E a doença, filho? O novo fascismo que nos pune com terramotos

o adeus à a Presidência do Chile

À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,
que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente…

Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?

Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.
Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere  e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos – ou mal dos outros porque nos tiraram a alma. Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado. [Read more…]

o pecado de masculinizar a mulher

a mulher pensada por vários homens

Grande surpresa a minha! Os meus colegas ensaístas tinham reservado um dia especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Solicitaram-me que não escrevesse a 8 de Março porque a escrita, nesse dia, era apenas para senhoras. No entanto, tornei a ver o texto escrito a 7 de Março, reproduzido no dia proibido.

No entanto, muitas mulheres escreveram nesse dia, as do nosso grupo e outras convidadas. E vários de nós, homens, que tínhamos escrito, no dia prévio, sobre a mulher. A frase desse dia, o slogan ou estandarte por falar assim, é retirada de uma Canção dos Beattle You can work it out. Por outras palavras, podes fazer crescer ou podes conseguir. A intenção do slogan desse dia, que nem devia existir, porque somos todos iguais, é humilhar a mulher ao dizer que ela também pode crescer, também pode trabalhar, também tem forças para conseguir ser um outro ser como os homens. O mais irónico é a palavra blog, um caderno de rascunhos, de ideias novas de apontamentos para não esquecer. Mas a palavra blog numa frase como esta, refere a capacidade adquirida pelo sexo feminino de ser capaz de desenvolver as suas qualidades como os outros fazem. Aliás, a frase foi colocada por um grupo de homens que deu licença às mulheres para, nesse dia especial, poderem demonstrar que eram pessoas de poder, como os homens pensam que são. Salientem-se ainda, que o sítio em que a frase foi escrita, é denominado blog e é gerido ou administrado por homens. Há uma ou duas mulheres que, timidamente, acompanham essa gestão, excepto duas de apelido semelhante, mas que são convidadas a participar na escrita desde outro blog.

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os amores são como o vento

 

Namoro, ele e ela em procura da igualdade

 para Maria da Graça

O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.

Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.

Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem. [Read more…]

A conheci e nada pedi. Um poema

a mulher do meus sonhos

Entrei na sala de aulas. Era o meu dia de proferir uma lição. A lição da semana. Não olhei para sítio nenhum, conforme meu hábito, nem falei. Distraia-me. Distrair-se no começo da elocução, era um pecado. Um grave pecado. O meu dever era ensinar. Para ensinar, deve-se estar concentrado. Todos o sabiam e por isso não me falavam. Era sabido por todos que no meio da conferência, ia parar, calar e dizer, caramba, estava tão dentro dos meus pensamentos, que me esqueci de cumprimentar. Todos riam. Mas ninguém falava. Conhecido era que qualquer frase ia danar-me, perdia o fio da memória, esquecia a frase seguinte. A prova era dura. Era meu costume enviar as habituais seis páginas da temática que ia proferir, vários dias antes. Todos liam e sabiam do que eu ia tratar. Carregado de textos, enquanto falava, procurava citações em livros sinalizados por mim com pequenos colantes amarelos escritos com a ideia central para desenvolver ao longo de 45 minutos. Nenhum minuto mais, nenhum minuto menos. O título da aula era a minha hipótese, e os pequenos colantes que marcavam diversos sítios dos vários textos, as ideias substantivas para provar a central. Esses 45 minutos voavam como borboletas, com os meus olhos fixados em cada flor que ai estava. Olhava-as, mas não as vias. Bem sabiam as minhas borboletas que um pequeno sussurro delas, encurtava o meu pensamento e não ia saber como continuar. Cada dez minutos, contava uma anedota para aligeirar a lição e aliviar a forçada concentração a que as obrigava. Borboletas femininas, borboletas masculinas, de curta idade, à tarde e à noite, adultos que trabalhavam durante o dia e apareciam às 18.15 – a minha lição devia começar às 18, mas eu dava quinze minutos de tolerância, porque, em hora de ponta, as deslocações eram cumpridas e pesadas, porque um café para estarem acordados, porque um queque para entreter a fome. Porque a conversa de corredor era obrigatória. Porque milhares de motivos entretinham as minhas borboletas.

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Mulher

Ideal de mulher, rara na sociedade capitalista

Para a nossa neta May Malen, de três meses e três dias, e para o meu bebé, Maria da Graça

Quem saiba de gramática e sintaxes, dir-me-ia que escrever esta palavra, este substantivo, ficava pendurado por não ter artigo, adjectivo qualificativo, estar no meio de uma frase ou revelar a intenção de colocar a palavra no meio, como se diz no castelhano castiço, da nada e da coisa nenhuma. Ou dicionário que me apoia diz ser uma pessoa adulta do sexo feminino.

E os problemas começam. O que será sexo feminino. Sabemos que o substantivo sexo representa órgãos genitais diferentes dentro da mesma espécie do género humano ou diferença física ou conformação especial que distingue o macho da fêmea. E os problemas continuam entre macho e fêmea. Não deve ser preciso consultar o dicionário para nada. É necessário deixar falar ao coração, aos nossos sentimentos, as idades de vida. A mulher começa por ser a pessoa que nos amamenta, que satisfaz o apetite do corpo que cresce. Matar essa fome que o crescimento causa. A energia do se desenvolvimento, precisa ser alimentada com litros de leite para os décimos de centímetros que a criança usa na vida até a sua autonomia total.

Autonomia heterogénea: ou gatinhar, ou se agarrar ao corpo dos pais porque confia

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Renascer

Para Alejandra, el el día de su cumpleaños…

Nascí, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.

Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente [Read more…]

As catástrofes da natureza

Adão e Eva expulsos do Paraiso

Falamos de catástrofe quando acontece uma grande desgraça que atinge muitas pessoas. Normalmente e da forma que tenho escrito nestes dias, adjudico o conceito às desgraças que têm acontecido no arquipélago da Madeira, na República do Chile e em toda a Europa do Norte, ao longo deste interminável, inacabável e fustigante, inverno das nossas vidas. Estes anos de 2009 e 2010. Tenho, por engano meu, pensado a natureza como elemento geográfico esquecendo, pelo facto das desgraças que nos acontecem, que o ser humano faz parte da natureza. Ao escrever sobre o ser humano como uma entidade que procura lucro e mais-valia, esqueci-me que estes dois conceitos fazem parte do pensamento das pessoas. O lucro e a mais valia não existem como elementos da natureza. Formam parte do pensamento, do cálculo, da procura da riqueza e do bem-estar, conceitos que fazem parte do pensamento económico do ser humano. Pensamento económico que tenho definido noutros textos como o trabalho que cria um conjunto de leis que presidem à produção e distribuição das riquezas. Donde, riqueza é o resultado da acumulação de bens poupados e investidos para render moeda. [Read more…]

Chile, um país em recuperação

destas casas cresceram outras

É-me impossível parar a escrita sobre a tragédia do Chile. Examinar a imagem, mostra-nos de imediato como um prédio em construção (em tijolo e zinco), ruiu no meio de outros prédios pintados de branco e direitos. A casa estava já ocupada pelos proprietários ou construtores, porque um dos maiores castigos do Chile, é a falta de habitação. A maior parte da população vive, como explico em ensaios anteriores, em casas cujos materiais de construção se resumem a zinco, papelão e cartão. O desenvolvimento económico do país nos últimos vinte anos, permitiu aos mais pobres saírem das suas casas de «brinquedos» para casas mais sólidas. Sólidas até um certo ponto, porque são feitas pelos moradores desconhecedores das técnicas de construção. Desde o nascimento do Chile, como narra Isabel Allende no seu livro de 2006: Inês del Alma Mia, Arreté, Barcelona – versão portuguesa do mesmo ano, Difel, Lisboa, intitulado Inês da Minha Alma, que existem os alarifes ou mestre-de-obras, arquitectos aprendidos com a prática e com estudos matemáticos nas Universidades do seu tempo. O seu primeiro trabalho é dividir a terra em palmos, medida que equivale a 8 polegadas ou 22 centímetros, medida, tomada com a mão aberta, que vai da extremidade do dedo polegar à ponta do dedo mínimo.

 Largos palmos de terra eram adjudicados aos colonizadores, os que, com a ajuda do alarifes, desenhavam as casas de apenas um piso (térreas), sem mais construções por cima, por causa da necessidade de usar pedra trabalhada por canteiros, e coladas para construir um prédio com cimento e gemas de ovo. Pedras canteadas usadas na construção de prédios certos e duradouros, de vários andares, como as igrejas, os paços ou a sede do governo.

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Chile: uma reportagem

São Alberto do Chile, trabalho com operários para construir o país

Alberto Hurtado Cruchaga ou São Alberto do Chile, que reconstrói o país nos anos 50 do Século XX com os operários.

Lembro-me que pelos anos 50 do Século XX, havia um programa de música folclórica chilena, de René Largo Farias. O título do programa radiofónico – não havia televisão nesses tempos – era simpático: Chile rie e canta, acrescentando o nome do posto da rádio. E com Largo Farias, todos cantávamos. Era o país das festas, dos bailados, do ballet clássico, de música de ópera e dos desfiles, dos eternos desfiles. Por tudo e por nada, o Chile desfilava e era dia de folga. O 21 de Maio, por ter perdido dois heróis, o Capitão Arturo Pratt Chacón, e o nosso parente, o tenente Ignácio Carrera Pinto. Batalha perdida como valentes, no meio de uma guerra começada contra o Peru e a Bolívia em 1879, guerra ganha pelo empenhamento dos soldados chilenos que em duas batalhas cruciais, acabaram por ganhá-la: a coragem da morte dos heróis, e a toma do pão de açúcar denominado o morro de Arica, a 8 de Junho de 1880. Datas marcadas na história do país como dias de glória e de heroicidade, dias que mereciam festas, cantos e danças. Chile, mais uma vez, estava a dançar e a cantar. E os meses de Setembro desde 1810, esses dias do 18 e 19, em que se comemorava a declaração da independência do Chile da Monarquia Espanhola, acabada de se completar a 5 de Abril de 1818, na Batalha de Maipú, sítio de veneração da Nossa Senhora do Carmo ou Virgen del Carmen, padroeira do Chile. O seu dia é o dezasseis de Julho, desde 1818, dia de folga, procissão e dança. Dia Santo.

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Os terramotos do Chile. Memórias apagadas

Vulcão Villarica do Chile, sempre em erupção


Primeiro um silêncio profundo. A seguir os cães ladram, antes, tinham cantado os galos, as galinhas gorgolejavam. As pessoas calam sem saber porquê. Um segundo de silêncio. Um segundo apenas, como se estivesse medido por um cronómetro. E a hecatombe aparece com um ruído ensurdecedor. Agarra-se a uma árvore, foge-se de um buraco que abre, não sabemos como, na terra ao pé de nós. Os gritos começam. Das pessoas. Os ateus rezam, as beatas falam em palavrões, todos tentam agarrar-se a todos, todos fogem de todos. Tenta-se andar, e gatinhamos, tenta-se correr e bate-se com a cabeça contra as pedras. Correr, mas para onde? Ai há outro buraco, um fogo aparece do fundo da terra, e foge não sabemos para onde. Prende-se a um prédio. Era a nossa casa, fica em cinzas, as pedras dos prédios abatem-se sobre nós, o céu fica obscuro se for de dia, vermelho se for de noite. Os nossos já não estão, procuramos e não os encontramos. Os carros, pesados, suavemente deslizam pelo asfalto até desaparecerem num buraco aberto na estrada. Há outros atrapalhados debaixo das marquises dos prédios que servem de garagem. Guardados para sempre. Sem utilidade, insubstituíveis.

