Seja professor hoje! Faça a prova agora!

paccVossa Excelência completou um curso superior com um plano de estudos orientado para o ensino e, no final, realizou um estágio pedagógico? Acredita que isso é suficiente para que possa ser professor, quando, para cúmulo, tem menos de cinco anos de serviço? Felizmente para todos, temos um ministro da Educação atento, apoiado por especialistas em astronáutica! É evidente que uma licenciatura ou um mestrado em ensino e um estágio pedagógico não são suficientes para saber se Vossa Excelência possui conhecimentos e capacidades para o desempenho da docência: para isso, existe a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.
Vossa Excelência não tem formação superior e não fez estágio? E por que razão isso deveria impedi-lo de ser professor, já que não é suficiente para que o seja? Dispõe de duas horas? Resolva as questões colocadas na Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades e estará apto a ser professor. Parabéns!

Vítor Cunha rumo à Lua

rumoaluaConfesso que tenho um preocupante fascínio pela tendência do portuguesinho para se sentar a uma mesa de um café e discorrer, com mais ou menos álcool no bucho, sobre qualquer assunto, especialmente se não o dominar. Os blogues, na maior parte dos casos, não são mais do que tascas em que o mais ébrio tem a possibilidade e reclama o direito de falar sobre tudo aquilo que não entende. É, aliás, frequente, o bêbedo gritar “Eu sei muito bem o que estou a dizer e sou capaz de conduzir até casa ferpeitamente!”

Vítor Cunha talvez não beba, mas raramente está sóbrio e se há substância que o excita é o discurso da esquerda, especialmente se comunista. Se o comunista for sindicalista e se se chamar Mário Nogueira, Vítor Cunha – e a honestíssima trupe blasfemo-observadora, de uma maneira geral – fica num estado semelhante ao de Maradona depois de fungar aquilo que não era rapé. Se a religião é o ópio do povo, Mário Nogueira é a cocaína de Vítor Cunha: basta uma linha e a realidade é outra coisa.

Sob o efeito do seu estupefaciente preferido, Vítor apoiou-se ao balcão da tasca e arriscou umas alegorias com que julga explicar a questão da prova dos professores contratados. Apesar do meu fascínio pela miséria humana, é sempre com um misto de prudência e de compaixão que me afasto de quem não está em condições de perceber. De qualquer modo, a ignorância atrevida é uma outra forma de bebedeira. [Read more...]

Título errado no Público

Deveria ser “Jogar ao gato e ao crato…”

Entrada de dicionário: crato

(Qualquer semelhança com a realidade não será mera coincidência)

Crato, adj., hipócrita, cobarde, calculista, político (pej.).

Este adjectivo teve origem no nome de Nuno Crato, Ministro da Educação entre 2011 e 2015. A razão que levou a que o apelido do antigo ministro se transformasse num termo de ressonâncias insultuosas prende-se, em primeiro lugar, com o facto de, antes de ocupar o cargo, ter emitido algumas opiniões sensatas acerca de Educação, tendo, até, granjeado alguma popularidade como autor de livros e comentador televisivo. A sua nomeação trouxe, então, alguma esperança a uma classe docente massacrada por seis anos de políticas educativas desastrosas.

Depois de tomar posse, Crato começou a colocar em prática uma série de medidas que tinha chegado a criticar quando era comentador televisivo, como foi, por exemplo, o caso da criação de mega-agrupamentos. Entretanto, a sua prática governativa caracterizou-se por ir sempre ao arrepio das declarações públicas, anunciando, por exemplo, uma defesa do rigor, da exigência e da autonomia, quando, na realidade, todas as suas decisões contribuíam para o caos do sistema educativo, ao mesmo tempo que retirava poderes de decisão aos profissionais da educação, tendo, ainda, como verdadeiro objectivo o despedimento do maior número possível de professores.

Torna-se fácil perceber por que razão o nome do antigo ministro passou a designar uma série de defeitos do âmbito do fingimento e da hipocrisia. Falta explicar de que modo, a mesma palavra passou também a ser sinónimo de ‘cobarde’. [Read more...]

