Um dia igual a tantos outros

Nelson Évora ganha uma medalha

e há fatos no sítio do costume.

dre2782015

Uma lagosta para para me ver

para jogo

Efectivamente, Aguero para jogo para adepto do Everton ser assistido.

Aguero para jogo para?

Exactamente, Aguero para jogo para.

Aguero para jogo?

Correcto: Aguero para jogo.

Partamos do princípio de que, “passando  diante  de  um  apelativo  lago,  Narciso  para  para  beber” (p. 101) — ou então imaginemos que “a manifestação (…) para para fazer um minuto de silêncio pelo Chile”  (p. 248), “a rádio para para dar uma notícia sensacional” (p. 196), “Londres para para funeral de Margaret Thatcher” (Público), “Universidade para para agraciar Mourinho” (JN), “Papa para para abençoar doente acamado” (CMTV) “Cervantes para para ser operado” (MR), “Ascensor para para obras de manutenção” (CMN), “Escola Secundária para para ler!” (RBO), “o Sol para para os prodígios” (p. 32)  ou, melhor ainda, “uma lagosta / para / para me ver / trincar / um cato em chamas” (*).

Para para me ver? Para para os prodígios? Para para ler? Para para obras? Para para ser operado? Para para abençoar? Para para agraciar? Para para funeral? Para para fazer? Para para beber?

Para para beber?

Agora, compare-se com “de bicicleta para para o trabalho” (Carris), “Maria Teresa Lago eleita para para comité executivo da IAU” (SPA) ou “sem ter feito para para o merecer” (TVI).

Quanto ao sítio do costume, não há novidades.

dre 25082015

Portanto, Aguero para jogo para adepto do Everton ser assistido.

***

(*) Isto é, «uma lagosta / pára / para me ver / trincar / um cacto em chamas», M. S. Lourenço, Pássaro Paradípsico, Lisboa, Perspectivas & Realidades, 1979, p. 13 (p. 292 ), com intervenção de um conversor.

Um pouco menos de tourada ortográfica, sff

05 Sep 2005, Portugal --- Portuguese bullfighter from the group, the "Forcados Amadores de Evora", Antonio Alfacinha confronts a 500 kg. bull in a "Pega", a catch, during the group's performance in Montemor. The "forcados" are considered to be the origins of bullfighting and consist of a performance of eight men in a linear formation 1:1:3:3 facing a bull soley with their bodies until the bull stops fighting. They receive no monetary compensation for their performances. The pleasure according to them lies in the benefit and pride of the group having given a good performance. | Location: Montemor, Alentejo, Portugal. --- Image by © Carlos Cazalis/Corbis

© Carlos Cazalis/Corbis (http://bit.ly/1MIeyNl)

Ao regressar a Bruxelas, leio no Expresso a ‘frase do dia‘:

Quando é que, perante a cobarde omissão do legislador, um tribunal tem a coragem de proibir estes espectáculos de degradação humana?.

Duvido. Na dúvida, vou à fonte. Confirma-se. A palavra do dia: espectáculo. Por um lado (aquele que efectivamente interessa), compreende-se: espectáculo [ʃpɛˈtakuɫu] ≠ espetáculo [ʃpɨˈtakuɫu]. Contudo, por outro lado, não se percebe: atira pedras de “conservadorismo ortográfico” aos outros, para, no fim de contas, adoptar a ortografia que passa a vida a atacar e, obviamente, misturar duas grafias:

vm

Um pouco mais de coerência e de rigor, sff.

Se não gosta de *espetáculos, é assinar, recolher e enviar. Como diria o Alberto, “não há nada mais simples“. Claro que pode cruzar os braços e assistir à tourada ortográfica, no sítio do costume.

Sim, hoje, no Diário da República.

dre 2482015

Agora, regresso ao Weinberg.

