O G20 : o prémio já cá canta

Os poderosos juram que nada será igual no sistema financeiro internacional, que os objectivos a curto prazo e os respectivos prémios para os gestores nunca, mas nunca mais serão os mesmos.

Vamos ter um sistema financeiro muito mais regulado, com os “veículos” muito mais estruturados e muito menos “voláteis”.

Isto vai lá, para já estão a falar “no quanto” o que quer dizer que os prémios continuam, já cá cantam, é só uma questão de montante. A ver pelas grandes empresas portuguesas, que baixaram as remunerações dos administradores em 3.7% ,isto é mesmo a sério.

Entretanto vejam a grande conclusão que merece todas as esperanças “quanto à melhor forma de acabar com os excessos na banca, é um tema adiado para novo encontro, no fim do mês” está a mesmo a ver-se que a vontade é mais que muita, isto vai ficar como sempre esteve, agora até com mais “savoir fair”, depois desta experiência tão traumatizante para quem ficou sem a massa (que não foram os ditos cujos).

Podemos pois estar à espera porque eles tambem estão, que isto saia do buraco para que tudo fique na mesma. A verdade é que estes meninos e meninas ( a partir de agora que temos duas “estrelas” como aventadoras vou sempre referir-me às “meninas”) ficaram com os milhões e quem pagou a factura foi o Zé povinho (povic, em polaco) com as “ajudas” que nunca mais voltam, e os prejuízos nacionalizados nossos, tudo pago com o dinheiro dos contribuintes e de quem trabalha!

Olha para o BPP, o BPN e o BCP , todos gaiteiros e azeiteiros…

PS: quanto aqueles palavrões de economês é a ver se pega …

A formidável derrota de Maria de Lurdes Rodrigues: Balanço de um mandato (1.º semestre de 2006)

(continuação daqui)

Poucos meses depois, chegava a proposta do novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) que, caso único no mundo!, propunha a divisão dos docentes em dois escalões: professores e professores titulares. Sabendo-se que o conteúdo funcional da carreira docente é exactamente o mesmo do princípio ao fim, percebe-se melhor que só pode ser completamente obtusa a pessoa que congemina uma solução luminosa como esta. Para que conste, foi João Freire, sociólogo do ISCTE e o criador do monstro, o ideólogo da patifaria. Patifaria ainda maior porque lançada cuidadosamente no final do ano lectivo e muito perto das férias dos professores e das eleições da FENPROF.
Num «post» intitulado «Estatuto da Escravidão Docente», em 30 de Maio, Paulo Guinote considerava a proposta «a afronta derradeira desta Ministra aos docentes», mal sabendo que a procissão ainda ia no adro. Os diversos graus de penalização dos professores, a relação entre resultados dos alunos / resultados dos professores, a criação de um sistema hierárquico entre os próprios docentes ou o «emaranhado burocrático» em que se iria tornar o processo avaliativo eram algumas das incongruências apontadas nesse «post». Já para não falar, como é óbvio, dos ajustes de contas que começarão em algumas escolas entre aqueles que conseguirão chegar a titulares e os que não o conseguirão. Um verdadeiro «ano das facas longas», que vai tornar o clima em algumas escolas verdadeiramente insuportável.
Entramos no mês de Junho de 2006 e «A Educação do Meu Umbigo» começa a tornar-se no fenómeno que é hoje. Paulo Guinote, que iniciara a sua aventura em 30 de Novembro de 2005 e que até aí se limitra a meia dúzia de «posts», ou menos, por mês, começa a ser cada vez mais regular, porque os ataques aos professores começam também a ser mais regulares.
Ninguém consegue enganar toda a gente durante todo o tempo, mas, neste momento, Maria de Lurdes Rodrigues vive o seu «momento dourado», pois consegue enganar a maior parte das pessoas e manter-se como a corajosa ministra perante a opinião pública e a comunicação social. Quando é grande o salto, é grande a queda, e não há-de faltar muito para que, de intrépida e corajosa, passe a ser arrogante e mentirosa. E para que, mesmo no seio do PS, passe de trunfo a incómodo. De peso-pesado do Governo a simples peso. Quem diria, nesses tempos áureos, que dois anos depois não passaria de um cadáver poítico!
A entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues à RTP 2 e à Rádio Renascença, nos inícios de Junho, foi demonstrativa da forma como a comunicação social protegia a ministra e não a confrontava perante as evidentes contradições. Através de um conjunto de gráficos falaciosos, demagógicos e que não tiveram contraditório, atirava-se para a opinião pública a ideia de que o Ministério gastava cada vez mais dinheiro e que os resultados não apareciam por culpa dos professores, que faltavam muito. «A Ministra de Rosto Humano» foi outro exemplo significativo da bem oleada máquina de propaganda na Educação.
Entretanto, Paulo Guinote vai anunciando o livro de um ex-dirigente da Inspecção-Geral das Escolas de Inglaterra, que fazia perguntas assustadoras como estas: «Porque é que um quarto de crianças de 11 anos passam para a Escola Secundária [em Portugal 3º ciclo] incapazes de ler?»; «Porque foram gastos milhões do dinheiro dos contribuintes em iniciativas que têm afundado os professores num pântano de papelada e burocracia e desnecessária?» Ou seja, exactamente o mesmo que se estava a passar em Portugal.
Mas o Ministério da Educação não parava. Chegara a vez dos concursos. Destruindo um sistema de colocação de professores razoavelmente incólume a vigarices, Maria de Lurdes Rodrigues passava para as escolas a responsabilidade de contratarem directamente os professores. Abria assim a porta para as cunhas, o compadrio, a corrupção. Conheço tantos casos de professores que foram colocados em escolas através de cunhas!
Entretanto, a inefável Ministra manda repetir os exames nacionais de 12.º ano de Física e Química, apenas porque os resultados foram negativos. Passando ao lado da injustiça que foi praticada para com os alunos da 2.ª chamada, que só tiveram uma oportunidade, é impossível não pensar que, com este tipo de medidas, é muito fácil abrir a boca toda para dizer que se diminuiu para metade o insucesso escolar. Claro! Aprovando alunos com 8 e 9 negativas, repetindo exames que correm mal e por aí fora.
Chegaram as férias. O ano seguinte iria assistir à intensificação da luta dos professores. Chegara a altura de endurecer o processo de luta. E os professores não se fizeram rogados.

O debate José Sócrates – Francisco Louçã de logo à noite vai dar «porrada de criar bicho»

Caros leitores,

Logo à noite, a partir das 20.30 horas, todos para o chat do Aventar, prontos para comentar as incidências – antes, durante e depois – do debate entre Francisco Louçã e José Sócrates. Encontrarão a caixa de chat, dentro em breve, na barra lateral direita do blogue. Será que Sócrates vai vencer um adversário habitualmente combativo? Será que Louçã vai fazer Sócrates perder a cabeça? Será que o primeiro-ministro vai mudar as regras do debate e fazer «gato sapato» da jornalista como da última vez? Será que vão acabar os dois à estaladona? Tudo dúvidas para esclarecer logo à noite. Aqui, no chat do Aventar.
Entretanto, se alguém me souber indicar o paradeiro do Jugular no Blogómetro, agradecia muito. É que eu olho, olho e nada vejo. Devo andar a precisar de óculos. Mas dos normais, porque «óculos de Penafiel» são mais a especialidade desses nossos grandes amigos de blogosfera.

