E pronto. Terminou a participação de Jerónimo de Sousa nos debates das Legislativas. Nem com o impulso dado pela Festa do Avante; nem com o Red Bull; nem com uma divorciada jeitosa à sua frente. Jerónimo de Sousa nunca arribou e foi sempre do mais sensaborão e entediante que se possa imaginar.
Hoje também. Falou-se de política e falou-se de economia. As regras foram cumpridas, como são sempre que o primeiro-ministro não está presente. As diferenças ideológicas ficaram bem vincadas, mas Jerónimo devia ter respondido quando Manuela Ferreira Leite, demagogicamente, disse que os impostos sobre as empresas já estavam muito altos, esquecendo que era dos Bancos que se falava, e que os Bancos continuam a pagar menos impostos do que as Pequenas e Médias Empresas.
Raios te partam, camarada Jerónimo. O que te vale é, mesmo depois das tuas tristes prestações, vou continuar a votar em ti.
O debate Jerónimo de Sousa – Manuela Ferreira Leite. Raios te partam, camarada Jerónimo!
9 fora
Até tinha vindo de pizza, fresca e à medida, para casa onde me esperava a meia final de uma Casa do Arrabalde, alvarinho arintado branco e no fresco, mas durante 90 + 10 minutos mal olhei, bem virado para ela, para a televisão que até é nova e grande, mais entretido com um velho tetris (perdi o link).
Estavam uns gajos de vermelho e branco a jogar com uns de branco e vermelho, sei que quem marcou foi o Pepe, e que a luta continua.
Não sou muito daltónico, mas só um guarda redes era do Braga. Fiz uma pontuação razoável, nível 7, para quem não tem ido aos treinos.
Também é verdade que já tinha visto esta do 24h, e sossegara. Com a Virgem do Scolari, um gajo experimenta tetris à vontade. Já agora, Pepe, marca mais golos mas no fim fica rouco. Áfono. Andas a falar como se o Futre tivesse jogado no Belo Horizonte. Foi quando acordei.
O eduquês à moda de Maria de Lurdes Rodrigues (I)
Como já disse aqui, neste ano lectivo fiquei colocado perto de casa. Com o fim dos QZP, estava preocupado porque não tinha conseguido tornar-me QE. Ou melhor, QA, como agora se diz. Bem bom, acabei por ficar colocado via DACL (não por DCE ou DAR, não venham já com a treta dos privilégios)!
Pior ficou uma amiga, CN há 10 anos, que teve de se contentar com os EPE, como acabei de ver na DGRHE. Mas compreende-se, não tem PF, apenas PP, e, por incrível que pareça, só tem habilitações do nível BFC. Já o namorado dela, por ser FIN, nem sequer pôde concorrer.
Mal entrei na escola, dirigi-me ao PCE, que me deu uma cópia do RI e me esclareceu, para eu ficar descansado, que esta escola não é um TEIP. O que não quer dizer nada, claro está… Disse-me também que fazem parte do Agrupamento, para além desta Escola, um JI, uma EBI e várias EB1, onde se leccionam as AEC.
Recebi também o meu horário. Felizmente, não vou ter nenhuma turma de CEF. Para além das turmas regulares, vou dar assistência ao GABAPAL e à BE, para além, claro, das inevitáveis AS.
Nesse mesmo dia, tive a minha primeira reunião de DCSH. Por ser SC de Grupo, vou ter algum trabalho burocrático, no qual se inclui a elaboração do PCG. Esteve presente um colega das Ciências, que nos falou da importância do PTE.
Nada que se compare, no entanto, ao trabalho que vou ter como DT.
Aliás, no CT que dirigi, e que se realizou no dia seguinte, deparei-me com a dura realidade: fazer o PCT, organizar o PEI (antigo PIA), fazer a interligação com o SPO e com o CPCJ, escolher os temas gerais das ACND (AP, FC e EA) e ainda motivar os alunos para o PNL, para o PAM e para o PES. Ufa! Felizmente, vou ter a colaboração dos restantes elementos do CT e dos EE.
Ainda por cima, tenho de falar com as professoras do EE por causa dos alunos NEE e tenho de encaminhar alguns deles para a ASE.
Depois disto tudo, bem podem vir com os OI, com a AA e com a palhaçada da ADD. Não mexo uma palha. Porque do que eu precisava mesmo era de uma LSV!
Agora vou embora que ainda tenho um PAA para acabar. Felizmente, o PPA já está feito. Amanhã, há reunião do CP, mas felizmente não faço parte desse órgão. Em contrapartida, terei de estar presente numa reunião do H1N1, em que durante três horas me vão ensinar a lavar as mãos.
Hungria – Portugal, ou a escola do FC do Porto a funcionar em pleno
Cruzamento de Deco, golo de Pepe e aí está Portugal ainda na corrida para o Mundial da África do Sul. Com um Raul Meireles raçudo como sempre no meio-campo e um Bruno Alves imperial na defesa, só se pode concluir que a escola do FC do Porto continua a funcionar em pleno. À frente, um Liedson lutador e, em relação ao dito melhor jogador do mundo, a miséria do costume.
Quem não quer ver é… como direi sem ferir susceptibilidades? – faccioso…
QUANTA DIFICULDADE, MAS LÁ ACABAMOS POR GANHAR
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E, GOLOS, SÓ DOS BRASILEIROS, PERDÃO, PORTUGUESES
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Difícil, muito difí
cil, mas lá acabamos por ganhar. Mas foi preciso que, logo no início do jogo, Deco marcasse o livre e Pepe marcasse o golo. Já o golo do jogo anterior foi de Liedson. Todos Portugueses naturalizados. Que se há-de fazer? Não se pode mudar nada, não é?
Ganhar, ganhar, só com Malta, Albâbia e Hungria. Todas grandes potências do futebol mundial. Todos jogos fora. E os que nos faltam, são em casa, onde nunca ganhamos nesta fase. Faltam de novo a Hungria e Malta. Será que conseguiremos vencer?
A Hungria passou o tempo quase todo a defender, é verdade, e mesmo assim iam marcando mais de uma vez nos minutos finais, e nós continuamos a só atacar e a não finalizar, sofrendo a bom sofrer até ao fim do jogo. E o tal senhor que é o melhor do mundo, de quem eu já disse noutra altura que não gostava, continua a só marcar no campeonato Inglês ou Espanhol.
Deve ser culpa minha, o não gostar destas coisas assim, já que os jogadores são dos melhores que há, e o treinador, o melhor é nem falar.
Hungria – 0, Portugal – 1. Nós somos mesmo bons, carago!
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JM
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Ainda o iberismo (I)
Tinha prometido não voltar a este tema, pois dizem que falar muito dos fantasmas lhes pode dar entidade corpórea. Contudo, uma sondagem que para aí circulou no princípio de Agosto, aqui referida pelo Luís Moreira num post de 5 desse mês, constitui um desafio e uma tentação. E, tal como acontecia com o Oscar Wilde, eu resisto a tudo menos às tentações. Ainda por outro lado, gostaria de comentar dois comentários que me chegaram do interior do estado espanhol – um do meu querido amigo Josep Vidal, de Barcelona, e outro de um leitor galego.
