Herodes entrando em Jerusalém (36 adC). Miniatura de Jean Fouquet (entre 1470 y 1475)
o dia dos inocentes
no rastro da sexualidade camimha o amor;no rastro do amor caminha a sexualidade
NO RASTRO DA SEXUALIDADE CAMINHA O AMOR
NO RASTRO DO AMOR CAMINHA A SEXUALIDADE.
Ensaio de Etnopsicologia.

amor
A frase que me serve de título, não é minha. Retirei-a de um texto sem autor que comenta as ideias de Freud sobre o amor. Amor que, no texto de 1908, O eu e o isso, tal como no de 1905: Três ensaios sobre sexualidade (comentados anteriormente neste blogue), é definido como pulsão, a qual, como o autor a pensa no texto de 1915: A pulsão e as suas vicissitudes, é um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se situam no consciente, acautelados pelo Id do inconsciente. Definições que podem ser lidas em http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/freud.html.
No presente texto quero falar eu. Sempre defendi a ideia de que o amor surge primeiro e, a seguir, o desejo. Freud coloca o desejo antes do amor, porque tinha como objectivo curar neuroses, atribuídas à falta de satisfação da libido. Eis porque define amor como pulsão. Aliás, o próprio autor tinha problemas pessoais com o sentimento amor. A energia de Eros (libido) faz referência a tudo o que pode sintetizar-se como amor, incluindo: o amor a si mesmo, aos pais, aos filhos, à humanidade, ao saber e aos objectos abstractos. Nele convergem pulsões parciais de ternura, ciúme, inveja e desejos sexuais orientados para os mesmos objectos. O amor é, assim, apresentado como uma ampliação do conceito de sexualidade e ao mesmo tempo ancorado na inadequação radical dos objectos à satisfação sexual, vinculada a um factor de desprezar inerente à sexualidade humana. Citação retirada do texto de Olivia Bittencourt Valdivia, publicado em A Linguagem Interminável dos Amores, Jornal do Federal Nº 34, 1993.
Esta é a teoria psicanalítica a falar. Mas, nós, como explicamos os nossos amores, e como entendemos se devemos distinguir idades e sexos para saber que o sentimento aparece primeiro: amor ou o da paixão? Sempre fui da opinião que o amor ia em frente da paixão. A paixão é a libido que orienta os nossos comportamentos e desnorteia a razão. Paixão que não aparece apenas na idade púbere. A paixão é um sentimento que é uma força da natureza e começa nos tempos em que, pela nossa frente, há quem nos alimente, nos agasalhe e nos aconchegue. Paixão é essa grande inclinação ou predilecção por esse ser humano, por quem nutrimos um grande afecto, violento, um amor ardente. É razoável que essa primeira paixão se materialize no seio da mãe que nos alimenta. Sentimento que perdura ao longo de toda a nossa vida e que, quando nos falta, provoca-nos tristeza. As mães têm essa vantagem na corrida de afectos perante os descendentes, corrida que acaba quando, em frente da criança, aparece um outro tipo de paixão. Uma afectividade diferente do seio que amamenta, convertido em amor pela pessoa que trata de nós na idade púbere.
presentes de natal:ofertas ou coima social?

a rosa da dádiva
Um minuto antes de começar este ensaio, acabei um livro sobre o grupo doméstico. O livro nasceu de uma conferência proferida em Alicante, no IV Congresso de Antropologia de Espanha. Como eram 25 páginas, com imensas citações, fiz de cada citação um texto, com imagens, comentários e definições. Um livro de texto. O livro foi-se escrevendo: é um livro de texto para os meus discentes, o meu presente de Natal. Foi escrito com imagens das etnias que estudamos, fotos dos pais fundadores da nossa ciência, comentários sobre a sua vida pessoal e, como gosto de dizer, outras ervas para criar uma obra com amor nos tempos de cólera. De cólera doença, não de cólera sentimento. Enquanto escrevia, como é época de Natal, fui pensando nos presentes oferecidos, nos recebidos e no silêncio da minha casa antigamente cheia de barulho na quadra natalícia. Quer a dos meus pais, quando éramos adolescentes ou púberes, quer, quando formámos a nossa própria família, quer ainda, na minha casa de hoje, ninho vazio dos passarinhos feitos por nós, enquanto eles fazem os seus próprios e os criam.
Apareceu na minha cabeça esta ideia que o sábio Maori Tamati Rainipiri,

sábio maori Tamati Rainipiri
explicara a um discípulo de Mauss, o criador do conceito reciprocidade como oferecer – aceitar – devolver, em conjunto, reciprocar. Pensamos sempre em reciprocidade como troca mútua ou compensação. [Read more…]
As minhas memórias do ISCTE, hoje IUL
AS MINHAS MEMÓRIAS DO ISCTE, HOJE IUL

Convidado pelo Instituto de Ciências da Fundação Gulbenkian, apareci em Portugal, pela primeira vez na minha vida, em Dezembro de 1980. Vinha da Universidade de Cambridge, onde fiz os meus graus, até ser Doutor e Agregado. Ainda sou membro do Senado dessa Britânica Universidade, na qual, actualmente, trabalham a minha filha mais nova e o seu marido. Não sabia Português, mas conhecia profundamente o Galego. Tentei falar em língua luso-galaica, mal entendida entre luso – portugueses. Mudei de imediato para o inglês, a minha melhor língua, por estar relacionado com a Grã-bretanha desde os meus vinte anos (sou casado com uma inglesa e as minhas filhas são britânicas). [Read more…]
They met some thirty years ago…
Some thirty years ago, I used to carry my youngest daughter to the school, half a block away from the house. She was blonde, red on her white cheeks, very cheeky, even with me. What a big patience from Dad…
Her face used to illuminate as soon as she saw Katy Pompar, her teacher, and that lot of friends, always surrounded by Russel, Cosh, or Campbell, Harrison and another, distant classmate, Felix Ilsley. There were many more. Time passes away and one forgets names, but not faces, games and intimacy