Muito perto de

cartaz-cds-pp

Dei ontem de caras com este cartaz (o photoshop aplicado a Paulo Portas é de origem, não mexi em nada).

Este muito perto  levou-me a fazer umas continhas. Nas legislativas de 2005 o CDS-PP ficou em 4º lugar, tendo apenas o PS e o PSD eleito deputados, como sucede desde há muitos anos.

Utilizando um simulador eleitoral, os resultados foram os seguintes:

coimbra-2005

Ou seja: o PS ficou muito perto de eleger outro deputado, o BE ficou perto de eleger um deputado, e a partir daí as distâncias aumentam.

Devo dizer que ficaria muito, mas mesmo muito satisfeito se no dia 27 BE, CDS e CDU elegem-se um deputado cada por Coimbra. Primeiro porque sou amigo de 2 desses candidatos e voto num deles, segundo porque o  candidato do CDS sempre é de Coimbra, e não um qualquer paraquedista como é o caso da srª da Saúde que este ano, encabeça a lista do PS,  e mais importante que tudo, desejo que o bloco central encolha o máximo possível na próxima Assembleia da República, arrumando com o estafado argumento do voto útil.

Agora daí ao muito perto de, ainda vai uma boa distância.

Já agora, se esse meu desejo se concretizasse, e supondo um resultado PS 4 deputados, PSD 3, o meu distrito evitava ser representado no parlamento pelo sr. Nuno Encarnação, que o pai Carlos lá conseguiu meter nas listas, e pela sra. Maria Antónia Almeida Santos, idem idem, aspas aspas. Uma vitória da República, portanto.

BI-QUADRA DO DIA

Criam cofres bem escondidos

A que chamam off shores

Não te deixes S. João

Embarcar em tais amores.

 

São ratos e ratazanas

Porcos e outros que tais

São tão sujos estes gajos

Mais porcos do que animais.

“Fuck them” é mais terno que “eles que se fodam”

Os Clã é que a sabem toda. Há uns anos, em Problema de Expressão, já avisavam que “a língua inglesa fica sempre bem / e nunca atraiçoa ninguém”. Por exemplo, o “i love you” serve para dizer que se ama alguém. Mas também serve para dizer que se adora ou gosta de alguém. Deixa no ar uma certa ambiguidade que pode ser útil.

Quando temos um qualquer pressentimento, apresentamos sempre uma certa dificuldade em utilizar as palavras certas. Pressinto isto, desconfio daquilo. Complicado, não? Em inglês, um simples “i have a feeling” resolve tudo. É fácil e de apreensão imediata.

Enfim, haverá mais exemplos mas escuso de vos maçar com isto. O que agora importa sublinhar é a capacidade da língua inglesa de simplificar o que em português pode ser mais complexo.

Haja Alberto João Jardim para o confirmar. Digam lá que “fuck them” não é muito mais elegante – diria mesmo, terno -, que “eles que se fodam”?

Debates: Sócrates – Louça

Tenho assistido com alguma atenção aos debates entre os principais líderes partidários. Irrita-me solenemente o formato conservador em que se desenrolam – parecem duas entrevistas a decorrer em paralelo, mas enfim… coisas modernas.
A nota mais surpreendente até ao momento vai para o ar apagado e abatido do Jerónimo de Sousa – se os camaradas da festa sem igual se atiraram ao ar com o ar meigo, quase camaradiano, no debate com o Sócrates, o debate com o Portas não trouxe nada de novo para os mais esperançados.
O Paulo Portas mantém o registo de sempre, com um discurso fluente, mas não “matou” o Sócrates como poderia e deveria ter feito.
Assim, resta o jogo de hoje – uma espécie de acesso à Liga dos Campeões: não porque o BE possa aceder à vitória, mas porque Sócrates precisa de estar em grande nível hoje para poder sonhar com a vitória. Louça tem essa responsabilidade, a de ser a voz de todos os que de uma maneira ou de outra, por causa da Ministra (essa pérola que lá bem no fundo do buraco continua a dar palpites infelizes) ou da crise, contam que Sócrates possa ouvir o que ainda não ouviu.
E por mim até pode ser quebrando as regras!

Um Grande Espectáculo na Maia:

Podem ver mais vídeos e fotos AQUI

Foi Sábado passado, durante o 1º Festival Internacional de Aeromodelismo da Maia. Um sucesso!

Ainda o esquecimento

Continuação daqui

Sem as bases históricas correctas e uma extensa pesquisa (seria preciso regressar a tempos até anteriores à 1.ª Guerra Mundial), é difícil perceber como uma única pessoa, um artista frustrado, conseguiu montar um esquema maléfico, de tal modo aliciante ao ponto de levar consigo milhões de seguidores numa rota de colisão com a própria Humanidade, deixando uma marca tão profunda e duradoura no Mundo Moderno, atingindo proporções à escala planetária e que ainda hoje é sentida. Tudo parece sempre centrado numa única pessoa, Hitler, que juntamente com um punhado maléfico de controladores, conseguiu fazer uma lavagem cerebral a uma nação inteira com único objectivo de aniquilar judeus.

Na realidade, ao longo dos tempos, uma visão “holywoodesca” da situação, contribui com uma perspectiva muito redutora, extremamente centrada no conflito armado (talvez até em demasia e ainda assim não totalmente reveladora), deixando quase sempre de parte o enfoque sobre os pilares que sustentaram uma ideologia que teve tanto de perverso como de eficaz.

Não resisto a deixar mais alguns excertos do prefácio de “A Deportação”. Faço-o por várias razões. Tão ou mais importante que o conflito militar e as batalhas, os horrores da guerra e o sangue derramado, é também tudo o que lhe serviu de base, o sofrimento civil e os pilares que permitiram que uma mentalidade tão deturpada pudesse nascer e fortalecer-se ao ponto de ter, obrigatoriamente, que se expandir para fora do seu próprio território e acima de tudo, de ter poder para o fazer. Também, porque noto as incríveis semelhanças, ainda que para já mais ténues, entre tempos tão distantes como os que precederam a  2.ª Guerra Mundial e os de hoje em dia, nomeadamente depressão económica, aproveitamento político duma situação social instável, desemprego crescente e propaganda. Costuma-se dizer que a História se repete. Fico na dúvida se serão apenas reminiscências de um passado que já se tornou longínquo ou raízes de um qualquer futuro próximo.

Excertos de “A Deportação”, 1970

“A origem de todo este mal encontra-se em Hitler. Mas Hitler não estava só. A derrota tinha momentaneamente desarmado os Senhores da Guerra sem ter reduzido as suas ambições nem despertado os seus escrúpulos. Impacientes e vigilantes, eles aguardavam. Por Senhores da Guerra não devemos apenas entender o alto comando mortificado, mas também aqueles que vivem da guerra e da preparação para ela, o grande capital e a grande indústria, o “Herren Klub” de Hugenberg, os Krupp, os Thyssen e os outros.”