A terra salta para cima, a terra mexe para a direita, a terra mexe para a esquerda. No meio, nós. Se a terra vai para a direita, tentamos balançar o nosso corpo para a esquerda num equilíbrio impossível. A senhora gorda corre como gazela nos seus sessenta anos, agarramo-nos ao seu traseiro, esbofeteia; o velho recupera a sua agilidade e salta entre passeio e passeio para não se afundar nas fendas da estrada. Os pássaros grasnam no ar em bandos, como se se quisessem esconder dentro das nuvens para não ver o horror de Dante que aparece na terra. Os mais amorosos acodem aos mais desvalidos. Queremos tornar a casa e refugiar-nos debaixo da cama. Casa não há, apenas um buraco que arde e nos engole se não formos resgatados pelos mais calmos que, em quatro patas, sim patas, começam a resgatar os eminentes desaparecidos, esses que nunca mais são encontrados. Centenas de pessoas morrem, as camas do hospital que ruiu, são levadas a correr para os buracos do que era uma rua. Os dos prédios do décimo quinto andar, atiram-se, em desespero ao ar, caída que mata, como mata ficar dentro do andar que cai sobre os seres humanos com outros seres humanos dentro. Pessoas que desistem da vida e se deixam estar no sítio em que não deviam. A gritada é impossível, não tem destino. Apenas um: o silêncio que aparece após os saltos da terra, essa que um minuto depois, tem uma réplica, os sons subterrâneos reaparecem e já não queremos mais. Ficamos deitados. Não falamos, não reagimos, não acudimos. A adrenalina paralisa o corpo. Olhamos par a natureza e geografia conhecidas, nada existe nunca mais. O meu vizinho vai-se embora em sangue, nada há para o ajudar que não seja a o sangue dos outros que o fogo consome e ardem. Como as casas. Como as estradas. Como os parques subterrâneos. Como a minha mãe, como o meu filho. O ânimo come o valor da vida.

Um minuto. Apenas um minuto. Quase um minuto se tanto. E a terra muda de lugar.

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Antropologia no ISCTE-IUL, segunda parte

Bronislaw Malinowski, fundador da Antropologia Britânica, nosso antecedente

Falava ontem de recrutamento dos docentes do Departamento de Antropologia Social do ISCTE, ou Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, hoje IUL ou Instituto Universitário de Lisboa. Os dois, quase universidades. Por outras palavras, nem Universidades formais nem institutos politécnicos. O problema não era o nome da instituição, o problema era a licença para manter e sustentar mais uma Universidade Pública ao longo do país.

Universidades privadas haviam muitos, mas eram sustentadas pelas altas propinas de matrícula que os estuantes deviam pagar e com o apoio, mais diminuído que o outorgado as 12 universidades públicas, da parte, nesses anos, do Ministério da Educação. Nesses anos, digo, porque hoje em dia o ensino superior, é dizer Universidades e Institutos de ensino Superior, encontram-se baixo a alçada do novo Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

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Mente cultural

Para Manuela Raminhos

Crianças brincam enquanto a sua mente cultural trabalha

Parecia-me que começara o texto com uma gralha. Todo o cabeçalho ou definição deve começar por um artigo. Mas, como se trata de um conceito, retirar o artigo não é gralha, é apenas reduzir o campo de pesquisa do que se quer falar do conceito e não a universalidade do fenómeno, que acaba, assim, por nada definir. Se disser a mente cultural, falo de actividades múltiplas; se digo mente cultural, reduzo a ideia a um fenómeno que pode acontecer universalmente. E falar de Antropologia de forma hermenêutica, é aprofundar no campo do significado do conceito e não da acção do conceito, que varia de sociedade para sociedade. [Read more…]

violência ou criminalidade intra- familiar

criança punida apesar das lei de protecção de jovens e crianças, comum em Portugal

Violência intra-familiar não é um tema fácil de abordar. Pensa-se sempre que um grupo de parentes ou seres humanos relacionados entre si, por laços de consanguinidade ou de afinidade, é um grupo feliz. No seio do grupo, cabe aos adultos protegerem os mais novos orientando-os desde muito cedo na vida, pelas sendas do amor, o respeito filial ou o respeito que os pais têm pelos filhos. Pelo menos, é assim que eu penso.

Mas a realidade parece ser outra. Não foi por acaso que coloquei a imagem de uma criança punida, com as marcas de uma bofetada recebida na sua pequena cara. Bofetada de quem se desconhece a autoria e o motivo da punição material, reflectida na cara triste e sofrente de quem não entende qual o mal que fez para receber tamanho castigo. Castigo reiterado ao longo do tempo pela pequena da imagem, e por muitas outras mais.

Essa bofetada marca pelo menos três aspectos da vida da infância. A primeira é visível e não precisa ser comentada, a imagem fala o que as palavras da pequena não sabem dizer porque as desconhece ou, ainda, porque não espera que o seu adulto a use contra ela. Essa bofetada pode ser o resultado de quem tem raiva contra si próprio e desabafa nos mais pequenos, como comenta Sigmund Freud em 1905 em húngaro, traduzido para inglês por Hoggart Press, Londres, em Obras Completas, Volume VII,1953: Three essays on Sexuality, ou Melanie Klein em: Inveja e Gratidão (1943 em alemão, 1954 em inglês e em luso brasileiro, 1991), Imago, Brasil, Alice Miller (1981 em alemão), 1998: Thou Shalt not be aware. Societie’s Betrayal of te Child, Pluto Press, EUA, ou Françoise Dolto, 1971: L’Évangile au risque de la psychanalise, Editons du Seuil, Paris, textos que comento no meu livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade Repositório ISCTE e Internacional, em: http://repositorio.iscte.pt/, ou http://www.rcaap.pt.

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a liberdade de expressão revisitada

É  impossível deixar de lembrar e rememorar uma e outra vez, os acontecimentos do Século XVIII no continente europeu e as repercussões em terras do dito mundo novo. Digo dito mundo novo e não novo mundo de forma directa, porque de novo nada tinha para os habitantes nativos do continente descoberto pelos europeus. Nativos que moravam nas terras hoje denominadas Estados Unidos de Norte Américas, o Canadá, México.
Os monumentos, especialmente no sul das terras do Norte, eram impressionantes edifícios dedicados aos deuses que adoravam e para os sacrifícios oferecidos às divindades, ou seres humanos nascidos para se preparar para a morte na idade da puberdade e que eram criados em paços especiais e treinados para uma morte temprana, com alegria e felicidade: não pertenciam às famílias, pertenciam aos deuses, como tenho relatado em detalhe em outro ensaio anterior a este.
Novo era para para os europeus que começaram a explorar a terra além dos seus reinos e algumas repúblicas, especialmente na Itália.
Os mais ousados eram no das Monarquias do Estado Britânico, da Espanha e Portugal. No Século XV já andavam a explorar terras denominadas hoje  o sub continente da Índia e o continente africano, que não sabiam que eram continentes, é dizer, um conjunto de pequenas monarquias, principados, ou simplesmente etnias. [Read more…]

a rapariga do violino. história de infância

Era a menina mais linda e querida de todas, doce como o mel, não de muitos beijos, subtituidos por palavras bonitas e poéticas. As suas primas a adoravam e não eram capazes de passar sem ela. Ia de casa em casa as visitar e em todas elas dormia, excepto se a avó mais querida, estava só, a Avó Graça, uma mãe para ela.

