Grécia: Manipulação na comunicação social em campanha pelo “Sim”

manipulação imprensa grécia

Dois casos de manipulação de imagens na comunicação social grega. Uma imagem de 2012 usada para sugerir filas nos multibancos gregos e uma vítima do terramoto da Turquia “transformado” em pensionista grego. Detalhes: infoGrécia.

Manipulação da opinião pública: a lição grega

All seeing sheep

Para além de todos os chavões, de todas as mentiras, de toda a manipulação e do esforço colossal que determinados sectores encostados ao regime têm levado a cabo para instituir a narrativa do pensamento único, aquela que coloca a responsabilidade da crise sobre os ombros do Syriza, ilibando os verdadeiros responsáveis – PASOK, Nova Democracia, FMI, supervisão comunitária e restantes jahidistas financeiros – e transformando a situação actual num embate entre os caloteiros que não querem pagar e os honrados regimes europeus que se submetem religiosamente à candura dos mercados, a verdade é que tudo junto se tem revelado, até ao momento, insuficiente para tombar o governo grego.

[Read more…]

Paulo Portas, um radical que não se importa de dar cabo de tudo

PPMLA

Durante uma homenagem ao congressista norte-americano luso-descendente Devin Nunes, Paulo Portas aproveitou o palanque para lançar algumas achas eleitoralistas para a fogueira grega:

Há um radicalismo que não se importa de dar cabo de tudo, por razões ideológicas.

Mas nem só de ideologias se fazem os radicalismos que não se importam de dar cabo de tudo. Outros há que dele fazem uso por motivos de ambição pessoal. Quando há exactamente dois anos e um dia atrás Paulo Portas apresentou a sua demissão, na sequência da nomeação da Maria Luís Albuquerque para ocupar o lugar deixado vago por Vítor Gaspar, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmava, em carta dirigida à nação:

Expressei, atempadamente, este ponto de vista [oposição à escolha da actual ministra para o lugar] ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

[Read more…]

Lutar Com a Grécia

grecia_depois_nosAo lado da Grécia, não com ela, contra ela.
Esta semana, a Grécia poderá ser forçada a fazer uma escolha dolorosa: aceitar as políticas falidas da austeridade ou possivelmente sair da zona euro, o que causará caos na Europa. Podemos ajudar a criar a maior mobilização em prol da social-democracia já vista e assim anular esta crise”.
Assinar a carta é grátis.

Grécia: o que o NÃO significa

O discurso de Tsipras ontem à nação grega. [em inglês]

Espiando os espiões

Serviços secretos americanos e britânicos espiaram discussões de responsáveis alemães sobre a crise grega. Fonte: Wikileaks.

Grécia, a ponta do icebergue

Cartoon GreeceSerá que quando o casco rebentar, irresponsáveis servis como Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy vão alegar que não podiam antever tal cenário? É possível. Um incompetente telecomandado há-de ser sempre um incompetente telecomandado. Por agora, deixemos os miúdos desfrutar do conto para crianças do avô de Boliqueime, para quem está sempre tudo bem até ao momento em que as pessoas lúcidas lhe explicam, bem devagarinho para o cérebro não gripar, que afinal não é bem assim.

Cartoon@Hedgeye

Crowdfounding para a Grécia em baixo

O site Indiegogo tem estado recorrentemente em baixo desde ontem devido ao crowdfounding para salvar a Grécia lançado por um empregado inglês de uma loja de sapatos.

Thom Feeney

Eu criei a campanha de crowdfunding para apoiar o resgate grego porque estava cansado com a indecisão dos nossos políticos. Cada vez que uma solução para salvar a Grécia é atrasada, é uma oportunidade para que os políticos exibam o seu poder, mas durante este tempo o efeito real incide sobre o povo da Grécia.

A reacção foi tremenda, tenho recebido milhares de mensagens de agradecimento e, enquanto escrevo, quase € 630.000 foram prometidos por mais de 38.000 doadores. Muitos gregos enviaram-me mensagens dizer como ficaram felizes por saber que pessoas reais em toda a Europa se preocupam com eles. Deve ser difícil quando se acha que o resto do continente está contra você.

