Cabe sempre mais um político

E

via Expresso

Quando decidir retirar-se da política, António Costa poderá encontrar uma porta aberta no grupo Jerónimo Martins. Pelo menos a julgar pela admiração de Pedro Soares dos Santos pelos skills negociais do primeiro-ministro. E porque dá sempre jeito ter um político influente em qualquer conselho de administração. Os conselhos de administração da maioria das grandes empresas portuguesas recordam-me, por vezes, algumas universidades deste país: cabe sempre mais um político.

Muda o merceeiro, continua a mercearia holandesa

O escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa deixou-nos a seguinte frase:

Algo deve mudar para que tudo continue como está.

Veio-me à memória quando li o seguinte título no ‘Público’:

Accionista da Jerónimo Martins propõe Pedro Soares dos Santos para presidente

À Sociedade Francisco Manuel dos Santos, controlada pela família Soares dos Santos, justamente por se tratar de uma sociedade, é permitido ser accionista único da sociedade anónima JM – legalmente é obrigatório o mínimo de cinco sócios (accionistas), em caso de participações individuais.

A mim, pelo menos, não me causa a menor surpresa que, à renúncia à presidência pelo pai, o também comentador político Alexandre Soares dos Santos, suceda o filho Pedro. Tenho a certeza, pois, de que a mudança familiar de merceeiro não ameaça os interesses da JM e do paraíso fiscal da Holanda que, continuará, a embolsar os impostos sobre os lucros da dita sociedade.

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Jerónimo Martins a Bastonário

Jerónimo Martins 2

Nas eleições da Ordem dos Advogados que se avizinham, concorrem seis candidatos ao lugar de Bastonário.

Um deles, tem todo o meu apoio e confiança.

Chama-se Jerónimo Martins.

Mas, quem é Jerónimo Martins? [Read more…]

A canção que resolve os problemas

soaresdossantosAlexandre Soares dos Santos, após uma investigação decerto aturada, descobriu que não é a cantar a Grândola que se resolvem os problemas. Apesar da minha paixão pela música de Zeca Afonso, devo dizer que, em parte, concordo com o chairman da Jerónimo Martins.

Miguel Relvas tentou cantar a Grândola em Gaia e não conseguiu resolver o problema, criando mais um, o da desafinação. Para além disso, depois de, em 1974, ter ouvido e cantado várias vezes a Grândola, não consegui resolver dois problemas que me surgiram no exame de quarta classe.

Pelas palavras de Alexandre Soares dos Santos fico, no entanto, com a impressão de que ele conhece a canção que resolve os problemas. Ter-lhe-ia ficado bem partilhar, patrioticamente, uma descoberta tão benfazeja. Julgo, contudo, ter descoberto um grupo de três temas musicais entre os quais será possível descobrir o segredo da canção que resolve os problemas. [Read more…]

Alexandre Soares dos Santos

em pose de salvador da Pátria diz não compreender as “mensagens de ódio e insulto”. E no entanto, o povo indignado continua a consumir nas lojas da Jerónimo Martins, que em 2012 apresentou mais de 360 milhões de euros de lucros.

O Guerreiro e o “tio” Alexandre Soares dos Santos

O director do ‘Jornal de Negócios’, neste artigo, transformando em discurso colectivo aquilo que é opinião do próprio, escreveu:

Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal.

Lido num ápice, sem cuidar de saber quem são os manhosos, desconfiados moralistas e dos ineptos de que Guerreiro fala, até seríamos levados ao automatimso de subscrever a mais comum das ideias expostas. Com atenção, verificamos, porém, que a guerra dele é contra Ana Gomes, António Capucho e outros que criticaram a transferência da sede da ‘holding’ Sociedade Francisco Manuel dos Santos (SFMS) para a Holanda, por interesses de ordem fiscal. E na elegia da patriótica e solidária atitude do “tio” Alexandre, o pedadógico Guerreiro argumenta:

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a “holding” da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa “holding” não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa “holding” paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá – e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

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Atirar areia para os olhos

Tem muita piada ver as pessoas escandalizadas com a deslocalização da Jerónimo Martins. É que, só do grupo das empresas que integram o PSI-20, antes da JM, já outras 18 o tinham feito.

Como é muito engraçado, ver o principal partido da oposição dizer que tinham tentado prevenir esta situação, mas o Governo não quis. É que 95% dessas empresas efectuaram a deslocalização durante os 6 anos de governo PS!

Aliás, e para continuar o registo cómico do principal partido da oposição, é vê-los insurgirem-se contra a suposta ligação de alguns membros da bancada do PSD à maçonaria. Sim, o PS tem todo o direito de ficar indignado porque fizeram um inquérito na sua própria bancada e conseguiram descobrir deputados PS que não são “maçons”! Não eram muitos, mas descobriram alguns. E só uma pessoa mal intencionada poderia insinuar ligações entre os históricos do PS e a maçonaria.

Vão por mim, ainda vamos ver o insigne Ricardo Rodrigues, colérico e revoltado, a acusar membros da bancada do PSD de andarem a “gamar” gravadores aos jornalistas.

 

 

O comentador Pinguim sobre a boa educação e o golpe

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