Efectivamente: mais do mesmo

Hoje de manhã, fiquei a saber que o Parlamento iria fazer “maratona antes das férias” e que, nessa maratona, seriam votados quer o “Projeto de Resolução n.º 1021/XII/3.ª (PCP) – Sobre o sector da Assistência em Escala (Handling) no transporte aéreo”, quer o “Texto Final apresentado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública relativo à Proposta de Lei n.º 326/XII/4.ª (GOV)” que aprova, por exemplo, “os regimes processuais aplicáveis aos crimes especiais do sector segurador”, quer ainda o “Projeto de Resolução n.º 1522/XII/4.ª (PS) – Recomenda ao Governo um conjunto de melhorias que promovam uma maior equidade e eficiência no acesso aos fundos comunitários pelo setor agro-rural”.

Isto é, ‘sector’, ‘sector’ e ‘setor’. Ou seja, sector e setor. Portanto, é mesmo facultativo. No fim de contas, é tudo à vontade do freguês.

O jornalista da Lusa refere-se a “mais do mesmo”, relativamente aos trabalhos desta tarde, na Assembleia da República. Foi exactamente isso que pensei, ao ler o Diário da República de ontem. Efectivamente, mais do mesmo.

Houve fato?

Sim, houve fato.

fato dre2172015

E fatos? Houve fatos? [Read more…]

Referendo, grexit e orthographexit

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Αλέξης Τσίπρας

***

Aqui em Bruxelas, há reuniões que duram 17 horas e nas quais se procura encontrar uma solução para resolver um problema.

Aí em Portugal, nem 17 minutos são dedicados à resolução de um problema denunciado há muito tempo e criado pelo poder político.

A solução, neste caso, é mesmo a saída.

Post scriptum: Curiosamente, lembrei-me de orthographexit, no mesmo dia em que Jérôme Godefroy cunhou o termo. Há dias assim.

dre 13072015

A balada do Acordo Ortográfico de 1990

atual actriz

New York Cops – NYPD Blue: Season X, Episode Y
AO90 (08 Jul. 2015)
“NYPD Blue” AO90 (original title)

Versão portuguesa da sinopse:

Neste episódio, um leitor é atacado por ‘atual‘ e por ‘actriz‘, ao ler um texto publicado no Expressoem que se conta algo de insólito ocorrido na cidade que nunca dorme, antes de uma representação da peça “Hand to God“, de Robert Askins, no teatro Booth  para quem não souber, este teatro fica a cerca de vinte minutos a pé de um edifício nosso conhecido.

O detective (efectivamente: detective) Sipowicz, depois de descobrir que algo de semelhante aconteceu ao mesmo leitor, exactamente no mesmo local e há muito pouco tempo, encontra um júri que pode exigir a candidatos a apresentação de documentos comprovativos de fatos. Sim, comprovativos de fatos. Hoje, no sítio do costume.

dre 872015

Jorge Jesus: o conforto e o risco

Jorge Jesus, em entrevista à SIC Notícias, explicou que trocou “o conforto pelo risco”. Não está só. Há cinco anos, o Expresso também trocou o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Um dos resultados patentes é esta mistela:

expresso672015

Como Jesus e como o Expresso, também o Governo decidiu trocar o conforto de uma ortografia adequada à realidade do português europeu pelo risco. Eis aquilo que acontece no sítio do costume:

dre 6072015

E eis a solução.

Continuação de uma óptima semana.

Το δημοψήφισμα

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.

– Κ.Π. Καβάφης

Μα γι’ αυτό και μου συνέβη.

– Φερνάντο Πεσσόα

***

Η διατήρηση της υφιστάµενης κατάστασης δεν αποτελεί επιλογή υπό τις παρούσες συνθήκες. Αυτή η εξαιρετικά επικίνδυνη στρατηγική θα στοιχειώνει και πάλι την Πορτογαλία και την πορτογαλική γλώσσα στο εγγύς και το απώτερο μέλλον.

Ναι ή όχι;

Λοιπόν, η απάντηση είναι πολύ απλή. Θα μιλήσουμε για αυτό αργότερα, κατά τη συζήτηση – το λεγόμενο “discussão mais focada“.