[Thom Feeney, no The Guardian]

Uma coisa é certa, a direita, tão fã da caridade, deve estar deliciada com a iniciativa.

Há esperança na Europa, falta ultrapassar as barreiras que os políticos levantam.

[Actualização 1/7/2015, 18:27]: acabei de saber que o valor recolhido ultrapassa um milhão de euros:
€1,005,217EUR, raised by 59,109 people in 3 days

Para onde foi o dinheiro emprestado à Grécia?

Lê-se no The Guardian que menos de 10% foi usado para reformar a economia e apoio social.

Less than 10% of the money was used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society

Only a small fraction of the €240bn (£170bn) total bailout money Greecereceived in 2010 and 2012 found its way into the government’s coffers to soften the blow of the 2008 financial crash and fund reform programmes. Most of the money went to the banks that lent Greece funds before the crash.
(…)
This [o perdão da divida grega] eliminated about €100bn of debt, but €34bn was used to pay for various “sweeteners” to get the the deal accepted. That €34bn was added to the Greek debt. Greek pension funds, which were major private lenders, also suffered terrible losses.

Then €48.2bn was used to bail out Greek banks which had been forced to take losses, weakening their ability to protect themselves and depositors. Lastly, €140bn has been spent on paying the original debts and interest.

Less than 10% of the bailout money was left to be used by the government for reforming its economy and safeguarding weaker members of society.

Greek government debt is still about €320bn, 78% of it owed to the troika. As the Jubilee Debt Campaign says: “The bailouts have been for the European financial sector, while passing the debt from being owed to the private sector to the public sector”.

Resposta: banca. Como se pode ler acima, os resgates foram para o sector privado europeu, transferindo-se divida detida pelo sector privado para o sector público.

Confrontar isto com a treta que a direita vai dizendo sobre o assunto.

Sobre a tempestade grega

Greek Storm

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os “cofres cheios” vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

O dique grego, por Viriato Soromenho-Marques [DN]

Foto@The Telegraph

Página do referendo grego

referendo-gregoreferendum2015gov.gr/en

Como se constata, o problema nunca esteve nas diferenças entre as duas propostas.

euro implosão

Juncker sugere a Tsipras acordo de última hora.  Com a condição em que seria preciso “aceitar [por escrito; por escrito?!] a proposta de sábado das três instituições” e, ainda, dar o dito pelo não dito (campanha pelo sim). Possivelmente, baixar as calças também poderia vir a ser pedido.

Exactamente, o que é que mudou que impedia que o acordo de sábado fosse aceite mas agora já é proposto de novo? Nada. Ah, não, a Grécia vai referendar uma decisão europeia, algo sucessivamente recusado em anteriores contextos. Quais?

[Read more…]

Questão grega

André Serpa Soares

A “questão grega” que devia preocupar os dirigentes europeus e do FMI é meridianamente simples: como pagar a dívida colossal?
Esta é, aliás, de forma menos premente, a mesma questão a que urge responder relativamente a Portugal. Como pagar a dívida colossal?
É claro que as dívidas são para ser pagas. Mas se o serviço da dívida obrigar o devedor a deixar de comer, de pouco préstimo o esforço de pagamento será. O devedor definha e morre e ponto.
Com todos os programas de austeridade impostos pelas instituições,Troika, ou o que lhe quiserem chamar, as dívidas soberanas deviam ter começado a decrescer. A ser pagas. Não foram, porque não podem ser.
Porque os programas de “assistência financeira” não são mais do que nova dívida para pagar dívida antiga.
Se, por cá, estamos aparentemente de “cofres cheios” – “Portugal é sólido”, quase consigo ouvir alguém dizer – na Grécia eles já estão vazios.
A dívida sugou tudo o que estaria nos cofres gregos. Sugará tudo o que está nos cofres portugueses.
Nós não somos a Grécia. Mas os gregos somos nós, apenas mais avançados no tempo.
Estas dívidas, como estão, não se conseguem pagar, Empurram-se com a barriga.
É isso, e nada mais que isso, que tem feito a Europa balofa e seus apêndices institucionais.
Como se resolve? Não sei. Mas tenho cada vez mais certeza que isso em nada preocupa o Schauble, o Dijsselbloem ou a Lagarde. Por uma razão simples. Eles também não sabem. Nem querem saber. É um problema dos gregos, pensam. Mal. Pensam mal.

