” 
 

 

 

 

Vegetarianismo ético (I)

 

Peter Singer, no início do seu mundialmente famoso livro “Libertação Animal”, por muitos considerado a Bíblia do vegetarianismo, conta um episódio passado no Reino Unido em que uma defensora dos direitos dos animais o convidou para lanchar e conversar sobre o tema da defesa animal, e lhe serviu sanduíches de fiambre. 

 

Em 1989, 14 anos mais tarde, na edição revista do livro Peter Singer refere que felizmente hoje em dia os activistas do Movimento de Libertação Animal e os membros das Associações de Defesa Animal são já todos vegetarianos e não servem sanduíches de fiambre aos seus convidados. 

 

Embora isso possa ser verdade no Reino Unido, não o é certamente em Portugal nem em muitos outros países. 

 

Na realidade, muitas (atrevo-me mesmo a dizer a maioria) das pessoas que simpatizam com a causa da defesa dos animais e é contra as formas de exploração de que milhões de animais são vítimas às mãos dos humanos, continua a contribuir para a mais brutal de todas estas formas de exploração, e que maior sofrimento causa ao maior número de animais em todo o mundo: a indústria da criação intensiva de animais para alimentação. 

 

Há vários motivos para que seja assim: 

a) A maioria das pessoas nunca visitou um matadouro ou uma unidade de criação intensiva de animais, logo nunca viu (nem ouviu) a agonia prolongada que constitui a vida das vacas, porcos e galinhas que sofrem dentro deles, até ao dia em que sofrem uma morte cruel e lenta no momento do abate. 

 

b) A força do hábito. Quase todas as pessoas são habituadas desde a infância a comer carne e não só lhes custa a imaginar como poderiam sobreviver sem ela, como não desejam abandonar o prazer que retiram das refeições compostas por carnes de animais. 

 

c) As pessoas tendem a simpatizar mais e a sentir mais compaixão pelos animais que lhes são mais próximos e com quem convivem diariamente (cães e gatos) do que com aqueles que nunca tocaram ou observaram de perto. Daí que fiquem chocadas com a criação de cães e gatos para alimentação em alguns países asiáticos mas não se choquem com a criação muito mais maciça e brutal de outros mamíferos como as vacas ou os porcos para o mesmo fim. 

 

A estes motivos acresce um outro, que se prende com o facto de muitas pessoas se preocuparem com os animais apenas por gostarem deles. Por sentirem compaixão por eles, por se enternecerem com o olhar desolado dos cães abandonados com que se cruzam. No fundo, por se sentirem sentimentalmente ligados a eles. 

Gostam mais do seu animal de estimação do que de todos os outros animais da mesma espécie, gostam mais de gatos do que de cães ou mais de cães do que de porcos, e dirigem a sua consideração e instinto de protecção apenas aos animais da sua preferência. 

Assim, não baseiam a sua conduta perante os animais em princípios éticos ou morais, mas nas suas emoções. 

Na realidade, todos os animais merecem ser tratados de acordo com o seu valor intrínseco, independentemente da nossa simpatia por eles. Devem ser respeitados enquanto indivíduos que são capazes de sentir dor e prazer, e que por isso não podem ser considerados como meros instrumentos de satisfação dos nossos interesses. É um princípio de Justiça básico que assim o exige. 

 

continua

 

 

Uma vitória para os animais

Nunca me imaginei a ter de dar os Parabéns a este Governo, mas há que ser justo. Foi hoje dado o primeiro passo para o fim da utilização dos animais no circo – uma prática muito mas muito mais cruel do que a tourada – através de uma portaria do Ministério do Ambinete que proíbe, a não ser em casos muito excepcionais, a compra e reprodução de animais como os tigres, os leões, os elefantes ou os macacos. De fora, para já, ficam os animais domésticos, mas lá há-de chegar a altura.
É uma clara vitória para os animais e para os valores civilizacionais de um país como Portugal. Que se apoie o circo, o «maior espectáculo do mundo» – mas sem animais que nasceram para viver em liberdade e não para estarem aprisionados e a fazer habiidades durante toda a vida.
Claro que um tal de Chen, cultor de crueldades, já veio dizer que pode não comprar os animais, mas que não pode impedi-los de se reproduzirem, porque vão estar juntos. Como é óbvio, esse senhor não é inocente nem estúpido. Pensa é que os estúpidos somos nós. Para que os seus prejuizos não sejam tão grandes, aqui fica um conselho gratuito: castre apenas os machos, homem. Sempre fica mais barato do que esterilizar as fêmeas. Ou se não quiser gastar dinheiro, mantenha-os separados.

E tu, já abandonaste um animal?


Pois é, quantos dos leitores que nos lêem já tiveram a coragem de abandonar um animal?
Pois bem, a esses, eu gostava de pedir de forma educada que se retirassem imediatamente deste blogue, visto que não é possível andarem com um dístico identificativo ao peito a dizer algo como «filho da puta».
Já saíram do blogue? Óptimo. Agora que isto está mais desinfestado, posso continuar.
Devido à desumanidade de quem se diz humano, potenciada pela crise económica dos últimos tempos (o que não é desculpa para nada), o número de animais abandonados não pára de aumentar. Enquanto isso, as Câmaras Municipais nada fazem para conter o flagelo. Enviar animais para o canil e abatê-los é fácil, mais difícil seria levar a cabo uma política de esterilização desses animais, que se multiplicam da forma que sabe. Só para terem uma ideia, um casal de gatos dá origem a 14 milhões de gatos em dez anos. Vejam lá o que se poupava com duas esterilizações.
Enquanto isso não acontece, há associações que se dedicam à esterilização dos cães e gatos, substituindo-se assim às próprias edilidades. E há algumas outras que, não tendo essa possibilidade, se dedicam a tentar arranjar famílias para os animais que fresgatam à morte e ao sofrimento. O Aventar, ao fim-de-semana, passará a estar aberto a todas essas associações. Para que todas elas possam tenham ao seu dispor tenham mais uma forma de divulgação.
Começamos hoje com a Vivanimal, de Rio Tinto, e com A Cerca, de Vila do Conde. Duas associações sem qualquer apoio, como quase todas, que, sem instalações nem dinheiro, vão fazendo o que podem com os cães e gatos que lhes aparecem.

