Imobiliária Cacique

Fotografia: Rui Duarte Silva@Expresso

Paulo Morais, antigo vereador de Rui Rio e candidato presidencial, defendeu recentemente, num artigo publicado no jornal Público, que as directas do PSD deviam ser invalidadas por estarem viciadas:

O novo presidente do PSD será escolhido por dois tipos de militantes: os genuínos, que aderiram livremente ao PSD e se preocupam com o seu destino; e um imenso grupo de milhares de cidadãos que foram artificialmente inscritos no PSD por caciques. Estes, de forma organizada e sistemática, pagam convenientemente as quotas e controlam as listas como quem tutela um rebanho. No dia das eleições, em grupo, em manada, milhares serão transportados em carrinhas e camionetas até às sedes, votando em Rio ou Santana, dependendo de quem os arrebanhou. Esta prática ilegítima, que envergonha a democracia, assenta numa ilegalidade maior e que só é possível através da violação da informação confidencial dos dados dos militantes constantes da base de dados do PSD.

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PPD-PSD

Imagem via Daily Cristina

A forma como ele o entoa, como nunca ousa deixar o PSD órfão do PPD, é algo que me fascina. Isso e a insistência em esbarrar-se eleitoralmente. Mas ainda há esperança, caso Rui Rio ganhe as próximas Legislativas e seja chamado para servir em Bruxelas a meio do mandato. E poucas coisas seriam tão belas como ver Marcelo dissolver a Assembleia da República. Karma can be a bitch. O problema é se sai dali outro Sócrates. E outro Passos a seguir.

Luis Delgado está nas instalações do grupo Impresa

mas desta vez não foi lá comprar nada. Foi comentar as directas do PSD. Um homem multifacetado.

E Portugal, Passos? Já não está à frente?

Fotografia: Luís Barra@Expresso

Pedro Passos Coelho, como tantos outros políticos que caem do seu pedestal, decidiu renunciar ao seu mandato de deputado, como é seu direito. Muito poderia ser dito a este respeito, sobre uma decisão que é absolutamente legítima, mas a mim causa-me sempre alguma perplexidade, ver um tipo que andou em campanha para eleições legislativas a declarar o seu amor à pátria e à causa pública, e que agora renuncia ao mandato para o qual se propôs e foi eleito (para exercer as funções de deputado e não de primeiro-ministro, que ao contrário do que defendem hoje alguns fanáticos negacionistas da democracia representativa, não existem, neste país, eleições para eleger directamente governos ou primeiros-ministros) apenas porque deixou de ser o alfa da São Caetano.

Ser um mero deputado, um simples representante do povo, não parece ser função que agrade ao mais recente barão do PSD. Com certeza que surgirão novas oportunidades no sector privado, onde Passos tem fama de indivíduo hábil a abrir portas, pelo que passar a ser um autómato que levanta a mão quando o próximo líder assim lhe ordenar não é hipótese a considerar. Eis o líder que põe Portugal à frente, que põe o país primeiro e que alegadamente o leva a sério a virar-lhe as costas mal cai do poleiro. Não surpreende.

Hugo Soares acautela o futuro

Fotografia: Lusa@Sapo24

Foi há coisa de ano e meio que o António Fernando Nabais trouxe a este espaço o epidémico flagelo dos resíduos de botas na língua dos jotas, sobre o qual não me alongarei em face do diagnóstico cabal apresentado pelo meu amigo e colega blogosférico. Sugiro a todos os frequentadores do Aventar a sua leitura, a meu ver essencial para compreender a evolução do homo politicus neste início de século, não só pela minúcia do relato, mas porque nos permite compreender, de forma mais objectiva, uma ocorrência que teve ontem lugar no encerramento das jornadas parlamentares do PSD.  [Read more…]

Pedro Santana Lopes, a Teresa Leal Coelho das directas do PSD

Fotografia: José Carlos Carvalho@Expresso

Segundo Rui Rio, Pedro Santana Lopes foi a quarta escolha do passismo para o defrontar nas internas. Uma espécie de Teresa Leal Coelho das directas do PSD. E tem a sua razão. Passos atirou a toalha ao chão, Luís Montenegro, inteligente, preferiu não queimar a sua carreira política a longo prazo – lá chegará a sua vez – e Rangel, que até foi triturado pela máquina passista no passado, leva uma vida confortável em Bruxelas, pelo que se entende que não tenha grande interesse em liderar um PSD à deriva, pelas ruas da amargura.

Fotografia: Adriano Miranda@Público

Santana Lopes foi o senhor que se seguiu, conta com décadas de experiência em derrotas internas, pelo que, mais uma, menos uma, não fará assim tanta diferença, e vai a jogo com um conjunto de altos oficiais da direcção cessante na rectaguarda. Se ganhar, o regime perpetua-se. Se perder, os ratos abandonam o barco e, a seu tempo, dobrarão o joelho e prestarão juras de fidelidade eterna ao homem do Norte. Pena que se perca mais uma oportunidade de renovação, no seio do maior e mais poderoso partido político português.

As Redes Sociais e as Directas no PSD:

Eu já o tinha afirmado aqui e até destacado alguns dos principais animadores com quem tive o privilégio de partilhar grandes momentos ao longo destes últimos meses. Agora, no Sapo, leio Artur Alves a destacar a importância das Redes Sociais nestas eleições. Sobre o tema espero, daqui a alguns meses, partilhar convosco muito do que consegui escrever e o resto, imenso, que ainda falta.

Estamos a viver uma revolução silenciosa na comunicação política.