Vida

Isto não está fácil. Nada fácil. Pensei que era um problema daqueles minutos. Depois pensei que se ia resolver, quem sabe, no dia seguinte ou no outro, que agora começa, mas o problema está na mesma. Sem solução.

Tenho que escrever, mas não sei o quê. Quer dizer, até sei, mas os dedos não pressionam as teclas que eu quero, insistem, teimosas, em amarfanhar outros pedaços de plástico que, para o caso em apreço, não eram para aqui chamadas. Falei contigo no dia dos meus anos sobre os concursos dos profs, coisas banais e até falamos do que seria a tua vida profissional para este ano lectivo. Pensei mesmo que a “constipação” estava arrumada. Não estava. Foi uma surpresa quando vi o post no face da Graça.

Foi no Aventar que dei nota pública da partida de dois dos homens mais brilhantes que alguma vez conheci: Adriano Teixeira de Sousa e José Paulo Serralheiro. Ao ler, hoje, o que escrevi sobre eles, não tenho dúvidas – estás junto deles, junto dos homens singulares, aqueles que estão sempre presentes, ainda que alguns insistam em dar nota da tua partida.

E, ontem, mais uma vez, uma lição daquelas. Rumei à Figueira no Aventarmobile que o Fernando fretou. Fomos, como sempre fazemos, em amena cavaqueira (cruzes canhoto) politica, com histórias deliciosas, com bocas, com ironias e até com umas anedotas. Tivemos até tempo de falar da morte e dos rituais e como tu serias menino para aparecer ali e rir do logótipo à entrada daquela coisa. Mas, tu, até na hora do até já, consegues marcar. Não houve rituais, não houve palavras, nem sei sequer se houve gestos. Mas, para azar teu, rezei. Não sei porquê, nem para quê, mas senti essa necessidade que nem sequer é muito minha.

Pedi que ficasses junto dos maiores e que continuasses com o teu mau feitio a chatear esta malta. A dizer que falta a barra a dividir o texto ou que era preciso malhar naqueles filhos da…!

Eu sei que este poderá ser o parágrafo dos lugares comuns, mas vou correr o risco de te chatear mais uma vez: ainda que queiras, não consegues morrer. Porque vais continuar aqui, sempre presente, em cada linha que se escrever, em cada boca que conseguir mandar aos gajos da direita. Em cada linha a malhar no teu clube que (calma!) eu não vou escrever para respeitar o Aventar, esta casa comum, tão grande, mas onde não cabe  o futebol. E, enquanto eu me conseguir lembrar de ti, enquanto o Aventar se lembrar de ti, tu não morres. Estás lixado (aqui era para escrever outra coisa). Vais ter que nos aturar, ainda que não queiras.

Estou cá desde o primeiro dia – soube ontem que somos apenas três. E isso, ainda que não queira, deixa-me alguma responsabilidade acrescida. Este é mesmo o meu maior problema: como é que a gente se vai aguentar sem este chato que insistia em unir tudo e todos no Aventar?

Podias não concordar e até achar que um dos nossos meteu água, mas se é AVENTADOR é para defender até à morte. Quem se meter com um dos nossos leva, ainda que o nosso não tivesse razão nenhuma.

Pois, é isto. Termino sem dizer nada, mas foi só isto.

Meu caro, até já.

Um líder de megafone na mão

JJC VF

Pela primeira vez em muito tempo estou com uma dificuldade tremenda para escrever. Não que o faça com particular brilhantismo como tu o fazias, mas tal como tu tenho ganas de o fazer e não perdia – nem perco – uma oportunidade de deitar cá para fora aquilo que tenho para dizer desde o dia em que me abriram a porta desta casa. Mas hoje não está a ser nada fácil. A dor de te ver partir tirou-me o pio. E logo eu que sou um fala barato com o coração na boca. Vem-me à memória uma vez em que achei que estava a escrever “postos” a mais. Perguntei-te: “Achas que estou a exagerar cota?”. Respondeste-me: “Deixa-te de merdas e vai escrever puto. Um dia ainda fazemos o blogue do Joões.”. Como eu te admirava e que tónico foram essas palavras! [Read more…]

Um destes dias

“Um destes dias”, foi a data marcada para voltarmos a tomar café.

Assim nos despedimos em Coimbra, à mesa do “Santa Cruz”.

Mas, não aconteceu.

São as acções que não tomamos, que deixam os maiores vazios.

O preço de se tomar as pessoas, as coisas, o tempo, como garantidos.

Restam os dias que ficaram, entre os dias que passaram, registados na memória onde se arquiva e se consulta as boas partilhas.

De tudo quanto poderia escrever, hoje só sou capaz disto.

O resto é memória e vazio, que prefiro guardar para mim.

Um abraço, JJC.

adeus, João. dorme, meu menino.

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o ‘nosso’ Tózé, levou duas flores, João​. a branca era dele, a amarela era minha. não havia girassóis, mas esta gerbera amarela que o António​ levou por mim, porque eras ‘nosso’ é muito melhor que todos os campos de girassóis do mundo. não digo mais nada. obrigada só. e a certeza destas redes de ternura.