Vivanimal (Rio Tinto)

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Xuxa, gata já esterilizada, recolhida da rua com uma ninhada de 9 bebés. Contacto: 917995038. http://www.vivanimal.com/

A Cerca
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Barbarela, cadela recohida na rua. Contacto: 960392452. http://www.a-cerca.org

No dia do animal – Homenagem aos voluntários das associações

Ao longo de todo o dia, milhares de voluntários sairam das suas casas para trabalhar, gratuitamente, em prol dos animais. Fazem-no diariamente, mas hoje, por maioria de razão, sairam por um motivo muito especial: era o Dia do Animal e havia que organizar campanhas de adopção e de vacinação de cães e gatos. Já participei em muitas ao longo dos anos e sei bem o trabalho que dá, o esforço que exige de nós próprios.
No final do dia, exaustos, vemos ainda assim que valeu a pena. Deram-se animais, ganhou-se dinheiro para comprar comida para os nossos animais, sensibilizou-se a população para o flagelo que continua a ser o abandono de cães e gatos e a sua proliferação a níveis preocupantes.
Foram todos esses voluntários e todas as suas associações que o Aventar quis homenagear ao longo do dia de hoje com vários «posts» a alertar para alguns dos maiores problemas dos animais em Portugal e no mundo. Doravante, vós tereis aqui o vosso espaço, sempre ao fim-de-semana, para divulgação dos animais disponíveis para doação. Basta enviar-nos as fotos e uma pequena descrição de cada caso.

No Dia do Animal – A Senhora das Peles


A Senhora das Peles anda feliz. Sempre com o seu sorriso desbragado, é vê-la, impante, orgulhosa, pelas «passerelles» do país e do estrangeiro. Pavoneando-se como uma estrela, como se de alguém realmente importante se tratasse.
Quando a acusam de usar peles verdadeiras para os seus vestidos, a Senhora das Peles zanga-se. E diz que não tem nada com isso. Ela nem sequer trata mal os animais. São mas é uns invejosos, que querem dar-lhe cabo da carreira e promover-se à sua custa. Afinal, quem a critica come bifes. Veja-se lá, come bifes…
Para a Senhora das Peles, tirar a pele a um animal para produzir um casaco de luxo é a mesma coisa que utilizá-lo para a sovrevivência alimentar da espécie humana. Provavelmente, comer um bife também será a mesma coisa que massacrar animais nas touradas, ou nos circos, ou nas lutas de cães e de galos. Ou até nas desumanas condições dos matadouros portugueses… É tudo a mesma coisa – e estou à vontade para falar, porque pratico um regime alimentar vegetariano sempre que possível.
Obviamente, a Senhora das Peles nunca leu a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Se souber ler, verá que as situações são bem distintas. E que, ao contrário do que defende, não é preciso ser vegetariano para ser defensor dos animais. Aquela Declaração admite o uso de animais para a alimentação humana desde que se proceda com o máximo respeito por aqueles que sacrificamos. Não admite mais nada. Não admite, por exemplo, sacrificar um animal para as futilidades da Senhora das Peles.
Diz a Senhora das Peles que usar peles verdadeiras para fazer roupa é uma tendência. A ser verdade, bem estariam aqueles que se recusassem a seguir essas tendências. Seja quem faz essas roupas, seja quem as usa. Criminosos são todos.
A Senhora das Peles envergonha-nos a nós, portugueses, e faz-nos lamentar a sua existência.
Não seria possível emigrar?

Nota: Já que se fala do uso de animais para o luxo e o lazer, por que não para o trabalho? Até porque nós também somos animais.
E não é que o escape da Senhora das Pees serviria na perfeição para uma bela vassoura ou até para uma resistente piaçaba?

Publicado em «O Primeiro de Janeiro» em SDetembro de 2005.

No Dia do Animal – Os animais de circo

No Dia do Animal – Os toureiros, esses valentões


São uns valentões, os nossos toureiros. Do alto do seu cavalo, entretêm-se a espetar com afiadas bandarilhas o lombo dos touros. Tonitruante, a multidão aplaude tal acto de coragem e de bravura. Entusiasmado, o toureiro leva mais longe o seu heroísmo e por vezes até chega a cortar orelhas.

É um valentão, o toureiro. É verdade que, antes de entrar na arena, o touro foi transportado sem condições durante dezenas ou centenas de quilómetros; é verdade que foi mantido na escuridão durante horas seguidas e que, ao entrar em cena, a luz fere-lhe o olhar; é verdade que os seus cornos foram cerrados; é verdade que os seus cascos foram limados; é verdade que os seus olhos foram esfregados com vaselina; é verdade que recebeu tranquilizantes.
É verdade que o touro já entra na carnificina meio morto e que só reage devido à dor e sofrimento que lhe foi infligido antes. Mas isso não diminui em nada a coragem do nosso valentão. Do nosso toureiro. Que, teatral, com o seu fato de bailarino, vai empolgando a multidão e agradecendo-lhe os aplausos. Ninguém se apercebe de que o touro já foi massacrado antes. Ninguém compreende que aquela guerra é desleal – é como «bater em mortos», é Estados Unidos contra Iraque, é adulto contra criança, é Golias contra David.
Ninguém não! Quem fez o trabalho sujo dos bastidores sabe-o muito bem! Mas, complacente, aplaude o nosso toureiro como se ele fosse realmente um herói. E o toureiro agradece, fingindo que não sabe o que o outro sabe. Quanto ao touro, é aquele que sabe melhor, mas, por razões óbvias, não o pode dizer.