Afinal ainda existe solidariedade entre os povos da UE

Britânico lança campanha de crowdfunding para ajudar a Grécia e em menos de 24 horas já conseguiu angariar 173 mil euros. Consulte esta campanha aqui.

Cherchez la banque *

Para onde foi o dinheiro do “bailout” Grego?  (*)

Grécia: milhares defendem “não” aos credores em Atenas

grecia-manif-nao“Milhares de pessoas reuniram-se no exterior do Parlamento, em Atenas, para exprimir o apoio à decisão do primeiro-ministro [grego] de realizar um referendo à proposta [dos credores internacionais]”   [euronews]

A tragédia grega na bolsa Lisboa

Greecedebt1506

Diz-nos a edição de Segunda-feira do Público que enquanto as potências europeias se desdobraram ontem em reuniões de emergência e telefonemas entre as mais altas figuras políticas, em Portugal tudo estava tranquilo. Pelo menos no Terreiro do Paço, São Bento e Belém. Já no quartel-general da bolsa de valores de Lisboa, as coisas estiveram tudo menos tranquilas. A registar quebras na ordem dos 5%, a bolsa lisboeta não tinha recordação de resultados tão negativos desde o golpe de Paulo Portas em 2013 quando a manobra irrevogável nos custou milhões e a Euronext Lisboa se afundou violentamente. Interessante que um único irresponsável obcecado pelo poder possa causar danos tão catastróficos como a profunda crise gerada pelo impasse grego. Pena que ninguém tenha chamado a senhora Lagarde para pôr o vice-primeiro de castigo.

Enquanto a hecatombe ganha forma, esta Terça-feira promete mais desta peculiar tranquilidade no país dos cofres cheios. Com o anúncio do governo grego de que a tranche de 1,6 mil milhões a pagar hoje ao FMI não será regularizada, a especulação e o terrorismo financeiro preparam-se para ter mais um dia em grande. Será que já alguém teve o cuidado de explicar ao senhor Aníbal o que está realmente a acontecer?

Se estamos tão seguros caso a Grécia caia

porque raio estão hoje as bolsas e os bancos europeus a espalhar-se ao comprido? Perguntemos ao senhor Aníbal, ele deve saber a resposta.

Os gregos limpam as armas

camus

«Forçámos a beleza ao exílio, e os gregos limpam as armas para defendê-la (…)» Albert Camus, num texto de 1959, parcialmente transcrito aqui.

A culpa é dos gregos

corridaaosbancos

Samaris, o jogador do Benfica, está tramado: até pode ficar no banco, mas será responsabilizado por qualquer mau resultado da sua equipa. Porque é grego, claro, e o demónio na Europa passou a chamar-se Grécia.

Um Verão abrasador? chuvas torrenciais? nunca mais se falará do anticiclone dos Açores, a culpa é do ciclone grego. Trema a terra um bocadinho que seja e os dedos serão apontados a Hércules, que não deixa as colunas de Gibraltar em paz.

Estou a exagerar? não, estou a apenas a caricaturar o que por aí se diz sobre a Grécia e os gregos. Um governo com cinco meses é acusado de todos os males, obra e graça dos governos anteriores que combateu. Cinco anos de austeridade falharam, por culpa dos gregos, não da austeridade, embora a mesma receita tenha tido o mesmo efeito em Portugal, na Irlanda e na Espanha, milagrosamente transformados em países onde tudo correu bem, pese que só pela nossa parte tenha desaparecido meio milhão de empregos, fora o saque a que chamam privatizações. [Read more…]

“O Eurogrupo é um grupo informal que não está vinculado a Tratados ou a regras escritas”.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do grupo informal.
Mais sobre como Varoufakis foi excluído da reunião de ontem, aqui.

Passos telefona a Obama: no worries, safes are full

Obama telefona a Merkel. É preciso evitar que a Grécia saia da zona euro

Syriza política alternativa contra Austeridade

João Pereira

Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.