Latim em risco na cidade do Porto

Desde 2005, os ministros da Educação têm como única função retirar, o mais possível, o Estado da área que estão a tutelar: o que interessa, portanto, é cortar. É claro que isso é anunciado com eufemismos vários como a “optimização de recursos” ou o célebre “fazer mais com menos”, essa frase cinicamente repetida por Nuno Crato. É em nome dessa poupança criminosa (porque é evidente que há poupança virtuosa) que, entre muitas outras medidas, se aumentou o número de alunos por turma e se diminuiu o número de horas semanais atribuídas a algumas disciplinas: o único objectivo é despedir professores e funcionários.

Para além disso, há uma visão utilitarista do ensino que acaba por contribuir para o empobrecimento geral do currículo, com reflexos gravíssimos na formação integral do cidadão, que deveria estar ao alcance de todos. A coberto de palavras como “empregabilidade” e “empreendedorismo”, há áreas, como as Humanidades, que ficam transformadas em luxos acessíveis alunos cujos pais se preocupem com a referida “formação integral”.

Não é possível negar, a propósito, a importância da generalização do estudo do Latim. Assim, por um lado, se houvesse Ministério da Educação em Portugal, deveria existir um maior número de alunos a estudar Latim; por outro, o Latim, tal como outras disciplinas consideradas fundamentais, deveriam ser alvo de uma discriminação positiva que permitiria abrir turmas pequenas ou mesmo mínimas.

Na cidade do Porto, a segunda cidade do país, o Latim está em risco de desaparecer. Foi lançado um alerta para que os alunos interessados se matriculem na Escola Rodrigues de Freitas, de modo a poder-se encontrar um número mínimo que possa permitir a formação de uma turma. Realce-se, a propósito, que os professores Alexandra Azevedo e Jorge Moranguinho têm aí realizado um trabalho meritório na área do ensino do Latim, valendo, ainda, a pena lembrar que António Gil Cucu, aluno da escola, ganhou, há pouco tempo, um prémio internacional, mesmo se não mereceu apoio do Estado, ao contrário dos milionários que fazem parte da selecção nacional de futebol.

[Read more...]

Vem depressa, emigrante!

888002011688.170x170-75Parece que foi há dois ou três anos (talvez por ter sido há dois ou três anos) que Passos, Relvas e outros sucedâneos espalharam a ideia de que os jovens portugueses precisavam de sair da sua zona de conforto e emigrar. O impagável primeiro-ministro chegou mesmo a afirmar que o português tinha de deixar de ser piegas. Pelo meio, como é típico da elite parola portuguesa, lá vinha a referência à valentia de um povo de descobridores que sempre soube ultrapassar adamastores e bojadores, entidades consubstanciadas, na maior parte das vezes, em politicotes que andam a minar o Estado praticamente desde a fundação da nacionalidade.

Em muitos casos, a zona de conforto de muitos que emigraram era a zona do desemprego. A direitola, neologismo resultante da expressão “direita tola”, não consegue falar ou escrever sobre desemprego sem recorrer às inevitabilidades de despedir ou à caracterização do desempregado como um inútil que vive confortavelmente sentado num subsídio de desemprego. Paulo Portas chegou mesmo a declarar que havia gente a receber o Rendimento Social de Inserção e a aforrar cem mil euros nas respectivas contas bancárias, sem especificar o número de prevaricadores, o que implica lançar uma lama fétida sobre todos os outros. Não admira: o porco, quando se espolinha, não está preocupado em saber se suja alguém.

Camilo Lourenço chegou a explicar que o país ganhava muito com o facto de haver profissionais portugueses altamente qualificados a trabalhar fora do país (esquecendo-se, talvez, de que esses profissionais terão filhos fora do país, pagarão impostos fora do país, servirão as populações de outros países, farão as suas compras nas lojas de outros países). [Read more...]

Esta esquerdalhada irresponsável!

FMI diz que afinal teria sido melhor reestruturar a dívida de Portugal

Mostrar que se é poupado custa um dinheirão

Jardim gastou meio milhão para provar que não é despesista

Com o acordo ortográfico, as crianças perdem o contacto

O nosso Dario Silva encontrou a imagem que se segue. Trata-se de uma louvável publicação da responsabilidade da Quinta Pedagógica de Braga, entidade ligada à Câmara Municipal.

contato

[Read more...]