Claro que, por vezes, o Golias distrai-se, por se julgar invencível; e o David, num último estertor, excede-se. Nessas alturas, é o toureiro a ser espetado, a ser corneado, por vezes em locais do corpo que devem ser bem dolorosos! E o fato de bailarino que protege tão pouco…
Nessas alturas, os touros sentem-se vingados. Estão a sofrer, vão morrer, mas por um momento foram os vencedores. Verdadeiros heróis que devemos aplaudir com todas as nossas forças. Pessoalmente, reconheço-o sem hipocrisias, fico contente quando os toureiros são corneados por trás, violados e feridos no seu orgulho de machos! E ainda por cima no sítio em que o macho nunca admite vir a ser ferido…

A penetração é dolorosa, esse tal de Pedrito que o diga, mas tem uma vantagem: o toureiro, já não tão valentão, fica a saber o que sente o pobre touro de cada vez que é atingido. Nada que o preocupe, como é óbvio. Da próxima vez, há que rectificar os prévios procedimentos: os cascos deverão ser melhor limados, a quantidade de vaselina nos olhos será substancialmente reforçada, o mesmo se fará com os tranquilizantes.

Se todos souberem cumprir o seu papel com profissionalismo, não haverá problemas. E tudo voltará a ser como dantes. Os toureiros serão de novo os nossos valentões. Os nossos heróis. E a ululante multidão, gente sem alma nem coração, irá aplaudir freneticamente. Porque não sabe, nem quer saber, que acabou de assistir a uma luta de Golias contra David; de adulto contra criança; de Estados Unidos contra Iraque. Afinal, «bater em mortos» é tão bom: é vitória assegurada.
Todos são culpados: os algozes que perpetram o crime, as empresas que os patrocinam, os aficionados que lhes pagam e os políticos que nada fazem quando tudo podiam fazer.

Publicado em «O Primeiro de Janeiro» em 9 de Novembro de 2005

Poemas com História: Ode a Jean de La Fontaine, podendo também passar por uma autocrítica

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A história deste poema (que nunca foi publicado) é curta. Foi escrito durante o PREC (acho que se nota) e era cantado pelo meu amigo Aristides. Nele me penitenciava por, muitas vezes e particularmente nesse período atribulado, utilizar nomes de animais no sentido pejorativo. O meu amigo, Professor Germano Sacarrão, grande zoólogo e ecologista, bem me dizia que os animais não são bons nem maus, limitando-se a lutar pela sobrevivência. Mas quem, naqueles dias de brasa, resistia à tentação de chamar «chacal», «tubarão», «abutre» aos que exploravam (e exploram) quem trabalha? O Aristides, também conhecido por «Passarinho», nas cooperativas, fábricas, escolas, onde cantava punha a assistência a gritar repetidamente os últimos versos – era um sucesso. Dizia assim:

Os abutres, as hienas,
os tubarões, os chacais
são apenas animais
que lutam para viver.
Chamar abutre ou hiena,
tubarão, lobo ou chacal
a um grande industrial
ou importante banqueiro,
é abuso de linguagem
e ainda para mais
é o erro cometer
de insultar animais
cujo crime é a coragem
de querer sobreviver.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal –
não há nada que não venda,
que não importe ou exporte,
come com os dentes da fome
que devora milhões de homens,
vive com as garras da morte
que ceifa vidas à toa.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal.
A quem come carne humana
e converte a morte em ouro,
a vida em mercadoria
de reduzido valor,
é errar a pontaria
chamar abutre ou chacal:
– capitalista é canibal!
– capitalista é canibal!

No Dia do Animal – Pintainhos ainda vivos atirados para uma trituradora


A Mercy for Animals, organização norte-americana dedicada à defesa dos animais, revelou, num vídeo feito com uma câmara oculta, que a maior produtora de ovos do Mundo atira pintainhos ainda vivos para uma trituradora. Todos os dias morrem assim 150 mil aves.

O vídeo mostra a linha de montagem da Hy-Line International, em Spencer (Iowa), onde trabalhadores analisam os pintainhos que acabam de sair dos ovos, arremessando todos os machos para uma passadeira que os conduz à trituradora.

Segundo a Mercy for Animals, a eliminação dos machos é prática corrente no sector e deve-se ao facto de estes não produzirem ovos e serem mais difíceis de aproveitar para alimentação.

Já as futuras galinhas sofrem outros abusos na linha de montagem, existindo uma máquina que retira parte dos seus bicos, o que lhes causa dores crónicas.

O vídeo da Mercy for Animals mostra pintainhos moribundos no chão das instalações da Hy-Line International e deixa um apelo para que as pessoas deixem de consumir ovos.

A empresa reagiu através de um comunicado, garantindo que irá investigar o caso, visto que o vídeo “parece mostrar violações das normas internas quanto ao tratamento dos animais”. No entanto, realçou que a prática daquilo a que se chama “eutanásia instantânea” dos pintainhos machos é defendida pelas autoridades veterinárias.

“Infelizmente ainda não existe nenhuma forma de fazer ovos que só tenham galinhas dentro. Se alguém precisar de 200 milhões de pintainhos machos teremos todo o gosto em fornecê-los. Mas não encontramos mercado para eles”, disse à Associated Press o porta-voz da associação sectorial United Egg Producers.

O Rodeo em Salvaterra de Magos

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O João Cardoso já se referiu ao assunto: um rodeo realizado ontem em Salvaterra de Magos por iniciativa da Câmara Municipal liderada pelo Bloco de Esquerda. Um Partido que, no seu programa eleitoral, defende a abolição dos rodeos.
Felizmente, tudo correu mal. Pelo que diz Antão no Twitter, «Grande barrete que esta malta levou hoje no Rodeo em Salvaterra de Magos, 10€ para verem cabrestos e os cavalos nao chegaram a vir.» Às vezes, escreve-se direito por linhas tortas.