É verdade que a rapariga do violino tinha a sua própria mãe, querida, mas muito longe, em outro país essa mãe Marta, no mesmo no que morava o tío primo Luís, mas bem mais longe de onde morava o seu pai, Ludgero.

Pai no Brasil, mãe na Inglerra a tirar um curso especial, esse famoso Skype da Avó Mãe Graça, era uma joia: podia vê los e falar com eles como se estivessem muito perto, como costumava fazer com o tio primo Luís. Que a levava as costas, era o seu cavalo.o havia semana em que os pais não falassem com ela e a ouvissem. Os pais no perguntavam da escola, contavam lhe histórias e o que eles faziam.

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…a religião é o ópio do povo…

É bem sabido que esta frase não é minha. Foi escrita por Marx no seu livro de 1843, para criticar o seu antigo mestre Georg Hegel, que em 1820 tinha escrito o seu texto  Filosofia do Direito, livro que desqualificava ao povo.  Marx tinha sido educado na escola jesuíta de Triers a sua cidade e mais tarde no Ginásio de Triers, onde escrevera O amor de Jesus e a união dos cristãos, na base do Evangelho de São João.~

Marx era luterano e recebeu educação luterana e casou com uma baronesa da Prúsia, católica. Uniram se em matrimónio, e entre a fé de Marx e de Johanna von Westphalen, souberam lutar pela liberdasde de expressão especialmente essa do povo  mal pagão que não  tinha mais valia, era retirada pelos proprietários dos medios de produção nas vendas dos bens fabricado pelo operariado ao cobrar mais pela mercadoria do que pagavam em salários as suas ideias foram mudando e criaram a teoria do materialismo histórico, com base na economia e nas suas ideias de fé.  Nada tinham contra a religião. Até a defendiam por ser parte das formas de pensar do povo, os seus amigos, que mais tarde denominaram o proletariado. [Read more…]

E eu que pensava que tinha liberdade de expressão…

Apareci em Portugal, sem saber como nem por onde, a convite da Gulbenkian e do ISCTE, hoje IUL. Vinha da Universidade de Cambrige, onde ensinava e era Doutor em Ciência. Devia estar em Portugal apenas dois meses, não tinha mais licença de Jack Gody. Aliás, vinha do País da liberdade de expressão e da revolução temprana.

Pensei: se o UK é país de expressões livre, quanto mais não será Portugal que fez a sua Revolução apenas em 1974! Pareceu-me bem e fui ficando. Esses dois meses pasaram a ser 31 anos!

Esses 31 anos em que pensei que a liberdade de expressão era tão grande, que fiz em Portugal o que no Chile não me permitiam: falar e criticar a política do Governo, almoçar com o Presidente da República, sair com os meus discentes. Sem saber como, todo isso acabou. O Governo que nos quer orientar anda a levar-nos pelas ruas da amargura. A primeira felonia, escutas telefónicas, mas com aparência de outras intrigas palacianas.

A seguir, a ameaça do fecho do jornal «Sol» por revelar esta temática das escutas e outras ervas sobre o Primeiro-Ministro que nos governa, ou que pretende  governar-nos. Mas não parou aí quem  pretende ser um excelente Engenheiro, tanto, que em honra do socialismo que penso e executo e do meu Senhor Pai, apoiei a quem tem um aparente dom de mando e votei por ele.

Revelo assim o segredo da urna de voto, porque me sinto ameaçado. A minha liberdade de expressão acabou com o mandato do fechar o Semanário «Sol» [Read more…]

a paixão que mata o amor

A morte de Beatriz

Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….

O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.

Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.

No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.

Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. [Read more…]

no me ensucien el agua!

Alejandrita tomando baño a sus tres años

Era su hábito decir. Un hábito que no sabíamos si era para respetar o para reír… [Read more…]

amor fraterno

AMOR FRATERNO

Blanquita ainda menina

 

 

Há quem guarde a sua vida pessoal como um segredo crucial para a sobrevivência da Nação, mas, especialmente, os escritores, sem darem por isso, revelam nos seus romances a sua vida privada. Como Isabel Allende do Chile fez no início da sua carreira de escritora, como Gabo Garcia Márquez, na sua pessoal Colômbia, ou os prémios Nobel do Chile, Gabriela Mistral que ocultava o seu nome real Lucila Godoy Alcallaga,

Gabriela Mistral Consulesa em Lisboa

ou assim pensava ela, e Pablo Neruda que todos sabiam que tinha esse horroroso nome de Neftalí Reyes Basoalto. Foi ele próprio quem o confessou nas tertúlias da sua casa La Sebastiana que ficava ao pé da nossa, em Valparaíso. La Sebastiana, foi uma das três que conseguiu possuir: as outras chamavam-se Isla Negra em Alagarrobo, praia do Pacífico Central do Chile, e La Chascona, em Santiago, a capital do país.

Pabço Neruda na sua casa de La sebastiana, Valpariso

Excepto Lucila, a quem conhecera na minha infância, todos os outros escritores não se incomodavam com a forma de como eram nomeados (nome real ou nome fictício). Gabriela não o permitia na sua arrogância de solteirona pobre que passou a ser rica, não sabia falar, apenas escrever, e a sua vida privada só se tornou pública quando o nosso excelente escritor Volodia Teitelboim, falecido aos 91 anos, no começo deste Século, esse Amigo que inspirava respeito e admiração, escreveu para a Editorial Sudamericana, Santiago, em 1991, 1ª edição: Gabriela Mistral, Pública e Secreta. [Read more…]

émile durkheim

Émile Durkheim durante a sua época criativa da Ciência da Sociologia

O texto que passo a comentar, refere a obra de Émile Durkheim de 1912: Les structures élémentaires da vie religieuse, Félix Alkan, Paris. Texto editado pela Press Universitaires de France. O livro é um debate entre, Durkheim e Max Müller sobre o animismo e as formas de religiosidade, para se centrar nas formas da vida religiosa da etnia Arunta – também denominada Aranda – de Austrália. No entanto, Durkheim ultrapassa o  tema Central e como as crianças são ensinadas a saber domesticar a natureza, a dominar e a reproduzir. Apesar de ser um cientista muito conhecido, penso que a sua biografia e ideias chaves dêem ser brevemente relembradas: Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858Paris, 15 de novembro de 1917) é considerado um dos pais da sociologia moderna. [Read more…]

Sir Archibald Radcliffe-Brown

Para Ana Matias, no dia do seu aniversário, que coincide com a festa do amor.