Nada de novo na República das bananas

Deputados do PSD/Madeira propõem extinção do Tribunal Constitucional

Uruguai chama Cesar Millan

Uruguai chama Cesar Millan para resolver problema de Luis Suárez.

Ainda o erro do exame de Português de 12º

A propósito do erro no recente exame de 12º de Português, aqui ficam a sequência dos factos e algumas observações.

1 – no Grupo II, pedia-se aos alunos que classificassem o acto ilocutório presente em “Como um dia veremos.” A citação corresponde ao último período de um texto de Lídia Jorge sobre Eça de Queirós publicado na revista Camões. Na versão online, faltam os dois períodos finais: “O que não parece vir a propósito, embora venha. Como um dia veremos.”

2 – a primeira versão dos critérios de classificação do exame impunha que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta “Acto ilocutório compromissivo”. Só nesse caso, os alunos poderiam ser contemplados com o meio valor previsto, o que, parecendo ínfimo, pode ser decisivo em diversas circunstâncias.

3 – vários professores, no entanto, afirmaram que se trataria de um acto ilocutório assertivo, o que deveria obrigar, no mínimo, a aceitar as duas respostas. Os interessados em distinguir os dois actos ilocutórios poderão, facilmente, obter a informação necessária. Se estiverem interessados na fonte oficial, poderão visitar a página do dicionário terminológico, escolher o separador “Procurar” e escrever “acto ilocutório”.

4 – o IAVE (Instituto de Avaliação Educacional), num primeiro momento, negou a existência de um erro, dando instruções para que os professores classificadores aceitassem apenas a resposta prevista nos critérios.

5 – as opiniões dividiram-se o suficiente para que o IAVE acabasse por reconhecer a existência de um problema, passando a permitir que ambas as respostas fossem consideradas correctas.

Passemos às observações: [Read more...]

O problema da “portugalização” da CPLP

Feliciano Barreiras Duarte, segundo o Ventos da Lusofonia, é investigador, o que é, com certeza, importante, mesmo que não se conheça a área de investigação. Feliciano Barreiras Duarte é, ainda, deputado do PSD, que é outra maneira de se ser importante tendo a possibilidade de fazer qualquer coisa. Aliás, de acordo com a biografia da página da Assembleia da República, Feliciano tem, ainda, um Doutoramento em Doutoramento (vd. imagem infra), o que é tão específico como ser investigador em geral e deputado em particular.

(Coincidência ou não, já me tinha cruzado com outro deputado do PSD licenciado em licenciatura. Fica a faltar um mestre em mestrado. Já existia um licenciado sem licenciatura.)

Em declarações à página Ventos da Lusofonia, Feliciano Barreiras Duarte não desilude: o que se espera de um investigador que é também deputado do PSD, doutorado em doutoramento, que tem vários livros em preparação e que publicou, entre outras, uma obra com o estimulante título “Apostar no Bombarral”? Espera-se, obviamente, uma série de declarações vácuo-épicas sobre qualquer assunto.

Sendo o assunto a CPLP, o investigador/deputado/doutorado profere coisas sobre a possibilidade de a dita CPLP poder “ganhar outra voz à escala mundial” e a necessidade de “aprofundar o lado político e linguístico, mas acima de tudo, em simultâneo e com muita pressa, também o lado económico e cultural”. É preciso não esquecer que Feliciano Barreiras Duarte é do PSD e membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, o que implica ter de elogiar sempre a CPLP. [Read more...]

Paga o que deves, Passos Coelho!

moedasHá uns anos, o grupo de eternos rapazes de que eu fazia parte detinha, como qualquer grupo de eternos rapazes, um conjunto de frases constantemente repetidas conforme as circunstâncias. Como é típico dos eternos rapazes ou de qualquer grupo proprietário de private jokes, cada uma dessas frases era razão para sorrisos cúmplices (ou para gargalhadas desbragadas, se o consumo de álcool já fosse suficiente para que tudo tivesse imensa piada).