No Dia do Animal – Os animais esfolados vivos e o mercado das peles

Porque hoje é Dia do Animal – eis a gata «Aventar»

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Gata «Aventar», encontrada por mim em Cinfães em Abril deste ano, ainda muito bebé, e trazida para o Porto para ser adoptada. Até hoje, continua em minha casa (e daqui já não sai)

O Dia Mundial do Animal foi lançado em 1931, numa convenção de ecologistas em Florença, como um meio de dar visibilidade ao problema das espécies em risco. Desde então, tem assumido outros contornos e, actualmente, abrange todo e qualquer animal, sendo comemorado em países tão diversos como a Austrália, Malta, Singapura e Lituânia. (via Blog dos Bichos)
Em 27 de Janeiro de 1978, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, assinada por Portugal. Como mostrarei ao longo do dia de hoje com recurso a textos, imagens e vídeos, muito pouco dessa Declaração está hoje em dia a ser cumprida.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

Preâmbulo

Considerando que todo o animal possui direitos,
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza,
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo,
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros,
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante,
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
PROCLAMA-SE O SEGUINTE:

Artigo 1º

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2º

1 – Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2 – O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3 – Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.

Artigo 3º

1 – Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis.
2 – Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.

Artigo 4º

Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
1 – Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Artigo 5º

Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
1 – Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.

Artigo 6º

Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
1 – O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.

Artigo 7º

Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8º

A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
1 – As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.

Artigo 9º

Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.

Artigo 10º

Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
1 – As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11º

Todo o acto que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.

Artigo 12º

Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
1 – A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Artigo 13º

O animal morto deve de ser tratado com respeito.
1 – As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.

Artigo 14º

Os organismos de protecção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
1 – Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

No Dia do Animal – Os animais esfolados vivos e o mercado das peles

A Causa Animal no programa do Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda é o único Partido com um capítulo próprio do seu programa eleitoral dedicado aos animais e aos seus problemas. Para quem acha que o ser humano não vive sozinho neste planeta e que os animais são mais do que instrumentos ao serviço das necessidades do Homem, é capaz de ser boa ideia votar no Bloco.
Vem isto a propósito de um mail que recebi, assinado por Pedro Sales, «blogger» do Arrastão e membro do gabinete de imprensa do Bloco de Esquerda.
Pela minha parte, confirmo que Francisco Louçã foi desde sempre o único líder partidário a preocupar-se com os animais. Do tempo em que era mais activo na causa animal, recordo uma manifestação contra as touradas em frente à Assembleia da República. Pois bem, o líder do Bloco de Esquerda foi o único que saiu do Parlamento e veio à escadaria trocar umas palavras com os manifestantes. Mais recentemente, o Partido bateu-se contra o fim das touradas de morte e votou contra a reintrodução da sorte de varas nos Açores.
Regressando à actualidade, o programa eleitoral do Bloco de Esquerda dedica o capítulo 14, «Promoção do respeito pelos animais». Sobre o consumo de carne e as ajudas dadas pela União Europeia aos criadores, o parágrafo que se segue é esclarecedor: «A exploração pecuária mostra uma outra face da realidade do modelo capitalista. Na União Europeia, cada cabeça de gado é subsidiada em mais de 2 euros por dia. Este valor excede o rendimento diário de dois terços da população mundial. Nada justifica tal custo: o consumo de carne em Portugal é excessivo, a produção de gado é a principal causa da desertificação e da poluição dos rios e contribui mais para as alterações climáticas que o sector dos transportes. Se a roda dos alimentos aconselha a que 5% das
calorias que se ingerem venham da carne, peixe e ovos e se em Portugal a dieta real atinge os 15% nesta categoria, não há razão para atribuir 40% dos subsídios a este sector.»
No caso dos animais domésticos, cães e gatos, o Bloco apresenta aquela que é a única solução para resolver o verdadeiro flagelo, mesmo a nível de saúde pública, que é o dos cães e gatos vadios e ou abandonados que pejam as nossas ruas. Se pensarmos que um casal de gatos pode dar origem a 8 mihões de gatos em 10 anos, percebemos a verdadeira dimensão do problema. Claro que há uma solução mais barata e mais prática, que é o extermínio puro e simples, através dos canis, de todos esses animais – que é mais ou menos o que se faz actualmente, sobretudo em alguns municípios. Pois bem, o Bloco de Esquerda defende a única solução aceitável: a esterilização de todos esses animais, nos canis e gatis ou através de protocolos com clínicas veterinárias próximas.
Em relação aos animais no entretenimento, o Bloco defende o fim da utilização dos animais no circo e a aposta no Novo Circo (sem animais), na linha de companhias como o «Cirque du Soleil». Defende ainda a reconversão das praças de touros abandonadas, o fim das touradas de morte e o fim dos rodeos. No caso das touradas de morte, não posso concordar, porque é uma hipocrisia total. Fica bem dizer que se é contra as touradas de morte e nada dizer relativamente às touradas normais. Como Daniel Oliveira dizia em Junho de 2007 no «Arrastão», e com toda a razão, «o touro sofre mais na espera pela morte do que com a morte na arena».
Em termos de experimentação animal, o Partido defende outras alternativas científicas, que de resto já abordei noutro «post». No que respeita à alimentação, pretende-se acabar com a produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva) e promover a
transição para a produção de ovos “free-range” (criação extensiva); e subsidiar alimentos que promovam a saúde e as necessidades da população portuguesa e não os interesses dos produtores. A propósito, em Portugal já existem mais de 30 mil vegetarianos.
Por fim, o Bloco pretende criar um santuário selvagem, destinado a acolher todos aqueles animais que foram maltratados pelos donos (um velho sonho também da ANIMAL), incluir as associações de animais na Lei do Mecenato e proibir a criação de chinchilas, coelhos, raposas ou martas para pêlo.
A concretizarem-se, seriam excelentes notícias para os animais. Se Francisco Louçã não quer discutir pastas na noite eleitoral de 27, ao menos que aceite a pasta do Ambiente. Pelos animais!