Sir Archibald Reginald (Birmingham, 17 de Janeiro de 1881Londres, 24 de Outubro de 1955), cientista social britânico é considerado um dos maiores expoentes da Antropologia, ao ter desenvolvido a teoria do funcionalismo estrutural. Esta forma de análise, usada por ele e seguida por vários outros, é definida como: Funcionalismo (do Latim fungere, ‘desempenhar) é um ramo da Antropologia e das Ciências Sociais que procura explicar aspectos da sociedade em termos de funções realizadas por indivíduos ou as suas consequências para a sociedade como um todo. É uma corrente sociológica associada à obra de Émile Durkheim. Para Durkheim cada indivíduo exerce uma função específica na sociedade e a sua má execução significa um desregramento da própria sociedade. A sua interpretação de sociedade está directamente relacionada ao estudo do facto social, que segundo Durkheim, apresenta características específicas: exterioridade e a coercibilidade. O facto social é exterior, na medida em que existe antes do próprio indivíduo, e coercivo, na medida em que a sociedade impõe tais postulados, sem o consentimento prévio do indivíduo. Entre os académicos que usaram este método analítico da conduta social, estão: Michel Foucault, Bronislaw Malinowski , Alfred Reginald Radcliffe-BrownÉmile Durkheim , Talcott Parsons, Niklas Luhmann, Louis Althusser, Nikos Poulantzas,George Murdoch,Kinglsey Davis , Wilbert Moore, Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu. Fonte: textos dos autores mencionados com as palavras na wikipédia.

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Bronislaw Malinowski

Bronislaw Malinowski, Doutor em Física e Química pela Universidade de Cracóvia, nos seus jovens vinte anos sofreu um problema pulmonar, que o forçou à imobilidade. Durante esse período, para se entreter, leu vários livros, entre os quais O Ramo de Ouro (título original: The Golden Bough. A Study in Magic and Religion), de James Frazer, 1890, 1ª Edição, The MacMillan Press – a edição que uso é de Papermac, 1995. Livro que o impressionara a tal ponto, que abandonou as suas denominadas ciências exactas e, já curado da sua doença, foi de imediato (1910) para a London School of Economic, onde, sob a orientação de Edward Westermarck, escreve a sua tese, na área da antropologia, intitulada The family among the Australian Aborigines. A sociological study, University of London, Monographs on Sociology, Nº 2, University of London Press, 1911.  [Read more…]

A soberania da nação e o sermão do monte

Primeiro governante de Portugal era Rei

Afonso Henriques autoproclama-se Rei em 1128, após batalha de São Mamede

Ensaio de Antropologia Política e da Religião

Portugal nem sempre foi um país soberano. Nasceu do Império das Astúrias e foi governado pelo Infante Afonso Henriques ao longo de mais de sessenta anos. O infante (príncipe) d. Afonso Henriques é filho do conde Henrique de Borgonha e de d. Teresa, bastarda do rei Afonso VI de Castela e Leão. Quando morre Afonso VI, inicia-se uma disputa entre a mãe deste (d. Teresa, a herdeira legítima) e vários outros pretendentes ao trono. Entre eles, o seu próprio filho. Ganha a Guerra e expande os territórios do Condado de Portugal até expulsar os mouros de grande parte do actual território português e faz do país o primeiro na Europa com consciência de nacionalidade, unidade e soberania. D. Afonso I de Portugal, mais conhecido pelo seu nome de conde, Dom Afonso Henriques, (1109 (?) — 6 de Dezembro de 1185) foi o primeiro rei de Portugal, conquistando a independência portuguesa em relação ao Reino de Leão em 1143 no tratado de Zamora.

Em virtude das suas múltiplas conquistas, que ao longo de mais de quarenta anos, mais que duplicaram o território que o seu pai lhe havia legado, foi cognominado O Conquistador; também é conhecido como O Fundador e O Grande. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques autoproclamou-se rei de Portugal, com o apoio das suas tropas. Segundo a tradição, a independência foi confirmada mais tarde, nas míticas cortes de Lamego, quando recebeu a coroa de Portugal do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, se bem que estudos recentes questionem a reunião destas cortes. [Read more…]

Desculpe, importa-se de repetir?!

Como se pode esperar, a árvore não tapa a floresta, mas seria de bom tom dizer umas verdades a este doutor de etiqueta.

A fé, a lei e o casamento

Ensaio de Antropologia Jurídica

Durante vários anos, tem-se discutido em Portugal uma nova modalidade de casamento: o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Após ter revisto vários textos legais sobre o casamento, equiparado à noção de matrimónio, nenhum deles fala de união entre um homem e uma mulher. Refere, sim, esta frase, na mais recente revisão do Código Civil Português: ARTIGO 1619º (Carácter pessoal de mútuo consenso). 

A vontade de contrair casamento é estritamente pessoal em relação a cada um dos nubentes.