(a foto é do Paulo Abrantes​. as mãos do ‘nosso Tózé’. o amor, de todos)

deixa-me ser lamechas mais um bocadinho…. tem paciência…. a luz apagou-se nas janelas e eu ‘meto-me para dentro e fecho-as e dou-te as boas noites. para sempre. dorme, meu menino.

JJC, o magnânimo

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Com a partida do JJC, há algo que vos garanto: sempre que escrever no Aventar sobre o Acordo Ortográfico de 1990, não esquecerei o “o povo não come ortografia” com que ele me brindou há dois anos e tal, num daqueles acessos de fúria que só lhe acentuavam o charme — e ao qual retorqui da forma que ele merecia: com carinho e elevação (“O teu mau feitio, JJC, é proverbial. Ainda bem: para todos nós”). No dia em que o Manzarek morreu, o magnânimo JJC decidiu que umas linhas dele tinham sido feitas comigo a 4 mãos. Quando o conheci pessoalmente, em Dezembro do ano passado, durante um dos encontros mais divertidos de que me lembro, gostei tanto dele que prometi uma passagem por Coimbra, durante este ano, para repetir a almoçarada. Lá estaremos, JJC. Lá estaremos.

Até à eternidade

Apesar das muitas diferenças, sempre chocámos, defendendo os nossos pontos de vista com agressividade, entusiasmo, jamais com falta de respeito ou consideração pelo outro. Desde que te ausentaste que sentíamos a tua falta. Vais continuar ausente, mas nunca partirás por completo, a tua memória há-de permanecer no Aventar enquanto aqui escreverem todos os que contigo partilharam este espaço…

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

Devia morrer-se de outra maneira

jjc

(foto do FB do próprio datada de 2 de Outubro de 1978)

Para o José João Cardoso, um poema do José Gomes Ferreira.

Devia morrer-se de outra maneira 

“Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol, a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
“Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9horas. Traje de passeio”.

E então, solenemente, com passos de reter tempo,
fatos escuros, olhos de lua de cerimónia,
viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.

“Adeus! Adeus!”

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes…
primeiro, os olhos… em seguida, os lábios…
depois os cabelos… a carne, em vez de apodrecer,
começaria a transfigurar-se em fumo…
tão leve… tão subtil… tão pólen…
como aquela nuvem além vêem?

Nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…”

 

Que merda, João

Esta merda não se faz, João. Um gajo chega aqui e leva com uma notícia destas. A notícia. Esta. O João é um gajo terrível. Com um feitiozinho de mula, teimoso como eu e mais alguns poucos, e acho que foi por isso que nos demos bem. Eu, pelo menos, gostava dele bem antes de conhecê-lo. Lia o Aventar regularmente, comentava furiosamente muitos posts, muitos dele, e ele respondia, normalmente bruto, deliciosamente bruto, com quem dava prazer discordar.

E as vezes que discordámos. Um dia, juntamente com o Nabais, convidou-me para escrever lá. A mim, que escrevia num bloguezinho de segunda liga com umas 50 visitas por dia. Do que ele se foi lembrar. E disse-lhe, clara e abertamente, como disse ao Nabais, que não sabia se era capaz de escrever num dos blogues mais lidos. Um projecto enorme, com uns bastidores de trabalho que vão muito além do que é publicado. O que é que ele me respondeu? Vai-te foder e escreve.

E eu escrevi. E o João farta-se de reclamar, e eu com ele, seu esquerdista ranhoso, com esse braço de aço, incapaz de torcer, com a mania da perseguição estalinista. Portista, ainda por cima. Que merda, João.

Depois saí mas continuei a reclamar com o João e ele comigo. Continuámos a falar, sempre furiosamente, menos pessoalmente. Mas eu acho que é quando escrevemos que somos mais sinceros. E ele e eu somos uns furiosos por natureza. Era a beleza do João. Fodia tudo directamente, insultava como deve ser. Umas vezes subtilmente e as pessoas não percebiam, depois, outras, directamente. “Filho de 50 putas”. É o preço que paga por ser um gajo inteligente.

O João deu-me a Carla, a Noémia, o Dario, o João e soubesse ele o quanto me deu mais.

Eu acho que nunca lhe disse, mas eu adoro o João. E hei-de lê-lo no Aventar sempre que me apetecer rir e pensar e ficar chateado e discordar furiosamente dele. Deve ser por isso que este texto está escrito meio no passado e meio no presente.