Experiências científicas com animais: Por que é que Leonor Beleza não experimenta nela própria? (as alternativas)


Há uns meses atrás, a propósito da criação do Biotério, um projecto da Fundação Champalimaud com capacidade para 25 mil animais, escrevi este post, no qual perguntava por que razão Leonor Beleza, que em tempos andou a fazer experiências com sangue contaminado, não fazia experiências nela própria. É que é esse um dos objectivos do Biotério, fazer experiências com animais. O outro objectivo é exportá-los para outros países, alguns dos quais não têm qualquer legislação que proteja os animais.
O nosso leitor Dorean Paxorales perguntou-me então qual era a alternativa que eu defendia às experiências científicas com animais. Desde aí, está prometida a resposta. Que chegou hoje.
Ponto prévio: antes que me perguntem se é mais importante o ser humano ou o animal, ou se devemos sacrificar humanos com doenças incuráveis para proteger os animais, respondo desde já que há uma enorme diferença entre experimentar em nome da medicina ou experimentar em nome da indústria da moda, da indústria da cosmética, da indústria dos perfumes e quejandos.
Posto isto, vamos às alternativas e comecemos exactamente pela indústria médica e farmacêutica. O método mais eficaz no que concerne aos resultados, e que permite poupar o sofrimento de milhares de animais, é o da cultura de células, tecidos e órgãos. Actualmente, é possível retirar células de animais e mantê-las vivas quase indefinidamente, utilizando-as nas experiências com os mesmos resultados. Além disso, podem cultivar-se pedaços de tecido ou de órgãos dos animais ou mesmo do corpo humano. A descoberta do mecanismo de crescimento dos nervos, o estudo da fisiologia dos nervos e das suas actividades eléctricas, o estabelecimento do número de cromossomas das células humanas e em particular as causas do Sindrome de Down ou algumas causas do cancro foram conseguidos graças a esta técnica.
Para saber qual é a toxicidade de determinado produto que se pretende vender, é usual utilizar o teste LD 50, em que se determina a quantidade de produto ingerida necessária para matar metade dos animais no teste. Não é necessário, no entanto, intoxicar o animal até à morte. O Bio-Ensaio de Neutral Red, uma solução que é dissolvida em água e adicionada às células, numa caixa de cultura de tecidos, permite aquilatar da toxicidade de um determinado componente. O Método de Difusão de Agarose também avalia a toxicidade dos materiais sintéticos usados em aparelhos médicos.
Para avaliar o potencial de corrosão de um produto ou ingrediente, não é necessário queimar a pele de um animal. Existe o Ensaio de Corritex. Utiliza-se uma barreira de matriz de colagénio como uma forma de pele artificial e um indicador de PH colocado de forma a detectar quanto tempo leva o químico a penetrar nesta barreira.
Para ensaiar o grau de irritação que um produto pode provocar na pele ou nos olhos do ser humano, é normal utilizar coelhos albinos, que são rapados e raspados antes de se colocar o produto na pele nua durante 4 horas. Existe a variante do teste de Draize – o produto é colocado nos olhos dos coelhos durante 21 dias.
Não é necessário. Um sistema de alteração protaica ensaia uma irritação, modificando a matriz de proteínas causada pelos materiais estranhos que são indicadores potenciais de irritação do olho ou da pele. Ainda com o mesmo objectivo, existe o Ensaio de Passagem Trans-Epitelial, que mede o químico induzido numa barreira artificial construída por células para estimar a potencial irritação do olho aos químicos. A EpiDerme (que recorre a pele artificial), a EpiOcular (tecido artificial semelhante à córnea), os Modelos Matemáticos e Computacionais (prevêem o grau de irritabilidade de substâncias de teste com base nas estruturas e propriedades físicas e químicas) ou o Teste Epipack (que utiliza folhas de células clonadas), são outras das técnicas que já provaram ser eficazes na experimentação médica.
A farmacologia quântica, por seu lado, é uma técnica usada na química baseada em computador, para estudar a estrutura molecular das drogas e dos seus receptores no corpo. É utilizada em estudos de transmissores de nervos, hormonas, bloqueadores Beta, anestésicos, antidepressivos e muitos outros.
Não faltam as alternativas à experimentação animal, sendo que os resultados são os mesmos. Ou melhores, visto que não se podem considerar fiáveis os resultados que são obtidos em animais cujo estado emocional, devido ao stress, está completamente alterado. Cerca de um milhão de animais são criados, todos os anos, propositadamente para serem utilizados em experiências.
No fim disto tudo, apetece-me perguntar: e os humanos somos nós?

Nota: Devido à especificidade do tema, socorri-me dos sites da Animal e do Centro Vegetariano, entre outros.