Houve uma sondagem, feita há três anos pelo Expresso, que indicava que 27% de portugueses estavam dispostos a uma união com o estado espanhol. Neste estudo, mais recente, o da Universidade de Salamanca, a percentagem subiu para 40%. Alarmante? Acho que não. Começo por não acreditar na isenção desta sondagem (nem na da anterior) É um estudo mais do que suspeito. A Universidade entrevistou 876 pessoas em Portugal e em Espanha, nos meses de Abril e Maio. Que pessoas? Quantos portugueses, quantos espanhóis? Em que regiões de ambos os territórios? A que estratos sociais e a que faixas etárias pertenciam os entrevistados? Todos sabemos que é na composição do universo seleccionado previamente que os resultados das sondagens se manipulam.
Curioso é que o trabalho tenha sido feito pela Universidade onde o grande intelectual Miguel de Unamuno foi reitor e onde os falangistas, gritando «Viva la muerte!», em 1937, o levaram a uma histórica intervenção e a morrer de angústia pouco depois. Pelos vistos, o espírito do velho mestre, um iberista e não um anexionista, já não paira pelos claustros da vetusta instituição salmantina – quem encomendou a tal sondagem – uma coisa chamada Barómetro de Opinião Hispano-Luso – pagou e hoje em dia tudo se compra e vende; pelos vistos, até mesmo a honorabilidade de universidades centenárias.
Não acredito na isenção desta sondagem, tampouco creio na da anterior, mas acredito ainda menos na «coincidência» da reiterada insistência com que este tema vem sendo abordado – as sondagens, as declarações de Saramago, as de Arturo Pérez-Reverte, a afirmação de «iberista confesso» feita pelo ministro Mário Lino em Santiago de Compostela, a entrevista de Ricardo Salgado, do Banco Espírito Santo ao Público, para não falar no clamor, que sobre este tema, vai pela blogosfera, faz que eu não acredite em «inocências» e muito menos em «coincidências». Pensar que tudo isto obedece a uma orquestração seria alinhar na desacreditada «teoria da conspiração»?
Creio que não seria, porque não faz sentido chamar «conspiração» a uma tentativa canhestra de criar um movimento de opinião favorável à união, ou seja, à absorção de Portugal pelo estado espanhol. Tentativa falhada ou falsa partida, pelo menos para já. Ao contrário do que diz a locutora espanhola no vídeo, em Portugal o assunto só não morreu porque não chegou a nascer.
Nas tais declarações de finais de Julho passado de Ricardo Salgado, líder do Banco Espírito Santo, ao Público, vem defender o TGV «como forma de acelerar a construção da Ibéria». A Ibéria está construída – é um conjunto de países que deveriam ser todos independentes. E se assim fosse, espanhóis (designemos deste modo os castelhanos e os seus colonizados mais submissos, os andaluzes, por exemplo), bascos, catalães, galegos e portugueses, poderiam talvez pensar numa federação de Repúblicas, unindo-se para o que fosse comum e continuando autónomos para o que não é susceptível de ser amalgamado – a língua, a cultura, a história… Mas a esperança do homem do BES nada tem a ver com iberismo – acha é que o seu banco teria uma expansão maior se estivéssemos integrados num espaço comum com as regiões ricas de Espanha – Madrid e Catalunha.
Em entrevista ao Diário de Notícias, em Julho de 2007, José Saramago defendia a mesma coisa: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos», acrescentando que não seria uma integração cultural e dando o exemplo da Catalunha: «A Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto de Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis.» Porém, mais adiante, desdiz-se, quando o jornalista pergunta se Portugal seria mais uma província de Espanha e Saramago responde: «Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla-La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria.» O escritor defende, pois, a anexação, o desaparecimento de Portugal no meio das regiões autónomas. É uma «ideia absurda» – Cavaco disse algo com que concordo – e aventá-la é fazer o jogo de quem nos quer absorver e de quem quer ser absorvido.
Há tempos, Mário Soares, posto perante a questão, assegurou que o papão da perda da independência já teria passado à história, achando mesmo que podemos com base neste «espaço integrado ibérico, fazer trampolim para termos uma influência efectiva na Europa». Pela mesma altura, Joana Amaral Dias, na época assessora da campanha de Soares, opinava que neste projecto de união se podia ver os sinais de «um novo internacionalismo». Claro que a Joana não deve fazer ideia do que é o internacionalismo – pode estar certa de que um país perder a sua soberania a favor de outro estado, nada tem a ver com tal conceito. Provavelmente a exclusão da Joana Amaral Dias das listas do BE terá também a ver com a sua sede de protagonismo e com a sua incapacidade para ficar calada mesmo quando se trata de temas que não domina (como nota à margem, diga-se que é verdadeiramente espantosa, num partido que se reivindica do Socialismo, a tendência para escolher figuras mediáticas, mesmo que fúteis como a Joana – que o Bloco recusou – ou indo a extremos ridículos, como a escolha para «mandatária para a juventude» de Carolina Patrocínio: é bonitinha – não tão bela como se supõe – mas intelectualmente medíocre e de um burguesismo de caricatura – uma Lili Caneças adolescente. Como é possível? O que tem esta gente a ver com o Socialismo?).
No plano da comunicação, vemos envolvidos nesta campanha de tentativa de intoxicação da opinião pública portuguesa, além do El País e dos já referidos semanário e diário portugueses, outros órgãos ditos de informação onde o capital espanhol tem um peso significativo, como é o caso da TVI e da Rádio Comercial, ambos da Prisa – Media Capital. Mas a própria RTP, a estação de serviço público, sustentada com o dinheiro dos nossos impostos, dá uma mãozinha – remeto-vos para um texto que aqui publiquei há semanas atrás sobre «Tele-política». Já em Dezembro de 2006 a RTP dedicara um largo espaço informativo à ideia da criação da «eurociudad» Elvas-Badajoz.
Como dizia Francisco Martins Rodrigues no seu texto «Ibéria», publicado no livro «A Galiza do Século XXI – Ensaio para a Revoluçon Galega», 2007, é uma campanha «promovida a partir de cima». Com a clareza de linguagem que o caracterizava, Francisco Martins Rodrigues, afirmava que «a Espanha se tornou em poucos anos a potência colonizadora de Portugal em termos económicos.» E que, embora os governos falem de um «saudável intercâmbio de investimentos», «a dimensão dos grandes grupos espanhóis cilindra autenticamente quaisquer veleidades do capital português». E cita os grupos que são «o rosto de uma autêntica invasão de capitais» – Santander, Iberdrola, Repsol, Prisa, Zara… Pro
vo
cando, segundo Martins Rodrigues, uma subversão do tecido capitalista tradicional.
Lucidamente, como sempre, denunciava, há dois anos, aquilo que agora se tornou muito claro – a tal campanha promovida a partir de cima quando, em 2004, o director do semanário Expresso e o banqueiro José Manuel de Mello levantaram a dúvida se Portugal, dada a fragilidade da sua economia, tinha viabilidade como nação. E perguntavam – «porque não dividir o país em duas ou três regiões e incorporá-lo no estado espanhol». Creio que é isto que em linguagem de mercearia se chama «vender a retalho» (embora à luz do Código Penal tenha um nome mais dramático…). O texto do Expresso foi mal acolhido e os promotores da «ideia» meteram (provisoriamente) a viola no saco.