Ele há-de estar a rir-se e a insultar-me também nalgum lugar. De uma forma tão pura como fazemos aqui no norte. E não vieste a Leça, pá. Que merda, João.

uma vez escreveste-me um poema e o que é um deserto?

uma vez escreveste-me um poema. não foi só uma vez. mas dessa vez. escreveste-me um poema. éramos, dizias, entre outras coisas, um desencontro de horários. o que era, ainda é, hoje mais que nunca, absolutamente verdade. mas nesse desencontro de horários que nós fomos, encontrámos sempre o tempo para nos encontrarmos. naquilo que importa. entendeste-me como, acho, até hoje e depois de uma certa morte, mais do que qualquer outra pessoa. sabias quem eu era. sabias. e eu sabia quem tu eras. nunca andámos longe, apesar dos horários. estive muitas vezes contigo, ao longo desta década e meia, desde que nos encontrámos, num horário coincidente, às vezes acontecia, tinha acabado de me acontecer uma coisa que só voltou a acontecer-me agora, contigo. ainda guardo o papelinho onde desenhaste o desencontro, num livrinho que anda sempre comigo. entre outros papeis e desenhos e pétalas e um monte de coisas, joão, com que me fui sempre agarrando à vida. andávamos sempre a dever jantares um ao outro. que pagámos sempre. acho que era a tua vez agora. disseste-me isso, a última vez que falámos ao telefone. mas eu deixo que não me pagues esse jantar. contrariada. mas deixo. será apenas mais um desencontro de horários. a última vez que estivemos juntos, fisicamente, foi dentro de um comboio. menos de uma hora, eu saí em aveiro e tu continuaste até coimbra. menos de uma hora e tu contaste-me coisas que me contavas só a mim e que eu, hoje e antes, guardei sempre. às vezes zangavas-te comigo, porque eu dizia coisas sem pensar. há uns tempos escreveste a ralhar-me. mas eu não me importei. importei e andei a chatear-te para que me desculpasses. sei que tinhas razão. e sei que foi um segundo até dizeres que sou tua amiga. um segundo a sério até dizeres que sou a tua amiga. a quem contavas as coisas. leio por aí que tinhas mau feitio. sei que é verdade. embora comigo, mesmo quando nos zangávamos, tenhas sido sempre ternura. uma vez escreveste-me um poema. não foi só dessa vez. mas dessa vez escreveste-me um poema. éramos, dizias, um desencontro de horários. mas as horas foram sempre certas, menos esta. os copos, os risos, as conversas, os jantares que nos devíamos sempre mutuamente, os ralhetes, as escadas da tua casa, as escadas do quebra costas, a minha varanda, os abraços, as confidências, o sermos – e sabermos isso um do outro – profundamente parvos. as horas foram sempre certas. somos um desencontro de horários. e desta vez é a sério. merda. e não há poesia bastante que apague este desencontro. nem a que (me) escrevias. nem aquele poema que não escreveste para mim, mas que eu adorava. o que é um deserto?

‘O mar ainda acredita nas ondas as areias
desdenham-nas. Amo-te: não diz o homem à
mulher. Acredito, não responde a mulher ao
homem. O mar fica rodeado de maçãs e pergunta:
o que é um deserto?

(João José Cardoso, ‘o que é um deserto?’)

A palavra morte, João, é só uma palavra…

…e foste tu que me disseste há um tempo largo. e havia música. e a palavra morte, João, nunca existiu. é só ir embora por um bocado maior do que o costume.

Recebi a mensagem

Era de manhã e eu ainda não sabia. Dei de caras com aquela parede, nem era suposto eu passar ali. Raios me partam se não é tão teu deixar um recado escrito numa parede.

A gente vê-se por aí…

Fui o responsável pela vinda do João José Cardoso para o Aventar. Deambulava em busca de novos autores quando parei no blogue dele, Vi um homem que viu outro que viu o mar. Não hesitei um minuto, ele demorou pouco a aceitar, a partir daí foi o que toda a gente sabe.
O Aventar já era um blogue conhecido antes dele, por causa da brincadeira com o anúncio a pedir apoiantes de José Sócrates no Público, mas com ele nunca mais foi o mesmo – as audiências dispararam, as iniciativas multiplicaram-se, os links e referências externas tornaram-se recorrentes.
Passámos os primeiros meses em lua-de-mel. Todos os dias, trocávamos ideias sobre o futuro do blogue e aguardávamos pela meia-noite para então festejar um novo sucesso, uma nova meta alcançada. Era isto todos os dias. Conhecemo-nos finalmente em Coimbra no «007» – Licença para Comer, naquele que foi um dos mais participados almoços do Aventar.
Tivemos as nossas quezílias. Zangámo-nos, estivemos meses sem falar, certo dia chamei-lhe de tudo. O João José Cardoso tinha um feitio que por vezes chegava a ser insuportável. De tirar a paciência a qualquer um. Mas era muito melhor do que eu. Dizia as coisas, mas passava-lhe rapidamente.
O respeito mútuo, no entanto, nunca desapareceu. Não posso dizer que fosse uma presença diária na minha vida – via-o duas ou três vezes por ano, não mais do que isso – mas sabia que ele estava ali. E que estaria ali sempre que eu precisasse. O contrário também era verdadeiro. Quantas vezes, depois de semanas sem falarmos, vinha ao meu mail desabafar sobre a sua vida privada.
Vi-o pela última vez, sem o saber, no almoço de Primavera do Aventar. Foi no restaurante da tia Orlanda, ali à beira da Cadeia da Relação. Pouco falámos, a não ser, já depois do almoço, numa esplanada em frente à Estação de S. Bento enquanto ele esperava pelo comboio para regressar a Coimbra. Quis levá-lo à Serrana, confeitaria lindíssima na rua do Loureiro, mas estava fechada. Ficou combinado para uma próxima.
O destino não quis que nos voltássemos a encontrar.
Dói muito perder alguém assim. E o que também dói é perceber tarde demais a falta que alguém nos faz.
A gente vê-se por aí, João José Cardoso. Nem eu nem tu acreditamos nisso, mas assim parece que custa menos.