Teresa Lopes (1969 – 2009) e a paixão pelos animais

Se um blogue é (também) um diário de vivências pessoais, permitam-me esta pequena evocação.
Teresa Lopes era uma apaixonada pelos animais e a actual Presidente da Direcção da VivAnimal, uma associação de defesa de animais de Rio Tinto. Morreu ontem, subitamente, com 40 anos de idade.
Nesta lufa-lufa do dia-a-dia, não cheguei a conhecê-la pessoalmente. E no entanto, partilhávamos a mesma paixão pelos animais, pertencíamos à mesma associação (ela Presidente, eu voluntário pouco assíduo) e éramos vizinhos.
Todos os dias, perdemos tempo com o que não interessa e com quem não interessa e perdemos de vista o que é realmente importante. Teresa Lopes era daquelas pessoas que interessa conhecer. Dona de uma saúde frágil, não hesitou em consagrar o melhor da sua vida aos animais. Sem recompensas que não o bem-estar dos seus amigos, que ia recolhendo aqui e ali por nunca ter coragem de dizer não a uma situação difícil.
Seria inocente não pensar que a sua morte está muito relacionada com a defesa dos animais. Como refere Manuela Gomes no blogue da associação, «o abandono e maus-tratos de animais está relacionado com o falecimento da Teresa Lopes: o desprezo, de outros, pelo bem-estar dos animais, levou ao cuidar dos animais, pela Teresa Lopes; a falta de carinho, de outros, pelos animais, levou a que a Teresa Lopes preenchesse tanto o seu coração e a sua mente que, talvez, isso não lhe tenha deixado tempo ou atenção para cuidar de si mesma; a irresponsabilidade de outros, levou a que a Teresa se responsabilizasse demasiado pelos animais que necessitavam de ajuda. Por isso, para mim, a morte da Teresa Lopes é um crime. E os culpados são todos os cobardes, insensíveis, cidadãos vulgares ou políticos que não agem correctamente e tomam as medidas necessárias, para que pessoas como a Teresa Lopes não sintam necessidade de se envolver tão sofridamente na protecção animal. Os animais são inocentes, as pessoas são culpadas e a Teresa Lopes foi – É – uma santa.»
Teresa Lopes deixa um filho de 9 anos. Que saibamos acarinhar uma criança que perdeu a mãe em tão tenra idade. E que alguém saiba amar os animais que um dia a Teresa conseguiu salvar.

O poder Ditatorial do FC Porto e a noite

Alguém se surpreende com este tipo de acontecimentos?

Há muitos anos que todos sabem a enorme influência- em tempos total – que os Homens fortes do Porto tinham sobre a noite e o poder que isso lhes conferia perante os jogadores, jovens habituados às coisas boas da noite. Sou do tempo, em miúdo de ver craques do Porto – Oliveira, Gomes – até altas horas num café de Rio Tinto no dia anterior aos jogos. Está publicado em livro e é voz corrente na invicta que a entrada do Pinto da Costa mudou isto tudo e o braço armado criado foi crucial para esta estratégia de dominar tudo e todos – de jogadores a árbitros, a dirigentes de outros clubes. O Braço Armado são os Super que controlam e atemorizam “tudo o que mexe” – estão para quem se mete com o FCP como o cotovelo do Bruno Alves para os seus adversários.

Madureira1

A forma como a Direcção do Porto tolera a “autonomia” dos Super é algo questionável e permitiu a criação de um grupo dirigente com muito dinheiro que vive da venda de bilhetes, de roupa e de outros negócios…

E depois, tudo isto tem acontecimentos muito curiosos, onde quase sempre, alguém que se atreve a mexer no lodo, leva! Simples… A ideia vai passando, vai fazendo escola e depois qual é a solução – comer e calar!

O Porto tem os melhores jogadores, melhores treinadores, melhores dirigentes, ganha mais, etc… e tal. Mas, uma e outra coisa não são por acaso nem mera coincidência. Até aposto que o Adriano vai aparecer que gosta muito do Porto, que o Pinto da Costa e a Direcção do Porto sempre o apoiaram muito e que afinal a agressão não aconteceu – ele caiu na casa-de-banho.

Leitor do Aventar, Nuno Miguel Silva

Baleias em extinção

Hoje estão reunidos uma série de países para conseguirem convencer o Japão, a Finlândia e a Noruega a porem fim à caça da baleia.
As razões para a sua caça são por demais conhecidas. A sua carne é muito apreciada pelos Japoneses e os seus óleos que servem de matéria prima na indústria da cosmética.
Em Novembro do ano passado estive no Sul da Argentina onde há vários santuários da vida selvagem e especialmente de baleias.
Estes enormes animais, são extremamente pacíficos, a ponto de com extraordinária curiosidade se aproximarem dos barcos. No que me diz respeito estive a dois metros da mamã baleia com a sua cria de duas semanas e duas toneladas.
Brincam, passando por debaixo dos barcos (bastaria um sopro para pôr o barco no fundo) e mostrando-se.
Cai, assim, por terra aquelas batalhas heróicas dos Baleeiros. O animal só se torna violento depois de arporado e claro, tentando salvar a vida.
Mas, o mais importante, é que nestas baías onde os animais regressam para dar à luz e para criarem os filhotes, criou-se um turismo de lazer e científico de tal dimensão que já podemos dizer que as baleias dão mais dinheiro vivas que mortas.
Quem vê uma mãe baleia de barriga para o ar dar de mamar ao filhote, nunca mais deixa de pensar que o “animal homem” é uma besta!
Valham-nos os jovens casais de biólogos que escolhem aqueles locais longínquos, áridos e selvagens para os proteger e estudar!

Fica para a próxima, Michelito!

Tal como se previa, o toureiro mexicano Michelito, de 11 anos, foi impedido de actuar na quinta-feira no Campo Pequeno e ontem em Portalegre. Uma queixa da Animal ao Ministério Público, à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Comissão de Protecção e Crianças e Jovens de Lisboa acabou por dar os seus frutos e acabou por ser esta última instituição a proibir o jovem de entrar na arena. Entretanto, já foi anulada a participação de Michelito nas restantes 10 touradas em que iria estar presente.
Já falei aqui de touradas, relativizando o sofrimento dos touros em relação aos animais que, por exemplo, servem para a nossa alimentação. Ou os animais utilizados para experiências científicas. Ou os animais do circo. Ou os animais utilizados pela indústria das peles e dos cosméticos.
Nada que desculpe, obviamente, um espectáculo que, em pleno século XX, só poderia sobreviver mesmo num país de terceiro mundo. E neste caso concreto, estamos a falar de uma criança que tem 11 anos e cuja formação está a passar por espetar farpas em animais.
Quando estive a acompanhar, entre 2006 e 2007, por motivos profissionais, o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, vi que nos treinos, eles colocavam à frente das vacas crianças com 4 ou 5 anos. Sempre a ajudá-las, claro, amparando-as, ficando a segurá-las – e eram animais de treino. Mas não deixavam de ser crianças de 4 ou 5 anos!
A partir daí, já nada me espanta.