children playing away
Time passes away. They grow up. They study. They ride their bicycles in our Cambridge town and surroundings countryside. Secondary School meets them at their eleven years of age, and six years later, the Pre University A level School. Camila was always a bright student. Just a glance on a book and the ideas, as also happened with our elder daughter Paula, became a memory in their minds.
To wake her up in the morning was an agony. She always wanted to sleep more! I used to go into her bedroom and bed and sung for her. It used to be a sweet lullaby to wake her up, very smoothly, lovely and tender. For a number of years, she came to be the woman of the house: her Mother used to work away from Cambridge, and I, away from UK. Problems of the adults…that children pay…
Time flew away. She became my soul mate, my companion, my caretaker. I am so grateful!
Because of family work, Felix had to leave St. Pauls’ Primary school….
Years later, they mate again…and the miracle

love and tenderness
Heterogeneidade de sentimentos
Dois problemas agitam a nossa sociedade, ou a nossa cultura. Nós Antropólogos denominamos cultura as formas de pensar, fazer e sentir, ai onde os sociólogos denominam sociedade a um conjunto de pessoas que partilham a mesma língua, ideias constitucionais e tradição histórica. Sociedade é partilhar a mesma memória e configurar um mesmo futuro. Cultura é conhecer essa memória, respeitar a sua normatividade ou manipula-la.

mãe a falar com filho
Afirmo no título que nas várias sociedades do mundo e dentro dos seus segmentos, palavra criada como conceito por Durkheim em 1894, Les règles de la méthode sociologique , que pode ser lido em http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/regles_methode/regles_methode.html existe uma variedade de sentimentos.
Nós, ocidentais, estamos habituados as formas de relação social, onde é a pessoa masculina a que manda, orienta, e perfilha aos filhos do casal. Esses descendentes, levam o seu nome, como está definido no Código Civil que nos governa, Livro IV, Direito de Família, artigo 1576 e seguintes, especialmente Título III, Da Filiação, artigos 1798 e seguintes, texto que permite a adopção e a comunhão de bens. Ideias todas retiradas da cultura à qual estamos habituados, desde que a nossa República nasceu como Monarquia, em 1806. Monarquia cristã, que submete aos filhos aos seus pais – antigamente apenas ao denominado cabeça de casal, o homem de casa, hoje em dia aos dois por igual, pai e mãe. Tão habituados estamos, que a lei não é respeitada e mulher e filhos são subordinados ao adulto masculino denominado pai. É a nossa cultura… [Read more…]
claude lévi-strauss em trabalho de campo

- Claude Lévi Strauss, trabalho de campo no Brasil, 1933
Foi o único trabalho de campo que realizou durante a sua vida, em Goiás, Matto Grossoe Paraná, Brasil Central, resultando no famoso livro: Tristes Tropiques, Plon, 1955, no qual define a melhor ideia da sua vida: apesar da diversidade, todas as culturas apresentam pontos comuns e semelhantes, nomeadamente quanto ao etnocentrismo.
Este poste é tão só uma nota de louvor para o grande sábio que, pela primeira vez em 102 anos, não passa o Natal connosco. [Read more…]
É Natal, pá!
É usual serem aplicadas sanções económicas ou boicotes a países cujos regimes violam os Direitos Humanos, ou desrespeitam imposições da ONU, ou por outra razão “qualquer”.
Até nós tivemos em Portugal uma campanha para que não se comprasse produtos feitos na Indonésia porque ocupava ilegitimamente Timor.
Curiosamente hoje já não nos importamos, por exemplo, que constantemente sejam executados chineses. Aliás até se dá benefícios fiscais ao comércio chinês. E, acrescentando o facto de venderem de tudo mais barato do que no comércio tradicional, percebe-se como não há terra que não tenha a chamada “loja dos chineses”.
Que diabo, sempre vendem produtos mais barato. E para quem tem de (sobre)viver com pouco, até mesmo essa coisa da qualidade de que tanto falam os nossos políticos, são para carteiras que não da maior parte do pessoal. Porque a qualidade importa algo que não é lá muito compatível com o nosso nível de vida: encarece.
Também não nos preocupa que a China seja um dos maiores poluidores do planeta que habitamos (embora o Tio Sam continue a liderar). Queixamo-nos que as radiações estão no auge, que sofremos com isso, mas barato é barato e em tempos de vacas magras há que fazer pela vida.
Em Copenhaga, a China até se diz muito preocupada com a defesa do ambiente, e que tem levado a cabo um enorme esforço para reduzir os níveis de poluição. Imagino mesmo que venha a curto/médio prazo a substituir os fuzilamentos por enforcamentos que têm um impacto ambiental menor ( a começar em sede de poluição sonora).
Assistindo ao corrupio das compras de Natal, entre grandes superfícies e o comércio tradicional, é fácil de ver que nas secções de brinquedos, os carros comandados e as bonecas feitos no oriente não dão hipótese aos brinquedos europeus. Até mesmo porque pelo preço de um ou dois brinquedos europeus compra-se, do oriente, tudo para filhos e sobrinhos e canalhada em geral. E mesmo grandes marcas ocidentais, de ambos os lados do Atlântico, produzem os seus artigos na China.
Nestes momentos, as teorias da defesa dos Direitos Humanos, do ambiente e da aposta na qualidade para vencer os desafios do futuro, ganham contornos de ridículo.
O matrimónio homosexual e as opções de amar
Por curiosidade, parei a minha escrita, esse meu grande amor a seguir à minha mulher, filhas e netos, e ouvi a notícia: o Conselho de Ministros tem aprovado um projecto de lei que liberaliza o mais elementar direito do ser humano: as formas de amar. Por estranha coincidência, a proposta é aprovada no dia a seguir em que Ratzinger impõe uma lei canónica para o matrimónio católico: se dois que se amam e querem casar pela Igreja mas são de diferente fé, antes do sacramento o fiel católico deve pedir autorização à Cúria Romana, por meio do seu Pároco. Se a licença é negada, não há Sacramento e, talvez comece uma vida de amancebamento que a fé romana impede: ou sacramento, ou nada, excepto a lei civil para os filhos serem filhos de dois que se unem por amor. O bom Bispo de Braga comentava, na sua boa vontade, que era apenas uma orientação de Ratzinger. Mas, quando o Papa Romano fala, a sua voz deve ser obedecida por se acreditar que a divindade fala pela sua boca em matérias de fé.
Mas Ratizinger não é apenas Bento XVI, é também o PDS e o muito católico CDS-PP. Partidos que, como sabemos, deve contar entre os seus membros pessoas que vivem amancebadas de forma homossexual ou heterossexual. Nunca há nada puro. Se a pureza existir, não seria necessário o sacramento da confissão, que começara no Século XII, no II Concílio de Letrão. Não era para fazer introspecção como na psicanálise, era para limpar a alma em tempos em que o inferno era uma realidade viva e temida. Temida de tal maneira, que o Concílio de Trento do Século XVI criou como dogma de fé, o Purgatório. Sítio, estou certo, que deve servir aos que estão a pensar em tratar o matrimónio homossexual como um amor diferente. Eles ainda não experimentaram o sentimento definido por Freud em 1905-12 e 22, que a paixão é uma força da natureza e a libido manda na nossa racionalidade, especialmente o texto do ano 1922: O Eu e o Isso, ou o Ego e o Id. Esse Id, tem sido ultrapassado se este projecto de lei é aprovado e promulgado. Não podemos esquecer que o nosso Presidente da República tem direito a veto e toma a eucaristia de joelhos, em Fátima, que visita regularmente. No entanto, confio ma sua racionalidade e em andar nos tempos modernos: não quererá permitir, conforme a sua fé, que seres humanos vivam, como ele diria, em pecado, ou os de diferente fé, assunto apesar da concordata que não é com ele, ou os do mesmo sexo. [Read more…]
Natal: Mito, ritual ou processo comercial?
Para os meus netos Tomas e Maira van Emden, em Nederland, e para a que deve nascer em Dezembro, na Grã Bretanha.