A um João furacão

Não vou falar de ti na terceira pessoa. Não me mereces isso. Estás e estarás aqui, connosco neste mundo cibernético que tem sido parte da tua vida. É a ti que me dirijo e a ninguém mais.

Raramente conversámos os dois. Para mim, foste sempre uma mente superior. Inibia-me perante ti. Não sabia o que dizer ou escrever. Parecia que, fosse o que fosse que tivesse para dizer, tudo seria demasiado estúpido e fútil comparado com o que te ia na alma.

Comecemos pelo princípio: não gostei de ti antes de te conhecer e não gostei de ti depois de te conhecer. Quer dizer, da primeira vez em que estive contigo, nem deu para te conhecer ou para ter uma opinião sobre ti. Até, se bem me lembro, foste um gajo porreiro. Não nos dava jeito ir a um almoço do Aventar em Coimbra, pelos gastos todos que isso implicaria, e tu ofereceste-te para adiantar o dinheiro do almoço, que te seria restituído logo que possível. Não me senti bem. Nem sequer te conhecia, mas o Ricardo lá me convenceu. Ele, sim, conhecia-te bem. Nesse almoço, eu, ocupada com uma filha pequenina, que até creio ter estado também no teu colo, não conheci praticamente ninguém. Não deu para falar com ninguém. E poucas recordações tenho desse dia. Mas quando tive mais contacto contigo, numa noite em Coimbra, embora tenha gostado da conversa, não gostei de ti. [Read more…]

Postal para ti, João

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(foto do Paulo Abrantes)

Foi-se embora o meu Amigo e eu estou sozinha sem ele. Sozinha daquela solidão desamparada e infinita que vem da falta que inesperadamente nos faz o abraço. Até a pele. As noites sem dormir a conversar há muito tempo. Foi-se embora o meu amigo e eu nao sou capaz de acreditar que uma das pessoas que mais me conhecia os cantos nunca mais vai abraçar-me, ralhar comigo, cantar longamente cantar… Casar os livros dele com os meus. Respirar o mesmo ar. Até a pele. Quem vai agora dizer-me foda-se Elisa és sempre a mesma coisa? Quem vai agora dizer-me que as gajas inteligentes são mesmo muito estúpidas? Quem vai agora dizer-me que a minha memória é a de um suicida? Quem vai agora contar-me as notícias boas? Quem vai agora dizer-me que gostas daquela porque, vê la tu, escreve melhor que eu? Quem vai agora pedir-me que traduza poemas e cenas? Quem vai agora ler-me O Amor em Visita? Quem vai agora amar-me de uma certa maneira, amar-me como se amam os que se reconhecem? Foi-se embora o meu amigo e eu não sei se não lhe diga foda-se João ainda tinha coisas para te dizer. Uma agora mesmo. Ou nao sei se me ponha a chorar. Gosto muito de ti João. Acho que te disse muitas vezes. E estás em mim como a flor na ideia e o livro no espaço triste.

(Ao João José Cardoso​, que se precipitou claramente)

(O texto tem frases de O Amor em Visita, de Herberto Helder. Eu e o João sabemos porquê)

Lutaste sempre do outro lado da luta…


Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira
Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim

JJC

Há pessoas assim, excepcionais. No falar ou no estar ou no saber ou no lutar ou em tudo isso.
Notamos logo à primeira. ‎E nunca mais nos esquecemos delas. Passe o tempo que passar.
Era bom que fossemos todos assim.
Mas não somos.
Mas tu eras. E já cá não estás.

Há‎ tanto tempo que deixei de acreditar. Há tantos anos que sei que não é possível.
Mas é nestes momentos que gostava tanto de ser menino outra vez e voltar a ter fé e crer que ainda vou estar contigo outra vez.
Num sitio cheio de água das pedras e onde o nosso Porto ganha sempre.

Por ti respeito, muito respeito JJC. Grande JJC.

Adeus, camarada João José!

Casimiro Simões

Vieste de longe, para perto.
E no aconchego das margens do Mondego, sobretudo a esquerda, a velha e a nova esquerda que viveste por dentro e por fora, embora habitando, é certo, a pé firme e enxuto, a banda direita do rio manso, tão Basófias no tempo estival!

Algures na Alta e na Baixa, entre o Trunfo (Trunfé Kopus, carta na manga das repúblicas de Coimbra), a Rádio Universidade e uma efémera e certeira Lista E (“É pró que der e vier!”).
Um projeto associativo arrojado, de gente culta, livre e libertária, que, embora minoritário na safra dos votos, deixou fundas raízes na Associação Académica de Coimbra.