[Read more…]

As peças em movimento

Ministro das finanças austríaco diz que grexit é quase inevitável. Primeiro-ministro francês afirmou que BCE não deixará cair a Grécia.

A ousadia vai ser duramente punida

Lagarde critica manutenção do referendo e BCE fecha torneira. Que fique claro quem é que manda.

Democracia na UE: a nota de rodapé que diz tudo

11027995_10207401653465819_807659096120870180_n

O texto do comunicado do Eurogrupo (excluída a Grécia, que não foi chamada para a reunião), numa tradução muito rápida:

«Desde o acordo de 20 de Fevereiro de 2015, relativo à extensão do actual programa de assistência financeira, ocorreram intensas negociações entre as instituições e as autoridades gregas, com o objectivo de alcançar uma solução satisfatória para a referida extensão. Atendendo ao prolongado bloqueio nas negociações e à urgência da situação, as instituições apresentaram uma proposta exaustiva sobre a questão dos condicionalismos políticos, recorrendo à flexibilidade prevista no actual acordo.

Infelizmente, apesar dos esforços empreendidos em todos os planos e do total apoio do Eurogrupo, a proposta foi rejeitada pelas autoridades gregas, tendo estas últimas abandonado as negociações unilateralmente a 26 de Junho. O Eurogrupo sublinha as significativas transferências financeiras e o apoio acordado à Grécia ao longo dos últimos anos. O Eurogrupo esteve até ao último momento aberto a ponderar a continuação do apoio ao povo grego através da prossecução de um programa orientado para o crescimento.

O Eurogrupo toma nota da decisão do Governo grego de avançar com uma proposta de referendo, com data prevista para Domingo, 5 de Julho, ou seja, posterior à expiração do programa. O actual programa de assistência financeira à Grécia expira a 30 de Junho de 2015, o mesmo acontecendo com todos os acordos a ele relativos, incluindo a transferência pelos Estados-membros de títulos de dívida e activos financeiros líquidos.

As autoridades da zona euro estão preparadas para fazer o que for necessário para assegurar a estabilidade financeira da zona euro.»

Grécia/eurogrupo: fim de jogo

eurogrupo_grecia Numa clara retaliação ao anúncio do Governo grego de referendar mais austeridade para a Grécia, o Eurogrupo (sem unanimidade, naquela que será uma violação dos tratados europeus) anunciou a recusa de extensão do prazo para lá de dia 30 de Junho. Questionado sobre a hipótese de o povo grego dizer SIM a mais austeridade, Jeroen Dijsselbloem afirmou não reconhecer credibilidade ao actual Governo grego – todavia eleito pelo povo da Grécia, ao contrário das instituições que questionam a sua legitimidade. O comunicado do Eurogrupo aqui.

A farinha de que são feitos os euro-boys

Eurogrupo começa com críticas à “decisão lamentável” do referendo na Grécia. Presidente do Eurogrupo criticou o primeiro-ministro grego, que decidiu referendar as propostas dos credores. [DN]

Grécia obrigada a pagar antes do referendo

O poder estabelecido faz o seu movimento.

Dijsselbloem confirmou que o prazo final para o próximo pagamento é mesmo a próxima terça-feira, e disse que o Governo grego não tem credibilidade suficiente para prometer implementar o que os gregos decidirem em referendo. [P]

E a Europa da suposta união terminou oficialmente hoje.

Ministros das Finanças suspendem reunião e voltam a debater já sem a presença do ministro grego Yanis Varoufakis; [P]

E quais foram os grandes motivos da “discórdia”? Os credores não aceitam um imposto de 12% sobre lucros superiores a meio milhão de euros, querem menos 1% no aumento de IRC, recusam que as empresas paguem mais segurança social e querem que a restauração pague 23% de IVA.

Aqui está a barreira intransponível. A não ser que, como é óbvio, a agenda escondida seja outra.

A situação da Grécia numa curta frase

A intransigência dos credores face às pequenas diferenças das propostas gregas serve para quebrar a insurreição da Grécia face ao poder estabelecido. Pura consolidação do TINA.