Santa Claus vende presentes
Não sou homem de fé mas tenho estas ideias para dizer:
Em 1260, na sua obra Provérbios, Tomás de Aquino escreve elementos do que viria a ser a sua obra O Catecismo, editada pelos Frades Dominicanos e mais tarde, em 1878, pelo Papa Leão XII, nascido Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci Prosperi Buzzi; Carpineto Romano, a 2 de Março de 1810 — Roma, 20 de Julho de 1903, foi eleito sucessor do Papa Pio IX. É frequente referir-se o Papa Leão XIII pelas suas duas importantes encíclicas: Rerum Novarum, de 1891, sobre os direitos e deveres do capital e trabalho, em que introduz, no pensamento social católico, a ideia de subsidiariedade e a Aeterni Patris, de 1879, sobre Filosofia, onde destaca a importância do retorno à Filosofia de São Tomás de Aquino do Vaticano, a sua primeira preocupação é declarar a obra de Tomás de Aquino como a orientadora da Doutrina da Igreja Católica, declarando o seu Catecismo a base de qualquer outro que pudesse vir a ser escrito.
Eis, aqui, a razão porque em 1991 o Papa João Paulo II ou Karol Wojtila, ao escrever o seu Catecismo, cita mais de 66 vezes a Obra Aquiniana. Nem Jean Calvin em 1535 ou Lutero em 1529, fazem referência ao nascimento de Jesus. O Direito Canónico que governava o mundo até ao Século XIV ou a queda do Império Bizantino, especula normalmente sobre esta ideia do nascimento de Jesus, narrada como está nos Evangelhos. [Read more…]
O Chile de Sempre