O bulício estudantil, nos anos 80 do pretérito século de Abril, nunca mais foi o mesmo.
Professor de História, abraçaste a intervenção cultural e política, sempre pela tal margem justa do rio, firme nas causas que foram tuas e que são nossas, bem como na criativa arte de esgrimir ideias pela escrita.

E logo tu, que tão bem soubeste pesar cada palavra redigida, como o oleiro molda há milénios as mais belas peças de barro, as quotidianas e as eternas.
Vais agora para longe, companheiro, sem nunca te apartares do coração daqueles que amam a vida fraterna e o ideal progressista de todos os tempos que nos convoca a toque de caixa e clarim.

Dá lá abraços aos nossos de sempre.
Outro para ti.
Sempre!

Nota – Tenho ideia de teres sido tu um dos culpados de eu ser hoje jornalista. Embora com juros de mora, tenho de te agradecer o teu reconhecimento e o teu incentivo.”

Apesar de nunca ter tido a oportunidade de o conhecer pessoalmente penso ser importante dizer que o João sempre foi alguém que me impressionou pela forma como defendia as suas opiniões e pela coêrencia que sempre o caracterizou. O João partilhava de principios salutares e defendia-os de uma forma que está a desaparecer: franca e livremente, sem constragimentos, sem aderir a esta ou aquela posição só porque “é suposto” ou porque “encaixa”. Todos os seus posts neste blog revelam esta independência de pensamento e este espírito crítico. E isto é tão, tão essencial, tão necessário.

O que é preciso são mais pessoas como ele. Até sempre, camarada.

Um homem não chora, João.

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Passavam 20 minutos da uma da manhã, estava eu deitado no sofá a fingir que via televisão e o meu telemóvel toca. A tentar recuperar do susto atendi, era o João José Cardoso ou, como indicava o visor, o JJC. Nessa altura eu estava no centro de um furacão por causa de uma entrevista e o João queria puxar-me as orelhas. Pelo que eu disse, como quase todos os amigos nessa altura? Não, pelo meu silêncio absoluto após a mesma. Era assim o João.

Um apaixonado por causas, fossem elas a sua Coimbra, as suas ideias, o seu FC Porto e a sua Académica, os seus amigos ou o seu blogue. E que apaixonado ele era. Ninguém, excepto os que o conhecem, imaginam o que era o João apaixonado. Nem imaginam as vezes que telefonava, fosse a que hora fosse, por causa das mais intensas batalhas da blogosfera. O Aventar isto, o Aventar aquilo, “publica pá, que se foda, temos de dar uma coça a esses gajos”. E quem eram “esses gajos”? Depende da época, da batalha, do momento. O importante era combater, não dar tréguas, ir à luta. Tudo menos falinhas mansas. Sempre de antes quebrar que torcer.

Aparentemente, estávamos ideologicamente distantes. Só aparentemente. Sim, o João era de esquerda e eu de direita e essa poderia até ser uma enorme diferença. Mas não era. O João era um homem de causas e essas não são património de nenhuma ideologia. O João era corajoso, frontal, por vezes até incómodo mas sempre genuíno. Era o que era e ou se amava ou odiava. Por vezes ultrapassava os limites? Quem nunca os ultrapassou??? Por vezes era violento na argumentação? Ora bolas, um exemplo de um homem apaixonado que nunca o tenha sido, um exemplo, um só? E como todos os seres apaixonados era igualmente apaixonante. Era assim o João. E porra, pá, um homem não chora!

Poucos dias depois, liga-me um amigo que faz o favor de ainda ser jornalista, para me fazer uma pergunta: “Quem é o João José Cardoso?”. Expliquei-lhe que era um amigo meu do Aventar. Ao que ele me responde que o João devia ser um grande amigo, daqueles do tamanho do mundo. A justificação era simples, o João, sem eu fazer a mínima ideia, andava entre páginas de facebook e blogues a desancar numa série de malta que, pelos vistos, me criticavam. Perdi o pio. Completamente. Era assim o João.

Por isso, quando hoje o João Mendes do Aventar me telefonou a contar que o João não tinha conseguido matar o filho da puta do bicho que se apoderou dele recentemente, fiquei sem palavras. Porque perdi um amigo, um grande amigo. E fiquei a pensar, “foda-se, devia ter-me metido no carro e levado a água das pedras que o João pedira ontem na sua página de facebook!”.

João: fica comigo, para mim, a nossa última conversa, tida recentemente na esplanada do “Santa Cruz” em Coimbra e tudo o que nela aprendi sobre a tua Coimbra. Nunca me passou pela cabeça que seria a nossa última conversa ao vivo e a cores, pá. Raios parta. Um homem não chora, João!

Até um dia destes.

