Pórticos, Chips, Scuts E Cidade Da Maia

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MUDARAM DE IDEIAS

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Desloco-me quase diariamente, pelas estradas do meu distrito (Porto), muitas das vezes só pelo prazer de passear. Tenho esse privilégio.

Nesses meus passeios, acontece ter de passar pelas auto-estradas e vias rápidas da zona. De longe a longe, lá se viam, nos últimos tempos, um ou outro pórtico novo, que ninguém me sabia dizer ao certo para que iria servir.

Vou muitas vezes à cidade da Maia.

Antes das eleições, vi por lá cartazes, grandes, a informar os munícipes, que a Câmara da Maia, e evidentemente o seu Presidente e de novo candidato, eram contra o pagamento de portagens nas "scuts" da área. Ninguém, em seu prefeito juízo, aceita de bom grado, esse pagamento, até porque se sabe da falta de alternativas a essas estradas de circulação rápida.

Depois, e durante a campanha eleitoral para as Autarquias, vi por lá, em substituição dos cartazes de que falei, as caras dos candidatos e os símbolos dos partidos que os apoiavam.

Até aqui, tudo normal, penso eu.

Dia de eleições, Domingo, os que votaram foram votar e os outros também não.

Na segunda-feira imediata, coisas estranhas aconteceram. Como se fossem cogumelos, os pórticos multiplicaram-se. numa azáfama incrível, dezenas de operários estavam a trabalhar para pôr em pé dezenas de coisas dessas espalhadas pelas "scuts" da zona. Depressa se verificou,, e se soube que iriam servir para o pagamento, via chip a colocar nos automóveis, de portagens.

Estranhei. Antes das eleições ninguém se mexia, ninguém falava no assunto. No dia a seguir, tudo em pé de trabalho. A fazer muito depressa o que todos contestam.

Bem, todos não, que a Câmara da Maia, agora que os mesmos venceram, esqueceu-se de voltar a colocar os cartazes antigos a dizer que eram contra o pagamento de portagens na "scuts". Será que agora já não interessa captar as simpatias dos munícipes? Afinal já está tudo ganho, para quê qualquer preocupação?

Os pórticos, já estão todos instalados. Todas as auto-estradas da zona estão minadas com eles. A28, A29, A41, A25 e por aí fora, têm já tudo a postos.

Com o início do pagamento de portagens, as estradas antigas vão encher-se de carros. Os engarrafamentos vão ser uma constante. O País, nestas zonas vai tender a parar.

É um simples e evidente ataque ao Norte. Se não vejamos:

-Porto – Aveiro PAGA!

-Porto – Espanha PAGA!

-Porto – Paços de Ferreira – Lousada – Felgueiras PAGA!

-Porto – Aeroporto PAGA!

Gostaria ainda de saber como se vai atravessar a ponte de Vila do Conde, por exemplo? Vamos ter "bicha" parada do Porto até à ponte. E depois até passar a Póvoa, como vai ser? Só por lá há uma estrada (que não passa de uma simples rua) com uma faixa para cada lado, cheia de tudo o que é comércio e indústria. Qual a alternativa que nos deixam? Quantas empresas, e quantos particulares vão deixar de ter possibilidades de subsistir?

Mas o governo é que sabe, e todos baixam as orelhas.

Ou não?

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HORA DE INVERNO

VAMOS MUDAR A HORA!

Os cidadãos da UE atrasam uma hora os seus relógios na madrugada deste domingo, quando termina o horário de Verão e começa a aplicar-se o de Inverno.

A partir de amanhã, e durante uns meses, até à nova mudança (em Março), vamos ter a dificuldade de sair de manhã para trabalhar, quando ainda é de noite, e voltar do trabalho já noite cerrada.

Única vantagem, a possibilidade de ver diariamente o nascer do sol.

Na realidade, penso eu, deveríamos mudar a nossa hora para a HCE (Hora Central Europeia) de molde a ajudar o país a manter e melhorar o comércio com os restantes países europeus.

Só nós, em conjunto com o Reino Unido, mantemos a HMG (Hora Média de Greenwich).

Amanhã, domingo, 25 de Outubro, vai ser o dia maior do ano de 2009, com 25 horas.

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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

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NO CAFÉ FÉNIX

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No Porto, no café Fénix (ao cimo da Rua do Ferraz, junto ao IPF), inicia-se dia 24 de Outubro, um ciclo de exposições com trabalhos de um grupo heterogéneo de pessoas que partilham o gosto pela fotografia e aceitaram o convite da simpática proprietária do espaço.

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Esta primeira mostra inclui trabalhos de:

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– Armindo Moreira;

 

– Henrique Raposo;

 

– Hugo Pires;

 

– Luis Raposo;

 

– Pedro P. Augusto.

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Contamos com a presença dos amantes da fotografia, para este momento informal que se prolongará ao longo da tarde com conversas e alguns momentos fotográficos.

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Eles Falo, Falo, Falo, E Num Dizem Nada

TODA A GENTE FALA E DIZ, MAS SÓ O DIALOGADOR SABE

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Não há nenhum comentador que se preze que não diga que sabe ou julga saber quem vão ser os ministros que o nosso Primeiro vai escolher. Dada a demora também já dizem que muitos convites foram recusados .

Agora, depois de muito se falar na sra dra Alçada, vem ela dizer-nos que nem convidada foi.

Que pena! O telefone da sra não terá chegado a tocar.

Bem, a ver vamos, quando será anunciado o novo governo, e quem fará parte dele.

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FCPorto – 2, Apoel – 1

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HULK MARCOU, ATÉ QUE ENFIM!

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O mais importante do jogo, para além da vitória do FCPorto, foi o facto de Hulk acabar por marcar (dois golos) e também o de Mariano receber cartão vermelho directo, a quinze minutos do fim do jogo.

Depois de ter começado a perder (com um auto golo de Álvaro Pereira), o FCPorto deu a volta ao resultado, empatando ainda na primeira parte, e começando a segunda com o penalti que o colocou a vencer.

Durante largos minutos, só se jogou no meio campo cipriota. Até à expulsão de Mariano, os homens de Chipre quase não tinham rematado à baliza de Helton.

Falcão, não marcou desta vez, Rodrigues fez um grande jogo e Hulk não parou. É incrível, a capacidade física deste jogador. Tem velocidade e tem técnica suficientes para vir a ser um grande jogador. Falta-lhe só saber tomar as melhores opções durante o jogo. Muitas jogadas se perderam pelas suas más opções.

O jogo acaba muito morno, com o Porto a gerir o resultado. A missão foi cumprida.

No outro resultado do grupo, o Chelsea goleou o Atlético de Madrid por quatro golos sem resposta.

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O novo Governo: Então, Ainda Demora Muito?

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O NOVO GOVERNO ESTÁ A TARDAR

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Com Portugal parado desde há uns meses, já o escrevi aqui, o novo governo tarda a chegar. Os problemas acumulam-se desde há cerca de quatro meses e as coisas começas a ficar difíceis. Sócrates, O Dialogador, estará por certo a ter algumas muitas dificuldades em arranjar ministros que se queiram queimar. Vamos já para o décimo oitavo Governo Constitucional desde desde há trinta e cinco anos, e este não terá vida fácil.

De qualquer forma ainda vamos ter de esperar mais alguns dias pela constituição do elenco governativo.

Entretanto, as eleições autárquicas ainda mexem, com vários casos provocados pelo PS e pelo PSD, com queixas, com tribunais e tudo. Vamos ver no que vai dar. Ninguém está satisfeito.