Bandeira do Chile
Bem sei que sou português, por honra e louvor, apesar de ter pago a nacionalização, pelos serviços prestados a este País. Antes era britânico, antes ainda, Chileno e, por parte dos pais, Espanhol. Com mulher e filhas Britânicas, netos Britânicos e Holandeses, genros Inglês e Neerlandês. Tenho vivido, dos meus sessenta anos, quarenta fora da Pátria. Qual? O Chile, evidentemente. Poucos anos morei lá, mas lá ficaram a minha língua, as minhas memórias, a casa dos pais, grande parte da minha família. Família que hoje vai votar para eleger o próximo Presidente do Chile.
Na minha visita ao Chile de Allende, como sabemos, acabei num campo de concentração. Apenas 35 anos depois, me deixaram entrar.
Quem me dera estar aí, mas esse encarceramento lançou à fogueira da infâmia a minha imensa Biblioteca e as minhas credenciais. Votar não me é possível, ainda que quisesse.
Depois da Ditadura, a minha Pátria tornou a ser o Chile de sempre: muitos candidatos, coligações, esse suar das mãos ao torcer pelos nossos candidatos, os da Concertação Nacional, que agrupa o PS de Allende, Lagos e Bachelet, o dos antigos Presidente Frei, o primeiro a ser envenenado pela ditadura durante uma operação simples; esse Frei Montalva que não queria entregar o poder nos anos setenta do Século passado ao candidato triunfante, o Social-Democrata Materialista Histórico, Salvador Allende, mas foi pressionado pelo seu candidato, Radomiro Tomiç, candidato, que publicamente e em frente do povo, reconheceu a sua derrota e congratulou o candidato vencedor. Frei Montalva, teve de anunciar os resultados, não tinha alternativa. Poucos anos depois falecia nas mãos dos esbirros que ele apoiara. O seu Amigo de sempre, Patrício Aylwin, foi eleito, por unanimidade como Presidente do Chile, em 1990, com o apoio do seu partido, a Democracia Cristã, semelhante à de Portugal, e uma Concertação Democrata, prémio merecido por ter lutado durante 19 anos contra o Ditador, desafiou-o para um plebiscito, o «não ao Ditador» ganhou, foi-se embora de má maneira, com ameaças de outro golpe de estado, como Patrício Aylwin me contou na sua visita a Lisboa. Em poucos meses e a correr, os partidos banidos arrebitaram, embora com nomes diferentes, mas todos votaram pelo sabido triunfador, excepto os apoiantes do ditador, que já não existe – grupo conjuntural – e o mais tarde formado partido Renovação Nacional do candidato, que tudo indica ganhe as eleições de hoje, milionário industrial, por nome Sebastián Piñera, apoiado pela coligação de direita União Democrática Independente. Independente, para se diferenciar dos resquícios do partido do ditador, partido que morre lentamente e não apresenta candidato nestas eleições. O seu rival,
homossexualidade e pedofilia
É o meu hábito escrever de manhã, cedo diriam outros, pelas 7.30. Como relato no poste da manhã, o texto nasceu de uma conversa com um senhor, considerado por mim da minha intimidade. A conversa, era apenas um cumprimento. No entanto, levou quase uma hora e com muito proveito. Foi dessa conversa que nasceu o texto publicado antes e que pode ler em www.aventar.eu
No entanto, debates começaram a aparecer. A minha necessidade de esclarecer, nasceu, e lá vão ideias.
A primeira é que nunca confundi homossexualidade com pedofilia, Atracção mórbida do adulto pelas crianças, como foi definida por Freud no seu texto de 1922, citado por mim no meu poste de ontem, dia onze de Dezembro de este ano. O texto é de 1922 e tem por título o eu e o isso, ou ego e id, ao ainda, le moi et le ça, que pode ser lido em http://classiques.uqac.ca/classiques/freud_sigmund/essais_de_psychanalyse/Essai_3_moi_et_ca/moi_et_ca.html Cabe ao leitor o trabalho. Apenas um comentário da minha parte: não se deve confundir a homossexualidade nem a paixão de um ser humano por uma pessoa do mesmo sexo, com a pedofilia definida antes.
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Está na moda falar-se sobre homossexualidade
“ESTÁ NA MODA FALAR-SE SOBRE HOMOSSEXUALIDADE”[1]
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Será sempre assim enquanto não houver lei para a liberdade de amar
Falava ontem prolongadamente ao telefone, com um senhor, estimado por mim como pessoa íntima, e falamos das opções das formas de amar, desde a denominada normal relação erótica heterossexual, até a pedofilia, muito praticada na Ilha da Madeira e em Lisboa. Falamos do que era ritual, como os Sambia, estudado por David Herdt, em 1987 e publicado por Holt, Rinehart and Winstos, Chicago, ou os Baruya, por Maurice Godelier, Fayard, 1981, na Papua Nove Guiné, os dois casos. Ou meu livro do ano 2000, O saber sexual das crianças. Desjote, porque te amo, Afrontamento, Porto. Como a pedofilia era um ritual entre estes grupos e um comércio de prostituição, na Madeira e em Lisboa. Como Herdt e Maurice tiveram que ser submeter ao ritual das etnias que estudavam, para passar a ser homens, e eu delicadamente desisti entre os Picunche, clã do Chile Central, da Etnia Mapuche. Referi como entrei na casa dos homens, onde o cuni liguis acontece para ser membro do grupo e pelo prazer que produz, ou a felatio. Concordamos que são formas heterogéneas de amar, que existem e todas as sociedades, especialmente as Europeias que compram crianças na Madeira aos seus pais, que com orgulho vendem aos seus catraios. Orgulho que o catraio tem, porque, como investiguei na Madeira, se não são vendidos, as formas homossexuais de amar acontecem na Ilha, entre eles. É o motivo pelo qual são vendidos, por ser a homossexualidade de menores de idade, um crime em Portugal, punido pela lei, assim como é um ritual entre os grupos referidos antes. Ritual que dá prazer, pelo que, ainda que crime, é praticado em segredo no nosso país. Foi a minha maior surpresa ao entrar, nos anos 80, em Portugal. Curioso científico, percorri uma série de ruas de Lisboa e casas fechadas onde a homossexualidade e a pedofilia eram praticadas em silêncio. Concluímos a conversa com um comentário: deve ser criada a lei que permita o amor aberto em Portugal, o único País da Europa em que as relações [Read more…]
Natal. Os presentes das crianças: Lições
Para Camila, essa minha filha companheira, que neste Natal de 2009 será mãe e para Félix, seu marido que passa a ser pai. Deve nascer uma Elisa ou uma Rebeca…..estou certo, no dia Natal!.
1. Sonata introdutória.
Perguntou-me um dia uma estudante da minha Universidade portuguesa: Senhor Professor, porque estuda crianças? A minha resposta foi breve: porque sou pai.
A seguir, proferi uma explicação mais cumprida. Não é apenas por sermos pais, é, sobretudo pelo que as crianças nos ensinam. Parece que não por serem pequenas? Somos nós, adultos, que dizemos as sabidas coisas da vida? Sabidas coisas, conceito que substitui todas as acções e aventuras na interacção da experiência da vida, interacção que, por habituados como estamos com ela, esquecemos de reflectir. Reflexão que nem nos faz mal, pelo contrário. Uma reflexão a ajudar-nos a crescer, a partir das crianças. Crianças adultas e crianças a crescerem. Como as filhas que tantos de nós, pais, temos. É verdade que a simplicidade e o carinho, a honestidade e a lealdade são parte da vida que praticamos e transferimos para a nossa descendência. Descendência que, sem darmos pelo facto, começa a aumentar. Um dia somos filhos, anos virados, somos autónomos e indivíduos, anos depois, caímos no chão de um amor que acompanha os nossos afectos, a nossa emotividade mais íntima, e, dessa intimidade, aparecem os primeiros descendentes que fabricamos. Não, não é um erro de estrangeiro dizer fabricamos, porque são feitos pelo amor à pessoa que os leva no seu corpo durante meses e que do seu corpo os alimenta.