Primeira ideia que aparece para o meu argumento. Entende-se por nubente quem está ajustado para casar ou que vai casar; noivo, noiva. Note o leitor que não define nubente como pessoas de diferente género: fala de noivo, noiva. Conforme a semântica, a vírgula entre os dois substantivos, é apenas uma enumeração de pessoas que realizam um acto. No caso que falamos, é o do casamento. Entre os artigos 1615 a 1624, fala-se de casamento civil, sem distinguir género. Fala, mais uma vez, apenas de nubentes. Se o casamento for católico, deve ser homologado pelo Registo Civil dentro do prazo de noventa dias, semelhante ao prazo do Registo Civil para homologar o casamento, caso haja oposição ao mesmo. Passado esse período, o casamento é válido. Todo o Livro IV do Direito de Família do Código Civil, refere o casamento da forma definida no artigo citado antes e o artigo 1795, refere a filiação, Título III, Livro IV. No meu texto de 24 de Outubro de 2009: O Matrimónio Homossexual, Direito Mínimo à Liberdade de Amar, como noutros de Novembro de 2009, refiro detalhadamente a liberdade de amar concedida por Karol Wojtila no seu Catecismo de 1991 e nas formas matrimoniais livres adoptadas por vários países, entre pessoas do mesmo sexo. Interessados, a minha família e eu, revimos as leis e em parte nenhuma se fala de casamento entre homem e mulher, apenas de matrimónio entre pessoas com direito à adopção de crianças. Matéria que, conforme o Primeiro-ministro proponente e o seu partido, passa para uma segunda etapa no caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Antes, é preciso resolver a crise económica que nos afecta e o temporal de neve e água que tem azotado Portugal ao longo destes últimos dias. Entre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e as tormentas, conjuntamente com a crise económica que nos tem afectado, um largo passo foi dado para sermos como o resto dos países da União Europeia. A primeira notícia, é uma notícia feliz, se não for vetado o projecto pelo Presidente da República, que, por lei, tem esse direito. As outras duas são uma calamidade pública, para a qual o país não estava preparado. [Read more…]

You are coming away

My darling granddaughter,

You are coming away. At this very minute, you are being born. Mum and Pa are pushing away together,  ever since Saturday, the 2nd of January, of this year 2010.

I understand. It is too cold over here for you to leave your Mother Shelter, her womb.

Unhappily, as it is, that is the law of life.

being born

being born

You shall cry claiming for food. You want Mother’s breast.

Meantime, what dos Father do? Is he pushing along with Mum, holding her hands, with your Grannies alongside him?

in few more hours....

in few more hours....

Or is he all alone or dreaming to be with you like this?

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Fujimori do Peru, que raio de homem és tu?

25 anos de prisão por violações dos direitos humanos enquanto esteve no poder, e que incluíram raptos e massacres de civis. Foi confirmada pelo Supremo Tribunal a sentença que Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, já tinha ouvido em Abril de 2009.

De Fujimori devem lembrar-se da aparição à Rambo durante o longo sequestro na Embaixada japonesa, que acabou com ele a passear entre os corpos dos sequestradores.

Do que eu melhor me lembro é de um longínquo Herman TSF que começava com esse grito de indignação:

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O jogo do galo

O JOGO DO GALO

Com a colaboração impagável da Licenciada em Antropologia, Graça Pimentel Lemos, quem teve a paciência de fixar, mais uma vez, o texto

À Ana Maria Bénard da Costa

Uma cruz, uma argola. Até parecem símbolos. A cruz, o peso da vida, a argola, o compromisso. Mil vezes jogado pelas crianças de Vilatuxe, Vila Ruiva e Pencahue. Três sítios que vivo e visito, durante muitos e largos anos, para estudar o pensamento das crianças e o dos seus pais. A cruz, o símbolo do peso da vida, esse que o cristianismo ocidental aceita para salvar das obrigações. Esse que, transformado em verdade social e em verdade emotiva denominada fé, serve às crianças para brincar: #. Uma forma de brincar descontraída. Forma de brincar adequada à infância. Até chegarmos à vida adulta. Vida adulta que transforma essa argola, num compromisso. O compromisso com os outros, o compromisso de trabalhar, o compromisso de ser feliz, o compromisso de não se queixar. O compromisso de produzir com os dentes para descansar com as gengivas. Como diz o refrão que me foi transferido pela D. Olga Pasqua, lá, na minha Vila Ruiva, na Beira Alta. Compromisso de sermos procuradores da oferta que podemos alimentar. Com esse alimento, fazer viver os nossos e dar-lhes educação. Enquanto o jogo do galo é apenas para ganhar um amigo. Jogo de meninos, do qual as meninas são rapidamente corridas. A procura não existe. Para elas é a oferta. De nós, as servir. De sermos pai um dia, com elas. Jogo perspicaz que a pequenada feminina é suposta não poder e não saber. Coitada da que pareça ser inteligente! É logo corrida e não há rapaz que a queira para mulher: ia mandar mais ela que ele; ia compreender o mundo melhor do que ele. Ia saber. O mito tinha já imposto à humanidade ocidental na Bíblia, o que o Alcorão impôs sete séculos mais tarde: a sabedoria é do homem: cruz; a submissão, da mulher: argola. O lazer é do homem: cruz; os trabalhos infinitos, da mulher: argola; o prazer é do homem: cruz; o silêncio, da mulher, argola. O jogo do galo, por cima da galinha. Oferta e procura da memória social. O mundo mudo, fica globalizado, mas a oferta e a procura continuam como nos tempos do Renascimento, esse que levou os Borgia, os Medici, os Windsor, os Afonsos, os Cabral, os Alba e os Medinacelli, os Hohenzoller, Valois e Bourbons. Esses poucos a fazerem uma fortuna que fez circular o capital e criar um aritmético jogo do galo para dinamizar o povo #. Na sua capacidade de procura.

X O O
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1. Oferta e procura.