(…)

“Sem poder sobre o povo, tinham de agir por interposta pessoa. Um aventureiro demagogo começava então a fazer-se ouvir. Disfarçada com umas pinceladas de “socialismo” e o pretexto de servir os interesses e a honra da raça germânica, a doutrina que ele pregava era a mesma deles. Mas deram-lhe ouvidos. Tinha a audiência que lhes faltava. Eles tinham o dinheiro que fazia falta a Hitler. Ao apoiarem a sua empresa, pensavam que esse agitador se tornaria um instrumento dócil nas suas mãos. O “socialismo”, para ele, mais não era do que uma palavra de apresentação de que nem ele nem os outros faziam o menor caso. Não foi inteiramente assim que as coisas se passaram. Guindado ao Poder pelo seu ascendente popular e pelos Senhores da Guerra, Hitler instalou-se nele. Mas que importava, se eles tinham tudo a ganhar com isso? Já tinham fornecido os estandartes e as botas envernizadas; passaram a fornecer também as armas e depois os tanques e os aviões. Era Hitler que reinava, mas quem prosperava eram eles. O mais seguro poder é o que permanece invisível: Hitler caiu e eles sobreviveram.”

(…)

“Em 1929, escrevia Hitler no Angriff, de Goebbels: “Quando a propaganda impregnou de uma ideia um povo inteiro, bastará um punhado de homens para a organização poder extrair disso as consequências desejadas”. Quatro anos mais tarde, ao ser chamado ao Poder pelo velho marechal Hinderburg, ele não tardou a mostrar a que é que chamava “um povo inteiro” e o que é que entendia por “uma ideia”: um povo inteiro subjugado à mais feroz das tiranias em nome de uma ideia que não passava de uma impostura estúpida e sedutora. O pangermanismo sempre fez receita. A propaganda tinha cumprido bem a sua tarefa. Não era já de um punhado de homens que o Führer dispunha, mas de centenas de milhares ébrios de orgulho, carregados de ódio, mentalmente fanatizados pelo mito da superioridade da “Raça dos Senhores”, e aos quais tudo era prometido, tal como tudo era permitido. Todos os que vegetavam, todos os que a inveja roía, todos os que se viam num desemprego sem esperança, todos os que não comiam o suficiente, e também todos os cobardes que preferiam matar a sujeitar-se a morrer, toda essa gente sem distinção, infelizes misturados com a escória, era convidada para a grande carniça. Os jovens sentiam-se objecto dos seus particulares cuidados. Ele definia-os assim: “Uma juventude fortemente activa, dominadora, brutal, eis o que desejo. Quero ver no seu olhar aquela centelha de orgulho e de independência que transparece nos olhos dos animais selvagens. Não quero nenhum adestramento intelectual. Para os meus jovens, o conhecimento constitui uma ruína.”

(…)

“A solidariedade era uma das formas da Resistência [nos campos de concentração]. Até aos últimos meses da guerra era praticamente impossível preparar uma verdadeira revolta armada. Não só o estado de esgotamento físico e moral dos deportados não permitia que se encarasse a hipóteses de um levantamento, mas também a delação que grassava, praticada abundantemente por todos os indivíduos duvidosos de que falei, misturados na multidão dos outros, tornava difícil a menor combinação. Tanto mais que certos detidos, que não eram dos tais cadastrados duvidosos, mas que eram fracos de espírito, se submetiam à “lei” dos campos em vez de lhe oporem uma recusa total; acreditavam esses que, ao denunciar o “delinquente” ou o suspeito, realizavam uma espécie de acto cívico, que, de resto, logo era recompensado com uma ração melhorada ou uma isenção do serviço de faxina.”

(…)

“Apesar da quase impossibilidade de se estabelecer qualquer combinação, de se organizar, de encontrar armas, 1944 e 1945 assistiram, no entanto, a verdadeiras revoltas, as primeiras das quais foram, que eu saiba, as dos campos judeus de Treblinka, em Agosto de 1943, de Sobibor, em Outubro de 1943, do Sonderkommando de Auschwitz, em Outubro de 1944, e de Mauthausen, em Fevereiro de 1945. Revoltas selvaticamente reprimidas, mas que provam a inabalável recusa de submeter-se, recusa transformada em acção, que não foi inútil, uma vez que era possível combater sem esperança de vencer.”

(…)

“Não há que perdoar àqueles que não são culpados. Seria grave injustiça fazer recair sobre o povo alemão, como um todo, a responsabilidade moral de um mal cujo nascimento, nas condições históricas em que se debatia, ele não discerniu. Quando mediu o perigo, já era demasiado tarde para lhe deter o crescimento, tendo sido ele a primeira vítima, ainda que muitos dos seus filhos tenham começado por se mostrar os sustentáculos de uma tal situação, para dela virem depois a sofrer, por sua vez, as mortais consequências. Mas quantos, no resto do mundo, se mostraram mais clarividentes, mesmo já com a guerra à porta? Seria ainda injusto atribuir aos jovens alemães de hoje a culpa de alguns dos seus pais, crimes de uns, cegueira de outros, esquecendo todos aqueles (e inúmeros são…) que sofreram e pereceram sob o terror e todos os que resistiram em condições ainda piores do que as que nós conhecemos. Uma tal maldição seria nada menos do que um genocídio moral, uma forma in
si
diosa de racismo, e a aplicação do princípio, detestável entre todos, da responsabilidade colectiva, um dos mais odiosos fundamentos do “direito” hitleriano.”

(…)

“Quem não vê, hoje, que a impunidade e o esquecimento fazem ainda fermentar certos espíritos nostálgicos de uma ditadura restaurada de que eles seriam os chefes todo-poderosos. E que, ao dirigirem-se de novo aos frustrados, aos descontentes, aos jovens mal informados do que aconteceu, eles encontram uma audiência iludida? E isto não apenas na Alemanha, mas por toda a parte onde o ódio troa ou a violência mina.”

Contos proibidos: Memórias de um PS desconhecido – Mário Soares e Samora Machel

(continuação daqui)

Em circunstâncias que descreverei noutros capítulos, eu teria a grande honra de conhecer em 1983 o então presidente de Moçambique, Samora Machel. Era injustamente conhecido em Portugal pelas «anedotas» racistas que o transformavam sempre
no «intérprete vítima», ignorando totalmente os seus grandes dotes humanos. Acontece que Samora Machel gostava de contar ele mesmo «histórias» sobre os portugueses e às vezes, com grande sentido de Jair play, transformava-se a si próprio na «vítima»da anedota. Uma noite, numa conversa que teve comigo em Maputo, satisfaria a minha curiosidade sobre pormenores da transição dizendo-me, meio a sério meio a brincar, que, quando assumiu o poder pela primeira vez, uma das suas primeiras medidas foi só sair à rua com pelo menos o dobro dos motards da escolta policial que o antigo governador colonial utilizava. Para a população – diria perante o meu ar de divertido espanto – era um sinal de que o novo presidente moçambicano era duas vezes mais importante que o ex-governador colonial! Ora vem esta maravilhosa história a propósito da imagem que, no nosso país, se «vendeu» com êxito à empobrecida população, farta do seu longo isolamento internacional. A ideia, a partir do momento que se sabe que os portugueses querem seguir um destino comum ao dos seuscongéneres europeus, de que quem tinha amigos ricos na Europa era rei! Chegar-
-se-iam mesmo a descrever relações internacionais sem o menor sentido de modéstia e das proporções, tendo o líder socialista afrnnado até ser «evidentemente… amigo pessoal do Schmidt, do Willy Brandt, do Callagham, do Olof Palme, do Yoergensen,
do Kreisky, do Mitterrand, etc. Posso pegar em qualquer momento no telefone e falar com eles». Mesmo que fosse verdade em 1979 e que, com excepção de Mitterrand, Mário Soares conseguisse falar com qualquer desses «amigos pessoais» numa linguagem comum,
esta afirmação visava o mesmo objectivo dos motards de Samora Machel.
A realidade era contudo muito diferente, sobretudo, antes do 25 de Abril de 1974!