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Hoje Estamos Amarelos

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AS CORES DO NOSSO QUOTIDIANO

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.A Alta Autoridade da Protecção Civil, decidiu, está decidido.

Hoje estamos amarelos.

O alerta foi dado para o território nacional, em especial a costa. Cinco das nossas barras estarão fechadas, disse o Comando Naval, com ondas que poderão atingir os seis metros. O vento soprará entre os oitenta e os cem quilómetros por hora, e a temperatura máxima estará dentro dos valores normais para a época.

Mas, atenção, vai chover!

E choverá talvez com intensidade e até em alguns casos, forte, em especial a partir da tarde, pelo que quem não sabe, e a Alta Autoridade pensa que são muitos os que se encontram nesse caso, deverá abrigar-se da chuva, não vá molhar-se, ter cuidado com o vento, não vá apanhar uma otite, e não tentar sair ou entrar nas barras assinaladas, pois estarão fechadas.

O que seria de nós sem a Alta Autoridade da Protecção Civil.

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Saramago: Não Gosto Do Homem Nem Um Bocadinho

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SARAMAGO, O INTOLERANTE

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Não gosto deste escritor. Nem do que escreve, nem da maneira como o faz. Nem como pessoa eu gosto. Ele, não gosta de Portugal nem dos Portugueses, e eu não gosto dele. As suas palavras, os seus escritos, as suas ideias, as suas atitudes, arrepiam-me, de um modo que me faz mal.

Dizem-me que tenho de gostar do senhor porque ele recebeu um Nobel, e ainda por cima é Português.

Muitos o receberam e há mais portugueses por aí, e não tenho de gostar de todos.

Não gosto deste, pronto.

Agora, nem ele sabe porquê, resolveu apresentar o seu último livro em Penafiel. Por certo nem saberia onde ficava a cidade antes de saber que ia ser homenageado.

Na apresentação deste seu livro, Caím, mostra muito do que este homem é. Mais uma vez, e de novo, resolve bater em Deus e na Igreja Católica, e embora me não interesse minimamente que seja quem for escreva ou fale (bem ou mal) sobre o Antigo Testamento ou até mesmo sobre o novo, não precisa de para isso ser desnecessariamente estúpido, e estupidamente jacobino, sectário e intolerante, como o foi este autor. As suas palavras sobre a Bíblia, são cruéis, vingativas e se nos déssemos ao trabalho de as ouvirmos bem, enlouquecedoras. A sua incapacidade para ter Fé, é por demais evidente. E essa capacidade é uma mais valia para quem a possui. E embora, não a ter, não possa ser considerado defeito, já o é criticar quem tem a felicidade de ter nascido com ela .

Não precisava, mas insulta e despreza a fé de terceiros para dizer o que pensa, e tem um prazer orgásmico em agredir os outros.

Os seu problemas com a religião nunca terão ficado resolvidos, e agora, já velho e casmurro, é muito tarde para os solucionar.

Não consigo gostar de pessoas assim.

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Como Se Fora Um Conto – Uma Língua Falada… Uma Nação com… Um País Subdesenvolvido

UMA LÍNGUA FALADA POR DUZENTOS MILHÕES DE PESSOAS.

UMA NAÇÃO COM QUINZE MILHÕES DE GENTE AMBICIOSA E TRABALHADORA.

UM PAÍS SUBDESENVOLVIDO

Estão na moda os jogos de computadores. Há-os de todos os géneros.

Em alguns, é até possível construir uma vila, uma cidade, um país ou uma vida, virtuais e paralelos aos existentes.

Assim, comecei a imaginar, sem jogo nem computador, o meu país de sonho, com as minhas cidades de sonho, e que vida aí poderia ter.

Comecei devagar, delineando a situação geográfica e climática. Poderia ficar situado no hemisfério norte e com um clima temperado. Isto do clima é importante porque ninguém gosta de extremos e eu muito menos. Temperaturas nem altas de mais, nem baixas de mais, nem muita chuva nem chuva a menos. Temperaturas negativas só mesmo nas terras mais altas, que eu queria que tivesse, onde a neve caísse e eu pudesse brincar com ela. Temperaturas altas também, mas sem passar os trinta e poucos no pico do verão para poder ir a banhos, à praia ou à piscina. Para isso seria preciso, ter montanha, uma serra pelo menos, ou duas, razoavelmente altas para ter neve, e outras mais baixas para fazer montanhismo que é coisa que gosto muito, e mar, muito mar com praias de areia. Não queria ter a temperatura da água do mar muito baixa, mínimo de quinze ou dezasseis graus, nem muito alta, aí até aos vinte e dois, que tomar banho em sopa não gosto muito. Já agora colocava de onde a onde, rios, riachos, ribeiros, lagoas, albufeiras, rias, e mais que fosse com água, nas mais diversas situações de terreno, desde planícies até gargantas fundas entre montanhas. Colocava serras e montes das mais variadas configurações, com vertentes viradas para todos os pontos cardeais, grandes planícies e planaltos diversos. Fazia com que o meu país, fosse diminuindo de altitude até acabar à altura do mar, com alguns pontos altos, promontórios, com o mar a bater lá em baixo para que a costa fosse menos monótona e ganhasse encanto. Não queria um país muito grande, aí uma coisa com cerca de cem mil metros quadrados e com menos de dois mil quilómetros de costa marítima. Aproveitava também para colocar umas quantas ilhas, de diversos tamanhos e características, onde as pessoas pudessem viver de forma diferente umas das outras, e até melhor, se assim o entendessem.

Acabado de construir a parte física do meu país, colocava-lhe gente afável, acolhedora, algo ambiciosa, com um bom ambiente social, com um nível de segurança elevado, não esqueçamos que seja onde for a criminalidade aparece, por todo o lado gente inteligente, trabalhadora e competente. Para aí uns quinze milhões de pessoas, sendo que um terço delas trabalharia e viveria fora do país, para que de uma maneira ou de outra, ajudassem os que aqui ficam, com dinheiro, conhecimentos externos, novas vivências etc.. Para completar, fazia-os falar uma língua que mais uns duzentos milhões de pessoas também falassem no mundo inteiro, para que pudessem estar bem acompanhados nas relações internacionais.

Como o país tem um clima maravilhoso de contrastes temperados, a agricultura seria pujante. Seríamos auto-suficientes na carne, nos legumes, no vinho, na água, no leite, no azeite, e em todos os outros arigos necessários à sobrevivência. Com uma costa tão grande seria impensável que não tivéssemos uma frota pesqueira à altura, pelo que também de peixe e seus derivados, estaríamos bem servidos.

A nossa economia seria florescente, pois que com esta capacidade produtiva o comércio e a industria estariam em alta, com uma estrutura productiva de primeira água. As exportações para outros países seriam uma constante. Como temos uma costa marítima tão grande, a nossa frota mercantil seria uma das maiores, sendo os nossos portos centros nevrálgicos de saída e entrada de mercadorias de e para todo o mundo. Por via disso, os transportes e comunicações ferroviários e terrestres, seriam rápidos, seguros, modernos e eficazes.

Já agora que estou nesta construção virtual, dava ao meu país uma história cultural com muitos séculos, e um património em conformidade com esse tempo todo.

As cidades, as vilas e as aldeias, seriam bonitas, arejadas, com um nível de qualidade de vida superior, e governadas por pessoas dedicadas à coisa pública. A vontade de bem servir seria apanágio de todos os dirigentes e governantes. A seriedade nas relações, a educação esmerada, e as poucas diferenças sociais, fariam com que a corrupção não existisse. O governo geral, trabalharia para o bem do país, no seu todo, e não para só para o bem de alguns.

