Sophia

Sophia

Sophia, sempre Sophia. Sempre. Há um ano, aqui no Aventar, também o Ricardo Santos Pinto nos trouxe este Poema. Como já tive a oportunidade de escrever, «Em português europeu, Abril não é abril. Em português europeu, Abril é Abril. Sempre».


Feliz Dia do Trabalhador!

Versão Continente

Peixe Pequeno

Uma rede que apanha peixe pequenino, consegue apanhar tubarões?
Façam-me rir, vá.

Vencedores e Vencidos – Abril, o Grande Vencedor

   (adão cruz)

Presume-se que os vitoriosos deste Mundo, sejam os vitoriosos que provocaram ou facilitaram a fabricação desta plataforma em que vivemos, da barbárie ocidental dos tempos modernos, da poluição, da fome, da super-alimentação e da alimentação envenenada, o mundo da degradação, da auto-destruição e da massificação da economia, o mundo-universo da droga, do suicídio, da delinquência, da violência e do extremismo. [Ler mais ...]

Salgueiro Maia em Duas Fotografias

Santarém, Jardim dos Cravos. Homenagem a Salgueiro Maia.
25 de Abril de 2012. © Um Amigo.

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Hoje dá na net: História de uma Flor

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«História de uma Flor» é um livro para crianças escrito por Matilde Rosa Araújo. A Revolução de Abril é retratada de forma lúdica através da história de uma flor, que passa de escura a vermelha, de sozinha a acompanhada, de triste a alegre. O livro está disponível na sua totalidade no Cata Livros, um site muito giro da Fundação Gulbenkian que reune um conjunto de obras infantis da maior importância.

 

25 Poemas de Abril (XXV)


AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XXIV)


Grândola, Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena [Ler mais ...]

Uma Revolução Porreira (Pá)

Desconheço o autor desta fotografia, uma das várias que, para mim, sintetiza o que foi a “revolução” acontecida no dia 25 de Abril de 1974, ‘inda eu não era nascido.
Dizem que o “povo saiu à rua”. E saiu mesmo! – veio o povo apear-se junto aos soldados, eles com armas em punho e o povo com as mãos nos bolsos a ver a banda passar ou a tomar chã na praça. Foi uma revolução de sucessos.
Só foi pena que os vândalos do costume transitassem, imperturbados, do velho regime para o novo regime: um regime porreiro. Só um regime porreiro poderia permitir que um espanca-pretos se tornasse uma importante figura no estado  a que o Estado chegou.
Porreiro!

G*-63-10

conta o Victor Valente

25 Poemas de Abril (XXIII)


Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

como puro inícío
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação

Sophia de Mello Breyner

25 Poemas de Abril (XXII)


Maré Alta

Aprende a nadar, companheiro
aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta

Uns tantos broches

Mário Soares está com pele de galinha, garantindo a responsabilidade do governo que se dedica a vender as jóias da Coroa. Não se refere à colecção já parcialmente mutilada pela incompetência de quem a tem à sua guarda e por isso isso mesmo, salteada por presuntos piratas holandeses numa exposição de estalo. Não, Mário Soares refere-se às empresas públicas. Para ele, são as jóias da Coroa.

Pois agora passamos desde já a debitar mais uns tantos broches convenientemente babados e esquecidos: além do Ultramar apressadamente desfeito a pontapé, temos a agricultura, pescas, indústria, marinha mercante, alfândegas, as reservas de ouro do BdP, as finanças saudáveis, o Escudo, o controlo de fronteiras e uma infinidade de peças de inestimável valor, consideradas outrora como mera fancaria sem préstimo.

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O colaboracionista Marques Júnior não percebe a ausência da Associação 25 de Abril nas comemorações da Revolução

E eu não concebo a presença de um Capitão de Abril num Partido como o PS. Estamos quites!

25 Poemas de Abril (XXI)


Vampiros

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis] [Ler mais ...]

Deputados e ex-presidentes com dignidade, tenham-na

Aos anos que ouvimos a direita na mesma choraminguice, que as comemorações oficiais do 25 de Abril não fazem sentido, que ninguém liga nenhuma aquilo, que não é pedagógico, que é como as velhas comemorações do 5 de Outubro uma mera romagem de saudade, carpindo-se com a periodicidade anual dos pólens nesta altura abundantes e difusores de alergias.