girls with twisted pop on her panties

atm-feverray

a suécia não é só os abba. a suécia não é só metal. a suécia é também a terriola dos «the knife», duo constituído em 1999 pelos irmãos karin dreijer andersson e olof dreijer. depois da suave electrónica de «the knife» e «deep cuts» – dispensáveis – «silent shout» 2006 apostava numa evolução bem mais experimental e negra, nos limites da pop electrónica, partindo do princípio que a pop electrónica tem limites, o que é manifestamente falso, como bem se sabe. adiante. karin nasceu em 1975. em 2009 encarnou o projecto fever ray e lançou o seu primeiro album a solo. não deixa de ser curioso que na sua página do myspace se tenha identificado estilisticamente com o «black metal». a ouvir durante anos a fio. só para melómanos. ou. para qualquer nympholeptos a melhor coisa da pop são elas.  simplesmente complicado, como diria o bernard. leia-se:

 

 

Concrete Walls

i live between concrete walls
when i took her up she was so warm
i live between concrete walls
in my arms she was so warm

eyes are open the mouth cries
haven’t slept since summer

oh how i try
i leave the tv on and the radio

fever ray «fever ray» rabid records 2009

a ouvir/ver : fever ray when i grow up

ps: um primeiro «post» sobre algo sueco deveria ser sobre o bergman. todavia, há pouca cultura pop neste antro. cumprimentos. 

A Prisa agora já pode vender ou alguem pode comprar?

Todos sabiam quem era a Prisa, o que fazia, o que representava, de que força política era próxima. E, no entanto, comprou a TVI que começou por ser “entregue à Igreja”, repare-se, “entregue” e quem entrega tambem tira e condiciona e abre portas e fecha portas como se viu com a tentativa PT.

Afastar Moura Guedes era condição para que o negócio se fizesse? E Eduardo Moniz? E a licença para o 5º canal?

A verdade é que já há muita gente interessada em comprar e um negócio destes não se faz sem a benção do governo. Emagrecer e limpar empresas antes de as vender/comprar é normal, faz parte das acções necessárias para que o negócio seja bom para ambas as partes. Mas não faz parte dessas acções esbanjar activos e o jornal da Manuela era o programa com mais audiência da estação. Era um activo, a audiência trazia publicidade e é daí que as televisões vivem.

Tambem é verdade que com esta estratégia o preço da estação baixou, mas isso seria maquiavelico, baixar o valor da TVI para que alguem dê um passo em frente. Esse valor vai ser suportado fifty/fifty? Podem ter sido razões de higiene, calar aquela voz, por ser mais prejudicial do que benéfica no global?

Mas então está em causa a liberdade de expressão, vergada ao poder dos negócios.

E a pergunta mantem-se. Agora, em plena campanha para as eleições? Ingenuidade da administração? Mas alguem acredita nisso? A administração tira do ar a jornalista porque seria pior dar-lhe mais dois fins de semana ? Ou o que ela sabe e pode tornar público é uma bomba relógio?

Lembre-se que no fim de semana anterior tinham saído notícias em vários jornais que indiciavam que o processo Freeport estaria no fim e com Sócrates ilibado.

Hoje o Presidente do Sindicato dos Magistrados vem dizer que o processo Freeport só estará fechado em 2010!

Eu não ponho o meu esbelto pescoço no cepo, mas essa de ser a oposição a armar uma cilada, convencendo a maioria da administração a tomar essa decisão estúpida, nesta altura, só pode ser brincadeira!

Parece que isto do tempo vai dar chuva

Além do estado da nação há o estado de espírito na nação. Eduardo Pitta escutou esta preciosidade na Avenida de Roma, a “duas senhoras (eram mesmo senhoras) com 70 e muitos anos”:

Sabe que mais?», dizia a do TLS, «era bom que ganhasse o Bloco. A NATO intervinha logo.» / «E punha tudo na ordem!», disseram as duas à vez.

Isto é música para os meus ouvidos.

Quando as senhoras que são mesmo senhoras invocam a protecção da santa madre NATO podemos contar de seguida com peregrinações a Fátima, esta gentinha a dar de frosques para o Brasil (e daí não sei, que na Latina América também sopram ventos que já foram de Leste), e o resto deixo à imaginação de cada um, que as repetições na história costumam ser manifestamente exageradas.

Venha ela, chuvinha da boa, para regar a terra e refrescar cabeças.

Debate : Portas – Jerónimo

Juntaram-se à esquina a atirarem-se ao Sócrates, que é o bombo da festa. Todos contra o governo, contra as medidas na Educação, na Saúde, onde chegaram aquela conclusão extraordinária que seria melhor atacar as listas de espera com os privados em Portugal do que com uma ida a Cuba, descobriram as PMEs, quando andaram trinta anos a disputar a meia dúzia de grandes empresas, estão de acordo na Agricultura, isto é, estão de acordo que este Ministro é o pior de sempre, nem sabe sequer distribuir os subsídios .

Afinal os Megainvestimentos tambem tiram o crédito às PMEs pelo que nenhum quer os investimentos públicos, agora não, talvez mais tarde, descobriram agora que as PMEs representam 70% do emprego e 90% do PIB. descem os impostos, perdão, sobem os impostos aos bancos e às empresas monopolistas e baixam às PMEs, há cartel nos combustíveis gritam os dois à uma, não há dúvida, o Sócrates fez o contrário do que devia ter feito.

