Farpas – O feirante Berardo

“Ofereci 500 mil contos pelo Pinto da Costa” – Disse o comendador Joe Berardo.

Ninguém me convence que este senhor não tenha ganho tudo o que exibe em obras de arte moderna, e em acções e outros investimentos a enganar tolos na “feira”.
Nem mesmo a dislexia crónica lhe trava a diarreia verbal, e toca a esbanjar o precioso silêncio, soltando barbaridades de meter dó. Como esta: “Ofereci… (milhares de contos) a Pinto da Costa para vir dirigir o Benfica”. E termina com esta obra-prima: “ O meu objectivo era LIXAR o Porto”. Tal e qual! Como se o Presidente do F.C. do Porto fosse um quadrúpede qualquer, como os que se vendiam e compravam nas feiras, antigamente. Mas até se entende o disparate: Berardo é mesmo um talentoso feirante. Para ele, Pinto da Costa ou um qualquer maronês são feitos da mesma substância que ele próprio.

Cunha Ribeiro

Vítor Pereira é o treinador do Porto

Desta vez é oficial, acabaram-se as conjecturas. Vítor Pereira, ex-adjunto de Villas Boas, vai sentar-se na abandonada cadeira de sonho do FCP e ser o novo treinador dos portistas. Veja-se a alegria de Pinto da Costa, aquele senhor com ar de personagem de certos filmes do Coppola, no meio de tantos microfones azuis e brancos.

Para tudo ser perfeito só falta Vítor Pereira vir dizer que é do FCP desde pequenino e que, haja o que houver, vai permanecer sentado na cadeirinha por muitos e longos anos.

Carlos Queiroz para treinador do Porto

Bem sei que estamos em plena silly season e que as especulações surgem como as formigas no verão, mas acabo de ouvir numa televisão que Pinto da Costa dispõe de uma lista onde consta, entre outros, o nome de Carlos Queiroz para treinador do FCP.

Não pense mais, sr. Pinto da Costa, e nomeie-o já, o homem tem uma ampla base de apoio entre os adeptos portistas.

Além disso nós, benfiquistas, sportinguistas e etc., também gostamos de nos rir.

Sou adepto do Manchester United desde pequenino

Só mesmo um escroquezito como André Villas-Boas para me obrigar a interromper o silêncio a que voluntariamente me propus desde há algumas semanas. E para começar, devo pedir desculpa a todos os portistas por este nojo que aqui postei em Maio.
Sinceramente, nada mais tenho a dizer acerca do farsolas. E não me venham com a história de que os jogadores e treinadores são profissionais e de que qualquer um faria o mesmo. Ninguém é obrigado a fazer juras de amor eterno, ninguém é obrigado a dizer que está na sua cadeira de sonho e que ficará onde está por muitos anos e enquanto o quiserem. Com portistas destes, realmente, não precisamos de inimigos. É que até Mourinho, que nunca escondeu que queria sair logo que possível, é mais portista do que o coiso que, não contente, ainda prepara o desmantelamento da equipa que Jesualdo Ferreira construiu.
Posto isto, resta-me declarar que sou adepto do Manchester United desde pequenino. Claro que quem diz Manchester United também pode dizer Arsenal, Manchester City, Everton, Tottenham e todos os clubes que jogarem contra o Chelsea.
Na sua ânsia desmedida de abraçar o pote, só o rapazinho não percebeu que, no fundo, não é mais do que uma criação de Pinto da Costa. E sabe-se o que acontece às criaturas quando lhes falta o criador. Porque tudo isto se resume, afinal, a algo que o João José Cardoso também disse no seu post. Preocupante, mesmo, era ver partir o Presidente. Que vão, que vão todos, que o FC Porto continuará a ganhar.
E agora, treinador para a próxima época? O Domingos está ocupado – é pena que o parvalhãozito não tenha decidido sair um mês antes – e é chato tirar o Leonardo Jardim ao Braga. Então quem? Ó pá, vão buscar o Cruyff, que está livre. Assim como assim, é só por um ano e o dinheiro que vem da máfia russa dá para pagar e sobra. E ainda ficamos, o que é muito bom, com um treinador que nunca virá com as patranhas de que está na sua cadeira de sonho, que é muito portista e que ficará ali por muitos anos.

Qual é o problema?

antero henriques pinto costa andre villas boas

Consta que o dono do Chelsea paga ao F. C. Porto os 15 milhões da rescisão do contrato com André Villas-Boas. Quem tem dinheiro tem vícios.