As pessoas viveriam felizes …

Aqui parei. Afinal estava a falar do meu País, já construído, já feito, já existente.

A grande diferença para o que eu construí, estava só nas pessoas que dirigem e governam, o resto era tudo igual.

As pessoas do meu País real, são da mesma forma trabalhadeiras, acolhedoras, inteligentes, ambiciosas e pacíficas. Mas as pessoas que nos governam e nos dirigem, e mandam, são incultas, incapazes e com características autistas, asfixiam a economia, destruíram a agricultura salvando-se por pouco a vitivinicultura, acabaram com as pescas o que é uma vergonha para um País que com a costa que tem deveria estar virado para o mar, não têm objectivos estratégicos, deixaram que a estrutura productiva ficasse velha e caduca, permitiram que o turismo, continuasse sazonal e fraco apesar das enormes potencialidades do nosso território. As pessoas que nos governam e nos dirigem tentam transformar-nos em cidadãos quase medíocres, e nós vamos deixando.

Poderíamos ser um dos países mais ricos do mundo, aproveitar a força trabalhadora dos quinze milhões da nossa nação, e a classe dirigente transformou-nos em subsídio dependentes e nos coitadinhos da Europa. Somos um País sub-desenvolvido, onde os interesses, a corrupção e o compadrio fazem parte do dia-a-dia. Os nossos emigrantes, um terço da nação, quase esqueceram o seu país de origem, e são altamente produtivos e bem considerados nos seus países de acolhimento, e as segundas gerações quase não sabem quem nós somos. O País abandonou-os.

Podíamos ser um dos países mais ricos e evoluídos do mundo, como no meu sonho virtual, mas não somos, e a culpa é só nossa, que nos deixamos levar e governar assim.

Um País Que Não Protege As Crianças?

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E NEM TIRARAM A CRIANÇA AOS PAIS!

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Ao contrário de uns e outros, na Austrália deixam as pessoas seguirem as suas ideias e os seus sonhos.

Laura Dekker, não teve a mesma sorte. O País não era o mesmo, as ideias não eram as mesmas e a idade também não. Teve ainda o azar de ter um País (as respectivas autoridades) que se meteu onde se calhar não deveria, e a retirou à custódia dos pais, como se eles fossem criminosos.

Jessica Watson (a jovem de dezasseis anos que, sozinha, vai dar a volta ao mundo num barco à vela), vive num País diferente, com ideias diferentes, com pessoas diferentes. Está a cumprir o seu sonho, com o apoio dos pais e das autoridades locais.

Partiu hoje para uma viagem solitária de oito meses.

Boa viagem, Jessica.

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Como Se Fora Um Conto – A Tia

A TIA!

Ter tios e tias, qualquer um tem, ter tios e tias como se fossem pais, é a sorte suprema, de que poucos se podem gabar hoje em dia!

A tia, simplesmente tia, é uma das irmãs do meu pai. A Matriarca da família.

Havia outras, e outras ainda que não sendo irmãs eram igualmente tias. Para mim, havia a tia A, a outra tia A, a tia E, a tia H, a tia L e ainda outra que nunca conheci. Todas elas com nome, excepto esta tia. A Tia!

De todas, é a única que felizmente ainda anda por cá. Por isso, agora, é na verdade a tia. A minha tia. Minha e também de todos os outros sobrinhos que tem, e para quem é também e simplesmente, a Tia!

Pois a minha tia, a única que ainda tenho, sempre foi uma segunda mãe para todos os sobrinhos. Mesmo, e em especial, para uns quantos idiotas, que agora a ignoram e lhe viram a cara se por ela passarem na rua. O quanto a senhora deverá sofrer, quanta tristeza sentirá, de cada vez que se confrontar com essa situação, ou mesmo de cada vez que pensar nela.

A minha tia casou tarde. Por essa razão a possibilidade de ter filhos próprios foi nula, e os sobrinhos que já assim eram, passaram a ser, ainda mais filhos.

A casa em que sempre habitou até alguns anos atrás, era a casa de todos, sem distinções e sem perguntas. Sobrinhos, sobrinhas, mulheres e maridos destes e destas, filhos dos sobrinhos e o mais que pudesse ser, entravam pela casa dentro como se fora a própria, sem pedir licença, bastando só beijar aquando da chegada e dizer, cheguei, cá estou! Havia sempre comida, bebida, um ou outro mimo, dependendo qual fosse o sobrinho a que fosse dirigido (o meu mimo era o estrelar quase imediato, pela senhora Margarida, de dois ovos), e boa disposição.

Para se imaginar o quanto a minha tia tinha de apreço pelos sobrinhos, um dia comprou um apartamento numa cidade soalheira e de temperatura amena todo o ano, para fugir das agruras do frio invernal do planalto onde vivia. Sendo na altura já casada, em conjunto com o meu tio, decidiram que durante os meses de estio, a casa serviria para que os sobrinhos pudessem beneficiar dela. Quase quatro meses destinados à sobrinhada.

Como disse, casou tarde. Decisão repentina e que apanhou toda a família desprevenida. Em muito poucas semanas passou a ser uma jovem casada e feliz. O marido, olhado de soslaio durante algum tempo por todos, mostrou-se em pouco tempo, um homem digno da minha tia, correcto, honesto e boa pessoa, apesar do seu feitio duro e difícil. Mas, quem não tem coisas no seu?

A partir dessa altura, a tia, que sempre foi singular para todos nós, passou a plural. Passaram a ser designados por “os tios”. Sem nomes! Também ele, o agora tio, era como ela, sem nome. Simplesmente Tio! Para mim, havia o tio A, o tio M, o outro tio M, o tio S, o tio R, e ainda outro que nunca conheci, todos com nomes, e agora tinha passado também a haver “o tio”.

Os tios, não passaram a ter atitude diferente da que tinha a tia. Nada mudou!

Os anos foram passando e os tios lá vão estando na sombra, olhando por nós na medida do que lhes é possível. Sem interferir em nada. Estando lá, simplesmente.

Podemos estar meses sem aparecer, como é o meu caso, sem falar nem nada, podemos virar-lhes as costas como é o caso de alguns idiotas, podemos estar lá sempre metidos ou convidá-los para nossa casa com assiduidade.

Eles estão lá! Como se tivéssemos falado com eles no dia anterior.

Como sobrinho não serei bom. Serei até mau aos olhos de muita gente. Mas os meus tios têm sobrinhos bons, que eu sei. De qualquer modo, sou assim, sinto em silêncio, escondido. Só vou, se chamado – não procurando reconhecimento ou palavras bonitas – ou se souber que precisam de mim. Mas para os tios, isso não tem importância, porque não deixei de ser sobrinho, quase filho, do mesmo modo que todos os outros sobrinhos são quase filhos, mesmo os idiotas.

São assim os meus tios. São assim os tios como deve ser. À moda antiga, à moda das famílias tradicionais. Tios a sério, à moda das boas pessoas.

Todos nós temos ou tivemos em algum momento, tios e tias. Os sortudos como eu, têm ou tiveram tios assim. Tios que se importam, tios/pais. Mas eu sei que há poucos. Eu sei que a maioria não é assim. Eu sei que poucos tiveram esta dose de felicidade.