Aqui para nós, estiveram os dois a comer da mesma farinha, a central, a que é comida há trinta anos e sempre pelos mesmos…

PS: desculpem a pressa mas avisaram-me que a Ana Anes acabou de publicar um texto aqui no Aventar e eu estou ansioso, volto já…

Os homens e o Sofá

Há uns anos, quando ainda era nova, escrevi uma crónica sobre os homens e os minetes que causou uma grande escandaleira. Ora passados uns cinco anos, descubro que há uma nova estirpe de “homens” : os que dormem no sofá. Vão desde Directores Gerais, Directores de produção, Fotógrafos, criativos, economistas mas basicamente é mal que atinge as classes B+ e A. A estirpe do sofá não é para os pobrezinhos. É , sim, para os pobrezinhos de espirito e de “cojones”, por isso, desenganem-se se acham que é mal da linha de Sintra e subúrbios… A “gripe do sofá” atacou muito de fininho homens de todos os estratos sociais, mas sobretudo malta importante e cheia de peso na nossa sociedade. E se pensam que o vosso PDG ( Président Directeur Général) é um tipo muito mau na empresa e trata todos abaixo de cão, podem ter a certeza que em casa… dorme mas é refasteladinho no sofá e sobretudo… caladinho que é assim que se comportam os cobardes atinados. São os novos cobardes. Os underdogs que ,de dia andam disfarçados de gente, e, à noite dormem há um, dois ou três anos no sofá da sala. Piam de fininho a partir das 22h, porque ” o papá adormece a ver tv é por isso que acorda no sofá” e , obviamente, as crianças são estúpidas como se sabe e caiem que nem parvinhos. Pensam os pais, esses iluminados.

Para os novos cobardes, deixo apenas duas palavras: “Chateau D’Ax”. Aqueles sofás caros para caraças onde a Isabel Figueira fazia publicidade antes de pôr o César Peixoto, provavelmente, a dormir no sofá.

Quanto a mim a lição é simples: Para além do “nada é o que parece”, cada vez me agarro mais ao velhinho mas eficaz ” LIVING AND LEARNING”….

E claro, poderia mesmo dedicar esta crónica a alguém em especial. Mas não faço, porque até sou uma rapariga discreta, não é?

O debate Paulo Portas – Jerónimo de Sousa

Sem José Sócrates, os debates são educados e afáveis. As regras são cumpridas. Foi o que aconteceu hoje, apesar das divergências entre os contendores.
Paulo Portas esteve melhor e, infelizmente, venceu o debate, apontando caminhos sociais e parecendo até estar preocupado com os mais necessitados. Até certa altura, até pareciam estar os dois de acordo, mas as nacionalizações vieram marcar as diferenças entre PCP e CDS, entre Esquerda e Direita. Jerónimo de Sousa acabou por dizer umas coisas acertadas acerca dos Bancos, como o escândalo que é continuarem a pagar menos impostos do que as Pequenas e Médias Empresas, mas teria sido mais acertado dizê-las ao primeiro-ministro. O candidato comunista não há meio de arribar, nem com o «Red Bull» que o «5 Dias» lhe ofereceu. Pode ser que arribe no debate que he falta, com uma senhora da sua idade talvez seja arrebatado pelo fogo que até agora lhe faltou.

AINDA O CAPITALISMO

AINDA O CAPITALISMO

Amigo Luís Moreira. A humanidade evolui em tudo, à medida que o tempo avança. É o evoluir permanente do conhecimento. Hoje, dentro das sociedades ditas civilizadas, ninguém se desloca de carro de bois nem ninguém permanece alheio e indiferente ao que o rodeia. A influência exercida pelo crescimento, que não é o mesmo que desenvolvimento, mexe com tudo e muda constantemente as pessoas e as sociedades. Para melhor? Nem sempre.
A ciência deu um salto enorme e continua a desenvolver-se. O pensamento e as funções da sua estrutura neuronal avançaram de forma impressionante. É lógico e fácil aceitar que hoje haja muita gente a viver com mais paz e democracia, entendendo-se por democracia a sua irmã bastarda, com sistemas sociais de apoio que nunca existiram. Mas as desigualdades, mesmo nesta parte privilegiada da humanidade são escandalosas. Tudo isto, o bom e o mau, decorre não apenas do sistema em si mas da evolução natural de uma sociedade algo bem intencionada e algo perversa, em que o ser humano está inserido. Mas a muita gente a que se refere, está longe de ser a parte substancial da humanidade. A maior parte da humanidade está longe da paz, da democracia, da solidariedade e da justiça. Mas pior do que isso, está talvez em retrocesso. A maior parte da humanidade, numa época de grande crescimento e de inimagináveis transformações, está cada dia mais longe do desenvolvimento, isto é, da paz colectiva, da democracia universal, da saúde do planeta, da educação do Homem, do sustento da humanidade global, da solidariedade e da justiça. Assistimos hoje, proporcionalmente e contextualmente, a desequilíbrios e tremendas injustiças, a requintes de crueldade e desprezo pelos outros, talvez bem maiores do que há séculos atrás. E tudo isto, a meu ver, pela sede demencial de domínio e pela voracidade nunca vista dos agentes de criação de uma tão contestável quanto concentrada riqueza, sem qualquer espírito de benfeitoria ou solidariedade humana. O capitalismo é mau por natureza, aberrante na teoria e perverso na sua prática. Sempre beneficiará os ricos e condenará os pobres, por mais voltas que a gente dê. Lembro-me sempre das palavras da empregada doméstica, sem qualquer recurso, sobre-explorada por uma patroa cruel e desumana: – se não fosse ela eu nem sopa tinha para dar aos meus filhos.
O amigo Luís Moreira refere os profundos desequilíbrios e a incapacidade do sistema capitalista para criar igualdade de oportunidades. Mas isto, acrescento eu, é impossível de debelar dentro deste sistema. Este desequilíbrio e este desnível indelével constituem o metabolito essencial à sua sobrevivência. Por isso eu lhe chamo de anquilosado e cristalizado. Pode-se argumentar que o sistema capitalista há-de um dia chegar à eliminação dos desequilíbrios gritantes e à igualdade de oportunidades. Se em tal não se acreditar, é terrível, em termos de esperança e confiança no futuro. Trata-se, com efeito, de uma doença crónica, a qual, sem hipótese de cura, se vai aguentando com tratamentos paliativos ainda que modernizados pela evolução da ciência social e humana. Se, eventualmente, se acreditar, então o resultado, muito improvável, chamar-se-ia pura e simplesmente de socialismo. Mas o socialismo é uma filosofia de vida, uma filosofia de vida colectiva dentro do mais elevado grau de felicidade possível, uma estratégia política de moralização da humanidade, uma tentativa de elevação da dignidade ao cimo dos valores humanos. A antítese de qualquer filosofia capitalista.
Para chegar ao socialismo não há prazos nem linhas rectas nem caminhos milagrosos, embora alguns possam ser previamente pensados e traçados. Eventualmente serão muitos os trilhos do pensamento que até ele um dia nos levarão, apesar da inegável actualidade de Marx que esta deplorável crise, espécie de abcesso purulento, uma das chamadas “bolhas” do sistema, veio demonstrar.
O sistema capitalista tende a curar os seus excessos e delírios através de crises. Quando um dos seus abcessos rebenta, há um terramoto, a riqueza é destruída, as pessoas são dispensadas e despedidas sem contemplações, as instalações de produção são encerradas numa espiral descendente de contracção. A segurança é nula. Os desesperados, os desempregados e todos os desafortunados que do sistema dependem aceitam tudo até que o fim da crise reponha novamente a falácia e o sistema caminhe para a bolha seguinte, repetindo o ciclo, por etapas cada vez mais refinadas de uma grotesca exploração do homem pelo homem.