Agora aparece este estudo, oriundo de um tal Barómetro de Opinião Hispano-Lusa 2009 e realizado pela Universidade de Salamanca. A ideia da jangada de pedra, lançada há vinte e três anos por Saramago e que pareceu uma inocente parábola literária, era afinal na cabeça do escritor um projecto político que na entrevista de há dois anos ao Diário de Notícias aparece definido com palavras claras. Como parábola literária era interessante, pois salientava a singularidade das gentes desta ocidental península europeia; porém, como projecto político é surpreendentemente disparatado e insensato. Então o José Saramago, em nome de um «bom senso» que lhe deve ter sido incutido pela Pilar, manda às urtigas quase nove séculos de História, a cultura a língua? Ainda por cima, numa altura em que a jangada aqui ao lado está a meter água.
«Posts» históricos da blogosfera: Heresia – Por uma vez Bagão teve razão
«post» anterior aqui)
Escreveu-se no 100nada: «Os benefícios fiscais dos planos de poupança habitação e poupança reforma vão sofrer uma redução ou mesmo desaparecer. O Ministro arranjou uma forma rápida de conseguir uma receita maior. Rápida e de curto prazo. Com a desculpa de maior igualdade e outras palermices, penaliza a classe média que já paga os seus impostos e que não vê resultados práticos da aplicação eficiente desses recursos.»
Não posso concordar e todos aqui imaginam que me custa apoiar Bagão Félix. Mas o fim de muitos dos benefícios fiscais é mais do que justo. Por três razões:
1. Só pode beneficiar deles quem tem mais dinheiro para gastar (serão muito raros os contribuintes que, recebendo 800 ou 900 euros mensais, desviem os seus parcos recursos para um PPR). Bem sei que estão nos escalões mínimos, mas nem por isso deixam de estar incluídos no sistema e descontar para ele. Mais: só chega ao tecto máximo de deduções quem gasta mais. Só gasta mais quem tem mais. Os benefícios fiscais, favorecendo a classe média, põem a classe baixa a “contribuir” para as despesas de quem ganha mais. É uma distorção da justiça fiscal, que passa pela regra inversa: os que ganham mais ajudam os ganham menos. Os benefícios fiscais a investimentos em poupança em produtos fornecidos para os privados correspondem ao desvio de fundos públicos para o privado, prejudicando quem não usa (porque não tem margem para usar) os serviços privados. Quem se pode justamente queixar de pagar serviços públicos (taxas de saúde, propinas, etc), dizendo que assim se trata de uma dupla tributação, se depois quer que o Estado lhe pague os serviços privados?
2. Só beneficia de um planeamento fiscal complexo, como a enorme quantidade de complicados benefícios fiscais, o que exige um enorme conhecimento da lei, quem tem acesso a um contabilista ou advogado, o que, manifestamente, só acontece com quem mais tem. O sistema fiscal deve ser simples para os seus benefícios serem aproveitados por todos.
3. Os benefícios fiscais tornam a fiscalização mais complexa, desviando os esforços da máquina fiscal para uma fiscalização de minudências e não se concentrando no combate à fraude fiscal. A multiplicação de benefícios fiscais favorece a fraude fiscal.
Aceito que haja vantagens macroeconómicas no combate à inflação através promoção da poupança. Mas não me parece que esta vantagem valha a distorção da justiça fiscal.
No entanto, têm de me desculpar a desconfiança: ainda quero ver até onde chega esta proposta de Bagão Félix depois da reacção dos bancos. E quero saber se há algo de mais substancial para apresentar. Se Bagão aproveita a oportunidade para mexer nos inúmeros benefícios fiscais dados à banca e outras actividades não produtivas. Sou contra privilégios para a classe média (onde me incluo), mas estes estão longe de ser os mais escandalosos ou relevantes. As situações mais vergonhosas estão noutro lado e nessas, estou seguro, Bagão não tocará.
Daniel Oliveira, no Barnabé, 17 de Setembro de 2004
Daniel Oliveira, que hoje escreve no Arrastão, referia-se desta forma ao fim dos benefícios fiscais dos PPR, decisão tomada em 2004 pelo ministro Bagão Félix (Governo Santana Lopes). Tema interessante, sobretudo no momento em que José Sócrates critica o programa do Bloco de Esquerda relativamente ao fim dos benefícios fiscais dos PPR. Ou quando Bagão Félix, como refere Daniel Oliveira, esteve à Esquerda de José Sócrates.
José Paulo Serralheiro
Foi o melhor educador que tenho conhecido. Um sindicalista duro para a luta pelos seus. Foi valente, nem dormia para escrever e, especialmente para ensinar ou orientar aos seus colegas do Sindicato dos Professores do Norte.
Publicou um texto meu cada mês, lhe pareceu bem, e um livro. Fez de mim um escritor.
Mas, isso não interessa.
Foi um homem fiel a sua mulher, aos seus filhos e a sua causa. E aos seus amigos.
É com sentimento que escrevo estas letras, com uma lágrima que escorrega pelo olho. Mas ele não merece isso.
Merece ser denominado, como digo em outro texto que acompanha este: José Paulo Serralheiro foi o melhor educador que tenho conhecido. O melhor pedagogo e muito Senhor.
Escrevo estas letras um minuto após saber o seu falecimento, para o meu amigo fraterno.
Raul Iturra
Professor Catedrático do ISCTE-IUL
Membro do Senado da U de Cambridge, UK
Parede, Conselho de Cascais, 7-09-09
Coligação PS à esquerda – Coligação PSD à direita
É o que está no horizonte. Salvo se o PR forçar uma coligação ao centro à volta dos grandes problemas nacionais.
O PS terá que modificar muito do seu programa para chegar a acordo com o BE já que com o PCP é virtualmente ímpossível, a não ser apoios ocasionais no Parlamento.
Pode ter que deixar cair os Megainvestimentos e dar prioridade aos investimentos de proximidade e apostar decididamente nas PMEs e nos bens e serviços transaccionáveis e exportáveis. Avançar com os “clusteres” há muito considerados vantajosos para o país e apoiar o desenvolvimento de tecnologia média e avançada, inovadora.
Esta política é um engulho para o PS de Sócrates, este acha que a verdadeira governação se faz ao nível dos grandes grupos económicos, dos grandes investimentos, das grandes empresas públicas. Esta visão é que estes investimentos arrastam as PMEs e o emprego, mas é tambem a política que tem sido sucessivamente seguida, por ciclos de mais ou menos dez anos, sem resultados visíveis.
Claro que o país tem autoestradas e outras infraestruturas mas não tem sustentabilidade económica, o país após os grandes subsídios vindos da UE, não consegue criar riqueza. E a primeira autoestrada compreende-se que facilite a criação de riqueza e a mobilidade de pessoas e bens, as outras a seguir têm um impacto muito menor na economia, como é óbvio.
À direita o PSD não terá dificuldade em juntar-se ao CDS e em retirar o Estado de grande parte da economia, em potenciar o mercado e o tecido empresarial. Não tem vida fácil pois não poderá mexer no Estado Social, mas poderá tornar mais dificil o acesso ao SNS e fomentar a complementridade dos privados na saúde. Vai, concerteza, negociar com os professores, mas não terá espaço para deixar cair a avaliação (grande parte da população concorda com esta medida) e vai criar condições para que a Escola Pública ganhe autonomia.
O SNS tenderá para não ser gratuíto para uma parte dos portugueses e as proprinas ou outras benesses dos alunos cairão aos poucos. Estas medidas serão acompanhadas por pontuais baixas de impostos e por uma fiscalidade mais fácil, talvez no IRC para incentivar o investimento e no IVA para incentivar o consumo.