Θα τελειώσω με μια φράση του Αλέξη Τσίπρα:

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Καλό Σαββατοκύριακο.

dre 03072015

Miguel Relvas e a ambiguidade

Depois de ‘cabeça-de-lista‘ (conversa reservada para o momento da “discussão mais focada“), voltemos a Miguel Relvas e ao Acordo Ortográfico de 1990. Em recente entrevista ao Expresso, Relvas garante que

O acordo ortográfico também serve para esclarecer a ambiguidade de muitas palavras.

É esta a opinião do político que há cerca de dois anos assumiu o cargo de Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Em breve, se tudo correr bem, teremos um amplo debate público sobre este tema e Relvas ficará a saber, por exemplo, que pára e para, coacção e coação ou corrector e corretor deixaram de se distinguir graficamente e são potenciais focos de ambiguidade. Ficará a saber igualmente que os ‘aspetos técnicos’ mencionados por Aznar no prefácio e a “perspetiva de chegar à liderança das secretas” da entrevista ao Expresso são factor de desunião.

Relvas terá também a oportunidade de se debruçar sobre aquilo que tem acontecido no Diário da República. Entretanto, convém lembrar que são necessárias 75 mil assinaturas para que este triste espectáculo acabe.

dre 3062015

Aznavour, BB, Cloclo e o Diário da República

Retirez-moi cette poussière sidérale
Contact
Contact
BB

***

Como escreveu ontem Paul Krugman, “OK, this is real“. Não, não é formidable. Sim, é comme d’habitude.

dre 2962015

De olhos bem tapados

11 Jun 2015, São Paulo, Brazil --- A TAP plane departs Guarulhos international airport in Sao Paulo, Brazil, June 11, 2015. A consortium led by American-Brazilian investor David Neeleman will take control of indebted Portuguese state airline TAP, ending a drawn-out sales process that has faced strong opposition from many unions. REUTERS/Paulo Whitaker --- Image by © PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis

© PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis (http://bit.ly/1cYx1qt)

Nicolau Santos pergunta se faz sentido o Estado português vender “parte da posição acionista” da TAP “a um banco público brasileiro, ou seja, ao Estado brasileiro”. Creio que sim. Se fosse ‘accionista‘, teríamos outra conversa. Sendo ‘acionista‘, obviamente, o Brasil é o destino mais indicado.

Por falar em Brasil, sempre que leio o Diário da República, lembro-me do Diário Oficial da União. Porquê? Por causa das coisas que acontecem no sítio do costume. Hoje, temos mais do mesmo.

dre 16062015

Selecção dominou, mas Seleção venceu

epa joel ford

© EPA|Joel Ford (http://bit.ly/1cVJP11)

De facto, como podemos ler no Público de ontem: “Portugal dominou mas Brasil venceu nos penáltis por 1-3“. Por qualquer motivo, na redacção do jornal O Jogo há quem, apesar do título (Portugal eliminado pelo Brasil), creia que o Brasil perdeu: “A Seleção Nacional de Sub-20 perdeu“. Convém sempre recordar que ‘selecção’ ≠ ‘seleção’ — por exemplo, há pouco mais de um ano, selecção jogou com os Camarões e a seleção jogou com a África do Sul.

Também convirá, durante a tal “discussão mais focada sobre as matérias mais controversas“, explicar que, em português europeu, Contact Mechanics and Lubrication não corresponde exactamente a Mecânica do Contato e Lubrificação. Exactamente: hoje, no sítio do costume.

mecanica contato

Miguel Relvas, o cabeça-de-lista

To give you an example of the magnitude of the error, to believe that the world is less than 10,000 years old, when in fact we know the world is 4.6 billion years old, is equivalent to believing that the width of North America from New York to San Francisco is less than 10 yards.

Richard Dawkins

***

Através do Jornal de Negócios, fiquei a saber que

A EDP lançou a campanha “Um século de energia”, o único trabalho publicitário realizado por Manoel de Oliveira na sua carreira com oito décadas. Este foi o ponto de partida para a energética lançar um concurso cujo vencedor vai ser premiado com a oferta de 100 anos de energia – electricidade e gás natural.