Amigo Luís Moreira, também o considero um interlocutor de grande sensibilidade e seriedade. Obrigado por me dar troco.
Um abraço do amigo Adão

ETICA E EDUCAÇÃO (6)

ETICA E EDUCAÇÃO (6)
Considerações sobre Ética

Existe uma ética objectiva, inscrita no nosso código genético, válida só por si, existe uma ética baseada na história da vida e das sociedades humanas ou existem ambas, fundidas e inseparáveis?
Se juntarmos tudo o que está escrito sobre ética encheremos um camião. Portanto, vamos deixar-nos de complicadas iguarias, satisfazendo-nos com a nossa comida mais caseira. O sentido mais antigo da ética residia no conceito de morada ou lugar onde se habita, um lugar exterior ao Homem, conceito que, muito mais tarde, se transformou em morada do Homem no interior da sua cumplicidade, o lugar do Homem dentro de si mesmo. A ética compreende a disposição do Homem na vida, interfere com o seu carácter, os seus costumes, a sua moral, ao fim e ao cabo com o seu modo e a sua forma de vida. O Homem faz-se por si e pelos outros. A ética é a autenticidade deste fazer-se.
Há uns anos atrás, um doente meu, homem já idoso, daqueles para quem a cultura não é um empilhamento de conhecimentos mas a capacidade de entender os fenómenos que nos rodeiam, ensinou-me, por palavras simples, que o Homem para ser Homem tem de ser gente. Pressupunha que o ser gente resultaria da construção de alguma coisa assente em vários pilares:
O primeiro pilar seria constituído pelo pensamento e pela sua inseparável companheira, a razão. A ética é uma consequência da razão. Podemos dizer que as plataformas que permitem a elaboração de um pensamento ético são a liberdade e a responsabilidade. A capacidade do Homem de se auto-determinar e assumir a direcção da sua vida determina-o como homem livre e, por conseguinte, a caminho do sujeito ético. E um sujeito ético é, fundamentalmente, um sujeito que procura a verdade. O referente da liberdade humana é a procura da verdade, porque a verdade orienta a liberdade e encaminha-a para a sua plenitude. O pensamento é o suporte mais poderoso e a mais forte armadura do Homem, a mágica força da sua criatividade. Sem pensamento e sem razão a mente humana não passa de um céu brumoso, sem ponta de sol. Por isso o pensamento e a razão têm tantos inimigos!
O segundo princípio ou pilar fundamental decorre do primeiro e chama-se cultura. Não sei verdadeiramente o que é a cultura. E cada vez sei menos, neste pequeno país e neste pequeno planeta feito de inúmeros serventuários medíocres, de impante provincianismo, incriativos plagiadores de todos os lugares-comuns inseridos nas políticas de retrocesso. Sei, no entanto, que não é a cultura-espectáculo, a cultura enlatada de políticos e cabotinos, a massificação e homogeneização que só geram vícios consumistas, impedindo o homem de pensar, reflectir e encontrar, mas a cultura do dia-a-dia, a cultura estruturante da pessoa, a cultura do percurso, a cultura da ética dialógica que está na base da racionalidade crítica orientada para a procura do significado da realidade humana.
O terceiro princípio seria o respeito pelos outros. Todavia, o respeito pelos outros nunca existirá se não houver respeito por nós próprios. O respeito pelos outros é o espelho de nós próprios.
O quarto pilar desta edificação ética do Homem seria a justiça e a solidariedade. O primeiro passo da solidariedade estaria no entender da justiça social e no seu consciente reconhecimento como prioridade das prioridades. O segundo passo seria a consciência de que viver dos outros implica sempre viver com os outros e para os outros. Ao contrário daqueles que aceitam o individualismo como fatal decorrência da onda globalizante e o desculpabilizam e desnegativizam, eu penso que o Homem é um ser para o encontro, encontro consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com o transcendente, a quem abre a interioridade da sua consciência e da sua auto-posição. (Continua)

                        (manel cruz)

(manel cruz)

Como dizem que o clima está a mudar…

2_47

Como o nosso Antero tem andado ausente, aqui fica este excelente cartoon de Handoko Tjung acerca do aquecimento global.

BI-QUADRA DO DIA

Criam cofres bem escondidos

A que chamam off shores

Não te deixes S. João

Embarcar em tais amores.

 

São ratos e ratazanas

Porcos e outros que tais

São tão sujos estes gajos

Mais porcos do que animais.

A verdade, afinal já havia outra

politica de verdade

É a citação do dia, vinda do facebook (quando for grande hei-de aprender a fazer linques para lá): o fantasma de Salazar nas costas da sr. Manuela F. Leite.

Curioso é o facto de alguém bem próximo dela conhecer de certeza absoluta o texto, o seu contexto, e pelos vistos ter achado que era o único. Estou a falar de Pacheco Pereira, claro.

Mário Soares: não vamos ver isso nas eleições?

Mário Soares tem vindo a fazer frequentes declarações nos jornais o que não augura nada de bom. Na base das suas preocupações está o facto de que a maioria das pessoas em Portugal seria de esquerda pelo que não se entende que a direita possa ganhar as eleições do próximo dia 27.

Mas não é isso mesmo que se vai ver com as eleições? Se o país é ou não de esquerda, neste momento? Ou melhor, se a política seguida nestes quatro anos por Sócrates merece a concordância do pais?

Mário Soares promete que se a direita ganhar a esquerda deve ir para a rua manifestar-se. Eu também irei se a direita quizer desmantelar o Estado Social mas temo que o alfa e o ómega estão na capacidade de criar riqueza, regular uma economia social de mercado, sem o que, aí sim, o Estado Social não é suportável.

Os socialistas “sentaram-se” no Estado e nas grandes empresas públicas, em meia dúzia de grandes grupos económicos e esqueceram-se que o nosso tecido empresarial é basicamente constituído por 300 000 PMEs que representam 70% do emprego e 90% da riqueza criada.

O desemprego é por aqui que se ataca não é inundando os bancos de dinheiro que depois não chega à economia, como muita gente os avisou. Não se ataca o desemprego e o miserável crescimento económico com empresas em monopólio, ganhando rios de dinheiro que, na falta de concorrência, não são mais que impostos travestidos de lucros, pois pagamos os produtos e os serviços mais caros da Europa.

E, por último, José Sócrates por quem o país tem uma espécie de “comichão” sempre que o vê com as suas mentiras, os seus casos, a sua falta de credibilidade.

Pois é, Dr. Mário Soares , as regras do jogo são estas e não outras. O povo é quem mais ordena!

Kindle surpresa (eu sei, eu e os trocadilhos não… pois)

Não sou um velho do Restelo, acreditem. Até estava disposta a experimentar o famoso Kindle (o novo leitor de livros electrónicos). Não abdicaria por inteiro do livro em papel, não chega a tanto a minha abertura de espírito, mas estava disposta a dar uma oportunidade a este novo mundo do livro electrónico. O nosso aventor Carlos Loures já havia feito uma lúcida análise deste tema no seu texto “No aniversário de Ray Bradbury – livro vs NTI” e eu, com todo o carinho que tenho pelo velho Ray, ia fazer ouvidos moucos das suas advertências. Mas eis que me chegou aos ouvidos que a Amazon, justificando-se com um problema de direitos de autor, apagou dos aparelhos Kindle os exemplares de “1984” e “Animal Farm”, de George Orwell, que haviam sido comprados e descarregados por vários dos seus clientes para o respectivo aparelhito. (notícia da AP disponível aqui.) A empresa oferece-se agora para reembolsar os lesados ou devolver-lhes os livros que haviam sido apagados, mas a sombra negra que este acto gerou é que já dificilmente se dissipa. A Amazon pode apagar um livro do Kindle depois deste ter sido comprado e transferido para o leitor?