Uma das actividades favoritas desta minha irmandade era o extraordinário jogo da moedinha, essa modalidade amiga dos donos de cafés e propiciadora de humilhações rituais, coisa bastante saudável entre amigos. Tendo em conta que a derrota implicava o pagamento da despesa que estivesse em cima da mesa, havia um certa tendência para ligeiras desonestidades que, de tão evidentes, eram quase sempre descobertas ou reveladas. Era então que o pequeno criminoso proferia, com um contragosto cabotino, uma frase com tanto de ética como de gramática: “Se passasse, passasse…”

Nada disto, à distância de vários anos, me parece mal. Antes pelo contrário: a alienação momentânea e o alegre disparatar são tão necessários como o profissionalismo e competência, desde que sejam praticados em horários diferentes

Recentemente, dei por mim a pensar que o país é governado por um grupo de eternos rapazes, o que não seria grave se não se comportassem na governação como a comandita com que eu alinhava no jogo da moedinha. Na verdade, este mesmo governo anda, há três anos, a produzir diplomas inconstitucionais, pensando qualquer coisa como “Se passasse, passasse…” [Read more...]

O péssimo é amigo do mau

© Lusa

© Lusa

Passos Coelho e pandilha adjacente constituem um conjunto de criminosos competentes ou de burros contumazes, uma vez que insistem em receitas que são problemas, resoluções que não resolvem e agravam. De uma maneira ou de outra, estão no lugar errado: prisão para os criminosos e para os asnos, palha.

É importante relembrar que chegaram ao poder graças a mentiras descaradas e que se mantêm no poder praticando o contrário do anunciaram. Tivesse Passos Coelho um poucochinho de honestidade intelectual ou, no mínimo, alguma preocupação em disfarçar, e poderia dizer que, afinal, estava enganado, que as coisas eram piores do que tinha pensado e que, agora, tínhamos de fazer ao contrário do que tínhamos dito e desculpem qualquer coisinha. Em vez disso, prossegue o seu caminho, com a falta de vergonha tradicional que nos leva rapidamente ao discurso de que os políticos são todos iguais. [Read more...]

José Saramago e o pato do dia

1379421_10152012433262474_1087805151_nDepois do pato com laranja, a nouvelle cuisine ortográfica inventou uma receita: o “pato com o diabo”. Não me espantaria que tivesse origem na criação de patos de silêncio, esses simpáticos palmípedes anunciados ao mundo graças aos bons ofícios do chamado acordo ortográfico. [Read more...]

Brincar às greves

cultura lúdicaHá movimentações sindicais no sentido de convocar uma greve para o dia 8 de Novembro. Um dia de greve.

Se estivéssemos a lidar com um governo desconhecido ou sério, concedo que pudesse fazer sentido usar a greve de um dia como uma espécie de tiro de aviso. O problema é que se trata de gente contumaz, gente que vai impor, pela terceira vez seguida, um orçamento de Estado criminoso, porque se baseia em mentiras e em insensibilidade, como está amplamente demonstrado.

O João José lembrou, hoje, outros tempos em que protestar era muito mais perigoso ou simplesmente perigoso. O Ricardo critica a atitude da CGTP, ao desistir de fazer a manifestação na Ponte 25 de Abril. Concordando com ambos, acrescento a minha crítica recorrente às greves de brincar. [Read more...]

Lipoaspiração do Estado

pedro-passos-coelho-gorduras-do-estadoHá dias em que o único argumento possível é um chorrilho de palavrões, especialmente quando nos defrontamos com o descaramento dos selvagens que se instalaram no governo e dos necrófagos que se alimentam da carne do lombo das fortunas que pagamos para não termos direito a saúde ou a educação, para não termos direito a viver

Mário Soares chamou-lhes delinquentes, o que é, na realidade, um eufemismo. Faz ele parte da mesma súcia que anda a mastigar-nos há anos? Fará, mas nem isso o impede de ter razão, de vez em quando, como não me impede de não votar num PS com cheiro a Sócrates, ou seja, a Passos Coelho, isto é, a Barroso, no fundo, a Cavaco. [Read more...]

Ângelo caído

passoscoelho-angelocorreia58227b65_537x302O facto de haver gente, em Portugal, que tem uma subvenção vitalícia por ter desempenhado cargos políticos durante oito anos seria igualmente criminoso, mesmo que fôssemos um país rico. Se fôssemos um país a sério, essas subvenções nunca existiriam. Se quiséssemos ser um país sério, já teriam sido eliminadas. Se quisermos ser um país justo, a solução é óbvia.