Uma lei económica feita e trabalhada pelos adultos. A partir da acumulação das riquezas pilhadas nos mundos pensados e designados como exóticos. Adultos que começam por usar crianças no seu jogo de oferta, da fabricação da oferta, da fabricação de bens para vender, como na Madeira, na Casa Pia e os Bispos de Boston. Bens que têm um preço, cruz, que cai por cima dos que procuram: argola. Os que procuram, querem trabalho, argola, os que oferecem, querem lucros, cruz. Cruz que atravessa, que cruza pelo pentagrama do jogo: # e o percorre da esquerda para a direita, e vice-versa, conforme o historial das crises económicas, como a de hoje, como a dos anos 20 do Século XX. Deitando as argolas para sítios que os que procuram, as consigam desenhar. A cruz é para o rico, um carregamento do seu orgulho e bondade. Da sua santidade na vida, da sua bênção no céu, feita já na terra, demonstrada já na terra. Como Max Weber soube analisar em comunhão com católicos e luteranos, a Sul do rio Elba. Um fazer crescer uma divindade, criada pela mente do mortal ser humano, sobreviver e tornar a viver outra vez. Impostos e morte, verdade certa, sem fugida nem escapatória. Impostos, cruz, para a fugida dos proprietários do lucro. Imposto, argola, perante o qual o trabalhador não tem escapatória. Cruz e argola jamais explicadas à criançada que começa logo a saber da utilidade do jogo do galo. Confronto com um outro que deve ser submetido. Um jogo mais difícil que o xadrez: não tem cálculo, tem aventura. Não tem matemática, tem aritmética puxada pela rapidez de quem começa primeiro e para quem sabe o canto até onde ir a seguir, para se defender: argola. Procura da melhor habilitação para oferecer o melhor trabalho: argola. Oferta baixa se o proprietário do lucro observa muitos habilitados no mesmo saber: cruz. Ratio feito parte do jogo do galo na economia. Donde, a economia é um jogo do galo que a criançada apreende cedo na vida e acaba por não poder aplicar mais tarde, na época da sua vida adulta: argola. Quando é preciso saber doutoral, como gosto de referir, para manipular os desapoquentados do mundo. Uma economia que está baseada nas quotas de importações e exportações, no jogo da bolsa tipo Wall Street: cruz. Jogo do galo entre Representantes ou Deputados da Assembleia: cruz, e votantes que vão às urnas para tentar organizar um plano que lhes é conveniente: cruz e argola. Cruz e argola que mudam através do tempo, conforme as vantagens para criar mais-valia, ou essa falta de lucro, que a cidadania quer obter. Cruz, para atirar às pensões da massa de idosos que precisam do dinheiro como bem, argola que enche as urnas dos oferendes de mais dinheiro: dinheiro em investimento, dinheiro em fábricas nacionais, dinheiro em acções para controlar a cruz do galo que calha suportá-la. # Passa a ser uma forma de se entrar pelos entendimentos do que há, pelos entendimentos do que convém fazer. E tanto é o jogo do galo que se pratica na infância, que acaba por ser uma aritmética, não uma matemática, apreendida logo em criança, mas necessariamente esquecida em adulto, e assim não perder o salário por saber ganhar. Excepto, no ordenado da Conta Ordenado dos bancos da União Europeia: argola, a mais oferta, maior criação de procura por meio da fabricação de mais dinheiro entregue a juros para determinar o preço da moeda: cruz. Alta, muito alta, cada vez mais alta. Juro, o preço do dinheiro que Wall Street sabe definir e a União Europeia e os seus aliados determinam com pactos de exportações, quotas atribuídas a cada país pela presidência da União Europeia de países definidos como mercado: cruz, os bens que se podem comprar, e os que estão doentes por lei: argola, ou os bens que se podem vender porque não há lei que proíba a sua oferta: cruz. Oferta de bebés proveta, venda de óvulos e esperma aos biólogos ou aos sabedores de genética: cruz. Cruz e argola espalhadas de forma incerta pelos largos da vida, insuportáveis permanentes mudanças entre épocas cronológicas. O #, acaba por ser um instrumento de aprendizagem fabuloso do real social, da memória social. Essa habilidade que tenho observado nas crianças e que converti em ensaio na minha vida adulta: uma cruz é um jogador a ganhar, uma argola é um jogador em risco, o pentagrama do desenho do jogo, a teia da vida conjuntural pela qual se debruça a realidade. Conforme o saibam fazer os jogadores. Todos eles, hoje em dia, ricos em dinheiro e pobres em bens. Parte deles, ricos em bens investidos e pobres no entendimento do ioga da elevação da alma, da calma e serenidade perante a vida, da capacidade de entender o ideal oposto a todos os asiáticos: esse dos cristãos ocidentais onde o pobre vive eternamente: sempre e quando tenha fome, sempre e quando não tenha posses, sempre e quando não saiba exibir a sua arrogância, necessária como ela é para suportar a cruz com cara de sofrimento e pedir perdão à História. Perdão conveniente para os direitos humanos que fazem parte das guerras uma aventura de Armada Invencível, que perdera cruz e argola na pretensa invasão inglesa. Armada Invencível de direitos humanos com furos como os de Pinochet ou Miloseviç, perdão fora do contexto conjuntural necessário para entender a passagem da vida. Que a Cúria do Vaticano não soube entender, contextualizada como tem estado pela necessidade de ser uma voz que vai à Palestina, que vai a Jerusalém, que colabora para fazer do mundo uma sociedade teísta, indo ao Monte Sinai para ver a rocha dos Dez Mandamentos cuidada pelos ortodoxos do Monte Carmelo que nem foram cumprimentar a fragilidade do Pontífice Católico, determinado como estava pela arrogância de dois mil anos de reclamada sabedoria, esquecendo que esses dois mil anos são também dos ortodoxos, dos muçulmanos, dos anglicanos, dos presbiterianos. Dois mil mitológicos anos, cruz e argola que, de facto, são mil e trezentos, conforme os historiadores e paleontólogos souberam, em Cambridge, entender como o debate entre Paulo e Santiago fez/produziu uma doutrina de abafamento para submeter pessoas ao trabalho não remunerado, pago com o corpo para salvar a alma e ganhar uma vida calma, depois da morte. Cruz e argola. Conjunturas esquecidas.

X O O
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Viver não custa. O que custa é saber ensinar a viver

Para Ana Paula Vieira da Silva, que sabe viver e ensinar a viver

Sem saber como, nascemos. Nascemos sem saber muito bem porquê. Somos resultado da paixão dos nossos adultos.

essa paixão casta que dá crianças

essa paixão casta que dá crianças

Essa paixão que não permite pensar, apenas agir. Essa paixão que tem, quase sempre como consequência, dar vida. O caminho ao Gólgota começa [1]. Dizer que viver não custa e, a seguir, referir o caminho ao calvário, parece uma contradição. No entanto, contradição não é. Dizer que viver não custa é já definir esse caminho semeado de espinhos dos preços, dos horários de trabalho prolongados, das esperas imensas de transportes lotados. De lutar contra a doença, porque o dinheiro descontado, no parco salário, faz falta. Um desconto feito pelos mais poderosos que apenas querem continuar a acumular riquezas com a força de trabalho dos outros. Estes espinhos são inevitáveis. A vida ensina como somos matéria e que essa matéria ou se cansa ou se aborrece ou nem sabe como se entreter. Não é em vão que Alice Miller comenta o que está na citação de nota de rodapé [2].

criança isolada para ser bem dotada

É por meio destas ideias de Alice Miller, do abuso que as crianças sofrem ao serem sempre consideradas pessoas cuja dotação intelectual é inferior ao normal, que entendemos finalmente, que viver não custa, o que custa é ensinar a saber viver. Viver não custa desde que se saiba escapar às doenças, entender de economia e gerir o corpo e a inteligência, com diligência e com informação.