- Elisa, Rebeca, o nome não interessa, o importante é a pessoa…
Essa intimidade partilhada entre os pais perante a criança nascida, pais a olharem-se no bebé, a ouvirem as primeiras palavras, a brincarem com canções que ensinam palavras a essas crianças que, por vezes, sem sabermos, andam atrás de nós.
Mais tarde, começam a fazer parte de um grupo, interagindo e falando sem nós ouvirmos, mas sabemos pelas mudanças de atitudes que as crianças, essas nossas crianças, têm. E os sarilhos fora do lar começam. E aumentam à medida da inserção em actividades longe de nós. Como pais, ouvimos o que nos é referido e com firmeza, na linguagem da idade que fala, opinamos para que a nossa pequenada possa optar. Optar ela, não nós por ela. [Read more…]
Os direitos humanos e o assassino do Chile
O Presidente Social Democrata Salvador Allende, discursa para o povo





Sou Membro Activo da Amnistia Internacional e da Organização Human Rights Watch. Não paramos um minuto na defesa dos que estão encarcerados sem justa causa, dos executados sem motivo, dos assassinados sem razão. O trabalho é imenso, a crueldade no mundo é muito grande. Temos estendido o nosso afazer e cuidados à violência doméstica, largamente exercida para nossa infelicidade. Infelicidade, porque a violência doméstica separa famílias, cria seres humanos sem amor e ensina criminalidade pelo desamparo que sofrem as crianças. O sistema capitalista de governar o mundo, tem violentado as relações entre as pessoas: a interacção humana sã e amorosa acabou com a Revolução Industrial.
Essa Revolução que mudou as formas de ser das pessoas e transformou-as em angariadoras de lucro.
Revolução que não permitiu no Chile a gestão dos bens que o Governo Social Democrata confiscou aos que tinham demais, para redistribuir as riquezas entre a massa da população que apenas tinha a sua força de trabalho para sobreviver, força paga com um salário mínimo, que lhe permitia apenas comer pão e beber chá. [Read more…]
O assassinato politico, desmerecida punição

Recebi ontem uma homenagem, criada por Carlos Loures e que, gentilmente, me dedicou, para assinalar as exéquias de Victor Jara, 36 anos depois da sua morte, realizadas em Santiago do Chile a 3 Dezembro do corrente ano, trinta e seis anos após o seu assassinato no Estádio Nacional do Chile. As suas mãos encantaram o povo, que andava sempre atrás dele, para ouvir as suas canções e lançar vivas a um operário que soube aprender música, crescer dentro de uma vida pobre, e ajudar à eleição de um Presidente. As mãos de Victor Jara não eram esguias, mas fortes; mãos de um trabalhador usadas para o romance, especialmente quando cantava a sua música: Te Recuerdo, Amanda, nome de uma das sua filhas. Nome de um dos seus amores. Mãos partidas e desfeitas pelas botas dos soldados que gritavam: canta agora! Um operário com voz que percorreu o mundo. Por temor, os cobardes torturadores esconderam o seu corpo, após dias de tortura, seguida de morte. Diz a história que a sua fortaleza permitiu que nenhum som de dor sai-se da sua boca, boca que sabia cantar mas não chorar.