Não consta mais nada excepto a euforia dos adversários com uma eventualidade, aliás prevista e sabida desde sempre. Se André achar que 4 milhões, já, valem o que muito mais clubes lhe pagariam para o ano, problema dele. Com 15 milhões no bolso o Porto até pode ir buscar um treinador à concorrência nacional (e no caso do Sporting, até nem era mal pensado).

Os dragões são animais tranquilos, calmos, que cospem fogo na hora certa. Se Pinto da Costa ou Antero Henriques fossem para outro clube qualquer, ficava preocupado. Assim, quanto muito perde-se um jogo com o Barcelona. O resto é rotina, de quem não tem o mesmo dinheiro mas tem outro vício: o de ganhar.

E o meu voto vai para…

Amar o Porto, tão só.

Por isso, ao olhar orgulhoso para mais uma vitória histórica do meu Porto e rumar para o meio da multidão, do meu Povo, nos Aliados senti pena. A pena de não ter visto em Dublin, ao lado dos autarcas de Braga, do Presidente da sua câmara, o seu colega do Porto. Um sentimento justificado e sublinhado ao olhar para os Aliados e espreitar para a NOSSA casa e vê-la fechada, como que envergonhada. Uma vergonha não de si mas daqueles que ainda a ocupam não compreenderem o seu significado.

Qualquer um pode ser Presidente da Câmara Municipal do Porto mas não é um qualquer que ficará no coração dos Portuenses. Uma coisa sei de Pinto da Costa: estará para sempre no coração dos Portistas e no da maioria dos Portuenses.

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Laurentino Dias é grande, mas não é grande coisa

Foi mais ou menos o que disse Pinto da Costa acerca do ainda Secretário de Estado do Desporto, que manifestoua sua preferência pela vitória do Braga na Final da Liga Europa.
Pinto da Costa atirou-se a Laurentino Dias e fez muito bem. Sendo governante, a função dele é ser imparcial e tratar de igual modo os dois clubes. Não interessa se é de Fafe ou de Vila Fresca de Troca-o-Passo, interessa que deve manter uma posição equidistante perante todos.
Claro que a Laurentino Dias, que só tem tamanho e mais nada, isso não interessa nada. Todos nos lembramos da forma como em 1988, era então Deputado do PS e Presidente da Assembleia Municipal de Fafe, esteve por trás da despromoção do Famalicão
ao e da subida do Fafe à I Divisão.
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Pinto da Costa não é do Porto

O Fernando Moreira de Sá, grande portista, rejubila, compreensivelmente, com a vitória – justíssima – do Porto sobre o Benfica, querendo transformar essa mesma vitória numa manifestação de superioridade moral, uma lição a um benfica que, na sua opinião, só pode ser escrito com minúscula inicial.

Não faço parte dos que atribuem as vitórias do Futebol Clube do Porto a jogadas de bastidores, mesmo acreditando que há gente de todas as cores a praticá-las, o que tem como efeito mais ou menos cómico acabarem por não ter o resultado pretendido, por se anularem umas às outras. Entretanto, nos últimos trinta anos, como diz o Fernando – e bem – “São onze contra onze e no fim ganha o Porto.”

Já a superioridade moral e a bofetada de luva branca afiguram-se-me mais invisíveis. É certo que Villas-Boas consegue, na maior parte das vezes, ter um discurso mais elevado do que a maioria dos frequentadores da praça futebolística, mas, tirando isso, a verdade é que, de uma maneira geral, em termos de ética, respeito e desportivismo, o nome dos clubes só pode ser escrito com letra minúscula, sobretudo quando temos ocasião de ouvir Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa.