É claro que Ângelo Correia não concorda, embora condescenda que haja cortes, tal como acontece com os outros cidadãos, os que não têm direito a subvenções vitalícias e que contribuem, empobrecendo, para essas mesmas subvenções vitalícias, entre outros roubos que uma classe política corrupta vai perpetrando, graças ao domínio que tem exercido sobre os poderes legislativo e executivo.

É o mesmo Ângelo Correia que condenou o uso da expressão “direitos adquiridos”, mas que não teve pejo em usá-la, quando chamado a comentar a hipotética perda dos seus. Na verdade, há direitos que são mais adquiridos do que outros.

Talvez seja um caso de inimputabilidade, coitado do senhor, pois tudo indica que sofre de uma patologia que afecta muitos outros políticos: a falta de vergonha. Na fotografia, pode ver-se o discípulo a afiançar que saberá seguir as lições do mestre.

A esquerda e a fossilização do homem pelo homem

A alma de paleontólogo do meu amigo Joaquim permite-lhe descobrir fósseis com uma aparente facilidade. Diz ele que a esquerda portuguesa é, toda ela, um fóssil babando uma revolta e uma ira anacrónicas.

Apesar de eu ser de esquerda, tenho de concordar que o Joaquim parece ter razão: a esquerda continua a defender as mesmas causas de há dezenas ou centenas de anos. No entanto, se analisarmos mais de perto, acabamos por descobrir que o fóssil é outro.

O problema é que a história que deu vida à esquerda está longe do fim. A esquerda existe e age, porque continua a selvajaria dos que, há milhares de anos, se alambazam com o trabalho alheio, negando-lhe, o mais possível, valor, considerando-o apenas despesa, ao mesmo tempo que usa a globalização para levar uma maioria a considerar que um emprego é uma benesse, mesmo que implique apenas direito a sobreviver, que viver é outra coisa. [Read more...]

O estranho caso do Embaixador mal informado

Tenho para mim que o desempenho de altos cargos constitui uma responsabilidade e não propriamente um privilégio. É por isso que um ministro, um deputado ou um diplomata devem ter um cuidado acrescido quando tomam decisões, quando dão opiniões ou quando resolvem prestar esclarecimentos.

Mário Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal, tendo constatado que “em Portugal há algumas resistências ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, resolveu “proceder a um esclarecimento dos factos.” No entanto, decerto por estar mal informado, em lugar de esclarecer, publicou mistificações.

Aconselhá-lo-ia, antes de mais, a ler a carta aberta que lhe dirigiu Luís Canau. Encontrará aí informação abundante, esclarecida e, portanto, esclarecedora.

Tendo, ainda, em conta que o embaixador brasileiro parece acreditar que o chamado acordo ortográfico poderá contribuir para interligar “os nossos mercados editoriais sem custos adicionais” e que “livros, materiais didáticos e programas de educação à distância poderão ser reproduzidos sem os custos de adaptação do idioma a públicos diferentes”, atrevo-me a recomendar-lhe a leitura de dois textos publicados no Aventar: O mundo encantado das edições únicas e Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico.

A uniformização ortográfica e o consequente unicórnio das edições únicas correspondem a mitos que urge erradicar de vez. Esperamos contar com a ajuda do representante do Brasil em Portugal para que isso aconteça, agora que os factos ficaram esclarecidos.

Crato do dia

EB 2/3 de Gueifães quase a parar por falta de funcionários

Nunca mais acaba o início do ano lectivo

Escolas continuam sem docentes de educação especial mas há 3560 disponíveis

Como usar o Tribunal Constitucional

A estratégia do governo é propor medidas inconstitucionais umas atrás das outras até acabar o ano para justificar o défice de 7%. É brilhante. (@VascoCardoso) Roubado ao João Roque Dias.