Os mais novos aprendem estas ideias e outras, pelo real calvário dos seus pais, esses adultos que são a força de trabalho de uma nação, como já advertia Marcel Mauss em 1924 [3].E mais nada digo, excepto acrescentar que quer a análises das crianças, como faz Alice Miller e eu próprio, parecem enganar aos mais novos para não ver o Gólgota dos seus pais, trabalhos que também eles fazem e que o Estado e as Confissões Religiosas avalisam, com provo no meu livro citado e outros escritos por mim sobre o aspecto religioso da cultura, que ensinam como desde muito novos, devem trabalhar, saber de essa resignação a escravidão da crianças e subordinação ao que os adultos mandam, para poder lucrar com eles, como proletários[5]

rapaz pre púbere, proletário, a trabalhar

rapaz pre púbere, proletário, a trabalhar

Este texto é apenas um esboço de um livro que acabo de publicar com outro título: O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com mais valia, Afrontamento, Porto Texto debatido com Ana Paula, que merece, de longe, este ensaio, porque me ensina e vice-versa.

São saberes em desencontro [6], entre adultos e crianças, que acabam por se abater nos mais novos. Por esse motivo, ou são punidos… ou são levados ao especialista, sabe Deus, para quê. Normalmente, na má empregue psicanálise que nada adianta. Eis porque viver não custa, o que custa é ensinar a viver no meio das ideias aqui sintetizadas.

Não há beleza naquela parte da cidade. Não se encontra cartão postal sendo vendido pelas ruas e nem turistas querendo fazer uma visita. Nunca nenhum artista fez uma música do tipo; “Cidade maravilhosa…”. Mas o que se vê é um lugar sombrio e cheio de pedras.

“Levando a sua própria cruz, ele saiu para o lugar chamado Caveira” (João 19:17). Foi assim que João descreveu aquele momento.

operários sem meios de produção

operários sem meios de produção

Ao aprender estas ideias de resignação, especialmente a ideia pela qual continuo a lutar de que a religião é a lógica da cultura, como reitero em vários textos, especialmente no texto do seminário de Universidade da Beira Interior, Beira Alta, Em Nome de Deus [4], é já na catequese que a criança aprende o que é bom e mau. As crianças se exprimirem o que sentem e fizerem como entendem, são punidas. Daí que viver não custa: os adultos guardam os seus pensamentos, incutidos nos mandamentos religiosos, adaptando-os a sua realidade.

É no meio desta contradição que as crianças tentam aprender…

crianças em catequése a aprender resignação

crianças em catequese a aprender resignação

Raúl Iturra; Jornal “a Página” , ano 10, nº 102, Maio 2001, p. 24.

E em Aventar, 24.11.08

[1] Gólgota é sempre definido como Calvário, mas não como um Calvário qualquer: Calvário (em aramaico Gólgota) é o nome dado à colina que na época de Cristo ficava fora da cidade de Jerusalém, onde Jesus foi crucificado. Calvaria em latim, (Kraniou Topos) em grego e Gûlgaltâ em transliteração do aramaico. O termo significa “caveira”, referindo-se a uma colina ou plano que contém uma pilha de crânios ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio.

[2] A relação psicanalítica, a que chama de pedagógica, onde o terapeuta tem um projecto explícito ou implícito para o seu paciente e tudo faz para engajá-lo em sua verdade preestabelecida; em contraposição, a atitude não – pedagógica, onde o terapeuta tenta criar condições para o desenvolvimento individualizado do parceiro daquela viagem a um País desconhecido que ainda não existe. Em Alice Miller, 1984: MILLER, Alice. Thou Shalt not be Aware: society’s betrayal of the child. N.Y., Farrar, Strauss, Giroux, em: http://www.google.pt/search?hl=ptPT&q=Alice+Miler+Thou+shalt+not+be+aware&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=, traduzido ao luso-brasileiro, em 1986, como: O Drama da Criança Bem Dotada, (1994 em alemão, Frankfurt am Main,1998 em Castelhano, Tusquets, Barcelona : como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos. Texto que diz: Alice Miller mostra como somos desviados dessa verdadeira natureza humana por um processo educativo alienante e caduco, obrigados a satisfazer exigências explícitas e dissimuladas de nossos pais, para nos sentirmos merecedores do seu amor.

[3] Mauss, Marcel Essai sur le don. Forme et raison de l’échange dans les sociétés archaïques (1923-1924),     l’Année Sociologique, Seconde Série, Felix Alkan, Paris, aparecido como livro da Press Universitaires de France ou PUF, em 1950, Paris, intitulado de L’essai sur le don, prefaciado por Claude Lévi- Strauss. Em língua portuguesa: Ensaio sobre a dádiva, Edições 70, duas edições, 1988 e 2001. O texto pode ser lido em língua francesa, em linha em formato Word 2001 à télécharger, em : http://classiques.uqac.ca/classiques/mauss_marcel/socio_et_anthropo/ 2_essai_sur_le_don/essai_sur_le_don.doc

[4] Comentado em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000325732005000300015&lng=es&nrm=iso, Analise Social n.175 Lisboa Jul. 2005.

[5] O Gólgota não é um lugar que faz alguém sorrir toda vez que se passa por ele. Crianças não pedem para brincar lá. Famílias não fazem piqueniques naquele local. Programas infantis não são gravados e nem excursão escolar quer ir para o Gólgota.

[6] Comentado também em Saberes em desencontro. O desabamento da criança.