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Homenagem ao SL Benfica

O SL Benfica é o maior clube português. Para além de ser, embora com uma curta distância, aquele que detém mais títulos no futebol (entre os quais se incluem os 29 títulos de Campeão Nacional contra os 24 do FC do Porto – não 32 contra 25, como a imprensa gosta de dizer), é também o que tem mais adeptos espalhados por todo o país. Graças, sobretudo, aos espantosos anos dourados de Eusébio e Companhia durante os anos 60 e 70.
Desde miúdo, aprendi a ver no SL Benfica o rival maior do meu FC do Porto. O meu clube, quando comecei a gostar de futebol, tinha apenas 5 títulos de Campeão Nacional – o último tinha sido conquistado 11 anos antes de eu nascer.
A partir de finais dos anos 70, com Pedroto e Pinto da Costa ao leme, tudo mudou. O FC do Porto começou a ganhar títulos e a rivalizar com o SL Benfica. A chegada à Final da Taça das Taças em 1984 e a vitória na Final da Taça dos Campeões Europeus em 1987, no Prater, foi o culminar desse processo e, no fundo, significou a passagem de testemunho em termos de hegemonia do futebol português.
Habituei-me a ver no Benfica um adversário digno e merecedor do maior respeito. Desejando que perdesse sempre nas provas nacionais, claro, mas nunca deixando de reconhecer o seu valor. Com Luis Filipe Vieira, numa linha que já vem desde Vale e Azevedo, percebi que, afinal, há um benfiquinha capaz de imitar o pior de um portinho que, infelzimente, também existe. Percebi que uma certa gente do Benfica entende desde há algum tempo que a melhor forma de combater o FC do Porto é imitar os discursos, as atitudes e os métodos de Pinto da Costa. [Read more…]

Upload Lisboa 2010

Foi com um largo sorriso que reagi quando ao chegar ao Porto, vindo do Upload Lisboa 2010, deparo com as luzes do Dragão, bancada a bancada, a apagar. Um final perfeito de viagem no dia em que troquei mais um espectáculo de gala no Dragão por uma palestra no muito bem organizado Upload Lisboa.

Uma espécie de mensagem subliminar do Dragão, estilo “Estás perdoado, pá” e no fundo até estou: sempre fui explicar, a propósito da morte do assessor de imprensa, que o consultor de comunicação é um maestro e socorri-me do exemplo de Jorge Nuno Pinto da Costa para exemplificar o que é o maestro dos maestros: Aquele que, como Pinto da Costa, pode até nem ser “grande espiga” a chutar numa bola mas sabe mais de futebol que o Mourinho e o Cristiano Ronaldo juntos.

Tal como aqueles jogadores que já em férias são convocados de repente para substituir um colega lesionado, eu fui chamado a comparecer no Upload Lisboa (Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) para encerrar o mesmo com uma intervenção subordinada ao tema “A Morte do Assessor de Imprensa”. Foi uma espécie de visita de médico e dei por muito bem empregue o meu tempo: estive com o Rodrigo (o culpado), finalmente conheci pessoalmente a Jonas (já estou desculpado?) que não sei se é uma mulher do norte mas a fibra está lá toda; conheci a Ana (responsável do Facebook do Sapo) que é uma simpatia assim como a encantadora Alda Telles. Tive a oportunidade de assistir às intervenções da Maria João “Jonas” Nogueira (Sapo), do Carlos Merigo (Brainstorm#9) e do Alexandre Maron (Editora Globo). Só lamento não ter tido hipótese de ouvir o Brian Solis. A minha comunicação foi moderada pelo Armando Alves e o Nuno Ramos de Almeida esteve quase a perguntar pela fruta quando viu um determinado slide…

Uma nota final para destacar a Virgínia Coutinho: é fantástico verificar que ainda existe gente jovem disposta a arriscar e com muita carolice conseguir organizar eventos desta envergadura. Os meus parabéns para ela e toda a sua equipa.

Faltam 410 dias para o Fim do Mundo

Ora vamos lá falar de submarinos, essas máquinas infernais para determinados políticos portugueses naquele que aparenta ser o maior esbulho da década aos nossos bolsos. No dia em que Cravinho volta ao tema da corrupção dando mais um tiro no porta-aviões…

Entretanto, no i, ANLeite numa excelente entrevista. Quem o acompanha na blogosfera e demais redes sociais já não se espanta. Hoje é dia para Branquinho brilhar e demonstrar que a hora é de unidade interna. Ontem Pinto da Costa deixou pistas sobre o futuro. E que audiência!

O mundo está a ficar perigoso mas há sempre boas notícias.