Partido pelos animais – Manifesto

Segue abaixo o Manifesto do Partido Pelos Animais. Nele está resumida a nossa visão a respeito dos animais, da natureza e do meio ambiente e de como tratamos o ambiente em que vivemos. Esta visão é a base dos pontos de vista do Partido Pelos Animais. Se preferir fazer o download do Manifesto em pdf, clique aqui.

A Vida na Terra manifesta-se de várias formas. Só o número de espécies animais ultrapassa 1 milhão. Cada forma de vida tenta manter-se mesmo que seja à custa de outras formas de vida. As espécies podem ser concorrentes ou relacionar-se como caçador-presa. Todas as formas de vida juntas fazem parte do ecossistema global, que encontra naturalmente um equilíbrio dinâmico. Por esta razão, a vida na Terra não é um paraíso pacífico, mas uma luta permanente que causa sofrimento aos envolvidos, mesmo até à morte.

O ser humano faz parte do sistema ecológico na terra, mas – devido ao seu desenvolvimento mental e à cultura que resulta deste – é capaz de prosseguir os seus próprios interesses à custa de outras formas de vida de uma maneira mais intensa e em maior escala do que qualquer outra criatura. Contudo, esse mesmo desenvolvimento mental também dá ao Homo Sapiens a liberdade de não infligir sofrimento e danos desnecessários a outros organismos e mesmo a membros da sua própria espécie, no presente e no futuro. O respeito pela integridade física e mental de todas as espécies de vida na terra é a base de um relacionamento mais pacífico entre os homens e destes com os animais e com a natureza em geral.
O respeito pela vida ainda não está suficientemente desenvolvido nos seres.

Isto levou e ainda leva a uma enorme brutalidade e negligência do comportamento humano. Como consequência disso, áreas naturais estão a desaparecer rapidamente, espécies animais estão a extinguir-se e o ecossistema global está sobrecarregado e desorganizado, correndo-se o risco do desaparecimento de grandes grupos populacionais. É moralmente inaceitável que as pessoas explorem a natureza tão intensamente que por essa razão a forma de vida na terra seja mudada drasticamente e o biótipo do ser humano e de outras formas de vida se tornem piores, menores, ou cheguem a desaparecer. Gerações futuras serão mais confrontadas com a consequência disso do que a geração actual. Por isso é de grande importância que as pessoas suportem o limite ecológico. Este tem que se direccionar para a redução da utilização de espaço, solo, energia, plantas e animais.

A Carta da Terra, surgida a partir de uma iniciativa das Nações Unidas em 1987 (United Nations World Commission on Environment and Development: http://www.earthcharter.org), é utilizada como ponto de partida por organizações relacionadas com a natureza e meio ambiente. A protecção da vitalidade, diversidade e limpeza da terra é, nesta carta, descrita como uma “santa tarefa” do ser humano . No artigo 15 está formulado como alvo especial o respeito e a piedade na forma de lidar com animais. Deve ser impedida a prisão brutal de animais e a caça e métodos de pesca que causem extremo, longo e desnecessário sofrimento devem ser proibidos. A Carta está direccionada para o uso permanente da natureza pelo homem. Na verdade também são reconhecidas outras formas de vida que a humana e esse reconhecimento do seu valor próprio torna prescritos o respeito e a compaixão no contacto com os animais, embora no que respeita ao uso de animais não existam restrições claras .

Isto aconteceu na Declaração Universal dos Direitos dos Animais da Liga Internacional dos Direitos do Animal em 1977. Aqui não somente fica suposto que todos os animais têm que ser tratados com respeito, mas no artigo 7 é classificada a morte desnecessária de um animal, e qualquer decisão relacionada com isso, como um “crime contra a vida”. A caça por prazer e a pesca desportiva são claramente condenadas, enquanto para o uso de animais para testes são colocadas normas que atendem a uma necessidade e
acompanham uma pesquisa de aplicação de alternativas.

Após dois séculos de protecção aos animais já estamos mais que a tempo de reduzir a continuidade do uso de animais. Os Animais ainda são considerados como objectos subalternos (“coisas” no nosso Código Penal) que podem ser utilizados para os interesses humanos. A exploração dos animais e do seu biótipo, mesmo que seja de curta duração, tem, inevitavelmente, uma consequência negativa para os animais e acaba a maioria das vezes com a morte deles.