Como se vê o caminho é cada vez mais estreito e a dívida externa está aí como um cutelo sobre as nossas cabeças, é o que todos os políticos mais temem, e é exactamente por isso que não falam dela.
Como seria com mais empréstimos a taxas cada vez mais altas para financiar os megainvestimentos?
A Era dos Estúpidos
Estreia na América, no dia 21 de Setembro, um filme de nome “The Age of Stupid“, alertando para os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. Em Portugal, a estreia está marcada para 22 de Setembro, o que para os nossos governantes encartados tão dependentes de dados estatísticos provenientes do exterior, quer dizer que estamos atrasados em apenas 1 ponto percentual face ao desenvolvimento dos Estados Unidos. Cá, provavelmente, o nome do filme será traduzido para “A Era da Mudança”, pois, mantendo o nome original, pode ofender alguns estúpidos.
Numa altura em que se discute se somos uma sociedade mais justa e solidária que há 100 ou 200 anos atrás, se somos assim tão desenvolvidos e modernos ou se o comunismo ou o neo-liberalismo são a solução mágica para a vida em sociedade, um facto é inegável: vivemos numa era instável em termos ambientais. Eu pessoalmente até acho que caminhamos para um mundo cada vez mais injusto, desequilibrado, hipócrita e paranóico, e tenho quase a certeza disso, veremos o quanto em Dezembro na reunião do COP15, em Copenhaga. Mas isso é a minha opinião e isso vale o que vale. O que é um facto indesmentível e inabalável é que vivemos actualmente num mundo que está à beira de um colapso ecológico. E ainda por cima, causado pelo próprio Homem, que, ao que parece, não está muito inclinado em mudar de rumo.
09/09/09
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RONALDO E COMPANHIA
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Não gosto do Ron
aldo, o número nove (ou sete) que não marca golos. Não gosto do sr Madaíl. Não gosto do treinador de segunda categoria que temos. Não gosto da ideia de naturalizar jogadores para os metermos na nossa selecção, mesmo que sejam eles a marcar os golos de que necessitamos.
Caramba, até parece que não gosto de nada, mas não é verdade. Gosto da verdade desportiva, e gosto de ganhar. Ainda mais quando sei que temos dos melhores jogadores do mundo.
Hoje é o dia de todos os noves, mesmo que na melhor das hipóteses só sirvam se outros falharem onde não é suposto. O sr Queiróz, não quer ser quase, mas na verdade é quase nada.
O jogo de hoje, é mesmo só para encher calendário.
Ninguém no seu perfeito juízo acredita que consigamos o apuramento. Seria preciso vencer os três jogos que faltam e esperar que a Suécia claudicasse, e ainda que não fossemos o pior segundo, o que é tarefa quase impossível. E também porque se o conseguíssemos, e lá continuássemos a ser produtivos como até aqui temos sido, iria ser uma vergonha e o melhor teria sido não irmos lá.
De qualquer forma o meu desejo é que saiamos de cabeça erguida, fazendo bons jogos e conseguindo fazer valer as nossas figuras de topo.
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JM
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O mundo está mesmo diferente
Uma campanha de prevenção da SIDA mostra Hitler em ousadas cenas sexuais. Grande escândalo, polémica por todo o lado e toda a gente fala disso. Mas não é esse o objectivo de uma campanha de propaganda? Eu imagino o que aconteceria, se fosse hoje que se fizesse um desenho animado em que o Pato Donald aparece como um nazi!
Nos últimos 14 anos o PS está há 11 no governo
Não esqueçam, não deixem esquecer, não deixem que o PS fuja às suas responsabilidades.
Este país pelas mãos do PS empobreceu, não renovou o tecido empresarial, tornou-o mais injusto, continua a haver 2 milhões de pobres! É tempo de dizer basta!
Após todos estes anos o que tem o PS a oferecer se já teve todas as condições para modernizar este país? O que pode fazer para além do que está à vista de todos? Os negócios com as grandes empresas públicas, a OPA da Sonae, a venda da Galp, a tomada do BCP, do BNP e do BPP, os negócios finos da CGD, os contentores da Liscont, o “take over” da frente ribeirinha de Lisboa, a compra e venda da TVI, as dezenas de empresas penduradas na CGD…
E a criação de riqueza, as exportações, a atração do investimento privado, o desenvolvimento de uma Justiça e de uma administração amiga do investimento e da economia? Sempre abaixo das necessidades e nunca como prioridade. Dá trabalho, é preciso determinação, é mais fácil aumentar os impostos a níveis dos mais elevados da UE!
Não esqueçam, não deixe esquecer, não deixe que o PS fuja às suas responsabilidades!
Sobre benefícios fiscais é sempre bom ouvir um doutor de Coimbra
O problema com as deduções em IRS é que deixa de fora dos benefícios justamente os mais pobres, ou seja, os que nem sequer têm rendimento suficiente para pagar IRS. É por isso que os subsídios directos são mais eficazes, mais abrangentes e mais equitativos.
Vital Moreira, 10 de Julho de 2008
Para reduzir o défice das contas públicas
Ainda por cima, trata-se em geral dos titulares de rendimentos acima da média, não poucas vezes caracterizados por uma elevada evasão fiscal (industriais e comerciantes, gestores, profissionais liberais, etc.). Duplo privilégio, portanto.
Vital Moreira, 22 de Abril de 2006
Os benefícios fiscais à poupança no IRS têm três efeitos negativos: tornam o sistema fiscal mais complexo e mais difícil de fiscalizar, têm elevados custos fiscais (redução da receita) e favorecem os titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais deles aproveita, diminuindo a progressividade real do imposto.
Vital Moreira, 10 de Setembro de 2005
25 Guitarras de Aço
o último número de Classic Rock apresenta-nos o especial «os melhores 100 guitarristas de todos os tempos escolhidos pelos melhores 100 guitarristas vivos». os critérios são unicamente pessoais. algumas das escolhas são previsíveis. steve rothery (marillion) prefere david gilmour (pink floyd), jimmy page (led zeppelin) escolheu jack white (white stripes, raconteurs e dead weather) e david gilmour escolheu jeff beck (john mayall bluesbrakers, yardbyrds, jeff beck group). algumas supresas. a fraude mark knopfler, muito apreciado nos 80’s, não está lá. poucos são os guitarristas dos 90’s citados, apesar de aparecer o inevitavelmente discutível slash (guns and roses) citado por jonnhy rocker (heaven’s basement). supresa das supresas: john frusciante (red hot chili peppers) escolheu o grande vini reilly (durutti column), vá-se lá saber porquê. o inenarrável joe satriani – o menos original guitarrista de todos os tempos – escolheu o mais inultrapassável, jimi hendrix. já agora, para que se saiba, o seu discípulo igualmente mau, steve vai, escolheu brain may (queen). os fans da «suposta» maior banda do mundo – metallica – ficaram a saber que james hetfield prefere tony iommi (black sabbath). tinha que ser. no que nos diz respeito, robert fripp (king crimson, the league of crafty guitarrists) – técnica e criativamente – foi eleito pelo «ex-floydiano» e actualmente um dos maiores guitarristas e produtores do mundo, steven wilson (porcupine tree), que estará em novembro em portugal para concertos em lisboa e porto.
