Eu quero lá saber a que horas Cavaco votou

Durante 15 dias, não se fala de outra coisa: as eleições. E de repente, acordamos no Sábado de manhã, ligamos a rádio e o que temos? Notícias sem qualquer interesse e os jornalistas a fingir que nada aconteceu nas duas semanas anteriores. Os grandes comícios de véspera não existiram, O PS e o PSD não encheram Lisboa, a CDU não encheu Braga. Nada, nada aconteceu.
E no dia das eleições, temos de suportar, durante todo o dia, as notícias sobre as horas a que os líderes foram votar. Hoje, primeiro foi Cavaco e depois Portas. Mas eu quero lá saber a que horas Cavaco foi votar! Foi votar cedo? É porque não tinha nada de interessante para fazer na cama. Por favor, poupem-me…
Se quisessem ser mesmo coerentes, à meia-noite em ponto do útimo dia da campanha obrigavam todos os Partidos a retirar os milhares de cartazes que andaram a espalhar nos últimos meses. Aí sim, é que podíamos reflectir à vontade sem ter de levar com aquelas carantonhas por todo o lado.

Este campeonato é vermelho, está pouco azul e não vai ser encarnado

Declaração imediata de facciosismo: Domingos Paciência foi um dos jogadores que mais idolatrei, um avançado como eu gosto, inteligente e eficaz.

Como treinador colocou a Académica na primeira metade da classificação. Praticamente com a mesma equipa, hoje está em último. O mesmo, mas ao contrário, se pode dizer do Braga.

Há tipos que têm estrelinha de campeão, que somam ao talento. Domingos tem, aquele “estou habituado a vencer” que tantas vezes repetiu a época passada, a parte mágica que pertencendo ao domínio da fé e do irracional não deixa de marcar o golo decisivo no último minuto do jogo.

Ontem vi um Porto que começou bem, podia ter vencido por mais, mas é uma equipa Hulk-dependente, e o moço agora desperdiça golos porque deve ter um campeonato particular na secção das assistências. Tenho muita pena, mas assim arrisca-se a disputar o segundo lugar.

Também bocejei assistindo a um bocado de outro jogo. Os bebés de Matosinhos lá perceberam que esta temporada quem vai ao colo são os meninos da luz, e fui acordar para outro lado. No próximo dia 1 de Novembro (mais um menos outro) Jesus vai a Braga ver todos os santos. Depois conversamos sobre o Natal.

Poemas com história: Ar condicionado


António de Oliveira Salazar! Estávamos obcecados pelo ódio a um ditador que, ainda por cima, medíocre e tacanho, não parecia ser digno dessa obsessão. Nuns versos que a polícia apreendeu em minha casa, designava-o o por o cão. Ao contrário do que eu pensava o «poema», salvo erro um soneto, não me custou espancamentos nem acréscimo de tortura. Apenas um inspector, um torcionário famoso pela sua ferocidade, andou à minha volta a declamar os versos com ar grandiloquente e comentando para o estagiário que me guardava: – «Qual Camões, qual carapuça – isto é que é poesia!». Embora olhando para a janela e simulando não estar a ouvir, fui sempre esperando que ele chamasse o piquete que estava no corredor e me desabasse uma tormenta de cassetetes em cima. Mas não, leu, declamou e depois rasgou o papel. Sinal de que não queria utilizar aquilo como prova. O estagiário, um ex-seminarista, quando o inspector saiu só me disse: «o senhor inspector estava muito irritado, que eu bem o conheço – e acrescentou, abanando a cabeça reprovadoramente «- Também o senhor, chamar cão ao senhor Professor. Déspota, ainda vá, mas cão?» Mal saí do presídio, repus o stock e escrevi estes versos menos directos, um pouco mais subtis. Não voltei a ser preso e em 1970, quando publiquei A Poesia deve ser Feita Por Todos, já Salazar tinha sido substituído por Caetano, incluí este poema. O livro foi apreendido, mas não terá sido só por causa do Ar condicionado que aqui vos deixo:

Ódio, mesquinhez, mediocridade,
num rosto de branca estearina,
em mãos de apodrecida crueldade,
o futuro imediato se destina
moldado em velhos fósseis do passado.
Alquimia do medo, chantagem do terror,
ácido queimando as raízes do amor,
eis o segredo
em redomas de silêncio conservado.