Victor Jara vai enterrar após trinta e seis anos da sua morte
Mãos proletárias que fizeram cantar o mundo. Durante o seu funeral, milhares de operários acompanharam-no ao longo de oito horas a andar até ao cemitério dos heróis do Chile.
O orgasmo
O orgasmo
Quando ele viu que o Jorge Sousa Braga dera ao seu primeiro livro o título: “De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu”… delirou! Por um lado, um prémio – partiu do princípio que seria uma pérola preciosa – uma espécie de óscar atribuído não a um mas a todos os actores, por outro lado, um prémio deposto no mais importante emunctório do organismo, isto é, no cu.
Ora, meteram-lhe, um dia, uma pastilha na boca e disseram-lhe que era Deus. Como se Deus coubesse na sua boca! Tiveram o cuidado e a elegância que o Jorge não teve, se bem que, entre as células do cu e as da boca, haja apenas ligeiras diferenças estruturais e funcionais, pequenas diferenças de fermentos e ácidos, muitas vezes insuficientes para justificar a diferença entre um beijo e um traque.
Como se Deus coubesse na sua boca! O mar, infinitamente mais pequeno do que Deus, não cabe em todas as bocas juntas! Também lhe disseram que ele era filho de Deus. Ou gozaram com ele ou pensaram que era paranóico. Como se Deus andasse para aí, à margem da santa madre, a fazer filhos como ele! Era preciso que fosse um Deus muito foleiro! Revelaram-lhe ainda que nascera de uma virgem, contrariando todas as leis da natureza. Um filho desnaturado!
E tudo porque Deus, pelos vistos, seu pai, ao criar a incomensurável empresa “Pénis e Companhia Lda.” para que todo o mundo crescesse e se multiplicasse, ou se enganou, ou se arrependeu, ou não acreditou no que fez. Disseram cada coisa na sua vida, que ele chegou a pensar que mandava nos pássaros, que era capaz de pôr as cobras de joelhos e que o céu era trigo limpo. Sendo ele filho de quem era! Chegaram ao desplante de o alcunhar de idealista!
Apesar de tudo, sempre foram para ele um tanto estranhas as atitudes de seu divino pai. Por exemplo, e reportando-nos ao último telejornal: Um comboio com milhões de pessoas entrou nas câmaras de gás e Deus, que estava lá – Deus está em toda a parte – fugiu, sabendo o que se passava! Morreram e morrem milhões de crianças às mãos da fome, e Deus, seu pai, atafulha as mesas dos que não têm fome. As guerras crescem como as moscas, multiplicam genocídeos, fazem correr rios de sangue ao sabor dos interesses dos que rezam a Deus, – Ele próprio morre aos pedaços -, e seu pai, com poderes para desligar a máquina, não o faz!
Milhões de mortos, despedaçados, estropiados, violentados! Porra! Eles até são seus irmãos! Os hospitais abarrotam de doentes, crianças doentes, e logo crianças!
Ainda noutro dia o seu celestial pai dissera alto e bom som:” deixem vir a mim os pequeninos.” Pensa ele que o pai se referia aos meninos ricos, porque os pobres são sempre os mesmos e ele nunca os vira em casa de seu pai: os das barracas, os famintos, os esfarrapados, os todo-cagados.
Quer dizer… o que está a dar é o investimento na miséria, uma espécie de “opa” do banco de urgência, o verdadeiro crescimento do produto marginal bruto. É por isso que as más línguas proclamam que ele é filho ilegítimo. Argumentam, dizendo que um pai que tanto faz sofrer os seus filhos, não existe! No meio de tudo isto, Deus, seu imposto pai, marimba-se pura e simplesmente! Ele até tem vergonha, nenhum filho gosta que o pai o atraiçoe!
E mais: Os que comem tudo e não deixam nada, os que fazem a fome para que lhes não falte a fartura, têm casas de ouro, férias para descansarem de não fazer nada, hospitais de luxo, seguros seguríssimos, o céu garantido aqui na terra e lá em cima nas primeiras filas que o Vaticano sempre lhes reservou, enquanto os outros vão para a vala comum, agora que o inferno faliu. O inferno lá de baixo, o das almas penadas, a acreditar no grito de sofrimento das vítimas da Inquisição e dos povos do terceiro mundo, imbuídos da fé e do Império que tanta e tanta felicidade lhes trouxe nestes místicos séculos, até parece que não era tão mau como o de cá. O diabo não é como o pintam!
Assim não pensam, ao que parece, os americanos e os amigos lacaios europeus, fervorosos comungadores de uma hóstia chamada dólar ou euro, especialmente os da linha da frente, coladinhos ao cu dos senhores da guerra na corrida para o buraco negro. Acham que os espoliados ainda têm pele, eventualmente utilizável para fazer tambores.
E a vida continua. No fim de contas, ele pensa que seu pai enlouqueceu ou perdeu a vergonha. E como se não bastasse, frente à TV – Esgoto faz-se de surpreendido com tudo o que vê, ele que é omnividente, omnisciente e omnipotente! E Deus optimiza as condições meteorológicas destruidoras, sob a forma de terramotos e tsunamis, dizendo que as torres de Babel e os dilúvios já não se usam, estão antiquados.
Fátima canta o Avé enquanto os peregrinos brandem o rosário, esfolam os joelhos, largam “o cascalho” nos cofres da igreja e o Vaticano faz as contas.
O futebol de cima ganha ao futebol de baixo, a estupidez invade a cidade como uma avalanche de merda, o homem espreme o claxon com mais tesão do que as mamas da mulher, e a mulher do homem agarra o pau da bandeira, esquecendo-se, à noite, que é apenas um pau.
O orgasmo do país… orgasmo de bolas… balões…e bolorenta metafísica.
Ora bolas!
1000 milhões famintas / 1100 milhões obesas
É irónico se não fosse trágico, mas a verdade é que podíamos ter 2 100 milhões de pessoas mais felizes e mais saudáveis se o bom senso imperasse.
Resolvido o problemas da produção há que resolver o problema da distribuição. No primeiro, as pessoas tiveram que dar largas à imaginação, à ambição de ter uma vida melhor. Apareceram e organizaram-se os factores de produção que permitiram uma exponencial criação de riqueza. Na distribuição há que dar lugar ao bom senso, à solidariedade, à justiça. Tudo imensamente mais dificil.
Num planeta globalizado, nem sequer podemos refugiar-nos no desconhecimento ou na capacidade de fazer chegar os alimentos onde são precisos. Não chegam às pessoas que morrem de fome porque este problema não é, para o mundo, uma prioridade. Não há por onde fugir.
E o mundo somos nós todos, os que participamos na formação da opinião pública, os que pressionamos para que as prioridades sejam as que são e não outras, os que elegemos programas de governo que não têm uma única linha sobre solidariedade entre as pessoas.
Entretanto, vamos pagando rios de dinheiro em SPAS para emagrecer, em dietas caríssimas e em lipoaspirações dolorosas, tudo porque não conseguimos prescindir do desperdício.
Vamos morrer todos gordos e anafados, cheios de colasterol e diabetes, mas de barriga cheia.
Não ao racismo e à xenofobia!
A propósito do vídeo da Maitê Proença, já se disse quase tudo. Concluamos – é um vídeo irrelevante de uma irrelevante actriz de telenovela. Não tomemos a nuvem por Juno – tem a importância que tem e que é quase nenhuma. Vimos alguns comentários, bem humorados, mas roçando perigosamente o indesejável território da xenofobia. Cuidado, há brasileiros, mesmo no mundo do espectáculo, que, ao contrário da Maitê Proença, nos respeitam a nós e à nossa cultura, como por exemplo Jô Soares e Chico Buarque de Holanda.
Para desanuviar o ambiente, aqui se deixa um vídeo dos «Gatos» sobre o racismo:
A pena de morte vista por pintores
A pena de morte é um tema recorrente na História da Arte ocidental. Bastará lembrar que o são todas as representações da crucificação de Cristo, não falando de milhares de versões do martírio de centenas de santos. Deixo-vos com três obras primas que nunca deveriam ter sido pintadas.