Os donos da língua

Pinda Simão, que se reuniu hoje em Lisboa com o ministro da Educação português, Nuno Crato, afirmou que Angola quer “fazer incidir esforços” na qualidade do ensino, referindo que em três províncias, Namibe, Benguela e Cabinda, há professores portugueses que estão envolvidos na formação de professores, em Língua Portuguesa, Matemática e Educação Física.

nac3a7c3b5es-da-lusofonia1O texto é da Lusa, escrito, portanto, segundo o chamado acordo ortográfico. Por acaso, foi publicado no jornal i, que não adopta o chamado acordo ortográfico. Os professores portugueses, em Portugal, são forçados a aplicar, nas escolas portuguesas, o chamado acordo ortográfico.

Alguns professores portugueses estão em Angola, participando na formação de professores angolanos. Angola não aplica o chamado acordo ortográfico, continuando a utilizar a ortografia de 1945. Deduzo, portanto, que os professores portugueses não possam utilizar, em Angola, o chamado acordo ortográfico que são obrigados a utilizar em Portugal, pela simples razão de que não seria aceitável esses mesmos professores imporem uma ortografia portuguesa a uma escrita que é angolana. [Read more...]

É possível acordar melhor?

A Comissão de Educação do Senado brasileiro resolveu “criar um grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado em 1990 por todos os países de língua portuguesa.”

Desse grupo de trabalho fará parte Ernâni Pimentel, criador do movimento Acordar Melhor, que visa “propor uma simplificação na ortografia para que todos a dominem e se libertem de dicionários e manuais, na hora de escrever x/ch, j/g, s/z, s/ss/sc/sç/x/xc.” O mesmo movimento combate o recurso à memorização e defende que a simplificação ortográfica dará origem à inclusão social.

Já tinha exprimido a minha opinião sobre os pressupostos deste movimento. Insisto: a aprendizagem, tal como qualquer outro processo, deve estar a salvo de obstáculos artificiais ou escusados, mas partir do princípio de que se deve facilitar para que todos possam aprender ou de que o treino da memória deva ser excluído é, antes de mais, antipedagógico e, portanto, censurável. Para além disso, sempre encarei os dicionários e os manuais como instrumentos de libertação.

Relembre-se que o senador Cyro Miranda, presidente da Comissão acima referida, já havia defendido que o início da vigência do acordo ortográfico deveria passar para 2018 e não para 2016, de modo a serem feitas alterações.

Face a isto, não me espantará que venham a surgir alguns linguistas portugueses a defender que verbos como “axar” ou “puchar” fazem todo o sentido. Vai ser o “mássimo”! Basta que haja pressões nesse sentido.

Talvez por aqui apareçam alguns iluminados a fazer referência ao meu antibrasileirismo por atacar esta coisa a que chamam acordo ortográfico ou porque me atrevo a discordar de opiniões de brasileiros, pecado capital para os seguidores da Lusofonia, cujos fiéis vociferam “nacionalista” ou “colonialista”, sempre que um português tem o atrevimento de criticar qualquer cidadão de outro país de língua portuguesa. Não me espantaria, aliás, que Millôr Fernandes viesse a ser queimado em efígie. Ou em esfinge.

Golpes de Machete

Em declarações à Rádio Nacional de Angola, Rui Machete pediu “diplomaticamente” desculpas por haver figuras do regime angolano a serem investigadas pela justiça portuguesa. Se, algum dia, vier a ser investigado, apesar de, por enquanto, não fazer parte do regime angolano, espero merecer o mesmo tratamento de um qualquer membro do governo português. Pela minha parte, estão, desde já, desculpados, mas que não volte a repetir-se.

Nessas mesmas declarações, Machete acrescenta às desculpas a declaração de impotência, lembrando que o governo português não pode intervir nas investigações. Resumidamente, o ministro pede desculpa a um país estrangeiro por haver um entidade pública portuguesa que, tanto quanto se sabe, está a cumprir o seu dever. Não deixa de ser uma novidade refrescante pedir desculpa por se cumprir um dever.

Para complementar o seu pedido de desculpas, Machete afirma que pediu informações à Procuradora-Geral da República. Posteriormente, veio desmentir as suas próprias declarações, explicando que se baseou num comunicado do DCIAP. Talvez alguém devesse explicar ao ministro que pedir informações a uma pessoa ou ler um comunicado não são a mesma coisa. Talvez não valha a pena explicar ao mesmo ministro que proferir incorrecções factuais é feio, porque já lá vai o tempo em que devia ter torcido o pepino. [Read more...]