O gesto humano se consome e se corrói
no cadinho da fome e da ignorância.
Suprema elegância entretanto faz
do teatro lusitano a triste fama
cantada na soberba do cartaz
– nos seus desertos corredores circula
A última palavra em ar condicionado.

Noite eleitoral em directo no Aventar

O Aventar vai acompanhar a noite eleitoral com o seu chat do costume (já está aí na barra lateral). É só entrar e começar a opinar sobre os resultados, o futuro, os cenários pós-eleitorais e tudo o que mais quiserem.
Quando as emissões da televisão acabarem, continuaremos por aqui. Estão todos convidados!

Primeira sondagem à boca da urna… do Aventar

Tal como os meus colegas aventadores, também quero deixar aqui a minha sondagem à boca da urna do Aventar para os resultados de logo à noite:
PS – 31%
PSD – 26%
BE – 14%
CDU – 13%
CDS-PP – 9%
Outros – 4%
Sabem por quê? Porque eu confio nos leitores do Aventar – e foram estes os resultados da sondagem que fizemos.

30 anos dos Xutos

Como escrevi há tempos, os Xutos são a banda da minha vida! Sou da geração XUTOS!
“Nós”, a Geração Xutos, estivemos ontem no Restelo a celebrar os 30 anos da Maio Banda do (meu) Mundo!
Em dia de eleições deixo o hino Sócrates dos Xutos:

Sócrates merece a herança…

A situação do país, que mal conhecemos, é muito má, bem pior do que o governo bem gostaria, vamos voltar à crise e aos seus efeitos quando tiver que aumentar impostos, cortar subsídios e benefícios.

Nesse ponto de vista é bem feito que seja Sócrates a receber a herança que ele próprio criou. Por muitos anos este país vai viver mal, bem pior do que até aqui, não foram criadas as condições para que o tecido empresarial respondesse agora com eficácia e rapidamente às necessidades de criação de postos de trabalho, substituição de importações e aumento de exportações.

Não podemos esquecer as responsabilidades do PS, que está há 11 anos no governo nos últimos 14, que vai voltar a alijar responsabilidades, como fez agora com a crise, com as dificuldades dos outros, sem cuidar de saber que os outros estão com dificuldades mas estão em níveis de bem estar mais elevados do que nós.

Preparem-se vem aí o discurso de que os outros tambem estão em dificuldades, tambem tiveram que cortar benefícios, não somos só nós.

É uma trampolinice que dá resultados mas que morrerá nos bolsos vazios dos portugueses!

Cavaco: Um anjo na terra

Cavaco é um verdadeiro anjo na terra. Hoje, na comunicação ao país, garantiu que respeitou o compromisso de isenção ao longo da campanha. «Escrupulosamente», não se esqueceu de dizer.
Lançar para a opinião pública, via assessores, a ideia de que estava a ser escutado pelo Governo deve ser aquilo que Cavaco entende como escrupulosa isenção. Da mesma forma que demitir o assessor em plena campanha, no dia em que a candidata a primeira-ministra dá o exempo das escutas como asfixia democrática, é também a mais pura das imparcialidades.
Cavaco Silva é o verdadeiro anjo na terra. Melhor mesmo, só o seu antecessor Jorge Sampaio, que simplesmente dissolveu a Assembleia da República e entregou a maioria absoluta a Sócrates no momento em que mais jeito lhe dava. Mas convenhamos que Jorge Sampaio, ao contrário de Cavaco, de anjinho não tem nada.

FUTAventar – S. L. Benfica #6

1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,19,20,21.
São já 21 os golos do Glorioso – este destaque é feito a pensar no Ricardo que apesar de ver os jogos do seu clube não vê “o” golito…
Ora vai daí, o Jesus, leitor em permanência do Aventar pensou: temos que ajudar o Ricardo – em dia de reflexão, vamos ajudar o “Portista lá do Aventar” a perceber o que é futebol.
E está feita a explicação – usar os noventa minutos do jogo para procurar o Golo sem parar. É tudo uma questão de atitude – o jogo é uma arruada em permanência, onde o apelo ao golo só tem um objectivo: a goleada!
Do adversário – uma vergonha a forma como se apresentou para o jogo. Valia tudo menos tirar olhos: é por atitudes destas que alguns treinadores nunca deixarão de ser pequeninos.