Yue Minjun, Execução

Goya, Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808

Manet, A execução de Maximiano
Dúvida um pouco amnésica
muito gostaria de saber o que teria acontecido no Estado Novo, no PREC ou na democracia a um espanhol, francês ou o que quer que fosse que se lembrasse de vir fazer uma guerrilha de esquerda ou de direita para Portugal.
Questiona Helena Matos, a propósito da “indignação com a morte do Che na Bolíva” (sic)

O nome de Arajaryr Campos não lhe deve dizer nada. E o general Delgado nem era para guerrilhas. Isto falando de execuções sumárias, vulgo homicídios de estado, é claro. Coisas que me indignam, mas a indignação quando nasce não deve ser para todos.

Exibição pública do cadáver de Che Guevara após o seu assassinato
Dia Mundial contra a pena de morte: Joe Hill
Joe Hill canção de Phil Ochs, interpretada por Billy Bragg.

Cadáver de Joe Hill
Joel Emmanuel Hägglund, conhecido por Joe Hill e também como Joseph Hillström (1879-1915), músico e sindicalista norte-americano de origem sueca, membro da Industrial Workers of the World (IWW).
Fui um dos percursores da canção de intervenção. Executado sob uma falsa acusação de homicídio, num caso de óbvia perseguição política.
As cinzas de Joe Hill foram enviadas pelo correio para as delegações da IWW, para serem espalhadas pelo munod.
Em 1988 descobriu-se que os serviços postais americanos tinham retido pelo menos um desses envelopes, devido ao seu “potencial subversivo“.
Joan Baez – I Dreamed I Saw Joe Hill Last Night, de Alfred Hayes e Earl Robinson
Dia Mundial contra a Pena de Morte: petição
Apelo da Amnistia Internacional:
A Convenção dos Direitos das Crianças das Nações Unidas proíbe a aplicação da pena de morte a menores de idade “nem a pena capital nem a prisão perpétua sem a possibilidade de libertação, podem ser impostas a pessoas que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade” (art.37).
Apesar deste instrumento internacional ainda existem países que aplicam esta pena a jovens, impedindo desta forma, qualquer possibilidade de reabilitação de pessoas que ainda estão no início da sua vida.
Em 2007, onze jovens foram executados: oito no Irão, dois na Arábia Saudita e um no Iémen.Em 2008, no Irão, pelo menos oito jovens foram executados de acordo com a Amnistia Internacional e crê-se que pelo menos 140 permaneceram no corredor da morte, de acordo com a organização Stop Child Executions.
De acordo com o Relator Especial das Nações Unidas para a situação dos Direitos Humanos no Sudão, quatro jovens de 17 anos de idade irão ser julgados por alegada participação nos ataques de Cartum, e um jovem de 17 anos e outro de 16 anos de idade foram condenados à morte em Julho e Agosto de 2008, nesse país.
No ano em que se assinala o 20º Aniversário da Convenção dos Direitos das Crianças a Coligação Mundial contra a Pena de Morte, da qual a Amnistia Internacional faz parte, lança uma petição apelando às autoridades do Irão, Arábia Saudita, Sudão e Iémen que efectivamente respeitem e implementem os compromissos internacionais que já assumiram e ponham fim à execução de menores.
Dia Internacional contra a Pena de Morte: os linchamentos

Bilhete Postal Ilustrado - Laura Nelson linchada a 25 de Maio de 1911 em Okemah, Oklahoma. Inscrito no negativo: "copyright-1911-g.h.farnum, okemah. okla 2898."
Além da pena de morte institucionalizada, o linchamento é uma sua variante espalhada pelo mundo, ao sabor das turbas, havendo ocorrências em Portugal ainda em anos bem próximos.
O assassínio para as massas e pelas massas, nunca esquecer que a pena de morte sempre foi um espectáculo popular, ocorre instigado pelos cães do costume, ou em situações de fúria incontrolável.
Without Sanctuary é um excelente repositório de imagens, a maior parte das quais postais ilustrados, de linchamentos ocorridos no sul dos EUA. Onde o espectáculo, embora agora mais reservado, continua.
Dia Internacional contra a Pena de Morte – o mapa da vergonha

Mapa de países com pena de morte:
* Azul: Abolida para todos os crimes :
* Verde: Legalizada para crimes cometidos apenas em circunstâncias excepcionais (p.ex., crimes cometidos em tempo de guerra) :
* Laranja: Abolida na prática mas legal :
* Vermelho: Pena de morte legalizada
Dia Internacional contra a Pena de Morte – educar