Um dia, se esta tia se vai, deixo de ter tias. Passo a ter só tios. Um com nome e outro sem ele. De qualquer forma não haverá mais quem, de longe, olhe por nós. A não ser esta, lá de cima.

Bem que eu gostaria de poder pensar que, num futuro qualquer, os meus sobrinhos pudessem pensar em mim, da mesma forma que eu penso na minha tia.

O Homem Que Mordeu O Cão

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A NOTÍCIA

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Não é ofensa, o título desta crónica. Longe de mim chamar cão ao agente da autoridade. Mas, neste caso a notícia está, não na resistência do condutor à prisão, nem o facto de o agente da autoridade entender que o deveria deter. A notícia, verdadeira e bizarra, está na forma como o homem, alcoolizado, resistiu à detenção. O individuo mordeu a perna do polícia.

Parece que o malandro, já tinha tido actuações idênticas noutros encontros com as autoridades.

Como aparte à notícia, soube-se que a mordidela foi de tal forma que o agente da PSP, teve de ser tratado no hospital.

Ele há cada um!

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Cartazes Para Que Vos Quero (II)

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AINDA ESTAMOS ATOLADOS NELES

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De uma maneira geral, andamos todos os dias pelas mesmas ruas, pelos mesmos sítios, e nem damos pelas diferenças ou pelas não diferenças na paisagem. Mas deveríamos estar com mais atenção.

Desde há uns meses que fomos inundados por cartazes políticos. Cresceram como cogumelos por todo o lado. Eles são grandes, pequenos, médios, estão presos ao chão, pendurados em postes ou suspensos em cabos que atravessam as ruas. Há-os para todos os gostos e feitios.

Já em tempos, escrevi sobre eles, e sobre a sua necessidade.

Neste fim de semana, fui passear olhando "com olhos de ver". Afinal, já há uma semana que se realizou a última eleição desta série de três, e se os partidos políticos e os candidatos foram tão céleres a colocá-los, também o deveriam ter sido a retirá-los.

No entanto, tal não aconteceu. Ainda por aí estão, espalhados por todo o sítio. Uns ainda como novos, outros um pouco degradados e outros ainda, totalmente desfeitos. A poluição visual é tremenda.

Porque se não exige, os autarcas eleitos é que o deveriam fazer, que os partidos ou candidatos que os colocaram, os retirem num espaço de tempo que tem de ser necessariamente muito curto, e que arranjem o que estragaram para os colocarem ? Vamos ter de continuar a "gramar" com este espectáculo por mais tempo? Ainda há, por aí, alguns cartazes das eleições de Junho, muitos das eleições de Setembro, e praticamente todos das eleições de Outubro. Não há multas para quem não os retira atempadamente?

Ou então porque não tomam as Autarquias, nas suas mãos e imediatamente, essa retirada e esse arranjo, e depois apresentam a conta a quem de direito?

Aqui fica a reclamação e a sugestão, dirigidas aos senhores autarcas do meu País.

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Monsanto Perde Em Casa – Braga Ganha Em Qualquer Lado – Nacional Vence

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HOUVE TAÇA EM MONSANTO (TORRES NOVAS)

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O Monsanto não conseguiu levar de vencida a equipa da primeira liga que lhe coube em sorteio nesta ronda da Taça de Portugal.

A meio da segunda parte, a equipa do Monsanto já nada podia fazer. O cansaço já era mais que evidente na altura em que Mantorras (o menino mais bem querido da equipa encarnada) entrou em campo, e acentuou-se nos últimos 10 minutos do jogo.

Depois, nada a fazer, derrota por 6 bolas a zero. Derrota demasiadamente pesada.

 

BRAGA VENCE EM QUALQUER LADO

 

Braga só sabe ganhar. Ganha seja onde for e seja a quem for. No entanto, o Covilhã mereceria ter ido a prolongamento.

 

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NACIONAL GANHOU AO VARZIM

 

 

O Nacional honrou os pergaminhos e veio ganhar a Varzim. Na segunda parte tudo se resolveu em poucos minutos.

 

A Taça de Portugal é assim.

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Como Se Fora Um Conto – Ciclismo, Sameiras, Caramilos e Pirolitos

CICLISMO, SAMEIRAS, CARAMILOS E PIROLITOS

Com a minha infância ainda a meio, o ciclismo era uma modalidade rainha em Portugal. O hóquei em patins e o futebol, eram as outras, que moviam milhares de adeptos em delírio por esse País fora.

Como muita gente da minha geração, percorria muitos quilómetros para ver os ciclistas passarem na estrada ou para assistir a um desafio de hóquei.

Nas férias de verão, que se prolongavam quase por três meses, as brincadeiras reflectiam essa alegria e essa “afficcion”.

Durante a parte das férias que se passavam na aldeia (vila na altura e hoje cidade), a poucas dezenas de quilómetros do Porto, fazia, em conjunto com um primo que ainda hoje é um aficionado tremendo do ciclismo, uma brincadeira que julgo ser inédita.

Contada de uma maneira simples, era assim que as coisas se passavam. Cortavam-se quadradinhos de papel, pequenos, onde se escreviam os nomes e os números dos ciclistas concorrentes à prova. De um modo geral, eram os mesmos que corriam na volta a Portugal do ano em que estávamos. As equipas, claro, eram também as mesmas. Porto, Benfica, Sporting, Sangalhos, Tavira, etc.

Jogava-se de uma maneira engraçada. Como se lembrarão, alguns poucos, a rega dos campos era feita através de regos de água que percorriam um trajecto mais ou menos grande, desde o tanque onde estava armazenada até à leira a regar, com curvas largas ou em ângulos apertados. Assim, colocavam-se os quadradinhos de papel na água, e íamos seguindo o trajecto dos “ciclistas” até à leira que se pretendia regar na altura. No fim, escrevia-se numa folha de prova, a ordem de chegada, e os pontos que cada um recolhia pela classificação que obtinha. Durante o trajecto, se um papel encalhava nas pedras ou nos paus do caminho, era de imediato solto para continuar viagem. Se insistia em encalhar, era desclassificado. Havia várias etapas, cada uma no seu campo de cultivo, ou em trajectos diferentes no mesmo campo. Estas corridas, demoravam semanas a terminar uma vez que no fim de cada etapa, era necessário secar os ciclistas. Cada etapa demorava cerca de duas horas, pelo que estávamos muito tempo entretidos com estas brincadeiras.

Durante a parte das férias que se passavam na praia, as brincadeiras eram outras. Havia corridas a pé de uma praia a outra, jogos de matraquilhos (na Praia do Molhe), natação nas águas frias da Foz do Douro (Praia de Gondarém), saltos para a água (Praia do Molhe), jogos com o prego, à babona, e acima de tudo, corridas de sameiras. Era o nosso jogo por excelência, que demorava horas a executar. Era preciso construir a pista, em areia, com subidas íngremes, descidas, pontes estreitas, saltos, túneis, zonas estreitas, zonas largas, metas volantes e meta final. Quem saísse fora da pista voltava à meta volante anterior. O jogo era simples. Pegava-se nas sameiras, e na parte interior colocava-se o número e o nome do ciclista. Eu corria com o Joaquim Leão,

Um bocado de casca de laranja para dar peso no interior da sameira, ou uma tampa plástica de garrafa com areia dentro, para dar o mesmo efeito, e toca a jogar. Na altura eu era muito bom no jogo, tinha certeza na mão, força nos dedos e técnica, que era bem necessária. Havia quem tomasse nota das classificações das etapas, e no fim da corrida, com meia dúzia de etapas que se prolongavam por uma semana, o que ganhava sentia um orgulho imenso e era considerado o melhor pelos outros.