João José Cardoso (1959-2015)

JJC
A vida é feita de notícias tristes e a de hoje envolve directamente o Aventar. Morreu o João José Cardoso, nosso autor desde o princípio. Estava internado no Hospital de Coimbra e não resistiu a um cancro que se revelou muito mais rápido do que se esperava.
Soubemos da existência deste «bicho mau» em Julho deste ano, quase ao mesmo tempo que ele. Deu-nos a notícia no seu estilo habitual, sem meias-palavras, anunciando a «provável ausência da minha pessoa» e distribuindo o serviço que tinha com ele. Que era muito.
Entre nós, combináramos nos últimos dias uma viagem a Coimbra, mas já não fomos a tempo.
O JJC, como lhe chamávamos, era a alma deste blogue. Há muito que era assim. Com as suas qualidades e os seus defeitos, com uma escrita brilhante, plasmada em mais de 4 mil posts, uma boa dose de generosidade e um mau feitio que por vezes chegava a ser irritante. Era daqueles que não se deixava ficar, que dava sempre luta, que combatia com convicção o que considerava errado. Lutou até ao fim, escreveu o seu último texto no dia em que morreu.
Dizer que o Aventar não será o mesmo sem ele não passa de um lugar-comum, mas é a mais pura das verdades.
Por aqui, hoje estamos de luto. Estamos e estaremos. Desapareceu um de nós. Porque tudo o resto passa a ser secundário, hoje será dia de recordarmos o nosso João José Cardoso. O nosso JJC.
Até sempre, amigo.

Das Eleições Legislativas – para onde foram 800 mil votos?

Muito já se escreveu sobre os resultados das legislativas de ontem. Quem ganhou, quem perdeu e outras afirmações ao mais puro estilo do pontapé na bola. Falta descobrir uma coisa: para onde foram os cerca de 800 mil votos da coligação?

Alguns podem afirmar que foram para a abstenção. Os números dão a entender que foi a maior abstenção de sempre em legislativas. Será mesmo assim? Tenho dúvidas. Aceitando que cerca de 500 mil portugueses deixaram o país nos últimos quatro anos e que os cadernos eleitorais continuam por rever (a quem interessa tal???), talvez a abstenção tenha, na realidade, sido menor que noutros anos – algo que já foi discutido e sentido em 2011. Mesmo assim, existiam menos de 200 mil eleitores nos cadernos eleitorais (9.439.711) em relação a 2011 (9.624.133) e acresce outros 200 mil que desta vez não votaram.

A coligação PàF venceu de forma clara mesmo tendo perdido mais de 834.597 mil votos e aqui reside a grande dúvida, para onde foram eles? O PS subiu 172.112 votos. Por sua vez, o Bloco de Esquerda subiu 260.180 votos e a CDU cresceu  2.467 votos. Ou seja, os partidos da esquerda tiveram mais 434.759 votos que em 2011. A abstenção cresceu cerca de 200 mil e outros tantos desapareceram dos cadernos eleitorais. Só nestes somatórios temos mais de 800 mil votos. Aparentemente, a explicação está aqui, nestes números.

E olhando, assim a cru, para estes números podemos ter aqui uma das grandes surpresas da noite: será que 260 mil eleitores da coligação em 2011 rumaram para o Bloco em 2015? Fica a pergunta.

(Note-se que as coisas não são assim tão simples e isto é um mero exercício de livre interpretação dos números, nada de confusões).

Projecções dão vitória à PaF

Chegou-me a informação que todas as projecções dão a vitória à PaF, mas nesta noite eleitoral estão outros dados em jogo.

As projecções vão dar uma longa noite eleitoral.

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As projecções que vão ser apresentadas às 20h00 poderão ter intervalos demasiado abertos porque as empresas de sondagens estão com muito receio de errar devido aos valores inesperados da abstenção. Começo a pensar que vamos ter tudo em aberto às 20h00 e uma longa noite eleitoral.

Sondagens: quando a bota não bate com a perdigota

É bem conhecida a tracking pool diária da TVI/PÚBLICO/TSF, da responsabilidade da Intercampus. Correspondem a 595 respostas (58.1% de respostas a 1025 entrevistas) obtidas por chamadas para telefone fixo (sim, parece que ainda há quem use telefone fixo). O resultado até ao momento é o seguinte:
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Boas notícias para a PAF, assim parece. Mas se olharmos para sondagem desta mesma empresa, com informação recolhida através de entrevista directa e pessoal, com base em questionário estruturado e elaborado pela Intercampus, utilizando a técnica de simulação de voto em urna e publicada a 8 de Julho, vemos que a pool diária em reflecte outras leituras: [Read more…]

Catalunha, quem ganhou?

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Hoje, mais de 77% dos eleitores da Catalunha foram votar. Que esmagadora vitória da democracia.

Sempre respeitei e admirei os povos que desejam a sua independência. Sempre. Por isso mesmo, ver nos diferentes media espanhóis, ao longo dos últimos meses e esta noite, defender que o desejo dos catalães pela sua independência é ilegal por violar a constituição espanhola é, no mínimo, surreal. Feita esta ressalva, vamos à realidade.