25 guitarras de aço: aleatoriamente, comecemos por George Clinton, guitarrista e fundador dos The Parliaments e dos Funkadelic. Hendrix e Clapton (o dos Cream, claro está) foram as suas maiores influências técnicas. psicadelismo, rock, soul, blues negro e british blues em misturas experimentalistas suportadas por mais de uma dezena de músicos. o funk dos 70’s começou aqui. valerá apenas referir «maggot brain» 1971 e «free your mind and you ass will follow» 1970 dos Funkadelic para o provar. black soul. let’s funk, man!
Rui Rio 14% à frente de Elisa Ferreira
Como se previa, a campanha eleitoral de Rui Rio vai ser um passeio que vai culminar em novo mandato, provavelmente com maioria absoluta, à frente da Câmara Municipal do Porto. A última sondagem, da Marktest, dá 14% de vantagem ao actual Presidente.
Bem se pode desdobrar Elisa Ferreira em dezenas de cartazes, espalhados por tudo o que é canto na cidade. Bem pode vir falar do «dream team» que é a sua lista. Não adianta. O mais aconselhável, se calhar, é ir montando de novo a casa de Bruxelas.
Isto é que é uma máquina de propaganda bem oleada
É curioso que no Simplex a estratégia do chefe para o debate fosse conhecida antecipadamente: Ana Vidigal, conseguiu publicar às 21h 50m um boneco sobre benefícios fiscais e classe média. Repito, um boneco, o que não demora exactamente o mesmo tempo a montar que se leva a escrever uma frase.
Ou é mais rápida do que a própria sombra, ou já sabia. E eu gosto muito do Lucky Luke, mas não confundo banda desenhada com a realidade.
Por falar em realidade, mesmo acima e no mesmo lugar RCP continua a confundi-la com os seus próprios desejos, fantasias e ilusões. Desconfio que ainda vai ser contratado para os Encontros Mágicos. Se o Luís de Matos dá por ele, não escapa.
Mas não deixa de ser engraçado ver como os socratistas cantam vitória apenas e só porque o chefe não foi esmagado. Já se contentam com pouco.
Actualização:
Nos nossos comentários em directo passou uma Rita com uma frase batida, e de resto descontextualizada. Sugeri-lhe que mudasse de canal, porque não parecia estar a ver o mesmo debate. Foi exagerado, entenderam os meus colegas e eu próprio o admiti. A Rita fugiu. Curiosamente aparece uma Rita Castilho noutra caixa de comentários (#97), assumindo-se com “uma Sócratica empedrenida.” Desconfio que nem tinha a televisão ligada.
Judite – um árbitro com muitos amarelos
O que foi mais estranho em todo este debate é que a arbitra tenha tido tanta influência no resultado da contenda.
Em primeiro não se ouviu uma pergunta sobre os casos que colocam Sócrates em xeque. Nada de Freeport, apesar das novas notícias, nada de TVI, apesar da celeuma, nada de “asfixia” apesar de Loução lançar uma mãozinha.
Os casos “pequeninos” como lhe chamou Sócrates que se contam por muitos milhões, foram rapidamente tratados com a extraordinária explicação que o ajuste directo é o que o governo achou como melhor para o Estado. Ninguem esperaria que dissesse que era a pior.
A venda de um terço da Galp é um dos negócios mais mal explicados de sempre, o próprio Amorim veio dizer que recebeu um telefonema do ministro Pinho quando andava a passear na praia, que nunca lhe passaria pela cabeça que lhe poderiam oferecer um negócio daqueles assim, sem mais.
A Judite não falou sequer na questão das ajudas financeiras aos bancos, os muitos milhões que o Estado lá meteu e de que ninguem sabe o paradeiro.
Na questão fiscal o Loução quiz dar uma borla ao Sócrates e não explicou como se complementa a proposta, por exemplo tirando os benefícios, que realmente favorecem os ricos, mas baixando a taxa do imposto.
Louçã quiz manter uma porta aberta e Sócrates aproveitou a boleia.
Manuela Ferreira Leite deve estar a sorrir lá em casa, o PS está onde ela o queria. Encostado ás barreiras da praça . Do lado da sombra!
LOUÇÃ 6 – SÓCRATES 3
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É SEMPRE A PERDER ATÉ UMA VITÓRIA FINAL, QUE NÃO SERÁ A DELE
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as.“E não mas faça essa cara que não vale a pena”.
O programa do BE lido ontem, deve ter feito dores de cabeça. As marcações e sublinhados que alguém lhe fez, fizeram jeito.
O adversário de Louçã é Sócrates, mas este não reconhece aquele como adversário.
Inteligente, Sócrates tenta entalar Louçã com o programa do BE. Louçã safa-se por pouco.
No resto do debate, Sócrates, nervoso, só se defende. A culpa de tudo o que de mau acontece em Portugal é de todos, da crise internacional, mas nunca dele. Não soube explorar devidamente as loucuras das propostas económicas e sociais do oponente.
Louçã ataca, sorri e marca pontos.
Aflito, muitas vezes o ainda nosso Primeiro e admirável Lider, o grande Irmão, olhava para a moderadora, na vã tentativa de que ela mandasse calar Louçã.
No fim, Louçã ajuda Sócrates no caso da d Manuela e da Madeira. À espera de uma coligaçãozinha?
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JM
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O debate José sócrates – Francisco Louçã minuto a minuto

Aqui fica o debate de hoje visto pelos nossos autores e comentadores no espaço «Streaming» do blogue:
Boa noite, bem-vindos ao chat do Aventar sobre o debate entre José Sócrates e Francisco Louçã. O debate começa às 20h45.
Este é o vosso espaço de comentário.
20:36 [Comentário de ricardo]
Cá estamos para analisar o debate
20:36 [Comentário de ricardo]
Cá estamos.
20:39 [Comentário de João Cardoso]
Prognósticos só no fim do jogo, mas Sócrates trouxe o seu melhor sorriso, Louçã pareceu-me mais calmo. E neste jogo, o primeiro a passar-se perde
20:44 [Comentário de Luis Moreira]
O louçã vai lhe perguntar pela massas que meteu nos bancos…
20:47 Aventar: Começa o debate.
20:50 [Comentário de José]
Mornito, para começar.
20:52 João Cardoso: A palavra chave do ataque de Sócrates: revolucionário
20:53 José: a nave que faz de mesa é feia
20:57 João Cardoso: Primeiro engasganço da noite: é o peso dos contentores
20:59 João Cardoso: Aqueceu
21:01 Luis Moreira: 500 milhões não é nada e ajuste directo é o normal, desde que seja com o coelhone
21:04 João Cardoso: Hilariante…
21:06 Luis Moreira: A galp foi um assalto, no 1º ano sacaram 330 milhões…
21:10 ricardo: Então, o que é que perdi até agora?
21:12 Luis Moreira: os certificados de aforro perderam os incentivos e os PPR receberam -nos. É ou não uma politica fiscal socialista?
21:12 João Cardoso: Perdeste um primeiro-ministro a ler os sublinhados que lhe fizeram no programa do BE
21:14 ricardo: Olha a Judite, cortou a palavra ao senhor engenheiro
21:15 João Cardoso: O engenheiro já se vingou
21:16 João Cardoso: E ainda lhe bate
21:17 [Comentário de Atributos – José Magalhães]
Cheguei à pouco…. mas gosto do louça. O engenheiro só se defende…. mais ou menos bem
21:18 João Cardoso: “esa proposta muda todo o nosso sistema fiscal” – Sócrates finalmente percebeu
21:19 Atributos – José Magalhães: O ainda nosso Primeiro está tão suave
21:19 ricardo: Um radicalismo sem par, diz ele
21:19 Atributos – José Magalhães: Louça bate com um sorriso
21:20 Atributos – José Magalhãe: O eng defende-se e retrai-se
21:20 João Cardoso: Pois, quem foi da JSD, não se meta com os telhados do vizinho
21:21 ricardo: Sim, diz ele condescendente quando a Judite os chama à atenção.
