O fio de Ariadne

A Civilização é um termo que procura definir o modo como ao longo do tempo as comunidades humanas se organizaram e evoluíram a partir da construção de cidades – a civitas. Um dos símbolos mais antigos da cidade, que a representa não apenas como projecção do esforço humano de organização e povoamento, mas como reflexo da relação do Homem com o mistério do mundo e o mistério de si mesmo, é o Labirinto. Na tradição que nos chega dos tempos e lugares clássicos, no meio desse Labirinto vive um Touro – o Minotauro.

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Rejubilai! As touradas estão a morrer

tourada

Desde o final da década passada, o número de touradas realizadas em Portugal tem vindo a diminuir de ano para ano. Em igual trajectória, estes espectáculos de violência e morte perderam milhares de espectadores em poucos anos: em 2008, segundo números do IGAC, as touradas levaram aproximadamente 700 mil portugueses às arenas. Em 2016, o número foi reduzido para perto de metade. Um declínio que se saúda.

Perante esta realidade, é expectável que as touradas acabem mesmo por morrer, ainda que de morte lenta e demorada, o que infelizmente ainda custará a vida a centenas de animais indefesos que continuarão a ser alvo da brutalidade de uma tradição sem nexo. Não obstante, o crescente desinteresse dos portugueses pelo entretenimento da tortura é um sinal positivo e animador. Estamos no bom caminho e só se lamenta que o enfermo continue a ser medicado. Desliguemos-lhe as máquinas. Ou eles que se toureiem uns aos outros.

Cartoon@No Limiar das Palavras

«Relativista invade arena do Campo Pequeno durante tourada»

Perdão: «Rotativista invade arena do Campo Pequeno durante tourada». Não? Já sei: «Arrivista invade arena do Campo Pequeno durante tourada». Também não? Arquivista? Activ-? Activista? Um activista! Ah! OK.

Um pouco menos de tourada ortográfica, sff

05 Sep 2005, Portugal --- Portuguese bullfighter from the group, the "Forcados Amadores de Evora", Antonio Alfacinha confronts a 500 kg. bull in a "Pega", a catch, during the group's performance in Montemor. The "forcados" are considered to be the origins of bullfighting and consist of a performance of eight men in a linear formation 1:1:3:3 facing a bull soley with their bodies until the bull stops fighting. They receive no monetary compensation for their performances. The pleasure according to them lies in the benefit and pride of the group having given a good performance. | Location: Montemor, Alentejo, Portugal. --- Image by © Carlos Cazalis/Corbis

© Carlos Cazalis/Corbis (http://bit.ly/1MIeyNl)

Ao regressar a Bruxelas, leio no Expresso a ‘frase do dia‘:

Quando é que, perante a cobarde omissão do legislador, um tribunal tem a coragem de proibir estes espectáculos de degradação humana?.

Duvido. Na dúvida, vou à fonte. Confirma-se. A palavra do dia: espectáculo. Por um lado (aquele que efectivamente interessa), compreende-se: espectáculo [ʃpɛˈtakuɫu] ≠ espetáculo [ʃpɨˈtakuɫu]. Contudo, por outro lado, não se percebe: atira pedras de “conservadorismo ortográfico” aos outros, para, no fim de contas, adoptar a ortografia que passa a vida a atacar e, obviamente, misturar duas grafias:

vm

Um pouco mais de coerência e de rigor, sff.

Se não gosta de *espetáculos, é assinar, recolher e enviar. Como diria o Alberto, “não há nada mais simples“. Claro que pode cruzar os braços e assistir à tourada ortográfica, no sítio do costume.

Sim, hoje, no Diário da República.

dre 2482015

Agora, regresso ao Weinberg.

Banda sonora

Não há dúvidas que a canção é uma arma. Acho, assim, muito bem, que se cante em protesto. Apenas sugiro que se diversifique mais um pouco as escolhas. Com todo o respeito pela “Grândola, Vila Morena” e pelo Zeca Afonso, com todo o respeito pela máxima “O povo é quem mais ordena” e pela herança revolucionária, acho que seria, também, de cantar bem alto outras canções que fazem, outra vez, todo o sentido, como por exemplo:

Entram empresários moralistas. Entram frustrações. Entram antiquários e fadistas. E contradições. E entra muito dólar, muita gente. Que dá lucro aos milhões.

Isso mesmo, cante-se também a “Tourada” de Ary dos Santos e Fernando Tordo:

Aceitam-se mais sugestões.

Tradições

Cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar novamente contra manifestantes

Depois de ter avançado com o cavalo contra manifestantes, o cavaleiro Marcelo Mendes vai avançar também com uma queixa.

Onde andam os psiquiatras?

A  cavalgadura  Marcelo Mendes diz que os manifestantes ofenderam o cavalo.

Filhodaputa a Cavalo

Oh Cardoso, desculpa lá mas tu roubaste-me o post

Marcelo Mendes, um animal irracional montado a cavalo

Deixando de lado a questão de os animais, neste caso os touros, terem ou não direitos, as touradas são um ritual de glorificação da morte. Espetam as farpas num animal porque não o podem fazer num humano e o resto é folclore pseudo-cultural.

Demonstração prática: na Torreira um animal a cavalo investe contra humanos sentados em protesto. Talvez tenha visto episódios do Gladiador a mais, pode ter sido do sol, mais provavelmente Marcelo Mendes rendeu-se aos argumentos anti-tourada e tentou demonstrar que está intelectualmente ao nível dos touros que lida. O problema é que os touros não têm alternativa, ele teve-a e fez a sua opção.

A outra tourada de San Ferminak

Nesta os touros vão fardados.

Cortem-lhe uma orelha


Toca piano e fala francês. É Ministra, mas não sabe de quê. Talvez seja Ministra… da EDP.
Paga para defender a cultura e o património nacional, é a primeira a vir garantir que o processo de classificação da Linha do Tua não impedirá a construção da Barragem. Podemos estar descansados: a Linha será Monumento Nacional, mesmo que desapareça.
E se é dramático Portugal ser dirigido por um ignorante iletrado, mais dramático é ter uma Ministra da Cultura inculta que pensa que está no cargo para defender os interesses da companhia de electricidade. Não, ela não é Ministra da Economia.
Se fosse, seria a substituta de Manuel Pinho, o tal que gosta de fazer cornos aos outros deputados.

Pois, por falar em cornos, já sabemos que a Ministra que toca piano e fala francês é uma aficionada. Sim, para ela a tauromaquia é cultura (uma Barragem também é cultura).
E se ela gosta tanto de touradas, e já vimos que não serve para dirigir seja que Ministério for, seja em que país (terceiro-mundista) for, só nos resta uma solução: teremos de a lidar, primeiro com a sorte de varas e depois espetando-lhe umas bandarilhas. No fim da lida, fazer-lhe uma pega como manda a tradição. Para terminar o espectáculo, à boa maneira espanhola, cortamos-lhe uma orelha e recambiamo-la para fora da arena. Olé!

Aos aficionados

Rua das Musas - Porto

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