Na altura, a meio da tarde, logo após a hora do banho, não esquecer que fazíamos as três horas inteirinhas de digestão, passava a senhora da língua da sogra, ou a das bolas de berlim em miniatura, e, antes ou depois, o homem das batatas fritas à inglesa. Quem tinha dinheiro (éramos poucos os que o tinham), comprava alguma dessas coisas. Eu, tradicionalmente, esperava pelo caramileiro, depois de comer um pacote de batatas. O homem, todo vestido de branco, vendia caramilos, espécie de rebuçado em forma de guarda chuva, doce, muito doce, que eu me deliciava a comer. Na barraca de meus pais, estava à minha espera um pirolito que avidamente bebia a acompanhar o caramilo.

Eram tempos bons, esses. Sabíamos brincar. Inventávamos brincadeiras. Não havia brinquedos caros que brincavam sozinhos (por vezes nem brinquedos havia), e não nos sentíamos tristes por não termos mais nada para fazer.

Ah, esqueci-me de dizer, as sameiras, nome que na nossa zona norte dávamos às coisinhas que usávamos para brincar, eram as tampas das garrafas dos refrigerantes, que coleccionávamos (havia quem tivesse dezenas, todas diferentes). Hoje, infelizmente perdeu-se o uso do nome, e como outras coisas que nos foram impostas por terceiros e às quais mudaram o nome, chamam-lhes caricas.

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(In O Primeiro de Janeiro, 4-08-2009)

Como Se Fora Um Conto – Futebol, A Vida do Dia-a-Dia

FUTEBOL, A VIDA DO DIA A DIA

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Acho o futebol um desporto engraçado. Não que alguma vez o tenha jogado, pois que para tal prática era uma perfeita nulidade, mas gostava de ver. Na altura, já lá vão muitos anos, era eu sócio do F C Paços de Ferreira com o nº 2022, nunca me esqueci do número, ia com o criado (empregado para todo o serviço) de meu avô paterno, ou com um tio ou ainda com um primo do lado materno, ver a bola, no campo do Paços e uma ou outra vez no campo do Freamunde. O que mais me interessava era o espectáculo à volta das linhas brancas. O que os vinte e dois homens de cuecas, onze de cada lado com camisolas diferentes conforme os lados, e os três senhores de preto (na altura estavam sempre de preto) faziam, correndo atrás de uma bola, não era muito do meu interesse. Mas o que os acompanhantes, os adeptos, os simpatizantes de cada uma das equipas em confronto estavam a fazer ou dizer, tinha toda a minha atenção. Eram umas centenas de almas agritar a plenos pulmões, insultos, desabafos, incentivos e o mais que fosse, para dentro do campo. Às vezes também para fora do campo, para os outros, para os da outra equipa, para os inimigos. Os jogos mais interessantes eram os que punham frente a frente o Paços (de que eu era adepto e sócio por causa da minha família paterna) e o Freamunde (de que eu era adepto, embora não sócio, por causa da minha família materna). Em todos os jogos a que assisti, havia num dado momento pancadaria. Os de Paços e os de Freamunde, vilas que distavam entre si cerca de três quilómetros, eram inimigos figadais. Essa inimizade alastrava-se para fora do campo de futebol chegando ao cúmulo de um jovem de uma das vilas não poder casar com uma jovem da outra. No caso de meus pais, isso não aconteceu, a proíbição, pois que minha mãe, apesar de ter toda a família a viver em Freamunde, tinha nascido no Porto. Sorte a deles, que assim puderam ser felizes.

Mas voltando ao jogo, na verdade os encontros entre as duas equipas, eram sempre acompanhados de encontros físicos entre os adeptos e muitas vezes também entre os jogadores.

Naquele tempo, não havia claques, os adeptos não estavam separados, não havia bancadas, à volta do campo só havia uns quantos metros de terra batida, de um dos lados com alguma inclinação. Por todo o lado havia gente. Alguns, empoleirados nos postes ou no muro que circundava o campo, ou em cima das cabines dos jogadores ou dos árbitros ou ainda em cima de uma cabine existente num dos lados e perto da porta de entrada e que eu supunha ser de electricidade.

Quando a pancadaria começava, fosse qual fosse o motivo, uma falta mal assinalada, uma rasteira de um jogador a outro, ou simplesmente porque sim, ninguém sabia quem era quem. Pelo menos eu não sabia. De imediato, a pessoa que me acompanhava, fosse o sr Aurélio, ou o meu tio ou um qualquer primo, empurravam-me para um canto, de maneira a que eu estivesse protegido das arremetidas dos populares. Numa das vezes, em que essa acção foi menos lesta, ouvi de repente uma voz a meu lado, “Paços ou Freamunde?”. Bloqueei sem saber que responder. Fosse qual fosse a resposta, poderia ter como prémio um murro. Salvou-me o meu tio, que me arrastou de imediato para o lado. Por todo o lado estava espalhada uma batalha campal. Já não me lembro de como saímos do campo, mas sei que essa terá sido uma das últimas vezes em que fui ver um Paços-Freamunde, já que a minha avó teve conhecimento do caso e proibiu terminantemente fosse quem fosse de me levar, ordem que foi ainda algumas vezes desrespeitada.

Desde essa época para cá, as coisas não mudaram muito no mundo do futebol. A rivalidade continua, os adeptos da outra equipa são inimigos, os árbitros  erram e são insultados, os jogadores são incentivados, e de vez em quando, em quase todos os jogos de equipas rivais, há assistentes que medem forças uns com os outros. Hoje como antes, acarinham-se os que cometeram os erros que nos são favoráveis e invectiva-se quem praticou os que nos prejudicaram. Hoje, como antes, as ameaças aos árbitros e aos dirigentes, incluem as de morte.

Uma coisa mudou, para mim a mais importante. Os jogadores já não são da equipa A ou B. Já não são adeptos da equipa em que jogam. Já não vestem a camisola do clube com amor e entrega total. Os jogadores são uns meros empregados, contratados a peso de ouro, que ora estão nesta equipa, ora estão no seu rival mais directo, desde que o vencimento mensal ou de prémios seja aliciante. O dinheiro tomou conta do futebol, como aliás tomou conta de toda a nossa existência. Os jogadores são tratados como mercadoria. O que interessa são os milhões. O futebol profissional, aquele de que toda a gente fala, aquele sobre o qual toda a gente lê, aquele que move multidões, já não é um desporto, é uma profissão. Os jogadores, os treinadores e outros agentes do futebol, ganham quantidades de dinheiro estupidamente altas, absurdamente elevadas, que são uma afronta à fome, ao desemprego, às dificuldades que o comum dos mortais vive diariamente. São uma afronta a todos nós, e mesmo assim, esta indústria, move multidões, que paga bilhetes a preços exorbitantes, quotas elevadas, lê avidamente os jornais que diariamente falam de futebol, ouvem atentamente todos os programas de rádio e de televisão sobre futebol, como se nada mais no nosso quotidiano interessasse. Quantos, para pagar o bilhete que para além das quotas mensais têm de comprar para assistir aos jogos, não deixam mulher e filhos em casa, sem apoio económico.

Hoje, como antes, o futebol aliena as mentes, desde as dos mais sábios às dos mais tacanhos, desde as dos mais educados, às dos mais burgessos.