O Leixões – Porto e o tesão do mijo

ONDE SE FALA DAS RAZÕES DO FALHANÇO DESTE ANO E DO NOVO RUMO PARA A PRÓXIMA ÉPOCA

Mais um empate e o título mais longe. Uma semana depois de o Benfica ter perdido dois pontos, acabámos por fazer o mesmo. Por culpa de quem? Obviamente, por culpa própria. Parece que aqueles jogos contra o Nacional e contra o Sporting não passaram do habitual «tesão do mijo» que costuma marcar a entrada de jogadores novos. Chegou Ruben Micael, pegou na batuta e parecia que tudo ia mudar, mas foi sol de pouca dura.
Como é óbvio, assim perdemos o campeonato e perdemos muito bem. Podem agora vir falar do Bruno Paixão, esse magnífico árbitro que já nos roubou um Campeonato em Campo Maior e que ontem nos roubou mais um «penalty» flagrante, mas isso é «tanga». Uma equipa que luta para o título não pode estar dependente de uma jogada, tem de jogar para ganhar desde o primeiro minuto e é isso que o Porto não sabe fazer.
As coisas são mesmo assim e não há volta a dar-lhes. Claro que, se fosse ao contrário, logo viriam os do costume falar de sistema, de fruta, de vergonha, dessas coisas. Como eu sei perder, ao contrário desses, e sei acusar quem deve ser acusado, falo de um falhanço completo que tem como principal culpado Jorge Nuno Pinto da Costa. O mesmo que foi responsável pelas vitórias do passado é responsável pela derrota do presente. Não se pode desmembrar completamente uma equipa, todos os anos, e esperar que o treinador no banco – ainda por cima um treinador normalíssimo – faça milagres. Quando não há adversário à altura, pode ser que seja suficiente. Como este ano não é isso que está a acontecer, os resultados estão à vista. [Read more…]

Imaginem o que não seria…

…se tivessem sido os Super Dragões e o atingido fosse o presidente do benfica:

O autocarro do F.C. Porto e o carro de Pinto da Costa foram apedrejados a cerca de dois quilómetros do Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, disse à agência Lusa fonte do clube.

As viaturas circulavam com escolta policial mas foram atingidas por paralelepípedos arremessados de um viaduto, após as portagens da A5, por desconhecidos.

O carro do presidente do F.C. Porto foi o que sofreu mais danos, com várias amolgadelas e a quebra do vidro da frente.

Como hoje é Sábado…

Ficamos a saber que Menezes não é candidato a líder, seguindo o exemplo de Marques Mendes e de Marcelo. Já só falta Aguiar Branco e Paulo Rangel. Já MFL prepara-se para juntar os trapinhos com José Sócrates.

Entretanto, Pinto da Costa bate recordes no Youtube e o Liedson ficou a saber que pode andar à batatada que nada lhe acontece, direitos de mercenário, segundo Duque.

Por fim, os Homens da Luta perderam a guerra e cortaram-lhes o pio. Mais um problema para a Justiça. Até o Twitter anda atarefada por estes dias e já nada é seguro. O que vale é que Cavaco quer um final feliz.

Continuação de bom fim-de-semana…

Situações polémicas? São às TÚNELadas!!!

Na mesma semana em que foram parar ao Youtube as escutas a Pinto da Costa feitas no âmbito do processo Apito Dourado, eis que surgem informações relativas a mais incidentes no túnel da Luz, desta vez ocorridos a 30 de Agosto de 2008.

Não que eu esteja a dizer que os casos estão relacionados. Não estou. Mas se referi as escutas ao presidente do FCP foi porque, numa delas, é revelado como se produz uma notícia falsa (eventual renúncia do Deco à selecção portuguesa), para servir um objectivo concreto (evitar/minimizar o castigo àquele jogador).

Ora a simples ideia de haver notícias falsas, fabricadas ou temporizadas, que têm por trás interesses pouco claros e isentos, faz-me estremecer. Acho difícil acreditar em tal barbaridade… É como virem agora dizer-me que nem tudo o que está na Wikipedia é verdadeiro e preciso ou, muito pior, que o Pai Natal não existe. Como poderia eu acreditar nisso???

Seja como for, uma coisa é estranha: se fiz bem as contas, entre 30 de Agosto de 2008 e 23 de Janeiro de 2009 passaram-se quase 17 meses. Parece-me exagerado. Por este andar, não me espanta se um dia destes der de caras com a notícia: “Fernando Chalana rasteirou jogador do Porto em pleno túnel, por este alegadamente lhe ter dito para ir cortar o bigode”.

Justiça à Portuguesa…

Aqui ESTÁ um bom exemplo de como empolar ainda mais a coisa. Quem sabe, vai-se a ver e as cópias surgidas no Canal Manhoso da Meo vieram de mão amiga na casa.