A EDP, segundo o Público, apresenta a curta-metragem

como “uma obra inédita”, “o último trabalho realizado pelo mestre Manoel de Oliveira”, e que deu origem à “única campanha de publicidade” na carreira do realizador.

Vejamos, então, o contributo desta curta-metragem para a ortografia portuguesa: direção, diretor, projeções, Abril, electricista e hidroeléctrica.

energia

Quanto ao sítio do costume, hoje, não há grandes novidades.

contatar

 

Quem quiser novidades, pode encontrá-las no Diário de Notícias[Read more…]

A reafectação dos factores

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Stephen Antonakos (1926–2013): Incomplete Circle (five-unit drawing with blue and red incomplete circles), 1975. Copyright:© 2015 Stephen Antonakos (http://bit.ly/1HIjMoX)

Como sabemos, foi recentemente apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral do Partido Socialista. Entretanto, durante uma conferência de imprensa, António Costa afirmou que as medidas apresentadas num relatório coordenado por Mário Centeno “inspiram e vão motivar a elaboração do programa do Governo”.

É preocupante que determinadas opções apresentadas no relatório possam inspirar a elaboração do programa do Governo do Partido Socialista.

Na página 9 do relatório, podemos ler “adequada reafectação dos fatores produtivos”. Um forte aplauso para a adopção de ‘reafectação‘ quer nesta página 9, quer na página 65 — “reafectação territorial e funcional de funcionários públicos” e “reafectação de funcionários excedentários” — e uma vaia monumental às ‘afetação‘ das páginas 14, 25, 64, 73 e 74 .

Sejamos claros: a grafia ‘fatores‘, além de não pertencer ao repertório ortográfico português europeu, não é companhia que se recomende a uma reafectação. Em português europeu, como sabemos, “reafetação dos fatores” *[ʀjɐfɨtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ fɐˈtoɾɨʃ] não existe: a formulação grafemicamente satisfatória é “reafectação dos factores” [ʀjɐfɛtɐˌsɐ̃ũ̯ duʃ faˈtoɾɨʃ]. [Read more…]

Fatos de manifesto e relevante interesse para a Freguesia

É verdade, João José Cardoso: “o drama, o horror, a tragédia“. Efectivamente, no dia 13 de Maio de 2015, no sítio do costume.

O drama:

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O horror:

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A tragédia:

dre 13052015

A população deve ser avisada e mantida informada durante a ocorrência

Sim, porque houve ocorrências. Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Houve contato,

contato dre

houve mais contato e houve [Read more…]

Efectivamente: hoje, no sítio do costume

dre 432015

A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011 -2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

De *fato e de direito, hoje, no sítio do costume

2. Self-Portrait-Strangulation 1978.jpg

Andy Warhol. Self-Portrait (Strangulation), 1978. © 2010 The Andy Warhol Foundation for the Visual Arts/Artists Rights Society (ARS), New York (http://nyti.ms/1CiBv4d)

Pois, no Diário da República.

Sim, hoje:

Os agravamentos às taxas pelo deferimento dos pedidos previstos na presente disposição são sempre cumuláveis entre si ainda que sejam justificados por idênticas razões de fato e de direito.

(…)

O pedido de emissão de certidão que comprove a legalidade de determinada operação urbanística deve ser formulado sob a forma de requerimento escrito dirigido ao presidente da Câmara Municipal onde se indique os fundamentos de fato e de direito que justificam a pretensão e deve ser instruído com os meios de prova que revelem a data da construção, designadamente prova documental cartografia ou fotográfica.

Claro, o *contato não podia faltar:

Do requerimento deverão constar os seguintes elementos:
Identificação (nome, filiação, estado civil, naturalidade, nacionalidade, data de nascimento, número e data do número de identificação pessoal e data de validade, número de contribuinte, residência, código postal, número de telefone e contato/endereço eletrónico), as habilitações literárias, a situação profissional (serviço a que pertence, natureza do vínculo e carreira e categoria detida, organismo a cujo mapa de pessoal pertence, com indicação da unidade orgânica de afetação e, ainda, organismo onde exerce funções, também com indicação da respetiva unidade orgânica, caso os organismos de origem e de exercício de funções não coincidam, e natureza do vínculo à Administração Pública) e a identificação do procedimento a que a candidatura diz respeito.