Hoje, como antes, convém aos governantes, de uma ponta a outra do espectro político, que o futebol, a par de outras alienações religiosas ou políticas, seja parte integrante das nossas vidas.

Não convém muito, que a população pense pela sua cabeça. Interessa levá-la a pensar o que o objecto da sua alienação lhe diz para pensar. Se as pessoas pensarem sozinhas, pode surgir daí uma qualquer ideia disparatada, como por exemplo, entenderem que estão a ser mal governadas.

Hoje já só vejo futebol, pela televisão, e desde que o meu clube jogue. Como qualquer adepto, o meu clube é o maior.

O Teatro Sá da Bandeira

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O TEATRO VAI SER HOTEL?

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O Teatro Sá da Bandeira, a sala de espectáculos mais antiga de Portugal (a inauguração remonta a 1877) está à venda há mais de cinco anos e ninguém o tem querido. O preço, dizem, tem sido impeditivo para a sua venda.

Até que agora apareceu um interessado. Não na sala de espectáculos, mas no edifício, e, ao que parece, quer transformá-lo num hotel.

O PDM do Porto, diz que defende os imóveis de interesse municipal, pelo que a transformação do teatro em hotel, estaria prejudicada por estar protegido por lei.

O Teatro, que de vez em quando ainda abre as portas ao público, terá de ser preservado enquanto tal. Não há por aí nenhum movimento de cidadãos que, a exemplo de outros casos (por exemplo o Coliseu do Porto), obrigue o Teatro Sá da Bandeira a não desaparecer?

Mas, outros assim estiveram (protegidos pela lei e esquecidos dos cidadãos do Porto), e vão a caminho de hotéis de 2 ou 3 estrelas (Cine-teatro Águia D’ouro), pelo que a protecção feita pela lei, pode vir a seu dada como nula, por superiores interesses económicos dos proprietários, e por ninguém querer fazer seja o que for pela sua reabilitação.

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SÓCRATES, O DIALOGADOR

 

 

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DIÁLOGOS FRUSTRANTES

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O dialogador (na verdade tenho-lhe dado o cognome de "o dialogante", mas este é bem mais bonito, pelo que vou passar a utilizá-lo) tudo terá feito para conseguir um acordozinho ou uma coligaçãozinha. Tentou de tudo, com tudo quanto é partido com assento Parlamentar. Começou com a sra dra Manuela e a sra disse-lhe que não. Depois seguiram-se os outros pequeninos, e as respostas foram exactamente as mesmas.

Desta forma, triste e acabrunhado (ninguém parece querer ajudá-lo, ou gostar minimamente dele), já informou que vai apresentar dentro de dias (não disse quando) um governo de iniciativa PS.

Vai ser complicado. Governar nessas condições pressupõe ingovernabilidade. E não convém mesmo nada que Portugal fique ingovernável. Sócrates, o dialogador, vai ter de mostrar o que vale, que será pouco ou muito, dependendo do que conseguir ir fazendo ao nosso País.

Alguém vai ter de ceder. Quem será?

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O Pépe Rápido Português

SPEEDY GONZALEZ DA POLÍTICA NACIONAL

Mais rápido que a própria sombra, o deputado João de Deus Pinheiro, antes de o ser, já o não era.
Hoje, quatorze de Outubro do ano da Graça de 2009, demitiu-se momentos após ser empossado. Não foi deputado pelo PSD e pelo distrito de Braga, mais de trinta minutos. É um recorde absoluto na política Portuguesa.
Os motivos evocados, foram os de sempre; pessoais. As contas do antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros, terão saído furadas. O objectivo, dizem as más línguas, teria sido o de vir a ser ministro de um governo Social-democrata, o que manifestamente se não irá concretizar.
Esperam-no os campos de golf nacionais e internacionais.
O Guiness já entrou em contacto com o agora ex-deputado.
Pergunta-se: – Qual a pensão de reforma por meia hora de deputado da Nação?

Um lobo em pele de cordeiro

CORAÇÃO LIMPO

O sr José Pinto de Sousa, mandou limpar profundamente, por ajuste directo, o coração. Não quereria por certo, aparecer na nova legislatura, que arranca na próxima quinta feira, 14 de Outubro, com o órgão conspurcado. Aproveitou a presença da empresa de limpeza e mandou abrir o espírito, para que qualquer um o possa ver como ele é, de uma transparência imaculada. E, não querendo colocar seja o que for de lado, mandou vir vários contentores de diálogo, esperando-se que de boa qualidade.
Após isso, apresentou-se em casa do Sr Presidente da República e foi por ele indigitado Primeiro Ministro.
À saída, falou aos jornalistas, sabendo que as suas palavras iriam ser retransmitidas por eles para todo o mundo Português, e arredores. Anunciou reuniões, durante a semana que atravessamos, com os partidos da oposição, com vista à formação do novo governo, e prometeu diálogo, diálogo e ainda mais diálogo. Coisa a que, aliás, “sempre” nos habituou. Chegou ao ponto de dizer que não iria pensar na composição do governo, antes das conversações com os restantes líderes partidários.
O, agora e de novo, nosso Primeiro, Sócrates II (o dialogante), sucessor de Sócrates I (o arrogante), depois da derrocada das eleições legislativas, terá ido aconselhar-se com amigos, antigos alfaiates e outros, e mudou de roupa e de estilo. Mas não é convincente no seu novo papel. A arrogância que sempre lhe vimos, a determinação obsessiva que lhe conhecemos, não é compatível com o diálogo que agora quer implementar. Mais cedo ou mais tarde, a sua verdadeira natureza virá ao de cima.
Por agora, vai engolir sapos, esconder reacções, retrair emoções, simular sorrisos e condescendências, reservando os seus verdadeiros sentimentos para a intimidade da família, dos amigos chegados, ou tão somente para os momentos de solidão.
Depois… logo se verá.

(Citado no “Público”, caderno 2, 14-10-2009)

Até de aqui a um ano!

ACABOU O TORMENTO

 

O País vai regressar à normalidade de sempre. Vamos regressar à nossa miséria, à nossa fome, à nossa corrupção.

Os fazedores de promessas vão de novo desiludir-nos e não as irão cumprir.

Os problemas da educação, da justiça e da segurança vão voltar em força, embora não seja certo que se vá falar deles para os resolver.

Os noticiários irão mais uma vez, e diariamente, falar de mortes, de guerras, de fome e de doença, entrando sem cerimónia e com toda essa violência em nossas casas, às horas das refeições, não se importando com o facto de crianças de todas as idades estarem normalmente a assistir, e esquecendo nos próximos tempos (não mais de doze meses, já que teremos mais do mesmo para a Presidência da República antes do fim de 2010), a refeição de eleitoralismo que durante meses nos serviram.

Durante o período que se aproxima, irão desaparecer as sondagens para todos os gostos e feitios, e regressarão em força os resultados do futebol, o frio e a chuva e as cores com que coloriram os alertas da Protecção Civil. Deixaremos de ver líderes partidários a abraçarem e a beijarem tudo e todos, e regressarão, pelas mãos dos mesmos, os actos sóbrios, sem música de feira em altos berros. O novo governo vai gozar de um período de sossego, até que seja preciso fazer alguma aliança. Deixaremos de ouvir falar dos pobrezinhos, dos desempregados, dos desamparados, bem assim como de terras e terrinhas que voltarão ao seu costumeiro anonimato. Vão parar ou mesmo desaparecer as obras ainda em curso, que foram feitas à pressa para as eleições, assim como desaparecerá o fingimento de alguns, que se mostraram durante meses cuidadosamente preocupados com as inquietações dos outros.