Subitamente tudo mudou, apenas porque quem fez o golpe militar afirma que apenas na rua onde se fez a Revolução (que quiseram “evolução“, lembram-se?) o vai comemorar este ano. Aflição geral na direita, que a democracia são eles, os que foram eleitos (o facto de o terem sido prometendo não fazer tudo o que têm feito não interessa nada, é a democracia-voto-cheque-em-branco onde escrevem as mentiras que ainda hão-de vir), que é um despautério, afrontamentos da terceira idade, balha-me-deus. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XX)


O Patrão e Nós

Vejam aquele homem de cartola, de lacinho e casacão
A mala cheia de dinheiro que ele transporta na mão
Vive em Cascais ou no Estoril e mora numa mansão
Goza as férias de Verão quando quer e lhe apetece
Tem um Banco e muitas fábricas e tem nome de patrão
Mas agarra que é ladrão
Não faz falta e é cabrão

E olhem agora cá pra nós, boné roto e macacão
Saco da ferramenta e de lancheira na mão
Vivemos no Casal Ventoso, moramos num barracão
O ano inteiro a trabalhar sem Verões nem Primaveras
Temos filhos, muito filhos, sem escola nem sacola
Mas isto vai acabar
À porrada no patrão.

Fausto

25 Poemas de Abril (XIX)

Abril de Sim Abril de Não

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.

Manuel Alegre

Abril não desarma

Associação 25 de Abril, 23 de Abril de 2012

Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.
Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XVIII)

A Valsa da Burguesia

É a valsa da burguesia
Tocada bem a compasso
Pela social-democracia
Para nos travar o passo

Umas vistas muito plurais
Sobre a questão sindical
Nós somos todos iguais
Mas quem manda é o capital

Um ar santinho e beato
De vitima inocente
É o bem triste retrato
Dos que querem dar cabo da gente

Socialismo, sim mas pouco
Para não levantar suspeitas
Barafustar como um louco
E alinhar sempre com as direitas

José Barata Moura

25 Poemas de Abril (XVII)


Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.
Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.

Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XVI)


Monangambé

Naquela roça grande
não tem chuva
é o suor do meu rosto
que rega as plantações;
Naquela roça grande
tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue
feitas seiva.

O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro,
negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!

Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão: [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XV)

Assim cantamos e escrevemos

nas cartas e nas paredes.

Porque nem vida nem sonhos

cabem nas malhas das redes

que o inimigo nos lança.

Temos coisas na lembrança

que cantamos tantas vezes.

Ao ponto de ser mais branca

uma canção sobre os meses

que uma pomba em pleno voo. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XIV)


Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XIII)

Para Aquém de Abril

Entardeceram
nos umbrais da aurora
as memórias do teu rosto
Abril…
Nunca mais soprou o vento
depois
de Novembro
a vida
petrificou-se na inconstância
do rio…
não mais navegam
o teu sorriso
de florestas virgens [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XII)

De Coração e Raça

“Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça”

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário para a despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (XI)

Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (X)

XÁCARA DAS BRUXAS DANÇANDO

1.

Era outrora um conde
que fez um país,
com sangue de moiro,
com laranjas de oiro,
como a sorte quis.

Há bruxas que dançam
quando a noite dança,
são unhas de nojo,
são bicos de tojo,
no tambor da esperança.

Ventos sem destino
que dizeis às ramas?
Desgraça bramindo
é a nós que chamas.

No país que outrora
um conde teceu
com laranjas de oiro,
com sangue de moiro,
tudo apodreceu. [Ler mais ...]

O Américo Tomás do século XXI

Luís Manuel Cunha

Costuma dizer-se que a história tem tendência a repetir-se. Primeiro como tragédia, depois como farsa. Estávamos em 1969. Em 22 de Junho de 1969. A Académica preparava-se para disputar a final da Taça de Portugal com o Benfica no Estádio Nacional, no Vale do Jamor. Estava-se em plena crise académica despoletada após a prisão de Alberto Martins, então presidente da Associação Académica e na subsequente greve aos exames. A equipa de futebol, constituída maioritariamente por estudantes universitários, respeitava escrupulosamente o luto académico decretado em Assembleia Magna da Academia. Preparavam-se grandes manifestações dentro dos estádios, de apoio aos jogadores, de informação à população e de divulgação das razões da luta estudantil. O Vale do Jamor e particularmente o Estádio Nacional iriam transformar-se no maior comício alguma vez feito contra o regime salazarista. Que fez então Américo Tomás, a quem competiria entregar ao vencedor a taça conquistada? Simplesmente não apareceu. Cobardemente. [Ler mais ...]

25 Poemas de Abril (IX)

NOTÍCIAS DO BLOQUEIO

Aproveito a tua neutralidade,

o teu rosto oval, a tua beleza clara,

para enviar notícias do bloqueio

aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos

nos dias que embranquecem os cabelos…

tu lhes dirás a comoção e as palavras

que prendemos – contrabando – aos teus cabelos. [Ler mais ...]