Os partidos defensores da independência da Catalunha venceram claramente estas eleições. A coligação de Artur Mas (actual presidente da Região Autonómica da Catalunha) obteve pouco mais de 39% dos votos e elegeu 62 representantes no parlamento. A maioria absoluta atinge-se com 68. Contudo, aos representantes da coligação “Junts pel Sí” (Artur Mas) teremos de somar os 10 da CUP (8,2%), igualmente defensores da independência e dessa forma os movimentos independentistas conseguiram obter a maioria absoluta (72 parlamentares). Contudo…

Artur Mas avançou para estas eleições procurando (e afirmando) transformar umas eleições regionais num plebiscito. Ora, enquanto eleições regionais, os independentistas venceram claramente e até conseguem ter maioria absoluta no parlamento. Porém, se olharmos como se fosse um plebiscito a confusão está lançada. As duas forças defensoras da independência somam menos de 50% e nessa matéria perderam.

Então, qual a resposta à pergunta que faço no título deste artigo? Ninguém ganhou.

1. Não ganharam aqueles que defendiam o plebiscito porque não conseguiram ter uma vitória verdadeiramente expressiva. Nem tão pouco conseguiram ter 50% dos votos expressos e nem me parece que uma independência se obtenha com resultados destes. Mais, perderam porque cometeram o erro crasso de tentar transformar umas eleições regionais num plebiscito por um único motivo: eleitoralismo primário com o objectivo de mera sobrevivência política de Artur Mas que estava em queda livre junto da opinião pública catalã (os recentes escândalos de financiamento partidário no seu partido, CiU, assim como a crise económica na região estavam a minar a sua base de apoio – note-se que mesmo com este resultado, a CiU e a ERC perderam representantes no parlamento e baixaram 10 pontos em termos eleitorais)

2. Não ganharam os partidos do “centralismo” espanhol, o PP e o PSOE que, juntos, apenas conseguiram eleger 27 representantes (em 135) e tiveram pouco mais de 20% dos votos (12,7% para o PS e 8,48% o PP). O seu discurso contra a independência da Catalunha, toda a campanha de chantagem (até os representantes dos empresários da Catalunha vieram a público dizer que mudavam as suas empresas para outras regiões sem esquecer a interferência da Comissão Europeia e até, imagine-se, de Obama!) que fizeram foi severamente castigada. Sublinhe-se o desastre eleitoral do Partido Popular que teve 8%…

Ou seja, a divisão na Catalunha vai continuar. Pouco menos de 2 milhões de Catalães votam nos partidos que defendem a independência e outros tantos votam nos partidos que querem continuar integrados em Espanha. E com quase 80% de eleitores a votarem penso que não existe outra leitura possível.

Se os movimentos independentistas querem ter credibilidade então terão de mudar. Mudar de lideranças, unirem-se em torno de um só movimento com um verdadeiro líder unificador e conseguirem obter um resultado eleitoral verdadeiramente esclarecedor (no mínimo 60%).

Se os contrários à independência da Catalunha querem ser olhados com seriedade e continuarem a defender a democracia então aprovem o referendo na Catalunha e deixem o Povo decidir.

De outra forma, ninguém ganha e a prazo quem se vai “lixar” é o mexilhão.

Sobreviver a um comício

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Fui a um comício. Não foi fácil. Ao meu lado estava sentado um velhote que parecia tão à rasca como eu. Várias vezes nos entreolhámos um bocado aflitos, por manifestamente não sabermos aquelas letras e aquela performance de cor. De tanto em tanto tempo, os que estavam sentados ao nosso lado levantavam-se e diziam coisas, umas frases que tinham decorado e que agora repetiam. Pareciam cidadãos iguais a nós, uns quaisquer da população, como nós ali sentados, mas eis que de repente não eram. Sentimo-nos sozinhos naquela nossa condição, que afinal não era assim tão simples.

Tudo piorou quando alguém nos entregou umas bandeiras, acompanhadas de uma ordem para as pôr no ar quando chegasse o momento. Ficámos ali com ar de parvos com as bandeiras na mão, sem saber o que fazer com elas – que ainda por cima impediam que pudéssemos bater palmas se quiséssemos. Nós por vezes até queríamos, porque se disseram coisas muito importantes naquele comício. Coisas verdadeiras, graves, que não tinham nada de festivo mas mereciam o aplauso de serem enunciadas sem medo.

Quando chegou o momento de pôr as bandeiras no ar foi especialmente doloroso. Olhámos um para o outro e juraria que pensámos o mesmo: sair dali o quanto antes. Como não fosse propriamente fácil, dada a multidão compacta que nos envolvia, nada fizemos. Limitámo-nos a ficar ali sentados, cada um a tentar livrar-se da bandeira como podia [Read more…]

Escândalo! (ou do inadmissível… ou ainda dessa ‘integração’ chamada Praxe)

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Este papelinho foi posto a circular no ‘campus’ da Universidade de Aveiro onde, como alguns saberão, tenho o enorme gosto de desenvolver as minhas atividades profissionais de docência e investigação.

Este papelinho ilustra muito bem o que são a praxe e os ‘valores’ dos praxistas, assim como a sua elevada noção de “justiça” e de “integração”.