Isto significa que pode aceder ao aparelho e saber quais os livros que compramos, que leituras preferimos, e até consultar as notas que tomamos, os sublinhados que fazemos, o que destacamos de cada página que lemos? Pode armazenar dados sobre as nossas preferências? Pode apagar, quando assim o decidir, aquilo que considera que não devemos ler? Pode enviar-nos os livros que entende que devemos ler, introduzindo-os no aparelho sub-repticiamente? Haverá um olho perpetuamente vigilante do outro lado do aparelho, a acompanhar a nossa leitura, a tomar nota dos bocejos ou dos sorrisos cúmplices que cada página nos desperte, a avaliar e a medir o tédio com que encerramos o ficheiro de um livro ou o entusiasmo com que sublinhamos passagens? Não, fiquem lá eles com o Kindle, que eu vou fazer caso ao velho Orwell.

Alberto João, taxista madeirense

Manuela Ferreira Leite usou hoje um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado Português, para fazer campanha eleitoral no Funchal. A líder do PSD fez várias deslocações na viatura oficial, ao lado de Alberto João Jardim, numa visita à ilha que foi sempre apresentada com uma acção da campanha eleitoral do PSD.

E ainda diz que a asfixia democrática é só no continente. Eu gosto da expressão asfixia democrática. Não sei porquê recorda-me o falecimento de David Carradine, deve ser por causa da corda no pescoço, e abre caminho para outras expressões: cólica democrática, eructação democrática, fobia democrática, é todo um mundo de figuras de estilo que se abre perante nós, que não andamos no mesmo táxi, nem temos pena.

Actualização:

Este comentário à notícia é fantástico:

Só se esquecem que a maioria dos portugueses não são burros. Percebem bem que a Dra. Manuela Ferreira Leite não procura qualquer proveito a partir daí. Percebem bem, que quase todos os seus governantes, fazem deslocações privadas no seu automóvel de estado. Mais, não é raro ver membros do governo chegarem a “convenções partidárias” nas viaturas oficiais.
A quem aproveita esta tempestade num copo d’água?
Mesquinhez… Pequenez.

Um bom exemplo de eructação democrática, onde ainda se acrescenta que foram só 500 m, com o taxímetro desligado. O que esta gente não conhece é a palavra princípios. Quando olham para ela, a 1 cm, 500 m ou 300 km, ficam com a vista enublada e acham-na de uma pequenez microscópica.

Agarrem as carteiras

Isto está a refinar, bué!

Um concurso para uma autoestrada ganho pela Mota/Engil do Jorge Coelho, que tem que passar por um terreno de Américo Amorim. Este protesta (não sei se pelas vias competentes)e a autoestrada já atribuída por concurso, é desviada do tal terreno (porque pode passar por um terreno e não por outro? pois…)

O novo traçado eleva para quase o dobro o custo da obra, o que seria mais que suficiente para fazer novo concurso. Nem pensar, o concurso está atrabuído e assim fica.

Diz Louçã que o aumento do preço é qualquer coisa como ir buscar ao bolso de cada um de nós 100,00 euros (vezes 5 milhões, é só fazer as contas…)

Tudo lícito, legal, normal, expedito, simplex, coelhone, socrático, xuxialista…

Cartazes das Autárquicas – Castelões (Penafiel)

PSD Castelões

Ricardo Duarte, PSD (Actual Presidente)

POEMAS DO SER E NÃO SER

A razão

 

A razão

tamanho de todos os céus

no silêncio de sonho-menino

os olhos cheios de serenas manhãs

na frouxa luz do fim da tarde.

A razão

palavra que se prende

por entre as folhas dos álamos

a doce margem de um regato

no sobressalto do pensamento.

A razão

saber se o tempo vai se o tempo vem

no calendário do sonho

não dar contas ao tempo

de um tempo que se não tem.

A razão

semente branca da vida

no fruto maduro da tarde

a esperança dos olhos frios

na quente ilusão de outro dia.

A razão

três lágrimas vertidas

na corrente do alto rio

um redemoinho de pedra e água

brincando à beira do abismo.

A razão

coração bem apertado

nos braços da solidão

a felicidade cantada

sem voz nova na garganta.

A razão

a firmeza do vento

no rio que não volta atrás

…ou a leveza do luar

nas margens da sombra.

A razão

coração cravado na erva

espantalho de emoções

longos braços de palha

entrelaçados de ilusões.

 

                              (adão cruz)

(adão cruz)

A formidável derrota de Maria de Lurdes Rodrigues: Balanço de um mandato (2005)

No final de um longo mandato de 4 anos, é hora de fazer o balanço de Maria de Lurdes Rodrigues como Ministra da Educação.
Dividirei este balanço em cinco «posts», escritos através de uma leitura atenta da Bíblia dos Professores, «A Educação do Meu Umbigo», do Paulo Guinote, e através da minha visão pessoal dos acontecimentos.
Irei procurar caracterizar aquela que foi, na minha opinião, uma formidável derrota da mais duradoura titular da pasta da Educação em Portugal no pós-25 de Abril. Maria de Lurdes Rodrigues deixa uma classe de professores unida como nunca esteve e admiravelmente preparada para lutar pelos seus direitos; e deixa milhares de alunos muitíssimo mal preparados para o futuro que é, afinal, o futuro de Portugal. Mais mal preparados do que alguma vez estiveram, apesar das estatísticas – a única preocupação da Ministra ao longo de quatro anos – dizerem exactamente o contrário.
Uma Ministra que tomou posse em 12 de Março de 2005. Uma antiga professora primária, que fez o curso do Magistério Primário como forma de acesso à função pública. Omitindo estes factos, o «curriculum» oficial revelava-nos uma socióloga formada no ISCTE e cuja experiência profissional nos vinte anos anteriores se resumia a muita teoria – projectos de investigação, representações em grupos do Eurostat e da OCDE, liderança do Observatório das Ciências. Em termos de prática, leccionou no ISCTE e pouco mais.