21:21 João Cardoso: talvez a nossa principal questão
21:23 ricardo: mas não diz que aumentou o prazo para ter acesso ao subsídio de desemprego.
21:24 ricardo: Louçã dá-lhe razão ironicamente
21:25 João Cardoso: O homem está nervoso
21:25 ricardo: um bom primeiro-ministro estaria a injectar o dinheiro no combate à pobreza. e não me faça essa cara!
21:25 Atributos – José Magalhães: O engenheiro parece estar a perder o combate
21:27 Luis Moreira: há mais de um ano que deveria ter feito isso,O TGV dá emprego daqui a 4 anos…
21:27 [Comentário de Rita]
Sócrates no seu melhor: político moderado e realista. Louça passa por Trotskista….
21:28 Luis Moreira: Nunca apostou nas PMEs
21:28 Luis Moreira: moderado? deu 300 milhões ao Amorim
21:29 João Cardoso: Ó Rita, o debate é na RTP1, mude lá de canal
21:30 Rita: Não gostam de opiniões diversas ou isto é só para os que gostam de bater no Sócrates? Então boa noite, mudo de canal sim.
21:30 José: Rita não leve a mal
21:31 José: Esta malta gosta da diversidade.
21:31 João Cardoso: As minhas desculpas, só tentei ajudá-la
21:32 José: gostam é de humor
21:33 Luis Moreira: agarrem as camas, porra! ainda não estão pagas…
21:34 ricardo: em vez de aproveitar para atacar o sócrates, ajuda-o com a Madeira
21:34 Atributos – José Magalhãe: Socrates 4 – Louçã 6
21:34 João Cardoso: Quer ela dizer que foi o primeiro debate com debate
21:35 Luis Moreira: isso é para os juntar no mesmo saco…o sócrates nunca lhe passou pela cabeça que ia falar nos negócios do jorge Coelho
21:35 João Cardoso: Esta ideia peregrina de ter lido o programa do BE ontem, deve-lhe ter dado uma noite mal dormida
21:37 João Cardoso: E logo a seguir o anuncio a uma medida do governo. Quanto é que pagámos por isto?
E acabou o debate.
O debate Francisco Louçã – José Sócrates. «E não me faça essa cara que não vale a pena»
O primeiro-ministro portou-se melhor do que eu previa e o máximo que conseguiu foi fazer caretas a Francisco Louçã.
«E não me faça essa cara que não vale a pena».
A frase retrata todo o debate e representa a clara vitória de Francisco Louçã perante um primeiro-ministro nervoso e entalado por quatro anos de governação falhada. Sempre com um sorriso nos lábios, Louçã atacou forte e marcou pontos em todos os temas. Quanto a José Sócrates, foi-se defendendo e pouco mais. Como sempre, a culpa é da crise internacional. Como se os seus três primeiros anos de Governo tivessem sido muito bons! Engasgou-se com os contentores da Liscont e o ajuste directo de 100 milhões de contos é perfeitamente normal…
Só o final, com Francisco Louçã a dar uma mãozinha a José Sócrates por causa de Manuela Ferreira Leite e da Madeira, é que não percebi. Venham as eleições… e as coligações!
Agora é que é: a crise acabou. Sou eu que digo
O anúncio, feito de forma entusiasta, por Manuel Pinho há mais de um ano, foi prematuro. A crise não tinha acabado. Mas agora acabou. É o que garanto, de fonte segura: eu próprio.
Os pilotos da TAP agendaram uma greve, alegando um “descontentamento insustentável”. Uma classe de trabalhores muito bem remunerados, que laboram numa empresa cujo único accionista é o Estado português – empresa que foi salva e resalva pelos impostos que todos nós pagamos, incluindo os tais pilotos –, acaba de convocar uma greve.
Querem salários mais elevados. Todos queremos. Acontece que a empresa em causa tem dívidas muito elevadas e já teria fechado as portas não fosse subsidiada pelos portugueses. Com muito dinheiro.
Os pilotos da TAP são profissionais bem pagos, que não podem trabalhar horas a mais. Tem responsabilidades elevadas, claro, mas também as tem um motorista de autocarro e precisa de mais de três meses para ganhar aquilo que um piloto aufere em início de carreira.
Fazem greve porque podem. Quem, se calhar, deveria avançar para a greve, não pode. É a diferença.
Assim, só me resta uma conclusão: ânimo que a crise acabou.
Contos proibidos – Memórias de um PS desconhecido. «Bastava olhar para ele [Mário Soares] para ver que nada tinha que ver com o socialismo da classe operária»
(continuação daqui)
Desde o lançamento da ASP que os socialistas portugueses encontravam imensas dificuldades em ser reconhecidos em termos de igualdade pelos seus congéneres europeus e o acolhimento político e logístico aos dirigentes portugueses – com excepção da ocasional foto protocolar em reuniões internacionais – estava longe de ser solidário e, muito menos, caloroso. Enquanto exilado, o líder do movimento socialista português
nunca seria recebido oficialmente, nunca participaria em nenhuma conferência de imprensa conjunta, em nenhuma conferência de líderes ou reunião bilateral pública com nenhum dos dirigentes da Internacional Socialista. Não há registo de declarações conjuntas de Soares com nenhum dos «amigos» acima mencionados e não se conhece um único acto conjunto, nem sequer um simples almoço, que revele aquela intimidade.
À excepção de Mitterrand, jamais conseguiria encontrar nos escritos de Palme, Kreisky, Brandt ou Wilson, nem tão-pouco nas suas biografias, uma única referência ao líder português comprovativa daquela autoproclamada amizade. E estes são os exemplos da família socialista. Em contraste, por exemplo, Felipe González, apesar de pertencente a uma geração mais jovem, é frequentemente referenciado por todos eles. No seu livro de memórias, o ex-chanceler alemão e presidente da Internacional Socialista, Willy Brandt, diz mesmo que «com o jovem Felipe González [sentiu] uma forte ligação desde o princípio». A situação de desconsideração pelo nosso esforço, enquanto dirigentes políticos no exílio, era tal que Mário Soares chegaria a ter mesmo momentos de desespero com os seus «anfitriões» do Partido Socialista Francês que, apesar de estar na oposição e ser, na cena internacional, um partido relativamente insignificante, raramente o recebia e só em casos excepcionais se encontrava com o então secretário das relações internacionais, Robert Pontillon. E, apoio material, nem vê-lo! Por outro lado, como já se disse, para além da foto ou aperto de mão protocolares, os contactos do líder português faziam-se de uma posição humilde e algo humilhante com funcionários dos partidos da Internacional ou, como grande conquista, com os secretários das relações internacionais desses partidos. Estes exemplos de falta de solidariedade eram generalizados, mas para isso é evidente que contribuía o conhecimento dos partidos «estabelecidos» da exiguidade da nossa influência na sociedade portuguesa, que contrastava, no tamanho, com o radicalismo à francesa dos dirigentes da Acção Socialista.