Acabaram as eleições. Foram três. Vamos ter novo Governo, novos Deputados, novos Presidentes de Câmara, novas Assembleias e mais coisas novas de todos os géneros, e daqui para a frente, e por causa de tudo isto, o nosso País, que até aqui estava muito mal, vai ficar rigorosamente na mesma

Vamos voltar a ter uma paz podre, e a esquecer os males do nosso País, até às campanhas para as próximas eleições, no princípio de 2011. Nessa altura tudo voltará a ser o que foi durante mais de um semestre deste ano.

Durante os próximos doze meses, o tormento em que vivemos os últimos seis, vai acabar.

(Enorme suspiro!)

(In O Primeiro de Janeiro, 14-10-2009)

VERGONHA!

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A ENERGÚMENA MAITÊ PROENÇA
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Circula uma petição a exigir um pedido de desculpa aos Portugueses. ASSINE-A!

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JM
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RESULTADOS NACIONAIS POR CONCELHO E POR FREGUESIA

distribuição de câmaras 2009Para saber todos os resultados Nacionais, por Concelho e por Freguesia, respeitantes às Eleições Autárquicas de 2009. CLIQUE AQUI.

OS LÍDERES POLÍTICOS NACIONAIS

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TODOS A GANHAR, MENOS UM
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Tudo ganha minha gente. Uns ganham mais Câmaras, outros ganham mais votos, outros têm a maior subida, outros ganham porque sempre ganham, e um perde, apesar de também ganhar, porque não atingiu nenhum dos grandes objectivos e perdeu imensos votos.
O nosso Primeiro, que vai hoje ser indigitado como novo Primeiro Ministro de Portugal, está feliz. Subiu no número de Câmaras, subiu no número de votos e ganhou para toda a gente.
A sra d Manuela, está feliz apesar das infelicidades. Perdeu Lisboa, ganhou o Porto, Espinho, Felgueiras e Faro. Perdeu vinte Câmaras, mas continua a ter o maior número. Perdeu votos.
O sr dr Paulo Portas, está moderadamente contente. Mantém Ponte de Lima, e subiu no número de votos.
O sr Jerónimo de Sousa, está infeliz, mas não deixou de ganhar. Derrotou estrondosamente o BE mas sem a beleza de outros tempo a nível Nacional.
O sr dr Francisco Louçã, está muito infeliz. Não elegeu Teixeira Lopes no Porto. Não elegeu Luís Fazenda em Lisboa. Desceu estrondosamente no número de votos. É uma derrota em toda a linha, regressando a números de 2005. Tudo o que depressa sobe, mais depressa desce.

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JM
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ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2009

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Quem ganha e quem perde nas principais Câmaras
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Rui Rio ganha a Câmara do Porto com nova maioria absoluta (um grande resultado), e Elisa vai embora, Guilherme Pinto ganha em Matosinhos, e Narciso é derrotado, Luís Filipe Menezes vence a Câmara de Vila Nova de Gaia, com uma das maiores percentagens Nacionais (um feito enorme) e António Costa vence em Lisboa, derrotando Santana Lopes (que não diz se fica como vereador ou não) com maioria absoluta, e Luís Fazenda não é eleito.
Macário Correia ganha em Faro por escassos sessenta e seis votos, e em Leiria, Isabel Damasceno perde, e a Câmara muda do PSD para o PS.
Em Gondomar, ganha Valentim Loureiro, e em Espinho, ganha o PSD. Em Braga, Mesquita Machado volta a vencer, e em Coimbra, Carlos Encarnação vence mais uma vez. Em Aveiro, ganha Élio Maia, e em Sintra Ana Gomes perde (mal) para Fernando Seara. Moita Flores, esmaga em Santarém.
Novidade, novidade, é a derrota de Fátima Felgueiras, e o facto de Avelino Ferreira Torres não ter vencido no Marco de Canaveses.
De resto, tudo muda para muito igual…
A maioria das Câmaras continua a ser do PSD (embora Miranda Calha não aceite isto como um facto porque terá o maior número de votos), e Passos Coelho prepara-se para repensar o partido. Por seu lado, ainda dentro do PSD, Luís Filipe Menezes, reclama sangue novo para a direcção do partido e entende que com o seu resultado, já Porto e Vila Nova de Gaia, podem exigir de Lisboa uma repartição equitativa de verbas e oportunidades, e Miguel Relvas quer que a direcção do partido deixe de ser autista em relação aos resultados. A ver vamos o que vai acontecer no Conselho Nacional.
O PS ganha, o PSD ganha, o CDS ganha, a CDU também ganha, e o único que perde é o BE(com a derrota assumida no Porto e em Lisboa, e com uma baixa enorme na percentagem de votos a nível nacional).

Todos ganham! Parece esquisito, não parece?

(In O Primeiro de Janeiro, 12-10-2009)

.JM.

COMO SE FORA UM CONTO – As Frases da M…

AS FRASES DA M….!

Vá-se lá saber porquê, dei por mim a visitar na Net o “The Art Museum Toilet Museum of Art”. Por lá se encontram as fotografias das mais variadas casas de banho dos museus mundiais. Desde a mais banal à mais moderna e à mais sofisticada, por lá as vamos apreciando.

Enquanto as via, lembrei-me das maravilhosas (pelo uso que permitiam e pelos ensinamentos que nos davam) retretes públicas que existiam, e algumas ainda existem, cá pela cidade, e que em tempos idos eram muito frequentadas pelos meus concidadãos.  Havia sentinas, em catacumbas no meio da Avenida dos Aliados e no túnel para peões frente à Igreja dos Congregados, havia-as na praia do Molhe e na praia de Gondarém bem viradas para o mar, no meio do Jardim do Passeio Alegre e noutros lugares, todas elas com empregados que procediam à limpeza (sempre imaculadamente limpas) e cobravam entrada (na altura era de cinquenta centavos), um homem para a secção dos homens e uma mulher para a secção das mulheres, onde eles liam o jornal e ouviam um velho rádio a pilhas e elas faziam crochet ou malha, e também mictórios espalhados por muitas ruas do Porto. A juntar a estas, havia também algumas casas de banho públicas, onde se podia tomar um banho completo, havendo ainda uma que funciona em frente à Praça 24 de Agosto. Também as escolas, as universidades, os estádios de futebol, os cafés e restaurantes, os museus e em geral todos os edifícios públicos, tinham para uso dos seus frequentadores vários urinóis e casas de banho.

Nessas retretes, com um design extremamente válido do mais banal que podia haver, com azulejos, portas, e sanitas e urinóis de tamanhos e alturas diferentes, e demais materiais, todos brancos, havia nas que eram mais evoluídas ou pertencentes a espaços mais nobres, máquinas para venda de escovas e pastas de dentes (máquinas essas já desaparecidas para dar lugar a máquinas para venda de preservativos), e havia e ainda hoje há, inscrições de todo o género e feitio, sobre as mais variadas coisas. No entanto, enquanto hoje o que se pode ler nas sentinas, em especial na parte designada para os homens, quase se limita a nomes de mulheres e seus números de telefone, por vezes com uma ou outra descrição de serviços que prestam e com observações asquerosas baixas e repugnantes, anos atrás, encontravam-se comentários e declarações sobre a intolerância, sobre o racismo, sobre sexo, e até sobre política e religião. Encontravam-se com frequência, frases profundas, pensamentos, queixas, juras de amor eterno, poesia, mensagens com destinatário, informações económicas e financeiras, datas a testemunhar a presença de um qualquer frequentador, tudo o que debaixo de anonimato espelhava o quotidiano citadino. Muitos adolescentes daquela altura, aprenderam os factos da vida pela leitura das frases escritas nas portas e nas paredes das sentinas públicas.