Por baixo da mesa

Segundo resgate “não está em cima da mesa”, diz Durão

O ano lectivo continua a começar

Nuno Crato continua a exercer o seu mandato com a tranquilidade dos assassinos contratados. Só assim é possível continuar a não resolver o problema da falta de funcionários nas escolas, graças à aplicação descontraída de uma lei desactualizada: assim, não há condições que as bibliotecas, as secretarias, as cozinhas e a vigilância dos alunos funcionem. Se juntarmos a isso as turmas com alunos a mais e as escolas com professores a menos, é fácil perceber que a Escola Pública está mergulhada num caos, com prejuízos graves para a parte mais frágil, os alunos.

A propósito do aumento do número de alunos por sala, qualquer profissional sabe que se trata de uma medida antipedagógica. Sabe-se, agora, que pode ser prejudicial à saúde.

Como se tudo isto não bastasse, é ainda graças a uma estrutura desumana que há alunos com deficiências sem direito ao apoio que uma sociedade civilizada deveria conceder-lhes. É assim que alunos surdos do Tâmega e Sousa continuam sem aulas por falta de transporte e é assim que nove técnicos de apoio a crianças autistas estão afastados das suas funções.

Entretanto, há alunos de cursos profissionais ainda sem aulas, porque continua a haver professores e técnicos por colocar.

O ano lectivo, com Nuno Crato, continuará a começar. Nada que o incomode: para isso, teria de ter vergonha ou consciência.

A directora do Agrupamento de Escolas Clara de Resende, no Porto, decidiu que a escola-sede será encerrada, enquanto não houver funcionários em número suficiente. Louve-se uma atitude que deveria, muito provavelmente, alastrar a muitas escolas do país, em que a virtude de querer compensar os disparates de Nuno Crato constitui, no fundo, um defeito, porque acaba por corresponder à aceitação de decisões que acabarão por prejudicar os alunos.

O comentador Rui Lima, neste texto do João Paulo, expele a opinião típica de quem pensa que os problemas são para suportar e não para resolver. É apenas mais um caso de ignorância atrevida e representante do estereótipo do portuguesinho que pensa que os professores, como não têm nada para fazer, servem para tapar qualquer buraco. Se o portuguesinho se começasse a preocupar verdadeiramente com a Educação em Portugal, estaria do lado das escolas contra o seu maior problema: o Ministério da Educação. Quando isso acontecer, não voltará a ser possível o cargo de ministro ser ocupado por vendedores de banha da cobra.

Alunos sem aulas em Silves

O ano lectivo, já se sabe, é um conceito que Nuno Crato não domina. Deste modo, é natural que o ministro tenha afirmado que o ano lectivo começou bem, sabendo-se que, três semanas depois, há alunos que ainda não têm professor.

É o que acontece em São Marcos da Serra, no concelho de Silves. Coincidência ou não, depois de os pais terem fechado a escola e a situação ter sido referida nas notícias, surge a garantia de que, amanhã, será colocada uma professora.

Na mesma notícia, o director do agrupamento de escolas em que está incluída a EB1 de São Marcos da Serra declarou que a professora em causa “tem estado de atestado médico”, explicando que só entrará ao serviço se não apresentar novo atestado. O mesmo director acrescentou que irá tentar sensibilizar a professora para o problema.

Há, nesta história, pelo menos, dois aspectos que merecem comentário: se um professor está de atestado, é natural que não se possa apresentar ao serviço; para além disso, deve partir-se do princípio de que estará doente, sendo legítimo que não seja sensível a nenhum outro problema.

Ficamos a saber, ainda, que estão por colocar 19 professores em todo o agrupamento de escolas. Talvez fizesse mais sentido que o director procurasse sensibilizar o Ministério da Educação para que esse problema seja resolvido com o máximo de celeridade.

Confirmar que Nuno Crato falha já não é notícia. Por isso, não é de admirar que tenha declarado, no dia dia 13 de Setembro, que não haveria alunos sem aulas, depois do início do ano lectivo. É claro que tem a desculpa de não saber o que é um ano lectivo.