Os socialistas europeus tinham a sensação de que o recém-nascido movimento socialista português era uma criação artificial pequeno-burguesa ou, como diria mais tarde o conhecido e radical ex-ministro britânico, Tony Benn, referindo-se ao líder do PS, «bastava olhar para ele para ver que nada tinha que ver com o socialismo da classe operária».
As dificuldades eram tais, que os poucos financiamentos teriam que ser
arrancados quase à força. Perante um pedido de ajuda para o núcleo da Acção Socialista que acabara de ser constituído em Londres, o primeiro núcleo devidamente organizado no exílio, o Partido Trabalhista respondia lamentar, mas não estar «em posição de poder contribuir para a manutenção duma sede. Contudo, se conseguirem obter um espaço talvez possamos contribuir com uma máquina de escrever, estantes, secretárias, etc., de que nós próprios já não necessitemos».
No mesmo ano, Bernt Carlsson, secretário internacional do partido irmão da Suécia escrevia a Mário Soares em Paris: «que a direcção [do PSD sueco] considerou o o seu pedido de ajuda financeira de 15 de Outubro, 1971. Foi decidido dar uma contribuição de 10000 coroas suecas»,tendo, após novo pedido de Mário Soares, no ano seguinte, o referido funcionário anunciado uma nova «contribuição de 10000 coroas suecas».
Mesmo assim esta fonte, que tendo em conta os valores cambiais da altura, e as contribuições dos outros partidos, era extremamente solidária, parece ter secado. Manuel Tito de Morais escrever-me-ia em Novembro de 1973, pedindo-me para «ir a Estocolmo falar ao Carlsson. Ficou de se encontrar [com ele] aqui em Roma mas não deu sinal de vida, depois de ter recusado a ajuda material que lhe pedíramos. Devias
vê-lo e falar também ao Schori, não para pedir nada mas para manter o contacto, falar nos nossos assuntos e veres se descobres a razão do afastamento que se verifica».
Estávamos assim bem longe do tempo em que bastava pegar no telefone e falar com o Brandt, o Palme ou o Kresiky. E, se as quantias que o PSD sueco enviava para Paris a Mário Soares eram generosas em relação ao tamanho da ASP e das nossas expectativas, elas eram, na realidade, insignificantes se comparadas com o financiamentosueco a outras organizações consideradas importantes. A título de comparação, bastaria dizer que na altura o apoio financeiro da Suécia à luta da FRELIMO era 7500 vezes superior ao enviado a Mário Soares, para Paris. Após divulgação pelo The Times de Londres, a 10 de Julho de 1973, do massacre de Wiriyamu relatado pelo padre católico Adrian Hastings, o ministro sueco dos Negócios Estrangeiros do governo de Olof Palme, Krister Wickman, anunciaria que o aumento da ajuda sueca à FRELIMO seria aumentado de 3 para 5 milhões de coroas. O malogrado ex-primeiro-ministro da Suécia tinha, aos 22 anos e enquanto secretário da União de Estudantes Suecos, promovido uma colecta a favor de bolsas de estudos para estudantes africanos. Um dos primeiros a serem beneficiados, já no ano de 1949, fora exactamente o fundador da FRELIMO, Eduardo Mondlane, de quem Palme viria a tomar-se grande amigo.
O pior ministro da lavoura de sempre
O Jaime Silva consegue juntar os grandes agricultores com os pequenos lavradores. Este burocrata de Bruxelas, de onde nunca deveria ter saído, nem sequer consegue pagar o que deve aos agricultores, até agora apenas pagou 10% dos subsídios já concedidos.
Não contente em ver a agricultura nacional ser paulatinamente substituída pelos nabos de Espanha e os tremoços da Roménia, passando pelos espargos da China e a fruta da América do Sul (a fruta, senhores, com este sol…) desperdiçou 840 milhões de euros que não foram investidos e portanto devolvidos a Bruxelas, onde deverá estar à espera de grandes encómios por ter defendido tão bem o orçamento da UE!
É necessário fazer uma exaustiva auditoria aos subsídios concedidos à agricultura e pescas durante todos estes anos, 10 000 milhões de euros (segundo percebi Jerónimo) para se perceber como conseguimos acabar com os nossos produtos do campo e do mar. Deve ser muito instrutivo!
Entretanto, uma proposta dos “Jovens Agricultores” no sentido de ser criada a figura do “Empresário agrícola” o que permitia que o agricultor se dedicasse à exploração florestal, ao turismo rural e outras actividades conexas com o campo, não obtém resposta do governo, apesar das inúmeras reuniões mantidas . Deve ser o Simplex a funcionar com estes socialistas já se sabe que se não lhes trouxer proveito nada avança, eles é que sabem, eles é que têm, eles é que comem, eles é que distribuem, eles é que…
Não é possível exterminá-los já dia 27?
Breve manifesto da insubordinação dos mansos
Paciência e sensatez em nome da estabilidade, da segurança, de um futuro longínquo e inconcretizável? Esqueçam. Ardamos de impaciência e furor, esventremos as paredes que nos aprisionam, arranquemos as tábuas do soalho, e contemplemos com gosto todo o caos que gerámos. Cansados de ser bons meninos? Fartos de contemporizar, engolir em seco, fazer de conta que não ouviram? A nossa hora chegou. Vamos escolher o caminho mais incerto, refutar os argumentos envenenados de hipocrisia, pronunciar com clareza e, desfrutando desse prazer sensual de proferir cada sílaba com volúpia, dizer tudo o que queremos e o que rejeitamos, o que daremos com gosto e o que não aceitaremos. Não faremos o que se espera de nós, não aceitaremos o sacrifício em nome do bem comum, não faremos o razoável, o sensato, o equilibrado. Não seremos poupados, comedidos, subordinados. Tragaremos de uma vez a míngua de ar que nos reservam e ousaremos escancarar as janelas que devem manter-se encerradas. Não calaremos as perguntas. Não aceitaremos as respostas incompletas, desviantes, sonsas. Não pactuaremos com silêncios cúmplices. Ofereceremos a verdade que exigimos. Olharemos de frente o rosto da angústia e encheremos de sentido o vazio. Saberemos de memória as sílabas do amor e expulsaremos o medo dos seus recantos sombrios. E começaremos hoje mesmo.
Recordando João Vieira
Uma das consequências de se viver durante muito tempo é assistir-se à partida de muita gente, familiares, amigos, conhecidos. Ontem, estava a almoçar e a ver televisão (um mau hábito), e fui surpreendido com a notícia da morte do pintor João Vieira. Não se pode dizer que fôssemos amigos; tampouco inimigos. Digamos que nos conhecíamos e nas poucas vezes em que nos víamos tínhamos uma relação cordial. Sentia uma grande admiração pela grande qualidade da sua pintura. Tenho uma serigrafia do João em minha casa e, na última vez em que falei com ele – num restaurante de que foi proprietário em Azeitão – levantei a hipótese de lhe comprar um quadro. O problema eram dois, disse-lhe eu – ele ser um artista muito cotado e eu não ser rico. Estava com a minha mulher e com um casal amigo, o António e a Célia Gomes Marques (sendo o António, por via do teatro, mais íntimo do João do que eu). Rimo-nos e o João Vieira logo disse que se havia de encontrar uma solução. Coisa que nunca aconteceu nem acontecerá, visto que o João nos deixou.