Referi antes que a preocupação com as Estatísticas comandou o mandato de Maria de Lurdes Rodrigues. Aliás, já em finais de 2005,
Paulo Guinote insurgia-se contra essa verdadeira obsessão que dominava a Educação em Portugal. Ou queremos um sucesso educativo estatístico, mesmo que à custa de uma galopante iliteracia funcional, e então está certo continuar a soterrar em papelada a questão da avaliação dos alunos e a acusar os docentes de serem os culpados de não conseguirem encontrar a solução para o insucesso dos alunos, ou queremos uma sucesso educativo efectivo, só possível com o aumento do rigor, do esforço e do grau de exigência colocado a TODOS os agentes no processo educativo (alunos, docentes, famílias e poder político), recuperando a Escola como um local de trabalho e fruição e o Professor como alguém que não é um mero gatilho da aprendizagem mas um guia dessa aprendizagem, qualificado para o efeito e digno do respeito dos seus alunos, dos seus pares profissionais, das famílias e da sociedade.Mas para isso era necessário reformar a Educação a sério e não limitar a intervenção à cosmética legislativa do costume

As aulas de substituição estavam então na ordem do dia. Aulas de substituição que foram implementadas, relembre-se, a meio do 1.º Período, já com o ano lectivo a funcionar em pleno. De repente, tiveram de ser feitos, em cada escola, novos horários para os professores, mexendo, em consequência, com os horários das próprias turmas. Não foi dado tempo às escolas para se prepararem, não foi anunciado que no ano seguinte iriam começar as aulas de substituição – não, tinha de ser de imediato porque a estratégia junto da opinião púbica era mesmo essa.
Paulo Guinote ainda admitia que tanto pode correr mal como bem, mas desde cedo se notou que tudo não passava de uma encenação e de uma palhaçada que tinha como único objectivo manter os alunos enclausurados dentro de uma sala de aula durante todo o tempo que estavam na escola. Era assim na altura e continua a ser assim agora, mesmo que o assunto tenha deixado de ser notícia. As horas que são gastas de forma estapafúrdia podiam ser aproveitadas em horas de apoio para os alunos com dificuldades, mas a Ministra da Educação pensará que é melhor que os alunos nada façam durante 90 minutos desde que ninguém os veja no recreio.
Como já escrevi aqui, os alunos que se esforçam, mas não conseguem, é que deviam ser apoiados com aulas de recuperação constantes às disciplinas em que têm dificuldades, em vez da fantochada que, hoje em dia, continuam a ser as aulas de substituição.
É tempo perdido para os alunos, que nada aprendem enquanto estão nessas aulas. O que vêem à sua frente é um professor que não conhecem, que não respeitam e que nada percebe daquela disciplina, mesmo que leve uma ficha de trabalho deixada pelo colega em falta. Admito aula de substituição no caso de ser leccionada por um professor da disciplina, nada mais, e apenas para o ensino básico.
Curiosamente, porque o professor tem de estar na escola um número determinado de horas, é colocado em aulas de substituição, ou então na Biblioteca, Sala de Estudo, etc.. Se está em aula de substituição e nenhum colega falta, fica na Sala de Professores, duas horas ou mais, sem fazer nada. Se vai para a Biblioteca, Sala de Estudo, etc.., nada tem para fazer, porque os alunos estão em aula ou em substituição, por isso não podem sair da sala. Não seria difícil aproveitar melhor o trabalho dos professores de forma a beneficiar também os alunos, sobretudo através de aulas de apoio individuais para todos os que precisassem.

(continua)

Francisco Leite Madeira – Mais eleições: O circo vem aí!

O circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas

Tendo ainda presente o resultado das eleições europeias de há pouco mais de um mês em que, como escrevi, “o eleitorado deixou claro estar farto da ineptocracia socialista, de muitas promessas e de estórias da treta, ansioso por dias melhores”, aí estão à vista as legislativas, primeiro, logo seguidas das autárquicas. Dir-se-ia, termos mais um mês com o “circo” que vai chegando em ritmo de marchinha brasileira

Ai, o circo vem aí!
Quem chora tem que rir
Com tanta palhaçada!
Tem hindu que come fogo,
Faquir que come prego,
Mulher que engole espada.
Tá na hora!
Olha, bota o palhaço p’ra fora!

Que bom seria poder encarar-se com essa ligeireza a situação em que o País mergulhou, agravada que está, sem dúvida, pela crise assaz complexa que o mundo atravessa. O País anseia por uma vida melhor e, desiludido das promessas não cumpridas pela governação socialista, aguarda uma revisão de políticas que sejam adequadas à realidade, assentes na verdade e na sua exequibilidade.

Sem ir muito longe, esquecendo diversos aspectos relacionados com a promessa de consolidar as finanças públicas, incluindo o não aumento da carga fiscal já de si enorme e a contenção da despesa pública do Estado, que falhou, cabe salientar dois aspectos onde a evidência do não cumprimento das promessas eleitorais de 2005 foi dramática sem lugar, para qualquer dúvida:
1. Foi prometido reduzir a taxa de desemprego em Portugal ao longo da legislatura 2005-2009, mercê da criação de 150 mil novos postos de trabalho; ora, foi ao invés, como é do domínio público e a taxa de desemprego subiu para cima dos 9% e existem em Portugal presentemente mais de meio milhão de desempregados, tendo ultrapassado 150.000, os que nos últimos tempos engrossaram as estatísticas do desemprego.
2. Foi prometido aos Portugueses “voltar a aproximar, de forma decidida e sustentada, do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia”, devendo entender-se que isso significaria uma convergência como a que se verificou em resultado das políticas dos Governos da República de 1985 a 1995; ora, sucede que em 2005, Portugal no ranking dos 27 países da UE, ocupava a 18ª posição, com o PIB per capita equivalente a 76% da média europeia e em 2008 embora mantendo a mesma média, baixou para a 19ª posição, o que significa ter divergido e não convergido.

Para além das limitações de espaço, seria fastidioso fazer uma escalpelização do rol de promessas socialistas de 2005, a nível nacional, de que ninguém já tem qualquer dúvida. Importa no entanto, simplesmente, evocar os reflexos negativos que também as políticas do governo de Sócrates, tiveram para a Região, nomeadamente, os resultantes da famigerada Lei das Finanças Regionais que foram, inclusivamente, objecto de um estudo de docentes da Universidade Católica Portuguesa, já reportados pela media.

Posto tudo isto, é importante ter presente que as eleições de 27 deste mês, são para a Assembleia Legislativa e que, não obstante algumas tentativas de determinados políticos e politiqueiros, quiçá menos bem intencionados, “confundindo”, procurem associar à governação da RAM, o que só acontecerá daqui a dois anos por ocasião das eleições regionais. Na mesma linha, convém não esquecer tampouco que a “sujeição” à disciplina partidária – isto aplica-se a todos os partidos – normalmente condiciona o sentido do voto dos deputados eleitos pela RAM para São Bento, por muito “boas e bem intencionadas pessoas” que possam ser. Daí a importância da reflexão desapaixonada por parte de todo e qualquer eleitor, a ponderação antes de decidir em que partido votar – é Portugal que está em jogo.

Em 11 de Outubro há mais eleições, as autárquicas, que abordarei em próximo artigo – o circo vai continuar por aí, com palhaços além de malabaristas, trapezistas, ilusionistas e vigaristas.

Publicado também no Diário de Notícias da Madeira

Sondagem – o "centrão" a caminho ?

Aqui vai com a convicção que daqui a menos de dois anos vamos novamente a eleições.

PS – 34.5%

PSD – 28.9%

BE – 10.4%

CDS – 8,1%

PCP – 7.8%

O PCP parece baixo do que vale. O BE idem. A diferença entre os dois primeiros alargou-se o que é contraditório.

Esperar para ver.