Os autores do papelinho usam como título a palavra ‘Escândalo’. Eu considero que é um escândalo, sim, mas não pelas razões que o papelinho expõe. O escândalo reside, entre outras coisas, no facto de alguém por isto a circular dentro do ‘campus’ universitário, utilizando o símbolo institucional da Universidade de Aveiro (de forma absolutamente indevida). O escândalo reforçar-se-á se esta instituição não responsabilizar e punir disciplinarmente estes ‘justiceiros’ do ridículo, para dizer o mínimo*. O escândalo reside ainda na promoção da discriminação de alguém com base na sua orientação sexual e nas suas escolhas pessoais. O escândalo reside na ofensa que este papelinho representa para todos os membros da comunidade académica, eu incluída.

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Guia para a visita de Nuno Crato ao concelho de Pombal

Quanta honra. O ministro da Educação, Nuno Crato, visita hoje, dia 16, o concelho de Pombal. O programa de visita ainda não foi divulgado, mas sabe-se que prevê quatro paragens, em tempos de abundança.
– Centro Escolar de Almagreira (9h45)
– ETAP (10h50)
– Escola Marquês de PombaL (12H00)
– Escola Secundária de Pombal (12h25)

Uma manhã em cheio para Crato. Como é a primeira vez que vem a Pombal, nesta legislatura, vamos fazer a gentileza de lhe preparar um guião para a visita.O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, intervém na assinatura de protocolo para instituir o projeto KEY for Schools Portugal, esta manhã na Escola Secundária Dr. António Carvalho de Figueiredo em Loures, 13 de setembro de 2013. MIGUEL A. LOPES/LUSA

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Cartoline di Roma #2

La pioggia su Roma ed essere a metà strada*

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Não é preciso dizer-vos que perdi o pequeno almoço. Já é um clássico, onde quer que vá. Levantei-me ja passava das 11h. Dormi pouco e mal. tomo banho e visto-me e saio para a rua rapidamente. A Piazza Bologna está praticamente deserta. Está calor como ontem, mas o céu anuncia que a chuva virá. Lembro-me que não trouxe chapéu de chuva. Mas penso que tanto faz e que se for preciso compro um algures. Antes tinha visto uma mensagem no facebook do Stefano que me dizia bom dia e que ia fazer isto e aquilo e que talvez por volta das nove estivesse livre. Respondo-lhe que então, falaremos depois. No bar da esquina, aqui mesmo em frente ao hotel, bebo um sumo de laranja, um espresso e como um croissant com doce. Desço as escadas do metropolitano. O jardim está deserto, mas alguém deixou uma garrafa em cima da fonte com uma rosa vermelha. Considero aquilo um bom sinal. Não sei que sinal, nem sei por que o considero bom. Mas desço as escadas a pensar em coisas boas.

Tomo o metro em direção a Termini, claro. Aqui tomo outro para a Piazza de Spagna. Não tenho um plano bem definido para hoje. Não tenho um plano, ponto. Mas há lugares onde quero regressar. Não ao Vaticano, seguramente. Uma vez é suficiente. E já o visitei antes. Não é sítio onde queira voltar. Demasiada pompa e demasiado embaraço diante de tanta ostentação. Lembro-me que quando visitei o Vaticano estava um calor abrasador e desagradável. Lembro-me que dentro da Capela Sistina nos trataram como se fossemos gado, sempre a mandar-nos avançar. Não, o Vaticano não é definitivamente, um lugar a que queira regressar. Uma vez na vida creio que será suficiente. Tão pouco penso em regressar ao Coliseu. Ainda ontem lá passei à noite. Está no mesmo sítio e deve continuar bonito como dele me recordo. Mas não está nos meus planos hoje ficar em filas infindáveis para ver o que já foi visto. No entanto, há lugares onde gostaria de regressar e é esse o meu plano, dentro do plano que, afinal, não tenho.

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PAF: Passos a Fugir (2)

zina de conforto

Entrevistas de passadeira estendida são sempre manteiga em nariz de cão. Debate onde se seja de facto confrontado é que é melhor não.

Questionado sobre se Passos Coelho irá dar mais entrevistas, Matos Rosa  [director de campanha] diz que a questão está em aberto e que a única recusa foi a participação no novo programa dos Gato Fedorento, na TVI. “A estratégia não se comunica, executa-se”, disse. [P]

E sujeitar-se à “crítica política embriagada” dos Gato Fedorento, jamais.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, não vai estar presente no programa Isso É Tudo Muito Bonito, Mas (…) “Acho que a única esperança é convencer a chanceler alemã, Angela Merkel, a vir ao programa. Conhecem aquelas varejeiras que andam sempre atrás das luzes roxas”, questionou Ricardo Araújo Pereira, na conferência de imprensa de apresentação, sempre pontuada pelo humor. “Nesta metáfora, Merkel é a luz”. [Sábado]

Quem é que uma vez recomendou que saíssemos da zona de conforto? Pois. Aplica-se à personagem. Suspeito que o medo de Passos em ir a este programa venha a ser tema para durar.