Hoje, perdeu-se o prazer de visitar as casas de banho públicas, onde, no meio de uma qualquer dificuldade momentânea, sempre um sorriso nos aflorava os lábios por via da leitura dos comentários e sugestões que alguém bem intencionado lá deixara.

JM

O NOVO NOBEL

A PAZ DE OBAMA
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Com alguma surpresa para o mundo, Barack Obama recebeu o Nobel da Paz.
Demasiadamente cedo, direi.
O Presidente americano ainda não teve tempo de provar o que realmente é a esse nível.
Certo, certo, é que há interesses, muito mais do que habitualmente, para que fosse Obama a ganhá-lo. Por certo o interesse em que a esperança do mundo, tenha razão ao acreditar em dias melhores.
Por muito que se tenha esforçado, muitos outros o fizeram também, por certo com ainda mais empenhamento, se bem que com menores resultados. Também nenhum dos outros foi alguma vez o Presidente do Mundo. Também ninguém, nenhum outro, conseguiu reunir tanta esperança pelo mundo inteiro.
Barack só tem ainda oito meses de mandato. Mal se tornou Presidente, teve de ser imediatamente proposto para Nobel da Paz, já que as nomeações acabaram quinze dias após o início da Presidência. Tudo muito à pressa, tudo muito em cima do joelho. Tudo recheado de muitos interesses. Mas creio que, desta vez, interesses positivos.
Será este um Nobel feito de esperança? Um Nobel para o homem mas também para todos os homens, por esse mundo fora que acreditaram e acreditam que uma nova era começou?
Deus permita que assim seja, e que essa esperança dê os frutos desejados.

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JM
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PORTUGAL DE COSTAS PARA O MAR

NÃO QUEREMOS SUBMARINOS

Olhando para terra, de costas para o mar imenso que em tempos idos muitas alegrias nos deu, o presidente do partido socialista, disse que não precisamos de submarinos para nada.
Ainda, digo eu, se tivéssemos muito mar, assim como umas centenas de quilómetros de costa, ainda vá, mas com o nosso, que quase ninguém sabe que existe a não ser para ir à praia, não se justifica. É assim “a modos como”  com os barcos de pesca, que até nem precisamos de ter uma frota em condições, pois que cada vez pescamos menos.
Precisamos é de armas, disse o sr presidente do partido socialista, pistolas e assim. Segundo o sr dr Almeida Santos, devemos, e depressinha, vender os submarinos que ainda nem chegaram e comprar armas para combater os traficantes de droga que vêm ter connosco pelo mar.
Nem precisamos, digo eu, de defender com eles, os submarinos, a nossa ZEE. Umas pistolinhas chegam e sobram. E até aproveitávamos para, com as pistolinhas, defender a ponte entre Lisboa e o deserto, que os terroristas andam por aí.
Talvez o negócio de armas seja mais proveitoso que o negócio de submarinos, não sei. Há por aí negócios proveitosos em tudo quanto é sítio.
Já uma vez partiram os óculos a este sr, quando foi em visita a uma ilha que hoje é da cor da rosa, será que mesmo com um par novo o sr dr não vê bem?
E depois ainda dizem que não nos deveria apetecer emigrar?

PORTUGAL, UM PAÍS ADIADO

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2009, O ANO EM QUE TUDO SE ADIOU
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.Neste ano da graça de 2009, o meu País parou. Praticamente desde o início do ano que nada se faz, nada se pode fazer, e ai de quem faça.
Este é o ano de todas as eleições. É o ano em que todos jogam tudo para ter alguma coisa durante mais quatro anos.
Por isso ninguém quer que se faça seja o que for que ponha em risco o que eles, se forem eleitos, querem fazer depois.
Tivemos eleições para as Europeias, para as Legislativas e agora para as Autarquias.
Desde o princípio do ano que estamos em pré-campanha ou em campanha eleitoral.
Desde essa altura, o governo quase deixou de governar, e as autarquias quase deixaram de trabalhar.
Os mais altos representantes da Nação, como por exemplo o Presidente, e os líderes dos diversos partidos políticos, exceptuando como é evidente o do partido do governo, entenderam que, até às eleições para o novo governo no final de Setembro, qualquer decisão governamental, qualquer diploma a apresentar na Assembleia da República, ou mesmo qualquer acto “fracturante”, não deveriam nunca, empenhar os vindouros governos.
Nas autarquias, ninguém se atreveu a fazer seja o que for.
Mais de quarenta por cento dos orçamentos das Câmaras vem do Estado, e não se sabe se o próximo governo é da nossa cor ou de outra que nos vá retirar verbas, ou atrasá-las.
E como, dos 308 Municípios Portugueses, mais de 25%, se fossem empresas particulares, estariam em situação de falência técnica, devido a má gestão, o melhor é estar quietinho e esperar que se se for eleito de novo, se consiga colocar as contas no são, e se forem outros, que se amanhem.
Por tudo isto e mais algumas coisas, como por exemplo, os normais e costumeiros erros com que todos os mandantes do meu País nos costumam brindar, atrasando a evolução por causa de interesses privados, Portugal é este ano, mais do que em qualquer outro, um País adiado.
Vai haver novo governo da Nação. O anterior já lá vai. O novo ainda não existe porque não está sequer formado, o velho nada pode fazer entretanto. E por sorte ganharam os mesmos, pelo que não se irá perder tempo a “passar” dossiers, quando chegarem os elementos do novo governo.
Nas Câmaras e Juntas de Freguesia, tudo se passa e passará de igual forma.
Tudo parado. Com a agravante de tudo estar parado vai para muitos meses.
Portugal, o País profundo, o País das pessoas invisíveis que os governos só vêm em ano de eleições, também parou. Já ninguém se importa seja com o que for.
Nas duas últimas eleições, a abstenção foi enorme. Portugal cansou-se da depressão, dos disparates e da porcaria e, com o desemprego a continuar a subir, entendeu ir de férias. O maior problema é que parece que ainda não voltou. Costumava regressar em meados de Setembro, mas este ano também atrasou o regresso. Só por cá andam os políticos em contínua campanha eleitoral, e os jornalistas que precisam de coisas sobre que falar para sobreviver.
Só o futebol da liga vai animando a vida do dia-a-dia, com os seis milhões a exultarem cedo de mais, e os arsenalistas a ir mostrando como se faz, que o da selecção, está como todo o País, parado e desiludido.
No resto, o melhor é esperar para ver, já que nada mais resta para fazer.

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JM

(In O Primeiro de Janeiro, 07-10-2009).


O PAÇOS DE FERREIRA PERDE NA MATA REAL

O PAÇOS PERDEU O JOGO

O Paços de Ferreira perdeu o jogo de hoje, na Mata Real, por três bolas a uma. Já perdia ao intervalo por três bolas de diferença. Na segunda parte o Paços não conseguiu dar a volta ao resultado, tendo o adversário limitado a sua acção a gerir a diferença. Por isso, porque o jogo abrandou, lá conseguiu o Paços, aos 68 minutos o seu golo de honra. A equipa de Paços de Ferreira perdeu bem, não merecendo sequer o empate. O adversário é o segundo classificado da liga, o SLBenfica.