(…)

Formalização da candidatura: A candidatura deve ser formalizada, através de requerimento dirigido à Inspetora-Geral da Administração Interna, Rua Marténs Ferrão, n.º 11, 3.º piso, 1050 -159 Lisboa, com menção expressa do vínculo, da carreira/categoria que detém, da posição e nível remuneratórios e a correspondente remuneração mensal e do contato telefónico e e-mail.

 

Enfim, os estrangulamentos e os constrangimentos do costume.

Exactamente, aqueles estrangulamentos e constrangimentos que o Conselho Científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa garante não terem sido identificados na aplicação do AO90.

Efectivamente.

Continuação de uma óptima semana.

Variação sobre um tema conhecido: *contatar/*contatando

Se lerem atentamente o Diário da República de ontem, alguns defensores, promotores e amigos do Acordo Ortográfico de 1990 terão a oportunidade de verificar o estado a que isto chegou e, provavelmente, irão reflectir acerca de determinados aspectos que, porventura, nunca lhes terão merecido a devida atenção.

Claro que não se trata do já conhecido *contato — nesta altura do campeonato, toda a gente conhecerá o *contato: aliás, ontem, houve mais três ocorrências. Infelizmente, o *contato já não impressionará ninguém. Hoje, por exemplo, não há qualquer *contato, mas temos a “eventual responsabilidade civil ou criminal emergente dos *fatos praticados”. Actualmente, os “fatos praticados” só poderão surpreender aqueles que fazem da distracção uma forma de vida.

1312

Contudo, aquilo que deve(ria) ou pode(ria) impressionar quem encolhe os ombros perante o espectáculo da página 6 são as ocorrências de *contatar

1312a

e a ocorrência de *contatando. Sim, *contatando. Apesar dos ‘contactos’.

1312b

Sim, ontem, no Diário da República.

Aproveito o tema ‘variação’, para vos desejar um óptimo fim-de-semana, na companhia do centenário Britten.

Duas ou três coisas sobre *fatos do Acordo Ortográfico de 1990

DR AO90

Pour prendre position il faut, en général, 
savoir d’abord un certain nombre de choses.
— Georges Didi-Huberman (2009:15)

And intellectual bankruptcy, I’m sorry to say, 
is a problem that no amount of drilling 
and fracking can solve.
— Paul Krugman, 15/3/2012

Em 2009 (p.18), escrevi:

Existindo, como em qualquer reforma, opções susceptíveis de contestação e de debate no plano linguístico, já se torna difícil rebater argumentos taxativos, simplistas e contraditórios, que não vão ao cerne da motivação, ou então acusações avulsas, suspiradas através do facilitismo da emoção, peças movidas em tabuleiros não linguísticos e não culturais.

De facto, é extremamente difícil rebater aquilo que Seixas da Costa escreveu há pouco mais de um ano:

A má fé [sic] e a distorção propositada obtêm, por vezes, algumas vitórias. Admito que alguns possam não gostar do novo Acordo Ortográfico, mas não é aceitável que, por mera vigarice intelectual, se procurem criar mitos em torno das mudanças que ele introduz.

O mais flagrante, e que tenho verificado que que [sic] está já na cabeça de muitas pessoas incautas, é a ideia de que a palavra facto passa, por virtude do Acordo, a mudar para fato. De tanto isto ser repetido, há quem acredite.

Ora isto é uma falsidade, que alguns se entretêm a instilar. Por uma vez, que fique claro: o novo Acordo Ortográfico não altera a forma de escrita (e, naturalmente, de pronúncia) da palavra “facto”.

Quantas vezes será necessário repetir isto?

Depois desta acusação em abstracto, consideremos uma hipótese remota, mas concreta: [Read more…]