Uma notícia que deve ser lida com cuidado por ESTES meninos que hoje animaram o Aventar – podem ser os próximos a ser investigados pela PGR, ehehehehehe. E algo me diz que foram eles os responsáveis por ISTO…

Medo

É a palavra que justifica tanta preocupação!

São 25 anos sobre a morte de Pedroto, de que fala sua eminência?
É o aniversário de não sei o quê em Espinho, de que fala sua eminência?

Obviamente, a gente agradece tanta atenção!
São óptimos sinais!

FUTaventar – Domingos e o Pinto da Costa

São tão amigos, mas mesmo, mesmo tão amigos que o FCP até perde só para deixar o Domingos à mesma distância. Isto é que é camaradagem!

FUTaventar: Bruno Alves não joga para aleijar

Diz o Sougou.

 

 

Damião Romualdo, o portista absoluto

Descendo de uma longa linha de portistas e, como sabem, tanto quanto a genética, pode o costume. Na minha fase de rebeldia, nos tímidos ensaios que fiz de possíveis afrontas ao meu pai, a mais terrível foi dizer que, se calhar, ainda me fazia sportinguista.

Creio que ele percebeu que o tom não seria muito convicente e nunca chegou a demonstrar o choque que eu esperava. É claro que eu não acreditava no que dizia, e apenas consegui dizer “sportinguista” porque a imagem de proferir o pronome “eu” e o adjectivo “benfiquista” na mesma frase parecia-me não só assustadora como fisiologicamente impossível de concretizar.

O meu pai tem sido sempre a imagem do portista absoluto. Na primeira vez que lhe substituíram uma válvula cardíaca, acordou na sala de cuidados intensivos, percebeu, para seu alívio, que tinha sobrevivido, e fez, a custo, três perguntas que resumiam a sua mundividência: “A minha mulher? A minha filha? Como é que ficou o Porto?” O portismo do meu pai tem sido, desde que me conheço, uma das poucas verdades absolutas deste mundo. E como todas as outras, também esta recebeu um embate.

O meu pai leva vários dias hospitalizado. Como sempre aconteceu nas anteriores estadas no hospital, tornou-se o doente favorito de enfermeiros e auxiliares (nunca dos médicos, porque faz demasiadas perguntas), porque colabora em tudo o que pode e faz piadas a toda a hora. Tanto quanto percebi, havia uma espantosa amizade – tendo em conta o pouco tempo de convívio – com um dos auxiliares, que corria para dar resposta a cada um dos seus pedidos, com uma celeridade e uma bonomia que me fizeram pensar que a tão falada humanização dos hospitais públicos é já uma realidade.

No último fim de semana, o meu pai mudou de serviço e despediu-se do seu amigo. Pôde então contar-me o seu segredo. Perante a insistência daquele auxiliar, que era uma figura fulcral, de cujo dinamismo parecia depender a eficácia do serviço, o meu pai aceitou dizer aquilo que o outro queria ouvir, e assentiu que era benfiquista.

Sentei-me. Sentia-me zonza. Olhei para o meu pai à espera de ver o ar trocista de quem tinha acabado de pregar uma partida, mas, ao invés, deparei-me com um meio sorriso envergonhado.

– Ele estava sempre disposto a ajudar… Se eu lhe pedia um copo de água, ele ia a correr buscar. Se queria sentar-me ele vinha logo subir a cama. Quando eu não conseguia comer o almoço que traziam ele ia buscar um iogurte ou uma peça de fruta… E eu só tinha de dizer com ele…

Eu entendia, claro, mas… como integrar esta faceta do meu pai?

– Mas tu dizias-lhe que és… que és… benfiquista?!

– Mais ou menos. Dizia “esses andrades ganham tudo, não deixam ficar nada para nós!”

O meu pobre pai, tão pouco convincente, tentava fazer-se benfiquista elogiando o adversário.

– Ele falava mal do Pinto da Costa e aí eu já não me queria meter. A única coisa que lhe disse foi que também não acreditava que alguma vez o prendessem. “Sabe porquê que nunca o vão prender? Porque, se o fizessem, no ano seguinte o Custóias subia à primeira divisão!”

Respirei de alivio. Nenhuma daqueles afirmações de benfiquismo era credível e ocorreu-me que talvez o auxiliar nunca tivesse acreditado. Talvez, como eu, se comovesse com a figura daquele homem a quem a doença fragilizara, e que, a troco de uns gestos de companheirismo, aceitara negar a paixão de toda a vida e o admitia, agora, com vergonha, à espera da absolvição.