Em Março, no Dia Mundial da Poesia, estive em Vila Real, a convite do Grémio Literário, para, com o Eurico de Figueiredo, animar um debate sobre o Movimento Setentrião no qual nos anos 60 participei. Já não ia à cidade há uns anos e um dos anfitriões, o Elísio Amaral Neves, andou a mostrar-me as novidades que o burgo tinha para exibir – muitas e nem todas boas – entre elas, e entre as melhores, estão os vitrais que o João Vieira criou para a Igreja de São Domingos ou Sé Catedral. Confesso que a minha primeira reacção foi negativa – a pintura do João incrustada num monumento gótico acordou o reaccionário que há em mim. Pareceram-me duas coisas isoladamente muito belas, mas separadas por cinco séculos, criando uma relação anacrónica que me chocou. Mas fui caindo em mim e o tipo mais desempoeirado, que também cá mora às vezes, levou a melhor. A beleza é intemporal. Os vitrais do João estão muito bem na Sé de Vila Real.
Uma das imagens que guardo da juventude do João (e da minha, claro) é estarmos os dois no Café Gelo, numa manhã de domingo ainda cedo, em que ainda ninguém aparecera (mas eu morava perto e ele tinha o ateliê mesmo por cima) a falar sobre a música popular brasileira, trauteando canções e de repente o João sai-se a cantar muito bem o «É doce morrer no mar», do grande Dorival Caymmi. O Herberto e o Forte que entretanto chegaram não o interromperam e ele pôde chegar ao fim da canção. Um dote do João que talvez poucos conheçam – cantava bem.
Enfim, o João Vieira deixou-nos. E, com ele, um dos maiores pintores portugueses desta atribulada época.
Escutemos Dori Caymmi cantando a linda balada criada por seu pai.
Pode MFL ir à Madeira desdizer Jaime Gama?
Quando foi preciso “amaciar” o Alberto João os socialistas não tiveram grandes pruridos. Mandaram lá o Jaime Gama e este não esteve com meias. Um estadista, o homem que tirou a Madeira da pobreza, o político que mais eleições ganhou, o senhor das ilhas e das autonomias.
O que é tudo ou quase tudo verdade diga-se de passagem. Esqueceu-se da asfixia democrática mas isso era porque Jaime Gama sabia o que vinha aí com Sócrates. Vá de não falar em coisas tristes o homem até está em casa dele, não há como sermos todos amigos.
Enquanto Gama fazia o trabalho de “maquina compressora” o Sócrates preparava a receita, retirou-lhe parte do orçamento, chamou-lhe tudo, andou anos sem pôr os pés na Ilha, com um absoluto desprezo pelo Alberto João. Enquanto isto, em relação ao César dos Açores, era só meiguices a ponto de estragar o relacionamento com o Presidente da República com o triste e anticonstituicional estatuto.
Agora choram lágrimas de crocodilo porque a Manuela Ferreira Leite foi lá confirmar o que o Jaime Gama dissera alto e bom som. Que é só campanha!
Campanha é, mas só aprendeu com os socialistas. Afinal quem é a Presidente do PSD para desdizer o Presidente da Assembleia da República?
PS : sou mau como as cobras…
FREEPORTGATE
AINDA E SEMPRE. NÃO PARA NEM ACABA.
Afinal sempre
é verdade que houve luvas pagas. Confirmação feita pela polícia Inglesa. E houve dinheiros escondidos, de cor azul, a passear pelos paraísos fiscais, e quem fazia a distribuição pelos interessados, teria sido o sr Smith.
De qualquer forma continua tudo assim. Há os que receberam mas negam. Há os que não receberam, mas não desdenhariam de o ter feito. O certo é que as libras desapareceram, depois de se transformarem em euros. E ainda está tudo legal. E estará ainda por muito tempo. O Freeport e os envolvidos, sejam eles arguidos ou não, não serão beliscados. A não ser que caiam entretanto em desgraça, ou sejam “peixe miúdo” e sem interesse.
Parece que vai haver mais três arguidos, mas ainda não se pode saber quem são. Ainda é cedo!
Tudo vai ter de esperar mais uns dias. As eleições estão aí à porta e até não interessa muito que se saibam estas coisas até esse dia. Já nem vinte dias faltam. Podemos esperar, não nos custa nada. no fim, e de uma forma ou de outra, esta montanha irá parir um ratico, pequeno e enfezado.
FUCK THEM!
INSULTOS EM INGLÊS
Só para quem e
ntende línguas.
Alberto João, mais uma vez sem meias palavras, “insulta” os “imbecis” e os “medíocres” que se preocupam com ninharias, havendo tanta coisa importante para discutir em Portugal.
Não estou preocupado com estes insultos, pois na sua maioria, muitos desses imbecis e medíocres merecem mesmo que os mandem f…..
Podemos fazer isso no próximo dia 27.
JM
POEMAS ESTORICÔNTICOS
Meu amigo Dostoievsky
Meu amigo Dostoievsky nada temos a ver aparentemente um com o outro a não ser o nosso encontro pelos meus dezoito anos. Apetece-me chorar ao recordar as noites em que à luz de um foco olho de boi debaixo dos lençóis – para que minha mãe não visse – eu invadia os teus livros numa das maiores e mais deliciosas aventuras da minha vida. Ainda hoje me são familiares o rosto de Sónia e a figura de Raskolnikov luz mítica e mística dos que têm coisas em comum orientando-se na direcção do símbolo e do mundo sem forma. Da mesma forma que te marcaram Balzac Schiller Victor Hugo e Goethe tu imprimiste em mim a sensação que te fez desmaiar perante a beleza de Seniavina na casa dos Wielgorsky e eu não sou homossexual meu caro Dostoievsky. Perante a beleza eu não sei ao certo onde pára o sexo se no esperma de Úrano derramado no mar se na poesia da Morte em Veneza. Não é a realidade física que interessa ao simbólico mas o significado do sexo na imaginação. A dualidade do ser funde-se na tensão interna de quem ama e a união sexual não é mais do que o apaziguamento da tensão interior. Nunca te concebi humano sobretudo depois dessa manhã de rosto de pedra e gelo em que viveste o mais trágico minuto da tua vida. Um vento glacial varreu-me a fronte ao ouvir o teu nome na chamada para a morte: -Akcharumov! -Shaposhnikov! -Dostoievsky! Hoje depois de ter amado tanto aceito a tua epilepsia como o estigma mais marcante da pureza da condição humana e passei a considerar-te meu irmão para o resto da vida. Por isso me senti prisioneiro quando entrei na fortaleza de S. Pedro e S. Paulo por isso chorei na Praça Semenovsky onde viveste uma vida inteira em dois minutos de morte. Era como se fosse eu o condenado! Também chorei quando reencontraste Suslova apenas pelo que sofreste ao ver que o amor não se repete. A noite e o vazio estão na origem cosmológica do mundo e o amor é uma criança que cresce… e deixa de ser criança. Amor e morte quando descobertos acordam e fogem. Para escrever bem é preciso sofrer disseste um dia ao jovem Merejkovsky quando a vida confundia as chamas do teu inferno com relâmpagos de visionário. Sofrer pode ser apenas sorrir… frente a toda a utopia palpável não paranóica nem delirante. Foi a mim que o disseste meu caro amigo foi a mim que o disseste na tarde cinzenta da tua morte na hora da hemorragia que te vitimou. Até hoje ainda não te agradeci. Perdoa não ter acompanhado o teu féretro mas nessa altura eu não existia… ou será que te acompanho ainda hoje neste pesado caminho do fim?








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