Hoje é dia de combater a pena de morte. Matéria em que Portugal foi pioneiro (o que não é alheio aos horrores das guerras que nos atravessaram os séc. XIX), mas que não está resolvida no nosso planeta. Nem é risco de que estejamos completamente livres: os populistas que pedem um referendos sobre a pena de morte pululam por aí, os criminosos que a defendem serão poucos mas nada os impede de crescer, em particular num país com um sistema de justiça que não funciona, e é injusto.
Educar contra a pena de morte é uma obrigação de todos. Como o fazer? alguns auxílios podem ser encontrados nestas páginas da Coligação Mundial contra a pena de morte, em diversas línguas.
Temos também uma interessante página portuguesa contra a pena de morte.
Odisseia – programas fascinantes
Só é pena serem muito tarde, entre a uma e as duas da manhã, ás vezes mais tarde, mas são comentários sobre ciência e história absolutamente fascinantes.
Está a decorrer uma série ” Cirurgia” com imagens e testemunhos de muita gente que estiveram envolvidas, pessoalmente, na extraordinária saga da medicina cirúrgica. Na semana passada vi a “cirurgia cardio-toráxica”, desde os primeiros passos até ao primeiro transplante de coração pelo Prof Bernard em cape Town, na África do Sul.
Os primeiros grandes avanços, com o cirurgião a ter quatro minutos para fazer a incisão no coração e, com o abaixamento da temperatura do corpo, conseguirem mais quatro minutos num total de oito. A seguir a máquina “extracorporal” que permitiu o grande salto em frente e a execução das cirurgias pesadas que se conhecem hoje. O cientista que desenvolveu a máquina de “coração/pulmão trabalhou nela dezoito anos até que colegas seus conseguissem utilizá-la na prática cirurgica.
Pelo caminho ficaram o “coração/bomba artificial” que permite que o doente aguente o tempo suficiente para aparecer um coração compatível e as tentativas com a utilização do coração de porcos. Numa das entrevistas o cirurgião que utilizou,em primeiro lugar esta técnica, comentou divertido que o porco quando chegou ao hospital, no centro de Londres, fugiu da camioneta que o transportava . Quando o povo percebeu para que servia o porco, o hospital teve que ser protegido pela polícia.
Ontem o programa focou-se na neurocirurgia, mostrando o que representavam os hospitais de doenças mentais, numa altura em que não existiam os medicamentos que hoje existem e que permitem que milhões de pessoas vivam uma vida capaz. A Lobotomia, do nosso Prof. Egas Moniz (curiosamente não foi referido no programa) a primeira técnica com intuitos curativos de doenças mentais, e que era algo de absolutamente incrivel para uma pessoas normal, a esta distãncia.
Ainda vive um homem que aos doze anos foi sujeito a uma Lobotomia e que pode ser estudado hoje, com as novas técnicas não invasivas de imagiologia. Lá estão, no Lobo Frontal, dois buracos feitos pelo cirurgião, através do lobo ocular, algo que foi mostrado e que tocava as raias do absurdo. Hoje faz-se o mapeamento do cérebro com o cirurgião a operar com o doente desperto para poder aquilatar da eficácia da operação, conversando com o doente.
Homens e mulheres de grande coragem e inteligência que aqui e ali pisaram a linha que limita a área do ético e do razoável.
A pobreza combate-se com os jogos…
Como seria de prever, temos aí os moralistas de pacotilha a criticarem o Brazil por dar prioridade aos Jogos Olímpicos, quando têm tantos e tão grandes bairros de lata, as famosas “favelas”.
Para além de irem contra a política do nosso Primeiro Ministro, que tambem se atira aos megainvestimentos não produtivos para sair da crise, os nossos moralistas não percebem que estas obras para os jogos vão dar imenso trabalho ao pessoal das favelas. Talvez não tanto durante a construção, mas em pleno jogos.
Já viram o que vai ser de “palmanços” de carteiras ? De tráfico de droga e armas? Prostituição? cachaça ( não é água não) cerveja e caipirinhas? Tudo com produtos nacionais? Além, disso, os garimpeiros e os madeireiros vão deixar por uns tempos a Amazónia e assim se salvam uns milhões de árvores.
E quantos recordes serão batidos? E quantas novas drogas descobertas? E quantas novas técnicas de despitagem serão inventadas?
Pelo lado dos “bons” quantas empresas de segurança ? Quantos mais polícias, compra de armamento, carros blindados ? E pela saúde, quantos milhões de doses de medicamentos, quantos dias de internamento, quantas operações?
A festa é, em si mesma, um evento que concorre da maneira mais fantástica para a felicidade do povo, e não só materialmente, com trabalho e emprego, mas tambem com efeitos de desanuviamento stressante. E a seguir, quando tudo terminar ? O descanso bem merecido, e que vai desenvolver o turismo de lazer, praia, mar e sol.
Ficam as favelas, os desempregados, a falta de educação, de saúde pública ?
Pois sim ,mas o carnaval está à porta!
O Merconsul e a social democracia
Temos vindo a reflectir sobre o que se passa nas Honduras e, como não podia deixar de ser, já andamos pelo Chile de Allende, de Pinochet, na Venezuela de Chavez , na Argentina…
Muito do que hoje se passa na América do Sul tem que ser visto no quadro mais amplo do Merconsul, algo como a União Europeia, ainda em embrião, mas que abre horizontes de paz e desenvolvimento como nunca naquela parte do globo.
Hoje estão irmanados numa espécie de mercado sem fronteiras para produtos e bens , O Brasil, a Argentina e o Uruguaio. Espera-se que as fazes seguintes tenham condições de avançar à imagem da UE, com a mobilidade das pessoas entre países, a criação da moeda única, o sistema político…
Estes ambiciosos projectos colectivos, ao nível de países que juntos representam continentes, não casam bem com projectos pessoais de poder, mesmo que no curto prazo nos mereçam consideração e melhorem a vida das pessoas. No Brazil, há muita gente que critica o Presidente Lula por não se empenhar quanto devia no Merconsul por pretender reservar para si próprio a Presidência, (quando sair da Presidência do Brazil,) assim como, há muita gente que não vê com bons olhos o Presidente Chavez e outros, que perfilham posições e ambições que se vão tornar num impecilho para uma obra maior.
Nesta parte do globo devastada pela miséria, por ditaduras de esquerda e de direita e pela presença nefasta do “grande irmão do norte” – tão perto dos USA e tão longe de Deus- dizia-me um Mexicano, só o advento da Democracia Parlamentar, o Estado de Direito e a Economia Social de Mercado, trará condições objectivas para que a paz , o desenvolvimento económico e a justiça social vinguem por décadas, a bem das populações.
Tal como é exemplo na UE onde milhões de pessoas estão há mais de cincoenta anos a viver em paz e com um nível de vida como nunca aconteceu na história da Humanidade!
Se acham que é objectivo que não vale e pena, então alimente-se os aventureiros e demagogos desta vida, sejam de esquerda ou de direita…






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