Por essas razões, em relação a todas as formas de lidar com o uso de animais, deverá ser cuidadosamente estudado o interesse humano e as consequências para o animal. O uso de animais para interesses não vitais dos homens pode nessa aproximação ser recalcado e banido. Isto evidentemente é válido também,
entre outros exemplos, para a produção da pele, o circo, a tourada, a pesca desportiva e outras formas bruscas de diversão utilizando os animais. Religiões e tradições culturais que agridam o bem-estar dos animais precisam de ser renovadas.
As tradições não são de facto fantasmas inalteráveis, mas podem e devem adaptar-se à mudança dos tempos e a um novo conceito e normas morais humanas, pois no passado fez-se o mesmo. Também no uso de animais para testes e de animais para consumo humano sempre servirá a dosagem ética de diferentes interesses do homem e do animal. Também aqui devem ser aplicadas alternativas para testes com animais e produtos animais. O desenvolvimento e aplicação dessas alternativas podem por isso também ser
considerados necessariamente éticos. Um trato cuidadoso e amoroso com a natureza e os animais significa na verdade que os homens demonstram respeito pelo corpo e uma mentalidade íntegra. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) oferece para isso um adequado ponto de partida. Por eles foram criadas leis onde a pessoa em liberdade e sem opressão e violência pode viver e desenvolver-se. Aqui o homem tem que levar em consideração a própria raça. A sua liberdade termina onde começa a liberdade do outro. A Declaração Universal dos Direitos Humanos forma, junto com a Declaração dos Direitos do Animal e a Carta da Terra, um ponto de partida prático para a forma segundo a qual o homem com os homens, com os animais e com a natureza se deve relacionar. Este ponto de partida é usado no programa eleitoral do Partido Pelos Animais.
Para que seja possível uma mudança do comportamento humano relativamente ao próprio homem, à natureza e aos animais, é importante que se proceda a uma profunda reforma das mentalidades e dos factores culturais, sociais, políticos e económicos que as condicionam. O Partido Pelos Animais apoia assim todas as iniciativas que visem melhorar as condições de vida dos homens, em harmonia com a natureza e as restantes espécies. O Partido Pelos Animais apoiará e promoverá particularmente acções que visem aumentar a consciência e sensibilidade humanas a respeito do facto evidente de que todos os seres sensíveis desejam igualmente a felicidade e o bem-estar e não desejam sofrer. Por esta via, o Partido Pelos Animais assume estar ao serviço do desenvolvimento do próprio homem, na prática de um novo paradigma mental, ético e civilizacional que torne a humanidade mais fraterna e solidária do universo em que vive e de todas as formas de vida com que convive.

Oeiras, 29 de Maio de 2009

A Comissão Coordenadora
António Rui Ferreira dos Santos
Pedro Luís Sande Taborda Nunes de Olive
ir
a
Paulo Alexandre Esteves Borges
Fernando Leite

Vais continuar a usar peles, seu animal?

O Lince


O plano de introdução do Lince Ibérico está a todo o gás. O centro de acolhimento está pronto e será entregue pelas Águas de Portugal ao Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. O dia internacional da Biodiversidade, 22 de Maio, foi o dia escolhido. Já foi feita a recuperação dos habitats e lançada uma campanha junto das populações para as sensibilizar para a importância do Lince.
O repovoamento vai ser feito até final do ano com importação de animais de Espanha!
Como sabem trata-se de um animal bonito, esquivo, ágil, furtivo que necessita de habitats próprios e que sem condições excepcionais de protecção ao mais alto nível e de equipas de gestão devidamente colocadas no terreno, tem tendências para a extinção!

Vamos ser vegetarianos?

Roda dos alimentos

Eu acho que invariavelmente vamos inverter os nossos hábitos alimentares e tornar-nos vegetarianos. Ou vegans. Ou ovolactovegetarianos. Não interessa. Vamos comer pouca ou nenhuma carne e peixe. É inevitável. Basta comparar a Roda dos Alimentos original, desenvolvida por portugueses para a Campanha de Educação Alimentar “Saber Comer é Saber Viver” em 1977, com a de hoje em dia. (Ainda gostava de saber quem foi o responsável por esta ideia excelente) Em pouco mais 30 anos, a porção do peixe e da carne diminuiu para metade. Obviamente, isto não tem efeitos imediatos, e não é por haver indicações sobre alimentação numa roda que os hábitos alimentares vão mudar rapidamente. Basta acompanhar o fenómeno da obesidade para perceber que esta mudança pode demorar décadas. Mas vão mudar, nem que seja lentamente. Convém não descurar a evolução natural do conhecimento e poder do marketing científico.
Noutra perspectiva, começa a ser perceptível que não é possível andar sempre a comer grandes bifes do vazio. Por um lado, questões directas como o facto de ser óbvio que é necessário uma quantidade enorme de vegetais e água para produzir uma pequena quantidade de carne. Porque não saltar um elo na cadeia alimentar? Depois as questões de escassez de recursos naturais, alimentação dos animais, água e energia que se despendem, começam a pesar até economicamente e irão tornar a carne e o peixe (praticamente) inviáveis. A acrescentar ainda o factor-surpresa ultimamente muito mediático:  hormonas, doenças e pandemias. Por outro lado, questões laterais como a defesa dos direitos dos animais e a crescente consciência que os animais têm uma existência própria para além da nossa esfera de interesses. Ou os animais serão apenas “comida viva”?

Para mim existe ainda um dilema moral, quando penso nas condições industrializadas em que são “produzidos” animais nos dias de hoje. Na forma como são tratados. Na forma como são mortos. Se é assim uma coisa tão boa e necessária e sem aspectos grotescos e desagradáveis, porque não dar uma voltinha até ao matadouro mais próximo? E porque não levar os filhos?

Eu não sou vegetariano. Mas de alguma forma estranha, a minha consciência começa a pesar. Por isso como muito pouca carne. O peixe que já era pouco, mantém-se. Aumentei em muito os vegetais e fruta. Espero conseguir libertar-me em breve de anos de habituação. A total ruptura de hábitos alimentares é mais complexa e difícil do que eu poderia imaginar. Em termos de dificuldade, eu classificaria a mudança de regime alimentar ao nível da ruptura no consumo do tabaco.

Muitas questões éticas e morais se têm levantado em volta dos animais e eu considero que é um fenómeno (minoritário) em rápido crescendo e não vejo como esta tendência possa mudar. Mas nos dias que correm, também já acredito em tudo.

Animais de laboratório: Por que é que a senhora não experimenta nela própria?


Acerca do Dia Mundial do Animal de Laboratório, que foi celebrado há cerca de 15 dias, soube da intenção de uma Fundação privada de construir um biotério com capacidade para 25 mil animais através do Paulo Jorge Vieira. A luta contra este projecto aqui.
Já agora: uma certa senhora, que em tempos andou a fazer experiências com sangue contaminado, por que não faz agora as experiências científicas nela própria?

continuação aqui